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Quinta-feira, Setembro 13, 2007

Baptista Bastos versus Alberto João Jardim

Baptista BastosAlberto João Jardim


Haja quem fale claro, de modo a que a gente entenda. (AF)





Alberto João Jardim não é inimputável, não é um jumento que zurra desabrido, não é um matóide inculpável, um oligofrénico, uma asneira em forma de humanóide, um erro hilariante da natureza.

Alberto João Jardim é um infame sem remissão, e o poder absoluto de que dispõe faz com que proceda como um canalha, a merecer adequado correctivo.

Em tempos, já assim alguém o fez. Recordemos. Nos finais da década de 70, invectivando contra o Conselho da Revolução, Jardim proclamou: «Os militares já não são o que eram. Os militares efeminaram-se». O comandante do Regimento de Infantaria da Madeira, coronel Lacerda, envergou a farda número um, e pediu audiência ao presidente da Região Autónoma da Madeira. Logo-assim, Lacerda aproximou-se dele e pespegou-lhe um par de estalos na cara. Lamuriou-se, o homenzinho, ao Conselho da Revolução. Vasco Lourenço mandou arrecadar a queixa com um seco: «Arquive-se na casa de banho».

A objurgatória contra chineses e indianos corresponde aos parâmetros ideológicos dos fascistas. E um fascista acondiciona o estofo de um canalha. Não há que sair das definições. Perante os factos, as tímidas rebatidas ao que ele disse pertencem aos domínios das amenidades. Jardim tem insultado Presidentes da República, primeiros-ministros, representantes da República na ilha, ministros e outros altos dignitários da nação. Ninguém lhe aplica o Código Penal e os processos decorrentes de, amiúde, ele tripudiar sobre a Constituição. Os barões do PSD babam-se, os do PS balbuciam frivolidades, os do CDS estremecem, o PCP não utiliza os meios legais, disponentes em assuntos deste jaez e estilo. Desculpam-no com a frioleira de que não está sóbrio. Nunca está sóbrio?

O espantoso de isto tudo é que muitos daqueles pelo Jardim periodicamente insultados, injuriados e caluniados apertam-lhe a mão, por exemplo, nas reuniões do Conselho de Estado. Temem-no, esta é a verdade. De contrário, o que ele tem dito, feito e cometido não ficaria sem a punição que a natureza sórdida dos factos exige. Velada ou declaradamente, costuma ameaçar com a secessão da ilha. Vicente Jorge Silva já o escreveu: que se faça um referendo, ver-se-á quem perde.

A vergonha que nos atinge não o envolve porque o homenzinho é o que é: um despudorado, um sem-vergonha da pior espécie. A cobardia do silêncio cúmplice atingiu níveis inimagináveis. Não pertenço a esse grupo.

Baptista Bastos (b.bastos@netcabo.pt)
in "Alberto João Jardim - Um fascista grotesco"
publicado por Jornal de Negócios

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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Paulo Guinote - responsabilidade intelectual

Aproveitando as possibilidades de comunicação disponíveis hoje, este professor de História deu origem, em Portugal, a um fenómeno totalmente invulgar. Construiu uma sala sui generis onde cada um é livre de falar, sentindo a presença de outros interlocutores, tanto mais próxima quanto mais rápido encontra a réplica às suas opiniões. As luzes permanecem apagadas: nenhum registo visual. Com o tempo, começamos ainda assim a reconhecer a figura dos comvivas.

O anfitrião detém uma prodigiosa capacidade de intervenção, tanto em quantidade como em qualidade. É facil adivinhar muitas leituras, espírito de observação aguçado, capacidade de pesquisa de informações preciosas, pontos de vista críticos sedimentados numa arrumação complexa e desenvolvida dos conhecimentos. Diria, para sua eventual surpresa: um exemplo acabado de sucesso do sistema educativo.

Mas engana-se quem pensar que o anfitrião faz a festa. Há lá representantes de muitas classes de pessoas: pais não docentes, professores de Filosofia, Desenho, Português, Inglês, História, defensores do ensino privado, defensores e adversários da TLEBS, sindicalistas, engenheiros, gestores, liberais, visitantes ocasionais, até plagiadores. Numa sala sem púlpito cada lugar da plateia vai preenchendo esse papel.

Os assuntos giram, está bem de ver, à volta da Educação. A greve dos professores justificou-se? É possível agir com mais sentido nos resultados? As crianças de dez anos já devem saber pesquisa bibliográfica? Nuno Crato tem razão? Porquê a actual taxa de insucesso? Como ensinar a Constituição dos Estados Unidos? Em que partes deve ser dividida uma aula? São úteis as aulas de substituição? E os métodos de avaliação? E os regulamentos disciplinares? E os métodos vigentes de colocação dos professores?
Por vezes a discussão descai para os gostos ideológicos. Outras vezes, centra-se nos assuntos terra-a-terra. Ouve-se um ponto de ordem, como se houvesse mesa nesta reunião virtual. Um desabafo de cansaço. Ou de alguma etilização. Falta de sono, naturalmente, não fossem professores. Falta de tempo para os filhos. Fins-de-semana e feriados a disfrutar o prazer de mais duas turmas para corrigir as provas. Uma aluna triste por ser transferida recorre ao impossível amparo do professor - demonstrando afinal em quem confiam, por muito que isso custe aos tecnocratas-burocratas. Um Ministério tomado daquele sentido de liderança a que José Sócrates nos habituou, desde que Vitor Constâncio lhe arrancou a máscara emprestada quinze dias após as eleições. Demasiado para descrever num artigo. O Leitor só tem uma solução: vá para crer. Mas está advertido: aquilo é viciante.

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