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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

A Deseducação

O Ministério da Educação pratica nas escolas do ensino público, uma política social que é contrária à educação que paga aos professores para ministrar.
Nas escolas públicas, não deveria ser permitido "oferecer" aos alunos, nem sequer um pacote de leite, sem que o mesmo fosse pago no interior do recinto escolar.
Se o ME pretende alargar a assistência social à população escolar, o que deveria fazer era sujeitar todos os bens a pagamento, e destinar um outro recinto, fora das instalações escolares, para proceder ao reembolso dos fornecimentos que fossem sujeitos a assistência social.
Porque desta forma, o que o ME anda a fazer é transmitir aos alunos, que neste mundo tudo é de graça, desde o pacote de leite ao computador, e mesmo que ninguém o afirme, a ideia que fica no aluno é que, se tudo é grátis, afinal para que é que serve o canudo?
Porque carga de água é que o canudo também não há-de ser grátis?
Se as cantinas escolares não podem fornecer bebidas alcoólicas, penso que é mais nocivo para a educação, "dar" um lápis que seja ao aluno, do que vender-lhe bebidas alcoólicas ou tabaco.
O aluno que nunca pagou, nem nunca viu pagar nada, não se encontra em condições de ser lançado para a vida pública, uma vez concluído o ensino obrigatório.
Na escala de valores que lhes foi imposta, é natural que considerem mais criminoso reclamar o pagamento de um bem, do que assaltar a carteira duma velhinha na rua.
E para cúmulo da hipocrisia, ainda se atrevem a falar em educação sexual...
Quanto aos professores, esses é que são os verdadeiros coitadinhos, porque são os únicos que ficam a cultivar os valores do esforço, do mérito, da troca, do pagamento, contra tudo aquilo que os alunos vêem à sua volta.

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Segunda-feira, Dezembro 17, 2007

Nós e as crianças

Ensinar uma criança é um desafio monumental.
Educá-la é um trabalho desmedido.
É necessário adaptarmo-nos a ela, pensar e observar o mundo como ela o vê, para conseguirmos perceber a sua realidade. Só assim conseguiremos compreender algo das suas atitudes, entender as suas dúvidas, viver os seus medos.
É tão difícil que muitas pessoas com crianças à sua guarda desistem e deixam simplesmente que as situações vão acontecendo, ora vendo-as como meros espectadores ora reagindo bruscamente porque não as preveniram ou previram.
Para evitar isso é preciso estudar, falar com outros que experienciam problemas semelhantes, não se isolar e dar amor, muito amor.

Uma criança desde o berço precisa do contacto de pele para se desenvolver equilibradamente. Conheço mulheres que evitaram esse contacto íntimo que só uma mãe sabe dar. Mais tarde, os adultos que se formarem saberão utilizar essa doacção e transmiti-la à geração seguinte.

Educar é saber perdoar também mesmo quando não se entendem as motivações de determinados actos.
É ser-se firme mesmo que custe; é negar oportunamente e não porque não nos apetece explicar ou simplesmente por posição de retaliação.

Ter crianças como "suas" é para toda a vida, não é para "experimentar".

Muitos pais estão extenuados quando, no fim de um dia de trabalho, chegam a casa. Só pensam em repôr forças e, vezes sem conta, põem os filhos a jogar computador ou a ver televisão para não incomodarem nas tarefas domésticas.
Corajosos são aqueles que, quase na exaustão, se organizam e, enquanto um faz os ditos trabalhos, o outro ensina, brincando com os seus filhos também. Outro modo de agir poderá ser envolvê-los no grupo distribuindo-lhes pequenos trabalhos, não perigosos. Mesmo que eles desarrumem e pouco resulte da sua actividade estão a desenvolver-se e para a próxima estarão mais aptos.

As crianças não são pequenos adultos. Muitos pais vêem-nas como tal e exigem-lhes comportamentos desajustados. A estrutura mental de uma criança vai-se formando por etapas, como se se estivesse a construir uma escada. Se os degraus de baixo não estiverem firmes será um ser desajustado que vai encontrar mais tarde muitas dificuldades de integração e mesmo de desenvolvimento. Se muitas conseguem ultrapassar esses desequilíbrios, outras não. E há tantos, tantos mas tantos adolescentes desajustados!
E cada um de nós, cada pai, cada mãe, cada professor, pode estender a mão e dizer:"diz-me o que se passa que eu oiço".

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