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Quinta-feira, Outubro 18, 2007

Alexandre Rupert - medo ou motivação?

Nenhum trabalhador trabalha bem sob o peso de ameaças.(AF)


Agora Vox

O insucesso chegou à França: uma doença provocada pelas relações laborais.



Porque vai mal a França e como sair da espiral desastrosa do medo nos locais de trabalho?

Todos ouviram da boca do primeiro ministro, o Sr Filon, em visita no estrangeiro:
Estou à cabeça de um estado que está em derrapagem financeira.
Que estas palavras tenham sido contestadas ou atenuadas por outros políticos ou economistas não altera a clareza da mensagem: há uma doença na nossa sociedade. Será possível negá-la por mais tempo?
As estatísticas e a observação dos factos corroboram a afirmação: num inquérito reealizado em janeiro de 2003 - já lá vão quatro anos - pela revista Capital, que levantou bastante celeuma na altura, concluiu-se que apenas 3% dos quadros franceses se declarava pronto a empenhar-se no trabalho (inquérito Gallup). Os restantes 97% cumpriam honestamente um trabalho sem grande interesse pelos respectivos empregadores. Primeiro na Renault e mais tarde na Peaugeot-Citroën, houve mesmo casos em que o suicídio foi a melhor forma de empregados se libertarem do mau estar no trabalho.

Na Áustria ouve-se frequentemente:
Escolhe um trabalho onde te sintas bem, é importante; desde que aí permaneças todo o dia e por uma parte importante da tua vida.

Este conselho choca pela sua autenticidade e eu formulo-o a todos os que estão activos! Quantas pessoas gostariam de deixar os seus empregos, mas não o fazem dadas os problemas com que se defrontam os outsiders? Não permitem alguns dirigentes, dado o actual desiquilíbrio no mercado de trabalho, que nas suas empresas se instale um clima tenso, tentando que os seus empregados se esforcem pelo medo? Isto poderá funcionar a curto prazo, mas será mesmo possível construir o futuro da empresa com base no medo?

Isto não pode durar: sabe-se que a motivação é que faz o sucesso das organizações. Além disso, a motivação é que governa o comportamento das empresas (e o comportamento cívico, se falarmos à escala da nação). O resultado está à vista: estamos perante o sintoma de uma doença. A não motivação é a raiz, a causa da doença. A falta de motivação dos empregados hoje coverte-se nos maus resultados de amanhã. Empregados a trabalhar em condições mentais deploráveis só conduzem ao fiasco do Estado. Porquê? Porque a riqueza do país vem do trabalho dos seus activos. É por isso urgente considerar seriamente o impacto do bem-estar e da motivação nos objectivos da empresa, como têm sido demonstrados pelos estudos de organização.


Primeiro resultado: a nossa gestão privilegiou a visão de curto prazo sobre a administração dos recursos humanos.

Os indicadores relectem objectivos, quando seriam mais úteis para detectar sintomas. Por exemplo, uma alta taxa de absentismo leva ao aperfeiçoamento dos sistemas de controlo de presenças. Porque não são consideradas as causas do absentismo? A resposta é fácil: porque se procuram resultados a qualquer preço. Não dispõem de qualquer instrumento sintético: os grandes grupos como a McKinsey realizam análises multidimensionais de que não se inferem conclusões precisas e que, ademais, restringem as opções de decisão, dependentes da amplitude do problema.

Abdicam assim as organizações de empreender vias de solução consistentes, de se inovarem e condenam-se de arrasto a concentrar as atenções nas piores práticas. Não é de surpreender que tal via comece por desmotivar as pessoas mais expostas, as das direcções gerais, simultaneamente vítimas e responsáveis pela aplicação de decisões aberrantes, espraiando-se mais tarde e progressivamente pelos escalões intermédios. Contra a sua intuição mas caucionada por argumentação matemática, assistem à tomada de decisões que desde logo identificam como improcedentes mas cujas consequências se manifestam num prazo demasiado largo para poderem ser incorporadas num guia de acção a curto prazo. O conjunto dos empregados é naturalmente atingido pelo clima gerado na empresa e perde o gosto pelo trabalho.


Segundo resultado: não se tem em conta os ânimos dentro da empresa, e isto custa caro.

Desviadas as atenções para a gestão das catástrofes, a subtis relações entre os ânimos e o desempenho ou até a segurança desaparecem de cena. Forçados a intervir nos respectivos âmbitos de responsabilidade, pais, gestores e governantes voltam-se para os comportamentos como se estes fossem o alvo. Erro, o alvo é a fonte, os ânimos. Os instrumentos analíticos modernos também induzem em erro: fazem-se sondagens para tipificar a satisfação, a motivação, o ambiente geral de trabalho. Como os objectivos de melhoria, progressos e recompensas são construidos sobre o conjunto de sintomas detectados, alguns gestores são atraidos pela ideia de os influenciar directamente, sem acautelar as atitudes, que desconhecem, que gradualmente poderiam alterar as situações. Não contemplar as exigências dos ânimos das pessoas é mão reconhecer a hunanidade do indivíduo nem a realidade do nosso contexto.

Excerto de Alexandre Rupert in La France vue depuis L' Autriche
publicado por AGORA VOX - Le média citoyen a 17 de Outubro de 2007

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