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Sexta-feira, Março 27, 2009

M. SHAHID ALAM - O Capitalismo na perspectiva das suas vítimas

Nunca foi fácil fazer uma crítica ao capitalismo ou aos mercados aos meus alunos do secundário. Muitos nunca terão escutado uma palavra menos simpática contra estas instituições basilares, que reconhecem como pilares do poder e da prosperidade dos Estado Unidos da América.

Estas são instituições sacralizadas. A capacidade do capital privado produzir empregos, riqueza e liberdade é um dos dogmas centrais que muitos norte-americanos absorvem com o leite materno. Ouvir um desafio a tal dogma - qualquer que seja o contexto - é perturbador. Às vezes, suspeito que esta pastilha amarga é ainda mais difícil de engolir pelo facto de eu não ser, notoriamente, um nativo dos Estados Unidos da América.

Nas últimas semanas, porém, essas convicções parecem ter enfraquecido. No passado tomava-se como certo que os mercados estavam a cumprir um papel benéfico, espalhando a prosperidade a alguns pontos centrais do capitalismo global. Fazem o trabalho para nós, ainda que isso possa não funcionar para os asiáticos, os africanos e os latino-americanos.

No entanto, a contestação de que o mercado "livre" raramente funcionava com economias afastadas dos grandes centros do desenvolvimento parecia carecer de fundamento. Aparentemente, tal não era uma falha do mercado. Por muito tempo, o Ocidente convenceu-se de que os asiáticos, os africanos e os latino-americanos não conseguiam porque eram preguiçosos, esbanjadores, corruptos e parcos em imaginação.

Os meus alunos - tal como a maior parte dos norte-americanos - encaram o capitalismo na perspectiva dos vencedores do capitalismo global. Por um acaso de nascimento, tornaram-se beneficiários das riquezas e do poder que o capitalismo global concentra em alguns pontos do sistema. Não concebem que o sistema que tão bem funcionou para eles seja capaz de produzir miséria na Ásia, África e América Latina.

Estive afastado das minhas ocupações docentes na altura em que os Estado Unidos da América conduziram o mundo para uma depressão profunda. Em poucos meses, os gigantes da Wall Street (Bolsa) estatelaram-se ao comprido, foram salvos da extinção por meio dos impostos dos contribuintes. Vacilando à beira da bancarrota, os gigantes da indústria automóvel sobrevivem hoje também à custa dos dinheiros dos contribuintes, sendo incerto qual será o seu futuro. Neste remoinho, os passos de Bernard Maddoff, o Einstein do esquematismo, prosseguiram o seu embuste colossal durante vinte anos sem que os reguladores dessem por isso.

Milhões de norte-americanos perderam o seu emprego; milhões estão ameaçados de perder as suas casas; milhões viram as suas poupanças de reforma evaporarem-se à frente dos olhos; milhões estão em vias de perder a assistência à doença. Enquanto os norte-americanos da rua eram devastados, os dirigentes dos bancos salvos por intervenção pública continuaram a receber milhões em bonificações. A corda esticada ameaça agora quebrar a aclamada tolerância dos norte-americanos para com as diabrites do sistema capitalista.

Usualmente, a democracia norte-amaericana dirige a sua verrina contra os escritores e activistas de esquerda, suficientemente loucos para procurarem defender os desprivilegiados. Desta vez, a fúria dos norte-americanos voltou-se contra os capitães da finança e os veneráveis banqueiros com uma violência invulgar - incluindo ameaças de morte.

Encontrava-me em licença sabática quando Al-Caida destruiu as Torres Gémeas, no 11 de Setembro. Fui, na altura, dispensado de acompanhar os meus alunos, por receio de que me pudessem tomar como um dos fautores daquele ataque.

Novamente me encontrava em licença sabática na altura em que as torres da Wall Street desabaram por cupidez, imprudência e fraude; por uma ideologia do mercado livre que não tem contemplações face à vida humana; por elites capitalistas e seus parceiros na Casa Branca e no Congresso, que transformaram o sector financeiro numa esquema gigantesco de embuste.

Os norte-americanos foram atingidos por actos de terrorismo com consequências a longo prazo para a vida humana de dimensão tal que, no balanço, farão com que o 11 de Setembro pareça uma sessão de chá das cinco. Os perpetradores deste terror são todos internos; não foram treinados nas montanhas do Afganistão, mas em Harvard, Yale e Stanford; foram banqueiros, directores e legisladores, que rezam nos Estados Unidos da América e se encontram entre a nata da sociedade desta nação.

Quando retomei as aulas no final deste ano, encontrei, como era de esperar, alunos marcados por esta experiência. Nada destói tão rápida e eficazmente a ideologia capitalista como as crises capitalistas. Nenhuma crítica ao capitalismo é mais contundente que a devastação do desemprego, a pauperização e a expulsão das suas casas que este inflinge às suas vítimas. Atingidas tão recentemente - no próprio centro do capitalismo global - talvez os cidadãos norte-americanos comecem a entender as vítimas do exterior dos EUA - as que estão em África, Ásia e América Latina - que já foram devastados por este sistema durante séculos.

As ideologias capitalistas procuram a todo o vapor desviar a angústia contra o sistema e apontá-la contra uns poucos vilões, umas tantas maçãs podres. As audições no Congresso identificarão os bodes espiatórios; crucificarão umas tantas bruxas. Serão sacrificados alguns barões do capitalismo. Ao esmorecer a fúria do público, tentar-se-á desviar a culpa para compradores de casas incumpridores e consumidores compulsivos. O espactáculo capitalista deverá então continuar com o mínimo possível de alterações.

Longe porém desta crise, as novas tecnologias, combinadas com o deslocamento irreversível da soberania de alguns segmentos do capitalismo para a periferia, alteraram a dinâmica do desenvolvimento desigual. Os trabalhadores de rendimentos mais altos - a chamada classe média dos países desenvolvidos - foram perdendo as prerrogativas que desfrutaram durante muito tempo, ao entrarem em competição com os trabalhadores de baixos rendimentos da China e da Índia.

Cada vez mais o capitalismo global enriquecerá alguns trabalhadores da periferia à custa dos trabalhadores do centro do capitalismo. Nos próximos anos, a grande aliança que foi forjada entre os capitalistas e os trabalhadores no centro do capitalismo ficará sujeita a uma grande tensão. Cada vez mais, os interesses destas duas classes divergirão.

Empresas poderosas insistirão na abertura, enquanto uma parte cada vez mais importante de trabalhadores reclamarão pelo proteccionismo. Este renascimento do conflito de classes no velho centro do capitalismo alterará as alianças políticas actuais. Depois de terem cooperado durante mais de um século, as instituições democráticas começarão a ameaçar as elitres das corporações. Serão apresentadas novas exigências aos mercenários da intelectualidade nos grandes meios de comunicação social e na academia para encontrarem novos e mais eficientes instrumentos destinados à imbecilização do povo.

Quando um número cada vez mais elevado de trabalhadores de altos rendimentos dos países ricos se tornar, ele próprio, vítima do capitalismo, será que aprenderão a olhar para o capitalismo do ponto de vista das vítimas costumeiras? Consegui-lo-ão nesta nova realidade emergente, com a economia ortodoxa a fugir dos velhos centros em Londres, Cambridge e Chicago rumo aos novos centros em Bangalore e Pequim?

Estranho mundo será este, visto a partir dos velhos centros. Na verdade, ocorrerá uma correcção muito atrasada por dois séculos de desenvolvimento desigual dominado pelas potências ocidentais. Tampouco esta correcção será suficiente: deixará de fora uma grande parte do mundo, mergulhada em pobreza e doença.

M. SHAHID ALAM, Capitalism From the Standpoint of Its Victims, Counterpunch, 23 de Março de 2009

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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Domenico Losurdo - Autofobia

Domenico LosurgoNo rescaldo de uma grande derrota mundial na luta pelo Socialismo, Losurdo desenvolve observações muito acutilantes, cuja pertinência é facilmente reconhecida por inúmeros episódios dos dias que vivemos.

A condenação da violência em absluto é uma posição política ou pertence ao foro religioso?
Qual o significado de se enaltecer apenas os mártires?
Que valor tem tentar eclipsar uma parte da experiência histórica?

Um texto para os mais afoitos:
O Movimento comunista: da autofobia ao desenvolvimento do processo de aprendizagem

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Quarta-feira, Outubro 22, 2008

Jean Salem - Lenine e a Revolução

Para compreender a História do Século XX (AF)
Jean Salem, Lenine e a Revolução


Ver também:
Entrevista com o Autor
Apresentação por Miguel Urbano Rodrigues

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Segunda-feira, Julho 21, 2008

Joseph Stiglitz - O fim do neoliberalismo?

Joseph StiglitzNova York - O mundo não tem sido bom para o neoliberalismo, este apanhado de idéias baseado na noção fundamentalista de que os mercados são autocorrigíveis, alocam recursos de forma eficiente e atendem bem ao interesse público.

Foi esse fundamentalismo de mercado que sustentou o Thatcherismo, o Reaganomics e o chamado Consenso de Washington em favor da privatização, da liberalização e do foco dos bancos centrais no controle da inflação.

Durante um quarto de século, houve uma competição entre os países em desenvolvimento e os perdedores foram claramente os que adotaram políticas neoliberais. Mesmo quando cresceram, os benefícios se acumularam de forma desproporcional nos que já estavam no topo.

Embora os neoliberais não queiram admiti-lo, sua ideologia não passou em outro teste. Ninguém pode argumentar que os mercados financeiros fizeram um belo trabalho ao alocar recursos no fim da década de 90, quando 97% dos investimentos em fibras óticas levaram anos para ver alguma luz. Mas esse erro gerou ao menos um benefício: como os custos de comunicação foram reduzidos, Índia e China se tornaram mais depressa integradas na economia global.

Mas é difícil enxergar tais benefícios na errada alocação maciça de recursos para a construção civil. As novas residências construídas para famílias que não podiam pagar por elas viraram lixo, e milhões de residentes tiveram de deixar suas casas. Em algumas comunidades, o governo finalmente entrou no circuito para remover os destroços. Em outras, a destruição se amplia. Dessa forma, mesmo aqueles que foram modelos de cidadão, cuidadosos em seu endividamento e na manutenção de seus lares, agora verificam que o mercado desvalorizou suas residências além do que podiam supor seus piores pesadelos.

A bem da verdade, houve alguns benefícios de curto prazo no excesso de investimentos no mercado imobiliário: alguns americanos (talvez durante apenas alguns meses) gozaram do prazer de ter sua própria casa e de morar numa residência maior do que a que poderiam ter. Mas a que custo para eles mesmos e para a economia mundial! Milhões ficaram sem as economias de toda a vida quando perderam suas casas. E os arrestos de residências provocaram uma desaceleração global. Há um crescente consenso a respeito do prognóstico: ela será prolongada e abrangente.

Os mercados também não nos prepararam para os custos ascendentes do petróleo e dos alimentos. É claro que nenhum dos dois setores serve de exemplo de livre mercado, mas este é, em parte, o ponto: a retórica do livre mercado tem sido usada seletivamente — abraçada quando serve a interesses especiais, descartada quando não o faz.

Talvez uma das poucas virtudes do governo de George W. Bush é que o fosso entre a retórica e a realidade é menor do que no tempo de Ronald Reagan. Apesar de toda a retórica de Reagan sobre o livre comércio, ele impôs livremente sanções comerciais, incluindo a notória restrição “voluntária” das exportações de automóveis de concorrentes dos EUA.

As políticas de Bush foram piores, mas a abrangência com que ele serviu abertamente ao complexo industrialmilitar americano foi mais aparente. A única vez que o governo Bush se vestiu de verde foi na questão dos subsídios ao etanol (de milho), cujos benefícios ambientais são duvidosos.
Distorções no mercado de energia (especialmente via sistema fiscal) continuam, e se Bush tivesse acabado com elas, as coisas ficariam ainda piores.

Essa mistura de retórica de livre mercado e intervenção governamental foi particularmente ruim para os países em desenvolvimento. Foi-lhes dito para deixar de intervir na agricultura, expondo assim seus fazendeiros à devastadora concorrência dos Estados Unidos e da Europa. Eles poderiam competir com seus pares americanos e europeus, mas não com os subsídios dos EUA e da União Européia. Não surpreende que os investimentos em agricultura tenham caído nos países em desenvolvimento, ampliando o fosso entre os que têm e os que não têm o que comer.

Os custos recairão sobre os habitantes dos países em desenvolvimento, especialmente os pobres. Este ano, deveremos assistir a um grande aumento da pobreza, especialmente se a medirmos corretamente.

Para simplificar, num mundo de abundância, milhões nos países em desenvolvimento ainda não conseguem os ingredientes nutricionais mínimos. Em muitos países, aumentos nos preços de alimentos e energia terão um impacto devastador sobre os pobres, porque esses itens respondem por uma percentagem maior de seus gastos. A raiva ao redor do mundo é palpável. Especuladores, não é surpresa, recebem uma parte pequena dessa ira. Eles argumentam: não somos a causa do problema; estamos apenas engajados em “descobrir preços”, em outras palavras em descobrir — um pouco tarde demais para fazer algo a respeito este ano — que há escassez.

Mas essa resposta não é sincera. Expectativas sobre volatilidade de preços em alta encorajaram centenas de milhões de fazendeiros a tomar precauções. Eles poderiam ganhar mais se guardassem um pouco de seus grãos para vender mais tarde; e se não o fizerem, poderão não consegui-lo depois se a colheita do ano seguinte for menor do que o previsto. Um punhado de grãos retirado do mercado por centenas de milhões de fazendeiros em todo o mundo faz diferença.

Defensores do fundamentalismo e mercado querem transferir a culpa pela falha do mercado para o governo. Um alto funcionário chinês disse que o problema foi que o governo dos EUA deveria ter feito mais para ajudar os americanos de baixa renda na crise hipotecária. Eu concordo.
Mas isso não muda os fatos: os bancos americanos erraram no cálculo dos riscos numa escala colossal, com conseqüências globais, enquanto os responsáveis por essas instituições saíram de cena com bilhões de dólares em recompensas.

Hoje, há um descompasso entre o retorno social e o privado. A menos que sejam corretamente alinhados, o sistema de mercado não pode funcionar bem. O mercado neoliberal fundamentalista foi sempre uma doutrina política a serviço de certos interesses. Nunca recebeu o apoio da teoria econômica. Nem, agora fica claro, recebeu o endosso da experiência histórica. Aprender essa lição pode ser a nesga de sol nas nuvens que hoje pairam sobre a economia global.


Joseph Stiglitz in The End of Neo-liberalism?
publicado por Project Syndicate em Julho de 2008

© Project Syndicate, 2008.
www.project-syndicate.org

Tradução portuguesa em Arquivo de Artigos (O Globo)

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