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Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Fátima Inácio Gomes versus Pedro Duarte

Pedro Duarte
A postura do PSD em todo este processo permitiu grandes avanços e mudanças no sistema educativo.

Com a aprovação do Projecto do PSD acabará a divisão na carreira e o actual modelo de avaliação dos professores, em 30 dias.

Creio que este contributo do PSD vai ao encontro das expectativas da generalidade dos professores.



Estamos, hoje, numa situação em que podemos ir bem mais além do que uma mera suspensão que criaria uma situação de impasse de consequências imprevisíveis nas escolas,

De resto, a suspensão imediata do processo (do 1º ciclo avaliativo, como é proposto pelos outros partidos da oposição), nesta fase, poderia prejudicar severamente os docentes, em matéria, por exemplo, de progressão na carreira. Não é esse o objectivo do PSD.



Move-nos a estabilidade nas escolas, a dignificação dos professores e a qualidade de ensino.

Cumprimentos



Pedro Duarte






Fátima Inácio GomesSou professora titular da Escola Secundária de Barcelos. Sou também Adjunta da Direcção desta Escola. Interpelo-vos para manifestar a grande inquietação com que acompanho a acção do vosso partido. Não me prendo com particularidades ditas "semânticas" (apesar de ser professora de Português), se bem que é completamente diferente, no campo jurídico e não apenas semântico, falar-se de "suspensão" e de "substituição". No vosso programa eleitoral, que acreditava não ser meramente eleitoralista, reafirmavam a proposta da "suspensão imediata". Não votei PSD (outrora, fui votante PS). Contudo, são muitos os meus colegas que, sendo habituais votantes do PS (alguns deles, até, militantes) votaram no PSD acreditando que seria o único partido a poder fazer frente ao Governo - acreditaram naquilo que muitos designaram de "voto útil". Todos se sentem defraudados.

Da minha parte, entendendo que deve haver capacidade de diálogo, até dou de barato essa questão "terminológica". O vosso Projecto tem muitos pontos positivos. Preocupa-me sim que, e escrevo ainda antes da votação na Assembleia, passando o vosso projecto de resolução, como prevejo, embarquem numa profunda injustiça com todos os professores, mascarada de boas intenções (e excuso-me de lembrar o velho ditado) e refiro-me, especificamente, ao ponto três. Diz nesse ponto que devem ser criadas "condições para que do 1º ciclo de avaliação não resultem penalizações aos professores, designadamente para efeitos de progressão na carreira".

O meu apelo, em jeito de indagação, prende-se com o seguinte: não bastará não penalizar os professores que não entregaram objectivos, ou aqueles a quem uma Direcção/Executivo mais seguidista impediu de apresentar a sua auto-avaliação. Será igualmente imperioso que não se distinga o "mérito" de alguns (com Muito Bons e Excelentes) com base num modelo que já nem pode ser tido como tal, quando sofreu inúmeras mutilações e descaracterizações. Um modelo simplex, vergonhoso e simplista, a que muitos professores com mérito reconhecido nas suas escolas não se sujeitaram, pois tiveram a coragem e a decência moral de colocar o interesse de todos sobre o seu particular no combate a um modelo iníquo. Não fará qualquer sentido que se distingam professores com base num modelo que se reconhece ineficaz e injusto a ponto de o substituir. Se assim acontecer, estarão a prejudicar muitos outros professores que, legitimamente, conscientemente e com elevado sentido democrático, lutaram contra a prepotência de um governo maioritário que não reconhecia a aberração que criara.

Ainda não é tarde, caros senhores.

Com os melhores cumprimentos,

Fátima Inácio Gomes

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Segunda-feira, Maio 18, 2009

Carta aberta à ministra da Educação - Santana Castilho

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In Publico - Não sinto necessidade de comentar. Concordo, Professor Castilho!

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Segunda-feira, Março 23, 2009

Educação - uma opinião de Santana Castilho

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Quarta-feira, Março 18, 2009

Presidentes dos Conselhos Executivos

Reunião de presidentes dos Conselhos Executivos das escolas

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Sexta-feira, Março 13, 2009

João Oliveira - Declaração sobre a educação

João Oliveira


Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

Decididamente, com este Governo e esta maioria PS não é possível uma educação melhor!

Para enumerar todos os prejuízos causados nos últimos quatro anos a escolas, alunos, professores e outros profissionais seriam necessários bem mais que os seis minutos desta declaração política.

E não nos referimos aos enredos de cordel em torno do Magalhães, de quadros interactivos pomposamente inaugurados que não funcionam, da banda larga ou da internet sem fios que em muitos casos continuam a ser apenas verbos de encher ou que significaram verdadeiras fraudes para muitos milhares de portugueses.

No fim de contas, isso serão apenas episódios que ficam para a história de um Governo que, cego pela sua própria propaganda, fez da educação um substantivo eventualmente vistoso na aparência mas cada vez mais vazio de conteúdo.

Aquilo de que queremos hoje falar é de um sistema educativo subjugado a um demolidor objectivo de produção estatística, arredado de propósitos democráticos e progressistas de formação integral de indivíduos capazes de crítica e criativamente interpretar e transformar a realidade que os rodeia.

Queremos falar das crianças e jovens a quem tudo é facilitado e permitido quando se trata de cumprir metas estatísticas mas que já não estão autorizados a contestar as políticas do Governo ou têm que se sujeitar à vídeo-vigilância dos seus movimentos dentro do espaço escolar.

Queremos falar de escolas enredadas numa teia burocrática, ora obrigadas a cumprir a lei, ora compelidas pelo Governo a cometer ilegalidades.

Aquilo em que insistimos hoje falar é nos professores desmotivados pelas condições de trabalho que têm que enfrentar.

Professores difamados e ofendidos na sua dignidade profissional por um Governo que ainda não desistiu de vergar toda a classe profissional aos pés da omnipotente e omnisciente equipa ministerial.

Professores que em funções de gestão ou no exercício da docência enfrentam o dia-a-dia nas escolas com “muito Xanax”, como recentemente afirmou nesta Assembleia uma presidente de um Conselho Executivo.

Professores que, apesar da dimensão da ofensiva que enfrentam, não estão dispostos a capitular e continuam a lutar pela dignificação da sua profissão e da Escola Pública, por um sistema educativo ao serviço do desenvolvimento do país.

Querendo falar de tudo isto não podemos ignorar o Governo que, teimosamente, insiste no agravamento das políticas que deram origem ao desastre educativo a que o país hoje assiste.

Tal como não podemos ignorar a maioria parlamentar que, por ser absoluta, legitima toda e qualquer medida governativa sem atender aos argumentos de quem a contesta nem aos efeitos que ela possa produzir.

Na passada terça-feira, o Ministério da Educação voltou a fazer das suas.

Questionada pela Comissão Parlamentar de Educação sobre os efeitos que teria para os professores a não entrega dos objectivos individuais, a Ministra da Educação remeteu à Assembleia uma resposta pouco convincente mas bastante clara.

Sendo pouco convincente quanto à interpretação das normas legais que ainda restam do defunto modelo de avaliação, a resposta do Ministério é bastante clara quanto ao conteúdo da ameaça que deixa aos professores portugueses.

O Secretário de Estado Jorge Pedreira já tinha avisado que se os professores insistissem na greve de 19 de Janeiro sofreriam as devidas consequências e a resposta enviada à comissão parlamentar aí está para o confirmar.

Perante uma greve que atingiu os 90%, perante a determinada luta de dezenas de milhar de professores que recusam entregar os objectivos individuais exigidos pelo injusto modelo de avaliação, o Ministério da Educação ameaça agora “malhar” com efeitos na progressão e acesso à carreira e também na graduação e ordenação dos candidatos no âmbito do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente.

Aliás, também a respeito deste concurso a situação criada pelo Governo é vergonhosa, inaceitável e gravemente lesiva dos direitos dos professores e do sistema educativo.

Enquanto a propaganda do Governo informa que no concurso que se inicia amanhã há 20.600 vagas disponíveis, a dura realidade é a de um despedimento massivo de professores, de mais precariedade e piores condições para o exercício da docência.

Com este concurso, o Governo empurra para fora dos quadros cerca de 15 mil professores dos Quadros de Zona Pedagógica, prevendo mesmo já que 5 mil fiquem sem colocação.

Dos mais de 20 mil professores contratados, o Governo anuncia a integração nos quadros de apenas 2600, podendo mesmo isto não vir a acontecer caso se confirme a anulação dos milhares de vagas negativas hoje existentes. Desta forma irá o Governo remeter para o desemprego docentes com muitos anos de serviço que continuam precariamente contratados, sem direitos nem estabilidade mas a contribuir decisivamente para a poupança de custos do Ministério.

Há situações de professores contratados que auferem salários inferiores em mil euros ao salário que receberiam se estivessem nos quadros. É por isto que o Governo procura perpetuar a contratação e aponta já para o futuro o fim do concurso nacional de recrutamento, para que passem a ser as escolas a fazê-lo directamente.



Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

A desastrosa realidade em que se encontra o sistema educativo português é a prova evidente do completo fracasso desta política educativa e da derrota dos seus protagonistas.

É a prova da derrota deste Governo e desta maioria absoluta que, ao longo da legislatura, fugiram ao debate e ao confronto democráticos.

Foi com esta maioria absoluta que ficámos a saber que quem se mete com o PS leva ou, o que é dizer o mesmo, que o PS gosta de malhar em quem se lhe opõe.

É também contra esta arrogância e prepotência que a justa luta dos professores portugueses há-de vencer, a bem do sistema educativo consagrado na Constituição democrática do Portugal de Abril.

Disse.


João Oliveira, Declaração Política sobre Educação, 12 de Março de 2009

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Quinta-feira, Fevereiro 12, 2009

Maria José Nogueira Pinto - Infâncias infelizes

Maria José Nogueira PintoA Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) apresentou ao Ministério da Educação uma proposta para as escolas do 1.º ciclo do ensino básico funcionarem entre as sete da manhã e as sete da tarde. Uma proposta radical que encerra em si própria a alteração do sentido último da escola e o sentido último da família. Algo que, tendo estado desde há muito subjacente a toda a discussão em torno do modelo de sistema educativo, modelo de escola e objectivos do ensino, surge agora claramente como um facto assumido, não já uma circunstância mas um dado adquirido, o de uma parentalidade em part-time.

Sabemos que muitos pais têm de depositar os seus filhos na escola durante 12 horas porque precisam dessas 12 horas para trabalharem - duplo emprego, biscates, o que seja - único modo de fazer face às necessidades do seu agregado. Mas também sabemos que uma criança confinada a um mesmo espaço durante 12 horas, um espaço que não é a sua casa, o seu habitat, provavelmente não se construirá feliz e equilibrada. Há pois, aqui, um conflito, que nem sequer é novo, e uma proposta, essa sim nova, dos pais, de que seja resolvido a favor de um modelo laboral e social profundamente errado e em desfavor dos filhos.

Os chamados ATL, actividades de tempos livres realizadas fora da escola mas em local adequado para o efeito, já existem há muito em Portugal como uma resposta social para aquelas famílias, que são confrontadas, na sua luta pela sobrevivência, com o dilema de pôr em risco ou o sustento dos filhos ou os próprios filhos. Com esta proposta da Confap transfere-se para a escola o prolongamento do horário, e aquilo que era excepcional e em função de uma circunstância concreta passa agora a ser uma regra assumida e incorporada no próprio sistema educativo. Aqui reside a diferença e a diferença é abissal!

Segundo os dados disponíveis, apenas um terço dos casais com filhos menores de 15 anos recorre a serviços de apoio às crianças, incluindo amas, creches, pré-escolar e ATL. À primeira vista, nada indica pois que uma escola a funcionar 12 horas seja uma necessidade sentida por todos os pais ou, sequer, pela maioria dos pais. Mas, uma vez aprovada uma medida como esta, rapidamente se interiorizará que as 12 horas são o horário escolar diário e que, independentemente das reais necessidades dos pais, por uma simples conveniência ou pura comodidade, o lugar da criança é na escola. A ser assim, não estamos perante uma solução mas perante um gigantesco problema a projectar-se, impiedoso, sobre o futuro de todos.

Primeiro, porque muitos dos problemas actualmente vividos nas escolas têm a sua causa na ideia errada de que estas substituem a família. A escola é meramente complementar, mas vê-se forçada a ir mais longe para compensar as fracas competências parentais que se revelam hoje como transversais à sociedade portuguesa e já não exclusivas de famílias mal estruturadas. Esta situação deve ser mudada e não institucionalizada.

Segundo, porque sendo sempre verdade que nada é tão importante como criar e educar crianças felizes, amadas e capacitadas para fazer face à vida, essa verdade é ainda mais evidente no nosso Inverno demográfico. Por isso, aqueles pais que apesar das suas vidas duras, do seu presente precário e do seu futuro incerto tiveram a coragem de ter filhos, não podem, de modo algum, ser penalizados. E também para isso servem as leis e as políticas públicas: novas formas de organização do trabalho, apoios às famílias, equidade no acesso aos serviços.

A decisão de transformar a escola num depósito, com base em precipitadas análises sociológicas, branqueando os dramas da míngua de afectos, laços e convivência entre pais e filhos, com jogos e brincadeiras escolares, é uma capitulação. As crianças não merecem. Nem as pobres nem as ricas.


Maria José Nogueira Pinto, Diário de Notícias, 12 de Fevereiro de 2009
(via A Educação do meu Umbigo)

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Domingo, Novembro 16, 2008

O implacável

No passado dia 14 de Novembro, o Presidente da República mostrou-se indignado pelo lançamento de ovos por alguns estudantes por ocasião, primeiro de uma visita da Ministra da Educação, e depois pelos seus dois secretários de estado, a duas escolas públicas.

Apraz-nos o sentido cívico demonstrado pelo mais alto magistrado da nação a propósito de atitudes assumidas por menores, mas gostaríamos de observar a mesma indignação presidencial perante figuras bem mais relevantes, que ocupam os mais elevados cargos na chefia do estado e que têm vergonha do seu próprio registo biográfico.

Pessoalmente, preferia vir um dia a suportar a vergonha por um filho meu ser apanhado a atirar ovos podres, do que passar a vida envergonhado por ser governado por governantes que têm nojo do seu próprio currículo.

Quem sabe, se a política educativa da ministra da educação e dos seus secretários de estado, não será mais culpada pela atitude daqueles menores, do que os pais e os professores desses mesmos menores?

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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Ana Lima - Aos alunos e aos pais

Pais e filhos
- Porque é bom estar precavido contra as informações, tantas vezes falaciosas, dos media e a campanha enganadora, folclórica, do Ministério da Educação …

- Porque, sobretudo, todos queremos o bem dos nossos alunos / dos nossos filhos, e uma escola pública de qualidade, impõe-se uma reflexão, e uma divulgação:

Por que razão acabam os alunos tão prejudicados por estes modelos educativos, por este processo de avaliação dos seus professores?

1. desde logo, as passagens quase administrativas que se antevêem (e a ministra apregoa sem pudor) e que mais tarde conduzirão esta geração (que, ainda por cima, vai competir com alunos de países europeus que levam a educação muito a sério)- apenas - ao desemprego.
Passagens essas (as estatísticas do sucesso), convém saber, que condicionam a avaliação dos professores e a cujo apelo apenas alguns (muito poucos) resistirão.

2. os Cursos de Educação e Formação (CEFS) em que o aproveitamento dos alunos que os integram (os que não conseguem ou não têm apetência por frequentar um curso de currículo ‘normal’) é um ‘dado adquirido’ - e exigido pela tutela, seja qual for o nível das suas aprendizagens (normalmente zero, não nos iludamos…) .
Em que estes alunos, conscientes da inimputabilidade dos seus comportamentos e do ’sucesso’ que lhes é, à partida, garantido, inviabilizam sistematicamente qualquer tentativa de se lhes ensinar o que quer que seja, fazem gala em evidenciar uma total ausência de empenhamento ou de interesse (seja pelo que for) e transformam a vida dos seus professores num inferno.
Futuro, mais que previsível - assegurado, para estes alunos: o desemprego, eventualmente a marginalidade

3. prejudicados, também (e muito!!) virão (estarão já) a ser, todos os alunos, pelo estado de exaustão em que se encontram os seus professores (e ainda agora começámos o ano lectivo), resultante de um processo burocrático que lhes consome tempo e energias para actividades alheias ao trabalho das aulas, por horários de permanência na escola para além de qualquer limite razoável e sem condições mínimas de trabalho, que os impedem de fazer aquilo que verdadeiramente interessaria: preparar aulas e materiais de apoio às aprendizagens dos seus alunos - em casa – que é onde melhor o fazem (onde sempre o fizeram…) , pura e simplesmente porque é aí que têm as condições necessárias.

Desta exaustão dos professores decorrem consequências inevitáveis:

- as aulas mal preparadas ou improvisadas
- a falta de paciência para com os alunos
- a demora na entrega dos testes e outros trabalhos
- a falta de saúde que se seguirá (que está já a afectá-los…)

É bom que se saiba que grande parte dos professores deste país já só se ‘aguenta’ à base de antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, e .. cafés. Que grande parte vem tendo já muita dificuldade em dormir. Avaliem, então, do estado em que estarão, quando lidam com os vossos filhos…

É bom que se saiba, também, o que todos nós, professores (se calhar de todas as idades), já receamos: mais cedo ou mais tarde, ou ficamos de baixa, ou morremos! E não, não é exagero! (antes fosse.) Já no ano passado, foram inúmeros os casos de AVC a meio da aula, os casos de ‘n’ professores a terem de ser assistidos nas urgências dos hospitais porque a tensão arterial de repente ‘disparou’, em resultado do stress, do excesso de trabalho, do desgaste em que se traduzem horas e horas improdutivas passadas na escola , e das campanhas difamatórias a que vêm sendo sujeitos desde que esta equipa ministerial entrou em funções.

Então … parece-me claro: o futuro dos nossos alunos (e temo que próximo, muito próximo) só pode ser este: turmas e turmas sem aulas porque o professor ‘rebentou’ .

E levará tempo, muito tempo, até que a escola, o ministério, reponham as baixas. Até que nos substituam por outros masoquistas/ missionários. Esperemos, a bem dos nossos alunos, que não-mercenários.
E não, não haverá Magalhães que lhes valham…

E é precisamente isto, colegas, amigos, mães e pais, que, na minha opinião, os nossos alunos, os seus Encarregados de Educação, deveriam saber. E que está nas nossas -nas vossas- mãos explicar-lhes. Já.

Os filhos das classes ‘privilegiadas’ optarão por colégios particulares. Todos os outros verão o seu futuro seriamente comprometido: pelo baixo nível de exigência, pelo facilitismo, e pelo decorrente clima de indisciplina, de violência, que só poderá agravar-se.

A escola pública portuguesa, que até há bem pouco tempo tinha mais qualidade e melhores profissionais que a privada, irá brevemente reproduzir o modelo das escolas americanas que vemos nos filmes. Irá reproduzir, também, os actos violentos, impensáveis, que ocorrem nas escolas dos EUA, cujos ecos periodicamente nos chegam, carregados de horror.
É esta a meta desta equipa, no ME. Em nome da redução do déficit, da construção de uma imagem eleitoralista, de estatísticas fictícias para ‘Europa ver’.
É este o panorama , o futuro, de que temos, todos, de estar cientes. A tendência que temos, todos, obrigação de contestar, de inverter. Em nome dos nossos alunos, dos nossos filhos, dos filhos deles.

Saudações,

Ana Lima


Ana Lima in A educação do meu umbigo, 20 de Outubro de 2008

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Sábado, Outubro 18, 2008

Concordo, como mãe e professora

Comentário copiado do Blog: Educação do meu umbigo
relativo ao post:
Mais Imbróglios Financeiro-Tecnológicos
(EF)

CARTA DE E.de EDUCAÇÂO A JOSÉ SOCRATES

É longa, mas vale a pena ler

Sr. Engº José Sócrates,

Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de Primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.

Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o Ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).

Gostaria de começar por lhe falar do “Magalhães”. Não sobre os erros ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhorEngenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de E-escolinha.

O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia dos factos associados ao projecto “Magalhães”. No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães. No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas quatro linhas de texto informando que o “Magalhães” é um projecto do Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação, Escola, concelho, etc. E, por fim, a oportunidade de assinalar, com uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o “Magalhães”. No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros “Magalhães” na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis. No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um “Magalhães” debaixo do braço.

Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos sobre a futura utilização e utilidade do “Magalhães”. Às perguntas que colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder. Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.

Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo pensou para o “Magalhães”? Que planos tem para o integrar nas aulas? Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas? Sabe, é que 50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho, mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.

Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum. Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as Escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus! Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas Iniciativas!

Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino assente em medidas gratuitas.

Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua professora de matemática e o seu professor de português. As imagens sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia - disciplina, rigor e trabalho - o professor de português escrevia no quadro os pressupostos da sua - emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor, então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via. Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na aula de português sorriam, entusiasmados.

Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive das emoções, mas onde o rigor é “obstinado”, como dizem os poetas. Eu já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o que faltava, senhor engenheiro!

Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo, senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao nível da mediocridade.

Mas e por falar em Velho do Restelo…

Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo d’Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.

Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia, espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20 anos.

Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra, mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que perfeita e inequívoca imagem eles compõem:

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano d’alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito (…)

Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade, à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo? Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?

Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro, é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.

Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos conteúdos programáticos por “alegado teor pornográfico” e o de Inês de Castro igualmente, por “incitamento ao adultério e ao desrespeito pela autoridade”.

Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do “lápix” azul? E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de rima, cada palavra escolhida a dedo… o que implicou tudo isto senão uma carga infinita de disciplina e rigor?

Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma desonestidade acolá.

Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal fora, a inaugurar ETAR’s e a selar aterros. Também o vi a plantar árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora, mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.

Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da escola. O resto é comigo.

Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho. Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem cumprido muito mal esse papel.

A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas, curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro ortográfico. Traumatizados? Huuummm… não me parece. Na verdade, senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.

Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem sei bem se tem um ou dois filhos…) e pergunto-me se também é válido para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí. Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com dificuldade em resolver este sistema de três equações a três incógnitas… dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho… sabes escrever o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é perfeitamente suficiente…

Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer? E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar por estúpida.

Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala, tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste Portugal é apenas “os meus sentidos pêsames”.

Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente, com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos e escrevem obscenidades.

Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah… espere lá… as faltas a vermelho acabaram… agora já não há castigos…

Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir “senhor engenheiro para cá”, “senhor engenheiro para lá”. É que o meu marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.

Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho dúvidas.

Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.

A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?



Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,

Uma mãe preocupada

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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Quadros da Educação capacitados sobre procedimentos escolares

Sessenta quadros do sector da Educação da região Sul do país foram capacitados, durante cinco dias em Seminário Regional sobre Metodologias de Melhoramento Escolar, no âmbito do Projecto de Apoio ao Ensino Primário (PAEP). Promovido pela Comissão Europeia, a acção formativa contou com a participação de directores de escolas do ensino primário, chefes de repartições municipais, assistentes e técnicos da escola de formação de professores das províncias do Cunene, Namibe e Huíla. O papel das escolas no processo da Melhoria do Ensino e Aprendizagem, o exame e a avaliação do modelo para elaborar o Projecto Educativo da Escola (PEE), seus critérios e instrumentos foram os principais temas que dominaram a acção formativa. O comunicado final, lido por Rita Tchokombala, uma das participantes, referencia que a acção formativa conferiu aos presentes conhecimentos que lhes permitem analisar conceitos, indicadores, metodologias de implementação e avaliação do Projecto Educativo da Escola (PEE). Numa primeira fase, o referido projecto prevê a formação de líderes de escolas seleccionados para intervenção e análise inicial das necessidades dos estabelecimentos de ensino.Os resultados alcançados vão servir de ponto de referência para elaboração de um plano de actividades do PEE em cada escola beneficiada. No acto de encerramento, a directora provincial da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia na Huíla, Ana Paula Inês, considerou o projecto de uma estratégia de organização e gestão das instituições de ensino, visto que facilita a interligação entre directores, professores, alunos, encarregados de educação e a sociedade. “O PEE surge como necessidade de se aumentar a visibilidade dos processos de escolarização, reforçar a legitimidade da escola púbica, globalizar e unificar a acção educativa, bem como mobilizar vontades e recursos para um ensino de qualidade”, destacou. O Projecto de Apoio está orçado em 20 milhões de euros e está a ser implementado em parceria com o Ministério da Educação, desde Janeiro de 2007 e termina em 2011, e está a ser implementado nas províncias de Benguela, Bié, Cunene, Huambo, Huíla, Kwanza-Sul e Namibe.

Domingos Mucuta Lubango

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Quarta-feira, Setembro 17, 2008

Ana Luísa Esperança - Carta à Ministra da Educação

recebida por email de Moriae (AF)


Exma. Senhora Ministra da Educação

Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.

Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.

Sim, a minha nova categoria, professora!

Que Querida! Obrigada!

E o que é que fui até agora?

Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida. Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana.

Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria ensinar! Era nova, tinha sonhos...

O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço-te desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!

Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos, fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os pais consultavam-me. E eu era feliz. Saia de casa para trabalhar onde gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!

Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir 35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes.

Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que enquanto um 'burro' mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para a cuspirem no chão do Pavilhão. E aqueles que se recusam a deita-la fora porque ainda não perdeu o sabor? (Coitados, afinal acabaram de gastar o dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?

Falta disciplinar?

Desculpe, não marco!

O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o estalo na hora certa?

Desculpe mas não me parece!

Pois eu agradeço todos os que levei!

Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda a certeza, o seu caso.

Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC. Uma hora! E eu não precisava de ter escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma. Como a médica de família, que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar agradecida porque há quem nem médico de família tenha - outro assunto) entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo chamar!·
Lamento profundamente a verdade!

Ana Luísa Esperança

Viana do Castelo

PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa

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Quarta-feira, Setembro 10, 2008

A democracia defende-se nas escolas

(Imagens do Público de 10 de Setembro de 2008)

Fatima GomesFrancisco Santos
Isabel SantosMauricio Brito
Olinda GilPaulo Guinote

Com o início do ano lectivo, em cada nova reunião, os campos vão-se demarcando. Face a uma ofensiva governamental que procura estilhaçar a dignidade dos professores e criar obstáculos para que a escola funcione, sempre há os que procuram, na nova situação, somar dividendos. Começam já a mostrar as unhas, porém, a voz sai-lhes embargada pela natureza inconfessa dos objectivos, senão mesmo pela incerteza dos resultados. Facilmente se exaltam, perdem as estribeiras. As suas hipóteses assentam na sua capacidade de se transformarem em retransmissores do medo. O mesmo medo, muito medo, que Maria de Lurdes Rodrigues tem tentado espalhar pelas escolas. Só que não gozam, como ela, do conforto de um quartel-general, estão expostos às duras vicissitudes do campo de batalha, onde todas as dúvidas são legítimas. Como tanta papelada burocrática, visivelmente, só pode retirar disponibilidades para a dedicação às aulas, essas dúvidas, além de legítimas, são muitas, entre os professores. Cada dúvida transforma-se numa bala no caminho dos adesivos. Não há, no mundo, inteligência suficiente para harmonizar o trabalho de um professor com o papel de burocratas a tempo inteiro em que o ministério os quer ver reduzidos. Logo, a voz destas caixinhas de ressonância embarga-se em justificações esfarrapadas, ou altera-se num insulto ou gritaria. Quem por aí decide caminhar, já dispensou o uso da inteligência algures pelo caminho. Esse é o sinal claro, melhor mesmo, o sinal esperado, por quem não baixou os braços e resolveu aceitar o combate. É o prelúdio da vitória, pois esta, como outras batalhas políticas, será vencida somente com inteligência. É a altura para baixar o tom de voz e falar muito devagarinho, acentuando a pertinência do ponto em dúvida e a necessidade do seu cabal esclarecimento, sempre com sentido naqueles outros professores, que são muitos, que anseiam por vislumbrar uma luz no fundo do túnel. Naqueles muitos que ainda não se atreveram a exprimir qualquer opinião, mas que estão expectantes quanto ao rumo dos acontecimentos. Com eles, existe uma sólida base de confiança para derrotar a asfixia da escola engendrada por este governo. É preciso acreditar nisso, pois não há heróis, quando muito o despertar de uma consciência mais ampla do que cada um é capaz de fazer para melhorar a sua sorte profissional.
A gigantesca máquina governamental procura espalhar a confusão sobre a real situação. Ignora que os portugueses tomam os professores entre as classes profissionais mais prestigiadas, enquanto os responsáveis governamentais rastejam no lugar dos lanternas vermelhas na escala de credibilidade. Criam apaniguados para dar uma falsa imagem dos anseios dos pais dos alunos. Distorcem estatísiticas e, pior ainda, distorcem mecanismos administrativos para condicionar os resultados a miragens estatísticas pré-definidas. Abusam da demagogia, ao apelidarem os críticos das suas mistificações de gabinete de vulgares cínicos, que só se comprazem com o desaire educativo. Tudo isto com a máxima impunidade que o desigual acesso aos meios de informação permite. Aos professores cabe hoje desfazer todos esses equívocos. Defendendo a sua profissão, defendem também as aspirações dos alunos e as esperanças dos portugueses. Não será uma tarefa fácil. Não devem, porém, sentir-se sozinhos. Há muitos que acompanham essa luta. Eu estou entre eles.


Zeca Afonso: Os eunucos
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Som: Voz do seven

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Sexta-feira, Julho 04, 2008

Medina Carreira - Nem quero falar da Educação

Excertos da entrevista de Gomes Ferreira (GF), do programa Negócios da Semana da SIC, a Medina Carreira (MC) no dia 3 de Julho de 2008. (AF)

Medina Carreira



...


MC - O resto continua na mesma, o ensino é uma lástima, os alunos não sabem escrever mas os erros não contam, dão uma ideia de facilidade, sem exames, sem coisa nenhuma, depois os serviços fazem uns exames que - dizem os especialistas - aquilo não presta para nada, é facílimo... Portanto, isto é tudo uma mentira pegada. O país não está a resolver nenhum dos seus problemas de fundo.

...


GF - Mas diga-me uma coisa, na Educação pelo menos fez-se a avaliação dos professores.
MC - Mas você acredita nisso?
GF - Pelo menos oficialmente está aprovada.
MC - Oiça! Eu nem quero falar da Educação, sabe. Porque as crianças, os jovens de hoje, não perceberam que se deviam revoltar contra os políticos. Os políticos estão a hipotecar o futuro deles.
GF - Já vamos a isso. Mas, do que a Ministra fez, nada serviu?
MC - Oiça! A Ministra, ao princípio pareceu-me - aliás creio que aqui a si ou a alguém disse que me parecia - que era dos poucos ministros que valia a pena.
GF - E agora? Já perdeu o ímpeto?
MC - Mas a Ministra não percebeu nada do que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem, mantendo os alunos indisciplinados. Meu amigo: todos nós fomos estudantes. Imagina que, com gente indisciplinada, pode (até) levar para lá um professor catedrático. O professor catedrático não ensina nada porque eles não deixam ensinar. Portanto, a primeira coisa a fazer era pôr ordem nas aulas...
GF - E não fez isso?
MC - Concerteza que não! Então não viu aquela história do telefone?
GF - Ah! Isso, rebeldia, toda a vida existiu.
MC - Não, não! Não me venha com isso. No meu tempo não havia rebeldia daquele estilo... Nem no seu.
GF - Não! Não havia, não.
MC - Aquilo existe há uns anos. Agora, desde que há estes ministros, assim, que andam aí para agradar.
GF - Mas há casos isolados e há situações...
MC - Olhe! Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles - no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos - eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.
GF - Mas o que o Sr está a referir já não é um problema de governação ou de relação entre governados e governantes.
MC - Então o que é?
GF - É mais vasto... É civilizacional. É da organização do País e da relação de civilidade entre as pessoas...
MC - Mas... Ó Gomes Ferreira, se você disser aos pais e aos meninos: Bom! Isto é civilizacional, somos todos uns selvagenzitos, não é para aprender coisa nenhuma, nem saber contar, nem escrever, nem falar, nem pensar... Mas isto vai sair-lhes muito caro.
GF - Mas não digo nada disso...
MC - Agora, era preciso dizer-lhes isso. Não dizer: Eles são todos uns ignorantes, mas os exmes estão a dar melhores resultados. Houve progressos brutais de um ano para o outro. Pá, isto é tudo uma mentira que ninguém acredita.
GF - Eu não digo nada disso. Eu digo é às minhas filhas para estudar e acompanho-as, a minha mulher também as acompanha e acho que 80% dos pais em Portugal fazem o mesmo... Acho eu. Portanto, se calhar também não é tão vasto o problema como dizem...
MC - Não, não! Sabe, meu caro Gomes Ferreira, o problema é este: é que aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir... Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem... Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.
GF - E esses fariam o país progredir?
MC - Exactamente, esses é que precisam.
GF - E o sistema, como está, não os ajuda?
MC - Ah! Você não me obrigue a ser eu a interrogá-lo. Você acha que...
GF - Mas eu quero ouvi-lo. Com mais profundidade.
MC- Ah quer ouvir-me? Sabe, eu deixei de ensinar porque estava farto de ignorantes. Eles não sabiam falar, não sabiam escrever, erros uns a seguir aos outras. Não sabiam falar - aliás veja como hoje alguns ministros têm dificuldade em articular; o vocabulário é escasso, a gaguez é imensa - há uns "supônhamos" que saem assim um bocadinho descuidados...
GF - É cada vez mais frequente esse erro.
MC - Portanto, você acha que isto aqui é uma coisa que tem jeito? Ninguém quer denunciar, porque isto não é simpático. É melhor andarmos todos a abraçar-nos uns aos outros. Portanto, não vamos longe com esta falta de qualidade...

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Sexta-feira, Abril 11, 2008

José Rui Rebelo - Tentativa de suborno

Depois da chantagem, o suborno? O ME, prosseguindo na sua estratégia de "dividir para reinar", propôs aos Sindicatos, na reunião de 8 de Abril, dois pontos de negociação que, não fosse o historial de comportamento político a que já nos habituou o trio ministerial, pensaríamos que tinham sido afectados por algum vírus da generosidade. Ora atente-se a algumas das suas propostas: ponto 7) criação de mais um escalão remuneratório para a categoria de Professor Titular; ponto 8) estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para… (entre outros, imagine-se a quem), Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais (em maiúsculas que fica bem!).
Já tinham isolado os Contratados (em maiúscula que também merecem) com a chantagem que todos conhecem; agora querem subornar (!?) os Titulares e os Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.
Nada obsta a que os Sindicatos negoceiem e que nessa negociação, necessariamente, façam algumas cedências. Por isso, é admissível e até compreensível, alguma cedência na avaliação dos Contratados. Mas, os Professores exigem que o essencial da Resolução aprovada, no dia 8 de Março, por dois terços dos Docentes, seja respeitado. Nunca é demais recordar esse facto.
Alguns pontos essenciais dessa Resolução:

1. a) Renegociação dos horários dos Professores Avaliadores;

c) Exigência de pagamento das horas extraordinárias, relativas às aulas
de substituição;

2. a) Renegociação do ECD, particularmente, a estrutura da Carreira Docente e a sua divisão em categorias, bem como a prova de ingresso na profissão;

b) Renegociação do Regime de direcção e gestão escolar;

c) Renegociação da legislação aprovada sobre a educação especial;

f) A garantia de que nenhum Docente será remetido para a mobilidade especial.

Relativamente à avaliação dos Professores é absolutamente imprescindível uma
posição de força em relação a alguns aspectos que atentam contra a dignidade profissional, nomeadamente:

- Fim da Divisão da Carreira em duas;

- Recusa liminar de fazer depender a progressão na Carreira dos resultados dos alunos e do abandono escolar;

- Renegociação da componente assiduidade na avaliação, recusando que as faltas não imputáveis aos Docentes entrem nesse item de avaliação;

- Renegociação do modelo de avaliação de desempenho

José Rui Rebelo in Depoimento de um dirigente sindical sobre a última proposta do ME
publicado por Ramiro Marques a 11 de Abril de 2008

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Quinta-feira, Abril 10, 2008

Para a Srª.Ministra da Educação de José Pires - Professor

Porque me pediram para difundir e porque é mais um desabafo que pode ser a gota para verter o líquido de um copo já a rebentar de tantas lágrimas de desespero:


Professor

(clique na figura para descarregar a apresentação - pps)

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Quarta-feira, Março 19, 2008

Madalena Santos - Uma escola sem recreio?

Alunos na escola

Madalena Santos propõe hoje um tema para debate que tem passado quase despercebido e que nenhum responsável político deveria tergiversar, sob pena de ficar registado na História da Educação em Portugal como social e politicamente criminoso. (AF).


Ou "Era só o que mais faltava", foi a expressão utilizada pela Ministra da Educação no Parlamento, esta tarde, para rebater o argumento de que as notas dos alunos não devem contar para a avaliação dos professores.
Afinal, de que é que falamos, quando falamos de aprender e ensinar?
Há tanta coisa para falar, antes de falar das notas.
Reportando-me à minha realidade, o que me preocupa neste momento é a disciplina.
Outra das minhas preocupações, repito que me reporto à minha realidade, é o recreio. E até me atrevo a dizer que anda tudo ligado.
As palavras que mais se ouvem nos recreios são palavras obscenas, que vão além do calão mais frequente. É a violência verbal, que seria considerada apenas gratuita, se não fossem meninos e meninas que largaram as fraldas há menos de uma dúzia de anos a dizê-las, a gritá-las.
As nossas crianças estão a desaprender a brincadeira saudável da liberdade do recreio. Sei que é um lirismo, mas os recreios deviam significar a liberdade e não significam. O "recreio" é um stress: para comprar a senha do almoço, a cartolina para o trabalho de AP, para telefonar e mandar mensagens do telemóvel, para chegar à máquina das gulodices, com umas águas para disfarçar. Tudo isto entremeado de palavrão sim, palavrão sim.
A violência do recreio é um indicador a não subestimar de uma juventude que não sabe o que é que o futuro lhe reserva. Então, pelo sim pelo não, esmaga já a semente de liberdade, artilha-a de espinhos e aprende a atirar para o ar, sem querer saber quem vai apanhar com a bala e, muito menos, onde.
Estas palavras entram pelos ouvidos, atravessam a cabeça, mas é normalmente no coração que deixam marca. Mas a marca, em alguns, faz calo. E já nem dói. E isso é que está mal. É a estima individual a morrer aos poucos, vitima destas guerras que não têm educação nenhuma.
Muito menos nota.
Eu posso dar aos meus alunos os cincos todos, Senhora Ministra. Não custa nada. Mas uma grande parte do ser humano constrói-se a partir da auto-estima, que não se esgota numa nota. E, a julgar pelos recreios, a auto-estima está em crise na educação das nossas crianças. A auto-estima imprime-se na humanidade e na sensibilidade de um aluno, determinando-lhe um futuro.
Se não os educarmos para a liberdade e para o respeito, nada feito!


Madalena Santos in Era só o que faltava,
publicado por Chora que logo bebes em 19 de Março de 2008

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Domingo, Março 09, 2008

Uma proposta realista e concreta

Enquanto os sindicatos forem tratados como palhaços, no ministério da educação, e enquanto não houver um acordo que seja aceite por ambas as partes, como é normal em democracia, venho propor o seguinte:

--> a avaliação dos professores, será feita da mesma maneira como a ministra faz a avaliação das suas negociações com os sindicatos, isto é: se a ministra diz que teve 100 reuniões com os sindicatos, então a avaliação do desempenho docente será feita com a simples indicação do número de aulas dadas, acrescido do número de horas passadas em reuniões.

--> os efeitos produzidos pela avaliação aos docentes, serão os mesmos que os efeitos produzidos pela contestação dos professores ao ministério da educação, isto é: ZERO.

--> a surpresa dos professores pelos resultados da política educativa, será a mesma surpresa que a ministra sente pela contestação dos professores, isto é: não se pode afirmar que são exigidos "mais sacrifícios" aos professores, sem acrescentar o que é que se cedeu em troca dos mesmos.

Porque aquilo que distingue uma democracia duma ditadura, é precisamente que a democracia é para todos, ao passo que aquilo que é apenas para alguns, chama-se ditadura.

--> mais proponho, que em todas as manifestações dos professores, nunca deixem de ser lembrados aqueles que faleceram no activo por doença, depois de verem recusados os pedidos de aposentação por incapacidade física, porque esses são os heróis que responderam com a dignidade democrática ao totalitarismo dos ditadores.

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Quinta-feira, Março 06, 2008

Escola Secundária D. Maria II, Braga - Avaliação dos professores

Escola Secundária Done Maria II
(imagem Clube de Artes da Escola Secundária D. Maria II)

Tomada de posição dos professores

  • Atendendo a que, sem fundamento válido, se fracturou a carreira docente em duas: professores titulares e não titulares;
  • Atendendo a que essa fractura se operou com base num processo arbitrário, gerando injustiças inqualificáveis;
  • Atendendo a que os parâmetros desse concurso se circunscreveram, aleatória e arbitrariamente, aos últimos sete anos, deitando insanemente para o caixote do lixo carreiras e dedicações de vidas inteiras entregues à profissão;
  • Atendendo a que, por via de tão injusto concurso, não se pode admitir, sem ofensa para todos, que seguiram em frente só os melhores, e que ficaram para trás os que eram piores;
  • Atendendo a que esse concurso terá repercussões na aplicação do assim chamado modelo de avaliação, já que, em princípio, quem por essa via acedeu a titular será passível de ser nomeado coordenador e, logo, avaliador;
  • Atendendo a que, por essa via, pode muito bem acontecer que o avaliador seja menos qualificado que o avaliado;
  • Atendendo a que o modelo de avaliação é tecnicamente medíocre;
  • Atendendo a que o modelo de avaliação é leviano nos prazos que impõe;
  • Atendendo a que o modelo de avaliação contém critérios subjectivos;
  • Atendendo a que há divergências jurídicas sérias relativas à legitimidade deste modelo;
  • Atendendo a que o Conselho Executivo e os Coordenadores de Departamento foram democraticamente eleitos com base nas funções então definidas para esses órgãos;
  • Atendendo a que este processo, a continuar, terá que ser desenvolvido pelos anunciados futuros Conselhos de Escola, Director escolhido por esse Conselho, e pelos Coordenadores nomeados;
  • Nós, professores do Departamento de Línguas, da Escola Secundária D. Maria II, não reconhecemos legitimidade democrática a nenhum dos órgãos da escola para darem continuidade a um processo que extravasa as funções para as quais foram eleitos;
  • Mais consideram que:
    • Por uma questão de dignidade e de solidariedade profissional, devem, esses órgãos, suspender, de imediato, toda e qualquer iniciativa relacionada com a avaliação;
    • Caso desejem e insistam na aplicação de tão arbitrário modelo, devem assumir a quebra do vínculo democrático e de confiança entre eles próprios e quem os elegeu, tirando daí as consequências moralmente exigidas.

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Terça-feira, Março 04, 2008

Laurent Lafforgue - Uma escola sem missão?

Cher Monsieur,
Je vous remercie beaucoup de votre message, de votre interet pour mes prises de position sur l'education et de votre traduction. Je sais bien sur que les problemes actuels de l'ecole ne concernent pas seulement la France mais tous les pays europeens ou occidentaux et peut-etre le monde entier.
Je suis d'accord bien sur pour que vous mettiez sur votre "blog" votre traduction de mon texte (en precisant bien sur que le texte original etait en francais puisqu'il s'agit d'un texte de conferences donnees en France).
En vous remerciant encore,
Avec mes sentiments les meilleurs et les plus respectueux,
Laurent Lafforgue.

Laurent LafforgueAs razões da destruição da escola

Como chegámos a este ponto?
Na minha opinião, a razão principal, que origina todas as outras, foi o esquecimento da razão de ser da escola: instruir, transmistir conhecimentos.
O esquecimento da missão da escola traduz-se em particular pelo florescimento de novos papéis que lhe foram sendo atribuidos por acréscimo: fazer desaparecer as desigualdades sociais, ensinar a "viver em conjunto", desenvolver as relações humanas, distrair os jovens o máximo tempo possível para os subtrair à influência da rua, para atrasar a sua entrada no mercado de trabalho... é preciso notar que, ao abandonar a missão para a qual foi feita, a escola não preencheu melhor os novos papéis, muito pelo contrário: a escola da instrução tinha mil efeitos secundários benéficos, enquanto a nova escola rotulada igualitária e racional, é muito menos igualitária, assiste no seu seio ao desenvolvimento da violência e falta de civismo numa escala que não era sequer imaginável há algumas décadas, não abre as portas ao mundo comum da razão e verte no mercado de trabalho jovens amargurados, mal preparados, tornados incapazes de trabalhar e de assumir responsabilidades.

Fique assente que tudo isto foi desejado, organizado e imposto, não pelos professores ou intrutores, mas por gente que, desde há trinta ou quarenta anos dirige a Educação nacional; e pela hierarquia ao seu serviço, cujos membros foram sendo recrutados, na sua grande maioria, em função da sua adesão aos princípios da nova escola.

Os políticos de ambos os lados e os dirigentes dos sindicatos maioritários carregam uma parte pesada da responsabilidade: seja porque puseram em questão, eles próprios, o bem fundado da instrução, seja porque desguarneceram os flancos aos destrutores da escola, seja porque usaram a Educação nacional como um escoadouro de expedientes para resolver depressa os problemas sociais, ainda que sob risco de agravar fortemente o futuro do nosso país. É assim que, não sabendo que fazer à multidão de estudantes dos "STAPS" (Sciences et Techniques des Activités Physiques et Sportives), criaram um novo concurso que os permitissem tornar-se instrutores e em que, como se fosse razoável, o francês e a matemática já não interessavam.

É também assim que os poderes públicos exercem uma pressão constante para que intervenham nas aulas os "intermitentes do espectáculo" que são demasiados, que têm necessidade de estar ocupados um número mínimo de horas todos os anos para poderem receber as indemnizações e que se quer ver afastados das ruas claro está, a expensas da aprendizagem fundamental, mas os governentes têm outras prioridades. Enfim, é assim que uma "missão de informação parlamentar sobre as disciplinas científicas" acaba de incentivar a Educação nacional a "sair dos modos tradicionais de transmissão dos saberes". O que significa, concretamente, que queram acabar de arruinar o ensino das ciências, depois do das letras.

Tendo sido desviada do seu princípio fundador, privada de bússula, impedida de manter a instrução como farol para o seu rumo, a organização da escola tornou-se aberrante em poucos decénios.

Os programas foram desarticulados, esvaziados de conhecimentos simples e elementares, a partir dos quais todos os saberes são construídos. Foi-lhe retirada quase toda a progressividade, desde a escola primária até ao fim do básico, e ocultou-se a supressão das aprendizagens de base fixando objectivos desmedidamente ambiciosos, destinados, não a serem alcançados, mas a atirar poeira aos olhos. As próprias disciplinas foram postas em causa, umas mais que outras, tendo-se afundado os horários de francês e matemática: por exemplo, mais de um terço na carga horária do francês na primária, desde os anos 60.

Os métodos foram baralhados. As lições e tudo o que se lhe possa assemelhar foram proscritas pela nova doutrina oficial, que estipula que o aluno deve construir os seus próprios saberes. Foi banida a aprendizagem dos rudimentos e a prática sistemática dos exercícios e pretendeu-se transformar as crianças em pequenos investigadores, pedindo-lhes que redescubram sozinhos em uma dúzia de anos o que a humanidade inteira elaborou em muitos milénios. Não se trata apenas da leitura, trata-se de tudo o que se quis ensinar globalmente, confontando os alunos com textos complexos sem lhes ter dado antecipadamente os elementos que os permitiriam analisar e compreender.

Enfim, as exigências baixaram em todos os níveis: em nenhum momento se exige a aquisição real de um conhecimento exacto. É assim que um quinto dos alunos que entram para a sexta classe são iletrados; a maioria desconhece a tabuada da multiplicação; e uma maioria ainda mais expressiva não sabe escrever correctamante.

Como paliativo entre muitos, promoveu-se a passagem de classe automática, em especial no fim do ano crucial de acesso a todos os cursos preparatórios.

Tornou-se automática a entrada do ensino básico, facilitou-se muito a entrada no liceu, ao mesmo tempo que se uniformizaram as fileiras gerais, de que resultou um nivelamento por baixo de tudo e de todos, tão completo que á hoje possível afirmar que, até ao fim do "Terminale", não existe em França fileira científica digna desse nome, tampouco fileira literária. Os problemas de matemática do actual bacharelato "S" requerem menos raciocínio que os problemas de aritmética elementar da certidão escolar. No que diz respeito às letras, recebi pelo menos um testemunho de um professor de um grande liceu parisiense que observou que as cópias de alguns dos seus alunos de hoje seriam indignas de alunos da sexta classe dos anos 60.

Neste quadro geral das causas do desastre que conhecemos, o lugar de honra é ocupado pelos IUFM que, desde há 15 anos, envenenam lentamente mas persistentemente o nosso sistema educativo: pela inépcia dos pretensos formadores que aí são colocados e que, em verdade, são empresas de deformação dos espíritos dos jovens instrutores e professores; pelo absurdo das doutrinas pedagógicas e outras auto designadas ciências da educação que aí reinam; pelo poder discricionário que dispõe a IUFM sobre os estagiários dado que, excepção feita aos agregados, a titularização depende dela. Recebi uma tantas mensagens de estagiários que descrevem em pormenor o que lhes é dito, e que devem suportar sem pestanejar. Recebi também testemunhos de formadores da IUFM entre aqueles que possuem verdadeiros conhecimentos disciplinares e que, por esse motivo, são mantidos à margem pelos detentores do poder. Assim, um deles escreveu: "Para resumir o que penso: por quanto conheço da IUFM, esta dimana mais de um absurdo campo de reeducação pelo trabalho, que de um instituto de formação. A IUFM é, em grande medida, um pouso de incompetentes e intriguistas que encontraram nela um meio propício (onde nem faltam os lucros) para se pavonearem".

O que se passa na IUFM é tanto mais grave quanto, mau grado haver estagiários que resistem interiormente àquilo que lhes é dito, deixem falar e não voltem a pensar no assunto, muitos outros deixam-se influenciar, sem se aperceberem de que se trata de doutrinas falaciosas, aquilo que lhes repisam ao longo de dias. A maior parte está tanto mais desarmada para opôr alguma resistência intelectual ou moral quanto mais tenha sido degradado o sistema educativo de onde proveio.

Laurent Lafforge in Il faut sauver l'école !

(tradução de António Ferrão a partir do original em francês)



Post Scriptum:
O francês Laurent Lafforgue é um dos maiores matemáticos da sua geração. Tem um curriculum científico esmagador: tem dezenas de artigos de referência nos temas mais profundos e abstractos da Matemática actual; resol­veu um problema fundamental conhecido como conjectura de Langlands, em aberto desde os anos 60, trabalhando com objectos matemáticos com o exótico nome de Shtukas de Drinfeld.

Jorge Buescu in L’Affaire Lafforgue
Já lhe ocorreu perguntar-se quais as razões do estado catastrófico do ensino em Portugal? A resposta pode vir de França.


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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008

Maria de Lurdes Rodrigues no Prós e Contras

Já lá vai o tempo em que a Ministra da Educação impunha como condição para participar no Prós e Contras a não comparência da Fenprof. A expulsão de Correia de Campos por incapacidade de gerir a imagem pública do governo a isso obrigam. Neste ponto estamos. O ambiente não está favorável a soluções de demasiado conforto governativo. Assim, para Maria de Lurdes Rodrigues, excluir a Fenprof com os professores todas as semanas na rua was not an option.
Os tempos também estão diferentes noutro aspecto. A torrente legislativa foi planeada para apresentar resultados na próxima campanha eleitoral do Partido Socialista e, nesse aspecto, está completa. Agora trata-se de gerir os estragos entre os professores com a confiança de quem tem a bota em cima, altura em que um sorriso seráfico nos lábios fica sempre muito bem.
Este foi o contexto em que decorreu o debate de ontem na RTP1.
Afinal, a missão até não foi assim tão difícil de levar a cabo. Valeu a experiência da equipa de realização para ocasiões como esta.
Não houve propriamente debate: para isso, além de argumentos passíveis de serem rebatidos, teria que haver também a oportunidade de réplicas. Ora, à excepção da ministra, que teve todas as oportunidades de se referir a cada um dos pontos específicos na altura que achou melhor, nenhum dos demais participantes teve idêntico direito. Estes últimos limitaram-se a procurar sintetizar na medida do possível um conjunto complexo de questões dentro dos poucos minutos que lhe estavam destinados e depois disso assistir calados o resto do tempo.
A fase em que o debate chegou também não foi inocente. Não se tratava de procurar agora centrar o discurso na incongruência do sistema de quotas para promover o mérito entre os professores. Nem de trazer ao de cima os subtis mecanismos de adulteração dos resultados escolares que explicam que as repetências (ou chumbos, em português mais corrente) apareçam em grande número nos anos seguintes ao do ensino obrigatório. Nem de apreciar as falácias da entrada dos elementos externos na gestão, inclusivamente pedagógica, das escolas. Nem de evidenciar as mazelas que programas desarticulados provocam ao trabalho dos professores. Nem mostrar o desprezo que os responsáveis do Ministério da Educação nutrem pelas condições de êxito do trabalho na aula, forçando a sua duração aos noventa minutos. Nem de explicar ao público geral a demagogia do discurso meritocrático, quando as peças legislativas definem corredores VIP para os lugares de maior poder sobre a escola. A catadupa de medidas foi de tal modo arrasadora, que tudo teria que ser feito ao mesmo tempo, por professores que vieram de todos os pontos do país, sem tempo para concertarem entre si os tópicos que cada um deveria expôr.
Os professores foram apresentados à opinião pública como os responsáveis pela situação do ensino. Esta acusação procura retirar, uma vez mais, a responsabilidade das estruturas ministeriais presentes e passadas: não cabia aos professores a regulamentação da lei velha de quinze anos definindo os mecanismos precisos da avaliação; não foram os professores que desarticularam os programas; não foram os professores que permitiram que livros escolares sem qualidade fossem postos no mercado; não foram os professores que retiraram os exames do ensino obrigatório. O sarilho está demasiado embaraçado para que agora tudo possa ser escalrecido de uma assentada. Ficar comodamente sentado a registar a exaltação que estas condições gravosas provocam a qualquer profissional que respeite e estime o seu trabalho, deixando-se seduzir pela calma cínica da ministra, é a melhor maneira de continuar a iludir os problemas e a prolongar desnecessariamente a actual situação.

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Tribunal anula despachos do Ministério da Educação

Comentário de Ana Henriques num post de A Educação do meu umbigo. (AF)
Justiça
Urgente!
Recebido por mail:

Caros colegas,
o Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto aceitou a providência cautelar apresentada pelo SPN.

Nesse sentido e apesar do que diz o ME, está tudo suspenso. Felizmente não é o imbecil do Miguel Sousa Tavares que governa o nosso país (ainda que ele o sonhe…) e os tribunais ainda têm poder sobre os actos do Governo.

As consequências são simples e podem ser consultadas no site da FENPROF:
- o despacho que delega na futura Presidente de um Órgão que ainda não existe as competências do futuro órgão;
- o despacho com as fichas. Ou seja, não há fichas nenhumas para se trabalhar;
- o despacho com os prazos.

Surpreendentemente o ME colocou no “site” da DGRHE as posições que antes assumira verbalmente ( as escolas podem fazer os seus próprios calendários).
Fê-lo através de uma folha branca, sem timbre e sem responsável que assine.

Quanto à questão da presença no Plenário, creio que este texto explica tudo.

Creio que estamos no bom caminho - finalmente começa a acontecer algo, ainda residual, que nos conforta!

Agora é só continuar a aumentar a pressão!

Nota: divulguem este mail junto dos colegas que conhecem!

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Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

João Paulo Soares - Manifesto de professores

via A Educação do meu Umbigo

ProfessorOs professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril. Com um pacote legislativo concebido em sucessivas fases, começando pelo novo Estatuto da Carreira Docente e culminando com o novo modelo de gestão escolar, passando pelo Decreto Regulamentar da avaliação de desempenho, a actual equipa do Ministério da Educação desferiu um golpe profundo na imagem social dos professores, na sua identidade enquanto grupo profissional e nas condições materiais e simbólicas necessárias para que os mesmos se empenhem na qualidade do ensino. A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.
Torna-se agora cada vez mais evidente que os professores deste país foram as cobaias de um ataque aos direitos laborais, segundo uma receita de efeitos garantidos: uma campanha inicial de difamação orquestrada com a cumplicidade de uma comunicação social subserviente, que visou justificar, no plano retórico e propagandístico, a redução sistemática de direitos no plano jurídico. Hoje é também óbvio que este programa teve como objectivo essencial a quebra do estatuto salarial dos professores, que passaram a trabalhar mais pelo mesmo dinheiro, que viram a progressão na carreira arbitrariamente interrompida, e que foram, desse modo, uma das principais fontes drenadas pelo governo para satisfazer a sua obsessão de combate ao défice.
Hostilizados por uma opinião pública intoxicada e impreparada para reconhecer aos docentes a relevância da sua profissão, desprovidos dos meios legais e materiais que lhes permitiriam dignificar o seu trabalho, é com fatalismo, entremeado por uma revolta surda, que os professores deste país encaram hoje o futuro mais próximo. Muitos consideram o Estatuto da Carreira Docente como um facto consumado, procurando adaptar-se-lhe o melhor possível. No entanto, as piores consequências desse Estatuto só agora começarão a revelar-se, e há sinais de que a ofensiva do governo contra os professores e contra a escola pública não chegou ainda ao fim:
· Este ano vai ter início o processo de avaliação do desempenho, pautado pela burocratização extrema, por critérios arbitrários e insuficientemente justificados que poderão abrir a porta para acentuar o clima de divisão e a quebra de solidariedade entre os professores, para «ajustes de contas» adiados, para a perseguição aos profissionais que se desviem da ideologia pedagógica dominante, para a subordinação dos resultados dos alunos à demagogia ministerial do sucesso escolar compulsivo.
· O governo prepara-se para aprovar, sem discussão pública que mereça esse nome, um novo modelo de gestão escolar que se traduz pela redução ainda maior da democracia nos estabelecimentos de ensino, já antecipada ao nível do Estatuto da Carreira Docente, pela diminuição drástica da influência dos professores, atirados para uma posição subalterna nos órgãos directivos, pela sua subordinação a instâncias externas, muitas vezes movidas por interesses opostos ao rigor e à exigência do processo educativo.
· Finalmente, o governo tem também a intenção de suprimir as nomeações definitivas para a grande maioria dos funcionários públicos, iniciativa que terá particular incidência numa classe docente cuja garantia de emprego já está, em muitos casos, consideravelmente ameaçada.
Tudo isto deveria impor, desde já, a mobilização dos professores e o abandono de uma postura de resignação. Não há processos legislativos irreversíveis. Por outro lado, não podemos esperar por uma simples mudança de ciclo eleitoral ou de legislatura para que o ataque à nossa condição profissional seja invertido. Ninguém, a não sermos nós, poderá lutar pelos nossos direitos.
Por tudo isto, e para contrariar a atitude cabisbaixa que impera entre a classe docente, consideramos importante lançar um conjunto de iniciativas, algumas delas faseadas, outras que poderão ser desenvolvidas em paralelo. Assim, propomos:
- apoiar o movimento, que começa a surgir na blogosfera dedicada à nossa profissão, no sentido de se alargar o prazo de discussão do novo modelo de gestão escolar, e organizar nas escolas espaços de debate desse projecto-lei, tendo o cuidado de o situar no quadro mais geral dos constrangimentos legislativos a que hoje se encontra sujeita a nossa actividade profissional;
- promover, nas diferentes escolas e nos agrupamentos de escolas, a discussão sobre as condições de aplicação do Decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores, tendo em conta a necessidade de se fixar critérios mínimos de rigor e de justiça nessa avaliação, e considerando que, se a avaliação dos alunos tem sido objecto de muita elucubração teórica, as escolas se preparam para avaliar os docentes sem ponderarem devidamente as dificuldades científicas e deontológicas que semelhante processo suscita;
- encetar um processo de contestação do Estatuto da Carreira Docente nos tribunais portugueses e nas instâncias judiciais europeias, considerando que esse diploma atinge direitos que não são simplesmente corporativos, mas que constituem a base mínima da dignificação de qualquer actividade profissional.
- pressionar os sindicatos para que estes retomem os canais de comunicação com os professores e efectuem um trabalho de proximidade junto destes, o qual passa pela deslocação regular dos seus representantes às escolas a fim de auscultar directamente os professores e de discutir com eles as iniciativas a desenvolver;
- contactar jornalistas e opinion-makers que, em diferentes órgãos de comunicação, tenham mostrado compreensão pelas razões do descontentamento dos professores e apreensão perante o rumo do sistema de ensino em Portugal, no intuito de os incentivar a prosseguirem com a linha crítica das suas intervenções e de lhes fornecer informação sobre o que se passa nas escolas;
- propor políticas educativas que se possam constituir em defesa de uma escola pública de qualidade, que não seja encarada como simples depósito de crianças e de adolescentes e como fábrica de «sucesso escolar» estatístico, políticas capazes de fornecer alternativas para as orientações globais do Ministério da Educação e para as reformas mais gravosas que o mesmo introduziu na nossa profissão.
Se concordas com o MANIFESTO divulga-o o mais possível.
Para mais informações usa o seguinte e-mail profsemluta@hotmail.com

João Paulo Soares
BioTerra
Matosinhos - Portugal

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Manuel Baptista - MOVIMENTO PELA DEFESA DA ESCOLA PÚBLICA NASCE EM ESCOLA DA BAIXA DA BANHEIRA*

Escola Mouzinho da SilveiraEsteve reunido no sábado 26 de Janeiro 2008 um grupo de membros signatários do Apelo que circula desde 12 de Janeiro (de autoria de Isabel Guerreiro, Paulo Guinote, Manuel Baptista e Luís Mateus e assinado por mais de 1700 subscritores), ao qual se juntou outro grupo, que está centrado nas Caldas da Raínha (mas não só) e que tinha congregado cerca de 40 professores em torno de um manifesto. Os mais de trinta participantes presentes aprovaram um documento, com um conjunto de resoluções (logo que postado será aqui reproduzido).
No essencial, constatou-se uma grande coincidência de opiniões no diagnóstico, havendo porém uma certa dificuldade em se encontrar os caminhos de intervenção mais apropriados. Porém, há propostas nesse sentido, que dependem largamente da capacidade que estas e outras pessoas envolvidas (várias, pelos mais diversos motivos, não puderam comparecer) terão de intervir ao nível local. Constatou-se que há urgência em dar resposta face a esta catadupa de legislação que cai sobre as escolas. Constatou-se que as situações das quais os professores e as escolas são vítimas não devem ser vistas como um «assunto de professores», mas sim como de cidadania. Deve-se portanto encorajar uma participação cívica em núcleos em defesa da escola pública, numa perspectiva de cívica, ou seja, a escola pública é de todos e é a todos que cabe defendê-la dos intuitos desestabilizadores e privatizadores. Todas as pessoas estiveram de acordo com o essencial das resoluções adoptadas, que o foram por unanimidade em vários pontos e por larga maioria noutros.
Ficou-me a sensação de que este conjunto de pessoas tem capacidade para avançar, que tem uma clara compreensão da urgência de um combate e participação mais abrangente. Esta não pode ser reduzida a uma luta (corporativa) de sindicatos, nem hostil aos mesmos. Não pode ser distante de pais e encarregados de educação, nem dos alunos, mas deve apelar ao máximo de convergência e de confluência na base.

Manuel Baptista

*esta reportagem que pode ser complementada com apontamentos do Paulo Guinote:
Apontamentos 1

Publicado por Luta Social em 27 de Janeiro de 2008

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Segunda-feira, Janeiro 14, 2008

A escola inclusiva

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Domingo, Janeiro 06, 2008

Abaixo-assinado sobre a Gestão Escolar

POR UM REGIME DE DIRECÇÃO E GESTÃO QUE DEFENDA A DEMOCRACIA NA ESCOLA PÚBLICA E RESPEITE A PROFISSÃO DOCENTE



Os professores e educadores portugueses têm dado inestimáveis contributos para a construção da democracia na Escola Pública, assegurando a sua gestão, durante mais de trinta anos, por vezes em condições particularmente difíceis.

Confrontados com a intenção do Governo de alterar o modelo de autonomia, administração e gestão com pressupostos que desprezam o património histórico da Educação em Portugal, os professores e educadores abaixo-assinados, rejeitam a ideia promovida pelo governo de que as dificuldades e problemas vividos no sistema educativo resultam de práticas democráticas na gestão das escolas e de que há um conflito que opõe os docentes à sociedade e os interesses dos professores aos das escolas e dos alunos e manifestam a sua frontal discordância com:
  • a imposição de um órgão de gestão unipessoal e o processo da sua selecção;
  • a desmedida concentração de poderes no director que, entre outros aspectos, designa todos os coordenadores das estruturas pedagógicas intermédias e preside obrigatoriamente ao Conselho Pedagógico;
  • a constituição de um Conselho Geral revelador de desconfiança em relação aos docentes, colocando-os em minoria e impedindo-os, até, de exercerem a sua presidência;
  • a completa desvalorização do Conselho Pedagógico.
Na defesa de uma Escola Pública de Qualidade e da dignificação da profissão docente, este abaixo-assinado afirma e defende, de acordo com o consagrado na Lei de Bases do Sistema Educativo:
  • o reconhecimento da importância do papel dos professores e do Conselho Pedagógico, garante do primado do pedagógico e do científico face ao administrativo;
  • o princípio da colegialidade e as suas vantagens, face aos riscos da autocracia e das lideranças unipessoais.
Com a sua experiência e saber profissionais, os docentes afirmam que o modelo proposto pelo Governo é contrário às necessidades da Escola Pública e do Sistema Educativo. Este projecto é mais uma afronta aos professores que proclamam que nenhum sistema educativo melhora com a reiterada desvalorização dos seus profissionais.

Os professores e educadores consideram que a sua participação neste abaixo-assinado integra o processo de "consulta pública" sobre o projecto apresentado pelo Governo e afirmam a sua disponibilidade para lutar no sentido de que os princípios aqui expressos, sejam devidamente acolhidos e reflectidos.


Fonte: FENPROF
Se pretender assinar, clique aqui.

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