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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (6)

(Início)

As condições económicas

Actualmente e a médio prazo o gás e o petróleo são os elementos incontornáveis da economia, logo do desenvolvimento, do poder e da influência. Face ao projecto da «grand strategy» anunciado pelos EUA, é espantoso que um assunto da máxima importância continue a ser debatido apenas em círculos fechados a sete chaves, em vez de ser tratado em discussões públicas a nível mundial (como por exemplo as mudanças climáticas): o «pico petrolífero». Os economistas relativizam a situação, contando com as reservas anunciadas pelas companhias petrolíferas. Tem todo o aspecto de um embuste, pois adia o problema central e inclui nos valores dos «recursos» as reservas, que não passam de suposições. A questão principal, segundo especialistas conceituados da geologia petrolífera, é outra: Em que momento se verificará o máximo da produção petrolífera, dando início ao seu declínio inexoravel. Estes especialistas situam entre 2010 e 2020. Mas, ao mesmo tempo, a procura dos países emergentes irá aumentar. A China é hoje o segundo importador de petróleo, a seguir aos EUA, absorvendo 20% da produção mundial.

Controlo da economia mundial

O «Cheney National Energy Report», publicado em Abril de 2001, que tem em consideração as previsões dos geólogos da «grand strategy» do PNAC, oferece explicações mais convincentes quanto à política externa, económica e financeira, e às recentes intervenções militares dos EUA, que aquelas que nos são oferecidas pelos oráculos políticos e mediáticos especializados da Casa Branca. Tanto mais interessantes são essas explicações, quanto é certo que os seus autores não são spin doctors [doutores de imagem], antes funcionários superiores e decisores com assento em lugares-chave das administração das principais companhias petrolíferas dos EUA. O relatório contem uma lista de países - para além do Iraque - que são os "felizes" contemplados pela especial atenção dos EUA, tanto nos planos político como militar, onde também se encontram informações adicionais: a Venezuela, o México, a Colômbia, o Sudão, a costa ocidental da África (São Tomé e Prícipe, Argélia e Marrocos), a Líbia - atente-se à evolução dos últimos anos, assaz reveladora - a Geórgia e a região do Cáucaso, as repúblicas muçulmanas ex-soviéticas, o Irão, o Paquistão, a Índia (com o último negócio do acordo nuclear, entretanto abortado, sobre uma parceria estratégica), a Indonésia, o Afganistão, o Japão e a Coreia. A disseminação de forças militares americanas pelo mundo e os esforços para conseguir instalar bases militares nas regiões estratégicas para o aprovisionamento de petróleo, podendo ir até à ocupação de um país, enviaram uma mensagem clara: Queremos assegurar-nos do controlo sobre a economia dos nossos rivais, decidindo quem irá terá petróleo, quanto petróleo terá e qual o preço.
«Sendo certo que há muitas regiões com grandes oportunidades para a exploração do petróleo, é no Médio Oriente, com os seus dois terços das reservas mundiais, que o preço se define em última instância. Indo directamente ao ponto: a diferença mais importante entre a Coreia do Norte e o Iraque é que, economicamente, não temos alternativa válida ao petróleo do Iraque. Este país nada num oceano de petróleo.»
Não é possível ser-se mais claro. Escutando com o ouvido atento o «Autumn Lunch Speech» (discurso para o almoço de Outono [!]) feito pelo ex-Presidente do Conselho de Administração da Halliburton e actual vice-Presidente dos EUA Dick Cheney, nota-se em que carris ele já se movia em 1999. Desde essa altura se interrogava Cheney onde poderiam ser encontrados os 50 milhões de barris suplementares que a economia mundial iria precisar, por cada dia, no ano de 2010, caso 90% dos campos petrolíferos pemanecessem nas mãos dos diferentes governos e companhias nacionais. Para dar uma ordem de grandeza: a previsão do aumento de procura situava-se em quase dois terços da produção mundial total de 1999. Cheney considerava por isso a soberania nacional como um dos problemas principais. Eis porque a preparação de uma «opção militar» visando derrubar o regime iraquiano começou oito meses antes do 11 de Setembro de 2001.

Todas as cartas na mesa!

Nunca os Estados Unidos da América haviam usado de tamanha brutalidade, quer com os seus aliados mais próximos, quer com as Nações Unidas, criando factos consumados; tampouco haviam afrontado numa medida comparável a opinião pública do próprio país com falsidades, como o fez quando se tratou de justificar a guerra ao Iraque. Assumiram o risco de desestabilizar a região que representa para eles a prioridade das prioridades nos seus planos estratégicos e que ocupa um lugar charneira no funcionamento da economia mundial. Comprometeram a sua reputação de «potência tranquila» ao serviço da paz e da estabilidade e são hoje olhados pelo mundo inteiro como mentirosos. Ocorre, então, uma pergunta: o que impeliu políticos normalmente ponderados a enveredar por semelhantes aventuras e colocar todas as cartas na mesa? Se os agentes não eram incendiários, nem doentes mentais, uma explicação se impõe: os planos e as iniciativas do governo dos EUA basearam-se no conhecimento que dispõem relativamente ao pico petrolífero, e destinam-se a impedir que as suas consequências dramáticas ponham em causa a supremacia dos EUA.
Em socorro desta tese pode citar-se o programa económico estabelecido por Paul Bremer, em Setembro de 2003, constante no decreto 39. A exploração do gás e do petróleo iraquiano deveria permanecer sob controlo dos EUA. (As coisas alteraram-se mais tarde). Em seu favor pesa igualmente um facto que passou quase despercebido à opinião pública, embora fosse muito significativo: em Agosto de 2003, o Japão renunciou, sob pressão dos EUA, a assinar um contrato com o Irão, que já estava negociado e redigido, para a exploração de um importante campo petrolífero.
(continua)


Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Jochen Scholz - Projecto europeu para o novo século (4)

Democratas e Republicanos: Critica-se o método, mantem-se o propósito

É preciso não embarcar na ilusão de que só os neoconservadores advogam esta visão das relações entre os EUA e o resto do mundo. O «Progressive Policy Institute», um instituto de política externa da área do Partido Democrata, publicou em 2003 uma «Estratégia Democrata para a Segurança Nacional». No essencial, a mensagem resume-se a:
O governo de Bush atingiu frontalmente os nossos aliados; foi uma grande desgraça, pois precisamos deles para promover os nossos interesses.
Apenas o método é criticado, o propósito mantem-se. Nem sequer se ajusta mais àquilo que na Europa (continental) é considerado como um sistema de relações internacionais válido do que o faz a política brutal conduzida pelo actual governo dos EUA desde o 11 de Setembro. «America first» é o denominador comum aos democratas e aos republicanos, logo uma constante da política dos EUA, com o qual a Europa e os outros centros se devem alinhar.

O multilateralismo exige a supremacia do Direito

Acima de tudo: Se a lei é ditada pelo mais forte, as invocações de uma comunidade de valores transatântica torna-se uma ilusão pura e simples. «America first» é o exacto oposto do multilateralismo, que, por desgraça, a Europa mais vezes tem usado como mera retórica do que conseguido fazer progredir na agenda internacional. O multilateralismo não é uma construção do espírito, mas um modo de viver em conjunto no nosso planeta, que a Europa delineou ao fim de muitos séculos de experiências históricas dolorosas, tendo culminado, no século XX, com duas guerras mundiais; experiência dolorosa essa a que os EUA têm sido poupados até à data. Este facto tem permitido manter o inconsciente colectivo nos EUA num estado de inocência capaz de explicar os consensos, geralmente bastante alargados, em favor de novas investidas para a guerra. O multilateralismo exige a aceitação da igualdade entre os seus actores, assim como um corpo de regras fiáveis e eficazes, o respeito pelos interesses de cada qual e a supremacia do Direito.

Por todos os meios

Uma simples relance ao orçamento de defesa dos EUA - um eufemismo pelo qual é conhecido - quase dispensa comentários. Para o ano fiscal de 2008, eleva-se a 500 milhões de dólares, aos quais acrescem 200 milhões destinados às guerras do Iraque e do Afganistão. (Em comparação, o orçamento militar alemão para 2008 é de 29,2 milhões de euros, equivalentes a 43,3 milhões de dólares). As despesas de «defesa» dos EUA não são justificadas por qualquer ameaça real. O seu único objectivo é o de obter por meios militares uma posição de vantagem na luta geo-económica pelo acesso às matérias primas cada vez mais escassas e aos mercados cada vez mais disputados.
Observemos como relatório Wolfowitz confirma isso mesmo:
«Hoje em dia e ao nível global, os EUA não enfrentam qualquer rival. [...] A grande estratégia dos EUA deve consistir em preservar e alargar esta posição de vantagem tão amplamente quanto possível. Há, contudo, estados potencialmente poderosos, que stão descontentes com esta situação e que estão dispostos a alterá-la se forem capazes. [...] Os EUA devem desencorajar as nações industriais desenvolvidas a disputar a nossa liderança, ou mesmo a aspirarem a um papel futuro mais importante à escala regional ou mundial.»
Atingir esses fins supõe recorrer a meios que não recuam perante o desprezo pelo ser humano e o racismo, como se pode verificar pela afirmação que citamos à frente, retirada da parte final do documento, onde são abordadas as perspectivas do futuro. Ao ler-e esta citação, há dois aspectos que não devem ser negligenciados: Wolfowitz foi sub-Secretário de Estado da Defesa a partir de 2001 e este documento conta, entre os seus redactores, Robert Kagan (Carnegie Endowmente for International Peace) e William Kristol (The Weekly Standard):
«E formas avançadas de guerra biológica orientadas para genótipos específicos, serão capazes de converter a guerra biológica de um meio do império do terror em um instrumento politicamente útil.»
Uma tal forma de pensamento excede tudo quanto já tenha sido feito na História recente. O Verbo precede sempre a Acção. George Orwell escrevia: «A guerra é a paz.» O Senhor Mundial europeu da «comunidade de valores ocidentais» raramente conhece estas directivas cínicas. Seja como for, os meios de divulgação dominantes na Alemanha nunca repararam nisso.
(continua)


Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (3)

(Início)

Dois desafios

O mundo exterior aos EUA está confontado com dois desafios que condicionam a sua margem de manobra:
  1. A supremacia miltar dos EUA, após o afundamento da União Soviética.
  2. A ordem económica mundial estabalecida, reservando para a primeira potência económica o maior ganho, graças ao estatuto do dólar como moeda padrão e ao controlo, se necessário pela força armada, dos fluxos de energia sobre segmentos específicos.
Estes dois factores actuam em conjunto, complementando-se da melhor forma. São os pilares da nova ordem mundial. O estudo já citado, "Rebuilding America's Defenses" do grupo de discussão republicano "Project for the New American Century" (PNAC), reclama que os EUA sejam claramente superiores a todas as coligações possíveis, em domínios expressamente referidos da economia e do poder militar, sob todos os pontos de vista. Os concorrentes potenciais a travar são aí designados pelo nome; entre eles figuram a China e a União Europeia (UE). Se o propósito inicial era exclusivamente militar, tipificado como "Full Spectrum Dominance" dos EUA, expandiu-se hoje a todos os restantes domínios das relações internacionais e ao cosmo. Eis o que, a este respeito, escreveu Harold Pinter, um escritor inglês, no discurso de recepção do Prémio Nobel em 2005:
"Já afirmei que os EUA foram de uma franqueza absoluta ao colocarem as cartas sobre a mesa. Tal foi o caso. A sua política oficial é agora definida como o «full spectrum dominance». Não são palavras inventadas por mim, são as suas próprias palavras. «Full spectrum dominance» significa controlo de todos os recursos existentes por terra, mar, ar ou espaço".
A visão, sem precedente histórico, subjacente a este documento é a de que os EUA não apenas conseguiriam usufruir por tempo indefinido dessa posição hegemónica, como desencadear uma dinâmica parcial para conter o crescimento dos outros centros. Nitidamente, o estado do Direito Internacional em vigor na altura constituia um obstáculo a semelhante projecto e os fóruns de concertação internacional para resolução de conflitos só serão permitidos enquanto servirem os interesses dos EUA; depreende-se logicamente.
Este desígnio é, além do mais, reivindicado sem subterfúgios, como ilustram os temas tratados numa conferência que decorreu em fins de Abril de 2000, diante de representantes de alto nível dos governos da Europa de Leste, em Bratislava, capital da Eslováquia. A conferência foi organizada pelo Departamento de Estado e pela «New Atlantic Initiative», uma emanação de um instituto republicano para as relações internacionais, concretamente o «American Enterprise Institute». O único político alemão convidado foi o deputado cristão-democrata Willy Wimmer, membro da Comissão do Negócios Estrangeiros do parlamento federal alemão (Bundestag) e ex-Secretário de Estado da Defesa (1987-1992). Regressado à Alemanha, redigiu um relatório síntese das conclusões, que apresentou ao Chanceler. Eis o que se pode ler lá:
"Do lado americano, parece estar decidido, no contexto mundial e para que os seus fins sejam alcançados, colocar fora de cena a ordem jurídica internacional estabalecida no século passado na sequência de duas guerras mundiais. A força deve prevalecer sobre o direito. Assim que o Direito Internacional surja como obstáculo, ignora-se. Já a Sociedade das Nações em tempos enveredou por esta via, de que resultou a Segunda Guerra Mundial. Um pensamento que absolutiza os seus próprios interessses não merece outra qualificação que totalitário".

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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