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Sexta-feira, Julho 17, 2009

O socialismo democrático


O partido socialista gosta de se distinguir dos comunistas, realçando que o socialismo que preconiza é do tipo democrático, ao contrário do socialismo que é preconizado pelos comunistas, que é do tipo totalitário, isto é, consiste em impor uma ditadura do partido único sobre o aparelho de estado no seu conjunto.

Para percebermos melhor a democracia do socialismo dos socialistas, vamos então lançar um olhar sobre o novo modelo de gestão escolar que os socialistas pretendem impor ao funcionamento das escolas.

Segundo o modelo que é lançado pelo PS, passará a haver um director, que detém o poder executivo, e um conselho geral, que é parcialmente eleito pela escola, e a quem o director presta contas acerca do cumprimento das orientações que são fixadas para o funcionamento da escola.

Até aqui parece inocente, por mais controverso que possa parecer o processo de formação e responsabilização dessas instituições.

O problema surge, quando se atribui à figura do director, o poder de avaliar os membros do conselho geral, que são eleitos pelo corpo docente da mesma escola, para efeitos da sua progressão na carreira.

Afinal, em que é que ficamos? São os membros do conselho geral, que avaliam o desempenho do director, ou é o director que avalia os membros do conselho geral?

Como é possível um docente exercer a crítica sobre o desempenho do director, se o mesmo director conserva o poder de decidir acerca da progressão na carreira dos mesmos docentes?

Como é possível o conselho geral funcionar como um órgão colegial, quando alguns dos seus membros são sujeitos à apreciação do director, e os outros não?

Se esta democracia for transposta para o aparelho de estado, teremos um governo a deter o poder de “avaliar” os deputados que ousarem criticar os seus actos.

E aí está o socialismo democrático a demarcar-se do totalitarismo dos comunistas.

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Para cantar na camioneta ... !!

Para todos aqueles que se preparam para se deslocar a Lisboa, aqui envio uma sugestão para animar a caminhada.
Desejando uma boa viagem, na companhia daqueles que não deixam por mãos alheias a reclamação do que sentem como seu.


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Quinta-feira, Março 20, 2008

Bönisch e Wiegrefe - Quem cometeu o Holocausto? (2)

Holocausto


Crimes por convicção, crimes por excesso

Como satanás no Antigo Testamento, o mal tem muitas faces. Houve quem cometesse os crimes por convicção: os nazis comprometidos nas forças policiais - membros das SS e militares - que, tal como Hitler, estavam convencidos de que os judeus eram a fonte de todos os males. Alguns cometeram os seus primeiros assassínios nas décadas de 1920 e de 1930. Houve também quem cometesse os crimes por excesso, tirando partido da falta de direitos dos judeus na Europa de Leste, aproveitou para raptar e roubar. Na Galícia (região fronteiriça entre a Polónia e a Ucrânia), por exemplo, os membros das forças de ocupação dedicavam os tempos livres a disparar contra os judeus nos guetos ou a chantagiá-los na mira dos seus bens de joalharia.

Houve quem cumprisse ordens superiores, como o major Trapp do Batalhão de Reserva Policial 101. Segundo testemunhas oculares, o Major Trapp estava em lágrimas quando recebeu a ordem para disparar sobre 1500 mulheres, crianças e velhos judeus próximo de Varsóvia, ao mesmo tempo que pronunciava: "Ordens são ordens!" Em Julho de 1942, os seus homens fizeram sair as vítimas das suas casas, obrigaram-nas a entrar nos camiões e transportaram-nas para uma zona descampada para serem executadas. Dispararam sobre elas na cabeça ou na nuca e, ao anoitecer, os soldados tinham as fardas cobertas de fragmentos de ossos, material cerebral e manchas de sangue.

Do mesmo modo que normalmente há mais do que um perpetrador, também há várias razões para tornar um homem perfeitamente normal num assassino: anos de doutrinação, confiança acrítica nos dirigentes, sentido de dever e de obediência, pressão dos seus próximos, depreciação da violência por vivências de guerra, sem falar na cobiça pelas propriedades dos judeus.

Um homem que, ao que parece, não teve problemas em trocar o seu trabalho numa secretária por massacres no Leste foi Walter Blume, natural de Dortmund, nascido em 1906, filho de uma professora e de um advogado, que completou o equivalente alemão do bar examination com a pobre classificação de "adequado". Não obstante, em 1932 Blume foi colocado como assistente de Juiz na circunscrição da sua terra natal.

A carreira de Blume no regime de Hitler começou no dia 1º de Março de 1933, logo a seguir à subida ao poder dos nazis. A sua primeira posição foi a de chefe da divisão política do quartel-general da polícia em Dortmund. Depois de se inscrever no Partido Nazi e se alistar nas SA (Tropas de Tempestade), tornou-se chefe da polícia secreta, ou Gestapo, na cidade oriental de Halle, depois em Hannover e, mais tarde, na capital Berlim. A razão principal da rápida rotação dos oficiais superiores, típica da Gestapo, era facilitar oportunidades para adquirir experiência de repressão.

Com início em 1º de Março de 1941, Blume dirigiu o Departamento de Pessoal da 1ª Divisão do designado Reichssicherheitshauptamt (gabinete principal de segurança do Reich, RSHA). A sua primeira tarefa foi preparar pessoal adequado para um dos comandos de morte do Einsatzgruppen (grupo de acção especial), uma força composta por aproximadamente 3000 homens, conhecidos por a "Gestapo sobre rodas". Este grupo seguia o exército de Hitler à medida que este progredia para leste e encarregava-se da liquidação imediata dos "judeus bolcheviques" e da "excisão dos elementos radicais".

O próprio Blume dirigiu uma unidade conhecida como o "Comando Especial 7a", parte integrante da Einsatzgruppe B. Segundo as anotações de Blume, o seu grupo matou aproximadamente 24000 pessoas na Bielorrússia e Rússia entre Junho e Setembro de 1941. Pouco tempo depois, Blume regressou à RSHA, onde foi promovido à posição de chefe de divisão e líder exemplar das SS. Em Agosto de 1943 deslocou-se a Atenas, onde ele e dois subordinados de Adolf Eichmann organizaram a deportação de judeus gregos para o campo de extremínio de Auchwitz.

Blume foi levado ao Tribunal de Nuremberga em Setembro de 1947, em conjunto com outros 22 homens, cuja ocupação regular os qualificava como funcionários superiores da sociedade civil. Incluíam um dentista, um professor universitário, uma cantora de ópera, um pastor protestante, um professor e alguns jornalistas. Catorze foram condenados à morte, porém só quatro sentenças foram executadas. O Alto Comissário dos Estados Unidos da América, John McCloy, perdoou os restantes, incluindo Blume, e gradualmente ao longo dos anos foram sendo libertados. Blume tornou-se um homem de negócios.

Muitos dos perpetradores nunca foram castigados. Houve até hoje 6500 condenações, das quais apenas 1200 por homicídio voluntário ou involuntário.

Georg Bönisch and Klaus Wiegrefe in Nazi Atrocities, Committed by Ordinary People,
tradução inglesa do artigo original em alemão, publicado por Der Spiegel Online em 18 de Março de 2008.
Versão inglesa de Christopher Sultan

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Quarta-feira, Março 19, 2008

Bönisch e Wiegrefe - Quem cometeu o Holocausto?

SS

Banalização do assassínio

Desde doutores a cantores de ópera, professores escrupulosos a alunos relapsos, eis quem podemos encontrar entre os 200 mil alemães normais e seus auxiliares que estiveram envolvidos no extremínio dos judeus europeus. Após anos de pesquisas - ainda não concluidas - descobriu-se como pessoas sãs de uma sociedade moderna acabaram por cometer assassínios por um regime sanguinário.

Walter Mattner, um funcionário administrativo da polícia de Viena, encontrava-se em Mogilev na Bielorrússia em Outubro de 1941, no dia em que 2273 judeus foram baleados até à morte. Mais tarde escreveu à sua mulher: "As minhas mãos tremeram um pouco à chegada do primeiro carro. Mas ao décimo carro já apontava com calma e disparava com confiança contra as muitas mulheres, crianças e bébés. Atendendo a que tenho duas crianças em casa, sabia que elas sofreriam exactamente o mesmo tratamento, senão dez vezes pior, às mãos destas hordas." Após a Segunda Guerra Mundial, muitos observadores aceitaram como óbvio o facto de estes actos poderem ser cometidos apenas por sádicos e psicopatas, sob as ordens de uma meia dúzia de dirigentes militares que rodeavam Adolf Hitler. Era uma maneira conveniente de olhar para o fenómeno, pois excluía as pessoas normais de entre os perpetradores desses actos.

Porém, os resultados surpreendentes de um inquérito conduzido por americanos na sua zona de ocupação em Outubro de 1945 deveriam ter levantado algumas suspeitas sobre a versão que fez incidir todas as culpas sobre meia dúzia de criminosos patológicos. Vinte porcento das pessoas que responderam "concordavam com o tratamento dado aos judeus por Hitler". Outros 19 porcento afirmaram que, mesmo sendo as políticas relativas aos judeus exageradas, elas estavam fundamentalmente correctas.

Foi necessário esperar-se até à década de 1990 para que os historiadores e outros estudiosos empreendessem uma investigação em larga escala sobre os que, homens ou mulheres, levaram a cabo o Holocausto. Os estudos não estão ainda completos e, no entanto, os resulados já são chocantes.

Os investigadores descobriram que entre os perpetradores se encontravam nazis assumidos e pessoas que nada tinham a ver com os nazis. Os assassinos e seus ajudantes incluíram católicos e protestantes, velhos e jovens, pessoas com dois doutouramentos e pessoas das classes trabalhadoras fracamente escolarizadas. Entre todos, a percentagem de psicopatas não excedia em média a que caracteriza a população no seu conjunto.

O número de perpetradores estima-se hoje em perto de duzentos mil alemães (e austríacos). Eram agentes da polícia, como Walter Matter, empregados dos campos de concentração, membros das SS ou gestores. Acrescem outros 200.000 estónios, ucranianos, lituanos ou de outra nacionalidade não alemã que ajudaram a matar judeus, uns porque foram forçados a isso, outros de forma voluntária.

Georg Bönisch e Klaus Wiegrefe in Nazi Atrocities, Committed by Ordinary People,
publicado por Der Spiegel Online a 18 de Março de 2008

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Domingo, Março 16, 2008

IST, 16 de Março de 1972

Instituto Superior Técnico


Alguns elementos da Direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), vigente no ano anterior, haviam sido presos pela Direcção Geral de Segurança (DGS). Tal motivou um comunicado aos estudantes, istando o Director do Instituto Superior Técnico (IST), o Eng Químico Dr Fraústo da Silva, a obter informações sobre o acontecimento. Cerca das dez da manhã, aparentemente porque essa iniciativa que dava visibilidade às prisões não agradava à DGS, uma força policial significativa concentrou-se em frente ao portão principal do IST. O Dr Fraústo da Silva ficou alarmado com a situação e advertiu a polícia de que, enquanto ele fosse Director do Instituto, a polícia não tinha autorização de entrada nas instalações. Como seria de esperar, reinava grande efervescência entre os estudantes, surpreendidos por estes factos numa normal manhã de aulas que nada fazia prever que viesse a ser diferente das outras. As aulas foram interrompidas e concentraram-se todos na grande calçada em frente ao Pavilhão Central. Alguns estudantes tomaram espontaneamente a palavra, entre eles João Sarmento e Acácio Barreiros. Apelavam à calma para que se evitasse qualquer provocação. Quando eram cerca da dez e meia, deu-se a entrada intempestiva da Polícia pelo portão principal, voltado para a Alameda Afonso Henriques. À frente vinham agentes com cães polícia à trela. Foi a confusão geral. Nem todos os estudantes se aperceberam ao mesmo tempo. Seguiu-se uma correria desordenada em direcção aos dois portões laterais. Quando a frente de ataque da polícia ficou descoberta, tomei também o meu caminho, em direcção à Avenida Rovisco Pais. A meio da descida para o portão estava um monte de corpos engalfinhados, de onde sobressaiam as pernas das estudantes que levavam saias, assim como sapatos e pastas, canetas e réguas de cálculo espalhados pelo chão - uma presa demasiado fácil para os agentes que se aproximavam. Por mim, como uma flecha, vejo passar o Fred - mais tarde seria uma membro do Comité Central da UDP - gritando bem alto "Filhos da Puta". Isto deu-se perto do Instituto Nacional de Estatística.
A invasão do Técnico (abreviatura de IST) pela polícia nesse dia viria a tornar-se o elemento de detonação de acontecimenhtos marcantes na fase final do marcelismo, que ainda durou mais cerca de dois anos:
  1. Do ponto de vista de hábitos estudantis, as saias das estudantes passaram a dar lugar às calças, geralmente as jeans; os sapatos altos foram substituídos rapidamente por ténis.
  2. Nesse mesmo dia, o Director do IST, o Dr Fraústo da Silva, demitiu-se.
  3. Nesse mesmo dia, a AEIST foi encerrada.
  4. Pela reabertura da Associação foi feita a greve aos exames mais participada de toda a Academia em Portugal: dos cerca de cinco mil estudantes, apresentaram-se a exame cerca de cinquenta estudantes, ou seja, perto de um por cento. Para conseguirem realizar os exames entraram no Técnico em veículo de transporte policial. Mesmo assim, houve que aderisse à greve mesmo já estando na sala de exames, em parte por não compreender porque razão tão pouca gente lá estava, em parte porque era audível o burburinho que entrava pelas janelas, vindo do exterior; finalmente, porque era muito desagradável suportar o cheiro das bombinhas de mau cheiro do Carnaval enquanto tentavam concentrar-se nos assuntos das perguntas.
  5. Depois de um longo período de negociações, a época de exames foi anulada e repetida após a férias grandes; a AEIST foi reaberta na mesma altura.

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