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Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Kathy Kelly - A arma mais poderosa

Guerra em Gaza

O Dr Atalá, médico, convidou-me para uma visita a sua casa na cidade de Gaza situada a poucos quarteirões de distância do Hospital Chifá.

De manhãzinha, havia regressado a casa com a sua família, após uma fuga de cinco dias que duraram os ataques mais intensos à cidade de Gaza, receando pelas suas vidas. Acreditem, ao conduzir o carro desde o Hospital até ao sítio onde se encontrava a minha família, rezava todo o tempo, disse o Dr Atalá, porque os israelitas disparavam sobre qualquer um que estivesse à noite nas ruas.

O Dr Atalá exerceu medicina na especialidade de cirurgia geral ao longo de toda a sua carreira. Hoje, com 61 anos, afirma nunca ter observado feridas tão terríveis como as que viu nas três últimas semanas, quando ele e os restantes elementos da sua equipa procuraram socorrer numerosos pacientes com membros partidos, feridas de estilhaços de granadas e queimaduras graves. Neurocirurgiões, cirurgiões vasculares, ortopédicos e de cirurgia geral juntaram-se para tratar de pacientes, como equipa, tentando salvá-los, mas houve muitos que não foram salvos. Descreveu doentes com estilhaços de granada nos olhos, no rosto, no peito, nos abdómen, doentes a quem tiveram que amputar as pernas acima do joelho. A maior parte deles - disse - eram civis.

Há maneiras estranhas de destruir o corpo humano, acrescentou o Dr Atalá. Vinde, por favor, amanhã à Unidade de Queimados, e vereis doentes sofrendo do uso de fósforo branco. O Dr Atalá disse que começou a compreender a extensão do trauma e do perigo ao ouvir as histórias dos pacientes atingidos.

Alguns estavam sentados em casa quando foram atingidos por uma bomba de um tanque. Não souberam o que lhes aconteceu, disse. Os sobreviventes chegaram ao Hospital depois de muitos dos seus familiares terem sido mortos. Doentes de Beit Laía disseram que uma grande família de 25 pessoas foi atacada em uma sua casa. Quando os familiares os vieram ajudar, atiradores furtivos (snipers) israelitas mataram oito. Muitos feridos foram deixados ao abandono até morrerem. Não foi permitida a entrada na zona de ambulâncias ou de socorristas da Cruz Vermelha.

Numa das anunciadas interrupções dos bombardeamentos, Israel aproveitou para bombardear a Praça Palestina, próxima aos escritórios da administração municipal. Quatro dos feridos graves que chegaram ao hospital não conseguimos salvá-los - disse Atalá. Outros sete sobreviveram.

Todos os edifícios importantes para os serviços de manutenção de Gaza foram bombardeados. Desde ministérios a postos de polícia, todos foram destruídos. Alguns edifícios do Hamas também, mas não todos.

Acabámos de percorrer a pé as zonas dos edifícios dos ministérios da justiça, educação e cultura: completamente destruídos. Depois, já de carro, vimos mesquitas, fábricas, casas e escolas reduzidas a escombros. Perguntámos a Atalá e razão porque, segundo a sua opinião, Israel atacou Gaza tão ferozmente.

Ele acredita que os ataques foram basicamente um acto irracional, mas que a motivação imediata para um ataque desta magnitude foi a posição de alguns candidatos face ao acto eleitoral que se aproxima, pretendendo demonstrar desta forma junto do público israelita o seu desejo de utilizar as forças armadas para garantir a segurança dos israelitas. Os palestinos acabam sempre por pagar as despesas em sangue - disse.

Um dos aspectos mais graves desta guerra - acrescentou - é a falta de respeito para com a Organização das Nações Unidas. Três escolas da Agência de Socorros das Nações Unidas (UNRWA) foram bombardeadas. Na Jabália morreram mais de 45 pessoas numa escola da ONU; os caças F16 bombardearam também estações de armanezamento e distribuição de víveres da ONU.

Do Hospital de Chifa, observámos chamas e fumo de dia e de noite. A cidade ficou permanentemente coberta de fumo e produtos químicos. Desconhecemos ainda as consequências que esta situção poderá acarretar para a saúde pública - disse Atalá.

Sim! Há lançamento de foguetes - confirmou Atalá, referindo-se aos disparos do Hamas contra cidades israelitas - e estamos solidários com qualquer israelita ferido por esses foguetes. Mas se alguém te pica com um alfinete, não irás cortar-lhe a cabeça. Simplesmente, perguntas-lhe porque está a fazer isso. As pessoas aqui estão encarceradas numa prisão onde há falta de tudo. Nada é possível ser reparado. É desejo de todos que as fronteiras estejam abertas para que os bens possam entrar e sair. Passados seis meses de fronteiras fechadas, toda a gente está insatisfeita. Agora fala-se de cessar-fogo, mas nada é adiantado sobre a abertura das fronteiras, fica por esclarecer o regresso das tropas e ainda se pretende que a NATO venha reforçar o cerco.

Espero que o Presidente Obama faça melhor que George Bush. Um poderio militar tão grande deveria estar ao serviço dos direitos humanos, não confundir-se com um grupo terrorista. Só fanáticos esperam ganhos através do terror; um estado democrático abstem-se de argumentações falaciosas para desculpar a morte em massa. Pelo contrário, um estado que procede a matanças em larga escala, deve ser julgado por um tribunal internacional.

Ainda podemos experimentar o amor. Estamos a tentar fazê-lo com judeus... por palavras e por acções. Temos que vencer. Precisamos viver em conjunto. Procuramos dar-nos bem com todos, quaisquer que sejam as opiniões. A arma mais poderosa do mundo é o amor - disse Atalá, acrescentando que sempre assim acreditou ser e procurando junto dos colegas partilhar essa convicção, fossem muçulmanos, cristãos ou judeus, ao longo da sua carreira. Declarou isso mesmo na fronteira de Eretz, logo após o início da campanha "Chumbo Pesado" lançada por Israel. Foi um dos 200 cristãos seleccionados entre 800 que se apresentaram para atravessar a fronteira e celebrar o Natal ortodoxo com familiares no "Lado Ocidental". Ao atravessar a fronteira, cumprimentou soldados israelitas: Feliz Natal. Alguns soldados retorquiam: Tens armas? Sim - respondia-lhes Atalá - Tenho a arma mais poderosa do Mundo, a arma do amor.


Kathy Kelly, The Strongest Weapon of All, publicado por Voices for Creative Nonviolence a 19 de Janeiro de 2009

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Domingo, Março 30, 2008

Boris Vian - Le Déserteur

Durante a Guerra da Indochina (Vietname, ainda sob domínio colonial francês), três meses antes da queda de Diem Biem Phu, Boris Vian escreveu "O Desertor". Quando foi publicada, a canção provocou um escândalo e, pior que isso, em Novembro de 1954, quando se desencadeou a sublevação na Argélia, foi proibida de ser reproduzida na rádio por anti-patriotismo.



Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer



Na versão original, os dois últimos versos eram:
"que je tiendrai une arme ,
et que je sais tirer ..."
Boris Vian aceitou a alteração sugerida pelo seu amigo Mouloudji para conservar o teor pacifista da canção.



Fonte: Paroles.net

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

NATO/OTAN - tratado defensivo?

Formalmente sim. Mas parece que para desgosto de alguns militares que andam muito nervosos e querem brincar às bombinhas antes do Carnaval. Ele há cada cromo.

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Gordon Brown - Your war is over

War is over
(clique sobre a figura para aceder à fonte)

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Harry Reid versus Dick Cheney

Harry Reid é o líder da bancada do Partido Democrata dos EUA no Senado. O resumo executivo do relatório a que se refere foi publicado pela BBC e está disponível aqui. (AF)
O último relatório de avaliação das agências de espionagem dos EUA desafiam directamente alguns pontos da retórica alarmística da administração (da Casa Branca) sobre a ameaça representada pelo Irão.Harry Reid

Fonte: Mark Mazzetti
U.S. Finds Iran Halted Its Nuclear Arms Effort in 2003
publicado porThe New York Times logoa 4 de Dezembro de 2007

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Quarta-feira, Junho 13, 2007

Reinhard Höppner - Negociar com o inimigo


Os terroristas, incluindo os talibãs, pertencem à mesa das negociações. Só quando ofereço ao meu inimigo o lugar de honra posso aspirar a alcançar a paz.
Reinhard Höppner, presidente do congresso da Igreja Protestante Alemã, citado por Deutsche Welle em 11 de Junho de 2007

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Terça-feira, Dezembro 19, 2006

Karma Nabulsi - Isto é uma tentativa para torpedear as nossas eleições

Mahmoud Abbas declarou ontem: "Deixem as pessoas decidirem por si próprias o que querem". Mas já há um consenso nacional: deve haver eleições na Palestina, não para presidente da Autoridade Palestiniana ou para membros do Conselho Legislativo, mas para o Conselho Nacional Palestiniano, o corpo institucional que forma a base da soberania da Organização da Libertação da Palestina (OLP), único legítimo representante do povo palestiniano. O povo palestiniano já elegeu um conselho legislativo que representa uma parte do seu corpo político. Agora, exige eleições para a totalidade da população palestina.

Quando a Fatá perdeu o poder a favor do Hamás em Janeiro, a Fatá precisou de ponderar os benefícios democráticos que advêm para todos aqueles que perdem o poder numas eleições: a oportunidade para se aproximarem dos seus constituintes, para aprenderem porque perderam e como voltar a ganhar a confiança das pessoas. Em vez disso, a "comunidade internacional" disse à Fatá que esta ainda detinha o poder e que tinha de continuar a desempenhar este papel sob pena de se tornar responsável por abandonar o seu povo ao sofrimento e a um destino ainda mais cruel.

Aquilo que estamos a testemunhar hoje é o resultado de um processo de coerção deliberada, planeado para forçar um povo submetido à ocupação estrangeira a capitular, abdicando dos seus representantes eleitos. Que esta coerção fosse exercida pela força militar ocupante de Israel, apoiada pelos neoconservadores, já se esperava - e motivava a resistência. O que é mais difícil de entender é que esta coerção seja também exercida, de modo tão óbvio, pelo Reino Unido e pela União Europeia - que eram supostos apoiar a Palestina, senão pelos valores da decência, ao menos enquanto signatários da Quarta Convenção de Genebra.

O povo palestiniano, claramente, já se exprimiu: é pelas eleições para o Conselho Nacional; é pelo levantamento do boicote económico a uma autoridade democraticamente eleita; e é pela liberdade e pela independência.


Tradução de:
This is an attempt to overturn our elections
publicado no The Guardian de 19 de Dezembro de 2006

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