Ao fim de 36 anos voltamos a lembrar o Estádio Chile cheio de trabalhadores, intelectuais, estudantes, militantes de partidos de esquerda e democratas em geral, que aos milhares ali foram encerrados, para dia após dia serem torturados e assassinados, enquanto se instalava definitivamente a ditadura militar de Augusto Pinochet, idealizada, cozinhada e levada a cabo a partir dos gabinetes da CIA e da Casa Branca.
Ao fim de 36 anos o seu país tentou sarar essa ferida, dando-lhe um funeral de Estado, acompanhado por milhares de chilenos. Não o que merecia, pois o que Víctor Jara merecia era continuar vivo, ou, a ter já morrido, que tivesse sido de morte natural, rodeado pela ternura da sua família e amigos e não vítima de assassinos.
Ao fim de 36 anos proclamou-se o que já se sabia. Víctor Jara era um homem íntegro e bom!
Manifesto
Yo no canto por cantar ni por tener buena voz canto porque la guitarra tiene sentido y razon, tiene corazon de tierra y alas de palomita, es como el agua bendita santigua glorias y penas, aqui se encajo mi canto como dijera Violeta guitarra trabajadora con olor a primavera.
Que no es guitarra de ricos ni cosa que se parezca mi canto es de los andamios para alcanzar las estrellas, que el canto tiene sentido cuando palpita en las venas del que morira cantando las verdades verdaderas, no las lisonjas fugaces ni las famas extranjeras sino el canto de una alondra hasta el fondo de la tierra.
Ahi donde llega todo y donde todo comienza canto que ha sido valiente siempre sera cancion nueva.
Oh, musa do meu fado Oh, minha mãe gentil Te deixo consternado No primeiro abril Mas não sê tão ingrata Não esquece quem te amou E em tua densa mata Se perdeu e se encontrou Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
«Sabe, no fundo eu sou um sentimental Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...»
Com avencas na caatinga Alecrins no canavial Licores na moringa Um vinho tropical E a linda mulata Com rendas do Alentejo De quem numa bravata Arrebato um beijo Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
«Meu coração tem um sereno jeito E as minhas mãos o golpe duro e presto De tal maneira que, depois de feito Desencontrado, eu mesmo me contesto
Se trago as mãos distantes do meu peito É que há distância entre intencão e gesto E se o meu coração nas mãos estreito Me assombra a súbita impressão de incesto
Quando me encontro no calor da luta Ostento a aguda empunhadura à proa Mas o meu peito se desabotoa
E se a sentença se anuncia bruta Mais que depressa a mão cega executa Pois que senão o coração perdoa»
Guitarras e sanfonas Jasmins, coqueiros, fontes Sardinhas, mandioca Num suave azulejo E o rio Amazonas Que corre Trás-os-Montes E numa pororoca Deságua no Tejo Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal Ainda vai tornar-se um imenso Portugal Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Sei que estás em festa, pá Fico contente E enquanto estou ausente Guarda um cravo para mim Eu queria estar na festa, pá Com a tua gente E colher pessoalmente alguma flor No teu jardim Sei que há léguas a nos separar Tanto mar, tanto mar Sei também quanto é preciso, pá Navegar, navegar Lá faz primavera pá Cá estou doente Manda urgentemente algum cheirinho De alecrim
Foi bonita a festa, pá Fiquei contente Ainda guardo renitente um velho cravo para mim Já murcharam tua festa, pá Mas certamente Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim Sei que há léguas a nos separar Tanto mar, tanto mar Sei, também, quanto é preciso, pá Navegar, navegar Canta primavera, pá Cá estou carente Manda novamente algum cheirinho de alecrim
Jean-Claude Bonno, o Homem que devorou uma Orquestra
Jean-Claude Bonno é um artista famoso por imitar instrumentos musicais. Neste registo de 1987, Bonno imita os seguintes instrumentos: violino; banjo; guitarra; harmónica; acordeão; e saxofone.
O que estão em vias de escutar é PURA VOZ HUMANA, EXCLUSIVAMENTE ACCAPELA Nada de instrumentos Nada de efeitos acústicos electrónicos. Pura voz, ao vivo Os Voca People
O Voca People é um novo fenómeno vocal e teatral internacional, que combina sons vocais espantosos e cantos acappella com imitações de sons de baterias, trompetes, guitarras e outros instrumentos e efeitos musicais, sem usar de facto qualquer instrumento em palco, tudo executado de forma humorística e com a participação do público.
Quem são os Voca People?
São 8 extra-terrestres amigáveis do planeta Voca, um planeta que não dispõe de comunicação verbal, usando expressões vocais para o efeito. Escutaram a música da Terra ao longo de décadas e, com os seus dotes de imitação, decidiram-se agora a prestar uma homenagem à humanidade interpretando numa tarde as canções de que gostaram, como agradecimento.
Os Voca People são um conjunto de oito actores musicais talentosos; 3 cantoras que completam brilhantemente a família de vozes femininas (soprano, mezzo-soprano e contralto) e três cantores (tenor, barítono e baixo). Além destes, há dois artistas que imitam os sons das caixas, considerados dos melhores neste campo.
A efeméride está marcada para as 11H44 da manhã. Consistirá na passagem do Sol pelo ponto vernal médio. Este ponto já esteve na constelação zodiacal do Carneiro, mas deslizou entretanto para a dos Peixes. Os astrólogos não se entenderam com os astrónomos e continuam a dar início ao signo do Carneiro nesta data. Mas isso em nada interessa para a festa.
A duração do Sol acima do horizonte estará hoje equilibrada com a duração da noite, muito aproximadamente 12 horas para cada qual, em toda a extensão da Terra excepto nos pólos;
O Pólo Norte entra num período de seis meses de claridade crepuscular permanente;
O Pólo Sul entra num período de seis meses de obscuridade crepuscular permanente;
Começa hoje o novo ano trópico, a principal medida astronómica para o ano;
Para o hemisfério Sul, começa o Outono hoje;
Para o hemisfério Norte, hoje começa a Primavera.
Portanto, em Portugal inaugura-se oficialmente a explosão da alegria das flores. Bela ocasião para uma malga de caldo verde a fumegar, um bom copo de verde tinto, azeitonas, chouriço assado e broa de milho. Depois de afinadas as gargantas, os pares podem tomar os seus lugares. Segurem-se as concertinas e o clarinete, os cavaquinhos, as guitarras e o violão, o bombo, o pandeiro, os ferrinhos e as castanholas. Apertem-se as faixas à cintura e atem-se os lenços à cabeça. Venha daí a Arrastada, o Senhor da Serra, a Chula Vareira, o Malhão, a Gota da Serra d'Arga, a Cana Verde e os Sinos da Sé de Braga. De aonde? Or' essa, de onde a cultura tradicional portuguesa partiu para chegar mais longe, ultrapassou todas as fronteiras e tocou corações no outro lado do Mundo, pois claro. Todos prontos? Vamos então.
let me sail, let me sail, let the orinoco flow, let me reach, let me beach on the shores of Tripoli. let me sail, let me sail, let me crash upon your shore, let me reach, let me beach far beyond the Yellow Sea. da da, da da, da da, da da, da da
from Bissau to Palau - in the shade of Avalon, from Fiji to Tiree and the Isles of Ebony, from Peru to Cebu hear the power of Babylon, from Bali to Cali - far beneath the Coral Sea.
da da, da da, da da, da da, da da
turn it up, turn it up, turn it up, up, up adieu turn it up, turn it up, turn it up, up, up adieu turn it up, turn it up, turn it up, up, up adieu
sail away...
from the North to the South, Ebudæ into Khartoum, from the deep sea of Clouds to the island of the moon, carry me on the waves to the lands I've never been, carry me on the waves to the lands I've never seen.
we can sail, we can sail, with the orinoco flow, we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away we can steer, we can near with Rob Dickins at the wheel, we can sigh, say goodbye Ross and his dependencies we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away
we can reach, we can beach on the shores of Tripoli we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away
from Bali to Cali - far beneath the Coral Sea we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away
from Bissau to Palau - in the shade of Avalon we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away
we can reach, we can beach far beyond the Yellow Sea. we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away
from Peru to Cebu hear the power of Babylon, we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away we can sail, we can sail, sail away, sail away, sail away...
These mist covered mountains Are a home now for me But my home is the lowlands And always will be Some day you'll return to Your valleys and your farms And you'll no longer burn To be brothers in arms
Through these fields of destruction Baptisms of fire I've witnessed your suffering As the battles raged higher And though they did hurt me so bad In the fear and alarm You did not desert me My brothers in arms
There's so many different worlds So many different sounds And we have just one world But we live in different ones
Now the sun's gone to heaven And the moon's riding high Let me bid you farewell Every man has to die But it's written in the starlight And every line on your palm We're fools to make war On our brothers in arms
Neves e Sousa, "Viuva da Quissama" Imagem: Malambas
Madya Kandimba
Em 1875 surge-nos uma composição, que tem por título Madya Kandimba (Maria Coelhinho). É uma das primeiras peças de coro de Masemba recolhida por Óscar Ribas e que ele nos apresenta no seu livro Misoso III, (1964). A peça conta-nos a história de um europeu de amores com a sua empregada africana. A mulher, ao tomar conhecimento deste romance, de pistola em punho, põe-se à procura da empregada, que foge de barco. Pela sua estrutura melódica e poética, somos levados a crer que Madya Kandimba é já um produto definido em termos de simbiose cultural. Outras peças mais recentes, têm a mesma estrutura, o que nos leva a crer que a génese da música suburbana é já anterior a 1875.
No ano seguinte (1959, Sivuca) retorna à Europa, residindo em Lisboa e Paris até 1964. Em Portugal, como produtor, gera o primeiro disco de música Angolana, Africaníssimo, Sivuca/Duo Ouro Negro.
Incontrolavelmente, meu corpo ginga e treme sob a imposição do ritmo, exatamente como acontecia outrora...
“...Malê, malê Male, malê Ituxi ngana Ya kidiwanu!...”
A volta no tempo, aos anos de juventude irresponsável, das noites perdidas com cerveja, suor e ritmo nos ambientes pesadamente carregados com uma mistura de fumaça de cigarro e kangonha, katinga e lavanda, em recintos mal iluminados como convinha...
“...Sinyiola wakwata pixitola Wandala kulosa Madya Kandimba! Madya Kandimba watele o kulenga... Kandimba walenge mu vapolo ê...”
A rebita tomou conta e só fisicamente eu permaneço atado ao presente...
A pretexto de uma conferência com especialistas internacionais para debater o insucesso na disciplina de Matemática em Portugal, a Ministra da Educação veio chamar a atenção para o “passivo enorme” nesta área. Atribuídas (mais uma vez) as culpas aos professores, estando presentemente alguns milhares a receber formação contínua nesta matéria; lançado um Plano de Acção para a Matemática, aumentando a carga horária na disciplina, resta‐nos prever quais serão as recomendações que resultarão de mais esta conferência.
Porventura os sucessivos responsáveis pela pasta da educação em Portugal – eles próprios fruto de uma sociedade com fraquíssima cultura musical – não têm sido sensíveis ao papel fundamental que a música pode e deve ter na formação integral do indivíduo, não só ao nível da sensibilidade estética e do desenvolvimento emocional mas também ao nível da estruturação do pensamento lógico e do raciocínio matemático/geométrico, estimulando a concentração, disciplinando a actividade de grupo, favorecendo a comunicação, a cooperação e a entreajuda – tudo isto num clima de grande criatividade e franco prazer.
No entanto, desde Pitágoras – que para além de um contributo fundamental para a Matemática e a Geometria, também estabeleceu as bases da Teoria Musical – têm vindo a comprovar‐se as muito estreitas relações entre a Música e a Matemática.
Na verdade, vários estudos revelam que a maioria dos jovens que aprendem música, para além de serem alunos mais criativos em todas as áreas, também obtêm bons resultados em Matemática, sendo certo que, para alem de um papel muito positivo no ensino de crianças disléxicas e autistas, a Música é, de facto, aquela aliada que, como por encanto, leva qualquer criança a fazer a ponte entre o concreto e o abstracto, levando‐a a descobrir novas formas de comunicação e linguagem e ajudando‐a assim a apreender a lógica e a simbólica da Matemática.
A Educação Musical consta, de facto, do currículo da escola em Portugal desde 1971, ano da reforma de Veiga Simão que introduziu alterações significativas neste campo. No entanto, ao contrário do que sucede em muitos outros países, para lá de se iniciar já numa idade tardia, a Educação Musical tem estado confinada ao 2º Ciclo do ensino básico – no 3º Ciclo tem expressão muitíssimo limitada – e, a partir da última reforma curricular, a sua carga horária sofreu mesmo uma redução substancial de 45 m, passando a dispor apenas de 90 m semanais.
Foi feita alguma avaliação destas reformas?
Ainda a este propósito, é importante também referir que uma manifesta falta de instrumentos disponíveis nas salas de aula – e o facto de muitos dos que existem já estarem anificados – o que limita, muitas vezes, os professores a um ensino elementar da prática de flauta, impedindo, dessa forma, os alunos de adquirirem as “competências” (irrealistas) previstas para a disciplina pelo próprio Ministério da Educação.
A nível do 1º Ciclo, a recente introdução do ensino da Música, embora louvável, mais não fez do que pôr em prática um aspecto que, previsto no currículo, geralmente se não cumpria, sendo que os professores, recrutados em empresas privadas, trabalham em condições muito discutíveis.
Como se tudo isto não bastasse, mais recentemente ainda, sob a capa de uma alegada “Democratização do Ensino Artístico” o Governo decidiu acabar com o chamado regime de ensino supletivo, que permitia a frequência de disciplinas de formação especializada nos Conservatórios, a par das de formação geral numa escola à sua escolha.
Promovida pela Unesco, teve lugar em Lisboa, em 2006, a 1ª Conferência Mundial de Educação Artística, da qual resultaram orientações importantes no domínio da educação artística. A sua aplicabilidade foi debatida no ano seguinte na Conferência Nacional de Educação Artística. Que repercussões têm tido eventos como estes no ensino da Música em Portugal?
O Ministério da Educação insiste agora na avaliação dos professores mas não deveria ser o próprio Ministério a ser objecto de avaliação, entre outras coisas, pela sua manifesta desatenção relativamente ao ensino da Música?
Ainda vamos a tempo de investir numa formação musical de qualidade desde o jardim de infância, da qual a Matemática, bem como as outras áreas possam vir a beneficiar e de que possa resultar um maior equilíbrio emocional dos jovens.
Sigamos então as tão apregoadas “boas práticas”: sigamos o exemplo da Finlândia onde os pais podem mandar os filhos para escolas de música patrocinadas pelo estado desde tenra idade; sigamos o exemplo da própria Venezuela (retratado numa reportagem transmitida na televisão há dias), onde a fundação «El Sistema» recorre à música para reabilitar, ensinar e proteger crianças de meios desfavorecidos, prevenindo comportamentos criminosos...!
Leibniz (filósofo e matemático alemão) afirmou: Musica est exercitium arithmeticae occultum nescientis se numerare animi (A música é o exercício oculto de matemática do espírito que não se apercebe que calcula).
Os fracos resultados dos estudantes portugueses na disciplina de matemática estarão, seguramente, na proporção exacta do desprezo que tem sido dado ao ensino da Música na Escola Pública.
Isabel Guerreiro Professora de Educação Musical do Ensino Público Monte Estoril
Belíssima canção de aniversário, dedicada por José Afonso a Alfredo Matos, quando se encontrava preso pela PIDE. No dia 25 de Abril de 1974, foi retirada rapidamente do baú das canções proibidas e passada largas vezes na rádio, como forma de encorajar os militares sublevados a libertar os presos políticos. Foi a minha canção preferida do dia. (AF)
Aquele dia já distante parecia-me semelhante aos dias que haviam passado. Um pequeno pormenor, porém, me chamou a atenção logo no noticiário da manhã. O Hino Nacional apresentou-se na versão cantada ao invés da instrumental. Passados 34 anos, estou com uma vontade enorme de cantar novamente A Portuguesa.
Jonathan Sherwood - Novo ponto de partida para a gravação musical
De há muito que é sabido que, no torvelinho aparentemente desordenado de factos, se sobrepoem dois tipos de constituintes: por um lado, o conjunto de elementos estruturantes, relativamente estáveis e possíveis de tipificar, por outro, o conjunto de elementos imprevisíveis ou contingentes, singulares e específicos de cada momento. As técnicas de gravação musical clássicas, devido ao desenvolvimento prodigioso da electrónica digital dos últimos anos, seguiu a via mais fácil de acompanhar o valor instantâneo da amplitude sonora, estreitando cada vez mais a distância temporal entre amostras consecutivas, isto é actuando na dimensão do ritmo da amostragem. É sabido também que existe um grau de redundância imenso na informação sonora e, por este motivo, esta abordagem mais não representou senão uma desistência de distrinçar entre as duas categorias de informação: a estruturante e a aleatória. Por ocasião do sexagésimo aniversário da Teoria da Informação, eis que a Universidade de Rochester tomou a dianteira numa direcção decisiva do processamento da Informação. Sendo este um dos meus temas de estimação, penso voltar a ele amiude ao longo deste ano. (AF)
20 segundos de um solo de clarinete foram acomodados num único kilobyte. (Não, não se trata de uma brincadeira do dia das mentiras.)
Um grupo de investigadores da Universidade de Rochester reproduziu música de um ficheiro digital 1000 vezes mais compacto que um ficheiro normal MP3 (norma definida pelo Moving Picture Expert Group, version 3). O registo do trecho musical, um solo de clarinete com 20 segundos codificado em menos de um kilobyte, foi possível graças a duas inovações: processamento pelo computador dos aspectos físicos específicos tanto do clarinete como do instrumentista.
Este marco, anunciado hoje na Conferência Internacional sobre a Acústica da Voz e Processamento de Sinais que se realizou em Las Vegas, não é ainda uma reprodução impecável do som original, mas os investigadores afirmam que se aproxima bastante.
"Trata-se de uma abordagem da técnica de reprodução sonora adaptada à natureza humana como ele é produzido", afirma Mark Bocko, um professor de engenharia eléctrica e de computadores e co-autor desta tecnologia. "As pessoas agem com a língua, a respiração e os dedos com uma rapidez limitada pelo que, em teoria, não deverá ser necessário efectuar medidas a um ritmo de dezenas de milhares de vezes por segundo como acontece na actual técnica de produção de CD's. Em conformidade, penso que nos aproximámos do limite inferior absoluto da quantidade de informação contida num trecho musical."
Ao reproduzir a música, o computador usa exaustivamente a informação que foi dispensada sobre o clarinete e a pessoa que toca o clarinete. Dois dos doutourandos do Professor Bocko, Xiaoxiao Dong e Mark Sterling, mediram tudo o que havia a medir no clarinete capaz de influenciar o som deste instrumento - desde as diferentes pressões impostas no bucal pelas dedilhações às diversas intensidades com que o som se propaga pelas direcções do espaço a partir da posição do instrumento. Com estes dados, construiram um modelo do clarinete completamente baseado em medidas acústicas reais.
A equipa concentrou-se depois na criação de um instrumentista virtual para este clarinete virtual. Representaram no modelo a forma como o músico interage com o clarinete, incluindo a dedilhação, a pressão do sopro, a pressão dos lábios sobre a embocadura para determinar infuência que tem sobre o som. Foi então possível, afirma Bocko, deixar o computador "escutar" o executante, para reconhecer e registar a sequência das suas acções conducentes àquela interpretação musical particular. O som original é simulado apresentando ao clarinete virtual o registo daquelas acções deduzidas da execução real.
No estado actual desta técnica, o som reproduzido fica bastante próximo do original, embora ainda não seja uma réplica perfeita.
"Continuamos as pesquisas para incluir no modelo os efeitos dos movimentos da língua, usados nas notas das passagens 'staccato'", acrescenta Bocko. Em músicas com notas sustentadas normalmente, o método já funciona muito bem, sendo difícil distinguir-se entre o músico verdadeiro e o músico sintetizado.
Com um brilhozinho nos olhos e a saia rodada escancaraste a porta do bar trazias o cabelo aos ombros passeando de cá para lá como as ondas do mar. Conheço tão bem esses olhos e nunca me enganam, o que é que aconteceu, diz lá é que hoje fiz um amigo e coisa mais preciosa no mundo não há.
Com um brilhozinho nos olhos metemos o carro muito à frente, muito à frente dos bois ou seja, fizemos promessas trocamos retratos trocamos projectos os dois trocamos de roupa, trocamos de corpo, trocamos de beijos, tão bom, é tão bom e com um brilhozinho nos olhos tocamos guitarra p'lo menos a julgar pelo som
E que é que foi que ele disse? E que é que foi que ele disse? Hoje soube-me a pouco. passa aí mais um bocadinho que estou quase a ficar louco Hoje soube-me a tanto portanto, Hoje soube-me a pouco
Com um brilhozinho nos olhos corremos os estores pusemos a rádio no "on" acendemos a já costumeira velinha de igreja pusemos no "off" o telefone e olha, não dá p'ra contar mas sei que tu sabes daquilo que sabes que eu sei e com um brilhozinho nos olhos ficamos parados depois do que não te contei
Com um brilhozinho nos olhos dissemos, sei lá o que nos passou pela tola [o que nos passou pelo goto] do estilo és o "number one" dou-te vinte valores és um treze no totobola [és o seis do meu totoloto] e às duas por três bebemos um copo fizemos o quatro e pintámos o sete e com um brilhozinho nos olhos ficamos imóveis a dar uma de "tête a tête"
E que é que foi que ele disse? E que é que foi que ele disse? Hoje soube-me a pouco. passa aí mais um bocadinho que estou quase a ficar louco Hoje soube-me a tanto portanto, Hoje soube-me a pouco
E com um brilhozinho nos olhos tentamos saber para lá do que muito se amou quem éramos nós quem queríamos ser e quais as esperanças que a vida roubou e olhei-o de longe e mirei-o de perto que quem não vê caras não vê corações com um brilhozinho nos olhos guardei um amigo que é coisa que vale milhões.
E que é que foi que ele disse? E que é que foi que ele disse? Hoje soube-me a pouco. passa aí mais um bocadinho que estou quase a ficar louco Hoje soube-me a tanto portanto, Hoje soube-me a pouco
Durante a Guerra da Indochina (Vietname, ainda sob domínio colonial francês), três meses antes da queda de Diem Biem Phu, Boris Vian escreveu "O Desertor". Quando foi publicada, a canção provocou um escândalo e, pior que isso, em Novembro de 1954, quando se desencadeou a sublevação na Argélia, foi proibida de ser reproduzida na rádio por anti-patriotismo.
Monsieur le Président Je vous fais une lettre Que vous lirez peut-être Si vous avez le temps Je viens de recevoir Mes papiers militaires Pour partir à la guerre Avant mercredi soir Monsieur le Président Je ne veux pas la faire Je ne suis pas sur terre Pour tuer des pauvres gens C'est pas pour vous fâcher Il faut que je vous dise Ma décision est prise Je m'en vais déserter
Depuis que je suis né J'ai vu mourir mon père J'ai vu partir mes frères Et pleurer mes enfants Ma mère a tant souffert Elle est dedans sa tombe Et se moque des bombes Et se moque des vers Quand j'étais prisonnier On m'a volé ma femme On m'a volé mon âme Et tout mon cher passé Demain de bon matin Je fermerai ma porte Au nez des années mortes J'irai sur les chemins
Je mendierai ma vie Sur les routes de France De Bretagne en Provence Et je dirai aux gens: Refusez d'obéir Refusez de la faire N'allez pas à la guerre Refusez de partir S'il faut donner son sang Allez donner le vôtre Vous êtes bon apôtre Monsieur le Président Si vous me poursuivez Prévenez vos gendarmes Que je n'aurai pas d'armes Et qu'ils pourront tirer
Na versão original, os dois últimos versos eram: "que je tiendrai une arme , et que je sais tirer ..." Boris Vian aceitou a alteração sugerida pelo seu amigo Mouloudji para conservar o teor pacifista da canção.
There's a kind of hush All over the world tonight All over the world You can hear the sound of lovers in love You know what I mean
Just the two of us And nobody else in sight There's nobody else and I'm feelin good Just holding you tight
So listen very carefully Get closer now and you will see what I mean It isn't a dream The only sound that you will hear Is when I whisper in your ear I love you For ever and ever
There's a kind of hush All over the world tonight All over the world People just like us are fallin' love
Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.
How many roads must a man walk down Before you call him a man? Yes, 'n' how many seas must a white dove sail Before she sleeps in the sand? Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly Before they're forever banned? The answer, my friend, is blowin' in the wind, The answer is blowin' in the wind.
How many times must a man look up Before he can see the sky? Yes, 'n' how many ears must one man have Before he can hear people cry? Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows That too many people have died? The answer, my friend, is blowin' in the wind, The answer is blowin' in the wind.
How many years can a mountain exist Before it's washed to the sea? Yes, 'n' how many years can some people exist Before they're allowed to be free? Yes, 'n' how many times can a man turn his head, Pretending he just doesn't see? The answer, my friend, is blowin' in the wind, The answer is blowin' in the wind.
Três canções de Natal em vozes brancas, como eram cantadas na Escola Alemã da Chicuma em Angola. Votos de boas festas para todos os nossos visitantes. (AF)
Stille Nacht
Stille Nacht! Heilige Nacht! Alles schläft; einsam wacht Nur das traute hochheilige Paar. Holder Knabe im lockigen Haar, Schlaf in himmlischer Ruh! Schlaf in himmlischer Ruh!
Stille Nacht! Heilige Nacht! Hirten erst kundgemacht Durch der Engel Halleluja. Tönt es laut von Ferne und Nah: Christ, der Retter ist da! Christ, der Retter ist da!
Stille Nacht! Heilige Nacht! Gottes Sohn! O wie lacht Lieb aus deinem göttlichen Mund, Da uns schlägt die rettende Stund, Christ in deiner Geburt! Christ in deiner Geburt!
Oh du Fröhliche
Oh du fröhliche, Oh du selige, Gnadenbringende Weihnachtszeit. Welt ging verloren, Christ ward geboren, Freue, freue dich, oh Christenheit!
Oh du fröhliche, Oh du selige, Gnadenbringende Weihnachtszeit. Christ ist erschienen, Uns zu versühnen, Freue, freue dich, oh Christenheit!
Oh du fröhliche, Oh du selige, Gnadenbringende Weihnachtszeit. Himmlische Heere Jauchzen Dir Ehre, Freue, freue dich, oh Christenheit!
Oh Tannenbaum
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Wie grün sind deine Blätter. Du grünst nicht nur zur Sommerzeit, Nein auch im Winter wenn es schneit. Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Wie grün sind deine Blätter!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Du kannst mir sehr gefallen! Wie oft hat nicht zur Winterszeit Ein Baum von dir mich hoch erfreut! Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Du kannst mir sehr gefallen!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Dein Kleid will mich was lehren: Die Hoffnung und Beständigkeit Gibt Mut und Kraft zu jeder Zeit! Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum, Dein Kleid will mich was lehren
Há um lugar da internet onde todos os melómanos se sentem bem. Alonsii vive na Catalunha, porém os músicos de quem fala podem estar em qualquer parte do Mundo. Sobre cada música tem uma história para contar. Em tempos chegou a pedir às visitas portuguesas que manifestassem as suas preferências musicais. Reflexivamente, fez-me notar que quase nada conheço da música catalã. Nem fica nada longe, a Catalunha. Vivemos demasiado tempo de costas voltadas. Escolhi por isso um tema, mas deixo a apresentação a Alonsii.(AF)
En catalán Xalar significa divertirse. Y suena como Txala, el diminutivo con el que los Vascos llaman la Txalaparta. Txala es el nombre que adoptan esta formación catalana centrada en la fusión de los folklores Vasco y Catalán. Así instrumentos de las dos tierras comparten historias. El flabiol y el tamborí típicos de la música catalana acompañan a txalapartas de todos los tamaños y materiales. Temas típicos de aquí (Catalunya) que suenan con sabor de allá (Pais Vasco). Instrumentos de allá con sabor de aquí.
Pero que nuestros amigos del PP no se preocupen, que tan solo es música, cultura, no separatismo nacionalista. Que si se junta un catalán y un vasco , puede ser que, con toda seguridad, también salga algo bueno. Pero por desgracia, a veces se niegan como propias las diversas herencias culturales de la península; la música, las palabras, la comida, la gente, las ideas van siempre se un lado para otro y al final no son ni de aquí ni de allá. Quién lo entienda ya sabe de lo que hablo.
El disco me lo cede el amigo Txiribita, de ekaitzaldi, Posiblemente el blog más importante dedicado a la música y cultura de Euskalerria. De verdad, no dejéis de hecharle un ojo.
Si queréis saber cómo se ve el tema de Txala desde Euskalherria, mirar lo que nos dice Txiribita, aquí.
Canção encontrada em João Tilly, apropriada ao dia que atravessamos.
Uma bola de pano, num charco Um sorriso traquina, um chuto Na ladeira a correr, um arco O céu no olhar, dum puto.
Uma fisga que atira a esperança Um pardal de calções, astuto E a força de ser criança Contra a força dum chui, que é bruto.
Parecem bandos de pardais à solta Os putos, os putos São como índios, capitães da malta Os putos, os putos Mas quando a tarde cai Vai-se a revolta Sentam-se ao colo do pai É a ternura que volta E ouvem-no a falar do homem novo São os putos deste povo A aprenderem a ser homens.
As caricas brilhando na mão A vontade que salta ao eixo Um puto que diz que não Se a porrada vier não deixo
Um berlinde abafado na escola Um pião na algibeira sem cor Um puto que pede esmola Porque a fome lhe abafa a dor.
I don't remember what I was doing when they played "Mona Ki Ngi Xica," or "The Child I Am Leaving Behind," but I remember I stopped and sat and listened. I put that song on the first mix tape I made in bulk, one of those crappy tape-to-tape-to-tape jobs I sent out to a handful of friends. At least one of those tapes is still kicking around; my college roommate stumbled across it when packing for a recent move. He'll tell you, it's a weird tape: Thinking Fellers and Funkadelic and Marian Anderson. And Bonga.
Bonga Kwenda recorded Angola 72 in Rotterdam; he'd been exiled for his affiliation with the anti-colonial insurgency, the Popular Movement for the Liberation of Angola. The album was banned in his homeland, offensive to Portuguese sensibilities on two counts: its lyrics described the desperate poverty of Angolans under colonial rule and its music contained coded shout-outs to Angolan national pride. Bonga's band back home was called Kisseuia, or "poor people's suffering." He wrote songs based on the traditional semba style, the ancestor or close cousin of Brazilian samba (depending on your read of the circular genealogy of Afro-Latin music). He included Angolan instruments like the dizanka, a bamboo-scraper-type beat-keeper that reminds me of the fish. Wait, is that what it's called, the fish? You can hear it in this song:
I don't know the lyrics to "Mona Ki Ngi Xica" - it's sung in Kimbundu - but the emotion needs no translation: the plaintive guitars, the throaty hum, Bonga's husky cries, all speak anguished accusation. In 1974, a coup in Portugal brought down the colonial government; in 1975, a newly independent Angola imploded into a 27-year civil war that left the country in ruins. For many Africans, especially Bonga's fellow exiles in Europe, Angola 72 and the follow-up, Angola 74, became landmarks in time, music made in an explosive moment and instantly imbued with history (see Marvin Gaye, op cit).
I didn't have access to that history or those memories when I first heard the song, but it haunted me. Little by little, I learned new stories - about the song, about Bonga, about Angola.
Maybe eight years after that first hearing, another friend who got the tape I made picked up a copy of Angola 72 on a trip to San Francisco. Hearing Bonga then called up a lost moment in my own history: a rough, disheveled time when it was easy and necessary to imagine a radically different life-to-come. I grew to love another song on the album, "Muimbo Ua Sabalu," about which I can say nothing except, listen.
Hearing Bonga changed my life. It wasn't a conversion experience; I just learned something. And because I had some time on my hands, and because I bothered, the Bonga spread. I even got a little of the Bonga back. Nice, huh?
But thinking about Angola 72 makes me revise my lonely thesis. Maybe lonely isn't quite right. Loneliness is too diffuse. Maybe what I'm really talking about is longing - for home, for a time long past, for a better tomorrow - whatever endlessly deferred dream traps you, arms outstretched, in the infinite present. It's longing that opens the door. It's the door left open, waiting for someone to come home. Lower the arms, shut the door, miss the chance? No, I'm stuck with the longing, I guess. What are you gonna do?
Pois é, a Belgica anda a convidar uma data de gente conhecida da Lusofonia... Primeiro fui ouvir uma conferencia do Agualusa e agora...
Fomos ver o Bonga, aqui, em Bruxelas! Foi o maximo!!! Num ambiente muito descontraido, com as anedotas todas que ele conta, o Bonga conseguiu pôr estes Belgas (quase) todos a mexer! E até a minha mae fartou-se de dançar :)
Matos Carlos - Sítio Web cultural brasileiro em risco
Recebido por email. (AF)-Imaginem um site (lugar) onde se pode ler gratuitamente as obras de Machado de Assis ou A Divina Comédia, ou ter acesso às melhores historinhas infantis de todos os tempos. -Um lugar que lhe mostrasse as grandes pinturas de Leonardo Da Vinci. Onde você pudesse escutar (de graça) músicas em MP3 de alta qualidade... -Pois esse lugar existe! O Ministério da Educação disponibiliza tudo isso, basta acessar o site: www.dominiopublico.gov.br Só de literatura portuguesa são 732 obras! Estamos em vias de perder tudo isso, pois vão desativar o projeto por desuso, já que o número de acesso é muito pequeno. Vamos tentar reverter isso, divulgando e incentivando amigos, parentes e conhecidos, a utilizarem essa fantástica ferramenta de disseminação da cultura e do gosto pela leitura. Ao invés de divulgar o site, é mais barato eliminá-lo , é um absurdo !!! Divulgue para o máximo de pessoas, www.dominiopublico.gov.br
Repare-se, por exemplo, na crença da propriedade privada - crença nascida originariamente com a família patriarcal e que consiste no direito que cada homem supõe ter relativamente ao produto do seu próprio trabalho, ou o direito que ele foi capaz de obter naquilo que conquistou pela espada. Apesar da antiguidade e diminuição de poder destas origens remotas da crença na propriedade privada e apesar do facto de nenhumas novas origens serem apontadas, a grande maioria da humanidade tem uma profunda e indiscutível crença nestas inviolabilidades, devidas am grande parte ao tabu que resulta das palavras não roubarás. É certo que a propriedade privada é uma herança da era pré-industrial, quando um indivíduo ou uma família podiam fazer qualquer produto por suas próprias mãos. Num sistema industrial um homem nunca faz o todo de qualquer coisa, mas antes a milésima parte de um milhão de coisas. Nestas circunstâncias, é totalmente absurdo dizer que um homem possui um direito relativamente ao produto do seu próprio trabalho. Considerai um carregador numa estação, cuja ocupação é carregar e descarregar comboios de mercadorias: que proporção de mercadorias carregadas pode representar o produto do seu trabalho? A questão é totalmente impossível de resolver.
Deste modo, é impossível assegurar a justiça social dizendo que cada homem deve possuir o que ele próprio produz.
Os primeiros socialistas antes de Marx sugeriram isto como uma cura para as injustiças do capitalismo, mas as suas sugestões foram a um tempo utópicas e retrógradas, desde que se tornaram incompatíveis com a indústria em larga escla. É, por conseguinte, evidente que a injustiça do capitalismo não pode ser sarada enquanto a inviolabiliade da propriedade privada for reconhecida. Os bolcheviques observaram isto e, por consequência, confiscaram todo o capital privado para uso do Estado. Foi por terem recusado a crença na inviolabilidade da propriedade privada que a perseguição contra eles foi tão grande. Mesmo entre os socialistas declarados, há muitos que sentem um estremecimento de horror ao pensar na expulsão dos homens ricos das suas casas, para darem lugar aos proletários. Tais sentimentos instintivos são difíceis de vencer, por razões óbvias. Os poucos homens que conseguem isto, tais como os chefes bolcheviques, têm de enfrentar a hostilidade do mundo. Mas com a criação actual de uma ordem social que não tenha em vista somente os malefícios tradicionais, está-se mais habilitado a destruir tais malefícios nos espíritos vulgares do que o que pode ser feito num século de propaganda teórica. Creio que se mostrará, quando, na devida altura, os homens observarem as coisas na sua verdadeira proporção, que o principal serviço prestado pelos bolcheviques assenta na sua recusa prática da crença na propriedade privada, crença que não existe, de modo algum, somente entre ricos e constitui no momento presente um obstáculo ao progresso fundamental - e um tão grande obstáculo, que unicamente a sua destruição tornará possível um mundo melhor.
in Romeu de Melo: O Pensamento de Bertrand Russel, Selecção de textos publicado por Editorial Presença, Lda, LISBOA, 1966
Por ocasião do terceiro aniversário do falecimento de Ildo Lobo.(AF) Cabo Verde... Allá en el atlántico, más cerca de africa dando la espalda a la temida américa, funesto destino para tantos africanos... Qué conocemos de esta Isla? SIempre se habla de Cesaria Evora, la embajadora de la Morna, el estilo más conocido .Pero a mi me apetecía hablar de otras cosas de otras personas. Este archipielago de origen volcánico, es pobre, muy pobre, y tiene dificultades de todo tipo. Las nubes pasan sobre las islas, mientras sus gentes miran hacia arriba esperando que la lluvia les sonría... pero al final se van como llegaron, sin decir adiós, sin dejar agua como recuerdo... La isla mira siempre al mar, todo lo que necesita para la vida llega de fuera. Praia es la capital de Cabo Verde, tiene serios problemas con el suministro eléctrico, así diferentes sectores de la ciudad se quedan sin luz regularmente para evitar la sobrecarga de los generadores. Tranquilos, que si váis a la isla el barrio de hoteles, turistas y embajadas, nunca se queda sin luz. Las carreteras, sin acabar, el trabajo se lo inventan los isleños y si no pueden el grog les ayuda a olvidar. Los músicos hasta hace unos años no podían grabar en la isla porque no había ningún estudio. Las cuerdas de guitarra se vendían como si fueran hilos de oro. La emigración se presenta como la única solucción, pero a su vez comporta otros problemas...
Según el músico Mario Lucio Sousa, la música del archipielago se centra en 4 o 5 temas: la saudade, que tiene que ver con la emigración, el mar y el amor (el amor que se va a otras tierras), el hambre y la lluvia. Esta claro que no hace falta hacer letras enrevesadas o surrealistas, para transmitir con tanta fuerza el sentir de un pueblo, sobretodo cuando la vida es lo suficiente dura para no necesitar de ello.
Ildo Lobo fue mucho antes que Cesaria uno de los embajadores de la música de este país. Era los años 70 cuando al frente de su grupo Os Tubarões, llevaba la música de estas islas por toda Europa. Aquel país alegre e ilusionado que acababa de conseguir la libertad, que buscaba signos de identidad tras la colonización portuguesa y que quería cantar sus esperanzas de una vida mejor. Músico muy comprometido con su gente, es fiel al marxismo que impulsó la revolución, pero a la vez es capaz de ser crítico con el poder. Grabó 3 discos en solitario tras la separación de su grupo. Este "Incondicional" (2004) fue su disco póstumo, publicado un més después de su muerte el 20 de octubre del 2004. Encontraréis en él todos los ingredientes de este género tan bello.
Sirva también como recuerdo de todos aquellos grandes músicos de la isla y de la diáspora: Herminia, Boy Gé Mendes, Vasco Martins, Mario Lucio de Sousa, el grupo Simentera, Lura, Tito Paris, Rita Lobo, Nancy Vieira,Danny Silva,Bana,Fantcha, Teofilo Chantré, Dulce Matias, Mayra Andrade...
Àfrica Lusófona (AL): Outra grande referência da música de Cabo Verde foi o Ildo Lobo, que faleceu recentemente. Qual foi foi a sua relação com o Ildo?
Lura (L): Foi menos duradoira do que eu gostaria. Mas enquanto durou foi boa e edificante para mim. Sempre tive uma atitude um bocado tímida em relação ao Ildo Lobo, como tenho, aliás, com todos os artistas e pessoas que admiro. No início, tinha difi culdade em tratá-lo por tu, como faziam todos os que o conheciam, grandes e pequenos. Ele insurgiase, claro, porque era uma pessoa muito aberta e generosa. Aos poucos fui combatendo essa timidez em relação ao Ildo, que antes de o conhecer julgava ser uma pessoa muito formal, devido à sua obra e à dimensão que ele tinha na música de Cabo Verde. E ele revelou ser exactamente o oposto.
AL: Entretanto, gravou um dueto com ele para o disco “Incondicional”, que teve edição póstuma...
L: Quando soube que o Ildo queria gravar essa canção comigo, fi quei siderada. Nem queria acreditar. É claro que era uma coisa que eu tinha em mente fazer um dia, mas nunca tive a ousadia de dizer isso a ninguém nem imaginava que pudesse chegar tão cedo. Foi a realização de um sonho, embora não tenha tido a oportunidade de estar ao vivo com ele, nessa gravação, que foi trabalho separado, de estúdio.
AL: Mas já tinham estado várias vezes juntos em concerto, embora nunca em dueto…
L: Sim, há cerca de 3 anos ambos fi zemos parte da tournée “Cesária Évora and Friends”, que nos levou a muitos países da Europa. Já antes tínhamos estado juntos naquele célebre espectáculo, também em homenagem à Cesária Évora, que se realizou em 2001 no Zénith, em Paris. E foi justamente desse concerto que nasceu a ideia da tournée, que me permitiu estar, pela primeira vez, durante um tempo prolongado, num ambiente genuinamente ligado à música de Cabo Verde. Aprendi muito com os outros artistas, não só sobre a nossa música mas também sobre outras coisas do dia-a-dia do nosso país. Costumo dizer que fiquei muito mais rica depois de ter participado nessa experiência. Basta dizer que, para além do Ildo Lobo, tínhamos a Fancha, o Luís Morais, o grupo Ferro Gaita, a Maria Alice e muitos outros. Foi também dessa vivência que me veio a inspiração para compor o tema “Tem Um Hora Pa Tudo”.
Lurdes Van Dunen entrou para o N'Gola Ritmos quando o seu tio e fundador do grupo, o grande compositor e nacionalista angolano Liceu Vieira Dias, foi preso pela Pide. Vendo à distância no tempo o contraste entre esta frágil figura ainda jovem, ainda sufocada pela sorte da sua família, ainda a tentar lançar pontes de entendimento (1965), por um lado, e o sorriso de auto-contentamento dos defensores da vitória absoluta pela força bruta, por outro, apercebemo-nos facilmente das ironias da História.(AF)
Fruto dessa convivência existencial e artística, o grupo lança o álbum Novos Baianos Futebol Clube, de 73, lançado pela Continental. Destaques desse LP são as faixas: O Samba da Minha Terra, de Dorival Caymmi, numa releitura com arranjos que se dissolvem numa orgia de guitarras. (Universidade Federal da Bahia)
A maioria dos cantos de trabalho pertencem à Beira Baixa. São canções que acompanham a ceifa (“Oh que calma vai caindo”, Cantos Velhos, Rumos Novos), a monda (“Milho Verde, Cantigas do Maio), a colheita da azeitona (“Maria Faia”, Traz outro amigo também). Em todos perpassa a relação do trabalho com a paz e a beleza da mulher.
“Maria Faia” é uma canção de grande beleza musical e de notável riqueza simbólica. O seu nome vive da fusão de Maria com o nome de uma árvore – Faia - , símbolo da vida na sua expansão e verticalidade bem enraizada na terra. Quem a ela se dirige procura dar-lhe um outro nome, do qual ficam excluídos “rosa” e “cravo” , para escolher “espelho”: “chamo-te antes espelho”. A simbólica multímoda do espelho converge na luz, na procura de verdade, da manifestação da inteligência criadora, da alma, de uma realidade englobante:
Que dizer desta exibição? Que a dança está no sangue dos cabo-verdeanos? Que esta dança é executada na ilha do Sal durante as procissões na noite de São João, padroeiro dos pescadores. Acho que não é preciso dizer nada. Sentir esta música, este ritmo, ver, ouvir esta espiral de música que embriaga (com a ajuda do grogue*) é o suficiente. É preciso observar, estar lá e depois ficar com sôdad, sôdad...(MR e AF)
A long time ago came a man on a track Walking thirty miles with a pack on his back And he put down his load where he thought it was the best Made a home in the wilderness He built a cabin and a winter store And he ploughed up the ground by the cold lake shore And the other travellers came riding down the track And they never went further, no, they never went back Then came the churches then came the schools Then came the lawyers then came the rules Then came the trains and the trucks with their loads And the dirty old track was the telegraph road
Then came the mines - then came the ore Then there was the hard times then there was a war Telegraph sang a song about the world outside Telegraph road got so deep and so wide Like a rolling river. . .
And my radio says tonight its gonna freeze People driving home from the factories Theres six lanes of traffic Three lanes moving slow. . .
I used to like to go to work but they shut it down I got a right to go to work but theres no work here to be found Yes and they say were gonna have to pay whats owed Were gonna have to reap from some seed thats been sowed And the birds up on the wires and the telegraph poles They can always fly away from this rain and this cold You can hear them singing out their telegraph code All the way down the telegraph road
You know Id sooner forget but I remember those nights When life was just a bet on a race between the lights You had your head on my shoulder you had your hand in my hair Now you act a little colder like you dont seem to care But believe in me baby and Ill take you away From out of this darkness and into the day From these rivers of headlights these rivers of rain From the anger that lives on the streets with these names cos Ive run every red light on memory lane Ive seen desperation explode into flames And I dont want to see it again. . .
>from all of these signs saying sorry but were closed All the way down the telegraph road
As escolhas dos caminhos fazemo-las nós. São sempre as que devemos fazer. Não há que ter arrependimentos. Se não resultarem, fazem-se outras escolhas. É assim que tudo funciona! (MR)
A primeira versao de "tanto mar" tinha sido censurada no Brasil, então ainda na ditadura, devido a canção ser uma saudação à Revolução de Abril de 1974 em Portugal. Foi gravada totalmente pela primeira vez num espectáculo ao vivo em Portugal com a Maria Bethania, que foi passado para disco (em 1975). Apenas a versão instrumental foi gravada no Brasil.
A segunda versão foi gravada no início de 1976 e refere-se ao Novembro de 1975 em Portugal e ao fim do período mais revolucionário que por cá se vivia.
De facto começo sentir a falta da transparência deste tipo de artistas: Os trovadores. Abafados pela aculturação capitalista. Silenciados pelas pressas. Torneados pela máquina.
O Rui está a ficar a ficar cansado e precisa que o substituam. Quem se chega à frente?
Oh! je voudrais tant que tu te souviennes Des jours heureux oú nous étions amis En ce temps-lá la vie était plus belle, Et le soleil plus brülant qu'aujourd'hui Les feuilles mortes se ramassent à la pelle Tu vois, je n'ai pas oublié... Les feuilles mortes se ramassent à la pelle, Les souvenirs et les regrets aussi Et le vent du nord les emporte Dans la nuit froide de l'oubli. Tu vois, je n'ai pas oublié La chanson que tu me chantais.
C'est une chanson qui nous ressemble Toi, tu m'aimais et je t'aimais Et nous vivions tous deux ensemble Toi qui m'aimais, moi qui t'aimais Mais la vie sépare ceux qui s'aiment Tout doucement, sans faire de bruit Et la mer éfface sur le sable Les pas des amants désunis.
Les feuilles mortes se ramassent á la pelle, Les souvenirs et les regrets aussi Mais mon amour silencieux et fidèle Sourit toujours et remercie la vie Je t'aimais tant, tu étais si jolie, Comment veux-tu que je t'oublie? En ce temps-lá, la vie était plus belle Et le soleil plus brülant qu'aujourd'hui Tu étais ma plus douce amie Mais je n'ai que faire des regrets Et la chanson que tu chantais Toujours, toujours je l'entendrai!
Baía Azul... Quantas vezes lá fui? Não me recordo já! Mas lembro-me das centenas de quilómetros, percorridos com avidez, para atingir a costa, o mar, com o único objectivo de mergulhar, boiar, sentir a água azul, era mesmo azul! Não importava o pó da estrada que se ía respirando, engolindo, os sucessivos saltinhos da estrada batida mas esburacada aqui e ali, o calor que fazia brotar pérolas de suor nos nossos rostos, que se secava com as janelas todas abertas! Quantas vezes íamos na parte de trás do jeep, em pé, agarrados à capota cantando, cantando de bocas escancaradas ( e, quando calhava, lá se engolia mosca ou mosquito! ). Não posso esquecer um dia em que fomos presenteados com uma costela de baleia já toda descarnada e meio enterrada na areia. Nem força tínhamos para a remover! Estas fotos e a música fazem-me recordar esses tempos inesquecíveis, tão férteis em experiências e plenitude de vida! (MR)
Uma mistura explosiva: Maria Gabriela com o clarinete mágico de Luis Morais e Pôr do Sol com as cores fortes a óleo de António Miranda. Para apreciar melhor, fazer-se acompanhar de um whisky com soda ou de um mazagrã.(AF)