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Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Aquecimento global? Mudanças climáticas?

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Terça-feira, Dezembro 08, 2009

Walden Bello - Programa para a desglobalização

    Walden Bello
  1. A produção para o mercado interno tem que voltar a ser o centro de gravidade da economia, antes da produção para os mercados de exportação.
  2. O principio de subsidiariedade deveria respeitar-se como um tesouro na vida económica, promovendo a produção de bens à escala comunitária e à escala nacional, se tal se puder fazer a custo razoável, a fim de preservar a comunidade.
  3. A política comercial – quer dizer, excedentes e tarifas— tem que servir para proteger a economia local da destruição induzida por mercadorias subsidiadas por grandes corporações com preços artificialmente baixos.
  4. A política industrial –incluídos os subsídios, tarifas e comércio— teria que servir para revitalizar e robustecer o sector manufactureiro.
  5. Algumas medidas, sempre adiadas, de redistribuição equitativa da renda e redistribuição da terra (incluindo uma reforma do solo urbano) poderiam criar um mercado interno vigoroso que serviria de âncora da economia e geraria os recursos financeiros locais para o investimento.
  6. Dar importância ao crescimento, dar importância à melhoria da qualidade de vida e maximizar a equidade reduzirá o desequilíbrio ambiental.
  7. Propiciar o desenvolvimento e a difusão de tecnologia que se conjugue bem com o meio ambiente, tanto na agricultura como na indústria.
  8. As decisões económicas estratégicas não podem entregar-se nem ao mercado nem aos tecnocratas. Em seu lugar, deve-se aumentar o raio de alcance da tomada democrática de decisões na vida económica, até que todas as questões vitais (como quais as indústrias a desenvolver ou condenar, que proporção de orçamento público se deve dedicar à agricultura, etc.) estejam sujeitas a discussão e a eleição democráticas.
  9. A sociedade civil tem que controlar e fiscalizar constantemente o sector privado e o Estado, um processo que deveria institucionalizar-se.
  10. O conjunto institucional da propriedade deveria transformar-se numa «economia mista» que incluiria cooperativas comunitárias, empresas privadas e empresas estatais e excluiria as corporação transnacionais.
  11. As instituições globais centralizadas, como o FMI e o Banco Mundial, deveriam ser substituídas por instituições regionais fundadas, não no livre comércio e no livre movimento de capitais, mas em princípios de cooperação que, para usar as palavras de Hugo Chavez na sua descrição da Alternativa Bolivariana para las Américas (ALBA), «transcenda a lógica do capitalismo».


Walden Bello, Chegou a hora de pôr fim à globalização?
publicado por ODiario.info a 8 de Dezembro de 2009

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Segunda-feira, Março 30, 2009

O que pensa do G20?

Quase sempre aqui aparecem escritos seleccionados. Alguns autores aparecem mais vezes, mas são muito poucos (lembro-me apenas de Joseph Stiglitz). Para hoje vou trazer um novo autor: a voz daqueles que são desconhecidos. (AF)

D L, Runcorn
Se o governo quiser encorajar o consumo, porque não reduzir os impostos, o que nos daria mais dinheiro para gastar? Se fazemos trabalho suplementar, somos taxados. Porque não eliminar o imposto que incide sobre o trabalho suplementar, o que permitiria que mais gente trabalhasse mais e conseguisse consumir mais?
Ali, Crianlarich
Lembram-se de Darvos? O primeiro-ministro turco apressou-se a reconhecer o valor e a oportunidade em dialogar com Israel, permitindo então que a sessão fosse interrompida para o jantar.

O G20 devia ser encarado como um investimento, no qual o público encontrará interesse benefíco caso consiga distinguir um retorno tangível. Davros definiu um bitola demasiado baixa a este respeito... Qual será a ementa neste jantar? Para quem é o sorvete de lagosta?
Gerald Alor, Leicester
Os planos de salvação do governo nada mais significam que proteccionismo. Em primeiro lugar, as ajudas financeiras destinam-se a salvar a economia doméstica e estancar os despedimentos, com uma hipótese de respingos benéficos para o comércio internacional. Dada a situação actual, será difícil tentar convencer aqueles países que foram capazes de alimentar a sua economia com prudência, que cedam a sua bposição paguem as facturas dos outros que não conseguiram. O G20 tem uma tarefa enorme e difícil pela frente. Boa sorte.
Muhammad Zaman
O que pode fazer o G20?

Porque devem os participantes ostentar-se em hotéis de luxo em Londres ou em estâncias de veraneio na Suíça?

Sem surpresa, os participantes não fazem a mínima ideia daquilo que aflige as pessoas no mundo real.

Em vez de nos escarnecerem à mesa cheia de foie-gras, anchovas, Brunello di Montalcino e caviar, talvez fosse melhor ideia usarem nas refeições os orçamentos diários dos desempregados, dos pensionistas ou dos trabalhadores dos países do Terceiro Mundo.

Porventura ficariam em posição mais favorável para captarem a realidade do mundo que os envolve.


What can the G20 achieve?, BBC News, 4 de Março de 2009

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Segunda-feira, Fevereiro 09, 2009

Renaud Laillier - A globalização é o caos acelerado

Nunca era certo onde pretendiam chegar os liberais, quando invocavam a necessidade de agir "mundialmente". Com a crise, viu-se ao que vinham...

Isto deveria servir de lição. Porém, não é caso para eleger o proteccionismo como o novo princípio da autoridade. Os países podem aderir a um proteccionismo não declarado, sem que isso resulte em grandes barreiras.

O paradigma da célula biológica é adequado para melhor compreender a relação dos países com o seu espaço económico. É necessária uma parede - no caso, uma fronteira - para que a célula possa viver e desenvolver-se, dispondo dos meios necessários. São as paredes que ajudam a célula a respirar e a efectuar as trocas; não a sua ausência, como nos querem fazer acreditar.

A globalização, tal como vem sendo praticada, só pode espalhar a ruína. Certos dirigentes pró-globalização trataram de abolir as "paredes", qualificando-as como obsoletas e como obstáculos ao desenvolvimento, o que não são de modo algum.

O sistema biológico indica-nos precisamente o contrário. Faltando a "parede", as defesas imunitárias sãs da sociedade são destruídas por dentro, ao serem expostas a todos os fluxos ao mesmo tempo, sem organização nem controlo. De onde resulta uma redução forçada das energias criativas locais e uma evolução acelerada para o caos nos planos económico, social, financeiro, cultural e civilizacional, bem como do ecosistema.

Além disso, a preservação do ambiente exige sempre algum grau de proteccionismo. É necessário preservar as estruturas, tal como na arquitectura se preservam os contrafortes, as trancas e as portadas. Isto é tanto válido para os EUA, cuja hegemonia mundial está em queda, como para cada uma das restantes nações do mundo.

Só assim o verdadeiro progresso se verificará. Destas condições depende o progresso que cada um poderá esperar: reforçando todas as comunidades, aproveitando toda a criatividade em benefício local para criar o máximo de riqueza.

A globalização é o caos acelerado.

Renaud Laillier, Le mondialisme, entropie accélérée, ContreInfo, 7 de Fevereiro de 2009

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Sexta-feira, Fevereiro 06, 2009

O Clube Bilderberg... e os outros


(Clique sobre a figura para descarregar - 1,4 MB)


Foi publicado em língua portuguesa, em edição espanhola o livro de Daniel Estulin.
Em virtude de não se encontrar disponível no mercado local, junta-se em anexo a edição electrónica desta obra, para oferecer aos nossos leitores a possibilidade de se informarem sobre esta associação trans-nacional, que grupos de interesse não querem ver divulgada.
É nossa convicção, poder contribuir desta forma para o exercício do direito à informação, sem ofender quaisquer interesses conhecidos.
Caso exista o conhecimento da ofensa aos direitos alheios, agradecemos que informem na caixa de comentários, para podermos retirar no mesmo acto, substituindo o acesso à edição electrónica pela informação comercial que nos seja comunicada.

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Previsões políticas para 2009

Laboratoire Européen d'Antecipation Politique
  1. A evolução recente, em alta, do dólar é uma consequência directa e provisória da queda das bolsas mundiais
  2. O "baptismo político" do euro acaba de ter lugar dando uma alternativa "de crise" ao dólar, enquanto "valor refúgio" crível
  3. A dívida pública americana incha de maneira doravante incontrolável
  4. O colapso em curso da economia real dos Estados Unidos impede toda solução alternativa à cessação de pagamentos.
  5. "Forte inflação ou hiper-inflação nos Estados Unidos em 2009", esta é a única questão.


Laboratoire Européen d'Antecipation Politique, Alerte Crise Systémique Globale - Eté 2009 : Cessation de paiement du gouvernement américain, 15 de Outubro de 2008

Tradução para português em Resistir.info, 20 de Outubro de 2008

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Quinta-feira, Outubro 16, 2008

François Chesnais - Limites do capitalismo

...

Por isso, outro elemento a ter em conta é que esta crise tem ainda outra dimensão: a de marcar o fim da etapa em que os Estados Unidos podiam actuar como potência mundial sem concorrência... Na minha opinião, saímos do momento que analisava Mészáros no seu livro de 2001, e os Estados Unidos vão ser submetidos a uma prova: num prazo muito curto, todas as suas relações mundiais modificar-se-ão e terão, no melhor dos casos, de renegociar e reordenar todas as suas relações com base no facto de serem obrigados a partilhar o poder. E isto, evidentemente, é algo que nunca aconteceu de forma pacífica na história do capital...


Artigo Completo: François Chesnais, O capitalismo tentou romper os seus limites históricos e criou um novo 1929, ou pior, O Diario.info, 16 de Outubro de 2006

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Terça-feira, Setembro 30, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (5)

(Início)

Símbolo da Liberdade?

E, no entanto, ainda resta o poderoso símbolo da Estátua da Liberdade, descontando que após o 11 de Setembro de 2001 a sua mensagem está cada vez mais extinta, mesmo no interior dos EUA, e que, quanto ao exterior, não desempenhou qualquer papel desde a presidência de John Quincy Adams. No seu discurso à Nação no dia 4 de Julho de 1821, Adams declarou que a guerra estava justificada logo que os direitos ou a segurança no interior do país estivessem directamente afectados, prosseguindo:
"Onde quer que a bandeira da liberdade ou da Independência flutue ou venha a flutuar, ela estará nos nossos corações, na nossa benção e nas nossas preces. Porém, ela não partirá do nosso território em perseguição de mosntros para os destruir. Servirá para todos como o testemunho da nossa liberdade e independência. Permanecerá como campeã e justiceira de si própria. Ela sabe bem que, uma vez engajada em causas que não a sua própria, ainda que se trate da independência de outro país, ver-se-ía envolvida com poderes de extorsão, com guerras de interesse e de intriga, de cupidez individual, inveja e ambição que estão sempre preparadas para usurpar as cores da bandeira da liberdade."
O mundo inteiro poderia dar-se por satisfeito se os sucessores de Adams aplicassem a mesma máxima.

Domínio dos EUA por intermédio da OTAN e da OSCE

Mas o que se passa é que a «a ameaça para a segurança nacional» é apenas o pretexto que mascara os interesses imperialistas. O que se passou com o Iraque em 2003 mistura interesses, métodos e retórica de legitimação dignos de um ensaio de laboratório. As 200 mil pessoas que se comprimiram à volta da Basílica de Berlim no passado dia 24 de Julho, ansiando por uma vitória do candidato presidencial Barck Obama, claramente ignoravam os princípios básicos, sempre confirmados, da política externa dos EUA; assim como as orientações geo-estratégicas desde os começos do Século XX, que são partilhadas pelos democratas e pelos republicanos. Os EUA conduziram duas guerras mundiais para se tornarem uma potência euro-asiática que irá dar o tom a este continente. O principal obstáculo ao acesso aos mercados e às reservas energéticas da Ásia Central desapareceu com o afundamento da União Soviética, em 1991. Esta chance histórica sem precedentes, os EUA usaram logo depois contra os seus próprios aliados com uma agressividade cada vez maior, enquanto a Europa expectante sonhava com os «divi­dendos da paz». Sobre o plano institucional, os EUA exercem o seu domínio através da OTAN e da OSCE. O perigo, ameaçador - segundo os EUA - de ver a Europa perturbar o cerco com a «Politica Europeia de Segurança e Defesa» (PESD), está provisoriamente afastado pelo acordo «Berlin Plus».

A Europa é corresponsável

Pese embora o facto de os EUA terem conseguido explorar habilmente os interesses divergentes na Europa e ressentimentos fronteiriços históricos, uma constatação se impõe: tal jogo não dispensou uma parceria. A Europa começou a aliar-se através da sua participação na guerra dos Balcãs, seguindo-se o alargamento para Leste da OTAN, a aceitação do novo conceito de intervenção da OTAN de 1999, contrário à Carta das Nações Unidas, o abandono de certas iniciativas controversas, culminando com a invasão, contrária ao Direito Internacional, do Iraque e do Afganistão. Resumindo: a Europa é corresponsável. Que tenha sido Clinton, um presidente democrata, a lançar esta política, só prova que as demarcações partidárias são irrelevantes para a defesa dos interesses em jogo.

Os interesses americanos transcendem as divergências partidárias

Um sobrevôo - necessariamente rápido - ao quadro em que se exerce a «nova ordem mundial», aos mecanismos e ferramentas de que dispõe, assim como a resposta à questão «cui bono?» (beneficiando a quem?) mostram, sem margem para dúvidas:
  • Após o rompimento do equilíbrio geo-estratégico, impôs-se o primado do direito do mais forte nas relações internacionais. Os EUA - outrora proclamados defensores da ordem jurídica internacional - consideram agora as Organização das Nações Unidas (ONU) como um obstáculo.
  • A supremacia da escola monetarista e do «consenso de Washington» na economia. Nenhum deles aparecu do nada. Estão firmemente enraizados no modelo de sociedade anglo-americana, diametralmente oposto ao modelo europeu continental. No entanto, os seus dogmas são aplicados principalmente no exterior, mostrando-se as finanças e a economia dos EUA firmemente pragmáticas.
  • Mão forte sobre as instituições internacionais «decisórias» como o Banco Mundial, o FMI, o G7/8 e o OMC e ainda a OTAN, sob a palavra de ordem «America first».
  • Preservação da situação sem precedentes do dólar como divisa padrão internacional: os bancos centrais precisam dele para combater as crises monetárias, os estados para as suas exportações e para importar petróleo e bens manufacturados, os países emergentes ou em desenvolvimento para reembolsarem as suas dívidas para com o FMI e os clubes «de Paris» e «de Londres». Todas as mercadorias importantes são facturadas em dólares no mercado mundial.
  • Após o abandono da paridade-ouro e o crescimento exponencial (acima dos 100%) da procura do dólar na sequência do aumento brutal dos preços do petróleo nos anos 70, os investidores perderam quase toda a influência sobre a máquina rotativa de impressão de notas nos EUA.
  • Desde há mais de vinte anos os EUA praticam quase sem interrupção uma política consciente de déficit orçamental e comercial. Apesar da inflacção que atinge o dólar, continua a aceitar-se este como meio de pagamento no mercado mundial de capitais. Razões mais importantes: o medo do afundamento, a falta de coragem para promover alternativas e a mensagem, até aqui aceite, que os EUA são o único país em condições de proteger face a qualquer ameaça. Onde esta crença é desafiada, promove-se a instabilidade, afim de reconduzir os tresmalhados ao bom caminho.
  • O sistema actual restringe as opções à prática de uma economia orientada para as exportações, logo, de bom ou mau grado, a observar as condições impostas via OMC, FMI e Banco Mundial. As principais vítimas do sistema são os países em desenvolvimento e os emergentes, pendurados na torneira do FMI. O qual impõe condições que canalizam os ganhos das exportações para pagamento do serviço da dívida em deterimento do desenvolvimento económico interior. As economias exportadoras de produtividade elevada, como a Alemanha por exemplo, ficam sujeitas à pressão da concorrência mundializada, cujos padrões são fixados além-atlântico. Esta pressão reprecute-se, por sua vez, no interior. Resultado? Declínio da Agenda 2010, que o Chanceler Schröder havia conseguido aprovar.
  • Os EUA podem dar-se ao luxo de um défice comercial exorbitante de 500 milhões de dólares, um défice orçamental equivalente a um endividamento bruto de 3700 biliões de dólares para com o resto do mundo. É este resto do mundo que financia o défice, enquanto os bancos centrais continuarem a investir os seus lucros na exportação dos títulos da dívida pública dos EUA, supostamente seguros. Os estados da ASEAN+3 reinvestiram neles 80% dos seus excedentes comerciais e detêm 90% das reservas de dólares mundiais. As reservas de divisas chinesas, que se elevam a esta hora a 1,8 biliões de dólares, são constituidas principalmente por títulos do Tesouro dos EUA. Simplifiquemos: Se for contraposto o deficit dos EUA ao seu orçamento militar de 400 milhões de dólares, verifica-se que os rivais dos EUA financiam os sonhos de potência ambicionados por Wolfowitz no seu texto, acresentando-lhe ainda um belo brinde. O que levou Helmut Schmidt, ex-Chanceler alemão e membro actual da comissão redactorial do semanário «Die Zeit» a colocar a seguinte questão ao candidato à presidência:
    «Será que a vossa política orçamental se destina a equilibrar a enorme dívida externa? Irão os EUA deixar de consumir uma grande parte das poupanças e da acumulação de capitais das restantes nações? Bater-se-ão os EUA a favor de uma ordem consensual e pela supervisão dos mercados financeiros mundializados altamente especulativos?»
  • Os principais beneficiários deste sistema são os Big Oil [as grandes companhias petrolíferas] e o conglomerado financeiro a elas associado, assim como o complexo militar-industrial. Entre os perdedores estão, não apenas partes importantes do resto do mundo, assim como vastas camadas da indústria dos EUA, que deixaram de ser concorrenciais no mercado mundial. A economia dos EUA tornou-se largamente importadora e consumidora, financiando-se pelo endividamento. O presidente cessante foi posto ao corrente desta situação no decorrer da campanha eleitoral, no Middle West, quando os operários furiosos o declararam taxativamente. Os auto-proclamados campeões do mundo da exportação continuam a deixar-se embalar por balelas.

(continua)

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Jochen Scholz - Projecto europeu para o novo século (4)

Democratas e Republicanos: Critica-se o método, mantem-se o propósito

É preciso não embarcar na ilusão de que só os neoconservadores advogam esta visão das relações entre os EUA e o resto do mundo. O «Progressive Policy Institute», um instituto de política externa da área do Partido Democrata, publicou em 2003 uma «Estratégia Democrata para a Segurança Nacional». No essencial, a mensagem resume-se a:
O governo de Bush atingiu frontalmente os nossos aliados; foi uma grande desgraça, pois precisamos deles para promover os nossos interesses.
Apenas o método é criticado, o propósito mantem-se. Nem sequer se ajusta mais àquilo que na Europa (continental) é considerado como um sistema de relações internacionais válido do que o faz a política brutal conduzida pelo actual governo dos EUA desde o 11 de Setembro. «America first» é o denominador comum aos democratas e aos republicanos, logo uma constante da política dos EUA, com o qual a Europa e os outros centros se devem alinhar.

O multilateralismo exige a supremacia do Direito

Acima de tudo: Se a lei é ditada pelo mais forte, as invocações de uma comunidade de valores transatântica torna-se uma ilusão pura e simples. «America first» é o exacto oposto do multilateralismo, que, por desgraça, a Europa mais vezes tem usado como mera retórica do que conseguido fazer progredir na agenda internacional. O multilateralismo não é uma construção do espírito, mas um modo de viver em conjunto no nosso planeta, que a Europa delineou ao fim de muitos séculos de experiências históricas dolorosas, tendo culminado, no século XX, com duas guerras mundiais; experiência dolorosa essa a que os EUA têm sido poupados até à data. Este facto tem permitido manter o inconsciente colectivo nos EUA num estado de inocência capaz de explicar os consensos, geralmente bastante alargados, em favor de novas investidas para a guerra. O multilateralismo exige a aceitação da igualdade entre os seus actores, assim como um corpo de regras fiáveis e eficazes, o respeito pelos interesses de cada qual e a supremacia do Direito.

Por todos os meios

Uma simples relance ao orçamento de defesa dos EUA - um eufemismo pelo qual é conhecido - quase dispensa comentários. Para o ano fiscal de 2008, eleva-se a 500 milhões de dólares, aos quais acrescem 200 milhões destinados às guerras do Iraque e do Afganistão. (Em comparação, o orçamento militar alemão para 2008 é de 29,2 milhões de euros, equivalentes a 43,3 milhões de dólares). As despesas de «defesa» dos EUA não são justificadas por qualquer ameaça real. O seu único objectivo é o de obter por meios militares uma posição de vantagem na luta geo-económica pelo acesso às matérias primas cada vez mais escassas e aos mercados cada vez mais disputados.
Observemos como relatório Wolfowitz confirma isso mesmo:
«Hoje em dia e ao nível global, os EUA não enfrentam qualquer rival. [...] A grande estratégia dos EUA deve consistir em preservar e alargar esta posição de vantagem tão amplamente quanto possível. Há, contudo, estados potencialmente poderosos, que stão descontentes com esta situação e que estão dispostos a alterá-la se forem capazes. [...] Os EUA devem desencorajar as nações industriais desenvolvidas a disputar a nossa liderança, ou mesmo a aspirarem a um papel futuro mais importante à escala regional ou mundial.»
Atingir esses fins supõe recorrer a meios que não recuam perante o desprezo pelo ser humano e o racismo, como se pode verificar pela afirmação que citamos à frente, retirada da parte final do documento, onde são abordadas as perspectivas do futuro. Ao ler-e esta citação, há dois aspectos que não devem ser negligenciados: Wolfowitz foi sub-Secretário de Estado da Defesa a partir de 2001 e este documento conta, entre os seus redactores, Robert Kagan (Carnegie Endowmente for International Peace) e William Kristol (The Weekly Standard):
«E formas avançadas de guerra biológica orientadas para genótipos específicos, serão capazes de converter a guerra biológica de um meio do império do terror em um instrumento politicamente útil.»
Uma tal forma de pensamento excede tudo quanto já tenha sido feito na História recente. O Verbo precede sempre a Acção. George Orwell escrevia: «A guerra é a paz.» O Senhor Mundial europeu da «comunidade de valores ocidentais» raramente conhece estas directivas cínicas. Seja como for, os meios de divulgação dominantes na Alemanha nunca repararam nisso.
(continua)


Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Ecos de uma bomba ideológica

A palavra capitalismo já vai aperecendo muito timidamente, porém muitos continuam a resguardar-se atrás de eufemismos como mercado livre ou economia de mercado. Respeitamos, as formulações exactas como foram publicadas. A seu tempo, lá descobrirão o resto que já foi dito por Karl Marx no século XIX.
Por outro lado, manifesta-se uma tendência preocupante dos salvíficos monopólios em preferir os negócios directamente com o Estado, em vez de cada um dos eleitores individuais. É mais fácil convencer políticos corruptos sobre a excelência e "interesse social" dos seus produtos ou serviços.
(AF)

Ron Chernow

Historiador
Receio que o governo dos EUA tenham ultrapassado a linha de não-retorno. Estamos perante a ironia de uma administração do mercado livre tomar medidas que a maior parte da administrações liberais democráticas nunca teriam tomado, nem nos seus mais negros pesadelos.Ron Chernow

Mario Monti

Ex-director da Comissão Anti-trust da CE
Mario MontiOs adversários do mercado livre na Europa e não só têm agora a excelente oportunidade de invocar o exemplo dos EUA. Dirão que até no farol da economia de mercado, os EUA, a prática contradiz os seus princípios fundamentais. É a primeira vez que isto acontece no coração do capitalismo, o que tem efeitos muito mais devastadores para a credibilidade da economia de mercado.

Bernard Carayon

Jurista do governo francês
As decisões políticas tomadas hoje nos EUA demonstram a necessidade do patriotismo económico. Congratulo-os por isso. Para os evangelistas do mercado, esta é uma lição dolorosa. As economias nacionais entraram numa era em que haverá muito mais regulação e em que os sectores público e privado se embrenharão muito mais.Bernard Carayon


The New York Times, Abroad, Bailout Is Seen as a Free Market Detour,
18 de Setembro de 2008

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Domingo, Julho 27, 2008

Deutsche Welle - Nokia fecha fábrica

A maior fabricante mundial de telefones móveis, a Nokia, irá indeminizar o Estado alemão em 1,3 milhões de euros por encerrar uma fábrica.

A Nokia pagará esta soma acrescida de juros ao Estado do Reno-Vestfália do Norte após ter anunciado no princípio do ano que iria encerrar a sua última fábrica na Alemanha, em Bochum, uma cidade da região industrial do vale do Rur que tem vivido tempos difíceis.

O diferendo já custou ao gigante móvel dezenas de milhões, segundo declarou um funcionário no sábado.

De acordo com o semanário económico WirtschaftsWoche, o ministério da investigação contribuiu com quatro milhões de euros para o financiamento da fábrica de Bochum, que se encontra no coração da região industrial do Rur.

Os frutos da investigação da Nokia deveriam reverter em proveito da Alemanha, porém, isso não acontecerá após o fabricante finlandês encerrar a fábrica de Bochum, disse o ministro.

Deutsche Welle staff (jam), Nokia to Reimburse German State in Plant Closing Row,
Deutsche Welle, 27 de Julho de 2008

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Segunda-feira, Julho 21, 2008

Joseph Stiglitz - O fim do neoliberalismo?

Joseph StiglitzNova York - O mundo não tem sido bom para o neoliberalismo, este apanhado de idéias baseado na noção fundamentalista de que os mercados são autocorrigíveis, alocam recursos de forma eficiente e atendem bem ao interesse público.

Foi esse fundamentalismo de mercado que sustentou o Thatcherismo, o Reaganomics e o chamado Consenso de Washington em favor da privatização, da liberalização e do foco dos bancos centrais no controle da inflação.

Durante um quarto de século, houve uma competição entre os países em desenvolvimento e os perdedores foram claramente os que adotaram políticas neoliberais. Mesmo quando cresceram, os benefícios se acumularam de forma desproporcional nos que já estavam no topo.

Embora os neoliberais não queiram admiti-lo, sua ideologia não passou em outro teste. Ninguém pode argumentar que os mercados financeiros fizeram um belo trabalho ao alocar recursos no fim da década de 90, quando 97% dos investimentos em fibras óticas levaram anos para ver alguma luz. Mas esse erro gerou ao menos um benefício: como os custos de comunicação foram reduzidos, Índia e China se tornaram mais depressa integradas na economia global.

Mas é difícil enxergar tais benefícios na errada alocação maciça de recursos para a construção civil. As novas residências construídas para famílias que não podiam pagar por elas viraram lixo, e milhões de residentes tiveram de deixar suas casas. Em algumas comunidades, o governo finalmente entrou no circuito para remover os destroços. Em outras, a destruição se amplia. Dessa forma, mesmo aqueles que foram modelos de cidadão, cuidadosos em seu endividamento e na manutenção de seus lares, agora verificam que o mercado desvalorizou suas residências além do que podiam supor seus piores pesadelos.

A bem da verdade, houve alguns benefícios de curto prazo no excesso de investimentos no mercado imobiliário: alguns americanos (talvez durante apenas alguns meses) gozaram do prazer de ter sua própria casa e de morar numa residência maior do que a que poderiam ter. Mas a que custo para eles mesmos e para a economia mundial! Milhões ficaram sem as economias de toda a vida quando perderam suas casas. E os arrestos de residências provocaram uma desaceleração global. Há um crescente consenso a respeito do prognóstico: ela será prolongada e abrangente.

Os mercados também não nos prepararam para os custos ascendentes do petróleo e dos alimentos. É claro que nenhum dos dois setores serve de exemplo de livre mercado, mas este é, em parte, o ponto: a retórica do livre mercado tem sido usada seletivamente — abraçada quando serve a interesses especiais, descartada quando não o faz.

Talvez uma das poucas virtudes do governo de George W. Bush é que o fosso entre a retórica e a realidade é menor do que no tempo de Ronald Reagan. Apesar de toda a retórica de Reagan sobre o livre comércio, ele impôs livremente sanções comerciais, incluindo a notória restrição “voluntária” das exportações de automóveis de concorrentes dos EUA.

As políticas de Bush foram piores, mas a abrangência com que ele serviu abertamente ao complexo industrialmilitar americano foi mais aparente. A única vez que o governo Bush se vestiu de verde foi na questão dos subsídios ao etanol (de milho), cujos benefícios ambientais são duvidosos.
Distorções no mercado de energia (especialmente via sistema fiscal) continuam, e se Bush tivesse acabado com elas, as coisas ficariam ainda piores.

Essa mistura de retórica de livre mercado e intervenção governamental foi particularmente ruim para os países em desenvolvimento. Foi-lhes dito para deixar de intervir na agricultura, expondo assim seus fazendeiros à devastadora concorrência dos Estados Unidos e da Europa. Eles poderiam competir com seus pares americanos e europeus, mas não com os subsídios dos EUA e da União Européia. Não surpreende que os investimentos em agricultura tenham caído nos países em desenvolvimento, ampliando o fosso entre os que têm e os que não têm o que comer.

Os custos recairão sobre os habitantes dos países em desenvolvimento, especialmente os pobres. Este ano, deveremos assistir a um grande aumento da pobreza, especialmente se a medirmos corretamente.

Para simplificar, num mundo de abundância, milhões nos países em desenvolvimento ainda não conseguem os ingredientes nutricionais mínimos. Em muitos países, aumentos nos preços de alimentos e energia terão um impacto devastador sobre os pobres, porque esses itens respondem por uma percentagem maior de seus gastos. A raiva ao redor do mundo é palpável. Especuladores, não é surpresa, recebem uma parte pequena dessa ira. Eles argumentam: não somos a causa do problema; estamos apenas engajados em “descobrir preços”, em outras palavras em descobrir — um pouco tarde demais para fazer algo a respeito este ano — que há escassez.

Mas essa resposta não é sincera. Expectativas sobre volatilidade de preços em alta encorajaram centenas de milhões de fazendeiros a tomar precauções. Eles poderiam ganhar mais se guardassem um pouco de seus grãos para vender mais tarde; e se não o fizerem, poderão não consegui-lo depois se a colheita do ano seguinte for menor do que o previsto. Um punhado de grãos retirado do mercado por centenas de milhões de fazendeiros em todo o mundo faz diferença.

Defensores do fundamentalismo e mercado querem transferir a culpa pela falha do mercado para o governo. Um alto funcionário chinês disse que o problema foi que o governo dos EUA deveria ter feito mais para ajudar os americanos de baixa renda na crise hipotecária. Eu concordo.
Mas isso não muda os fatos: os bancos americanos erraram no cálculo dos riscos numa escala colossal, com conseqüências globais, enquanto os responsáveis por essas instituições saíram de cena com bilhões de dólares em recompensas.

Hoje, há um descompasso entre o retorno social e o privado. A menos que sejam corretamente alinhados, o sistema de mercado não pode funcionar bem. O mercado neoliberal fundamentalista foi sempre uma doutrina política a serviço de certos interesses. Nunca recebeu o apoio da teoria econômica. Nem, agora fica claro, recebeu o endosso da experiência histórica. Aprender essa lição pode ser a nesga de sol nas nuvens que hoje pairam sobre a economia global.


Joseph Stiglitz in The End of Neo-liberalism?
publicado por Project Syndicate em Julho de 2008

© Project Syndicate, 2008.
www.project-syndicate.org

Tradução portuguesa em Arquivo de Artigos (O Globo)

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

Horst Köhler - Colapso do sistema financeiro

O sistema financeiro mundial está à beira do colapso.Horst Köhler
Não se trata de uma previsão catastrófica de Lenine ou de Álvaro Cunhal, tão pouco de um homem suspeito de cultivar simpatias comunistas, ou até de esquerda - ainda que moderada. Trata-se, nem mais nem menos, de uma declaração de Horst Köhler, actual Presidente da República Alemã, em cujo currículo constam cargos como:
  • Presidente do Partido Cristão Democrata Alemão CDU,
  • Presidente do Fundo Monetário Internacional,
  • Ministro alemão das Finanças,
  • Presidente da Associação Alemã dos Bancos de Aforro,
  • Presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento.

Outras declarações de Horst Köhler:
  • Os mercados foram incapazes de resolver o problema por si próprios.
  • O mundo financeiro desgraçou-se sozinho.
  • Gostava de ouvir um mea culpa alto e bom som da parte dos bancos .
  • Os honorários dos gestores financeiros são bizarramente elevados.
  • A complexidade excessiva dos produtos financeiros e a possiblidade de multiplicar desmesuradamente o capital à custa de pequenos investimentos iniciais deram origem ao monstro.


Fonte: Der Spiegel

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Segunda-feira, Março 03, 2008

Joseph Stiglitz - Questões políticas

Joseph Stiglitz
A globalização era suposta trazer benefícios sem precedentes para todos. No entanto, e curiosamente, acabou por ser vilependiada tanto nos países desenvolvidos como nos países em desenvolvimento. A América e a Europa receiam as ameaças da deslocalização: os países em desenvolvimento sentem que os países industrializados os sufocam no regime da economia global. Em ambos os lados se reclama que os interesses das corporações prevalecerem sobre outros valores. Neste livro argumentei que há muito mérito neste criticismo - mas que se trata de criticismo sobre forma como a globalização foi empreendida até agora. Tentei mostrar que podemos reformular a globalização para que comece a honrar as suas promessas.

Este livro debruçou-se principalmente sobre os aspectos económicos da globalização mas, como referi no primeiro capítulo, os problemas surgiram quando o lado económico da globalização atropelou o político, quando as consequências económicas da globalização se sobrepuseram à nossa capacidade de compreensão dos processos políticos capazes de harmonizá-los. Reformar a globalização é uma questão política. Neste último capítulo pretendo abordar algumas questões políticas chave. Entre elas estão as perspectivas para os trabalhadores não qualificados e o impacto da globalização nas desigualdades; o défice democrático das nossas instituições económicas globais, que contribui para enfrequecer mais ainda a democracia nos nossos países; finalmente, a tendência humana para pensar localmente até quando participa em processos cada vez mais globais.


Joseph Stiglitz in Making Globalization Work

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Sábado, Janeiro 05, 2008

A globalização à portuguesa

"A lavoura nacional não passa dos 700 Kg de trigo por hectare, enquanto que os franceses produzem 5 mil Kg por hectare".

Esta é a parte que os nossos políticos gostam de contar, para justificar à populaça os magros vencimentos nacionais, comparados com os da europa.
Aqui vai o resto da história, que os mesmos políticos não gostam de contar, para não se colocar em causa os magros rendimentos dos políticos europeus, quando comparados com os dos nossos governantes:

"Os 700 Kg de trigo nacional destinam-se ao consumo humano, e os 5 mil Kg de trigo francês destinam-se a fazer biodiesel, para transportar o trigo nacional para os franceses fazerem o seu pão.
Para os camiões não virem vazios, trazem trigo francês para os portugueses fazerem o pão de que necessitam para continuar a produzir os seus magros 700 Kg.
Quanto ao preço do pão, esse fica mais caro aqui, porque alguém tem que pagar o biodiesel que os camiões gastam para fazer a troca".

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Sexta-feira, Julho 06, 2007

Helmut Schmidt - Danger pour l’économie mondiale

Helmut Scmidt
Interessante, este depoimento vindo de um homem da direita, antigo chanceler da República Federal Alemã. (AF)




«Indépendamment de l’actuel boom économique, l’état des marchés financiers mondialisés, avant tout, constitue un danger pour le fonctionnement de l’économie mondiale dans son en-semble. Nous avons un excès de liquidités dans le monde entier et c’est très dangereux car on peut les faire circuler comme on l’entend. On peut également, pris de panique, renoncer à tous les financements à court terme et déclencher une récession. Pour empêcher cette évolution fatale, les grands pouvoirs économiques doivent contrôler les marchés financiers qui se déve-loppent de manière sauvage. Ils doivent isoler les îlots qui échappent aux impôts et à la sur-veillance. On pourrait, au moyen d’une législation américaine, allemande ou anglaise, «assé-cher» la totalité des paradis fiscaux des Caraïbes, de même que ceux du Luxembourg, de Chypre, etc. On pourrait également soumettre les dix mille fonds spéculatifs à la surveillance des banques. Certes, tout cela a échoué jusqu’ici parce que l’Amérique et l’Angleterre en par-ticulier estiment que leur intérêt à court terme prime sur le risque d’un effondrement du sys-tème.»

Source: Helmut Schmidt dans
Die Zeit du 7/6/2007

Citado aqui por Horizon et Débats.

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Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Michael Santarini - Questões da formação em engenharia

Que conjunto de aptidões serão necessárias para os engenheiros dos Estados Unidos da América (EUA), de forma a acompanhar o mundo em rápida mudança; quantos engenheiros serão necessários; onde farão falta? Estas são apenas algumas questões que os responsáveis para a educação nos EUA levantam ao tentarem definir o curriculo das próximas gerações de engenheiros, segundo Leah Jamieson, presidente e directora executiva do Institute for Electrical and Electronic Engineers (IEEE) para 2007, nas suas notas ao DesignCon 2007.

No seu discurso, Janieson, que também é decana em engenharia de John A. Edwarson no College os Engineering da Pordue University, apresentou uma larga lista de questões que os educadores deste sector estão a considerar para preparar melhor os jovens engenheiros para os desafios que irão enfrentar.

"Como se prepara a Universidade para criar o quadro geral em que se irão desenvolver as carreiras no futuro e que responsabilidades assumimos para garantir que as oportunidades de carreira existirão no dia em que completarem os seus estudos; ainda mais importante, nos quarenta anos seguintes?" perguntou Jamieson. "Devemos questionar-nos: terão os licenciados as aptidões e qualificações necessárias para uma carreira de quarenta anos?"

Um dos factores que motiva alterações curriculares é o surgimento de novas tecnologias que exigem conjuntos de conhecimentos multidisciplinares. "Há uma necessidade crescente de comunicação entre disciplinas para se conseguir projectos eficientes ao nível de sistemas", disse, salientando que outros factores são o ritmo da mudança, a globalização e questões de mão-de-obra.

Nos EUA, os educadores são também confrontados com o desinteresse pela engenharia em geral, acrescentou Jamieson, citando uma sondagem abrangendo alunos do secundário segundo a qual o interesse pela engenharia decresceu 18% desde 1991. Outros estudos indicam que, enquanto os vários graus que vão até ao bacharelato estão em rápida expansão na China e crescem moderadamente na Índia, nos EUA estão estacionários ou em declínio.

Além disso, muitos académicos sustentam que o semi-período de vida dos conhecimentos em engenharia está algures entre os dois e os sete anos, disse Jamieson. "Posso dizer-vos que, para nós que estamos dentro das universidades, eventualmente - se este período se reduzir abaixo dos cinco anos - e certamente - se se tronar inferior a quatro anos - iremos assustar-nos pois então irá acontecer que, com os alunos que entrarem agora e ao tempo em que terminarem o curso, metade do que tenhamos feito no primeiro par de anos poderá não ser relevante" acresentou. "É um pensamente estarrecedor, e por isso há que continuar a interrogar-nos sobre que partes são relevantes para que os conhecimentos estejam actualizados para além da data de graduação ou, no mínimo, nessa data."
...

Jamieson salientou também que há membros da academia que propõem medidas mais radicais, tendentes a subir a fasquia da certificação em engenhria; tornando-a acessível apenas ao actual nível de mestrado. A idéia não é popular entre os estudantes de engenharia e menos ainda entre os seus pais, admitiu.

As linhas mestras da de Jamieson podem ser escutadas integralmente em DesignCon.

Tradução parcial do artigo:
The future of engineering education: More questions than answers
publicado por Voice of the Electronic Engineer em 2 de Fevereiro de 2007

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Domingo, Fevereiro 04, 2007

António Cluny - Globalização e democracia

A legalidade que o Ministério Público constitucional deve, nos termos da lei, promover é a que se identifica com o projecto de Estado social e democrático que a Constituição consagra e em que o direito desempenha uma tarefa simultaneamente dinâmica de transformação social e uma função de reserva e garantia individual e colectiva dos direitos fundamentais adquiridos.

...

Este direito da globalização desenvolve-se e impõe-se, em muitos casos, com a conivência activa dos governos, mas independentemente da vontade dos povos que os escolheram para que os governassem em seu nome e no seu interesse.
Ele não é um instrumento coerente e sistemático de princípios éticos e morais, como é – ou sempre pretendeu ser – aquele que, com todos as omissões, deficiências e contradições, saiu quotidianamente dos parlamentos nacionais, dos tratados internacionais estabelecidos entre governos soberanos ou de instrumentos normativos aprovados por fóruns internacionais representativos da comunidade mundial.
É antes um direito assumidamente unilateral, estratégico e meramente pragmático, que, na sua génese e na sua aplicação, não é nem democrático, nem nacional ou, tampouco, internacional.
Com o seu poder de constrangimento e as suas características de plasticidade, mutabilidade contínua e transformação das realidades sociais e económicas não pode, por isso, conviver bem com esse outro direito de inspiração humanista e social que no Sec. XX e principalmente depois da segunda guerra mundial, vinha sendo produzido no seio dos órgãos legislativos dos estados nacionais ou desenvolvido nos organismos representativos da comunidade internacional.

Excertos de:
VII CONGRESSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
ALVOR 1-2-3 FEVEREIRO DE 2007
DISCURSO DE ABERTURA DO PRESIDENTE DO SMMP

publicado pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público em 2 de Fevereiro de 2007

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