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Domingo, Janeiro 03, 2010

Glen Alleman - A equipa



Documento original: Forming, Norming, Storming, Performing, de Glen Alleman

Tradução livre de António Ferrão

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Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

Le Club des Cent (3)

Uma elite de adventícios

Elite francesaO Sr Fourtou, por exemplo, cresceu na região basca de Espanha junto do seu avô, que não frequentou a escola, e durante um curto período dirigiu um jornal e quiosque de livros para ajudar a família da sua mulher, após a sua formação na École Polytechnique.

"Cresci nem pobre nem rico," afirma o Sr Fourtou. "O meu pai foi um professor de matemática." Também os pais do Sr Bébéar foram professores na região da Dordonha, a Sudoeste da França.

Em vez de um sistema rígido de classes, foi a admissão do Sr Fourtou e do Sr Bébéar na École Polytechnique que garantiram os seus lugares dentro da elite. Isto é, por outro lado, uma das grandes ironias do situacionismo francês: ao mesmo tempo de gozam de privilégios análogos aos da elite dos Estados Unidos, a entrada na elite francesa é, no mínimo, de teor meritocrático muito mais acentuado, baseada em exames e selecções cada vez mais afunilados desde uma fase muito precoce.

O acesso à Universidade de Harvard, restringido a 9% dos candidatos, é uma suave aragem quando comparado à entrada na École Polytechnique.

Em França, dos 130 mil alunos que optam pelas áreas de ciências nas escolas secundárias, só cerca de 15 porcento conseguem nota nos exames suficiente para se candidatarem aos cursos de dois ou três anos de preparação para as universidades de elite. Dos que conseguem, 5 mil candidatam-se à École Polytechnique, referida simplesmente por "o X", e destes apenas 400 provenientes da França conseguem entrada.

A admissão é estritamente baseada nos exames dos cursos preparatórios; não há sequer um teste ou entrevista. E também não há admissões por desempenhos escolares extemporâneos, desportivos ou de outra ordem, para curto-circuitar as dificuldades de entrada "no X", tão usuais aqui nos Estados Unidos.

"Podes ser mesmo sobrinho do presidente, para entrares isso em nada te ajudará", diz Bernard Oppetit, um graduado do X de 1978 que trabalhou mais tarde no BNP Parisbas, antes de fundar a "Capital Centaurus", um fundo de investimentos londrino que gere uma carteira de 4 mil milhões de dólares.

A École Polytechnique foi fundada em 1794, durante a Revolução Francesa, para treinar os engenheiros militares franceses, e oficialmente permanece debaixo da tutela do ministro francês da Defesa. Não só esta escola é gratuita, como os seus estudantes recebem uma bolsa do governo para suportarem as suas despesas.

"Chamamos-lhe elitismo democrático," diz Pier Tapie, decano da Essec, uma escola de topo em gestão. "Estes são lugares em que podes encontrar-te com gente extraordinária, que estão lá porque se esforçaram muito e, entre eles, estão os elementos mais brilhantes de uma geração."

Ainda que a escola ministre temas dos mais avançados, tais como física, engenharia e ciências de computação, o seu propósito mais lato é o de criar quadros dirigentes que partilhem uma visão ordeira, hierarquizada do mundo, afirma Xavier Nichel, o presidente da École Polytechnique e general francês no activo dentro das forças armadas.

Em França, isto é conhecido como o sistema cartesiano, em homenagem ao filósofo René Descartes, e o Sr Michel encoraja os seus estudantes a "modelar" o mundo. Quando eventualmente se tornam directores executivos, assevera, "eles compreendem as capacidades das suas empresas. Sabem o que podem e o que não podem fazer."

Até ao momento, claro, em que o modelo começou a descarrilar - como acontece muitas vezes no mundo dos negócios e da finanças, qualquer que seja o país onde se exerçam.

O prejuizo de sete mil milhões de dólares provocado pelo Sr Kerviel não podia ter sido previsto por qualquer modelo, nem que fosse elaborado pelo próprio Descartes. Esta é uma razão pela qual a história da Société Générale representou um choque tão grande no situacionismo francês, que se orgulha da sua capacidade de previsão e respeito pela ordem que o Sr Michel instila nos seus estudantes.

Entre o povo francês indiferenciado, por outro lado, os destinos tão diversos do Sr Kerviel e do Sr Bouton reforçam o cepticismo nos valores do mercado livre cada vez mais apregoados pelos dirigentes dos negócios e também pelo nómada de circunstância, política e economicamente mais relevante, o Presidente Sarkozy.

NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

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Terça-feira, Fevereiro 19, 2008

Le Club des Cent (2)

O Senhor Bébéar

Ecole Polytechnique"Em França a Administração não despede o Chief Executive Officer (CEO) com a mesma facilidade que nos EUA", disse o Sr Bébéar. "Pensamos que o CEO é responsável, porém despedi-lo de repente não é a melhor maneira de melhorar as coisas."

O Sr Bébéar, que adquiriu larga experiência nos EUA com a compra que a AXA fez de conhecidas firmas americanas tais como a Equitable Life Insurance e a Mutual of New York, disse também que "por vezes, sinto que o CEO é o bode espiatório no vosso país".

Para se chegar ao escritório do Sr Bébéar, os visitantes atravessam um átrio de vidro ultramoderno numa das artérias mais encantadoras de Paris, a Avenida Matignon, e entram numa mansão privada construida em 1767. O frémito high-tech do átrio rapidamente desaparece quando entramos no grande salão, onde sobressai um candelabro de cristal de Luis XVI, espelhos debraodos a ouro e cadeiras e sofás vermelhas e verdes.

O escritório do Sr Bébéar é igualmente faustoso e, como convém, este senta-se numa cadeira talhada da era de Luis XV, o Rei Sol. O celebrado estatuto régio atribuido a executivos dos EUA tais como John F. Welch Jr, ex-presidente da General Electric, empalidece face ao esplendor dos titãs da finança e indústria francesa.

"O CEO de uma companhia francesa é mais monarca que nos EUA", disse o Sr Bébéar. Desenvolvendo o tema, comparou os chefes executivos da França ao rei iluminado de Voltaire, ou "le monarque eclairé". No interior da França, o Sr Bébéar, agora com 72 anos, é tão da realeza como um rei.

"A imprensa trata-o como o padrinho do capitalismo francês. Ele é emblemático," diz Philippe Favre, presidente da Invest em França, uma agência governamental que encoraja companhias estrangeiras a fazer negócios em França.

Embora o Sr Bébéar construisse a AXA nos anos de 1980 e 1990 por meio de aquisições ousadas, o poder que agora disfruta vem-lhe de ligações com administrações empresariais onde trabalha e de amizades estreitas conseguidas em organizações como o Clube des Cent - além de anfitrião de festas sociais na sua propriedade próxima de Orleães. Como outros membros do situacionismo, tem muitos conhecidos seus comprometidos no affair Société Générale, de uma forma ou de outra.

Por exemplo, Jean-Martin Folz, o membro da administração da Société Générale que dirige a investigação interna sobre os prejuizos, também é membro da administração da AXA. O Sr Bébéar, entretanto, participa na administração do BNP Paribas, o maior banco francês sobre o qual há rumores de preparar uma oferta pública de aquisição à Société Générale. O presidente do BNP Paribas Michel Pébereau, por sua vez, é também membro da administração da AXA. Todos os três frequentaram a mesma escola, a École Polytechnique.

"É um universo reduzido", reconhece Jean René Fourtou, o presidente da Vivendi, o colosso francês do entretenimento, um conhecido próximo do Sr Bébéar e membro da administração da AXA.

O Sr Fourtou, igualmente graduado pela École Polytechnique e membro do Club des Cent, relembra o papel de Bébéar na sua decisão de tomar posse como presidente da Vivendi em 2002, no período em que a empresa havia caído num depressão financeira profunda associada à espiral de aquisições das dot-com.

"Inicialmente, recusei o trabalho", esclarece o Sr Fourtou. Mas num jantar no Hotel George V, o Sr Bébéar e o Sr Giscard d'Éstaing (outro aluno da École Polytechnique) tê-lo-ão persuadido a dirigir a Vivendi. Rapidamente se concentrou na empresa, tornando-a num dos negócios mais bem sucedidos nos últimos anos.

"Disseram-me que tinha que ir", recorda, tendo-se sentido pressionado para ir para a Vivendi. "Senti-me obrigado".

Quanto á crise que a Société Générale vive actualmente, o Sr Fourtou diz que é melhor que o Sr Bouton não parta já. Mas esclarece que não afirma isto por consideração para com o Sr Bouton, por convivência no Club des Cents ou por quaisquer laços.

"Se mudares o presidente imdiatamente, espalhas confusão a um problema que está localizado", afirma. Também afirma que o apoio da Société Générale ao Sr Bouton faz sentido: "A administração tomou a decisão certa, e não por causa da solidariedade".

Ainda que jantar e discursar num jantar em um dos restaurantes com estrelas Michelin possa parecer um epítome de um modo de vida aristocrático - em cada refeição, um dos membros do Club des Cent, investido como "Brigadier", faz a apresentação da selecção de pratos e de vinhos; um outro faz as apreciações críticas - muitos membros provêm de origens relativamente modestas.


NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

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Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

Le Club des Cent

Elite francesaParis: De todos os clubes do mundo, o Clube dos 100 em França deverá ser o mais exclusivo. Nas suas fileiras há dirigentes dos negócios, da política e da lei; é porém a sua política de admissão que torna o Clube des Cent, como é aqui conhecido, verdadeiramente notável: só quando morre um dos seus membros há lugar à entrada de um novo membro.

Oficialmente, o clube, agora com 96 anos, está estritamente devotado à gastronomia e quando o grupo se junta aos almoços de quintas-feiras num dos restaurantes lendários de Paris, como o Maxim's, a política e os negócios ficam de fora. Claude Bébéar, o presidente da AXA, o gigante francês dos seguros e membro do clube há mais de duas décadas, afirma que hé "uma atmosfera real de amizade; somos muito próximos". O mesmo acontece com as instituições de negócios francesas. Uma irmandade cerrada - são quase todos homens - que partilham ligações escolares, lugares de administração e rituais como a caça ou a prova de vinhos, a elite de negócios francesa é um conciliábulo surpreendetemente pequeno numa nação com mais de 60 milhões de pessoas.

Mas no dealbar do prejuízo de 7 milhões atribuido a um especulador num dos bancos principais do país, a Société Générale, a aristocracia francesa dos nossos dias encontrou-se num lugar onde nunca desejou estar: debaixo dos holofotes.

Enquanto que o especulador John Kerviel, agora preso, nunca foi aluno numa escola de topo ou membro de um grupo de elite como o Clube des Cent, o blindado presidente executivo da Société Générale, Daniel Bouton, foi ambas as coisas. O facto de o Sr Bouton e outros gestores de topo do banco terem permanecido nos seus postos quando o escândalo irrompeu há cerca de um mês fez renascer a crítica de que a elite francesa é um ancien régime - jogando com regras antigas (basicamente as suas próprias) e rápidas em desviar as culpas para se protegerem a si próprias.

"Haverá uma tendência em França para que as elites sejam feitas do mesmo molde e fileiras fechadas?" - interroga-se Bernard-Henry Lévy, o filósofo e observador social francês. "Sim, é uma antiga doença francesa."

Nos Estados Unidos, no Reino Unido ou na Alemanha, acrescenta Lévy, "Daniel Bouton não só teria perdido o seu emprego, como estaria num tribunal a ser interrogado."

Claro está, a controvérsia chega num momento de mais ampla tensão tanto para os negócios como para a política, com uma nova geração lutando pelo poder contra velhos guardas empedernidos, diz Stéphane Fouks, o co-director executivo da Euro RSCG, uma das maiores firmas de marketing e comunicação em França.

"Neste momento o capitalismo francês está mergulhado num crise e a criar um ponto de mudança", disse o Sr Fouks. No status quo tradicional, disse, "eram todos amigos, muito diplomáticos e constituíam um clube onde, ao fim do dia, era sempre melhor procurar um entendimento".

Os membros da elite não fazem segredos das regras do jogo. "Quando pertences a um grupo pequeno, é difícil ter uma atitude de antagonismo para com qualquer outro", disse Valéry Giscard d'Éstaign, ex-presidente da França. "Num grupo maior, há menos interferências nas considerações pessoais".

O Sr Bouton não se dispôs a comentar. Mas Philippe Citerne, co-director executivo do concelho de administração da Société Générale disse que as ligações estatutárias nada têm a ver com a permanência do Sr Bouton.

"O concelho de administração reiterou por duas vezes e por unanimidade a sua confiança no Sr Bouton", disse. Não há maneira de oferecermos serviços a 27 milhões de clientes em 82 países, caso fôssemos um pequeno clude francês.

Pelo menos metade das 40 maiores empresas de França são dirigidas por graduados de duas escolas, a École Polytechnique, que ensina os melhores engenheiros franceses, e a ENA, a escola nacional de administração. Isso é especialmente notável se repararmos que estas duas escolas em conjunto apenas graduam 600 estudantes por ano, que podemos confrontar com um único curso em Harver, que gradua 1700 por ano.

"Comportam-se como se tivessem relações de sangue", disse Ghislaine Ottenheimer, um jornalista e autor que escreveu muito sobre a elite francesa. "Há um sentido de impunidade porque não há sanções na família."

No entanto, o caso Kerviel e principalmente o destino do Sr Bouton - até o Presidente Nicolas Sarkozy sugeriu que o sr Bouton deveria demitir-se - abanaram o status quo francês no seu âmago e encorajaram aqueles que, como a Sra Ottenheimer, pretendem a mudança.

"O velho sistema está a morrer; este é o seu último suspiro", disse. O Sr Boutom faz parte de uma geração que irá passar rapidamente o controlo do capitalismo francês para uma elite mais alargada."

Talvez. Mas não parece que o Sr Bouton esteja na iminência da guilhotina, ao contrário dos executivos dos EUA na Citigroup e na Merry Lynch, que foram obrigados a demitir-se depois dos seus bancos terem sofridos prejuizos imensos na crise das hipotecas de alto risco.

Enquanto alguns analistas prevêm que a resignação ao cargo de Bouton venha a ocorrer dentro de um ano, talvez mesmo mais cedo, o Sr Bébéar da AXA afirma que os executivos franceses gozam de maior poder de permanência que os seus congéneres nos Estados Unidos.

NELSON D. SCHWARTZ and KATRIN BENNHOLD in
In France, the Heads No Longer Roll
publicado pelo The New York Times em 17 de Fevereiro de 2008

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