Terça-feira, Outubro 21, 2008

Jim Brown - Tempestade no Deserto

Apresente-se, por favor.
Chamo-me Jim Brown. Sou veterano do exército americano com dez anos de experiência.

Quando esteve no Iraque?
Fui enviado para Arábia Saudita para apoiar as tropas que deveriam intervir no Iraque. Entrei em serviço em 25 de Setembro e deixei a Arábia Saudita em 16 de Fevereiro de 1991.

O que ocorreu ali que ainda não é conhecido?
Os militares americanos, junto com seus aliados, lançaram uma bomba nuclear de cerca de cinco quilotoneladas de potência na zona de Basrá, no Iraque.

Onde a lançaram?
Entre a cidade de Basra e a fronteira com o Irão.

Quem a lançou?
O serviço foi feito por militares americanos. É uma bomba nuclear de cinco quilotoneladas que tem o nome de ''bomba nuclear de potência variável''.

...


Não tem medo de falar disso?
É preciso entender o que é o medo. Há um ponto em que deve dizer: Basta! E quando você supera essa linha, não é por estar muito certo de si. Você faz ou não faz. Quando estava ao serviço levantei a mão direita e fiz um juramento, afirmando ''Isso é o que defenderei''.

Transcrição parcial da entrevista encontrada em Antreu, 20 de Outubro de 2008

Jim Brown
(Clicar sobre a figura para lançar o vídeo da entrevista)


Mais referências em:
L’accusa del veterano la terza bomba nucleare, RaiNews24, 8 de Outubro de 2008

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Quinta-feira, Outubro 02, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (6)

(Início)

As condições económicas

Actualmente e a médio prazo o gás e o petróleo são os elementos incontornáveis da economia, logo do desenvolvimento, do poder e da influência. Face ao projecto da «grand strategy» anunciado pelos EUA, é espantoso que um assunto da máxima importância continue a ser debatido apenas em círculos fechados a sete chaves, em vez de ser tratado em discussões públicas a nível mundial (como por exemplo as mudanças climáticas): o «pico petrolífero». Os economistas relativizam a situação, contando com as reservas anunciadas pelas companhias petrolíferas. Tem todo o aspecto de um embuste, pois adia o problema central e inclui nos valores dos «recursos» as reservas, que não passam de suposições. A questão principal, segundo especialistas conceituados da geologia petrolífera, é outra: Em que momento se verificará o máximo da produção petrolífera, dando início ao seu declínio inexoravel. Estes especialistas situam entre 2010 e 2020. Mas, ao mesmo tempo, a procura dos países emergentes irá aumentar. A China é hoje o segundo importador de petróleo, a seguir aos EUA, absorvendo 20% da produção mundial.

Controlo da economia mundial

O «Cheney National Energy Report», publicado em Abril de 2001, que tem em consideração as previsões dos geólogos da «grand strategy» do PNAC, oferece explicações mais convincentes quanto à política externa, económica e financeira, e às recentes intervenções militares dos EUA, que aquelas que nos são oferecidas pelos oráculos políticos e mediáticos especializados da Casa Branca. Tanto mais interessantes são essas explicações, quanto é certo que os seus autores não são spin doctors [doutores de imagem], antes funcionários superiores e decisores com assento em lugares-chave das administração das principais companhias petrolíferas dos EUA. O relatório contem uma lista de países - para além do Iraque - que são os "felizes" contemplados pela especial atenção dos EUA, tanto nos planos político como militar, onde também se encontram informações adicionais: a Venezuela, o México, a Colômbia, o Sudão, a costa ocidental da África (São Tomé e Prícipe, Argélia e Marrocos), a Líbia - atente-se à evolução dos últimos anos, assaz reveladora - a Geórgia e a região do Cáucaso, as repúblicas muçulmanas ex-soviéticas, o Irão, o Paquistão, a Índia (com o último negócio do acordo nuclear, entretanto abortado, sobre uma parceria estratégica), a Indonésia, o Afganistão, o Japão e a Coreia. A disseminação de forças militares americanas pelo mundo e os esforços para conseguir instalar bases militares nas regiões estratégicas para o aprovisionamento de petróleo, podendo ir até à ocupação de um país, enviaram uma mensagem clara: Queremos assegurar-nos do controlo sobre a economia dos nossos rivais, decidindo quem irá terá petróleo, quanto petróleo terá e qual o preço.
«Sendo certo que há muitas regiões com grandes oportunidades para a exploração do petróleo, é no Médio Oriente, com os seus dois terços das reservas mundiais, que o preço se define em última instância. Indo directamente ao ponto: a diferença mais importante entre a Coreia do Norte e o Iraque é que, economicamente, não temos alternativa válida ao petróleo do Iraque. Este país nada num oceano de petróleo.»
Não é possível ser-se mais claro. Escutando com o ouvido atento o «Autumn Lunch Speech» (discurso para o almoço de Outono [!]) feito pelo ex-Presidente do Conselho de Administração da Halliburton e actual vice-Presidente dos EUA Dick Cheney, nota-se em que carris ele já se movia em 1999. Desde essa altura se interrogava Cheney onde poderiam ser encontrados os 50 milhões de barris suplementares que a economia mundial iria precisar, por cada dia, no ano de 2010, caso 90% dos campos petrolíferos pemanecessem nas mãos dos diferentes governos e companhias nacionais. Para dar uma ordem de grandeza: a previsão do aumento de procura situava-se em quase dois terços da produção mundial total de 1999. Cheney considerava por isso a soberania nacional como um dos problemas principais. Eis porque a preparação de uma «opção militar» visando derrubar o regime iraquiano começou oito meses antes do 11 de Setembro de 2001.

Todas as cartas na mesa!

Nunca os Estados Unidos da América haviam usado de tamanha brutalidade, quer com os seus aliados mais próximos, quer com as Nações Unidas, criando factos consumados; tampouco haviam afrontado numa medida comparável a opinião pública do próprio país com falsidades, como o fez quando se tratou de justificar a guerra ao Iraque. Assumiram o risco de desestabilizar a região que representa para eles a prioridade das prioridades nos seus planos estratégicos e que ocupa um lugar charneira no funcionamento da economia mundial. Comprometeram a sua reputação de «potência tranquila» ao serviço da paz e da estabilidade e são hoje olhados pelo mundo inteiro como mentirosos. Ocorre, então, uma pergunta: o que impeliu políticos normalmente ponderados a enveredar por semelhantes aventuras e colocar todas as cartas na mesa? Se os agentes não eram incendiários, nem doentes mentais, uma explicação se impõe: os planos e as iniciativas do governo dos EUA basearam-se no conhecimento que dispõem relativamente ao pico petrolífero, e destinam-se a impedir que as suas consequências dramáticas ponham em causa a supremacia dos EUA.
Em socorro desta tese pode citar-se o programa económico estabelecido por Paul Bremer, em Setembro de 2003, constante no decreto 39. A exploração do gás e do petróleo iraquiano deveria permanecer sob controlo dos EUA. (As coisas alteraram-se mais tarde). Em seu favor pesa igualmente um facto que passou quase despercebido à opinião pública, embora fosse muito significativo: em Agosto de 2003, o Japão renunciou, sob pressão dos EUA, a assinar um contrato com o Irão, que já estava negociado e redigido, para a exploração de um importante campo petrolífero.
(continua)


Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Sexta-feira, Setembro 05, 2008

Bento de Jesus Caraça - As ilusões nunca são perdidas

Bento de Jesus CaraçaAs páginas que vão ler-se contêm a matéria de uma conferência que o autor realizou em 1933 (25 de Maio) a convite duma organização de novos - a União Cultural "Mocidade Livre", para inauguração da sua actividade.
Viviam-se nessa altura horas inquietantes e fecundas. A marcha acelarada dos acontecimentos na Europa pressagiava grandes transformações próximas. Hitler tomara, havia meses, o poder na Alemanha; agitavam-se as mais variadas correntes dentro e fora do Reich; a instabilidade geral era manifesta; tudo isto criara um ambiente de espectativa e ansiedade.
Os espíritos moços, como sempre, viviam os acontecimentos com ansiedade, despertavam para as preocupações mais fundas, auscultavam o futuro cheios de optimismo, uniam-se para pensar. Foi desse ambiente que nasceu a União Cultural "Mocidade Livre".
O futuro imediato não correspondeu às aspirações e impaciências desses espíritos juvenis e ardentes. O desenvolver da vida social europeia seguiu por caminhos que haviam de provocar a revisão de muitos optimismos fáceis e, em contrapartida, fazer abrir muitos olhos para realidades cruéis, em suma, proporcionar grandes lições.
Tudo isso fez que se amortecessem alguns entusiasmos das primeiras horas. Que importa? é essencial que tenham existido! Mas foram mais algumas ilusões perdidas, dir-se-á. Não. As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir; perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sob o pântano estéril da vida sem formas.
Benditas as ilusões, a adesão firme a qualquer coisa de grande, que nos ultrapassa e nos requer. Sem ilusão, nada de sublime teria sido realizado, nem a catedral de Estrasburgo, nem as sinfonias de Beethoven. Nem a obra imortal de Galileu.


Bento de Jesus Caraça, Nota explicativa, publicada na Seara Nova, 1939
a respeito da conferência A Cultura Integral do Indivíduo, 1933

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Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Gerhard Schröder - O fim da América unipolar

Erros graves do Ocidente



O antigo chanceler alemão Gerhard Schröder discute a guerra do Cáucaso, a possibilidade de a Alemanha se tornar um intermediário do conflito e a sua confiança no papel construtivo da Rússia.

SPIEGEL: Senhor Schröder, de quem é a erro na guerra do Cáucaso?

Gerhard Schröder: As hostilidades têm certamente as suas causas históricas e este conflito também tem os seus precedentes históricos. Porém, quem tornou o conflito num conflito armado foi a Geórgia ao invadir a Ossétia do Sul, é bom não escamotear.

SPIEGEL: Não reconhece parte da culpa do lado de Moscovo, uma resposta desproporcionada dos militares russos?

Gerhard Schröder: Isso é algo que não posso, nem quero, julgar. Os conflitos militares desenvolvem a sua própria dinâmica. O ponto essencial agora é todas as partes tirarem partido do plano de seis pontos apresentado pelo presidente francês.

SPIEGEL: Acredita que os conselheiros militares americanos estacionados em Tbilisi encorajaram a Geórgia a lançar-se ao ataque?

Gerhard Schröder: Não iria tão longe. Mas sabemos todos que estes conselheiros militares existem na Geórgia - um destacamento que nunca considerei especialmente inteligente. Seria bastante estranho se esses peritos não possuissem qualquer informação. Só se compreenderia se fossem profissionais extremamente medíocres ou completamente loucos, o que, em qualquer caso, é difícil imaginar.

SPIEGEL: O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) reclama que advertiu o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, contra a iniciativa do ataque. No entanto, não terão sido os acontecimentos demasiado convenientes para os propósitos do Primeiro Ministro Vladimir Putin?

Gerhard Schröder: Isso são especulações nas quais não desejaria participar. Assumo que ninguém, entre os líderes de Moscovo, tem interesse na confrontação militar. Há suficientes problemas internos na Rússia, que são urgentes resolver. Por exemplo, a corrupção e o abuso de autoridade têm que ser enfrentados. A Rússia está cheia de dificiências, uma questão que já levantei por diversas vezes. O Presidente Dimitri Medvedev e o Primeiro Ministro Putin estão neste momento ocupados com estes problemas - conjuntamente, diga-se a propósito, e não em competição entre eles, como por vezes é referido pelo jornalismo sensacionalista.

SPIEGEL: Talvez assim seja, mas há algo que está agora em jogo: a Rússia nunca suplantou a perda do seu estatuto de superpotência e, em anos recentes, sentiu-se acossada e humilhada pela NATO. Durante a guerra nos Balcãs, durante a invasão ao Iraque pela "Coligação dos Desejosos" sob a liderança de Washington, ainda durante a declaração da independência do Kosovo...

Gerhard Schröder: ... não esqueça o desenvolvimento do sistema de mísseis defensivos na Polónia e na República Checa...

SPIEGEL: ... o Kremlin foi forçado a permanecer como espectador. É ou não possível que, após um reforço económico e militar, Moscovo veja no amigo dos EUA Saakasvili a melhor oportunidade para retaliar sobre o Ocidente? E que Putin tente afirmar as suas aspirações imperiais?

Gerhard Schröder: Na minha opinião, há certamente graves erros cometidos pelo Ocidente na sua política de relacionamento com a Rússia. Podemos encontrar alguma ligação entre esses factos e a recente resposta da Rússia à provocação da Geórgia? Penso que é errado confundir as duas coisas.

SPIEGEL: Não partilha o receio sentido por muitos no Ocidente de um novo surto de "ameaça russa"?

Gerhard Schröder: Não, de todo. Há uma percepção sobre a Rússia no Ocidente que tem pouco a ver com a realidade.

SPIEGEL: Pode dar-se o caso de o duo de liderança altamente confiante de Moscovo sentir que o Ocidente precisa da Rússia mais do que a Rússia precisa do Ocidente?

Gerhard Schröder: A dependência é recíproca. Não existe uma só, entre as questões críticas da política mundial ou da economia global que possa ser resolvida sem a Rússia: tal é o caso do conflito nuclear com o Irão, tal é o caso da questão Norte-Coreana e certamente também o advento da paz no Médio-Oriente. Tal como o conjunto de problemas do clima apenas pode ser resolvido à escala universal. Por acaso, Moscovo ratificou o Protocolo de Kioto para lutar contra o aquecimento global, enquanto nós continuamos à espera que Washington o faça. E quanto à política energética, só sonhadores podem convencer-se de que a Europa Ocidental pode tornar-se independente do petróleo e do gás natural da Rússia. Por outro lado, a Rússia precisa de cliente fieis para as suas exportações de energia.

SPIEGEL: Não vê, então, razões - face à dureza das acções no Cáucaso - para cancelar a "parceria estratégica" germano-russa ou pelo menos suspendê-la?

Gerhard Schröder: Não. Não vejo porque deveríamos desperdiçar essa parceria devido à Geórgia. A dependência mútua também cria segurança mútua. Também me oponho ao criticismo dirigido aos investimentos na Alemanha. Qual o problema do Sr Alexei Mordashov investir numa empresa de turismo (TUI), do Sr Oleg Deripaska possuir 10% da empresa de construção Hoshtief ou de outro oligarca possuir uma participação do capital de uma empresa de modas Escada? Eu preferiria ver mais - não menos - investimentos na economia alemã. Falando historicamente, esta integração económica já demonstrou ser politicamente benéfica.

SPIEGEL: Agora parece estar a repetir o antigo Secretário de Estado americano Henry Kissinger. Sempre pensou dessa forma?

Gerhard Schröder: Claro que não, enquanto pertenci às Juventudes Socialistas. Só que, desde essa data e até agora, envolvi-me profissionalmente na política externa e fui Chanceler. Esta abordagem prática ganhou a minha preferência - e é certemente a mais razoável para mim.

SPIEGEL: Com todo respeito pelo frio adepto da real-politic: Será que não temos que desenhar uma linha a vermelho agora, uma linha que Moscovo não pode atravessar, caso queira continuar a participar nas instituições internacionais ou manter-se como parceiro do Ocidente? A retirada imediata das suas tropas da Geórgia, por exemplo, e o reconhecimento da sua integridade territorial, tal como exigiu veementemente a Secretária de Estado Rice?

Gerhard Schröder: Não acredito que a Rússia prossiga uma política de anexação. Tal como não acredito que possamos regressar à situação anterior na Ossétia do Sul ou na Abecázia. Está fora de questão. Do meu ponto de vista, isto tem menos a ver com o suposto expansionismo russo do que com os desejos da população.

SPIEGEL: Deveria a Alemanha participar numa força militar de manutenção da paz no Cáucaso?

Gerhard Schröder: O Ministro alemão dos Negócios Estrangeiros está, desde há muito tempo, envolvido nos esforços para uma solução política sob o manto da diplomacia e foi astuto ao afirmar que, se a Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) tiver que jogar um papel de coordenação entre as partes em conflito, a Alemanha não poderia deixar de se envolver. Se, contudo, se tratar de uma missão sem consentimento da Rússia, eu não quero ver soldados alemães estacionados por lá. Isto é apenas uma questão que se depreende da nossa história partilhada.

SPIEGEL: Tem a Geórgia um lugar na NATO?

Gerhard Schröder: Pensava que o governo alemão - e curvo-me a cumprimentar a Sra Merkel e o Sr Steinmeier a este respeito - juntamente com o governo francês, tinham tomado a decisão certa durante a Cimeira da NATO em Bucareste, em Abril...

SPIEGEL: ... porque se oposeram à intenção americana e da Europa de Leste de aceitar rapidamente a Geórgia e Ucrânia, disfarçando a recusa num amontoado de promessas vagas?

Gerhard Schröder: Imagine que estivéssemos obrigados a intervir pela força militar à conta da Geórgia, por ser membro da NATO, e à conta de um batoteiro evidente, que é a maneira correcta de nos referirmos a Saakashvili. A Geórgia e a Ucrânia devem primeiro resolver os seus problemas políticos domésticos e estão ainda muito longe de consegui-lo. Considero as hipóteses de a Geórgia ascender a membro ainda mais remotas, como consequência dos recentes acontecimentos no Cáucaso e, como tal, sigo com bastante dificuldade as promessas estridentes feitas nesse sentido pelo Secretário Geral da NATO, há poucos dias.

SPIEGEL: O candidato presidencial republicano dos EUA, John McCain, acompanhou-o, ao declarar: "Hoje, somos todos georgianos".

Gerhard Schröder: Eu não sou.

SPIEGEL: Robert Kagan, um ídolo dos neoconservadores e ainda um pensador influente da política externa entre os republicanos, definiu o dia da invasão da Geórgia pela Rússia como o início de um conflito territorial renovado entre as maiores potências e "como um ponto de viragem não menos significativo que o 9 de Novembro de 1989, quando caiu o muro de Berlim".

Gerhard Schröder: Li isso, mas nada significam para mim. Kagan, bem vistas as coisas, foi um dos homens que mais defendeu a intervenção no Iraque. As consequências não foram agradáveis, nem para a América, nem para a Europa. Talvez devamos apenas ignorar o seu conselho.

SPIEGEL: Num artigo no "Die Zeit", há poucas semanas, escreveu que a "fase de transição do domínio americano" está agora a chegar ao fim. O que quiz dizer exactamante com isso? Será que conduz automaticamente a um mundo multipolar e melhor?

Gerhard Schröder: O fim da América unipolar não é evidente apenas pela emergência de um candidato presidencial democrata, Obama, mas também pelas políticas de pensamento racional dos republicanos. Se ler o relatório não-partidário Baker-Hamilton sobre o futuro do Iraque, ser-lhe-á fácil reconhecer aí que o próximo presidente dos EUA terá muitas dificuldades em agir de outra maneira que num modo multipolar - quaisquer que sejam as declarações que um ou outro político faça nas campanhas.

SPIEGEL: Qualquer que seja o próximo homem responsável pela Casa Branca, Obama ou McCain?

Gerhard Schröder: Claro que isso fará diferença. Creio, no entanto, que até uma administração republicana, que não desejo, não conseguirá evitar ter que retomar uma abordagem multipolar, ganhar aliados e trabalhar em conjunto nas instituições internacionais. Aparentemente, os que estão em Washington já perceberam que é possível ganhar uma guerra sozinho, mas não a paz.

SPIEGEL: Que papel desempenhará a Europa nesse mundo multipolar? Não haverá uma clivagem profunda entre países como a Alemenha, a França e a Itália, que não desejam, especialmente agora, permitir que a cooperação com a Rússia chegue ao fim e os países Bálticos, a Polónia e a República Checa, caracterizados pelo medo da Rússia?

Gerhard Schröder: O processo da unificação europeia nas questões de política externa e de segurança não se tornou mais fácil desde que saí da Chancelaria em 2005. Isto tem também a ver com a integração dos novos estados. Este processo de unificação deve ser entendido como uma oportunidade histórica, ainda que haja um preço a pagar.

SPIEGEL: Está a arrastar-se.

Gerhard Schröder: Esse é exactamente o preço. A Europa só poderá jogar um papel a sério no contexto entre a América por um lado e a Ásia por outro, se conseguir estabelecer e manter fortes relações com a Rússia. Vejo a Rússia como parte da Europa, mais do que parte de qualquer outra constelação.

SPIEGEL: E será que a Rússia se revê da mesma maneira?

Gerhard Schröder: Pelo menos esta é a maneira como a actual liderança a vê. E nós, na Alemanha e na Europa, devemos interpretar isso como uma oportunidade. A Rússia tem a alternativa asiática, mas a Europa não. Além disso, esta constelação não passa necessariamente por um afastamento da Europa relativamente aos EUA.

SPIEGEL: Isso parece muito optimista. Não vislumbra um reinício da Guerra Fria no horizonte?

Gerhard Schröder: Não. Pelo menos não seria do interesse da liderança russa. Sou totalmente contra a demonização da Rússia. E acredito que Moscovo reconhecerá cedo a mecessidade de, uma vez mais, integrar-se mais fortemente na comunidade internacional.

SPIEGEL: E Washington tratará de não castigar os líderes do Kremlin e de não expulsar a Rússia das organizações como o G-8?

Gerhard Schröder: Essa visão estreita, que McCain por exemplo sustenta, não prevalecerá - é o que desejo e espero.

SPIEGEL: Fala como antigo Chanceler ou como funcionário da empresa estatal Gazpron?

Gerhard Schröder: O SPIEGEL não deveria participar na difusão de falsas informações. Não sou um empregado qualquer, antes o Presidente da Comissão de Accionistas da Nord Stream, um consórcio holandês, alemão e russo, cujo único objectivo é construir um gasoduto através do Mar Báltico que tornará o fornecimento de gás à Alemanha e a Europa significativamente mais seguro.

SPIEGEL: Sr Schröder, agradecemos esta entrevista.

Entrevista de Gerhard Schröder ao Der Spiegel
publicada em 18 de Agosto de 2008

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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Oposição Judia - Apelo contra o ataque ao Irão

12/08/08 "Information Clearing House" -- Esforços para rufarem os tambores de guerra para um ataque às instalações nucleares do Irão estão a ser envidados tanto nos Estados Unidos da América (EUA) como em Israel. O recente artigo de opinião publicado em 18 de Julho pelo New York Times, escrito pelo historiador israelita Benny Morris, serve para dar alento a essas forças políticas. A Oposição Judia expressa aqui a sua consternação para contrariar esta proposta horrível.

Os clamores da guerra ao Irão não só enfrentam a oposição popular como prejudicam os esforços diplomáticos que o Irão desenvolveu com a Agência Nuclear das Nações Unidas, bem como as negociações comerciais com os próprios EUA. Israel está também comprometido com um cessar-fogo que dura há um mês, para alívio das populações tanto de Israel como de Gaza. Face à atmosfera política criada, favorável à prudência e ao diálogo, os militaristas renovam os seus argumentos tendentes a criar condições favoráveis ao conflito. Morris prestou-se a este papel ao afirmar:
"Parece que estão dispostos a usar qualquer bomba que fabriquem, quer porque tal decorre da sua ideologia, quer porque receiam um ataque preventivo de Israel. Logo, um ataque de Israel que impeça os iranianos de darem os passos finais para obterem a bomba é provável. A alternativa é deixar que Teerão consiga a bomba. Tanto num caso como noutro, o holocausto nuclear no Médio Oriente está em jogo."
http://www.nytimes.com/2008/07/18/opinion/18morris.html

Este sentido de inevitabilidade deflagra em Israel e entre os judeus a memória do Holocausto Nazi, assegurando um apoio imediato a um ataque militar ao Irão; suscita reacções conducentes à guerra que tem estado e ser preparada pelos EUA. Isto é especialmente deplorável, dado que as 16 agências de espionagem dos EUA concluiram que o Irão não possui armas nucleares e não está em condições de possuir a primeira dentro dos próximos cinco anos.

Enaltecemos a coragem heróica de Mordechai Vanuum ao alertar para o plano nuclear de Israel, juntando à nossa a sua voz de condenação do armazenamento por Israel de ogivas nucleares como uma actividade ilegal e apoiando o nosso apelo em prol de um Médio Oriente livre de armas nucleares.

Uma mente capaz de propugnar uma guerra de aniquilação mútua como solução para o problema da segurança é espantosamente auto-contraditória. Só a invocação de uma ameaça do tipo Nazi parece outorgar alguma força para tal chamamento à guerra, tal como a ocupação dos territórios palestinos vem sendo justificada por supostos planos palestinianos para afogar os judeus no mar. A referência à ideologia iraniana (o Islão) como móbil do confonto não resiste a qualquer exame, uma vez que o desafio político feito a Israel pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad não é um apelo ao extremínio, mesmo considerando a tradução tendenciosa.

Ao prosseguirmos o objectivo da segurança para todas as partes envolvidas, afirmamos o direito de todos à segurança. Ao repudiarmos o argumento da inevitabilidade da guerra, denunciamos ao mesmo tempo a histeria de funcionários iranianos, alardeando constantemente partidas falsas para uma guerra desnecessária. A tentativa de obrigar o Irão a sujeitar-se às resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) fica enfraquecida nos planos legal, diplomático e político se os EUA e Israel ignorarem ostensivamente a diplomacia da ONU e as decisões do Tribunal Internacional que pendem sobre a questão da Palestina. Exortamos todos os que se opõem à confrontação militar com o Irão a escrever aos respectivos governos exigindo que o Estado de Israel coloque as suas instalações nucleares ao dispor dos inspectores internacionais e subscreva o Tratado de Não-Proliferação de armas nucelares tal como já fez o Irão, em vez de proferir ameaças de guerra.

Apelo subscrito por organizações judias de vários países,
publicado por Information Clearing House em 12 de Agosto de 2008

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

David Brockschmidt - A Alemanha é soberana?

Contrato Secreto
Pela lei internacional, um país é soberano se tem o poder de tomar decisões internas e externas sem a interferência de outro país e sem sofrer pressões políticas de qualquer grupo interno ou externo.

A questão que coloco ao governo alemão e à Chanceler Angela Merkel é: É a República Federal Alemã hoje um estado completamente soberano segundo a sua própria lei e a lei internacional? Sim ou não?

Se a resposta é não, então explique, por favor, quais são as restrições internas ou externas impostas aos alemães. Se a resposta é sim, então explique a razão por que as questões que apresento em seguida não afectam a soberania alemã.
  1. A Alemanha não possui um Tratado de Paz com os países com os quais se esteve envolvido na Segunda Guerra Mundial. Foram 64 países, incluindo as quatro principais potências vencedoras: Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido (RU), União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e França.
  2. A cláusula que considera a Alemanha e o Japão como inimigos continua em vigor na Carta das Nações Unidas e pode ser accionada em qualquer momento, se necessário, pela força militar.
  3. O governo actual afirma aos cidadãos e à comunidade internacional que as suas fronteiras actuais constituem a totalidade do território alemão. A decisão do Tribunal Constitucional alemão de 1973 afirma o contrário. O juízo refere claramente que o Reich Alemão ainda existe de jure dentro das fronteiras de 1937. Se olharmos para uma carta geográfica de 1937 e a compararmos com a actual, vemos claramente que há territórios alemães a Este que são hoje parte da Polónia e da Rússia. Estes territórios, de acordo com as decisões dos tratados das potências aliadas vitoriosas sobre a Alemanha nas conferências Teerão, Yalta e Postdam apenas deveriam permanecer sob administração polaca ou russa até que um tratado de paz fosse assinado com a Alemanha. Isto não aconteceu. Como é isto possível, que o governo alemão após a Segunda Guerra Mundial tenha entregue de jure estes territórios à Rússia e à Polónia, que os administram de facto? Faz algum sentido?
  4. Após a reunificação da Alemanha Ocidental com a Alemanha Oriental foi dito aos cidadãos alemães e à comunidade internacional que, conforme o Acordo dos 2 mais as 4 potências vitoriosas, que estas abdicavam dos direitos e das responsabilidades sobre as quatro zonas de ocupação no território alemão e respectivos sectores na Grande Berlim. Isto não foi feito!

    As quatro potências terminaram as actividades em território alemão, porém não abdicaram dos seus direitos.

    O documento oficialmente publicado do acordo dos 2+4 é muito claro a este respeito. O facto, porém, é que a maior parte dos direitos de ocupação dos aliados - EUA, RU e a França - sobre a Alemanha foram transferidos ou incorporados no assim chamado Estatuto das Tropas da NATO. Foi assim declarado forçosamente que os direitos dos Aliados da Guerra e do pós-Guerra sobre a derrotada Alemanha se mantinham e não foram abolidos.
  5. Os quatro pontos anteriores culminam com o dossier Kanzlerakte da Chancelaria. O governo da Alemanha Ocidental sob o Chanceler Konrad Adenauer, perante os altos comissários de três potências das forças acupantes, o EUA, o RU e a França, estabeleceram um tratado secreto datado de 21 de Maio de 1949, que foi assinado em 23 de Maio de 1949 pelo Chanceler Konrad Adenauer, o Presidente do Parlamento Alemão, Adolf Schönfeller e o vice-Presidente do Parlamento Alemão, Herman Schäfer. O ponto principal deste acordo secreto é o chamado Veto Aliado, que surge como consequência da cláusula que atribui o estatuto de inimigo à Alemanha e ao Japão pela Carta das Nações Unidas. Lá está dito:
    1. Que a imprensa alemã será controlada pelas potências ocupantes até 2099.
    2. Que as reservas de ouro da Alemanha são confiscadas como compensação.
    3. Que o assim designado Veto Aliado respeitante à derrotada Alemanha inclui qualquer decisão interna ou externa do Governo Alemão, tornando-se efectivo mediante o consenso dos três altos comissários militares ocidentais.
  6. O Major General Gerd Helmut Komossa, chefe do serviço de espionagem militar - Militarischer Abschirm Dienst (MAD) - desde 1977 até 1980, confirma este acordo top secret entre o governo alemão sob o Chanceler Adenauer e os aliados ocidentais no seu livro: Die Deutsche Karte - a Carta Alemã, Graz, 2007, ISBN: 978-3-902475-34-3, a páginas 21. Segundo o Major General Komossa, cada novo Chanceler Alemão fica obrigado a assinar o acordo secreto, o chamado Kanzlerakte, antes de tomar posse como Chanceler perante o Parlamento Alemão.
Permitam-me ainda os leitores recordar que as antigas zonas de ocupação pelas potências ocidentais estão hoje sob ocupação de forças militares dos EUA, RU, França, Canadá, Bélgica e Holanda. Esta persistência da ocupação da Alemanha pelos países mencionados é justificada e legalizada no quadro do Estatuto das Tropas da NATO que integra quase todos os direitos de ocupação das potências vencedoras sobre a Alemanha. As instalações militares dos aliados na Alemanha, como certamente no resto da Europa Ocidental e no Japão, são extra-territoriais, como as embaixadas estrangeiras. As leis e regulamentos locais não se aplicam dentro destas circunscrições militares.

Por favor, Senhora Chanceler da República Federal Alemã, Dr Angela Merkel, foi ou não obrigada a assinar o dossier do Chanceler - Kanlerakte e/ou qualquer outro documento cedendo a qualquer potência estrangeira limitações sobre a liberdade do seu povo ou a soberania da República Federal da Alemanha?

A ironia é que uma única potência vitoriosa, a Rússia (ex-URSS), abandonou permanentemente a zona de ocupação na Alemanha e o sector ocupacional na Grande Berlim!

Infelizmente, a 'soberana' República Federal Alemã não pode dar às restantes forças ocupantes ocidentais as respectivas guias de marcha. Isto iria contra os direitos dos aliados estabelecidos pelos acordos feitos entre três deles - Churchill, Roosevelt e Stalin - nas conferências de Teerão, Yalta e Postdam.

Em resumo: eu quereria estar de acordo com o ex-embaixador dos EUA na Alemanha, Kornblum, que informou enfaticamente as autoridades alemãs: "Vocês não são soberanos!" Esta declaração nunca foi repudiada ou questionada por qualquer governante alemão.

Assim, Senhora Chanceler, explique por favor! Eu pergunto:"O estado alemão soberano existe?"

NB:
  1. Nem todos os documentos do Acordo dos 2+4 entre os dois antigos estados alemães e os quatro aliados foram tornados públicos, e alguns estão classificados como secretos por muitos mais anos.
  2. Relativamente ao livro do Major General Gerd-Helmut Kossoma, publicado no ano passado, pergunto-me a mim próprio porque razão não terá havido um protesto ou pelo menos uma questão sobre o Kanzlerakte na imprensa alemã? Sertá que os alemães vivem num permanente estado de negação da sua própria história?
David Brockschmidt, The ‘Sovereign’ Federal Republic of Germany
publicado por Adelaide Institute em Maio de 2008

Grato ao raivaescondida pela pista. (AF)

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Terça-feira, Julho 29, 2008

Marjorie Cohn - Fim à ocupação do Iraque e do Afeganistão

Marjorie Cohn é Presidente do National Lawyers Guild e professora na Escola Thomas Jefferson de Direito. É autora do Cowboy Republic. Os seus artigos estão arquivados em marjorie cohn.

Marjorie CohnPor enquanto, o plano do Sr Bush para perpetuar a presença militar dos EUA no Iraque encontrou a resistência do governo iraquiano. O calendário de retirada das tropas americanas de Barck Obama foi naturalmente ao encontro dos desejos do Primeiro Ministro Nuri al-Malaki, e Bush mencionou um "horizonte temporal" enquanto McCain foi tagarelando. Porém, Barack Obama é a favor da permanência por tempo indeterminado de 35.000 a 80.000 soldados de ocupação dos EUA com o propósito de treinar forças de segurança e empreender "acções de contra-insureccção". Isto não poria fim à ocupação. Devemos exigir o repatriamento das tropas dos EUA - não a sua renovação - ou seja, o regresso de todos os soldados e mercenários, o encerramento de todas as bases militares dos EUA e renunciar a todos os esforços para controlar o petróleo iraquiano.

Dado o aumento da violência no Afeganistão e por razões políticas - anunciadas por Obama - Bush decidiu deslocar tropas do Iraque para o Afeganistão. Se bem que a invasão do Afeganistão pelos EUA seja tão ilegal como a invasão do Iraque, muitos americanos encaram-na como uma resposta justa face aos ataques do 11 de Setembro de 2001, com perdas de vida em combate menores que as do Iraque - por enquanto. Quase ninguém nos EUA questiona actualmente a legalidade ou o direito do envolvimento militar no Afeganistão. A capa da revista Time chamava-a "A Guerra Correcta".

A Carta das Nações Unidas indica que todos os estados membros devem resolver as suas disputas internacionais por meios pacíficos, não sendo reconhecido a qualquer nação o direito ao uso da força a não ser em caso de auto-defesa ou quando autorizado pelo Conselho de Segurança. Após os ataques do 11 de Setembro, o Conselho de Segurança aprovou duas resoluções, nenhuma das quais concedia autorização para usar a força militar no Afeganistão. As Resoluções 1368 e 1373 condenavam os ataques do 11 de Setembro e ordenavam o confisco dos bens; a criminalização das actividades terroristas; a prevenção da constituição ou apoio a ataques terroristas; a tomada de medidas necessárias para evitar a formação de grupos terroristas, incluindo a partilha de informações; finalmente, a ratificação urgente de convénios internacionais contra o terrorismo (que os EUA não ratificaram).

A invasão do Afeganistão não foi um acto de legítima defesa ao abrigo do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, porque os ataques de 11 de Setembro foram um acto criminoso, não uma invasão armada desencadeada por outro país. O Afeganistão não atacou os Estados Unidos da América. De facto, 15 dos 19 sequestradores de aviões vieram da Arábia Saudita. Além disso, não estava iminente uma ameaça de um ataque armado aos Estados Unidos nos dias subsequentes ao 11 de Setembro, ou Bush não teria esperado três semanas para iniciar a campanha de bombardeamentos, em Outubro de 2001. A necessidade de auto-defesa deve ser "imediata, irrecusável, não dando hipóteses de escolha de meios no momento da decisão". Este princípio clássico da auto-defesa consagrado na lei internacional foi definido no tribunal de Nuremberga e reafirmado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A justificação de Bush para atacar o Afeganistão foi a de que hospedava Osama ben Laden e que treinava terroristas. Os iranianos poderiam usar o mesmo argumento para atacar os EUA quando derrubaram o corrupto chá Reza Palevi em 1979, a quem os EUA ofereceram custódia. Os povos dos paises da América Latina, cujos ditadores foram treinados em técnicas de tortura na School of Americas, também podiam atacar esta infra-estutura situada em Fort Bennings, na Georgia, com os mesmos fundamentos.

Aqueles que conspiraram para sequestrar aviões e mataram milhares de pessoas em 11 de Setembro são culpados de crimes contra a humanidade. Devem ser identificados e levados à justiça de acordo com a lei. Mas a retaliação invadindo o Afeganistão não é a resposta e só conduzirá a mais mortes das nossas tropas e de afegãos.

O ódio que motivou 19 pessoas a fazerem-se explodir e levarem consigo 3000 inocentes tem a sua génese na história de exploração de pessoas das nações ricas em petróleo, empreendida pelos governos dos EUA em todo o mundo. Bush acusou os terroristas de tomarem como alvo as nossas liberdades e a democracia. Não foi, porém, a estátua da Liberdade que foi destruida. Foi o World Trade Center - símbolo do sistema económico mundial dirigido pelos EUA e o Pentágono - o coração do aparelho militar - que foram atingidos. Aqueles que cometeram esses odiosos crimes estavam a atacar a política externa americana. Esta política resultou na morte de dois milhões de iraquianos - causadas, quer pelas sanções punitivas de Clinton, quer pela guerra de Bush. Do que resultou um apoio acrítico à brutal ocupação das terras palestinas por Isreal; e o estacionamento de mais de 700 mil soldados dos EUA em bases de países estrangeiros.

Manifestamente ausente do discurso nacional está a análise política das razões conducentes à tragédia do 11 de Setembro e a orientação geral para escrutinar a política externa dos EUA que nos afastasse da cólera daqueles que desprezam o imperialismo americano. A "Guerra ao Terror" foi acriticamente aceite por quase todo o país. Mas terrorismo é uma tática, não um inimigo. Não se pode declarar guerra a uma táctica. A maneira de combater o terrorismo é isolando e atingindo as suas raízes, incluindo a pobreza, o não acesso às escolas e a ocupação estrangeira.

Já existem 60.000 tropas estrangeiras, incluindo 36.000 americanas, no Afeganistão. O grande aumento de tropas dos EUA no último ano não conseguiu estabilizar a situação; em vez disso, em Julho de 2008, os ataques aumentaram 40%. Zbigniew Brzezinski, consultor para a segurança nacional ao tempo de Jimmy Carter, duvida que a resposta para o Afeganistão resida em mais tropas. Adverte que os EUA podem ser considerados, como antes foi a União Soviética, como um invasor, especialmente se forem realizadas operações militares "com pouca consideração pelas baixas civis".
Brzezinski apoia a abordagem europeia de subsidiar os agricultores afegãos que abdiquem da cultura da papoila da ópio, assim como apoiar financeiramente os chefes tribais, como forma de isolar al-Quaeda dos talibãs. Estes últimos "não constituem uma força centralizada, nem são um movimento terrorista mundialmente orfanizado, apenas um fenómeno genuinamente afegão".

Devemos prestar atenção ao Canadá, que defende que uma missão mais ampla, sob a égide das Nações Unidas em vez da NATO, seria mais eficaz. A nossa política no Afeganistão e no Paquistão deveria focar-se na assistência económica para a reconstrução, no desenvolvimento e na educação, não nas armas. Os EUA deveriam refrear-se de mais ataques predatórios de mísseis ao Paquistão e prosseguir numa via diplomática, não na ocupação bélica.

Tampouco deveríamos fazer ameaças de guerra ao Irão, que seria novamente ilegal e originaria novos desastres descontrolados. A Carta das Nações Unidas proibe qualquer país de usar, ou de ameaçar usar, a força militar contra outro país, excepto em auto-defesa ou quando o Conselho de Segurança declare o seu acordo. Apesar da Agência Internacional para a Energia Atómica, um organismo das Nações Unidas, concluir que não existem provas de que o Irão esteja a desenvolver armas nucleares, a Casa Branca, o Congresso e Israel continuam a brandir as espadas na direcção do Irão. No entanto, o movimento contra a guerra tem conseguido barrar o caminho à Resolução 362 da Casa dos Representantes, uma decisão que equivaleria a uma ordem de bloqueio naval contra o Irão - pela lei internacional considerado como um acto de guerra. Graças a movimentos como United for Peace and Justice, Code Pink, Peace Action e dúzias de outros, que pressionaram o Congresso a meditar duas vezes antes de dar esse passo.

Deveremos enveredar pela diplomacia, não pela guerra, com o Irão; acabar com a ocupação do Iraque; e repatriar as nossas tropas do Afeganistão.

Marjorie Cohn, Of Iraq and Afghanistan - End the Occupations
publicado por Counterpunch em 29 de Julho de 2008

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Domingo, Maio 25, 2008

A Guerra segundo Mark Knopfler


These mist covered mountains
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Some day you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms

Through these fields of destruction
Baptisms of fire
I've witnessed your suffering
As the battles raged higher
And though they did hurt me so bad
In the fear and alarm
You did not desert me
My brothers in arms

There's so many different worlds
So many different sounds
And we have just one world
But we live in different ones

Now the sun's gone to heaven
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms


Texto: Sing 365

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Domingo, Março 30, 2008

Boris Vian - Le Déserteur

Durante a Guerra da Indochina (Vietname, ainda sob domínio colonial francês), três meses antes da queda de Diem Biem Phu, Boris Vian escreveu "O Desertor". Quando foi publicada, a canção provocou um escândalo e, pior que isso, em Novembro de 1954, quando se desencadeou a sublevação na Argélia, foi proibida de ser reproduzida na rádio por anti-patriotismo.



Monsieur le Président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps
Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir
Monsieur le Président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens
C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter

Depuis que je suis né
J'ai vu mourir mon père
J'ai vu partir mes frères
Et pleurer mes enfants
Ma mère a tant souffert
Elle est dedans sa tombe
Et se moque des bombes
Et se moque des vers
Quand j'étais prisonnier
On m'a volé ma femme
On m'a volé mon âme
Et tout mon cher passé
Demain de bon matin
Je fermerai ma porte
Au nez des années mortes
J'irai sur les chemins

Je mendierai ma vie
Sur les routes de France
De Bretagne en Provence
Et je dirai aux gens:
Refusez d'obéir
Refusez de la faire
N'allez pas à la guerre
Refusez de partir
S'il faut donner son sang
Allez donner le vôtre
Vous êtes bon apôtre
Monsieur le Président
Si vous me poursuivez
Prévenez vos gendarmes
Que je n'aurai pas d'armes
Et qu'ils pourront tirer



Na versão original, os dois últimos versos eram:
"que je tiendrai une arme ,
et que je sais tirer ..."
Boris Vian aceitou a alteração sugerida pelo seu amigo Mouloudji para conservar o teor pacifista da canção.



Fonte: Paroles.net

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Domingo, Março 23, 2008

Paul O'Niel - Iraque antes do 11 de Setembro

Bush decidiu a invasão do Iraque antes do 11/9

Desde a primeira reunião do Conselho Nacional de Segurança, o governo de Bush elaborou planos para derrubar o governo de Saddam e preparou a ocupação do Iraque. "Encontrem um meio de o fazer", ordenava Bush aos seus conselheiros. Um documento CBS e transcrição VF.

Paul O'Niel, Secretário do Tesouro no primeiro governo de Bush, foi entrevistado em 2004 por uma jornalista da CBS, por altura da publicação de uma obra descrevendo as antecâmaras do poder em Washington.

Ron Suskind, o autor de "O Preço da Lealdade", recolheu testemunhos de muitos funcionários e membros do governo, entre os quais o de Paul O'Niel, que aceitou ser citado pelo seu nome. Na altura, Donald Rumsfeld telefonou a Suskind para tentar dissuadi-lo da publicação.


Com início aos 1:50 o vídeo foi legendado na parte que se refere aos preparativos da invasão do Iraque antes do 11 de Setembro. (AF)




Fonte: Bush avait décidé l’invasion de l’Irak avant le 11 septembre 2001,
publicado por Contre Info a 19 de Março da 2008

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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Giap, o professor

Vo Nguyen Giap é apresentado habitualmente como um general e nesta qualidade não lhe são poupados elogios. Menos conhecida é a sua profissão civil: professor de História do ensino secundário. (AF)



General GiapO general de quatro estrelas Vo Nguyen Giap conduziu os exércitos no Vietname desde que se formaram, na década de 1940, até ao momento da sua entrada triunfal em Saigão, em 1975.

Detentor de uma das mentes mais brilhantes entre os militares deste século (XX), a sua estratégia para vencer adversários mais poderosos não se resumia a suplantá-los no terreno, mas em afectar o seu poder de decisão infligindo desaires políticos desmoralizadoras por meio de tácticas notáveis.

Esta faceta revelou-se logo em 1944, quando Giap fez avançar a sua minúscula força contra um posto francês na Indochina. O momento que escolheu para o fazer foi a véspera do Natal. Mais devastadora, a sua ofensiva de 1954 num lugar chamado Dien Bien Phu atraiu os franceses, demasiado confiantes da sua superioridade, para um ponto onde se verificou a viragem da batalha, culminado numa vitória espantosa com posicionamentos brilhantes. Demonstrou sempre talento em aproveitar as forças do inimigo como se fossem fraquezas para serem exploradas.

Um quarto de século mais tarde, em 1968, o general lançou uma ofensiva surpresa contra as forças americanas e sul-vietnamitas na véspera das celebrações do Novo Ano lunar. Foram tomadas capitais de província por todo o país, levados a cabo ataques simutâneos a guarnições militares e, talvez mais espantoso, invadida a Embaixada dos EUA em Saigão. As baixas para as forças norte-vietnamitas foram tremendas mas o gambito resultou num desastre fulcral para o discurso mediático da Casa Branca e para a presidência de Lyndon Johnson. A estratégia de Giap derrubou o comandante-em-chefe dos EUA. Inverteu a maré da guerra e selou a fama do general como o génio militar dominante da segunda metade do século XX.

John Colvin author of "Giap Volcano Under Snow"

in Tet Offensive
publicado por Vets With A Mission




Vo Nguyen Giap nasceu na aldeia de An Xa, na provícia de Quang Binh. O seu pai a a sua mãe, Vo Quang Nghiem e Nguyen Thi Kien trabalhavam a terra, alugavam alguma aos vizinhos e viviam de forma razoavelmente confortável. Aos quatorze anos, Giap tornou-se estafeta da Companhia Eléctrica de Haiphong e logo a seguir fez parte de um grupo de juventude revolucionária romântica, o Tan Viet Mang Dang. Dois anos mais tarde entrou para um liceu dirigido por franceses em Hué, de onde foi expulso passados outros dois anos por organizar a luta dos estudantes, segundo narra o próprio. Em 1933, com 21 anos, Giap entrou para a Universidade de Hanoi. Leccionou depois História, durante um ano, na escola Thang Long de Hanoi. Na década de 1930 prosseguiu a sua actividade como professor e jornalista...

in Vo Nguyen Giap
publicado por Wikipedia

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

NATO/OTAN - tratado defensivo?

Formalmente sim. Mas parece que para desgosto de alguns militares que andam muito nervosos e querem brincar às bombinhas antes do Carnaval. Ele há cada cromo.

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Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Gordon Brown - Your war is over

War is over
(clique sobre a figura para aceder à fonte)

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Harry Reid versus Dick Cheney

Harry Reid é o líder da bancada do Partido Democrata dos EUA no Senado. O resumo executivo do relatório a que se refere foi publicado pela BBC e está disponível aqui. (AF)
O último relatório de avaliação das agências de espionagem dos EUA desafiam directamente alguns pontos da retórica alarmística da administração (da Casa Branca) sobre a ameaça representada pelo Irão.Harry Reid

Fonte: Mark Mazzetti
U.S. Finds Iran Halted Its Nuclear Arms Effort in 2003
publicado porThe New York Times logoa 4 de Dezembro de 2007

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Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Ricardo Sanches - Tragam as tropas para casa

Ricardo Sanchez
Ricardo Sanchez foi o responsável directo das operações militares dos EUA no Iraque em 2003 e 2004.
  • Os progressos na segurança devidos ao sangue e coragem das nossas tropas não foi acompanhado pela vontade política dos dirigentes iraquianos em tomarem as decisões difíceis mas necessárias à paz no seu país.
  • Não há qualquer sinal de que os iraquianos venham a mudar de rumo num futuro próximo ou que nós tenhamos a capacidade de convencê-los a isso.
  • (A revisão orçamental dos democratas) dá passos acertados para o regresso das tropas como acção prioritária e exige uma revisão da missão dos militares compatível com a redução significativa do seu número no Iraque.
  • A missão dos EUA no Iraque é um pesadelo sem fim à vista.


Excertos de Anne Flaherty
Ex-Iraq Commander Says Bring Troops Home
publicado por San Francisco Gate a 21 de Novembro de 2007

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Quinta-feira, Novembro 15, 2007

Joseph Stiglitz - As consequências económicas do Sr Bush (3)

Neste artigo, Joseph Stiglitz faz uma aplicação brilhante da teoria da Informação Assimétrica de que é co-autor, trazendo ao conhecimento do público aspectos subtis dos actos do governo - normalmente resguardados das atenções gerais - que ferem gravemente a justiça nas relações económicas, além de se tornarem factores de entrave para o desenvolvimento económico.(AF)

E então, aconteceu o Iraque

A guerra do Iraque - e, em menor extensão, a guerra do Afganistão - custou ao país um alto preço em sangue e riquezas. O valor das perdas em vidas nunca poderá ser contabilizado. Quanto às riquezas, vale a pena recordar que a administração, na sua arrancada para a guerra no Iraque, esteve relutante em fornecer uma estimativa do custo da invasão - e humilhou publicamente um conselheiro da Casa Branca, que sugeriu um valor total de 200 mil milhões de dólares. Ao ser pressionada para especificar um valor, a administração avançou 50 mil milhões de dólares - que corresponde ao que actualmente se vem gastando em poucos meses. Hoje, os números do governo reconhecem oficialmente que já se gastou no teatro acima de meio bilião de dólares. Mas, de facto, o custo global do conflito pode encontrar-se quatro vezes acima deste valor - como indica um estudo que eu próprio fiz com Linda Bilmes da Universidade de Harvard - e até o Orçamento do Congresso admite agora que as despesas totais são provavelmente duas vezes superiores às despesas operacionais. Os números oficiais não incluem, por exemplo, outras despesas relevantes escondidas do orçamento militar, tais como os custos crescentes do recrutamento, com prémios individuais de re-incorporação de 100 mil dólares; não incluem os benefícios por incapacidade ou cuidados médicos vitalícios que serão requeridos por dezenas de milhares de veteranos de guerra feridos, 20 porcento dos quais por lesões devastadoras no cérebro ou na coluna vertebral; surpreendetemente, não incluem os gastos de reposição do equipamento usado na guerra; se considerarmos também o impacto económico da carestia do petróleo e os efeitos impulsivos da guerra - por exemplo, as retracções em cadeia dos investimentos por incertezas da guerra e as dificuldades de colocação dos produtos que as empresas americanas enfrentam no estrangeiro, porque os EUA são hoje vistos como o país mais odiado do mundo, então o custo total da guerra no Iraque ascenderá, mesmo numa estimativa conservadora, a 2 biliões de dólares pelo menos. Ao que deveremos acrescentar: até à data.

Surge como natural a pergunta, Que poderíamos comprar com este dinheiro se o dedicássemos a outra finalidade? A ajuda dos EUA para o conjunto dos países africanos tem rondado os 5 mil milhões por ano, o equivalente a menos de duas semanas de despesas directas na guerra do Iraque. O presidente fez uma grande encenação quanto às dificuldades financeiras da Segurança Social, mas todo o sistema poderia ser reparado durante um século com aquilo que vertemos nas areias do Iraque. Tivesse uma pequena fracção destes 2 biliões sido aplicada em investimentos para a educação e inovação tecnológica, ou na melhoria das infra-estruturas, e o país estaria colocado numa posição económica muito mais favorável para vencer os desafios num futuro próximo, incluindo as ameaças exteriores. Por uma lasca desses dois biliões conseguiríamos garantir acesso à educação superior a todos os americanos habilitados.

A subida dos preços do petróleo está claramente relacionada com a guerra do Iraque. Nem se trata tanto de constatar se a guerra foi a culpada, antes de verificar em que medida o foi. Até parece incrível lembrarmo-nos hoje do que foi sugerido por funcionários da Casa Branca antes da invasão, de que as receitas do petróleo do Iraque pagariam completamente a guerra - Não fomos generosamente recompensados pela guerra do Golfo de 1991? - e, pior ainda, de que a guerra constituiria o melhor meio de garantir os preços baixos do petróleo. Retrospectivamente, verificamos que os únicos grandes vencedores da guerra foram as empresas petrolíferas, as firmas fornecedoras da Defesa e al Caeda. Antes da guerra, as estimativas dos analistas do mercado apontavam para uma establização dos preços a vigorar num período aproximado de três anos consecutivos na faixa dos 25 a 30 dólares por barril. Os accionistas já esperavam uma subida da procura por parte da China e da Índia, mas previam que esse aumento estava coberto pelo aumento da produção do Médio Oriente. A guerra estragou os cálculos, não tanto por ter esmagado a produção no Iraque - o que efectivamente fez - mais porque agudizou o sentimento geral de insegurança na região, anulando investimentos futuros.

A obstinada fixação no petróleo, mau grado o preço, ilustra mais um legado desta administração: a sua incapacidade em diversificar as fontes energéticas do país. Deixemos de lado as razões ambientais que aconselham a abandonar os hidrocarbunetos - até porque o presidente nunca se mostrou convictamente adepto. Os argumentos de natureza económica ou de segurança nacional haveriam de ser bem ponderados para as opções tomadas. Ao invés, a administração prosseguiu a sua política de exaurir primeiro a América - ou seja, adquirir tanto petróleo ao estrangeiro quanto possível, tão depressa quanto possível, com tanto desprezo pelo ambiente quanto possível, deixando o país numa futura dependência do petróleo importado ainda maior e alimentando a ilusão de que a fusão nuclear ou outro milagre qualquer chegará um dia para nos socorrer. Tantas foram as prendas depositadas no sapatinho das empresas petrolíferas pelo presidente no seu programa energético de 2003 que John McCain se referiu a este como Nenhum lobista será esquecido.

Anya Schiffrin and Izzet Yildiz colaboraram nas pesquisas para este artigo.

in
Joseph Stiglitz
The Economic Consequences of Mr. Bush
publicado por Vanity Fair em Dezembro? Novembro de 2007

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Sábado, Novembro 10, 2007

Iraque - Mercenários em maus lençóis



A subserviência do governo do Iraque aos desígnios de Washington não vai ao ponto o fazer apreciar o estatuto de imunidade que os EUA pretendem para os seus mercenários.(AF)




República do Iraque
Ministério do Interior
Agência Ministerial de Informação e Investigações Nacionais
Departamento Geral de Assuntos Técnicos
Quartel-General de Registo e Avaliação de Companhias de Segurança Privadas
Ofício nº: 973
Data: 1º de Novembro de 2007

Para: todas as Companhias de Segurança Privadas
Assunto: Supressão da imunidade legal


Conforme directivas do Conselho de Ministros relativas às mudanças da imunidade legal a todas as companhias estrangeiras privadas de segurança, as quais passam a ficar sob a alçada da lei iraquiana.
Queira considerar em todas as suas missões futuras e transmitir ao seu pessoal. Para sua informação, todos os departamentos de segurança do Iraque já estão informados. O MNF confirmou que serão empreendidas todas as acções legais contra os violadores no futuro. Incluindo a assinatura dos vossos passaportes e a instrução Jinsseya que torna legal a vossa residência no Iraque. O violador ficará sujeito às penalizações previstas na lei do Iraque.

Col
O Director doDepartamento Registo e Avaliação de Companhias de Segurança Privadas


Cópias:}Para informação e tomada das devidas providências... com respeito.
PSCAI
PSC


PSC=Private Security Company


Fonte: New Law May Spell End To Iraq Contractors
publicado por CBS News a 10 de Novembro de 2007

Mais crimes de mercenários americanos nesta acta de audiência do Congresso dos EUA.

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Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Francis Fukuyama - Hegemonia auto-destrutiva da América

Francis FukuyamaFrancis Fukuyama aponta quatro erros na política internacional da actual administração dos EUA. (AF)


Em primeiro lugar, a doutrina da guerra preventiva, delineada na sequência dos ataques de 2001, foi impropriamente alargada para se estender ao Iraque e outros designados "estados-pária" que ameaçavam desenvolver armas de destruição maciça. A guerra preventiva só se justificaria se fosse aplicada contra terroristas desprovidos de qualquer estado e brandindo tais armas. Mas não pode ser colocada no centro da política geral de não-proliferação, obrigando os EUA a intervir militarmente em todo o lado para prevenir o desenvolvimento de armas nucleares.

O segundo erro de avaliação importante tem a ver com a reacção global expectável ao exercício de poder hegemónico. Muitas pessoas da administração Bush acreditaram que, mesmo sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU ou da OTAN, o poder americano seria legitimado pelos resultados alcançados. Este foi o pressuposto usado em anteriores iniciativas durante a Guerra Fria e nos Balcãs na década de 1990; na altura, foi visto como liderança em vez de unilateralismo.

Simplesmente, ao tempo da Guerra do Iraque, as condições haviam mudado: o poder dos EUA cresceu em tal medida face ao resto do mundo que a ausência de força antagonista tornou-se uma fonte de irritação, mesmo para os aliados mais próximos dos EUA. O anti-americanismo global, surgido da distribuição desigual do poder, já era patente muito antes da Gurrea do Iraque, na oposição à globalização liderada pelos EUA nos anos de Bill Clinton. Foi depois ampliado pelo desprezo ostensivo da administração Bush por todas as instituições de concertação internacional.

O terceiro erro de avaliação foi sobrestimar o efeito das acções militares convencionais face a estados enfraquecidos e a redes organizadas transnacionais, características da situação política internacional, pelo menos no quadro amplo do Médio Oriente. Vale a pena tentarmos perceber a razão porque o poder militar mais forte de toda a história da humanidade, gastando no esforço de guerra virtualmente tanto como o resto do mundo todo somado, foi incapaz de trazer segurança a um pequeno país de 24 milhões de habitantes depois de mais de três anos de ocupação. Pelo menos parte do problema reside no facto de que se mexeu com forças sociais complexas, não disciplinadas por hierarquias centralizadas capazes de impôr regras, logo ser dissuadidas, coagidas ou, de qualquer modo, condicionadas por meios puramente convencionais.

Israel cometeu um erro semelhante ao supor que conseguiria usar a sua enorme preponderância militar para destruir o Hezbolah no Verão passado no Líbano. Mas tanto Israel como os EUA são nostálgicos do mundo do século XX feito de estados-nação, o que se compreende, pois esse é o tipo de mundo para que o seu poder convencional está melhor preparado.

Finalmente, ao poder usado pela administração Bush faltou uma doutrina estratégica motivadora e mesmo a simples competência. Falando apenas do Iraque, a administração enganou-se quanto à ameaça das armas de destruição maciça, não planeou adequadamente a ocupação e mostrou-se incapaz de mudar rapidamente o rumo quando as coisas começaram a correr mal. Hoje, já abdicou de todas as questões defendidas para o Iraque, tais como promover esforços para fundar a democracia.

Excertos de: Francis Fukuyama
America’s Self-Defeating Hegemony
publicado por Project Syndicate em Outubro de 2007

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Domingo, Outubro 28, 2007

Jeff Paterson - grandes manifestações contra a guerra

Manifestações
São Francisco (EUA), ontem


Fonte: Tens of Thousands March Against War SF O27
publicado por Indybay a 27 de Outubro de 2007

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Quarta-feira, Outubro 17, 2007

Connors & Bingham - Conhece os teuos inimigos

Iraque
(clique sobre a figura para carregar o vídeo)


Uma sinopse do documentário filmado e em preparação, baseado em entrevistas com revoltosos iraquianos e realizado pelos directores da Meeting Resistance.

Senti um fogo no meu coração. Quando ocuparam o Iraque, subjugaram a mim, à minha irmã, à minha mãe; subjugaram a minha honra e o meu lar. Todas as vezes que os via, sofria. Eles rejeitaram-me. Assim, comecei a trabalhar.

Em 12 de Outubro, o general Ricardo Sanchez, anterior comandante das forças dos EUA no Iraque, foi notícia quando se juntou às fileiras dos políticos e pontífices que começaram por apoiar a guerra ao Iraque, mas que hoje declaram que a administração Bush é incompetente e converteu este empreendimento arriscado numa causa perdida.

Há limites para esta contenda.

A força da sublevação condenou a ocupação desde o início. Esta conclusão é baseada em inquéritos à opinião pública iraquiana feitos recentemente pela BBC e pela World Public Opinion - complementada por entrevistas a iraquianos feitas pela Meeting Resistance.

O guerrilheiro
Nos primeiros dois dias ainda sentíamos o ímpeto da guerra. Tirámos então partido deste momento. Pois, se tivéssemos esperado que a situação acalmasse e que todos se acomodassem, a resistência não teria aproveitado essa oportunidade.

O Iraque é o nosso lar, pertence-nos. Se não defendermos o Iraque, não defenderemos a nossa honra. Cada metro quadrado do Iraque merece a alma das nossas vidas. Cada metro quadrado merece o ar que respiramos.


A insurrecção é composta maioritariamente por iraquianos vulgares, não operacionais de Al-Quaeda ou membros do antigo regime.

Este grupo formou-se espontaneamente sob o manto do Islão. São engenheiros, oficiais, professores, pessoas normais, pessoas cultas. Uns têm instrução secundária, outros superior.
Todos são muçulmanos comprometidos, seguem as normas do Islão.

O professor
Antes destes acontecimentos eu não rezava. Nem sequer sabia o caminho da minha casa até à mesquita.

A maioria dos iraquianos não só se opõe à presença das forças da coligação no Iraque, como aprova a sua aniquilação física.

92% dos sunitas, 62% dos xiitas e 15% dos curdos aprovam os ataques feitos às forças de coligação conduzidas pelos EUA.

O guerrilheiro
À cabeça da lista dos alvos legítimos estão as forças militares que se encontram no Iraque. Estes são os mais importantes. Em segundo lugar estão aqueles que colaboram com os primeiros. Há alguns tradutores que ajudam as pessoas e o seu trabalho limita-se a explicar a situação. Mas também há
tradutores que agem contra as pessoas. Há polícias que fazem o trabalho normal de perseguirem gangs, proporcionando ordem e segurança, e estes deixamo-los em paz. Mas há também polícias que colaboram com os estado-unidenses. Como já lhe disse, as forças dos EUA, as forças de ocupação e os seus colaboradores que trabalham contra o povo iraquiano e contra os mujahedines. Esses são os nossos alvos legítimos.


De Abril de 2004 até Maio de 2007, uma média de 74% de ataques iraquianos significativos foram dirigidos contra as forças de coligação conduzidas pelos EUA. 16% foram dirigidos contra forças militares iraquianas e 10% contra alvos civis(segundo dados do Departamento de Defesa).

O professor
Mas a vontade de Deus, enquanto persistir o sentimento patriótico, correr sangue nas nossas veias e o nosso coração bater é a de que se vão embora.

78% dos iraquianos acreditam que os militares dos EUA provocam mais conflito que aquele que previnem. Houve iraquianos que nos disseram que a realização de eleições e o prosseguimento de "resultados" (benchmarks) não fazia diferença.

O guerrilheiro
Enquanto os americanos cá estiverem não aceitaremos governo ou constituição ou outra coisa qualquer que nos proponham. O que aprovamos é uma só coisa - a partida dos americanos.

71% dos iraquianos exigem a partida das forças dos EUA dentro de um ano.
65% pensa que não é plausível que a partida dos americanos ocasione o alastramento da guerra civil.

O guarda republicano
Os sunitas e os xiitas estão ligados por laços de sangue familiares. Por exemplo, eu estou casado com uma xiita, a minha irmã casou-se com um xiita. Não posso matar os tios dos meus filhos ou a minha mulher, mãe dos meus filhos.


A maioria dos iraquianos discorda da separação das pessoas segundo linhas sectárias dentro do território.
Se aquilo que ouvimos dizer fôr verdade - que Zarquavi ameaçou atacar os xiitas - isso significa que Zarquavi não é um mujahedin. Significa que nem sequer é muçulmano.


100% dos inquiridos reprovaram os ataques a civis iraquianos.

O Imã
Imagine que o Iraque invadia os Estados Unidos da América; que um soldado iraquiano, de passagem numa uma rua dos Estados Unidos, exibia a sua arma, ameaçando-os, atingia e desfazia as suas casas. Aceitaria isto?
É por isto que nenhum iraquiano pode aceitar a ocupação e não se surpreenda com as suas reacções. As suas atitudes são normais.

Ouvindo as pessoas do Iraque consegue-se perceber facilmente a razão principal do conflito: Ocupação.

Direccção e texto de Steve Connors e Molly Bingham.
Produzido por Daniel J. Chalfen.
Editado por David Emanuele.
Musicado por Richard Horowitz

Fontes estatísticas:
Worldpubliopinion.org, inquérito de 27 de Setembro de 2007
BBC/ABC, inquérito à opinião da bbc.co.uk de 27 de Agosto de 2007
Defenselink.mil, Departamento de Defesa (dos EUA), relatório trimestral de Junho de 2007


Fonte: Video Know Thine Enemy
publicado pelo The New York Times de 17 de Outubro de 2007

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Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Alexis Debat - Escalada da guerra

Alexis Debat é director do terrorismo e segurança nacional no Nixon Center. A posição aqui mencionada foi tomada numa reunião organizada pelo jornal "The National Interest" a 2 de Setembro de 2007.(AF)


O Pentágono preparou planos para ataques aéreos massivos ao Irão, tendo em vista aniquilar a capacidade militar deste país em três dias.Alexis Debat


Fonte: Sarah Baxter, Pentagon ‘three-day blitz’ plan for Iran
publicado por TimesOnline
a 2 de Setembro de 2007

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Quinta-feira, Setembro 20, 2007

Alan Greenspan - Politicamente incorrecto

O economista Alan Greenspan foi presidente da Reserva Federal dos EUA entre 1987 e 2006.



Lamento que seja politicamente incorrecto reconhecer aquilo que toda a gente sabe: a guerra ao Iraque é sobretudo uma questão de petróleo.Alan Greenspan


Fonte: Ray McGovern in