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Segunda-feira, Outubro 06, 2008

Zeferino Lopes - Avaliação dos professores

Caros Colegas Professores

Todos à manifestação nacional no dia 15 de Novembro contra o modelo de avaliação atomista, complicado e burocrático, imposto pelo Ministério aos professores.

Por uma avaliação simples, holista e produtiva, que não confunda o acto de avaliar com o de formar!

Este modelo de avaliação, imposto pelo Ministério, é perverso e contraprodutivo. O legislador, desconhecendo a realidade e a prática do ensino, assim como o contexto em que se desenrola, decretou medidas que aparentemente são muito justas e racionais mas que, por efeito de composição, levadas a cabo por um conjunto enorme de pessoas, produzem efeitos contrários ao esperado e, por isso, se revelam absurdas quando postas em prática.

Jean-Pierre Dupuy, o maior filósofo francês vivo, inspirado nos trabalhos de Ivan Illich, demonstrou que a contraprodutividade do trabalho resulta, na maior parte das vezes, desta mentalidade tecnocrática, utilitarista e consequencialista, que procura sempre e sempre mais meios para atingir os fins. De tanta preocupação com os meios, o trabalho perde-se nas “técnicas” e nos “instrumentos”, nos “recursos”, na “preparação” e nas “estratégias” e, quanto ao fim propriamente dito, esse fica esquecido ou não é atingido por causa do desperdício de tempo nos meios. Vou dar um exemplo simples dos transportes. Imaginem que toda a população de um determinado território se convence, por efeito mimético, que o automóvel é o meio mais racional, muito mais rápido e confortável para fazer as suas deslocações do que os transportes públicos. Todos, fazendo o mesmo e às mesmas horas, entopem as ruas e estradas e ninguém anda: demora-se muito mais tempo do que andar de bicicleta ou até mesmo a pé. Conclusão: uma decisão aparentemente racional, inteligente e correcta revelou-se absurda e contraprodutiva, perversa.

O mesmo se passará e já se passa com este modelo de avaliação: ele insiste tanto nos “meios” para o ensino, nas “estratégias”, nas “preparações” e “planificações”, nos “recursos” e nas “técnicas” que o fim (o ensino e a aprendizagem) ficará num lugar muito secundário o que, como tem sucedido, se irá provar nas provas internacionais dos nossos estudantes. Os professores vão gastar muito mais tempo do horário normal de trabalho por semana (35 horas) a dizer e a explicar o que vão fazer e, depois, a explicar o que fizeram e como o fizeram do que a ensinar e a ajudar os alunos a prender. Daí resultará uma enorme contraprodutividade que os resultados dos exames não conseguirá disfarçar.

E porque sucede assim? Porque o modelo é extremamente complicado: confunde o acto de avaliar com o acto de formar. Embora toda a avaliação deva ter implicações na formação contínua do professor, avaliar e formar devem ser actos distintos, o que não se verifica. Com este modelo, será legítimo perguntar se o trabalho dos orientadores de estágio foi em vão já que tudo o que se fez antes está posto em causa! Mais, os próprios orientadores serão avaliados/formados pelos seus avaliadores, pondo em causa o trabalho com os seus formandos!!! Há aqui qualquer coisa de muito perverso e absurdo, para já não falar no facto de um licenciado poder avaliar/formar um doutorado!

A avaliação do professor deve incidir apenas sobre 4 factores gerais: a progressão dos seus alunos que se mede pela comparação dos resultados médios entre uma avaliação diagnóstica exaustiva e completa à partida e uma avaliação sumativa aferida à chegada, podendo professor retirar uma ou outra turma cuja motivação para os estudos é abaixo de zero, pela pontualidade/assiduidade como funcionário do Estado, pela sua formação e estudos/publicações no domínio científico e pedagógico, pela participação na vida cultural da escola. O resto é pura perda de tempo e demagogia. Os professores sabem como dar aulas, o que sucede é que muitas vezes não têm os meios humanos (alunos e pais), organizacionais (complicação burocrática e gestão centralizada) e condições materiais para o poder fazer com qualidade. Quantas salas estão equipadas com projecção multimédia?!

Temos que dar um empurrão definitivo a este monstro absurdo mascarado de pedagogia científica!


Zeferino Lopes, Prof. e Dout. em Filosofia na Escola Secundária de Penafiel em 29 de Setembro de 2008.

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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007

SIM no referendo


Para acabar com as tretas. Para acabar com a hipocrisia dos que não aplicam a si aquilo que idealizam para o resto dos habitantes do planeta porque não sentem na pele as consequências do que dizem, ordenam ou votam. A música "Toda a Gente" dos "Da Weasel" é de certo modo adequada para este momento.

Votem "Sim". Como se o problema estivesse diante de vós próprios e não longe, aos ombros de um/a qualquer desconhecido/a.

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Quarta-feira, Novembro 29, 2006

França - Apelo para a refundação da Escola

Nós, signatários, apelamos ao futuro Presidente da República para a refundação da Escola, principalmente a Escola primária. É uma causa nacional, que ultrapassa as clivagens da vida política.

Desde há anos, a Escola está doente. Esta verificação, os franceses fazem-na todos os dias:
  • As crianças, à saída da Escola primária, dominam cada vez menos a língua francesa. Muitos não sabem ler e chegam à sexta classe. As capacidades na escrita degradam-se. Todas as aprendizagens de base da língua estão afectadas: ortografia, vocabulário, conjugações, gramática, sintaxe.
  • O mesmo se passa na matemática: as quatro operações, a regra de três simples, o cálculo com fracções ou com unidades de medida correntes, os elementos simples de geometria já não são dominados à saída da Escola primária. O raciocínio matemático quase desapareceu até ao fim do básico.
  • A história, a geografia e as lições das coisas também foram afectadas. As referências cronológicas da história do nosso país e os grandes traços da sua geografia física já não são conhecidos.
As causa internas desta degradação estão identificadas:
  • Desde há trinta anos, os programas da Escola primária empobreceram muito nos aspectos essenciais, ao mesmo tempo que foram fixadas ambições desmesuradas em aspectos acessórios. Uma multidão de assuntos díspares, a prática lúdica de novas tecnologias, a multiplicação de actividades periscolares (exercidas em horário escolar) condicionam gravemente as aprendizagens sistemáticas, em especial o francês e o cálculo, que são os fundamentos indispensáveis da instrução (passou-se assim, em trinta anos, de 15 a 9 horas de francês por semana no CP).
  • Impôs-se, contra a experiência dos instrutores, novos métodos pedagógicos, baseados na "construção do saber pelo aluno", que proíbem todo o ensino explícito, estruturado e gradual.
  • Diminuiu-se dramaticamente os níveis de exigência. Assim, em vez de decidir a passagem ou não de um aluno à classe seguinte em função do seu interesse bem compreendido e das suas capacidades em seguir, pratica-se a política do "fluxo".
As consequências a longo prazo são muito graves:
  • O déficit de conhecimentos fundamentais limita gravemente a capacidade em formar os seus pensamentos e em raciocinar. Atenção, operação intelectual e memória estão enfraquecidos por falta de exercício.
  • Não estando as bases adquiridas, o trabalho dos professores do secundário torna-se cada vez mais difícil ou mesmo impossível. Esta degradação alcançou as universidades, as classes preparatórias e os institutos que também estão alarmadas com a queda do nível de conhecimentos e de maturidade intelectual.
Para ULTRAPASSAR ESTA CRISE é preciso reafirmar que a missão primeira da Escola é a instrução, a transmissão de conhecimentos e a aprendizagem do raciocínio. Para que se traduza em factos, é preciso:

PRIORITÁRIAMENTE, CONCEBER NOVOS PROGRAMAS para a Escola primária: curtos, explícitos, compreensíveis por todos, devem fixar uma lista de conhecimentos a ensinar obrigatoriamente segundo uma progressão regular e metódica. Em francês, matemática, história, geografia e lições das coisas esta lista não deve ser inferior, pelas suas exigências e horários previstos, às ambições dos fundadores da Instrução pública.

Esta lista deve comportar nomeadamente:
  • Para o CP: ensino do código alfabético desde o princípio da aprendizagem e entrada na leitura corrente; e em cálculo, ensino progressivo e simultâneo da quatro operações;
  • Para o fim da CM2, todos os ensinamentos sistemáticos, directos e metódicos permitindo uma prática exacta e segura da língua, do cálculo e das construções geométricas: conjugações completas, gramática da frase, vocabulário, cálculo sobre números inteiros, decimais e fracções. É preciso acrescentar o conhecimento das principais referências cronológicas da história da França (e da Europa), rudimentos de geografia física e elementos de ciências.
DEVOLVER AO MESTRE A SUA LIBERDADE PEDAGÓGICA, no quadro dos novos programas ricos, estruturados e coerentes, e na medida em que ela permite uma transmissão eficaz dos conhecimentos. Os instrutores e professores devem poder proceder conforme entenderem, segundo as particularidades das suas classes e as lições das suas experiências. Os inspectores devem limitar-se a registá-la nos resultados.

A formação dos mestres deve ser inteiramente revista: dve comportar por um lado ensinamentos disciplinares muito sérios - pois um bom ensinante deve em primeiro lugar dominar muito bem os saberes que transmite - e, por outro lado, uma aprendizagem pedagógica, especialmente importante para os instrutores, recebida principalmente no terreno e com metodólogos experientes.

RESTABELECER UM BOM NÍVEL DE EXIGÊNCIA, respeitando o princípio segundo o qual um aluno passa para a classe seguinte apenas quando se encontra em estado de seguir o curso com proveito (o que os mestres devem poder julgar sem pressões de qualquer espécie). É preciso, em particular, numa perspectiva de recuperação:
  • Prever a reprovação no fim do CP se a leitura não estiver dominada no fim do ano.
  • Instaurar um controlo de conhecimentos no fim do CM2, baseado em provas que contenham pelo menos ditado, redacção, questões e problemas de aritmética.

Nós, signatários, afirmamos que a refundação da Escola é um imperativo de justiça.


Ao esvaziar os programas, ao baixar as exigências, ao desarticular os ensinamentos, as reformas sucessivas conduziram a um reforço sem precedentes da selecção pelo nascimento e pelo dinheiro: as famílias desfavorecidas ou não francófonas estão terrivelmente penalisadas, pois aquilo que não aprendem na escola tem que ser aprendido em casa, ou em cursos de apoio pagos.

Deixaremos que a Escola abandone a sua missão de instrutora, e que os serviços pagos se substituam a ela?
Queremos pôr fim à promoção social pela Escola?
Aceitaremos entrar num novo obscurantismo?
Nós recusamos com todas as nossas forças.

A nossa causa é transpartidária: globalistas, liberais, comunistas, gaulistas, socialistas ou cristão-democratas, crentes, agnósticos ou livre-pensadores, ensinantes e pais de alunos: estamos juntos pelas mesmas amarras à Escola e pela mesma vontade: refundar a instrução pública sobre a transmissão de saberes ricos, sólidos e coerentes e sobre a liberdade pedagógica dos professores.

Traduçao do original em francês:
Appel pour la refondation de l'École

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