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Segunda-feira, Outubro 20, 2008

Previsões políticas para 2009

Laboratoire Européen d'Antecipation Politique
  1. A evolução recente, em alta, do dólar é uma consequência directa e provisória da queda das bolsas mundiais
  2. O "baptismo político" do euro acaba de ter lugar dando uma alternativa "de crise" ao dólar, enquanto "valor refúgio" crível
  3. A dívida pública americana incha de maneira doravante incontrolável
  4. O colapso em curso da economia real dos Estados Unidos impede toda solução alternativa à cessação de pagamentos.
  5. "Forte inflação ou hiper-inflação nos Estados Unidos em 2009", esta é a única questão.


Laboratoire Européen d'Antecipation Politique, Alerte Crise Systémique Globale - Eté 2009 : Cessation de paiement du gouvernement américain, 15 de Outubro de 2008

Tradução para português em Resistir.info, 20 de Outubro de 2008

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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (9)

(Início)

O papel da China

Os EUA estão compelidos a manter a actual ordem mundial. Só os EUA conseguem reunir recursos económicos necessários para a manutenção do aparelho militar gigantesco, tão indispensável para o estatuto de superpotência, como para segurar a circulação do dólar. De momento, a China é um comprador bem-vindo, porque insubstituível, dos títulos do Tesouro dos EUA. Mas a China não se irá cingir a este papel indefinidamente. A presença militar dos EUA, cercando a China, torna a questão da energia um verdadeiro paiol. Muitos dos que investem em dólares começam também a interrogar-se: Por quanto tempo deverão os credores tolerar que o devedor os force a aceitar, para pagamento dos excedentes comerciais e financeiros, uma moeda desvalorizada acompanhada de uma ameaça contra si dirigida?
Se a Europa não ousar mudar o rumo da sua política mundial, ver-se-á um dia na circunstância de ter de acertar o passo com a potência imperial em novas guerras globais sob a bandeira da «luta contra o terrorismo». No entanto, como já ficou patenteado desde Israel à Irlanda do Norte, do Afganistão à Indonésia, passando pelas Filipinas, não é possível combater o terrorismo por meios militares. Está na natureza da «guerra desigual». Todas as capturas de chefes terroristas foram fruto de um trabalho paciente e meticuloso de polícias e serviços de espionagem, levados a cabo por cooperação internacional. Os que encarregam disso os militares, comprarão uma nova «Guerra dos Cem Anos» - como evocou o ex-director da CIA, James Woosley - para tentar vergar à disciplina dos valores ocidentais a nova comunidade dos seus vassalos.

Um barril de pólvora para o dólar

Em vez de continuar a subvencionar o motor desgastado da economia mundial com os seus próprios excedentes, a economia europeia deveria utilizar a sua produtividade elevada para se tornar, ela própria, um motor. A ameaça dos EUA, de estrangular as exportações por via do poder sobre o dólar, revelar-se-á vã, caso os bancos centrais asiáticos comecem a aceitar euros. Porque sem os investimentos externos - da Europa e da Ásia - é impossível financiar o défice dos EUA. A China já iniciou a diversificação das suas reservas em divisas, provocando o recuo do dólar sem fim à vista. O grupo ASEAN+3 procura fixar em moeda regional as obrigações do estado. Eis um barril de pólvora para o dólar. Mas esta evolução requer um gestão conceptual e institucional. Deixada a si própria, arrisca-se-ia a espalhar efectivamente o caos de que Greenspan e consortes agitam com virtuosismo o espantalho para manterem em ordem as suas fileiras.

Uma ordem económica mundial mais justa e equitativa é possível

A Europa, em cooperação com a Ásia e a Rússia, é suficientemente forte para assumir a responsabilidade. Mas deve ser suficientemente sagaz para não repetir os erros do imperialismo do dólar das últimas décadas. Os EUA não poderão excluir-se à dinâmica de um tal processo. Afinal de contas, ele irá beneficiar a sua própria economia.
Os atlantistas de ambos os lados irão logo brandir a ameaça do isolacionismo dos EUA. Também isto é um bluff, pois os EUA não poderão furtar-se por razões geo-estratégicas. O isolacionismo significaria a morte dos EUA como grande potência mundial, pois o lado europeu, fortemente interligado e em princípio dialogante de boa fé, é-lhe indispensável. As elites dos EUA têm disso perfeita consciência. Portanto, também aqui não há razões para cobardia da Europa. Razões há sim, para que alguém seja arrastado para um canto do ring com uma infeliz jogada de póker.


(continua)


Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Quinta-feira, Novembro 08, 2007

M. Grynbaun e P. Goodman - Afundam-se o mercado e o dólar e eleva-se o receio do abrandamento

DolarO artigo merece ser lido integralmente. Aqui reproduzo (em português) um excerto. Na parte não traduzida é evidente outro facto: que o valor do trabalho se deprecia, tal como as matérias primas.(AF)
As acções em bolsa chumbaram (plummeted) e o dólar afundou-se num novo recorde face ao euro ontem, quando os investidores em todo o mundo se assustaram com a nova subida de preço do petróleo conjugada com um abrandamento significativo da economia dos Estados Unidos da América (EUA).

O indicador industrial médio Dow Jones caiu 360 pontos e o conjunto das acções do mercado mais geral desceu 3 porcento, quedas que acentuam o receio de que os problemas provocados pelo mercado imobiliário se prolongarão para bem dentro do próximo ano, contribuindo para prejuízos adicionais no mercado dos créditos e espalhando o medo pelos restantes sectores da economia. Após um Verão relativamente forte, prevê-se que os gastos dos consumidores se reduzam e que os lucros dos negócios abrandem nos próximos meses, segundo os analistas.

Pressentimos através dos nossos clientes que os EUA se encontram numa grande aflição, disse Erik Nielsen, economista principal da Goldman Sach.

A subida dos preços do petróleo, que foi negociado por momentos a 98 dólares o barril - estacionando depois a 96,37 - está aparentemente a arrastar a subida do preço da gasolina, assim como dos combustíveis para aquecimento e para a aviação. Isto só faz subir os receios de que os consumidores americanos não consigam continuar a suportar as suas despesas noutros bens e serviços, especialmente nos veículos de alto consumo de gasolina que continuam a ser fabricados pelos industriais deste ramo em Detroit.

A razão próxima que desencadeou a venda de dólares ao desbarato, segundo os negociadores, foi o sinal áspero de que a China se preparava para trocar uma parte das suas enormes reservas em divisas estrangeiras - avaliadas acima de 1,4 biliões de dólares em que predominam o dólar e moedas fixadas ao dólar - para outras divisas de maneira a garantir melhor retorno.

Somos favoráveis a divisas mais fortes e iremos reajustar-nos em conformidade, disse Cheng Siwei, vice presidente da Comissão Permanente do Congresso Nacional Popular, durante uma conferência que teve lugar em Pequim na quarta-feira. Por outro lado, o director adjunto de um banco chinês, Xu Jian, afirmou que o dólar estava a perder o seu estatuto de divisa mundial, segundo relato da Bloomberg News.

O Sr Cheng afirmou mais tarde aos repórteres que não havia estipulado que a China poderia comprar mais euros e deixar cair o dólar. Contudo, no momento em que os mercados europeus se abrem, estas palavras ressoam como um convite para vender moeda americana.

O dólar caiu para o seu nível mais baixo relativamente ao dólar canadiano desde 1950, relativamente à libra britânica desde 1981, e ao franco suisso desde 1955. O euro subiu a um novo recorde de 1,4729 - antes de se retrair.

Ainda que as reacções às declarações chinesas possam parecer desproporcionadas, os analistas são da opinião de que as forças que minam o dólar e as acções em bolsa são mais amplas e profundas: a incerteza quanto à extensão da crise do crédito das hipotecas imobiliárias, bem como a convicção que se vai firmando de que, mais cedo ou mais tarde, as revelações do mercado das casas americanas venham a manchar o conjunto da economia.

As últimas semanas foram pródigas em incidentes desagradáveis para os principais bancos cotados na Wall Street, com muitos milhares de milhões de dólares a deslizarem das folhas de balanço por prejuízos no mercado imobiliário. Contudo, os investidores suspeitam que maiores dores estão para vir, sem que consigam precisar quanto ou quando, dada a complexidade da teia de aranha que envolve os negócios financeiros responsáveis pela bolha das casas.

in MICHAEL M. GRYNBAUM and PETER S. GOODMAN
Markets and Dollar Sink as Slowdown Worry Increases
publicado pelo The New York Times em 8 de Novembro de 2007

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Segunda-feira, Janeiro 08, 2007

Joseph Stiglitz - Pode a economia ser salva?

Pode a economia mundial ser salva? Os dias do sistema de reserva dólar estão contados.



Um dos meus antecessores como Presidente do Conselho Económico gracejou um dia: aquilo que não é sustentável não será sustentado. O défice da balança comercial dos Estados Unidos da América (EUA)- que atinge actualmente os 900 mil milhões de dólares po ano - não é sustentável. O endividamento enorme e prolongado tranquilizou quem se convenceu que a posição excepcional dos EUA os tornava capaz de sustentar esta situação. Mas os optimistas do dólar deveriam lembrar-se que, no passado, tais défices enormes resultaram em sérios enfraquecimentos do dólar.

Há 35 anos apenas, Richard Nixon foi obrigado a pôr termo à paridade do dólar em ouro, tornando esta divisa flexível. Os grandes défices durante a administração Reagan foram um factor determinante para o enfraquecimento do dólar, no princípio dos anos de 1980.

Tudo isto é importante porque os países no mundo à volta possuem dólares nas suas reservas. Fazem-no para dar confiança à sua própria moeda e à sua economia e também como modo de assegurar aos seus credores que os seus empréstimos contraídos serão liquidados em dólares.

Mas a sua confiança no dólar decresce na mesma medida que cresce a dívida total dos EUA.

Os países que guardam montanhas de dólares em reserva estão a ver essa reserva a diminuir. Talvez preferissem comprar euros. Afinal, com os biliões de dólares que possuem em reserva, as suas perdas são enormes. Ainda ninguém entrou em pânico, no entanto, são cada vez mais os bancos centrais que adoptam um princípio basilar, daqueles que se aprendem em qualquer escola de negócios: diversificar. Vendem dólares e compraram outras divisas, e desta forma o dólar deverá continuar a cair, talvez de forma gradual, talvez não.

Os EUA têm conseguido forçar a China a suportar o peso do seu défice - insistindo em que, se a China não desvalorizar o dólar, os EUA deixarão de comprar muitas das suas mercadorias. E, se a China optar por reavaliar o dólar, a situação poderá até agravar-se. Os EUA poderiam continuar a comprar noutros lados, mas isso terminaria quando estivesse a negociar com países que não estão dispostos a retribuir a preferência adquirindo títulos do Tesouro dos EUA. Até ao momento, a China está, de facto, a financiar a exportação para os EUA dos seus texteis, equipamento e bens de consumo. Outros exportadores, tais como o Bangla Desh ou o Camboja, talvez prefiram reinvestir no país os seus ganhos ou então comprar euros.

Quem financiará nessa altura o défice dos EUA? A natureza do mercado é tal que de uma coisa poderemos estar certos: ele será financiado de alguma maneira. O ajuste é que poderá ser um processo indisciplinável, acompanhado por abrandamentos económicos ou mesmo por recessões. Dado o papel chave que os EUA desempenham na economia global, isto é um assunto que interessa não apenas aos EUA, mas também ao seu principal parceiro comercial, o Canadá, bem como ao resto do mundo.

Muitos economistas questionam os EUA pelo seu nível de endividamento, e têm razão. No entanto, os erros do passado colocaram os EUA e todo o mundo numa posição incómoda. Se o défice fiscal dos EUA fosse eliminado, digamos, por cortes repentinos da despesa pública, o decréscimo geral da procura poderia desencadear uma recessão - ampliando o quase inevitável abrandamento devido ao enfraquecimento do mercado interno.

Uma política fiscal mais inteligente - com subida de impostos para os mais ricos e cortes de impostos para os pobres já esgotados e para os trabalhadores de rendimentos médios - poderia conduzir a um aumento global do consumo. É difícil imaginar que tal política fosse seguida por uma administração apostada em cortar nos impostos para os ricos, indiferente às consequências para a economia. Além disso, com os consumidores domésticos a gastar hoje mais do que aquilo que produzem, os ganhos a curto prazo seríam obtidos à custa de problemas futuros.

Alternativamente, em princípio, uma desvalorização suficientemente forte do dólar estimularía o valor bruto das exportações, mantendo a economia a funcionar. Mas as mudanças para tal podem ser disruptivas, requerendo ajustes que não parecem suaves. E a erosão da confiança no dólar e no sistema de reserva do dólar podem ser prolongadas.

O que está claro, é que os dias da reserva em dólar estão contados. Alguns na Europa regozijam-se com a oportunidade de se tornarem a nova sede da divisa internacional, mas deveríam refrear os seus ânimos. Se se tornarem a nova reserva cambial, encontrar-se-ão mais adiante na mesma situação que estão hoje os EUA, enfrentando um défice da balança comercial resultante da "exportação" de euros para que outros o enterrem como forma de se protegerem contra dias mais agitados.

Mas exportar euros não cria empregos da mesma forma que a exportação de máquinas ou outros bens, e assim o nível de desemprego da Europa subiria ainda mais. E, com uma flexibilidade reduzida nas suas políticas macroeconómicas - um banco central exclusivamente preocupado com a inflacção e um pacto de estabilidade e crescimento que restringe os défices governamentais - pouca coisa poderá ser feita para estimular a economia.

O mundo precisa de um sistema financeiro global melhor. A instabilidade está instalada: à medida que mais e mais dólares fiquem em mãos estrangeiras como reserva, torna-se praticamente inevitável que a confiança no dólar desapareça. A questão não está em saber se tal irá acontecer, mas quando.

Também as centenas de milhares de milhões de dólares postos como reserva todos os anos afastam-nos da circulação monetária, não alimentam a procura. O défice dos EUA adiou os efeitos depressivos do sistema de reserva, mas isto é insustentável. Em vez disso, é necessária uma solução mais duradoira. Há quase 75 anos, o grande economista John Maynard Keynes detectou esta falha essencial no sistema financeiro global e propugnou uma divisa global de reserva (designou-a por bancor). No entanto, a necessidade do seu conselho não se fez sentir naquela altura, pois os problemas britânicos, marcados por um prolongado crescimento lento, ficaram resolvidos quando o dólar tomou o lugar da libra estrelina como divisa de reserva global.

O mundo está hoje muito mais globalizado que então. A necessidade da reforma ainda é maior, e este é o nosso entendimento do sistema financeiro e económico - com algum esforço, poderíamos adaptar as ideias de Keynes à realidade actual. A questão é, retomaremos estas ideias antes ou depois da próxima crise?



Tradução do original em inglês no sítio do autor,
publicado em 12 de Outubro de 2006

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