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Terça-feira, Janeiro 20, 2009

Fátima Inácio Gomes - Carta Aberta aos meus Colegas de Departamento

Caríssimos,

Fátima Inácio GomesEm breve fará um ano que me elegestes Coordenadora do Departamento de Línguas. Um ano depois, escrevo-vos para vos comunicar que entreguei, hoje, o meu pedido de demissão do cargo. Sinto, pela confiança que em mim depositastes naquela data e desde então, que vos devo uma explicação. Conforme aleguei no meu pedido de demissão
"Os acontecimentos que se arrastam desde Janeiro de 2008 em torno do processo de Avaliação de Desempenho dos Professores, os avanços e recuos em matéria legal e funcional nesta matéria, assim como no Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a degradação do clima relacional e o desgaste provocado por um acréscimo de trabalho de ordem burocrático que acresce irremediavelmente por força de constantes alterações dos diplomas legais, criaram condições cada vez mais difíceis para o desempenho sério e rigoroso do trabalho que a professora reputa de maior importância – a leccionação da disciplina de que é titular e responsável.".

Creio que contribui, ao longo deste ano, para um debate sério e responsável das matérias que nos têm atormentado. Saio com a consciência de tudo ter feito para derrotar o monstro da prepotência ministerial em sede de pedagógico e de o ter feito olhando-o de frente. Não encaro a minha saída como uma desistência da luta que nos envolve a todos - conhecem-me sobejamente para saberem que estou longe de baixar os braços. A verdade é que o Conselho Pedagógico perdeu qualquer capacidade de acção – o Ministério tratou de o esvaziar, no último decreto – e em breve perderá até qualquer sentido de representatividade democrática – o novo modelo de gestão deu-lhe a estocada final. Não posso, de todo, manter-me num cargo que, como nunca, consagra o desnivelamento injusto entre os professores. Não serei parasita de um sistema contra o qual tenho lutado! Agora sim, seria fácil ficar… todo o trabalho está feito, o desgaste de horas e horas a tentar lapidar as perversidades de umas fichas insanas faz parte do passado, quase não terei de observar aulas, ou seja, nem vos avaliarei, poderia tirar proveito da redução que me deram para o meu merecido descanso, e, ainda por cima, até poderia trabalhar descansadamente para um Excelente (no pior dos casos, um Muito Bom), quando tenho o privilégio de não precisar de ser avaliada na componente científico-pedagógica! Pois agora é a hora certa para eu sair! Não quero, não posso, tirar proveito de algo que me repugna e contra o qual tenho lutado. Onde ficaria a minha dignidade? O meu amor-próprio? A minha decência? O meu sentido de justiça?

Por ter sido eleita, ainda tenho espaço para tomar uma decisão destas. Preocupava-me prejudicar-vos com a minha saída, mas agora até esse cuidado se desvaneceu – só quem solicitar aulas observadas precisará de mim e, num momento destes, como já vos disse pessoalmente, considero uma falta de solidariedade para com os colegas solicitá-las. Daí que não me sinta moralmente obrigada em relação a quem o fizer. Não sei o que o dia de amanhã me reserva. Não sei se serei obrigada a avaliar. Mas dormirei tranquila, com a consciência de que não me deixei vencer pela letargia, pelo comodismo, pelos meus próprios interesses. Continuarei a falar com a liberdade com que me tendes ouvido, porque terei sido coerente e verdadeira até ao fim. Porque a minha voz nunca se ergueu para defender uma causa própria, mas uma causa comum, uma causa justa. E não há nada que aqueça mais o coração!

Como despedida, e não querendo parecer arrogante, lembro-vos um hino à integridade:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a Lua toda

Brilha, porque alto vive.



Ricardo Reis


Um abraço a todos,

a vossa,



Fátima Inácio Gomes

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Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

O Cavalo e o Porco


Um fazendeiro coleccionava cavalos e só faltava uma determinada raça. -Um dia descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo. -Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:

-Bem, seu cavalo está com uma virose, precisa tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

Neste momento, o porco escutava toda a conversa. No dia seguinte deu o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:

-Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!

No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:

-Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer ! -Vamos lá, eu te ajudo a levantar... Upa!

No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário disse:

-Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:

-Cara é agora ou nunca, levanta logo! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai... Fantástico! -Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Você venceu Campeão!

Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:

-Milagre! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa... -'Vamos matar o porco!'

*MORAL DA HITÓRIA* Isso acontece com frequência no ambiente de trabalho. Nem sempre alguém percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso. Saber viver sem ser reconhecido é uma arte, afinal quantas vezes fazemos o papel do porco amigo ou quantos já nos levantaram e nem o sabor da gratidão puderam dispor? Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: *AMADORES CONSTRUÍRAM A ARCA DE NOÉ E PROFISSIONAIS, O TITANIC. Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso!!!*

Comentário extraído e adaptado daqui:

Avelinus
03.12.2008
20:54
Portugal - Porto

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Segunda-feira, Outubro 27, 2008

A falsa avaliação dos professores - o segundo tempo

Esta não parece ser a história da vara e da cenoura. Mais se parece com o holofote que obscurece a borda da ribanceira.


O momento presente caracteriza-se pelo preenchimento das fichas de avaliação e a fixação dos objectivos. Está escrito: os objectivos para o ano corrente (a média das notas de cada turma) não poderão ser inferiores ao do ano anterior. O professor está assim, perante o dilema: se sente que a turma poderá não alcançar tal média, segundo o seu próprio discernimento, estabelece uma meta mais modesta e aceita uma avaliação negativa do Minsitério, com consequências para a progressão na carreira; ou então, cede à tentação de relaxar o seu sentido de rigor, na esperança de conseguir passar pelo crivo legal. Tudo isto é o que eu designaria por primeiro tempo.


Resta o segundo tempo, ao qual poucos professores se têm referido. Afastemo-nos do buliço das vozes, tentemos perspectivar o desenvolviemnto desta situação num prazo de um ou dois anos. Com toda a probabilidade - está na lógica do mecanismo implementado, caso não lhe seja posto um travão - haverá um número significativo de professores que terão optado pela adesão involuntária ao facilitismo do modelo. Para defenderem o seu ganha-pão, é verdade, porque a isso foram pressionados até por superiores hierárquicos que se "esqueceram" de registar em acta as suas palavras. Que sorte poderão esperar estes professores? Estarão menos vulneráveis que aqueles que tenham optado pela firmeza deontológica na sua prática lectiva? Como será fácil, nessa altura, demonstrar a falsidade dos resultados dos alunos constantes nas pautas: e começar a pedir selectivamente justificações para as classificações atribuidas e assinadas. A assinatura de um trabalhador intelectual é o que ele tem de mais precioso. Para que perca valor, basta ser mal usada uma vez.


Atroz dilema, que mais vale ser ponderado na plenitude das consequências de cada alternativa, antes de moldar de forma irremediável todo o futuro profissional. Este tem que ser defendido em todos os momentos, não se compadece com relaxamentos.

O mais perverso do actual modelo de "avaliação" dos docentes é que tende a transformar todos os professores em cúmplices de um monumental simulacro de sucesso escolar sem qualquer correspondência na real difusão dos conhecimentos, apenas pela via da alteração do significado das notas dos alunos.

Maria de Lurdes Rodrigues já tinha mostrado ao que vinha quando enviou rapidamente um inspector para sacar uma retratação de Manuel Cardoso, na sequência da acusação feita por este de facilitismo ao Ministério. Usou a ministra um motivo instrumental - o eclipse de uma acta de reunião na noite anterior - para esconder a sua responsabilidade política. Note-se que a acusação foi feita nessa altura e pela primeira vez em público, precisamente por esse jovem. Qual o significado da retratação, considerando devidamente as circunstâncias em que foi feita? O seguinte: condição necessária para que a filha de Manuel Cardoso continuasse a beneficiar da profissão do pai para o seu sustento. É tão inglório tentar descobrir as conclusões a que Manuel Cardoso chegou da sua experiência enquanto professor pelo texto da retratação publicada pelo Ministério, como descobrir os avanços que Galileu imprimiu à Física moderna lendo a retratação apresentada à Inquisição.

Com a avaliação de cada docente a depender das notas atribuidas aos alunos, estas deixam de representar a fracção das respostas certas dadas por estes nos testes elaborados pelos professores, significam adicionalmente a condição necessária para que os professores continuem a exercer a sua profissão. Vemos assim que, na arte de instrumentalização dos trabalhadores, o episódio de Manuel Cardoso foi apenas um balão de ensaio. E todas as notas dos alunos daqui para a frente, caso o modelo vingue, não terão correspondência com as notas dos anos passados, no tempo em que os professores não eram forçados a fundir a sua própria classificação com a classificação dos seus alunos.

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Quinta-feira, Outubro 23, 2008

Várias escolas pedem suspensão da avaliação

Professores de várias escolas aprovaram moções e abaixo-assinados a exigir ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho, segundo sindicatos e professores contactados pela Agência Lusa.

Ler o resto em Portugal Diário, 23 de Outubro de 2008

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Terça-feira, Outubro 21, 2008

Portimão - Manifestação da Revolta Docente

Manifestação da Revolta docente, Portimão, 21 de Outubro de 2008

Manifestação da Revolta Docente



Moção



Os professores e educadores presentes na Manifestação da Revolta Docente, em Portimão:

  1. Declaram o seu mais veemente protesto e repúdio perante o Novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008.
  2. Recusam um modelo que configura uma lógica burocrática, economicista, punitiva, anti-pedagógica e normalizadora, desviando os reais objectivos que devem presidir ao processo de ensino-aprendizagem e sujeitando os professores a tarefas de índole meramente burocráticas de elaboração de documentos, em prejuízo das funções pedagógicas e didácticas.
  3. Rejeitam um modelo de avaliação assente num Estatuto da Carreira Docente que divide arbitrariamente a carreira em duas categorias, bem como um regime de quotas que impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, o que irá provocar nas escolas situações de uma tremenda parcialidade e injustiça e fabricar um falso sucesso escolar.
  4. Consideram ilegítimo e injusto que a avaliação de desempenho e a progressão na carreira dos docentes, se subordine a parâmetros como a avaliação atribuída aos seus alunos e o sucesso destes. Tal como rejeitam frontalmente a penalização nos critérios de obtenção de “Muito Bom” ou de “Excelente”, pelo facto de usarem direitos protegidos e consagrados constitucionalmente, como sejam a maternidade/paternidade, doença, o cumprimento de obrigações legais e nojo, ou a participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica.
  5. Acham execrável que este modelo de avaliação de desempenho – um autêntico monstro – sirva para adulterar a graduação profissional dos professores através da introdução de uma nova variável na graduação, ou seja, um professor que obtenha Excelente vai ter mais 3 valores na graduação, um que tenha Muito Bom terá mais 2 valores e os restantes, com Bom, Insuficiente ou Regular levam todos zero.
  6. A vida nas escolas está num autêntico sufoco e os professores já não aguentam mais, passado que é apenas um mês de aulas. São reuniões sucessivas e intermináveis, sobrecarga de tarefas e aumento de ritmos e horas de trabalho, aumento das divisões e tensões na classe, preenchimento de grelhas, objectivos e de todo o tipo de papelada burocrática que não serve rigorosamente para nada. Os professores e educadores, a perder cada vez mais os seus direitos históricos, não têm tempo para se dedicarem ao nobre acto para que foram formados – ensinar devidamente os seus alunos. Tal, irá reflectir-se negativamente na aprendizagem destes.
  7. Os professores e educadores não questionam a avaliação de desempenho como um instrumento que conduza à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional. Um modelo que seja o resultado de um amplo debate nacional entre os docentes, os seus legítimos representantes e o Ministério da Educação, que seja consistente, formador e capaz de valorizar a diversidade de competência que compõem a escola. Desta forma, a Escola Pública será prestigiada, valorizada e dignificada.


Perante o acima exposto, os professores e educadores presentes:
  1. Exigem ao ME a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de desempenho.
  2. Saúdam as diversas iniciativas de resistência e protesto que se têm vindo a manifestar em diversas escolas do país contra este modelo de avaliação.
  3. Apelam a todos os Movimentos e Sindicatos de Professores para que, Todos em Unidade, participem em Novembro, numa Manifestação Nacional contra este modelo de avaliação de desempenho e as políticas negativas do governo na área do ensino e educação.
  4. Exortam todos os Professores e Educadores deste país a lutarem pelos seus direitos e em Defesa da Escola Pública, resistindo, ampliando e participando em todas as acções de protesto e revolta contra essas políticas negativas e, em particular, contra o “monstro” que representa este modelo de avaliação de desempenho. Há que aniquilar o “monstro”, antes que nos devore!


Portimão, 21 de Outubro de 2008


Observação: Esta Moção foi aprovada por unanimidade e aclamação por uma centena de professores presentes na Manifestação da Revolta Docente.




Fonte: Fénix Vermelha

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Escola de Vila Nova de Poiares - Suspensão da Avaliação de professores

(Recebido via email de Moriae)

"O Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares pediu ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho. Segundo o Conselho Executivo, o modelo é "inexequível" e os professores estão "sem tempo" para os alunos.
Numa carta enviada à ministra da Educação, a que a Lusa teve acesso, 116 dos 130 professores do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares pedem a "revogação imediata" do despacho que institui a avaliação de desempenho e de toda a legislação "conexa".
Os docentes consideram que a aplicação do modelo é "inexequível, por ser inviável praticá-lo segundo critérios de rigor, imparcialidade e justiça" e que "não contribui nem para o sucesso dos alunos, nem para a qualidade do trabalho pedagógico que os professores pretendem".

"Assenta numa perspectiva desmesuradamente burocrática, quantitativa e redutora da verdadeira avaliação de desempenho dos docentes. Pela sua absurda complexidade, não é aceite pela maioria dos professores deste país, não se traduzindo, por isso mesmo, em qualquer mais-valia pessoal e/ou profissional", lê-se na missiva.

Em declarações à agência Lusa, a presidente do Conselho Executivo afirma que os professores já andam "deprimidos, extremamente cansados e desmotivados", garantindo que o tempo disponível para os alunos "é diminuto".

"Se esta burocracia traduzisse no final um benefício para a educação fazíamos um sacrifício ainda maior. Mas pensamos que o que se passa é o contrário. Isto é acabar com o ensino porque os professores estão sem tempo para os alunos", garantiu Maria Eduarda Carvalho.

Segundo a responsável, os problemas começam logo com a divisão da carreira em duas categorias: professor e professor titular. Naquele agrupamento de escolas, os professores titulares do departamento de Matemática, avaliadores, são todos docentes da disciplina.

"Como podem avaliar um professor de Física, Química ou Informática quando cientificamente não tem nada a ver? Com a delegação de competências tenho professores de Educação Visual a avaliar professores de Educação Física", crítica a docente.

Maria Eduarda Carvalho acrescenta que a "grande maioria" dos docentes do agrupamento trabalha "muito mais" do que as 35 horas semanais e que alguns já estão a pensar abandonar a profissão.

"Este ano já se reformaram dois professores e outros dois estão a pensar pedir a reforma para o ano, ainda que com penalizações. O que me vale é que tenho um corpo docente jovem e sem tempo de serviço para o poder fazer", diz.

A presidente do Conselho Executivo sublinha ainda que a avaliação vai interferir com o "futuro e as vidas" dos professores, já que a classificação final influenciará o concurso de 2009, que vai ditar as colocações para os quatro anos seguintes.

"Não pode ser com uma avaliação leviana como esta", criticou a responsável, afirmando que, no seu caso, não se sente "preparada" nem "formada" para avaliar um docente de Educação Física, por exemplo: "Não sei avaliar se ele está a preparar bem as aulas".

Sublinhando que "os objectivos individuais e colectivos dos professores do agrupamento são ensinar os alunos e prepará-los para uma sólida construção de um projectos de vida", o conselho pedagógico aprovou no final de Setembro um outro documento, onde manifesta "repúdio" e "oposição" ao modelo do Ministério da Educação.

"A existência e o uso destes instrumentos de avaliação, ou de quaisquer outros baseados na mesma legislação, merecem o nosso repúdio e a nossa total oposição por serem não só inadequados como prejudiciais à nossa função de professores", lê-se numa declaração, igualmente enviada a Maria de Lurdes Rodrigues.

Segundo o Conselho Pedagógico, o Ministério da Educação, com as suas reformas, conseguiu "um efeito verdadeiramente subversivo". "Subverteu a essência do trabalho dos professores: em vez de estar a ser orientado para resolver os problemas dos alunos, ele centra-se, agora, nos problemas profissionais dos professores".

"Esperamos que este esforço não seja em vão e que, pelo menos, possa levar, no final deste ano lectivo, à revisão e alteração deste monstro aterrador que nascido do casamento entre a injustiça e o disparate só pode parir injustiças e disparates", lê-se.

Contactado pela Lusa, o assessor de imprensa do Ministério da Educação sublinhou que o Conselho Pedagógico aprovou os instrumentos de registo e que a avaliação "não está parada" no estabelecimento de ensino." (Lusa / EDUCARE| 2008-10-21)

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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Zeferino Lopes - Avaliação dos professores

Caros Colegas Professores

Todos à manifestação nacional no dia 15 de Novembro contra o modelo de avaliação atomista, complicado e burocrático, imposto pelo Ministério aos professores.

Por uma avaliação simples, holista e produtiva, que não confunda o acto de avaliar com o de formar!

Este modelo de avaliação, imposto pelo Ministério, é perverso e contraprodutivo. O legislador, desconhecendo a realidade e a prática do ensino, assim como o contexto em que se desenrola, decretou medidas que aparentemente são muito justas e racionais mas que, por efeito de composição, levadas a cabo por um conjunto enorme de pessoas, produzem efeitos contrários ao esperado e, por isso, se revelam absurdas quando postas em prática.

Jean-Pierre Dupuy, o maior filósofo francês vivo, inspirado nos trabalhos de Ivan Illich, demonstrou que a contraprodutividade do trabalho resulta, na maior parte das vezes, desta mentalidade tecnocrática, utilitarista e consequencialista, que procura sempre e sempre mais meios para atingir os fins. De tanta preocupação com os meios, o trabalho perde-se nas “técnicas” e nos “instrumentos”, nos “recursos”, na “preparação” e nas “estratégias” e, quanto ao fim propriamente dito, esse fica esquecido ou não é atingido por causa do desperdício de tempo nos meios. Vou dar um exemplo simples dos transportes. Imaginem que toda a população de um determinado território se convence, por efeito mimético, que o automóvel é o meio mais racional, muito mais rápido e confortável para fazer as suas deslocações do que os transportes públicos. Todos, fazendo o mesmo e às mesmas horas, entopem as ruas e estradas e ninguém anda: demora-se muito mais tempo do que andar de bicicleta ou até mesmo a pé. Conclusão: uma decisão aparentemente racional, inteligente e correcta revelou-se absurda e contraprodutiva, perversa.

O mesmo se passará e já se passa com este modelo de avaliação: ele insiste tanto nos “meios” para o ensino, nas “estratégias”, nas “preparações” e “planificações”, nos “recursos” e nas “técnicas” que o fim (o ensino e a aprendizagem) ficará num lugar muito secundário o que, como tem sucedido, se irá provar nas provas internacionais dos nossos estudantes. Os professores vão gastar muito mais tempo do horário normal de trabalho por semana (35 horas) a dizer e a explicar o que vão fazer e, depois, a explicar o que fizeram e como o fizeram do que a ensinar e a ajudar os alunos a prender. Daí resultará uma enorme contraprodutividade que os resultados dos exames não conseguirá disfarçar.

E porque sucede assim? Porque o modelo é extremamente complicado: confunde o acto de avaliar com o acto de formar. Embora toda a avaliação deva ter implicações na formação contínua do professor, avaliar e formar devem ser actos distintos, o que não se verifica. Com este modelo, será legítimo perguntar se o trabalho dos orientadores de estágio foi em vão já que tudo o que se fez antes está posto em causa! Mais, os próprios orientadores serão avaliados/formados pelos seus avaliadores, pondo em causa o trabalho com os seus formandos!!! Há aqui qualquer coisa de muito perverso e absurdo, para já não falar no facto de um licenciado poder avaliar/formar um doutorado!

A avaliação do professor deve incidir apenas sobre 4 factores gerais: a progressão dos seus alunos que se mede pela comparação dos resultados médios entre uma avaliação diagnóstica exaustiva e completa à partida e uma avaliação sumativa aferida à chegada, podendo professor retirar uma ou outra turma cuja motivação para os estudos é abaixo de zero, pela pontualidade/assiduidade como funcionário do Estado, pela sua formação e estudos/publicações no domínio científico e pedagógico, pela participação na vida cultural da escola. O resto é pura perda de tempo e demagogia. Os professores sabem como dar aulas, o que sucede é que muitas vezes não têm os meios humanos (alunos e pais), organizacionais (complicação burocrática e gestão centralizada) e condições materiais para o poder fazer com qualidade. Quantas salas estão equipadas com projecção multimédia?!

Temos que dar um empurrão definitivo a este monstro absurdo mascarado de pedagogia científica!


Zeferino Lopes, Prof. e Dout. em Filosofia na Escola Secundária de Penafiel em 29 de Setembro de 2008.

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Segunda-feira, Setembro 29, 2008

Projecto de Acta

Proposta de acta para a reunião preparatória entre os avaliadores e os avaliandos da avaliação do pessoal docente.

- Nível alcançado
= Características do relatório de apreciação do desempenho

- Excelente
= O relatório consegue justificar tudo sem dizer mal de ninguém, ou quando muito e apenas em caso de manifesta necessidade, da Santíssima Trindade ou então da acção da oposição ao governo.

- Muito Bom
= O relatório consegue justificar tudo dizendo mal apenas dos anteriores, ou então do próprio avaliando.

- Bom
= O relatório consegue justificar tudo dizendo mal, quando muito dos anteriores ou então desde que fundamentadamente, da acção de outros avaliados ou de entidades exteriores à influência da Educação.

- Suficiente
= O relatório consegue justificar tudo dizendo mal de tudo menos dos avaliadores.

- Insuficiente
= O relatório diz mal dos avaliadores.

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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Nico Hirtt - A avaliação por "grelhas de competência"

No meu estabelecimento escolar, tal como em muitos outros, foi-nos proposto recentemente um projecto de "folha recapitulativa de avaliação" baseada na avaliação por competências. Entendi que devia reagir prontamente, afim de explicar a razão porque - do meu ponto de vista - esta concepção de avaliação é, ao mesmo tempo, nefasta e inoperante. Reproduzo aqui o conteudo desta reacção pois, ao que me disseram, talvez pudesse ser útil a outros professores na mesma situação...

A minha primeira e principal crítica é a de que este projecto repele os saberes e as competências disciplinares do campo da avaliação. Mal se abordou o problema pelas competências, muitas vozes (e a minha entre elas) se elevaram para alertar contra uma possível deriva: uma atenção demasiado focada nas competências arriscava-se a ignorar ou a relegar para segundo plano os conteudos cognitivos. À época, foi-me dito que os programas e as bases das competências finais continuariam a estar solidamente fundadas nas competências disciplinares e, de permeio, aos saberes. Ora, o que actualmente se propõe excede as previsões mais sombrias: supressão pura dos conhecimentos e das competências disciplinares que deixam simplesmente de ser objecto de avaliação! Um aluno do 4º ano deve ser capaz, na disciplina de Física, de resolver uma equação do primeiro grau; se o professor de Matemática do 3º ano se basear na grelha que nos foi proposta, ele não terá a mínima garantia de que os conhecimentos estão efectivamente adquiridos, pois a competência "resover uma equação do primeiro grau" (que implica conhecimentos muito específicos de Matemática e não apenas resolver maquinalmente) não se resume obviamente nem a "informar-se", nem a "integrar", nem a "comunicar", nem a "reflectir", nem a "ser criativo", nem a "gerir a sua formação".

Em segundo lugar, este projecto pressupõe - e propaga - a ilusão de que será possível definir competências "transversais" de caracter geral, as quais fariam sentido fora de uma disciplina ou actividade particular. Por um lado, não é possível reflectir sobre matemática sem conhecer as matemáticas (e vice-versa); não é possível comunicar sobre economia sem conhecer a economia; não se pode ser criativo em música se não se tiver aprendido a (fazer) música. Por outro lado, se eu souber reflectir sobre matemática, isso não me garante que saiba reflectir sobre psicologia. Não se comunica um relatório de laboratório da mesma maneira que se comunica em expressão artística. Basta, aliás, olhar à nossa volta, na sala de professores, para se observar que um alto nível de competência (mesmo competências consideradas transversais) num domínio dado não implicam que num outro domínio evidenciem o mesmo nível. Além disso, as barreiras introduzidas por esta classificação parecem arbitrárias: é possível reflectir sem se informar? É possível ser criativo sem reflectir e sem integrar? Pode-se comunicar sem reflectir e sem ser criativo? etc.

O desejo de moldar a qualquer preço toda a avaliação a uma forma comum tem como consequência inevitável que as competências sejam formuladas de maneira extremamente vaga e genérica. Cada qual porá mais o menos aquilo que melhor lhe apetecer dentro de cada um dos cinco critérios apresentados. Poder-se-ia tomar como "brandura". Receio, acima de tudo, a desregulação. A avaliação pelas competências, principalmente na sua forma extrema, caricatural, que nos é proposta, só pode ampliar as disparidades de que tanto padece o ensino na Comunidade Francesa. Cada qual poderá interpretar o PISA como entender. É porém inquestionável que a grande lição deste inquérito internacional é a grande diversidade de níveis entre as escolas e em nenhum outro país as disparidades são tão fortemente marcadas pela origem social dos alunos.

Um dos elementos mais espantosos deste projecto é a escolha artificial das competências retidas. Porque estas e não outras? Quando li o documento oficial da Comunidade Francesa sobre "as competências tranversais dos saberes comuns às humanidades profissionais e técnicas", encontrei lá competências que - se, aos meus olhos, são ainda demasiado pobres, demasiado vagas e demasiado deslocadas dos conteudos cognitivos - são porém infinitamente mais concretas que as que foram propostas na grelha de avaliação que trouxe para casa. "Situar-se no espaço e no tempo", "apropriar-se de uma cultura", "apropriar-se de ferramentas de comunicação", "tomar consciência das implicações de uma escolha", "posicionar-se com respeito ao ambiente", "posicionar-se com respeito às tecnologias e às ciências", "aprender a fazer escolhas profissionais", "abrir-se à diversidade social e cultural", "agir como consumidores responsáveis", "compreender a organização política e o papel das instituições", etc. Eis competências que têm sentido! O documento desdobra cada uma delas numa dezena de pontos ainda mais concretos. Evidentemente, cedo reparamos que é impossível comprimir num boletim esta centena de micro-competências. Mas a solução também não está em escolher ao acaso cinco critérios tão vagos como aqueles que nos foram propostos. Este dilema mostra bem, pelo absurdo, quão inútil é pretender estabelecer uma grelha de avaliação com base em competências e, por maioria de razão, se se pretender que a grelha tenha um âmbito transdisciplinar.

Não me deterei sobre o volume de papeis administrativos que esta grelha implica: toda a gente vê isso. Este trabalho adicional para os professores, em algum lado haverá de ser acondicionado: em detrimento das aprendizagens e das correcções. Não nos alonguemos mais nas despesas soberbas em fotocópias necessárias para as 25x15 grelhas de avaliação para uma turma de tamanho normal. Estava eu convencido que a escola tinha falta de meios...

Para terminar, esta vontade de impor um modelo de avaliação padrão sugere-me uma espécie de gestão managériale das aprendizagens e da avaliação que não se coaduna à imagem que faço da educação. A decomposição das aprendizagens num grelha rígida de competências assemelha-se aos processos tayloristas que procuravam optimizar a produtividade decompondo o trabalho nos seus gestos elementares. Mas aquilo que pode ser eficaz no estudo de um processo de produção (à custa de condições de trabalho detestáveis - mas isso é outra história), não é eficaz de modo algum quando se passa para uma actividade de natureza infinitamente mais complexa como a educação. Este tipo de deriva é, aliás, constante na história das tentativas de inovação na didáctica: procurar camuflar debaixo de procedimentos pseudo-científicos a nossa dificuldade - de resto, inevitável - de avaliar os alunos. Há alguns anos, exigiram de nós, em nome do "rigor" e da "objectividade", que substituíssemos a avaliação por letras pela avaliação por números. Ao tempo, opus-me, porque contestava que fosse possível demonstrar que tal traria maior rigor científico à avaliação: há, em todo o julgamento escolar, um aspecto subjectivo importante. É melhor assumir esta parte de incerteza e permanecer consciente desse facto que pretender camuflá-lo por trás de notas com três decimais. Hoje, o projecto que nos é apresentado parece abandonar os números a favor dos "+" e dos "-". Sinais dos tempos. Na era do benchmarking e da mundialização, as ilusões cientistas já não tomam a forma de racionalidade numérica, antes a das grelhas e formulários pré-formatados, caras aos psicólogos das empresas...

Criticar é fácil, mas o que propões? Dir-me-ão. No estado actual do sistema de ensino na Comunidade Francesa, nada além daquilo que sempre fizemos: cada professor avalia, na base das competências e conhecimentos definidos no programa, a capacidade do aluno em prosseguir com êxito o ano seguinte. Sintetiza essa opinião numa nota (eu prefiriria que fosse uma letra, pelas razões acima indicadas, mas não é essencial). Quanto ao resto, ajusta, concretiza e explica oralmente no conselho de turma. Não vejo qualquer razão para alterar isto. O nosso problema, de resto, não é a avaliação, antes: como motivar os alunos? Como convencê-los a trabalhar? Como conseguir que compreendam? Como ajudá-los a ser mais organizados? Como colmatar as suas lacunas? Como melhorar o ambiente propício ao trabalho escolar sério, com serenidade? Qualquer destas questões é mais importante que a avaliação e não se resolve por meio de grelhas padronizadas.

Nico Hirtt, L’evaluation par « grilles de compétences »
publicado por L’école démocratique (Aped) em 25 de Julho de 2008

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Quarta-feira, Junho 04, 2008

Fliscorno - Ficha de avaliação de professores

Avaliação de Professores
Imagem indecentemente roubada daqui.

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Domingo, Março 09, 2008

Marcha da indignação - Braga

Com quem Sócrates se foi meter. Encontrará depois sítio onde se esconder? AF




Marcha da indignação, Lisboa 8 de Março de 2008
(imagem: Fliscorno)

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Uma proposta realista e concreta

Enquanto os sindicatos forem tratados como palhaços, no ministério da educação, e enquanto não houver um acordo que seja aceite por ambas as partes, como é normal em democracia, venho propor o seguinte:

--> a avaliação dos professores, será feita da mesma maneira como a ministra faz a avaliação das suas negociações com os sindicatos, isto é: se a ministra diz que teve 100 reuniões com os sindicatos, então a avaliação do desempenho docente será feita com a simples indicação do número de aulas dadas, acrescido do número de horas passadas em reuniões.

--> os efeitos produzidos pela avaliação aos docentes, serão os mesmos que os efeitos produzidos pela contestação dos professores ao ministério da educação, isto é: ZERO.

--> a surpresa dos professores pelos resultados da política educativa, será a mesma surpresa que a ministra sente pela contestação dos professores, isto é: não se pode afirmar que são exigidos "mais sacrifícios" aos professores, sem acrescentar o que é que se cedeu em troca dos mesmos.

Porque aquilo que distingue uma democracia duma ditadura, é precisamente que a democracia é para todos, ao passo que aquilo que é apenas para alguns, chama-se ditadura.

--> mais proponho, que em todas as manifestações dos professores, nunca deixem de ser lembrados aqueles que faleceram no activo por doença, depois de verem recusados os pedidos de aposentação por incapacidade física, porque esses são os heróis que responderam com a dignidade democrática ao totalitarismo dos ditadores.

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Quinta-feira, Março 06, 2008

José Pedro Gomes - A avaliação dos professores

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Maria Teresa Soares - O ensino na Alemanha e na Suiça

Maria Teresa Duarte Soares – teresa. duartesoares@t-online.de
Alemanha

Data: 26.02.08

Caríssimas colegas
Caríssimos colegas

Antes de mais, os meus mais sinceros parabéns pela organizacão do vosso movimento. Já há bastante tempo que temia ver os professores em Portugal e os professores portugueses no estrangeiro perto de cair num marasmo inoperacional relativamente às prepotências, injustiças,ilegalidades, indecências, etc,etc,etc, do nosso Ministério da Educação. Estou satisfeitíssima por ver que tal não é verdade, pelo menos no que respeita aos docentes em Portugal.
Os professores portugueses no estrangeiro encontram-se, a meu ver, ainda num estado de inacção que me custa compreender, apesar de desde 1998 terem sidpenalizados de todos os modos possíveis pelo ME, a título de uma falaciosa e irreal “poupança.l

Sou, desde 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, e pertenço ao QND da Escola B 2,3 Mestre Domingos Saraiva no Algueirão.
Tenho sido sempre activa sindicalmente,encontrando-me no momento na Direcção do SPCL (Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas).

Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos.

Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.

(João Serra via A educação do meu umbigo)


German flag

Alemanha


Avaliação dos docentes


Têm, de 6 em 6 anos, uma aula ( 45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão.
Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as assistências e não existe mais nenhuma avaliação.
Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.
Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal,nunca durante o período de férias. Sempre achei um pouco preverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões…
Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
As escolas não são centros de recreio nem servem para “guardar” os alunos enquanto os pais estão a trabalhar.
Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas.
Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.
Total de dias de férias por ano lectivo : cerca de 80 ( pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)

Alunos


Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos , ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à expulsão do último.
Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.
É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.


German flag

Suíça


Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.
Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.
Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30.
No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22.
O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas.É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.
Total de dias de férias : cerca de 72 ( pode haver diferenças de cantão para cantão) .
Vencimentos
Só uma pequena comparação … na Suíça um professor do pré- primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos ( cerca de 3.400 euros),mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira…..

Caras / Caros colegas:

Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo

estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME vendido aos empresários, que tem como objective actual a quase extinção da escola pública, para que a mesma produza analfabetos funcionais, que trabalharão sem caixa médica e sem subsídio de férias , porque nem sabem o que isso é, e se souberem, não poderão reclamar porque não saberão escrever uma carta em termos…. Isto para não mencionar as massas que se entregarão à criminalidade, prostituição, etc.

Um grande abraço para todas /todos da colega

Teresa Soares

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Quarta-feira, Março 05, 2008

Miguel Castro Coelho - Avaliação dos professores

Grato ao Professor descontente por esta referência em A educação do meu umbigo AF



Avaliação chumba


Miguel Castro CoelhoEm vez de tentar ensinar as escolas a avaliar professores, o Ministério da Educação devia esforçar-se por aprender a avaliar as escolas.

O novo regime de avaliação de professores não passa nos mais elementares testes de aptidão. Não tenho a mais pequena dúvida quanto à benevolência das intenções dos autores da iniciativa. E aplaudo com entusiasmo a vontade política para gerar mudança.

No entanto, nos termos em que foi desenhado, este regime de avaliação apenas exprime uma tentativa de micro-gestão a partir do Terreiro do Paço talhada a falhar. Na prática, limita-se a acrescentar uma nova camada de requisitos burocráticos na gestão das escolas. Pelo caminho, comprou uma guerra desnecessária com os professores.

Sejamos claros quanto à importância do tema em questão. Dizem os estudos da economia da Educação que a “produção” de alunos de qualidade depende, em primeiro lugar, do nível socio-económico do aluno, e em segundo lugar, da qualidade dos professores. Um estudo recente da Universidade de Bristol sugere que a qualidade dos professores conta cerca de um terço da qualidade do aluno (incluídos os tais factores socio-económicos) para a “produção” de alunos de qualidade – uma estimativa que está, de resto, em linha com os resultados de outros estudos internacionais. Se se tiver em conta, contudo, que a qualidade de cada professor afecta vinte ou trinta alunos por cada turma, fica-se com uma ideia da importância desta variável para a qualidade global do sistema de ensino.

Perante isto, é conhecido o modelo do Ministério da Educação para estimular docência de qualidade: forçar sobre cada escola um regime de avaliação de professores uniforme, desenhado ao pormenor a partir do centro. Por outras palavras, um exercício de micro-gestão ao pior estilo ex-URSS; o exemplo acabado de centralização descontextualizada; e a prova de que está vivo o tradicional espírito legalista português, segundo o qual no mundo tudo se transforma por lei ou decreto-lei (pena é que, tal como na física, também por esta via nada se perca e nada se crie…).

O que, de facto, devia ter sido feito: (I) intervir a montante no recrutamento de professores (reservar o acesso a cursos específicos de formação de professores a candidatos com curriculum universitário de topo, capacidade de relacionamento interpessoal, comunicação, vontade de aprender e ensinar, excepcionais); (II) descentralizar a gestão do corpo docente para o nível da escola, e avaliar a ‘performance’ das escolas (e não dos professores) a partir do centro (i.e. do Ministério da Educação).

Por outras palavras, transferir a capacidade de gerir a qualidade do corpo docente para gestores escolares profissionais (professores ou não), recrutados e responsabilizados pelos resultados do processo de avaliação das escolas a partir do centro.

Para conseguir fazer uma avaliação objectiva do desempenho de cada escola por comparação com escolas congéneres, o Ministério da Educação tem que se tornar num ‘hub’ de informação sobre todo o sistema. A má notícia é que está muito longe de o ser. Num projecto-piloto que abrangeu 100 escolas (Avaliação Externa das Escolas – Relatório Nacional 2006-2007, publicado a 27/02/2008) a Inspecção-Geral da Educação (um dos braços do Ministério da Educação) não conseguiu sequer reunir informação fiável sobre o contexto socio-económico das escolas… tão só e somente aquele que é, indiscutivelmente, o factor mais importante a ter em conta na avaliação do desempenho das escolas. Pior do que isto, só mesmo o caminho analítico que o relatório adopta: o da prosa oca, com ares pseudo-técnicos, muito similar ao da consultoria privada desinformada.

Em vez de tentar ensinar as escolas a avaliar professores, o Ministério da Educação devia esforçar-se por aprender a avaliar as escolas. A esse respeito, o trabalho até agora feito é de nível profundamente medíocre. Sei que há no país especialistas na matéria com créditos firmados ao nível internacional. Trabalho no meio e já perdi a conta ao número de excelentes artigos académicos publicados por portugueses em jornais internacionais de referência. Mais surpreendente é que algumas dessas pessoas trabalham para o próprio Estado (mais concretamente, estão no Banco de Portugal). A peça que falta no ‘puzzle’ é vontade de fazer uso dos melhores recursos do país.

Miguel Castro Coelho in Avaliação chumba
publicado no Diário Económico em 5 de Março de 2008

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Sábado, Março 01, 2008

Avaliação do desempenho de docentes

Um(a) professor(a) deu-se ao trabalho de fazer um organigrama sobre a avaliação do desempenho docente. Já o vi na TV e recebi-o por e-mail. Por ele se pode avaliar o absurdo de tão tortuoso caminho que, em vez de reforçar as práticas educativas, irá atolar os professores, avaliadores e avaliados, em papéis, transformando o seu trabalho docente num outro essencialmente burocrático. Senão observe-se:

Avaliação de desempenho dos professores em Portugal
(Clicar na imagem para ampliar)

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Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

JS - Avaliação dos alunos

(grato a Fm em A Educação do meu umbigo)



Infelizmente Portugal já se comentou a si próprio! Parece o PM que se enaltece a si próprio, defeitos de formação, do PS, digo eu! E a propósito sou professor num colégio particular... Quer saber a diferença: Um aluno que reprove dois anos no mesmo ano é expulso! No que dei aulas no ano transacto, dois recados na caderneta escolar, ao 3º dá expulsão da escola... Nenhum pai questiona o Prof. porque senão o filhinho tem guia de marcha... É a disciplina ao serviço da educação e assim qualquer um consegue realizar um bom trabalho, não é difícil, ou melhor, pelo é menos mais fácil.... Mas tem mais, o Director do ciclo, não dá aulas apenas acompanha os professores, alunos e pais! Em suma resolve os problemas, orienta e esclarece! Tudo funciona bem! Estranho terem acabado os directores a tempo inteiro nas escolas de 1º ciclo, não! Se calhar é por falta de avaliação, ou será que foi para poupar?! E mais....E mais… E mais... podia escrever um livro que a sua bacoca inteligência não o ia entender, porque está tolhida no lamacento Roseiral.

JS em comentário 16 (28.02.2008 - 12h57) ao artigo
Sindicato de Professores da Região Centro entrega queixa em Tribunal contra Ministério
publicado no Público em 28 de Fevereiro de 2008

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Ramiro Marques - Avaliação de professores

(via mail de Maria Lisboa)


Ramiro Marques
Vou contar pela primeira vez um episódio que esteve na génese do processo de avaliação de desempenho dos professores. O secretário de estado, Valter Lemos, que eu conheço desde os tempos em que estudámos juntos na Boston University, já lá vão 24 anos, pediu-me para reunir com ele com o objectivo de o aconselhar nesta matéria. Tenho de confessar que fiquei admirado com o conhecimento profundo e rigoroso que Valter Lemos mostrou ter da estrutura e da organização do sistema educativo português. Enquanto estudante, habituara-me a ver em Valter Lemos um aluno brilhante e extremamente trabalhador, qualidades que mantém passados tantos anos.

No início, fui um entusiasta da avaliação de desempenho dos professores pois considerava que manter o status quo era injusto para os professores mais dedicados e competentes. Nessa altura, eu encarava a avaliação dos professores como um factor de diferenciação que pudesse premiar os melhores e incentivar os menos competentes a melhorarem o seu desempenho. Fiz algumas reuniões de trabalho com a equipa técnica do ME e logo me apercebi de que a Ministra da Educação estava a engendrar um processo altamente burocrático, subjectivo, injusto e complexo de avaliação do desempenho que tinha como principal objectivo domesticar a classe e forçar a estagnação profissional de dois terços dos docentes. Ao fim de duas reuniões, abandonei o grupo de trabalho porque antecipava o desastre que estava a ser criado.

Nas reuniões que eu tive com a equipa técnica do ME, defendi a criação de fichas simples, com itens objectivos, sem a obrigatoriedade da assistência a aulas, a não ser para os casos de professores com risco de terem um Irregular ou um Regular (numa perspectiva formativa para melhorar a qualificação ou, havendo razão, proceder à sua exclusão), e com um espaçamento de três anos entre cada avaliação. Hoje, passados três anos, considero que se perdeu uma oportunidade de ouro para criar uma avaliação de desempemho dos professores realmente objectiva, justa, simples e equilibrada.Em vez disso, criou-se um monstro que vai consumir milhões de horas de trabalho e de recursos nas escolas e infernizar a vida de muitos professores, roubando-lhes a motivação e a energia para a relação pedagógica e a preparação das aulas.


in Barcelona 20,
publicado por Ramiro Marques em 7 de Fevereiro de 2008

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Sábado, Dezembro 23, 2006

Professores - nos bastidores da avaliação


Ou o lado menos visível de uma mentira oficial instalada pelo Ministério da Educação, com a devida vénia à Madalena.

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Domingo, Novembro 19, 2006

Bernard Favre - Um contexto hostil à escola

Para um sociólogo, os obstáculos para uma cultura comum entre professores e pais, tendo em conta desajustes pessoais e de relacionamento, entroncam em aspectos de primeiro plano da sociedade contemporânea.

À frente, destaca-se a emergência de correntes de pensamento anti-intelectualistas e populistas: tudo podería ser resolvido com golpes (coups) de receita simples, sejam problemas económicos, políticos ou educativos. Muitos economistas, e não dos menores, puseram a descoberto a extrema indigência dos pressupostos teóricos subjacentes às teses neoliberais. Também não é preciso ser grande estadista para reparar que, entre aqueles que se opõem à inovação da escola, há falta de informação, vontade de não-saber e semi-inteligência. Como podería isto deixar de ter consequências na desvalorização da aprendizagem escolar que se observa em algumas famílias?

A insegurança em que vivem numerosas famílias (receio do despedimento, do desemprego, do repatriamento ao país de origem), também não ajuda a lidar com a complexidade do sistema educativo. A discussão sobre as notas é disso um indicador: qualquer que seja a fundamentação sobre formas de avaliação mais ajustadas ao desenvolvimento intelectual e sócio-afectivo geral, a premência da nota é recorrente para os pais. Têm necessidade de números, ou seja, de referências que acreditem ser seguras. De uma forma geral, a insegurança leva à rejeição da complexidade e constitui um obstáculo a uma reflexão mais aprofundada sobre os assuntos escolares.

Mais perniciosa ainda, para o desenvolvimento de uma cultura comum entre pais e professores, é a ideia de que a missão única da escola é a de assegurar o sucesso individual: de onde o surgimento de um conjunto de pais, que me parece significativo, que são militantes de uma escola selectiva, que distinga os seus filhos dos demais, os diferencie de forma a assegurar-lhes um futuro profissional brilhante, muitas vezes em deterimento da sua formação sócio-afectiva, nunca devidamente avaliada. A que se juntam numerosas estímulos ao consumo desenfreado cujo resultado é tanto mais forte, quanto mais fracos forem o desenvolvimento do espírito crítico e da capacidade de reflexão autónoma. Nestes termos, mais valeria pouca escola que demasiada escola.

Globalmente, as mensagens difundidas pelos órgãos de comunicação, pela publicidade, pelo senso vulgar, pela moda e pelos modos de vida que nos impõem os ditames da economia de mercado a qualquer preço (crescimento dos dividendos cada vez mais altos até ao risco de desaparecimento das empresas) não favorecem o desenvolvimento de uma dinâmica sócio-educativa forte entre as escolas e as famílias àcerca dos requisitos da aprendizagem.

Mas só esta dinâmica poderá transformar a escola numa cidade educativa juntando alunos, professores, pais e representantes da comunidade em torno de um projecto partilhado, uma cidade constituindo um espaço de liberdade capaz de aplicar os valores que justificam a sua existência; abertura ao saber, à apropriação dos meios de compreensão do mundo nas suas várias dimensões, ao desenvolvimento das competências individuais e de relacionamento (tolerância, respeito, solidariedade e cooperação) que nos permitem viver juntos.

Tradução (excerto) de:
Culture commune autour des apprentissages

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