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Sexta-feira, Março 20, 2009

Bancos e bónus

As palavras banco e bónus não devem ser usadas na mesma frase (Ministro dinamarquês das finanças).
NRC Handelsblad, 20 de Março de 2009

Congresso dos EUA aprova taxa de imposto de 90% sobre bonificações dos adminsitradores de bancos intervencionados.
The New York Times, 20 de Março de 2009


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Sexta-feira, Março 13, 2009

Adeus aos paraísos fiscais na Europa?

Será desta?

BYE BYE BANK SECRECY

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Domingo, Outubro 19, 2008

Deutsche Weller - Esmagar os paraísos fiscais

Com a economia mundial ferida pelo aguilhão da quebra financeira, muitos países desejam esmagar os chamados paraisos fiscais num esforço desesperado para levantar as suas finanças.

Depois de os governos do EUA e da Europa terem salvo numerosos bancos, muitos políticos começam agora a questionar sobre a razão da algumas instituições financeiras continuarem a operar em países que encorajam a evasão fiscal.
Será normal que um banco ao qual caucionamos os empréstimos com os nossos fundos ... continue a operar em paraísos fiscais?
perguntou o Presidente da França, Sarkozy, na semana passada.

Vinte países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) encontrar-se-ão em Paris na próxima terça-feira para discutirem como resolver a questão, se bem que os EUA não participem porque a campanha eleitoral está no seu fim.

Os países publicarão uma carta expressando o seu desejo de esmagar os paraísos fiscais.

Paraísos fiscais são países com uma estrutura de impostos tal que indivíduos ricos ou companhias pagam pouco ou nenhum imposto. Atraem investidores estrangeiros porque o dinheiro pode lá ser depositado com alto nível de secretismo e protecção contra as polícias de investigação internacional.

O Liechtenstein foi recentemente visado de uma forma particular, pelo secretismo contemplado aos investidores e depositantes internacionais das contas nos seus bancos. A OCDE qualificou este ano este pequeno principado como não colaborante.

A Alemanha à caça de fugitivos aos impostos

A Alemanha persegue alguns cidadãos nacionais, incluindo o exonerado Director Nacional dos Correios, pela falta de pagamento dos impostos, protegendo os activos em instituições financeiras do Liechtenstein.

Segundo o grupo de pressão Transparency International France, existem aproximadamente 50 paraísos fiscais em todo o mundo, nos quais operam mais de 400 bancos, dois terços dos bancos de crédito a outros bancos (hedge funds) e dois milhões de empresas de topo ocultam cerce de 10 triliões de dólares de activos financeiros - quatro vezes o Produto Nacional Bruto da França.

A reunião já havia sido agendada várias vezes, mas a crise financeira conferiu-lhe um carácter de urgência.
Não podemos resolver a crise financeira introduzindo maior regulação e mantendo bolsas de desregulação a prosperar,
disse Pascal Saint Amans, chefe da divisão internacional de impostos da OCDE.

Os centros de Offshore não são directamente responsáveis pela crise

Embora não sejam a causa da crise, para Christian Chevagneux, autor de um livro sobre o assunto, os centros de offshore permitiram a bancos como o Britain's Northern Rock, ou bancos de investimento dos EUA como o Bear Stern, ocultarem os seus prejuizos.

Também afectaram a estabilidade do sistema, ao hospedarem a maior parte dos bancos "hedge funds", estando muitos sediados nas ilhas Caimã. Estes fundos não-regulados e especulativos venderam muitos activos nas duas últimas semanas, contribuindo para a queda das acções no mercado e para a baixa dos preços das matérias-primas.

Para os paraísos fiscais, no clima político actual acabaram-se as complacências.
A França e a Alemanha sempre foram hostis aos paraísos fiscais. Se Barack Obama for eleito, os tempos vindouros serão bem duros para ele,
disse Chavagneux aos repórteres.

Com uma postura contrária à do Presidente George W. Bush, o candidato presidencial fez do combate aos paraísos fiscais uma peça chave da sua campanha.

NDA (jornalista da Deutsche Weller), OECD to Crack Down on Tax Havens in Finance Crisis Action, 19 de Outubro de 2008

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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Saul Hansell - Como a Wall Street mentiu aos seus computadores

A maior parte dos modelos computacionais usados na Wall Street subestimam fortemente o risco das complexas operações hipotecárias, em parte porque o nível de exposição financeira estava próximo "de aplicações capitalizáveis por cem anos", disse o presidente do Capital Market Risk Advisor, Leslie Rahl. Rahl e outros disseram que as pessoas, que gerem as empresas financeiras, preferem programas de gestão de risco que se baseiem em parâmetros optimistas, aos quais são fornecidos dados excessivamente simplificados, desta forma dificultando a detecção atempada de problemas que acabam por se revelar apenas quando é demasiado tarde. Os principais banqueiros não podem simplesmente ignorar os modelos computacionais usados nos seus computadores, porque os reguladores exigem das instituições financeiras que monitorizem o risco das suas posições. Se o modelo indica que a firma comporta um risco crescente, essa firma tanto pode ser obrigada a ruduzir o risco da operação que pretenda efectuar, como a oferecer uma garantias adicionais em capital, como precaução caso as coisas não corram conforme esperado. "Houve um propósito deliberado de projectar os sistemas de medida de risco de forma tal que não fossem revelados todos os riscos apropriados", disse Gregg Berman, da RiskMetrics. "Pretendeu-se manter o capital tão estável quanto possível, de maneira que os limites impostos aos seus delegados se mantivessem estáveis". Berman acresentou que uma das formas utilizadas foi garantir que os modelos de computadores dispusessem de dados espraiados por muitos anos, em vez de os dos últimos meses, o que teve como consequência que os programas demorassem a detectar o crescimento súbito do risco, pois o mercado manteve-se plácido durante muitos anos.

Saul Hansell, How Wall Street Lied to Its Computers, 18 de Setembro de 2008

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Sábado, Setembro 20, 2008

Angela Merkel - É preciso regular os mercados

Angela MerkelHá muito tempo que se diz: 'Deixem que os mercados tomem conta de si próprios' e que 'já não há necessidade de mais transparência'.
Hoje já demos um passo em frente, pois são os próprios Estados Unidos da América (EUA) e Reino Unido (RU) a reclamar: 'Sim, precisamos da mais transparência, precisamos de novos padrões para as instituições de regulação'.
Não aceito a visão de que os mercados financeiros se auto-regulam. Aliás, oposeram-se durante demasiado tempo à introdução, pelos governos dos EUA e do RU, de regulamentos para a actividade bancária.
Para além dos regulamentos nacionais, precisamos também de acordos que barrem a especulação financeira irresponsável


Angela Merkel, citada por Deutsche-Weller em 20 de Setembro de 2008

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Quinta-feira, Setembro 18, 2008

Ecos de uma bomba ideológica

A palavra capitalismo já vai aperecendo muito timidamente, porém muitos continuam a resguardar-se atrás de eufemismos como mercado livre ou economia de mercado. Respeitamos, as formulações exactas como foram publicadas. A seu tempo, lá descobrirão o resto que já foi dito por Karl Marx no século XIX.
Por outro lado, manifesta-se uma tendência preocupante dos salvíficos monopólios em preferir os negócios directamente com o Estado, em vez de cada um dos eleitores individuais. É mais fácil convencer políticos corruptos sobre a excelência e "interesse social" dos seus produtos ou serviços.
(AF)

Ron Chernow

Historiador
Receio que o governo dos EUA tenham ultrapassado a linha de não-retorno. Estamos perante a ironia de uma administração do mercado livre tomar medidas que a maior parte da administrações liberais democráticas nunca teriam tomado, nem nos seus mais negros pesadelos.Ron Chernow

Mario Monti

Ex-director da Comissão Anti-trust da CE
Mario MontiOs adversários do mercado livre na Europa e não só têm agora a excelente oportunidade de invocar o exemplo dos EUA. Dirão que até no farol da economia de mercado, os EUA, a prática contradiz os seus princípios fundamentais. É a primeira vez que isto acontece no coração do capitalismo, o que tem efeitos muito mais devastadores para a credibilidade da economia de mercado.

Bernard Carayon

Jurista do governo francês
As decisões políticas tomadas hoje nos EUA demonstram a necessidade do patriotismo económico. Congratulo-os por isso. Para os evangelistas do mercado, esta é uma lição dolorosa. As economias nacionais entraram numa era em que haverá muito mais regulação e em que os sectores público e privado se embrenharão muito mais.Bernard Carayon


The New York Times, Abroad, Bailout Is Seen as a Free Market Detour,
18 de Setembro de 2008

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

Horst Köhler - Colapso do sistema financeiro

O sistema financeiro mundial está à beira do colapso.Horst Köhler
Não se trata de uma previsão catastrófica de Lenine ou de Álvaro Cunhal, tão pouco de um homem suspeito de cultivar simpatias comunistas, ou até de esquerda - ainda que moderada. Trata-se, nem mais nem menos, de uma declaração de Horst Köhler, actual Presidente da República Alemã, em cujo currículo constam cargos como:
  • Presidente do Partido Cristão Democrata Alemão CDU,
  • Presidente do Fundo Monetário Internacional,
  • Ministro alemão das Finanças,
  • Presidente da Associação Alemã dos Bancos de Aforro,
  • Presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento.

Outras declarações de Horst Köhler:
  • Os mercados foram incapazes de resolver o problema por si próprios.
  • O mundo financeiro desgraçou-se sozinho.
  • Gostava de ouvir um mea culpa alto e bom som da parte dos bancos .
  • Os honorários dos gestores financeiros são bizarramente elevados.
  • A complexidade excessiva dos produtos financeiros e a possiblidade de multiplicar desmesuradamente o capital à custa de pequenos investimentos iniciais deram origem ao monstro.


Fonte: Der Spiegel

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Quarta-feira, Maio 14, 2008

George Soros - As duas funções dos especuladores financeiros

George Soros, o segundo especulador de maior sucesso no mundo, quando fala de finanças, sabe o que diz. É muito curioso que não partilhe, de forma alguma, a confiança no papel auto-regulador e socialmente benéfico da mão invisível keynesiana que ainda constitui a bandeira ideológica dos liberais dos nossos dias. (AF)


George SorosOs participantes racionais desempenham uma função dupla. Por um lado, procuram compreender a situação. Chamo a esta a função congnitiva. Por outro lado, tentam alterar a situação. Chamo a esta a função manipuladora. As duas funções produzem efeitos contrários e, em determinadas circunstâncias, podem interferir mutuamente. Chamo a esta a interferência reflexiva.


George Soros in Soros: Financial Crisis Stems from 'Super-Bubble',
publicado por NPR em 12 de Maio de 2008

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Quarta-feira, Abril 30, 2008

Ron Paul - O Capitalismo falhou?


Não sei o que o meu confrade descobriu neste artigo, que Marx não tivesse descrito - no plano dos factos, que não na orientação ideológica - já há quase 150 anos. Tratando-se de uma defesa aberta do Capitalismo, tem esse valor raro nos dias de hoje. O Autor dá notícia do confronto de que é palco o poder político, forçado a estabelecer equilíbrios precários face a relações de força dos diversos grupos de interesse em constante evolução. O resultado perece ser insatisfatório para todas as partes. Nota-se igualmente a nostalgia do Autor pelos tempos primordiais do Capitalismo, onde a divisa "Laissez faire, laisez passer" fazia sentido, a sua fase Liberal. O Liberalismo, como doutrina económica, foi esvaziado de sentido, não por acção dos revolucionários, antes pelo simples mecanismo de concentração financeira à escala mundial, quando ainda não havia terminado o Século XIX. No Século XX, os governos dos países capitalistas viram-se forçados a fazer bastantes concessões aos trabalhadores, muito pelo espectro do alastramento das revoluções socialistas, mesmo que estas tenham falhado noutros sentidos. Afastado temporariamente o papão do Comunismo, todos os avanços legais dos trabalhadores voltam a ser postos em causa. Daí resultou um revigoramento da expressão política do sistema capitalista, correctamente denominado por Neo-Liberalismo. Embora o Autor não use esta expressão, o seu texto contem as ideias essenciais desta corrente do pensamento. No ano de 2007, milhares de pequenos accionistas dos EUA viram-se desprovidos, de um dia para o outro, das suas modestas participações nos mercados financeiros. Simultâneamente, um punhado de grandes grupos financeiros viram os seus dividendos multiplicados numa medida que nem Cristo conseguiu com o seu milagre dos pães. O co-Autor da Teoria da Informação Assimétrica, Joseph Stiglitz, já havia chamado a atenção para o empacotamento pouco transparente dos produtos financeiros. É neste cenário que ocorre a discussão no Congresso dos EUA de que aqui damos notícia.
Sobre o Autor vale a pena referir que é uma das vozes mais críticas da Guerra do Iraque nos EUA, juntamente com Paul Craig Roberts, ambos do Partido Republicano.
(AF)




Ron PaulÉ hoje lugar comum e politicamente correcto culpar os chamados excessos do capitalismo pelos problemas económicos que enfrentamos, especialmente as fraudes da Bolsa (Wall Street), que dominam as notícias sobre os negócios. Os políticos ganharam alento para um dia de demagogia sobre a questão, ao mesmo tempo que se esqueceram, como era de esperar, de mencionar as fraudes e dôlos inscritas nas parlapatices orçamentais do governo federal - pelas quais são directamente responsáveis. Ao invés, forneceram à turba keynesiana que comanda os protestos uma oportunidade para atacar o mercado livre e ignorar a questão central do dinheiro.

De modo que voltamos a escutar a ladainha: "O Capitalismo falhou, precisamos de um controlo mais apertado sobre todo o mercado financeiro." Ninguém se interroga porque razão os milhares de milhões de dólares que já gastámos e as milhares de páginas de regulamentos que já foram escritas desde o último ataque maior ao capitalismo ocorrido em 1930 foram incapazes de evitar a fraude e o dôlo da Enron, da WorldCom ou da Global Crossing. Essa falha seguramente não poderá ser atribuída à escassez de regulamentos.

Notavelmente fora das referências fica o facto de todas as bolhas financeiras estarem prenhes de hiper-especulação, endividamentos, cupidez, fraudes, erros de avaliação de investimentos grosseiros, displicência dos analistas de mercado e dos investidores, dividendos gigantescos, crença no advento de uma nova era económica e, acima de tudo, expectativas desmesuradas.

Enquanto a bolha cresce, não se notam as queixas. O jogo da culpa só começa quando a bolha rebenta. Isto é especialmente certo no tempo da vitimização e feito em grande escala. Rapidamente se transforma numa questão filosófica, partidária, classista, geracional e mesmo racial. Ao se fugir ao reconhecimento das verdadeiras causas, as acusações apenas tornam mais difícil a resolução da crise e enfraquecem os princípios sobre os quais assentam a prosperidade e a liberdade.

Nixon teve razão ao afirmar: "Agora, somos todos keynesianos". Washington em peso declara que o excesso de capitalismo conduziu-nos ao ponto em que nos encontramos. Resta às centrais de planificação de Washington seleccionar o grupo de interesse que beneficiará da pretensa reforma que virá a seguir. Vários grupos de interesse se perfilam e pressionaram ferozmente, entre eles os investidores de Wall Street, as grandes corporações, o complexo militar-industrial, os bancos, os trabalhadores, os sindicatos, os lavradores, os políticos e todos os demais.

Porém, o que não se discute agora são as causas dos excessos, que se revelam neste momento a um ritmo avassalador. Reacção idêntica tiveram os políticos dos EUA em 1930, ao tentarem debelar os excessos que desembocaram na crise de 1929. Porque não compreenderam o problema na altura, a depressão prolongou-se. Estes erros permitiram que os problemas actuais se desenvolvessem com amplitude muito maior. Atendamos à falha no combate às causas da bolha dos anos de 1980, que levou a economia do Japão a arrastar-se desde então pelo nível do não-crescimento ou da recessão, com o seu mercado de acções a valer hoje um quarto do seu valor mais alto, atingido há 13 anos. Caso não sejamos cautelosos - e não fomos até agora - cometeremos os mesmos erros que acabarão por impedir a tomada das acções correctivas necessárias para reiniciar o novo ciclo de crescimento económico.

Em 1930 era muito popular encontrar entre os culpados da crise a cupidez do capitalismo, o padrão ouro, a falta de regulamentação e a falta de garantias estatais sobre os depósitos bancários. O homem de negócios foi o bode expiatório. Entre as mudanças então empreendidas está a institucionalização do Estado Providência/Desgraça. O crédito fácil tornou-se o bálsamo da política monetária, especialmente com Alan Greenspan, "o último Maestro". Hoje, apesar da presumível protecção destes programas de governo introduzidos no sistema, estamos numa trapalhada pior do que em qualquer outra altura. A bolha á maior, o estrondo prolonga-se por mais tempo e o preço do ouro foi deliberadamente escamoteado pelo sinal de alerta da situação económica que representava. A inflação da moeda prossegue a um ritmo nunca antes visto, num esforço desesperado para conter o valor das acções e o crescimento do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que se procura adiar as consequências que advirão inevitavelmente do crédito fácil. Isto é assim porque não queremos ver que a política actual está apenas a preparar o terreno para a gigantesca queda do valor do dólar. Todos a temem, porém, ninguém quer enfrentá-la.

A ignorância, aliada à não aceitação das restrições que o capitalismo e a saúde do mercado impõem quanto a certos excessos conduziram os nossos dirigentes actuais a rejeitar o Capitalismo e culpá-lo por todos os problemas com que nos deparamos. Caso esta falácia não seja corrigida e o Capitalismo continue a ser minado, a prosperidade gerada pelo mercado livre será destruida.

A corrupção e as práticas contabilísticas fraudulentas de muitas empresas tornam-se visíveis. Há os que nos pretendem fazer crer que isto é uma parte integrante do mercado livre do Capitalismo. Se tivermos, de facto, Capitalismo, não temos garantias de que em algum lugar não ocorram fraudes. Quando acontecem, devem ser tratadas pelas autoridades responsáveis pelo cumprimento da lei, e não pelos políticos do Congresso, que tiveram a sua chance de prevenir estes problemas e que, depois disso, tentam ainda politizar a questão, aproveitando o momento para promulgarem mais umas quantas regulamentações keynesianas inúteis.

O Capitalismo não deve ser condenado, pois já não temos Capitalismo. Um sistema capitalista presume moeda sólida, não papel-moeda manipulado por um banco central. O Capitalismo valoriza os contratos voluntários e as taxas de juro resultantes das poupanças, não créditos inventados por um banco central. Não é capitalista o sistema que está refém de normas incompreensíveis quanto a fusões, aquisições, venda de acções, assim como controlos salariais, controlos de preços, proteccionismo, subsídios às empresas, tratados internacionais de comércio, impostos complicados e punitivos sobre as empresas, contratos governamentais privilegiados com o complexo militar-industrial e uma política externa subordinada aos interesses das corporações e aos investimentos externos. Acrestemos a isto a gestão federal centralizadora e ruinosa para a agricultura, a educação, a saúde, os seguros, a banca e o bem-estar. Isto não é Capitalismo!

Condenar hoje o Capitalismo porque algo não vai bem não faz sentido. Não há provas de que o Capitalismo exista hoje. Estamos profundamente envolvidos num processo intervencionista-centralizado da economia que canalizam para as partes ligadas aos dois maiores partidos os maiores benefícios. Pode-se condenar a fraude e o sistema actual, porém, este deve ser chamado pelo seu nome próprio - inflacionismo keynesiano, intervencionismo e corporativismo.

O que não vem à baila é que a sucessão de bancarrotas a que assistimos, reveladora das distorções gritantes e das mentiras sustentadas durante anos de orgia especulativa, era previsível.

Em primeiro lugar, o Congresso deveria investigar as fraudes contabilísticas e as dívidas contraídas pelo Governo federal, muito em particular as que se relacionam com obrigações de pagamentos futuros como os da Segurança Social, bem como a forma como o sistema monetário destrói a riqueza. Estes problemas são mais graves que quaisquer outros apresentados pelas empresas e são da responsabilidade directa do Congresso. Além disso, é o conjunto de medidas impostas pelo governo e pelo sistema monetário que ele opera que contribui em maior escala para tudo quanto corre mal hoje na Wall Street. Onde possa ser encontrada fraude, aí encontramos um assunto de Estado e não um assunto federal a as autoridades estaduais podem perfeitamente fazer respeitar a lei sem qualquer ajuda do Congresso.

Em segundo lugar, conhecemos a razão porque ocorrem as bolhas financeiras, e também sabemos pela História que estão associadas normalmente à especulação, ao endividamento excessivo, à cobiça, à mentira e à vigarice. Estes problemas já foram abordados por um número respeitável de observadores, tais como os que se pronunciaram sobre a década de 1990, porém, as suas advertências foram ignoradas por uma razão determinada. Cada um estava empenhado em espetar mais um prego no caixão e ninguém se preocupava com isso; os que se lembravam da História foram sossegados pelo Presidente da Reserva Federal, que asseverava que desta vez estávamos perante a chegada de uma nova era. O crescimento da produtividade, disse, poderiam comportar tudo.

Mas sabemos agora que isto não é assim. As bolhas especulativas e tudo quanto assistimos são consequência dos montantes enormes de crédito fácil, produzidas a partir de uma magra porção de ar da Reserva Federal. Ficámos praticamente sem poupanças, que constituem um dos vectores mais poderosos do Capitalismo. A ilusão criada pelas taxas de juro prolongaram a bolha e todas as mazelas que dela provêm. Tal não é uma falha do Capitalismo. Estamos a enfrentar um sistema inflacionista e intervencionista que sempre produziu bolhas económicas que acabam da pior maneira.

Até à data, as estimativas feitas pela Administração, pelo Congresso e pela Reserva Federal constituem um mau presságio quanto ao nosso futuro económico. Tudo quanto oferecem é mais do mesmo, o que pode não ser de grande ajuda. Tudo quanto fazem é conduzir-nos para a beira da bancarrota nacional, um dólar drasticamente mais fraco e um padrão de vida mais baixo para a maior parte dos americanos, acompanhado de menos liberdade para todos.

Este é um mau cenário que não tem razão de existir. Mas a preservação do nosso sistema é impossível se for permitido aos críticos culpar o Capitalismo e se as políticas monetárias consistentes forem rejeitadas. Mais gastos, maior dívida, mais créditos baratos, maior distorção das taxas de juro, mais regulamentações para tudo e mais intervenções bélicas externas cedo nos levarão à indesejável posição de termos que decidir o destino de todo o nosso sistema político.

Se estivermos entre aqueles que escolheram a liberdade e o capitalismo, deveremos procurar restaurar a equivalência do dólar a alguma mercadoria ou ao padrão ouro. As despesas federais devem ser reduzidas, as taxas de importação também e abolidos todos os impostos incidentes sobre as poupanças, os dividendos e os ganhos de capital. As regulações devem ser reduzidas, os subsídios especias eliminados assim como as medidas legais proteccionistas. A nossa política externa deveria mudar e as nossas tropas deveriam regressar a casa.

Não podemos depender do governo para restaurar a confiança nos mercados; só pessoas de confiança podem conseguir isso. Actualmente, a falta de confiança nos executivos da Wall Street é saudável porque eles merecem-na e as precauções são legítimas. Da mesma falta de confiança gozam os políticos, podendo os métodos orçamentais e o sistema monetário servir de incentivo saudável às reformas de governo de que carecemos.

Os mercados regulam-se melhor que os governos. Os regulamentos governamentais que nos protegem apenas contribuem para alimentar a mentalidade da bolha.

Estas medidas conduziriam ao restabelecimento de um clima favorável à libertação de energias criadoras que iriam ao encontro dos interesse dos consumidores, o que está na essencia do capitalismo. O sistema que apenas alimenta a emancebia entre as corporações e o governo conducentes ao actual desastre seria afastado.

O Capitalismo não nos oferece a crise de confiança que actualmente afecta o mundo dos negócios privados. A ausência de mercado livre e de uma moeda forte sim. O Congresso tem um papel a desempenhar, mas não é pro-activo. O papel do Congresso é ficar de fora.

O Dr Ron Paul é um membro republicano do Congresso dos EUA pelo Estado do Texas e candidato presidencial em 2008. Pode ser contactado por correio electrónico. Aceita comentários no seu blog. Este artigo é um excerto da primeira parte da obra Pillars of Prosperity.



Ron Paul in Has Capitalism Failed?
publicado por Ludwig von Mises Institute em 16 de Abril de 2008

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Alemanha - Combate aos paraísos fiscais

Paraísos fiscais

A Alemanha tem menos disponibilidades monetárias devido aos paraísos fiscais tais como o Liechenstein.
Os responsáveis alemães estão a pressionar o Liechtenstein a adoptar uma política fiscal mais transparente, enquanto decorre uma investigação em larga escala ao destino de dinheiros de alemães alegadamente escondidos neste paraíso fiscal dos Alpes.
Queremos declarar a guerra aos paraísos fiscais na Europa.
declarou Peer Steinbrueck, o ministro alemão das finanças, na edição de domingo do jornal de grande circulação, o Bild.
A queda de Klaus Zumwinkel - o prestigiado gestor da Deutsche Post e um dos homens de negócios mais conhecidos - assim como a revelação de que ele e outros homens prósperos na Alemanha estariam a usar o Liechtenstein para ocultar as suas receitas, causou uma onda de furor.
Peer Steinbrueck não mede as palavras quando se refere à evasão fiscal.

in Germany Wants Broader Tax-Haven Crackdown in Europe
publicado pelo Deutsche Welle a 23 de Fevereiro de 2008

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Quinta-feira, Janeiro 24, 2008

Société Generale - Trapaça gigantesca

Societe Generale

O Banco francês Société Generale anunciou ter descoberto uma fraude gigantesca, provocada por um trapaceiro, de que resultou um prejuízo de 4,9 mil milhões de euros.

O banco acrescentou que a fraude se baseou em transacções simples, mas foi oculta por meio de tecnicas diversificadas e sofisticadas.

Também anunciou novos prejuízos de 2,05 mil milhões de euros devido à crise dos créditos de alto risco dos Estados Unidos.

As acções do banco, que foram suspensas durante a manhã, sofreram uma queda de 3,6% quando voltaram a ser negociadas.

A Société Generale esclareceu que um traficante cometeu o que foi designado por posições fraudulentas de grande envergadura durante os anos de 2007 e 2008, ultrapassando a sua competência.

A fraude é uma réplica extraordinária de uma outra cometida pelo trapaceiro Nick Leeson, que levou ao colapso do banco Barings em 1995, disse o correspondente da BBC para a área de negócios Nils Blythe.

Só que os prejuízos descobertos pelos patrões do Barings ascenderam apenas a 1600 milhões de euros ou seja, cerca de um quarto daquilo que perdeu a Société Generale.

Negócio secreto

O banco, um dos maiores de França, precisa de novos capitais no valor de 5,5 mil milhões de euros para se recompor do prejuízo.

Mas garantiu que, ainda assim, terá um lucro de 600 e 800 milhões de euros em 2007, apesar do rombo na sua folha de balanço.

O banco acrescentou que o negociante possuía conhecimentos profundos dos procedimentos de controlo, adquiridos durante uma antiga posição que deteve num departamento bancário.

As transacções fraudulentas eram simples - incidindo sobre subidas de acções - mas camifladas por técnicas extremamente diversificadas e sofisticadas, disse o director executivo Daniel Bouton num carta dirigida aos clientes do banco.

O banco acrescentou que o traficante confessou a fraude e foi demitido. Os seus chefes abandonarão também o banco.

Lamento mas não compro a ideia de que um traficante possa empreender um 'negócio secreto' de 4,9 mil milhões de euros sem que alguém seja capaz de o descobrir, disse Ion-Marc Valhi do banco Amas.

Frederic Hamm, fundador do Agilis Gestion, crê que a fraude tem impacto na reputação do banco.

O Sr Bouton colocou o lugar à disposição, mas a administração rejeitou o pedido de demissão.

Richard Fuld, presidente do Lehman Brothers, disse ao correspondente da BBC em Davos que nada me espanta, nada me surpreende verdadeiramente nos dias que passam.

Acontecimento sem precedentes

Os prejuízos do banco afectaram gravemente os ganhos em 2007.

A companhia irá apresentar os resultados a 21 de Fevereiro próximo, tendo já anunciado que espera um lucro entre 600 a 800 milhões de euros.

As acções da Société Generale caíram 50% nos últimos seis meses.

A Société Generale irá também aumentar o capital em 5,5 mil milhões de euros para reforçar o seu activo.

Entretanto, outro banco francês, o BNP Parisbas disse que não detectou perdas que justificassem qualquer alerta para o mercado.

Gilles Glicenstein, director executivo do BNP Paribas, deixou entender que faltam peças de informação para se compreender o que se passou na Sociéé Generale.

Dada a amplitude da fraude, deve haver uma explicação complexa ... para a Société Generale, isto é um acontecimento sem precedentes, acrescentou.

O Sr Glicenstein disse também que estas não eram boas notícias para os bancos em geral, pois podem lançar dúvidas.

Noutros tempos, este tipo de notícias era escondido, porém hoje há uma tendência para revelar tudo e talvez seja revelando tudo que se consiga refazer a confiança, disse.

O primeiro-ministro francês, Francois Fillon, disse que a Société Generale tomou medida sérias para lidar com a situação.

Reparei que o Banco de Fraça informou que não há razão para nos preocuparmos com a saúde da Société Generale e estou satisfeito com isso, acrescentou.

Fonte: Rogue trader to cost SocGen $7bn,
publicado por BBC News em 24 de Janeiro de 2008

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Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Já é dono do seu banco?

Provavelmente é num certo sentido, embora não saiba.

É sabido: o ganho é proporcional ao risco. Quanto maior o risco assumido, mais rentável o investimento.

SIC Notícias, Jornal das nove (21H00) de hoje: desta vez deixei passar o nome do convidado de Mário Crespo, um economista que falou como poucos.

Eis o aspecto que mais me chamou a atenção: a indexação do crédito hipotecário à taxa do Euribor é uma prática da banca portuguesa, que não serve de exemplo para os demais países europeus.
A taxa do Euribor é uma taxa de risco. A sua utilização no crédito para aquisição de casa própria representa a transferência para os clientes do risco que os bancos incorrem nas suas aplicações financeiras. Esses riscos deveriam estar reservados aos accionistas e credores do banco. Partilhando os portugueses - enquanto clientes - desses riscos, ganha uma realidade surpreendente o mote do anúncio do Montepio Geral. Eis mais uma falha grave a constar no cadastro já pesado de Vitor Constâncio, formalmente exercendo o papel de regulador do sector. Eis mais uma lacuna legal altamente explorada a favor dos accionistas em geral e em detrimento de todos os que vivem do seu trabalho. Mais uma prática tipicamente terceiro-mundista.

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Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

Delfim Sousa - O tabu sobre o BCP

Recebido por email



É estranho o manto de silêncio, o tabu, sobre a provável e principal razão que envolve o interesse súbito de «todo o mundo» sobre o Banco Comercial Português: a possível transferência para a Segurança Social do fundo de pensões dos colaboradores do Banco avaliado em cerca de quatro mil milhões de euros.

Esta transferência, a concretizar-se, será contabilizada como receita extraordinária da Segurança Social neste ano 2008 e controlará o défice do Estado satisfatoriamente. Esta solução que estará na mira do Governo Sócrates (sem dúvidas), já foi testada pelo Governo de Guterres (com a transferência do fundo de pensões do BNU, realizado pelo ex-ministro Sousa Franco) e pelo Governo de Santana Lopes, para controlar o défice e cumprir os valores limite fixados pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento. Assim, no ano de 2004, o ex-ministro das Finanças Bagão Félix transferiu fundos de pensões de empresas públicas (entre outros, o Fundo da Caixa Geral de Depósitos) para a Caixa Geral de Aposentações, conseguindo um encaixe financeiro de cerca de 1,9 mil milhões de euros (segundo foi noticiado).

Estamos, na verdade, no cerne das negociações das cadeiras na Administração do BCP! Isto é, poderá o PS garantir um perfeito e tranquilo sucesso orçamental no Ano 2008, com uma total concordância do maior partido da oposição (?), tendo em vista o ano de eleições de 2009? Mas, é bom recordar e não esquecer (PS e PSD) o parecer do Tribunal de Contas sobre este tipo de operações:
"O impacto directo sobre as finanças públicas, que se projectará por um período longo, resultante das transferências referidas, tem um efeito positivo sobre as receitas do Estado no ano em que ocorreram, mas têm um efeito inverso nos anos posteriores, uma vez que as receitas não serão suficientes para suportar o valor das despesas".
Neste cenário, bem descrito pelo Tribunal de Contas, afirmamos que não se augura nada de bom para os reformados e trabalhadores no activo com a transferência do Fundo de Pensões para o Estado. Denunciamos a apatia e a ingenuidade dos Sindicatos e da Comissão de Trabalhadores do BCP em não verem e não perceberem o fundo real da situação. Ou, será que querem ver e perceber? Porque será que não defendem os legítimos interesses dos trabalhadores com absoluta firmeza e determinação?

O Accionista mediático do BCP, Joe Berardo, o homem que «Sabe Tudo», que no seu apostolado de criticas e denúncias emite opiniões diversas, ainda não se pronunciou sobre esta matéria? Ou, será que sabe e não quer dizer? Ou, sabe mesmo da medida desejada pelo Governo de Sócrates?

O Senhor Joe Berardo não é seguramente um «capitalista do povo», como quer fazer passar na imagem que vende. Pelo contrário, Berardo defende unicamente o seu dinheiro, os seus investimentos e o Fundo de Pensões representa uma responsabilidade para o Banco que quer ver eliminada, ou antes, transferida para o Estado.

Finalmente, independentemente dos respeitáveis nomes que são apontados como candidatos às cadeiras do Conselho de Administração Executivo do BCP, os accionistas, os clientes, os colaboradores do Banco, gostavam de saber da voz dos Candidatos a Presidente, nos próximos dias que antecedem a Assembleia Geral, quais são os modelos e as orientações que pretendem imprimir na organização, se vão seguir a política das fusões, se vão continuar o Programa em marcha “Millennium 2010”, etc. Ou seja, Os Curriculum Vitae de Santos Ferreira e Miguel Cadilhe são inquestionáveis, mas urge sentir e reflectir as linhas orientadoras de liderança que sustentam as suas candidaturas.

Até agora vivemos no campo vago da dança dos nomes. Historicamente, o Banco Comercial Português sempre nos habituou à excelência na liderança e à clareza sólida dos objectivos a atingir. Por esta via, se atingiu o patamar de importância que o BCP hoje ocupa no sistema financeiro português.

DELFIM SOUSA

Accionista, Ex-Quadro do BCP, Ex-Sindicalista, Ex-Membro da Comissão de Trabalhadores do BCP

delfimsousa1@netcabo.pt

Telemóvel: 91 635 90 54

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Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Alan Greenspan - Descartar os sinais precoces

Até a Reserva Federal já põe limites às liberdades da banca...(AF)

2007 subprime
(clicar para ver o gráfico todo)

in Edmund L. Andrews,
Fed Shrugged as Subprime Crisis Spread,
publicado por The New York Times Logo em 18 de Dezembro de 2007

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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Yves Smith - Liquidez e inflacção

Notas de banco

Andy Xie, que foi economista-chefe da Morgan Stanley até ao ano passado (aparentemente, tornou-se impopular por ser demasiado cândido para com Singapura), criticou sem rebuços a decisão tomada na semana passada pelos bancos centrais sobre uma nova infusão de liquidez, no artigo do Financial Times intitulado "É tempo de os bancos centrais pararem de salvar os nossos mercados".

A conclusão de Xie é a de que a crise foi provocada por uma intervenção especulativa: salvar os irresponsáveis apenas os encoraja a prosseguir as suas acções. Também se referiu ao medo das autoridades pela recessão, que teria o salutar efeito de apertar a multidão. Não sendo estes comentários uma novidade especial, à parte o reconhecimento de que a acção dos bancos centrais está a alimentar a crise inflaccionária, são eloquentes e sugestivos.

É de notar que alguns comentadores classificaram como menor a intervenção da Federal Reserve (FED - banco central dos Estados Unidos da América); a Brad DeLong observou a propósito que o último movimento foi precedido de um disparo dramático do ritmo de atribuição de fundos pelo FED.
(Yves Smith)



Do Financial Times:
A bolha do crédito global está a estoirar. Esta bolha é alimentada, em primeira instância, pela aplicação de fundos próprios em operações financeiras nominalmente de alto rendimento associado ao risco elevado. Os responsáveis pelo que aconteceu jogaram com o dinheiro de outrem, negociaram produtos financeiros arcanos por meio de falsas promessas de lucros chorudos, mas encheram os seus bolsos com bons prémios. Nem estes mestres do universo, nem os seus ávidos e ingénuos investidores merecem ser salvos. Merecem tudo o que lhes aconteceu.

Os banco centrais partilham igual responsabilidade na situação que se criou. Depois do 11 de Setembro de 2001, os bancos centrais reduziram drasticamente as taxas de juro, proporcionando dinheiro barato para fazer crescer a bolha. Não deveriam inundar novamente o mundo com liquidez para suster esta bolha e criar a próxima. Os bancos centrais deveriam concentrar-se na estabilidade dos preços e promover liquidez apenas suficiente para conter a escalada dos efeitos na economia devidos à explosão da bolha.

Tampouco deveriam os bancos tentar evitar a recessão a qualquer preço. Os ciclos de negócios não são maus. Aos tempos altos devem seguir-se os baixos. A última fase de crescimento durou demasiado devido ao efeito de estímulo da bolha. Após quatro anos de uma taxa de crescimento global de 5%, uma recessão moderada é um pequeno preço a pagar. Se, em resposta à crise actual, os bancos centrais estimularem a bolha a crescer novamente, os actos irreflectidos na economia global agravar-se-ão e tornar-se-ão mais penosas as medidas correctivas.

Nos últimos cinco anos, a bolsa de Nova York (Wall Street) mudou radicalmente e, porventura, não para melhor. O colapso das agências promotoras de negócios obrigou os bancos a apostar os seus activos para conseguir receitas, vendendo produtos combinados de "altas margens" aos seus clientes. A sua ânsia de vender produtos novos e mal compreendidos, tais como derivados de hipotecas sub-prime, é um factor preponderante na génese da crise actual. Com já aconteceu na crise dos anos de 1980, a Wall Street arrisca-se a ser processada legalmente nos próximos anos.

As agências de classificação do risco de crédito partilham a culpa. Forneceram indicadores de alta segurança aos derivados das hipotecas de casas baseados na longevidade das prestações cobradas. Infelizmente, o comportamento do conjunto dos devedores depende de condições macro-económicas. Logo que os preços das casas desceram significativamente, as prestações dos empréstimos tenderam a descer e a longevidade deixou de valer grande coisa. Como em crises anteriores, as avaliadoras do risco de crédito comportaram-se como negociantes de ocasião. As análises de risco são supostas servir de guia aos investimentos em maus tempos, não para serem aplicadas quando a situação se torna crispada.

O inchaço dos fundos industriais são igualmente culpados. Quando estes fundos se tornaram enormes, os gestores concentraram-se nos 2% dos seus salários em vez de participarem nos investimentos produtivos. Assim, trataram de arrecadar activos super-promissores.
Enquanto não chegar a hora da verdade, poderão reportar os lucros que entenderem. Quando isso acontecer, não conseguirão vender o que têm e ainda terão que recusar o resgate.

Se os bancos centrais tentarem salvar Wall Street, provocarão uma inflacção alta durante anos. O efeito inflaccionário de uma política despesista no passado foi compensada pelo efeito deflaccionário da globalização. Agora a China e outros países em vias de desenvolvimento já sofrem uma inflacção alta e em crecimento. Dinheiro mal gasto irá directamente para a inflacção. O círculo vicioso da espiral de salários e preços de 1970 não regressará enquanto o trabalho e o capital acreditarem no poder dos bancos centrais em conter a inflacção. Se isso for descurado para salvar a Wall Street, essa confiança pode ser desperdiçada. A espiral de salários e preços que se seguiria poderia arruinar a economia global por anos.

Esta é uma oportunidade de os bancos centrais restabelecerem a sua credibilidade. Os mercados tomaram mais riscos que deveriam, porque contaram que os bancos centrais os salvariam em tempos de crise, como agora. A declaração de Alan Greenspan, ex-presidente do FED, de inundar o mercado com liquidez em períodos de instabilidade financeira está na origem desta crença que "o banco central põe". Enquanto esta espectatitiva existir, as bolhas financeiras reaparecerão. Agora é tempo de agir. Deixemos os torpes ir para a bancarrota. Os bancos centrais deveriam enterrar de boa mente o "põe" de Greenspan.


in Andy Xie Criticizes Central Bank Liquidity Infusion
publicado por naked capitalism em 14 de Agosto de 2007

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Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Em nome de Portugal

Exijo o conhecimento e o reconhecimento público da História nacional, desde o início do século XX e até aos nossos dias. Já não é admissível que, em nome de uma dogmática perpétuamente transitória, de cariz supostamente anti-fascista e alegadamente anti-colonialista, se procure eternizar a superioridade dos políticos actuais e das políticas contemporâneas sobre os titulares políticos do passado e a sua condução das políticas nacionais e internacionais.
Os orgulhosos republicanos de hoje, que acusaram o regime anterior ao 25/4 de intransigência no reconhecimento do direito à independência das antigas colónias, erguem ao altar os garbosos republicanos de ontem, que acusaram a monarquia de ceder aos britânicos os territórios do mapa cor-de-rosa.
Os nossos políticos cor-de-rosa, que não sabem esgrimir as suas virtudes sem ser a trocar acusações à volta do défice, que não sabem governar uma câmara sem ser a pedir empréstimos para pagar empréstimos, preferem chamar nomes aos políticos do passado, do que estudar e aplicar a maneira como eles conseguiram sanear as contas públicas, credibilizar a economia e impor a moeda nacional a nível externo.
E tudo isso sem enganar ninguém: não prometeram a liberdade, mas ofereceram a segurança, que era o que as populações desejavam acima de tudo o resto. Hoje, promete-se a liberdade, e tira-se a segurança. Antigamente não havia eleições, mas hoje em dia as populações não só se recusam a exercer o seu direito de voto, como ainda invocam essa recusa como a única maneira que lhes resta para tentar colocar os políticos na ordem.

Em nome de Portugal, abandone-se de uma vez por todas, o estigma ridículo do regresso ao passado, e estude-se sem preconceitos, tudo o que de melhor e de pior ocorreu no século XX, independentemente dos titulares dos cargos públicos.
Porque feitas as contas, nenhum dos políticos que temos agora, conseguiu vencer o défice das contas públicas como aquele que é mais atacado por todos eles, e sem recorrer a qualquer ajuda externa.

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Sábado, Julho 07, 2007

Sport Lisboa e Benfica - Perguntas idiotas

Benfica

Será que, por estas bandas, ainda alguém ignora que a colocação de uma instituição em bolsa é o exacto equivalente de colocar um produto na montra? De que se queixam, se alguém se aproximar com vontade de comprar? Fere o bairrismo, se fôr chinês? Desde quando tem pátria, o capital?

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