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Quinta-feira, Maio 21, 2009

Sinto vergonha de mim (Rui Barbosa)

Tão actual....em Portugal....

!

A poesia de Rui Barbosa (poeta brasileiro), apresentada a seguir,
poderia ter sido escrita hoje, sem mudar uma palavra.

SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino
e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

Rui Barbosa

(recebido por mail)

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Quinta-feira, Abril 03, 2008

A uma menina-mulher que conheci

foto google

Chamaste-me,
Olhei e vi:
Um sorriso meigo,
Terno de amizade,
Uns olhos doces
Que não esqueci.

Com grande saudade
Parei e senti.

O Sol acordou-me:
Eras uma menina
Agora, uma linda mulher.

Guardaste os teus sonhos,
Cresceste,
E, com o teu ar travesso,
Tudo venceste.

Escuta,
O meu coração diz:
Sê feliz!
...

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Quinta-feira, Junho 21, 2007

22 de Junho de 2007

Querido pai

Já não te escrevo há muito tempo e não posso deixar que esta data passe em branco. Já lá vão 86 anos! Nasceste numa época muito difícil mas,"chegaste, viste e venceste"!

Agora já quase não se escrevem cartas, só se "tecla", pois a vida corre mais depressa do que quando cá estavas. Mas hoje fiz um esforço e embora não te vá pô-la no correio, escrevo-te à mesma.

Eu gostava de receber postais das viagens que fazias e as tuas cartas mostravam uma paciência infinita às minhas propostas de inovação de procedimentos, às minhas tentativas de afirmação perante ti, às minhas mudanças, à minha sofreguidão de vida. Escrevia-te sempre mesmo que para te contradizer, adorava fazê-lo!

Hoje, sonho com os tempos em que, ao teu colo, me mostravas as estrelas. As noites eram mornas, suaves, deitávamo-nos naquelas cadeiras compridas que nos permitiam olhar o céu e sentir a brisa húmida, com cheiro a terra vermelha.
As estrelas abundavam e eu só conseguia fixar as obrigatórias: Estrela Polar, as 3 Marias, a Cassiopeia, Orion, a Ursa maior, a menor (mais?).
Fascinava-me como uma estrela tinha ajudado os nossos navegadores a escolherem rumos como me contavas tão perigosos e desconhecidos. Sorvia as estórias ( agora escreve-se estórias, em vez de histórias, vê lá tu!) que nos contavas, umas verdadeiras, outras inventadas - eram mais as inventadas - que tinham sempre um final moralista.
Assustava-me a tua rectidão, o teu rumo de vida desenhado, não percebia o teu afastamento de pessoas sem interesse, oportunistas, fingidas, vaidosas. Não entendia o teu descomprometimento com a sociedade que nos rodeava, afinal, o teu isolamento.

Hoje entendo. Percebo a asfixia em que se vivia, o apertar do cerco quando se era diferente! E também penso agora que só aprendemos a ser bons filhos quando somos pais e pais quando experimentamos a alegria de ser avós.

Lembro-me particularmente de um poema que recitavas várias vezes e que acabei por decorar e entender a sátira que encerra. Querias que eu o soubesse e conseguiste. Há 50 anos que me vou "deliciando" com ele. Hei-de ensiná-lo aos meus netos também.
Tentei identificar o autor mas ainda não consegui. Alguém me terá dito que é de Francisco Quevedo y Villegas mas não o comprovei ainda. Se souber digo-te depois, O.K.?

Vou transcrevê-lo para to relembrar:

Com propósitos severos,
A bien de la religión,
Hallabanse en reunión
Distinguidos caballeros.

Uno era contribuyente,
Otro, dueño de una tienda,
Otro, ex ministro de Hacienda,
Y así sucesivamente.

-Hay que enfrentar la cosa
Con mucha severidad
Porque reina la impiedad
De una manera asombrosa!

Mientras la gente pía
Se entusiasma y arrebata,
Falta un tintero de plata
Que estaba en la escribanía.

Dice el cura a los colosos
Con aire muy altanero:
- Todos sois muy religiosos,
Pero aquí falta un tintero!

Y para que no se sepa
Aquel que ladrón fué
Yo la luz apagaré
E vuélvalo que lo tenga.

Sopló... y por la sacristía
Se extendió un negro capuz.
E cuando volvió la luz
Faltaba la escribanía!


Não sei se está bem escrito mas o que interessa é o sorriso que se "arranca" a quem lê esta sátira! E tu conseguias passar-me essa mensagem!

Obrigada por esses bons momentos e mando-te muitos, muitos beijinhos.

P.S. Os meus netitos também te mandam muitos, muitos ...

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Sexta-feira, Abril 06, 2007

O olhar de uma criança

"Olha-me rindo uma criança
E na minha alma madruga.
Tenho razão, tenho esperança
Tenho o que nunca me basta.

Bem sei. Tudo isto é um sorriso
Que é nem sequer sorriso meu.
Mas para meu não o preciso
Basta ser de quem mo deu.

Breve momento em que um olhar
Sorriu ao certo para mim...
És a memória de um lugar,
Onde já fui feliz assim."


Poesias Inéditas de Fernando Pessoa

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Quinta-feira, Fevereiro 22, 2007

Alegres campos...
















Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual;
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades do meu bem.

Lírica - sonetos
Luís Vaz de Camões

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