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Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

Contestação dos professores - Leiria

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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A cidade


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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Caldas da Rainha


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

Contestação dos professores - Coimbra

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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Brigada Vitor Jara:

Vira de Coimbra

A cidade


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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Figueira da Foz


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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Tábua


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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Som: Marius

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João Delgado - O exemplo da Infanta D. Maria

Caros Ramiro Marques e Paulo Guinote

Gostaria de lhes transmitir uma notícia que considero muito importante e que já divulguei em comentários dos vossos Blogs.

Na E.S Infanta D. Maria, em Coimbra, os professores aprovaram por esmagadora maioria,1 voto contra e 2 abstenções no universo dos professores,uma moção em que decidiram manter suspenso o processo de avaliação. Confirmaram, pois, as decisões tomadas em Outubro, no mesmo sentido. A reunião decorreu hoje dia 6 de Janeiro às 18h e 30m.

Depois de uma proveitosa troca de opiniões chegou-se a um consenso que culminou com a aprovação da moção. Aí está um excelente exemplo a seguir pelos colegas das outras Escolas.É possível manter a unidade e resistir a todas as pressões e chantagens vindas do Ministério.Vamos a isso, com coragem.Vamos ser coerentes com todas as posições tomadas até aqui e pôr os interesses da classe acima dos interesses individuais.

O exemplo da Infanta D. Maria aí está.

Apesar de ter sido um dos subscritores da moção, não a tenho comigo neste momento. Penso que a nossa amiga Rosário Gama se encarregará de a fazer chegar aos dois. Terá interesse divulgar esta tomada de posição que me parece ter sido a 1ª assumida nesta nova fase da luta.

Numa altura em que algumas vozes manifestam descrença, tais as pressões a que temos sido sujeitos, tomadas de posição como a que referi podem servir para motivar a classe e mostrar que há um caminho a seguir. O caminho da luta na defesa de valores e princípios.

Um abraço e os meus agadecimentos pelo espaços de liberdade que põem à nossa disposição.

João Delgado

in A Educação do meu Umbigo, 7 de Janeiro de 2009

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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

Contestação do modelo oficial de avaliação docente - Viseu

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viseu
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Resineiro engraçado, engraçado no falar,
Eu hei-de ir à terra dele se ele me lá quiser levar.

Já tenho papel e tinta, caneta e mata-borrão
Pr'a escrever ao resineiro, que trago no coração.

Resineiro é casado, é casado e tem mulher,
Vou escrever ao resineiro quantas vezes eu quiser.


A cidade


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viseu
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Tonicha:

Resineiro engraçado

Resende


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viseu
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O amor de uma mulher por um jovem casado está patente em Resineiro engraçado (Cantares do Andarilho). Esta canção da Beira Alta apresenta um tema mais audacioso para um contexto popular, mas que mostra a sinceridade de uma mulher que está atraída por um jovem casado que tem muita graça na maneira de falar.
Helena Langrouva

Santa Comba Dão


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viseu
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Quinta-feira, Dezembro 18, 2008

Constestação do modelo oficial de avaliação docente - Aveiro

Rui Paiva:

Malhão de Águeda


O distrito
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Aveiro
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A cidade
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Aveiro
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Santa Maria da Feira
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Aveiro
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Segunda-feira, Dezembro 15, 2008

Contestação do modelo oficial de avaliação docente - Bragança

O distrito
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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A cidade
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Mirandela
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Domingo, Dezembro 14, 2008

Pela suspensão do modelo oficial da avaliação docente - Vila Real

O distrito
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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A cidade
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Chaves
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Sábado, Dezembro 13, 2008

Pela suspensão do modelo oficial de avaliação docente - Braga

O distrito
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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A cidade
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Vila Nova de Famalicão
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Pela suspensão do actual modelo de avaliação docente - Viana do Castelo

O mapa da contestação global não permite distinguir numerosas escolas que formam uma mancha de sobreposições inextricáveis. Assim iniciamos hoje a publicação do mapa distrito a distrito, começando por Viana do Castelo.
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Como as escolas da cidade capital do Distrito ainda se sobrepõem, resta apresentar esta cidade em detalhe.
Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Viana do Castelo
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Sábado, Dezembro 06, 2008

Manuel Ramos - Como resistir às ilegalidades do Ministério da Educação

Colegas e amigos,

Na sequência de mais um (nos últimos tempos penso que já recebi uns seis?!) e-mail não solicitado da DGRHE (por sinal na melhor das alturas, logo após a desmarcação das greves regionais e o acordo para uma reunião!!), e que abaixo reproduzo, resolvi consultar a lei (PDF Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro ).

Registei o que o art. 22 dizia no seu nº 6, fazendo por isso expresso pedido à mesma DGRHE e à ANACOM (usem a página com formulário para reclamações) solicitando ao abrigo desta disposição a minha remoção da lista de e-mails daquela entidade.

Caso assim o entendam, façam o mesmo, usando ou não o texto que lhes fiz:

Caros Senhores,

Nos últimos tempos a minha caixa de correio electrónico tem sido literalmente assaltada por e-mails enviados pela vossa instituição e para os quais não dei consentimento prévio. Mais grave ainda, as referidas mensagens não trazem conforme o Decreto-Lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro , art. 22, nº 6 (e é curial fazer-se em rodapé de mensagem), a possibilidade de permitir ao destinatário requerer imediatamente a remoção da vossa lista.

Em face do exposto, e ao abrigo da referida lei, concretamente do seu art. 22, nº 6, cujo texto transcrevo abaixo, agradecia desde já a remoção deste e-mail da vossa lista de destinatários.

Manuel Ramos

c/c à ANACOM


via A Educação do meu umbigo, 6 de Dezembro de 2008

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Terça-feira, Novembro 18, 2008

Pedro Teixeira Santos - Desde que resisto, que sou MAIS FELIZ!

Colegas,

Suponho que todos se sintam sensibilizados por sentirem que, no passado Sábado, fizeram parte de “algo maior”, que fizeram parte da história…

Pois na história, por maior e mais significativa que tenha sido a manifestação, é onde todos e cada um dos 120 000 irá ficar se, chegados às escolas, nada fizerem para mudar as coisas.

Sei que muitos se sentiram desiludidos com as consequências práticas da primeira manifestação e que muitos temem a repetição do mesmo com esta segunda manifestação. Alguns sentem-se desiludidos, ou mesmo ultrajados, com as declarações da Sr.ª ministra da Educação na televisão…Seremos assim tão ingénuos que estávamos à espera que ela viesse às televisões pedir desculpa, dizer que se tinha enganado e que se iria empenhar, connosco, no combate aos verdadeiros males do nosso ensino?! Não me façam rir!

Porque não há-de a ministra se sentir segura, se ela sabe que 90% dos professores que aos Sábados vêm gritar para as ruas chegam às escolas, na segunda-feira seguinte, e continuam a colaborar na política das aparências…

Ela conta com o nosso medo, conta com a nossa inércia, conta com o nosso “seguidismo”…Não lhe interessa resolver nada do que está mal, interessa-lhe apenas a nossa colaboração. E ela sabe que a está a ter em centenas de escolas, as mesmas de onde vieram muitos dos 120 000. A esse medo chama-se CONIVÊNCIA!

Sejamos honestos! Em causa não está a avaliação, mas TUDO o resto. Toda a política da aparência que está a conduzir o sistema de ensino público português para o mesmo caminho que o nosso famigerado sistema nacional de saúde.

Quem, de entre nós, tendo um pouco de dinheiro, não prefere recorrer a uma clínica privada do que perder horas num centro de saúde ou num hospital público?! Pois o mesmo irá acontecer ao sistema de ensino público português, caso não nos revoltemos contra esta política que, perante as dificuldades, cede.

No futuro, e o futuro é daqui a dois ou três anos, no sistema de ensino público ficarão apenas os que forem incapazes de fugir para o privado: professores e alunos.

Os meninos estão a ter maus resultados a Matemática? Não faz mal, baixa-se o nível de exigência dos exames. Os meninos ficam retidos no final do ano? Não faz mal, inventam-se dezenas de “planos” e de “justificações” e o pessoal, só para não ter que preencher a papelada, continua a “engolir sapos” e a passar os meninos todos no final de cada ano.

É necessário passar a imagem, para a opinião pública, que o governo está muito preocupado com os problemas do ensino? Inventa-se uma “avaliação burocrática de docentes” e a malta colabora, com medo, e vamos para casa todos contentes com o “Bom”…

O sistema público de ensino está a ruir a cada ano e em vez de enfrentarmos os problemas de frente e assumir o que está mal, incluindo o que está errado dentro da classe docente, continuamos a colaborar com o “sistema”…Ou seja, o “Titanic” afunda-se, mas nós continuamos a dançar ao som da orquestra…
Pois bem, se houver alguém que acredite que este sistema de avaliação vai melhorar o nosso sistema de ensino, que entregue os objectivos pessoais.

Se houver alguém que acredita que os professores que se esforçam, que sempre se esforçaram, vão ser “premiados”, que entregue os objectivos pessoais.

Se alguém acredita que os nossos colegas que sempre fizeram do ensino a sua “segunda profissão” e se gabam de usar indiscriminadamente os 102 irão ser penalizados, que entregue os objectivos pessoais.

Se alguém acredita que este processo nos irá ajudar a melhorar os nossos métodos de ensino e a ser melhores professores, que entregue os objectivos pessoais.

Se alguém acredita que este processo irá permitir detectar os nossos erros e corrigi-los, beneficiando indirectamente os nossos alunos, que entregue os objectivos pessoais.
Mas NÃO ENTREGUEM OS OBJECTIVOS POR MEDO! Não cedam à chantagem do medo e às ameaças da ministra. Todos temos muito a perder, mas há coisas que não têm preço…Uma delas é a nossa dignidade profissional.

Nós somos professores e, na nossa profissão, todos os dias somos confrontados com ameaças directas à nossa autoridade. Quando não temos mais argumentos para convencer os nossos alunos pela razão, o que é que fazemos?! Ameaçamos! É a última arma que resta, quando faltam mais argumentos…Sabemos bem como é!

Pois bem, temos uma ministra que, há muito, desistiu de nos convencer pela razão, pois nós bem sabemos da hipocrisia desta pseudo-avaliação. Que lhe resta? A ameaça…Como não pode mandar os professores para a “rua” com uma falta disciplinar, ameaça-nos com a não progressão na carreira. E nós? Nós, pelos vistos, cedemos com um sorriso nos lábios…
Seremos assim tão ingénuos que pensamos que, se alinharmos no “esquema” e entregarmos os objectivos, nada nos irá acontecer?!

Seremos tão ingénuos ao ponto de pensar que, se alinharmos com o “sistema”, o nosso emprego estará assegurado para sempre?

Será que as pessoas não compreenderam que os tempos mudaram e que já não há certezas no que toca a um emprego para toda a vida, nem mesmo para quem trabalha para o Estado?

ACORDEM e olhem à vossa volta…Estamos a entrar numa das piores crises financeiras que o mundo ocidental já conheceu… Alguém acredita que o seu emprego estará seguro indefinidamente só por não contrariar o “chefe”?! Os tempos mudaram e não voltam atrás, nem mesmo para quem é funcionário público.


A escola de Silves está cheia de pessoas normais, não de super-heróis. As pessoas que estão a boicotar a avaliação na minha escola são pessoas honestas e cumpridoras da lei. Pagam impostos e não têm cadastro criminal. Não são loucas, nem irresponsáveis e, por isso, também têm medo.

Estão habituadas a ensinar aos seus alunos e filhos a cumprir as leis. Mas sabem que antes de qualquer lei, está a lealdade e a rectidão perante as nossas mais profundas convicções.

Os professores de Silves também têm medo das repercussões que este acto de resistência pode ter nas suas carreiras, sobretudo os corajosos avaliadores que arriscam, talvez, um processo disciplinar. De onde lhes vem a coragem? De saber que pior que ter medo de não cumprir esta avaliação, é o medo de olharmos para o espelho e termos vergonha de não termos defendido a nossa dignidade profissional e os nossos alunos.

É disso que se trata, de defender a dignidade do nosso sistema de ensino. É daí que nos vem a força, das nossas convicções…Como poderíamos olhar de frente, olhos nos olhos, os nossos alunos se cedêssemos na luta pelos nossos ideais?

A ministra ameaça-nos como “meninos mal comportados” e nós claudicamos? Em Silves, não!
Não sigam o exemplo dos professores do Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Garcia Domingues de Silves, sigam a vossa consciência. E se, perante ela, se sentirem bem em entregar os objectivos pessoais, entreguem-nos!

Nós, perante o medo, continuamos a RESISTIR! E desde que o começámos a fazer que dormimos melhor e que temos um outro sorriso…Estamos bem com a nossa consciência e isso não tem preço.

Desde que resisto, que sou MAIS FELIZ! Os meus alunos agradecem…

Pedro Nuno Teixeira Santos, BI 10081573, professor QZP do grupo 230 no Agrupamento Vertical de Escolas Dr. Garcia Domingues (Silves)

(NOTA: se alguém me quiser instaurar um processo disciplinar na sequência deste texto, agradeço o envio de um e-mail e eu envio na resposta, e com agrado, o resto dos meus dados pessoais)


espaço web de paulo carvalho… EDUCAÇÃO, 12 de Novembro de 2008

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Domingo, Novembro 09, 2008

Manifestação de professores em Lisboa, 8 de Novembro





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Quarta-feira, Novembro 05, 2008

Escola José Falcão - Contestação do modelo de avaliação docente

Escola Secundária José Falcão, Coimbra
O facto de os professores serem avaliados tendo em conta a melhoria dos resultados escolares dos alunos. Este parâmetro é considerado inaceitável pelos professores, porque a melhoria dos resultados escolares dos alunos não é directamente proporcional aos esforços envidados pelos docentes, antes dependendo de uma miríade de variáveis por eles não controláveis (Em consonância com este aspecto, cfr. o ponto 4 (págs. 10-12) dos Princípios Orientadores sobre a Organização do Processo de Avaliação do Desempenho Docente, Recomendações n.º 2/CCAP/2008, do Conselho Científico para a Avaliação de Professores).

Trata-se de uma disposição que constitui uma inversão de valores e de responsabilidades, algo que põe em sério risco a escola pública. Os alunos não são objectos; são agentes da sua própria aprendizagem e têm uma grande responsabilidade nela, assim como os pais e os encarregados de educação.

11 motivos para rejeitar este parâmetro de avaliação


Em primeiro lugar, vamos considerar cinco motivos directamente decorrentes do estipulado no Despacho n.º 16872/2008, de 23 de Junho, anexo IV, parâmetro 7, depois, seis gerais, ainda de maior importância.
  1. É exigido aos professores que os seus alunos tenham melhores resultados do que os que obtiveram no ano lectivo anterior. Tal contende essencialmente com os quatro factores que se apresentam de seguida:
    1. Na maior parte das vezes, o professor tem alunos que não foram seus no ano anterior, ou porque o professor mudou de escola, ou porque os alunos estão a começar um ciclo (5.º ano, 7.º ano, 10.º ano), ou porque vieram de outras escolas, ou porque mudaram de turma, ou porque o Conselho Pedagógico da escola estipulou (segundo, por exemplo, orientações da tutela para a distribuição de serviço) que determinados anos ou disciplinas fossem atribuídos a professores com determinadas condições (professores do quadro da escola ou com determinadas habilitações). Ora, por este parâmetro, o professor de anos mais adiantados é responsabilizado pela melhoria da classificação obtida pelo aluno no ano anterior, classificação essa pela qual ele não foi minimamente responsável.

    2. Por outro lado, o grau de exigência da disciplina aumenta, naturalmente, com o ano de escolaridade, não só no que diz respeito à complexidade de conceitos ou de conteúdos como ao trabalho exigido ao aluno, o que faz com que seja natural alguma descida de resultados.

    3. Há ainda a considerar a idade dos alunos e o sexo: diversos estudos mostram que há idades mais críticas, com factores que interferem no grau de atenção e de interesse pelo estudo e pela escola.

    4. E há essencialmente a considerar o próprio aluno, que, por diversos factores, pessoais, familiares ou sociais, a que o professor é totalmente alheio, age como sujeito próprio, com maior ou menor qualidade nos seus próprios resultados.

    Estes factores não são controláveis pelo professor, pelo que este não pode ser responsabilizado por resultados em que intervêm factores que ele não controla.


  2. O normativo prevê que os professores sejam avaliados tendo em conta a evolução dos resultados dos seus alunos relativamente à evolução média dos resultados dos alunos daquele ano de escolaridade, ou seja, por exemplo, numa turma de 7.º ano, os resultados têm de ser iguais ou melhores do que a média dos resultados do conjunto das turmas de 7.º ano daquela escola. Esta exigência é profundamente injusta. As turmas são heterogéneas: não são constituídas laboratorialmente de modo a que haja o mesmo número de alunos bons, médios e fracos em cada turma. Ora, se, por acaso, é atribuída ao professor uma turma com alunos mais fracos, ele será penalizado; se lhe for atribuída uma turma com alunos melhores, ele será beneficiado: duplamente penalizado, porque teve de desenvolver um maior esforço e não teve tão bons resultados; duplamente beneficiado, porque viu o seu trabalho facilitado pela natureza dos alunos e os seus resultados serem melhores…

  3. O normativo prevê que os professores sejam avaliados tendo em conta a evolução dos resultados dos seus alunos relativamente à evolução média dos resultados dos alunos daquela disciplina, ou seja, por exemplo, numa turma de 10.º ano, os resultados na disciplina de Português têm de ser iguais ou melhores do que a média dos resultados da disciplina de Português no conjunto de todas as turmas da escola (do 7.º ao 12.º ano); se se tratar de um agrupamento com vinte escolas, exige-se, por exemplo, que os resultados de uma turma do 4.º ano em Língua Portuguesa tenham em conta os das outras turmas da própria escola (do 1.º ao 4.º ano) e de todas as escolas do agrupamento (do 1.º ao 9.º ano). Esta exigência, além de injusta, pelo motivo imediatamente acima referido, não tem em conta que se está a tentar comparar o que é diferente (os objectivos e conteúdos da disciplina não são os mesmos de ano para ano) e que os contextos escolares variam de escola para escola.

  4. O normativo prevê que os professores sejam avaliados tendo em conta a evolução dos resultados escolares dos seus alunos relativamente à evolução média dos resultados dos mesmos alunos no conjunto das outras disciplinas da turma, ou seja, por exemplo, numa turma de 10.º ano, os resultados na disciplina de Português têm de ter uma evolução igual ou melhor do que a da média do conjunto das outras disciplinas da turma (por exemplo, Inglês, Filosofia, Matemática, Educação Física, Desenho), não tendo sequer essa disciplina contribuído para essa média (nem que tivesse contribuído, quanto mais não contribuindo...). Esta é uma exigência que não tem em conta:
    • os motivos referidos anteriormente;

    • nem a natural diversidade das disciplinas que compõem o currículo dos alunos, não só no que respeita a objectivos e conteúdos como ao número de tempos lectivos semanais (há disciplinas que só têm dois blocos por semana e outras que têm três ou quatro);

    • nem os interesses e as capacidades dos alunos: pelos mais diversos factores, há disciplinas que os alunos preferem e outras em que têm mais dificuldade, nomeadamente nos cursos tecnológicos e profissionais, em que os alunos têm disciplinas em que obtêm muito bons resultados (as específicas desses cursos) e outras, impostas pelo currículo, com programa idêntico ao dos restantes cursos não profissionais (por exemplo, Português), em que os alunos têm mais dificuldade.


    De salientar ainda, no respeitante a estes aspectos 2 a 4, que, para existir uma média, seja ela qual for (mesmo positiva), tem de haver números acima e abaixo da média, havendo, portanto, sempre professores penalizados.

  5. No normativo prevê-se, ainda, que os professores sejam avaliados tendo em conta as classificações nas provas de avaliação externa e respectiva diferença relativamente às classificações internas, ou seja, por exemplo, se no 12.º ano o professor atribuir ao aluno uma determinada classificação e o resultado no exame for diferente, o professor será penalizado por tal.Mais um aspecto de que os professores discordam, pelos seguintes motivos:

    • ao longo do ano, o aluno é avaliado segundo diversos critérios, alguns dos quais – por exemplo, a oralidade e a participação – não existem no exame;

    • o exame é uma situação especial em que, por vezes, o aluno sente pressões que o levam a uma realização inferior à habitual;

    • as provas de exame, por vezes, contêm formulações de resposta inesperadas ou com incorrecções ou dão um maior peso a aspectos que assim não foram considerados ao longo do ano (dado o grau de abertura dos programas), sendo difícil que correspondam exactamente ao nível de exigência seguido ao longo do ano lectivo.


Seguem-se, agora, os seis motivos gerais que fazem com que os professores discordem deste parâmetro de avaliação que tem em conta a melhoria dos resultados escolares dos alunos.
  1. Se os professores forem avaliados em função dos resultados dos alunos, tal significa a desresponsabilização do aluno (o que é gravíssimo). O aluno deve envidar todos os esforços para aprender. Ao saber que o professor é avaliado pelos resultados dos alunos, tal traduz-se numa inversão total da responsabilidade que cabe a cada um: ao professor a de ensinar; ao aluno a de aprender, para o que se exige interesse, empenho, esforço.

  2. Tal parâmetro também tem como consequência a desresponsabilização dos pais (o que é grave). Os pais, sobretudo os menos preparados ou os que menos tempo têm para acompanhar o estudo dos filhos, podem desresponsabilizar-se de vez, pensando que, se o filho não transitar de ano, o professor é que sofre as consequências, portanto, o filho passará com certeza, não sendo preciso preocupar-se com isso.

  3. Por outro lado, parece-nos que este parâmetro configura um conflito de interesses e uma situação de incompatibilidade não permitida pela lei. Efectivamente, o professor passa a ter um interesse directo nos resultados obtidos pelos seus alunos, já que eles o podem prejudicar ao longo da sua carreira. Pergunta-se se este interesse não pode ser suficiente para se considerar que, ao abrigo do artigo 44.º do Código do Procedimento Administrativo, o professor passe a estar, pelo conflito de interesses evidente, numa situação de impedimento, chocantemente criada pelo legislador.

  4. Este parâmetro tem, pois, como consequência a pressão sobre os professores para atribuírem notas mais elevadas sem os alunos terem desenvolvido as competências correspondentes, o que a curto prazo se traduz na destruição da escola, que deixa de ser um local onde se aprende, para se tornar um local onde essencialmente se passam certidões de aprovação.

  5. Em nenhum sistema de ensino conhecido existe este parâmetro de avaliar professores e os fazer progredir numa carreira em função dos resultados dos seus alunos.

  6. Poderia contrapor-se que o peso deste parâmetro na avaliação dos professores é limitado, que apenas é um parâmetro entre outros, mas tal argumento não colhe, pois, por um lado, é precisamente este o argumento invocado no DR n.º 2/2008 para justificar este modelo de avaliação dos professores (artigo 3.º, ponto 2: “a avaliação do desempenho do pessoal docente visa a melhoria dos resultados escolares dos alunos...”), é ele que surge como primeiro aspecto do ponto 2 do artigo 9.º deste diploma, e, por outro, cada professor tem o direito a um processo de avaliação justo. E é, sobretudo, o principal parâmetro no que diz respeito à pressão indevida que pode ser exercida sobre as escolas. O dano está feito: se os resultados dos alunos contarem para a avaliação do professor (não importa com que peso), está destruída a imagem do professor, a possibilidade de respeito que o aluno e o pai deverão ter para com o professor, e criadas as condições para a pressão indevida e a facilidade de obtenção de resultados que não correspondem às reais competências. Não se questiona que aos professores se peça responsabilidade no desenvolvimento de toda uma actividade tendente a que os seus alunos tenham sucesso, tendente a que haja «melhoria dos resultados escolares». E não se questiona que esse processo seja avaliado. Por exemplo, poderá ser observado (e objecto de avaliação) como é que o professor ensina, o que é que o professor fez perante uma turma com determinados problemas de aprendizagem ou determinado insucesso. Mas deverá ser o processo a ser avaliado, e nunca o resultado que o aluno obtém, pois na construção desse resultado intervêm muitos factores, nomeadamente o próprio aluno (com determinadas capacidades cognitivas, interesse, capacidade de trabalho, situação pessoal, familiar e social, etc.). A pressão que tem sido feita nas escolas para que indiquem como objectivo, no Projecto Educativo, que os seus alunos melhorem uma determinada percentagem em relação a resultados anteriores ou obtenham determinados resultados quantificados (segundo o disposto na alínea b) do ponto 1 do artigo 8.º do referido DR 2/2008), sendo depois avaliadas se esse objectivo foi ou não atingido, é perfeitamente incompatível com o que é minimamente justo: ser-se avaliado por aquilo que se fez, e não pelo que os outros fizeram. O professor deve ser avaliado pela forma como ensinou e educou; os alunos, pelos resultados que obtiveram.




Os professores do 10.º Escalão (3.º escalão de Professor Titular) da Escola Secundária José Falcão, de Coimbra, Porque é que os professores contestam este modelo de Avaliação do Desempenho Docente?, 28 de Outubro de 2008

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Terça-feira, Novembro 04, 2008

Degradação facilitista do ensino? - Barcelos diz: Não!

Moção


Os professores da Escola Secundária de Barcelos, reunidos em plenário no dia 3 de Novembro, reiteram o seu total desacordo com os princípios que norteiam a Avaliação do Desempenho Docente proposto pelo Ministério da Educação. Discutiram e votaram a moção que se segue:

Decidiram,
  1. Não apresentar os objectivos individuais, previstos no Decreto-Lei 2/2008,
  2. Rejeitar a sujeição à avaliação do desempenho docente nos moldes em que está estruturada,
  3. Exigir a renegociação do Decreto Regulamentar 2/2008, bem como o Decreto-Lei 15-2007 que lhe dá suporte legal,
  4. Propor aos Departamentos que reúnam para assumirem uma posição consentânea em relação à avaliação do desempenho docente.


Nos termos e com os fundamentos seguintes:
  1. a excessiva carga burocrática, que o processo de avaliação acarreta, está a prejudicar gravemente o normal funcionamento da actividade lectiva, com a agravante de se estar ainda numa fase inicial;
  2. a flagrante desmotivação que todo este processo tem provocado nos professores, desde a desvalorização socioprofissional até uma avaliação de desempenho injusta, parcial, burocrática, inexequível e que não contribui em nada para a melhoria da aprendizagem dos alunos, tem tornado o trabalho na escola insuportável;
  3. todo este processo põe em causa, inclusive, os deveres gerais da profissão previstos no artigo 10º do respectivo Estatuto, nomeadamente, os deveres do rigor, da isenção, da justiça e da equidade, nomeadamente, os deveres de exercício da sua função por critérios de qualidade, nomeadamente, o dever de cooperação;
  4. a avaliação do desempenho está orientada para a melhoria estatística dos resultados dos alunos, promovendo eventuais resultados artificiais porque inflacionados, promovendo o facilitismo, despromovendo o rigor e a exigência;
  5. este modelo de avaliação promove e incentiva a competição desmedida entre colegas de profissão, inviabilizando o trabalho cooperativo, absolutamente necessário para um exercício de funções com qualidade;
  6. a promoção, com os prejuízos supracitados, da divisão entre avaliados e avaliadores, titulares e não titulares, sem qualquer critério de exigência aceitável, apenas pelo exercício de cargos administrativos;
  7. o próprio Ministério não dá resposta adequada às recomendações do Conselho Científico para Avaliação dos Professores, mantendo em vigor fichas de avaliação absolutamente desadequadas;
  8. o Ministério não dá resposta à questão ética e legal de nesta escola, bem como em muitas outras, não ser possível cumprir o disposto no Decreto Regulamentar nº2/2008 de 10 de Janeiro, que determina que a avaliação pondere “o envolvimento e a qualidade científico-pedagógica do docente.”



Assim, os signatários renovam a proposta de suspensão de todas as iniciativas e actividades relacionadas com o processo de avaliação em curso, certos de que, desta forma, contribuem para a melhoria do trabalho dos docentes, das aprendizagens dos alunos e da qualidade do serviço público de educação.


São subscritores deste documento,


Publicado por Paulo Guinote em 3 de Novembro de 2008

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Segunda-feira, Novembro 03, 2008

Movimento pela suspensão do modelo da avaliação docente (2)

Correspondendo a um desafio de Paulo Guinote, e usando as informações compiladas pelo Movimento Escola Pública, fizemos o mapa da contestação. Os agrupamentos de escolas são respresentados por estrelas, escolas, colégios ou grupos de professores por um círculo. Actualizado cerca das 16 horas do dia 3 de Novembro.


Norte
Contestação ào modelo de avaliação dos professores em Portugal

Sul
Contestação ào modelo de avaliação dos professores em Portugal

Porto
Contestação ào modelo de avaliação dos professores em Portugal
Lisboa
Contestação ào modelo de avaliação dos professores em Portugal
(Clique sobre as figuras para aumentar)

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Ser professor em Portugal: Margarida Azevedo

Rompendo a cortina do silêncio e da vergonha. (AF)
Escola EB2/3 de Vila Nova de PoiaresNum ápice, o que dava prazer transforma-se numa espécie de fobia. Esta é a história de uma professora, investigadora, mestre em Ciências Musicais, com curso de Musicoterapia, especializada em Educação Especial que deixou de acreditar na escola, pelo menos naquela onde tentava leccionar. Desenvolveu uma enorme aversão, teve acompanhamento psiquiátrico e agora está afastada da actividade devido a um cancro.

Margarida Azevedo adora(va) a sua profissão e sente-se «frustrada» por não poder exercê-la condignamente.
«Um dia, simplesmente deixei de ir trabalhar. Fui falar com um psiquiatra, disse-lhe que me recusava a aparecer naquela escola sentia com fobia e o mais provável era abandonar o ensino. Porque, não estudei a vida toda, nem me dediquei a vida toda a estas coisas para chegar a este ponto».
Sente-se o peso da decisão:
«Passado um mês e meio tentei voltar, mas voltei para casa... Ao telefone, com o psiquiatra, um querido amigo, chorava, porque não conseguia lá estar».
A medicação para a depressão foi a solução imediata, mas que não podia antever o que ainda estava para acontecer.
«Em 2006/07, leccionava em nove turmas diferentes, cerca de duzentos alunos, para além de ser directora de turma e dar aulas de substituição. Nesse ano passei para a Educação Especial - já que precisavam de professor de apoio educativo e eu tinha experiência desde 1997 - mas ainda foi pior dada a incompetência e práticas na escola»,
conta. Um ano depois, leccionando Educação Musical a crianças do 5º e 6º ano, mantinha oito turmas, mais três com áreas de projecto, em 4 níveis diferentes.

Depois de ter trabalhado vários anos em Educação Especial, não conseguiu destacamento por erro da aplicação informática da DREC («que infelizmente não detectei tendo acreditado que não poderia ser destacada já que o meu grupo é Ed. Musical») e acabou por ser colocada na Escola EB 2/3 de Vila Nova de Poiares. Para quem vivia em Coimbra, era uma tormenta percorrer aqueles quase 90km de curvas (ida e volta), para depois encontrar um pesadelo.

«Sou forte e profissional, mas por causa da forma como me trataram, transformei-me numa pessoa frustrada. Com os alunos senti-me sempre bem, o resto é que não funcionava, pois havia muita gente sem competência»,
recordou, contando que chegou a ter de «tentar corrigir e evitar colaborar em erros gravíssimos».

Em duas horas, tudo mudou.

Sem o enquadramento necessário na escola, a sentir-se recuperada Margarida candidatou-se a uma bolsa da Gulbenkian, a um projecto de investigação: dois meses para estudar e contribuir para a implementação da Educação Especial em Timor, com a colaboração do governo local.

Às 16h do dia 16 de Maio, a vida parecia tomar novo rumo, pois a bolsa tinha sido aprovada. Projectos feitos, ideias de Doutoramento, hipóteses de realização na sua área profissional, «podendo efectivamente ajudar pessoas, crianças». Duas horas depois, porém, uma visita à sua médica para conhecer os resultados de uma biópsia, ditariam um outro destino: cancro na mama. Volvidos oitos dias já estava a fazer uma mastectomia e os objectivos passavam a ser a reconstituição total e, no limite, a sobrevivência.

Não há certezas científicas, mas «o stress é apontado como uma das origens possíveis do cancro». Margarida tenta esquecer o passado enquanto vai recuperando. Pediu destacamento por doença para Coimbra, que não lhe foi concedido, e entretanto cumpre baixa médica. «No próximo ano, há concursos. Concorrerei para a Educação Especial», assegura.

Hoje em dia tenta encontrar a força na luta dos outros, ajudando colegas, denunciando outros casos e deixando o alerta:
«Não se deixem matar nem desgastar em limites preocupantes. O defeito não está em nós, mas no sistema».
A chama mantém-se viva num dos blogues de educação mais activos a nível nacional, A Sinistra Ministra.

Filipe Caetano, «Professores que sofrem»: a escola como fobia, IOL Portugal Diário, 2 de Outubro de 2008

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Domingo, Março 16, 2008

IST, 16 de Março de 1972

Instituto Superior Técnico


Alguns elementos da Direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST), vigente no ano anterior, haviam sido presos pela Direcção Geral de Segurança (DGS). Tal motivou um comunicado aos estudantes, istando o Director do Instituto Superior Técnico (IST), o Eng Químico Dr Fraústo da Silva, a obter informações sobre o acontecimento. Cerca das dez da manhã, aparentemente porque essa iniciativa que dava visibilidade às prisões não agradava à DGS, uma força policial significativa concentrou-se em frente ao portão principal do IST. O Dr Fraústo da Silva ficou alarmado com a situação e advertiu a polícia de que, enquanto ele fosse Director do Instituto, a polícia não tinha autorização de entrada nas instalações. Como seria de esperar, reinava grande efervescência entre os estudantes, surpreendidos por estes factos numa normal manhã de aulas que nada fazia prever que viesse a ser diferente das outras. As aulas foram interrompidas e concentraram-se todos na grande calçada em frente ao Pavilhão Central. Alguns estudantes tomaram espontaneamente a palavra, entre eles João Sarmento e Acácio Barreiros. Apelavam à calma para que se evitasse qualquer provocação. Quando eram cerca da dez e meia, deu-se a entrada intempestiva da Polícia pelo portão principal, voltado para a Alameda Afonso Henriques. À frente vinham agentes com cães polícia à trela. Foi a confusão geral. Nem todos os estudantes se aperceberam ao mesmo tempo. Seguiu-se uma correria desordenada em direcção aos dois portões laterais. Quando a frente de ataque da polícia ficou descoberta, tomei também o meu caminho, em direcção à Avenida Rovisco Pais. A meio da descida para o portão estava um monte de corpos engalfinhados, de onde sobressaiam as pernas das estudantes que levavam saias, assim como sapatos e pastas, canetas e réguas de cálculo espalhados pelo chão - uma presa demasiado fácil para os agentes que se aproximavam. Por mim, como uma flecha, vejo passar o Fred - mais tarde seria uma membro do Comité Central da UDP - gritando bem alto "Filhos da Puta". Isto deu-se perto do Instituto Nacional de Estatística.
A invasão do Técnico (abreviatura de IST) pela polícia nesse dia viria a tornar-se o elemento de detonação de acontecimenhtos marcantes na fase final do marcelismo, que ainda durou mais cerca de dois anos:
  1. Do ponto de vista de hábitos estudantis, as saias das estudantes passaram a dar lugar às calças, geralmente as jeans; os sapatos altos foram substituídos rapidamente por ténis.
  2. Nesse mesmo dia, o Director do IST, o Dr Fraústo da Silva, demitiu-se.
  3. Nesse mesmo dia, a AEIST foi encerrada.
  4. Pela reabertura da Associação foi feita a greve aos exames mais participada de toda a Academia em Portugal: dos cerca de cinco mil estudantes, apresentaram-se a exame cerca de cinquenta estudantes, ou seja, perto de um por cento. Para conseguirem realizar os exames entraram no Técnico em veículo de transporte policial. Mesmo assim, houve que aderisse à greve mesmo já estando na sala de exames, em parte por não compreender porque razão tão pouca gente lá estava, em parte porque era audível o burburinho que entrava pelas janelas, vindo do exterior; finalmente, porque era muito desagradável suportar o cheiro das bombinhas de mau cheiro do Carnaval enquanto tentavam concentrar-se nos assuntos das perguntas.
  5. Depois de um longo período de negociações, a época de exames foi anulada e repetida após a férias grandes; a AEIST foi reaberta na mesma altura.

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