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Sexta-feira, Abril 30, 2010

Caros leitores

Alterações ao blogger e o ferrao.org.

blog

A partir de amanhã, 1º de Maio de 2010, este blog estará congelado, pelo menos até se encontrar uma alternativa. A utilização do software do blogger deixará de estar disponível para computadores alheios à google. A todos os que nos honraram com as suas visitas, o nosso muito obrigado.

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Segunda-feira, Março 29, 2010

Nomes próprios - escala de frequência

Usando as listas de colocação dos professores no concurso de 2009 (92500 nomes, quase 1% da população de Portugal) seleccionaram-se os antropónimos que apareciam no início: excluíram-se os apelidos. Resultaram 2038 nomes próprios distintos, dos quais 700 correspondem a ocorrências únicas (assinaladas com a frequência relativa igual a 0.00068%). Pela lista ficamos a saber que os nomes próprios femininos mais vulgares são:
Maria
Ana
Carla
Sandra
Paula

Os nomes próprios masculinos mais vulgares são:
José
João
António
Luís
Pedro

O nome de um em cada dez portugueses começa por Maria. 12 nomes próprios são suficientes para chamar cinco milhões de portugueses (50%). Para chamarmos 90% dos portugueses, bastam 188 nomes próprios. Nos últimos anos, alargou-se significativamente o número de antropónimos efectivamente usados em Portugal, independentemente das validações oficiais. Talvez os portugueses estejam a tornar-se menos conservadores na escolha dos nomes próprios. A tabela completa pode ser descarregada aqui.

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Quarta-feira, Março 03, 2010

Greve Nacional da Administração Pública

Greve

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Terça-feira, Março 02, 2010

A 20 de Março, limpar Portugal

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Domingo, Fevereiro 21, 2010

Rosa Vaz - Uma artista de Angola

Rosa Vaz

(Clique na imagem para ampliar)

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Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

Mário Crespo - O Fim da Linha

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento.



O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa.

Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal.

Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o.

Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos.

Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados.

Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre.

Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009.

O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu.

O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”.

O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”.

Foi-se o “problema” que era o Director do Público.

Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu.

Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

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Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Pela retirada imediata do Afeganistão

Considerando:

  • Que a guerra e a ocupação do Afeganistão, há cerca de oito anos, por forças da NATO, apenas tem acentuado a deterioração da segurança dos povos e da estabilidade na região;

  • Que a situação humanitária é catastrófica e vem alastrando, com a desestabilização no Paquistão e outras nações vizinhas do Afeganistão, como efeito directo da acção militar ofensiva, da NATO;

  • Que a resolução dos problemas do Afeganistão depende essencialmente do seu próprio povo e das soluções de regime que este escolher; que, entretanto, as forças ocupantes não hesitam em impor e apoiar narcotraficantes e senhores da guerra, no Governo e na Presidência, instalados no poder por eleições que todos consideram fraudulentas;

  • Que os protestos e resistência cívica à ocupação do Afeganistão crescem de forma notória nos EUA - potência responsável em primeira mão pelo empenhamento da NATO - e em vários países europeus, envolvendo todos os estratos da população, à medida que o desastre militar se vai tornando inevitável, falando-se mesmo, ao mais alto nível, dum novo Vietname;

  • Que Portugal e seus cidadãos, pela sua participação militar na campanha da NATO neste país são considerados inimigos pelos combatentes afegãos, tornando-se assim alvos considerados legítimos de acções de guerra. Pelo que não é sustentável argumentar-se com a defesa de Portugal, dos interesses portugueses ou de seus cidadãos e muito menos de segurança interna, para manter forças no Afeganistão.



Exigem, de acordo com os artº.s 7º, 273º e 275º da Constituição da República e tendo em conta que quaisquer compromissos militares do Estado Português não podem violar o artº 7º, que elenca os Princípios Fundamentais da Constituição, a

retirada imediata das forças armadas portuguesas do Afeganistão,

dado o carácter ilegal dessa intervenção à luz do Direito internacional e interno.



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Zé Luis Rebel - Memórias gestuais

(recebido por email: Olinda)





Francisco Goulão, é professor de Educação Visual no Centro António Cândido, Porto, há mais de 14 anos. No entanto, sempre se empenhou nesta profissão durante 32 anos, após se licenciar em Pintura pela Faculdade das Belas Artes da Universidade de Lisboa. E é Surdo de alma e coração, tem 58 anos de idade. Falamos do Professor Surdo Francisco Goulão.

Tem sido uma figura de referência incontornável para muitos Surdos que, na maioria deles, foram seus próprios alunos, não apenas como por entre muitos membros da comunidade Surda, pelo menos, da última geração em que a internet e outros géneros tecnológicos que hoje conhecemos, como o telemóvel, não eram ainda a realidade.
Na altura, havia só jornais em papel que eram acessíveis apenas para quem compreendia razoavelmente o português escrito. E o tradicional e eterno telejornal e outros jornais televisivos continuava a barrar aos Surdos, apesar das imagens de alguma forma elucidativas , o precioso acesso à informação como complemento.
O Professor Francisco Goulão era um dos escassos Surdos que dominavam a compreensão do português escrito e podia ler os jornais sempre que quisesse, mas também preocupava-se em informar e manter os Surdos actualizados do que se passava no nosso mundo em questões políticas e outras de natureza diversa e variada, tanto cá dentro como lá por mundo fora. Em outras palavras, procurava tirá-los da ignorância quase absoluta a que, na ausência de outros recursos possíveis, pareciam inevitavelmente condenados. Para esses mesmos Surdos, o Prof. Goulão era uma espécie de jornal 'vivo', do qual podiam ter acesso à informação generalizada.

O documentário propõe demonstrar, através das entrevistas, as situações pontuais em que como o simples vivenciar de um humilde Surdo numa normal convivência com alguém congénere da geração anterior como o Prof. Goulão, dotado dos conhecimentos que tinha pela simples capacidade de ler jornais, pode potenciar tanto as oportunidades de permitir a um Surdo quase funcionalmente analfabeto esculpir uma visão particular, pessoal e abrangente sobre a realidade externa, a partir da sua própria consciência intrínseca que, com e graças às conversas constantes, pôde desenvolver em grande escala. O elemento central para esta 'ponte da informação' era irrevogavelmente o uso da Língua Gestual. É um daqueles casos que se pode dizer que os gestos não só falam mas que também informam... E mais ainda, informando por vezes pode-se ensinar e aprender de diferentes formas, explorando inúmeros temas e questões por meio da conversa. Vítor foi um dos alunos Surdos do Prof. Goulão, com quem o compartilhar da rotina quotidiana, tanto dentro como fora de aulas, lhe trouxe benefícios e teve ainda enormes influências e impactos determinantes para a vida que leva hoje. Um dos exemplos mais flagrantes passou-se quando Vítor, já adulto, recebeu uma carta da Segurança Social e, em virtude das bases de orientações que recebera das conversas habituais com o Prof. Goulão, pôde entender, em geral e de forma clara, o conteúdo do que vinha escrito na carta. Uma situação aparentemente vulgar para outros, mas para ele, sem dúvida, um marco muito significativo e que vem realçar a importância do modelo Surdo que representa para os Surdos em idade escolar, para fins da construção da identidade pessoal e outros benefícios inerentes como, por exemplo, o crucial desenvolvimento das faculdades cognitivas.


ZLR

Dezembro 2009

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Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

EDD - Fui mas fiquei, agora permaneci

Eduardo SilvaEla estava longe, distante como uma luz no universo...
O caminho encurtava-se, já lhe sentia o peito a encher-se e esvaziar-se conforme o sopro de vida.
Via os lábios, de um cor de rosa tão perfeito, que faria chorar qualquer cor.
Aproximava-se cada vez mais.
Ela não se movia, era eu que corria.
Estava quase a chegar, quando flutuei no seu aroma.
Era como o carvalho humedecido pelo orvalho da manhã, fazia-me sentir livre.
Já sentia o calor emanado da sua pele.
O meu coração palpitava com uma força tal, que, se não estivesse anestesiado
talvez pensasse que estava a tentar fugir.
Ela abriu os braços.
Fiquei deliciado, sorri e corri ainda mais.
Era uma sombra, nas sombras.
Ia tocar-lhe, mas nada aconteceu, ultrapassei-a era como se ela não estivesse lá.
Ela virou-se enquanto chorava e gritava "NÃO, PORQUÊ? PORQUÊ QUE TE FOSTE SEM MIM?"
Olhava para um corpo inerte, imóvel, rijo.
Com uma cara fria e pálida, branca como cal.
Os seus olhos ficavam baços, com a cor castanha avelã a esgotar-se a cada segundo que passava.
Eram-me tão familiares.
Foi ai que o deixei de sentir. O coração que fugia. Libertou-se com a ultima batida.
Ali, estendido aos pés daquela que jamais poderia tocar outra vez, estava eu...

Eduardo Silva





A apreensão escrita do tumulto dos sentimentos. A revelação da inquietude. Uma promessa jovem que nos informa que o amanhã de Portugal está garantido. Um blog que nos interpela incontornavelmente:
Cala-me! Mas deixa-me escrever!


António Ferrão

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Sábado, Dezembro 05, 2009

Filipe Diniz - Forças Armadas e Segurança Interna

No passado dia 2 de Dezembro a revista “Segurança e Defesa” promoveu um debate com o Chefe de Estado Maior do Exército (CEME), Pinto Ramalho.

A notícia que o “DN” (02.12.09) dá do evento tem um título alarmante: ”Exército disponível para intervir na segurança interna”. O conteúdo da notícia confirma as preocupações que o título inspira.

Um chefe militar da mais alta responsabilidade sente-se à vontade para opinar contra aquilo a que chama “ambiguidade constitucional”, ou seja, o enquadramento constitucional que, definindo o papel, o âmbito e as finalidades de intervenção das Forças Armadas, exclui claramente qualquer missão do domínio da segurança interna.

Não se trata de qualquer ambiguidade. Trata-se da consagração de um princípio democrático fundamental. Trata-se de consagrar, na Constituição de Abril, o papel patriótico que as Forças Armadas reconquistaram com o regime democrático, pondo fim à humilhante situação a que a hierarquia militar se sujeitou durante 48 anos, assumindo-se como um dos principais esteios do regime fascista.

As concepções reaccionárias relativas às questões da segurança interna envolvem sempre uma componente militar. Por um lado, nos objectivos de militarização das forças de segurança, de manutenção do seu carácter militarizado como sucede com a GNR, de um insólito e desproporcionado treino de tipo militar como sucede com a ASAE. Por outro lado, na tentativa de atribuir às Forças Armadas missões no âmbito da segurança interna.

O quadro nacional e internacional em que ressurgem tais concepções é o de uma das mais profundas crises do sistema capitalista, cujas consequências estão ainda muito longe de ter atingido o seu auge, e que serão (já estão a ser) socialmente devastadoras. Em que a taxa de desemprego em Portugal atingiu os dois dígitos. Em que alastram as situações de fome e de miséria extrema, em que as injustiças e desigualdades sociais atingem uma dimensão brutal.

É também o quadro em que recrudesce a ambição da ofensiva imperialista contra os povos. Em que o “tratado de Lisboa” consagra a militarização da UE. Em que prosseguem as tentativas de criminalização da resistência dos trabalhadores e dos povos.

É neste sombrio quadro que esta tomada de posição de um chefe militar ganha uma muito preocupante ressonância. Tanto maior quanto nos lembremos que para a política de direita a Constituição é letra morta, e que o actual ministro da Defesa é Augusto Santos Silva, um personagem amigo de “malhar”.


Filipe Diniz em ODiario.info a 5 de Dezembro de 2009

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Quarta-feira, Novembro 25, 2009

O 25 de Novembro de 1975 visto por Chico Buarque

Fado Tropical

Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

«Sabe, no fundo eu sou um sentimental
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar,
trucidar
Meu coração fecha aos olhos e sinceramente chora...»


Com avencas na caatinga
Alecrins no canavial
Licores na moringa
Um vinho tropical
E a linda mulata
Com rendas do Alentejo
De quem numa bravata
Arrebato um beijo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

«Meu coração tem um sereno jeito
E as minhas mãos o golpe duro e presto
De tal maneira que, depois de feito
Desencontrado, eu mesmo me contesto

Se trago as mãos distantes do meu peito
É que há distância entre intencão e gesto
E se o meu coração nas mãos estreito
Me assombra a súbita impressão de incesto

Quando me encontro no calor da luta
Ostento a aguda empunhadura à proa
Mas o meu peito se desabotoa

E se a sentença se anuncia bruta
Mais que depressa a mão cega executa
Pois que senão o coração perdoa»


Guitarras e sanfonas
Jasmins, coqueiros, fontes
Sardinhas, mandioca
Num suave azulejo
E o rio Amazonas
Que corre Trás-os-Montes
E numa pororoca
Deságua no Tejo
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal

Transcrição da letra: Universidade do Minho










Tanto Mar


Revolução

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim
Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente alguma flor
No teu jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Lá faz primavera pá
Cá estou doente
Manda urgentemente algum cheirinho
De alecrim

Transcrição da letra: João Gabriel Galdea




Contra-Revolução

Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente
Ainda guardo renitente um velho cravo para mim
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente nalgum canto de jardim
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente algum cheirinho de alecrim



Transcrição da letra: João Gabriel Galdea



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Segunda-feira, Novembro 23, 2009

Fátima Inácio Gomes versus Pedro Duarte

Pedro Duarte
A postura do PSD em todo este processo permitiu grandes avanços e mudanças no sistema educativo.

Com a aprovação do Projecto do PSD acabará a divisão na carreira e o actual modelo de avaliação dos professores, em 30 dias.

Creio que este contributo do PSD vai ao encontro das expectativas da generalidade dos professores.



Estamos, hoje, numa situação em que podemos ir bem mais além do que uma mera suspensão que criaria uma situação de impasse de consequências imprevisíveis nas escolas,

De resto, a suspensão imediata do processo (do 1º ciclo avaliativo, como é proposto pelos outros partidos da oposição), nesta fase, poderia prejudicar severamente os docentes, em matéria, por exemplo, de progressão na carreira. Não é esse o objectivo do PSD.



Move-nos a estabilidade nas escolas, a dignificação dos professores e a qualidade de ensino.

Cumprimentos



Pedro Duarte






Fátima Inácio GomesSou professora titular da Escola Secundária de Barcelos. Sou também Adjunta da Direcção desta Escola. Interpelo-vos para manifestar a grande inquietação com que acompanho a acção do vosso partido. Não me prendo com particularidades ditas "semânticas" (apesar de ser professora de Português), se bem que é completamente diferente, no campo jurídico e não apenas semântico, falar-se de "suspensão" e de "substituição". No vosso programa eleitoral, que acreditava não ser meramente eleitoralista, reafirmavam a proposta da "suspensão imediata". Não votei PSD (outrora, fui votante PS). Contudo, são muitos os meus colegas que, sendo habituais votantes do PS (alguns deles, até, militantes) votaram no PSD acreditando que seria o único partido a poder fazer frente ao Governo - acreditaram naquilo que muitos designaram de "voto útil". Todos se sentem defraudados.

Da minha parte, entendendo que deve haver capacidade de diálogo, até dou de barato essa questão "terminológica". O vosso Projecto tem muitos pontos positivos. Preocupa-me sim que, e escrevo ainda antes da votação na Assembleia, passando o vosso projecto de resolução, como prevejo, embarquem numa profunda injustiça com todos os professores, mascarada de boas intenções (e excuso-me de lembrar o velho ditado) e refiro-me, especificamente, ao ponto três. Diz nesse ponto que devem ser criadas "condições para que do 1º ciclo de avaliação não resultem penalizações aos professores, designadamente para efeitos de progressão na carreira".

O meu apelo, em jeito de indagação, prende-se com o seguinte: não bastará não penalizar os professores que não entregaram objectivos, ou aqueles a quem uma Direcção/Executivo mais seguidista impediu de apresentar a sua auto-avaliação. Será igualmente imperioso que não se distinga o "mérito" de alguns (com Muito Bons e Excelentes) com base num modelo que já nem pode ser tido como tal, quando sofreu inúmeras mutilações e descaracterizações. Um modelo simplex, vergonhoso e simplista, a que muitos professores com mérito reconhecido nas suas escolas não se sujeitaram, pois tiveram a coragem e a decência moral de colocar o interesse de todos sobre o seu particular no combate a um modelo iníquo. Não fará qualquer sentido que se distingam professores com base num modelo que se reconhece ineficaz e injusto a ponto de o substituir. Se assim acontecer, estarão a prejudicar muitos outros professores que, legitimamente, conscientemente e com elevado sentido democrático, lutaram contra a prepotência de um governo maioritário que não reconhecia a aberração que criara.

Ainda não é tarde, caros senhores.

Com os melhores cumprimentos,

Fátima Inácio Gomes

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Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Cucha Carvalheiro - Porquê máquina de somar?

Cucha Carvalheiro


Para dirigir o espectáculo de inauguração desta nova etapa do Teatro da Trindade desafiei a Fernanda Lapa. Questão de confiança artística e profissional, questão também de homenagear uma Mulher de Teatro que desde sempre tem lutado por uma maior presença feminina no tecido teatral português. Com ela partilhei a minha vontade de apresentar um espectáculo musical e popular, cujo tema fosse relevante e actual, que simultaneamente divertisse e levantasse questões na ordem do dia.

Vivemos numa época em que a política tem vindo a ser reduzida à economia, a economia ao crescimento e ao lucro. Os cidadãos, convertidos em seres descartáveis que perderam referências e horizontes, refugiam-se na rotina entre o trabalho (aqueles que o têm) e a vida privada, sentindo-se impotentes perante um sistema que lhes é apresentado como inevitável. Cada vez convivemos menos, cada vez discutimos menos, cada vez nos confrontamos menos connosco próprios, cada vez ousamos menos expor sentimentos genuínos.

Máquina de somar, de Else Rice, escrita à 88 anos e cuja recente adaptação musical apresentamos, veio ao encontro destas preocupações, cumprindo uma das mais nobres funções do Teatro desde as suas origens atenienses, a reflexão sobre a condição humana e a Polis, o Teatro ao serviço do exercício da Cidadania.

Não posso deixar de agradecer ao António Lagarto que, desde o primeio momento, abraçou o Projecto; à Ana Zanatti, que aceitou o desafio de traduzir e adaptar o texto; ao João Paulo Soares, que assumiu a direcção musica; à Marta Lapa, que assina a coreografia e ao Paulo Sabino, responsável pelo desenho da luz.

Mas Máquina de Somar é mais do que a soma de algumas cumplicidades. è o encontro feliz de uma equipa cujo entusiasmo nos contagia, graças ao empenhamento de um brilhante conjunto de criativos e ao talento e entrega de todos os intérpretes.


Este espectáculo estreou-se no Teatro da Trindade de Lisboa, no Salão Nobre, a 17 de Outubro e está em cena até 24 de Novembro de 2009

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Sábado, Julho 11, 2009

BPP - Ecos de uma campanha publicitária

Estas pérolas de retórica foram recuperadas graças à atenção da matriarca Wanda. (AF)


Banco Privado Português

  • Expresso, 5 de Fevereiro de 2000 - Hoje abrimos o livro na página do patriotismo. O dinheiro viaja, não tem pátria, não tem língua, não tem fidelidades. O dinheiro anda de um lado para o outro, de onde nada se passa para onde passa a render.
    Sempre que vir o seu dinheiro a desaparecer, pense antes que ele está a aparecer no bolso de outra pessoa qualquer. (...) Pode parecer patriótico ter todo o dinheiro em bancos portugueses, investido em fundos compostos por acções dos próprios bancos e de empresas a eles ligadas. Um patriotismo duvidos e que sai caro. Caro, porque com rentabilidades decepcionantes na nossa bolsa de valores e com taxas inferiores à inflacção na maioria dos produtos financeiros, você perde dinheiro. E duvidoso porque, ao perder aqui o seu dinheiro ele está a aparecer noutros blsos que não de portugueses.
  • Expresso, 3 de Junho de 2000 - Hoje ter dinheiro já não é o que era. Mesmo uma fortuna não é condição suficiente para se ter uma renda permanente.
    As razões ... prendem-se com a baixa rentabilidade de grande parte dos produtos tradicionais a que, por hábito, tradição ou falta de alternativas, os portugueses mais recorrem.
    Neste contexto é difícil, mesmo com um considerável património financeiro, obter uma boa renda ou, no mínimo, assegurá-la para que você se reforme sem comprometer o nível de vida.
  • Expresso, 24 de Junho de 2000 - Somos especialistas em gestão de activos. Isto significa procurar por esse mundo fora a maior rentabilidade para um mesmo nível de risco. Significa trabalhar xom os melhores gestores e com os mais rentáveis activos e ser-se independente para dizer não quando os mellhores deixam de ser.
    Um último conselho para os autodidactas. Nos mercados, a "automedicação" pode ser fatal. É que se tomar as opões erradas e perder tudo, não há nos mercados o equivalente à lavagem do estômago.
  • Expresso, 8 de Julho de 2000 - Passar o dia a pensar em dinheiro é uma opção de vida... Claro que o Banco Privado Português tem Private Bankers para que os seus clientes passem a vida a pensar noutras coisas.
    Mas se essa é a opção do investidor, quem somos nós para recriminar quem quer que seja.
    Afinal, pensar em dinheiro é a nossa vida.
  • Expresso, 17 de Julho de 2000 - ...o melhor, se calhar, é ter a grande parte do dinheiro quietinho numa qualquer conta a prazo. "Não vá o diabo tecê-las", pensa você.
    Pois pensa mal.
    Não é a primeira vez que falamos sobre os perigos de ter o dinheiro parado. E se hoje voltamos ao assunto é porque temos boas razões para o fazer. (...)
    O Banco Privado Português é um banco com uma missão: fazer dinheiro para os seus clientes.

Canto de sereia

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Quinta-feira, Julho 02, 2009

Porto - Teatro infantil

Teatro Fidra

O que é que fazem duas marionetas antes do espectáculo começar? Ao descobrirem que ambos se mexem e falam como as pessoas, Marocas e Bilocas decidem contar tudo aquilo que já viveram, para se conhecerem melhor um ao outro. É nesta conversa, mantida num palco sem público, que os bonecos partilham segredos, demonstram receios, revelam sonhos, enquanto o Homem não chega.
Vizinhos de personagens como o Lobo Mau, a Cinderela, o Gato das Botas e vítimas das maldades de duas bruxas, eles vão tentar perceber como vivem as pessoas: as grandes e as pequeninas. Serão os seus mundos tão diferentes dos deles? Saberá um boneco seguir o seu coração? Poderá uma boneca vestida de seda ter sonhos de menina?

Teatro Fidra



Mais informações: Grupo de Teatro Fidra

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Terça-feira, Junho 16, 2009

Eu quero progredir na carreira, mas não de qualquer maneira

Dizem-me que eu tenho que ser avaliado, porque se não for avaliado também não terei legitimidade para poder avaliar os meus alunos.

Pois bem, aqueles que falam assim são os mesmos que colocaram as licenciaturas de cinco anos a valer a mesma coisa que as modernas licenciaturas de três anos.

São os mesmos que igualaram as carreiras dos educadores de infância, que não tinham qualquer formação superior, às carreiras dos professores que tinham adquirido uma licenciatura seguida de um estágio profissional: enquanto uns andavam a queimar pestanas, os outros andavam a fazer anos de serviço. Chegando ao cúmulo de considerar a carreira de educadores de infância mais desgastante do que a de professor do ensino básico, para efeitos de antecipar a idade da reforma, introduzindo uma diferença de mais dez anos entre os profissionais do ensino.

Sou daqueles que nunca progrediu na carreira por antiguidade: sempre que pretendi progredir na carreira, ou fui à procura de outro patrão, ou de outro país, ou de outro curso, ou simplesmente de outro contrato.

Aquilo que pretendem fazer agora, transcende todos os horrores que já fizeram até hoje, em termos desvalorizar o esforço, o mérito, a iniciativa e o desgaste ao longo da vida laboral.

Se para eu poder avaliar os alunos tive que fazer uma formação profissional específica, o que pretendem fazer agora é colocar docentes que nunca tiveram formação para isso, a avaliar outros colegas que têm as mesmas ou até mais habilitações do que eles.

Querem colocar professores que progrediram na carreira por antiguidade, a avaliar professores que nunca progrediram na carreira por antiguidade.

Querem colocar professores que, a partir dos dez anos de serviço, tiveram reduções na carga horária lectiva, a avaliar colegas a quem esse direito só será atribuído a partir dos quinze anos de serviço.

E pretendem fazer tudo isto em nome do rigor, dos critérios científicos, utilizando uma terminologia que não tem outro objectivo senão desprestigiar a profissão, o ensino, a escola, na mais completa inversão de valores que apenas se tornou possível a coberto do exercício de uma maioria absoluta por quem não possui capacidades nem conhecimentos para tal, com governantes que nunca trabalharam fora da mesma função pública que pretendem apontar como a responsável pela degradação da situação do país.

Por tudo isto venho aqui juntar àquela já tomada por outros, a minha posição pública de recusar o preenchimento da ficha de auto-avaliação do desempenho docente promovida pelo ministério da educação.

ES c/ 3º ciclo D. Dinis, Lisboa

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Sábado, Junho 13, 2009

Contra a avaliação dos docentes enquanto mistificação

Esta é a declaração de uma intenção tomada em consciência e coerência com as atitudes e posições por nós assumidas num passado recente. Não é um apelo a um qualquer movimento de desobediência civil, nem o seu contrário, assim como também não é uma recusa em nos submetermos à avaliação da qualidade do nosso desempenho enquanto docentes.
É apenas a manifestação pública da impossibilidade, de acordo com princípios de coerência e responsabilidade de que nos orgulhamos, de aceitarmos seguir as directrizes de um modelo de avaliação do nosso desempenho que de forma alguma cumpre os objectivos afirmados pela tutela, em particular no regime simplificado em vigor, de constitucionalidade duvidosa e escassa qualidade técnica.
Em conformidade com posições adoptadas por todos nós em momentos anteriores, os subscritores desta declaração afirmam a sua indisponibilidade para entregar a ficha de auto-avaliação nos moldes predeterminados pelo Ministério da Educação.
Esta posição implica rejeitar a transformação do biénio 2007-09 numa pseudo-avaliação com base em objectivos definidos entre três a cinco meses do final das actividades lectivas deste período. Esta atitude significa a recusa frontal em participar de forma activa numa mistificação pública cujo objectivo é fazer passar por verdadeira uma avaliação falseada do mérito profissional dos docentes, mistificação esta que sabemos ter objectivos meramente eleitoralistas mas que terá consequências profundamente negativas para a qualidade da educação em Portugal.
Estamos conscientes das potenciais consequências da nossa tomada de posição, nomeadamente quanto à ameaça da não progressão na carreira por um período de dois anos lectivos, assim como de um eventual procedimento disciplinar que todos contestaremos em seu devido tempo. Esta é uma atitude cujas implicações apenas recaem sobre nós, estando todos preparados para continuar a lutar pela demonstração da ilegalidade do regime da chamada avaliação simplex.
Estamos ainda conscientes de algumas críticas que nos serão dirigidas de diversos quadrantes. Todas elas serão bem-vindas, venham de onde vierem, desde que se baseiem em argumentos e não em meras qualificações destituídas de conteúdo.
Aos que nos queiram apontar que não compete a cada cidadão definir a forma de cumprimento das leis que se lhe aplicam, poderíamos evocar o artigo 21º da Constituição da República Portuguesa, mas bastará sublinhar o que acima ficou explicitado sobre a forma como encaramos as consequências dos nossos actos. A todos os que considerarem que esta é uma radicalização excessiva do nosso conflito com o Ministério da Educação reafirmamos que o fazemos em consciência e coerência com os nossos princípios éticos, sem calculismos ou outros oportunismos de circunstância.
Por último, salientamos que esta declaração não é um apelo a qualquer tomada de posição semelhante por ninguém, mas tão-só a afirmação da nossa. Não podemos, porém, deixar de constatar que a força de qualquer atitude é tão mais poderosa quanto consciente e esclarecida a convicção de quem a toma.
Ana Mendes da SilvaEsc. Sec. da Amadora
Armanda SousaEsc. Sec./3 de Felgueiras
Fátima FreitasEsc. Sec. António Sérgio, Porto
Helena BastosEB 2/3 Pintor Almada Negreiros, Lisboa
Maria José SimasEsc. Sec. D. João II, Setúbal
Mário MachaqueiroEsc. Secundária de Caneças
Maurício de BritoEsc. Sec. Ponte de Lima
Paulo GuinoteEB 2/3 Mouzinho da Silveira, B. Banheira
Paulo PrudêncioEBI Santo Onofre, Caldas da Rainha
Pedro CastroEsc. Sec. Maia
Ricardo SilvaEB 2/3 D. Carlos I, Sintra
Rosa Medina de SousaEsc. Sec. José Saramago, Mafra
Teodoro ManuelEsc. Sec. Moita


Fonte: A educação do meu umbigo, 13 de Junho de 2009

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Terça-feira, Junho 09, 2009

Portugal - Professores unidos

150 000: tantos e ainda tão poucos.
Tentaram dividir-nos
E conseguiram em carreira,
Mas não em número.
Lutámos defendendo os nossos princípios
Viemos do Norte, do Sul, do Centro, do Litoral e Interior.
Enchemos cidades, ruas e praças
Unimos gerações
Fizemos história.
Partimos em busca da verdade,
Percorremos km
Estendemos bandeiras
Cantámos até ficar sem voz
Mas nunca nos calámos.
Já fizemos cordões
Entregámos providências
Dormimos na rua.
Chamaram-nos incompetentes e mentirosos
Sem nunca o termos sido.
Fomos julgados injustamente
Desprestigiados
Confrontados
Manipulados
Demos lições
E continuaremos a dar.
Tantos..
Tantos não podem estar errados.


Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=yHxvPMxkO08

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As eleições para o Parlamento Europeu

Divagações avulsas:
  1. Há uma abstenção generalizada nas eleições europeias. A grande excepção é a Bélgica, onde o voto é obrigatório. É o tempo ideal para promover todas as conspirações de gabinete. A começar pelo Tratado de Lisboa, a respeito do qual o seu defensor e Primeiro Ministro da Irlanda declarou que "só um doido estaria disposto a estudá-lo e compreendê-lo"; a continuar no processo esquivo de re-nomeação/eleição colegial do Presidente Durão Barroso, que parece não agradar a Sarkozi.
  2. Família política é uma expressão quase tão destituída de sentido como democracia. Que relação esquerda-direita pode ser definida entre a gestão da crise, prudente e alheia aos ditames da Comissão Europeia, feita pelo governo de Ângela Merkel e o seguidismo irracional da cartilha capitalista feita pelo governo de José Sócrates? Ou, simplesmente, entre um verdadeiro governo social-democrata e um fanático pró-capitalista puro e duro como José Sócrates. Deixem-me rir. Comparada a Ângela Merkel, José Sócrates fica mais perto do populismo demagógico de Mussolini que de Guerard Schroeder.
  3. As condições para governar à direita com discursos de esquerda já tiveram melhores dias por esta Europa. A crise força as palavras a ajustarem-se aos actos. Tarefa tão difícil para um troca tintas como José Sócrates, como para os sofisticados socialistas franceses.
  4. Sentindo-se encurralada, a direcção do Partido Socialista em Portugal trata de radicalizar cada vez mais o discurso, abstendo-se de toda a racionalidade e recorrendo cada vez mais ao simples insulto.

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Segunda-feira, Junho 08, 2009

Poetria - Pessoa de vão de escada

Recebido por email (AF)


No próximo dia 13, cento e vinte e um anos após a data do seu nascimento, pelas 16,00h, a Poetria apresenta uma sessão dedicada a Fernando Pessoa com o título:

"PESSOA DE VÃO DE ESCADA" - Um retrato solarengo do poeta que dia 13 fará anos.

Nos vãos das lombadas dos livros, nos vãos dos dias, nos vãos das datas - até mesmo das de aniversário -, nos vãos das celebridades dos autores - até mesmo dos mortos -, nos vãos em que se recolhe a poesia como gatos, encontramos, como uma sombra, como um salteador, como uma festa surpresa, Pessoa.

"No dia em que festejavam o dia dos meus anos
Eu tinha a grande saúde de não perceber coisa nenhuma..."

Crónicas, Notas, Poemas, Leituras: Nuno Meireles

Da sessão constará uma mostra filatélica evocativa deste poeta único, múltiplo e eterno e desta vez decorrerá na vizinhança da Poetria, no Centro Comercial Galerias Lumière (ruas José Falcão e Oliveiras) - Porto

Haverá serviço de café, com oferta de estimulantes biscoitos de gengibre.

Livraria Poetria

+ Livraria Poetria
+ Poetria on Twitter

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Quinta-feira, Junho 04, 2009

Ana Mendes da Silva - Caciquismo nas escolas de Pinhal de Frades

Recebido por email (AF)




Ex.mos srs/sras. Deputados/Deputadas.

Venho mais uma vez dirigir-me a vós para denunciar uma situação extremamente grave do ponto de vista da legalidade e da democracia, democracia esta em que as nossas escola deveriam funcionar como exemplo e modelo.

Assim, reproduzo uma situação que apareceu denunciada no blog "A educação do meu Umbigo" e que me foi confirmada como absolutamente verídica por um familiar de uma das professoras do agrupamento:

Agrupamento de Pinhal de Frades, Seixal, em estado de choque com decisão da Direcção Regional da Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DRELVT).

A novela mexicana deste agrupamento começou com um pedido da presidente do conselho executivo a solicitar ao Conselho Geral transitório (CGT) a rápida eleição do director do agrupamento, também por motivos de gestão e não apenas monetários. Apesar de uma parte do CGT não estar de acordo, porque queria penas centrar-se no Regulamento Interno, a maioria resolveu atender ao pedido da senhora presidente do Conselho Executivo (CE).
A primeira surpresa surgiu aquando da entrega das candidaturas: além da presidente do CE, apareceu uma outra candidata. Tínhamos, então, a experiência versus a sapiência: a candidata com 14 anos de executivo e a candidata com mestrado e em fase de tese de doutoramento.

A segunda surpresa: a sapiência vence 12 a 6, com a abstenção da autarquia, claro. Foi o renascer de um agrupamento: respirava-se novamente.

Mas eis que tudo o que é bom, ou excepcional!, acaba: a candidata vencida interpõe um recurso, alegando falta de habilitações da sua adversária. Apesar do Director Regional já ter homologado esta candidata, vem uma revogação por falta de 1 número de acreditação da parte curricular do doutoramento!

Sai a directora, entra a presidente do CE. Todos os professores e funcionários do CGT são convocados para uma reunião com o Director Regional. Neste encontro o Director refere que homologou a directora porque o documento ficou uma semana preso nos serviços, sendo depois indevidamente enviado para a escola (?!). Assim, dever-se-ia continuar com o mesmo concurso, mas apenas com 1 candidata: a vencida. Interpelado sobre a legalidade do acto, referiu ter “resmas de advogados” e que ele é que iria tomar a decisão final. Apresentou de seguida várias hipóteses para solucionar este caso:
  • a candidata vencida demitia-se;
  • o CGT demitia-se ou faltava às reuniões;
  • elegia-se a candidata vencida, uma vez que uma CAP poderia ser terrível;
  • o CGT aprovar 1 documento expressando que não estavam reunidas as condições para a eleição do director, documento este que teria que ser aprovado por uma maioria de dois terços dos votos.


No entanto, ter-se-ia que garantir a calma do agrupamento e a tranquilidade de toda a comunidade. A presidente do CGT apresentou 1 abaixo-assinado que lhe fora dirigido pela comunidade (o qual já era do conhecimento do sr. Director – “por via oficial e outras” sic) a solicitar a reposição da democraticidade na eleição do director do agrupamento. Este documento que revelava a instabilidade vivida nas escolas do agrupamento, não teve efeitos porque, segundo o senhor director, “muitos gostam de se manter longe destas situações” (porque será?!).

Indignados com tais propostas, e com a atitude de quem quer governar a todo o custo, todos os professores, efectivos e suplentes, demitiram-se, juntamente com 1 elemento cooptado e 2 representantes dos encarregados de Educação (EE). Esta difícil decisão foi tomada com o intuito de “matar” 1 eleição viciada e repor a democraticidade no agrupamento.

Resultado: o sr. Daniel Rodrigues telefona ao elemento mais velho do CGT remanescente, a chefe dos serviços administrativos, dizendo-lhe que deve assumir a presidência (uma vez que a presidente era professora) e prosseguir com a eleição.

Mal vimos a convocatória, ligámos a este senhor que, também oralmente, nos disse ser legal existir 1 CGT sem a representação de professores e com outros elementos demitidos. E era assim, porque ele dizia, sem apresentar uma justificação legal. Enviámos-lhe um e-mail a solicitar 1 esclarecimento por escrito… até agora nada. E a reunião está marcada para sexta-feira, às 18:30 para, numa eleição viciada, se eleger uma candidata vencida.

Como é óbvio, não existe nem calma, nem tranquilidade neste agrupamento. Mas parece que, afinal, isso não era importante!

Pinhal De Frades: Uma Outra Forma De Assalto Pela DRELVT

Como podem constatar, a situação é tão grave que não carece de comentários adicionais. Como muito bem saberão, este verdadeiro atropelo às leis não é novo (relembro o Agrupamento de Santo Onofre e o Agrupamento de Escolas da Freixianda, em que os Conselhos Executivos, democraticamente eleitos e ainda em pleno exercício das suas funções, foram compulsivamente demitidos e substituídos por comissões administrativas provisórias (CAP's) e temo que tenda a disseminar-se neste verdadeiro jogo político pelo poder dentro das escolas.

Como professora e como mãe, peço que intervenham dentro das vossas competências e que façam um esforço adicional para devolver a paz e a tranquilidade às escolas públicas, reconhecendo todos os esforços que envidaram até ao presente nesse sentido. Uma escola deverá ser um local de trabalho, de saber e de promoção da cidadania e não pasto de quezílias e arremessos nada democráticos.

Os nosso alunos, os que dependem DESTA escola pública para poderem crescer livres e terem sucesso como cidadãos e como indivíduos, dependem do que conseguirmos, todos nós, fazer AGORA!

Grata pela atenção dispensada e pedindo a urgência possível na análise e denúncia desta situação:

Ana Mendes da Silva,
cidadã, encarregada de educação
e professora do Grupo de Recrutamento 300 na
Escola Secundária da Amadora

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Quarta-feira, Junho 03, 2009

Vital Moreira, absentista

Via email de Manuel Sanches.


Vital Moreira
(clique na imagem para ampliar)


O Diabo, 19 de Maio de 2009

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Segunda-feira, Junho 01, 2009

Marisa - O mundo cruel faz de ti o que não és!

Porque hoje é o Dia Mundial da Criança (AF)


Imagem criança

O mundo cruel faz de ti o que não és!
A tão jovem idade que se escapa,
Que se esconde por debaixo da capa
Não do como és, mas sim daquilo que és.

E tornas-te adulto mas não maturo
E é difícil ouvir tuas preces!
Tens o que te dão, não o que tu mereces!
Sorriso tão inocente, olhar tão puro!

Teu sorriso de mentiras repleto,
De contentos tua vida é movida,
Alegrias escuras são mentira

Um sorriso estanque de tão incompleto
Pôs-te alguém nos subúrbios da Vida?
Não! Mas também ninguém daí te tira!



Marisa, No limiar das palavras, 14 de Maio de 2009

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Sábado, Maio 30, 2009

Medina Carreira e o estado das coisas

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Quarta-feira, Maio 27, 2009

Rui Correia - Manifestação dos professores

Tenho percebido um pouco por todo o lado que os professores andam soturnos porque sussurram que a manifestação de dia 30 não vai ter por lá cento e tal mil pessoas; e que era muito importante que lá estivessem cento e tal mil pessoas porque aquilo que os juntou uma, duas vezes, é o mesmo que agora ainda todos pensam. Dizem que já muitos entregaram objectivos, elegeram cgts, recrutaram directores e agora têm vergonha de gritar num lado uma coisa que na prática não cumpriram noutro e que, por essas e por outras, ficou a unidade amputada, a classe dividida, e não vai ser possível juntar outra vez cento e tal mil pessoas.

Desculpem-me os activistas e os amedrontados pela sua própria consciência mas acho este raciocínio completamente pacóvio.

Antes de mais nada, sempre que ouço falar deste embaraço antecipado que sentem por esta manifestação não ir reunir tanta gente como deveria, creio que alguém se está a esquecer do que realmente significa juntar em Portugal cem mil pessoas de uma mesma classe profissional. Parecemos um daqueles soldados napoleónicos que, depois de ter encontrado a pedra de Rosetta, anos depois do achado ainda não tinha a noção do que fizera por uma civilização inteira. Aqui, como se percebe, deixo que entre em cena a minha costela de historiador. Creio ser indispensável recordar que nunca mais nada do género se fará em Portugal tão cedo e que os professores fizeram história, quer isso se reconheça, quer não. E que isso, ninguém nos tira.

Ou seja, essa vitória, que ninguém esperaria lograr, foi conseguida. E dessa vitória resultaram importantes conquistas. A senhora ministra, em pleno Parlamento, mostrou-se disponível para deixar cair o seu próprio modelo, “mas não este ano”. A senhora ministra recuou nas mais aberrantes propostas que o modelo de avaliação inicialmente exigia que fossem cumpridas. E foi obrigada a fazê-lo por duas vezes. E isto não aconteceu por causa de outra coisa que não fosse a nossa justa campanha.

Em todos os partidos da oposição, em todas as crónicas dos opinion-makers, é voz corrente que esta equipa ministerial é duma incompetência arrogante e desorganizada que não tem paralelo. Esta convicção unânime não nasceu do nada; estes incapazes ficarão para a história por causa da maior incúria legislativa e desorientação educativa desde que há democracia em Portugal. De nada poderão orgulhar-se. Já viram? Nada. Nem uma coisinha pequenina. Por seu turno, os professores já pertencem à melhor história recente deste país, como aqueles que produziram a maior manifestação profissional de sempre. E isto, meus amigos, digo-o com a serenidade de quem passou grande parte da sua vida a pensar como devem as coisas ficar escritas em livros de História.

A honorabilidade dos professores, da sua união, foi tão impressionante e tão eloquente que nada, por muito irrisória que fosse a manifestação de dia 30, nada pode minimizar o que mais importa: os professores ficam na história pelas melhores razões e este governo perde a sua desejada maioria por causa dos professores. Repito-o, isto só acontece por causa do que já fizemos. A culpa é toda nossa. Dizer-se que estamos soturnos com os nossos insucessos é, por isso mesmo, historicamente, uma miopia grosseira.

Se até aqui nos erguemos contra um modelo de gestão e de avaliação estúpidos, agora juntamo-nos para lembrar a todo o país, aos nossos alunos, que sempre que nos unamos com aquela dignidade cívica que demonstrámos antes, o veredicto da história ser-nos-á devidamente lisonjeador.

Diverte-me muitíssimo que nos reunamos para dizer adeus a este ministério. Porque é o que irá acontecer. Aqui há uns tempos sugeri um modelo de manifestação mais festivo, com canções e alegria. Era por isto. Por saber que há hoje, mais do que antes havia, muitas razões para esse júbilo.

Voltarmos a Lisboa exige, portanto, uma outra atitude: é uma celebração antecipada. Por mim, vou a Lisboa deitar foguetes antes da festa. E irei levando comigo essa minha saloia satisfação, porque sei que esta, ao contrário de todas as outras, representa o selo histórico que há muito todos os professores desejam carimbar: o adeus a esta equipa ministerial.

Cada campanha tem sempre muitos desfechos. A história está cheia disso. Nunca ninguém ganha tudo. Acho que há quem julgue que devia ser assim com os professores. Isso é parvo. Ganhamos umas. Perdemos outras. É por isso que a campanha continua. Mas uma delas, uma das mais ambicionadas, é nossa e diz-se assim:

“Adeus”

No próximo dia 30 erguemo-nos de novo para dizermos a todos os portugueses e à história que os professores podem parecer David, mas Golias vai cair. Vejam bem, até a Bíblia foi escrita só para falar de coisas destas. Por isso vos digo: com OIs entregues ou não, com directores ou com caps (e, aqui em Sto Onofre, não podemos gastar os confettis todos porque um dia destes comemoraremos também o CAPs LOCK), com fichas de avaliação ou não, só se fossemos uns bimbos é que não nos juntávamos para celebrar a coisa devidamente.


Rui Correia em A educação do meu umbigo

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Segunda-feira, Maio 18, 2009

Carta aberta à ministra da Educação - Santana Castilho

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In Publico - Não sinto necessidade de comentar. Concordo, Professor Castilho!

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Sexta-feira, Maio 08, 2009

João Severino - Perigos da Terceira Travessia do Tejo

O Professor Carvalho Rodrigues disse que houve pessoas quase a morrer em Sacavém. Mas eu conheci uma pessoa, trabalhador da STE, que morreu de facto nas inundações de 2008, arrastado pelas águas. (AF)


A Terceira Travessia do Tejo (TTT) em Ponte no Mar da Palha põe definitivamente em risco as populações ribeirinhas das cidades de Lisboa até Vila Franca de Xira e do arco ribeirinho da margem sul (Alcochete, Montijo, Moita, Barreiro, Seixal e Almada). O índice de assoreamento no Mar da Palha é extremamente elevado, como é bem visível nesta fotografia do "Dique" Vasco da Gama (http://www.anmpn.pt/images/apvg.jpg ) dado que, o aumento de amplitude do estuário naquela zona provoca uma diminuição significativa da velocidade da água, que facilita a precipitação dos sedimentos que vêm em suspensão. Na maré baixa, no trajecto Seixal - Lisboa, existem locais onde já não passam dois catamarans um pelo o outro. Os cerca de 50 pilhares da nova Ponte vão originar igual número de ilhas cujo aumento de volume ao longo dos anos provocará um efeito de Dique, potenciando a ocorrência de catástrofes com inundações das zonas ribeirinhas, em situações de caudais elevados aliadas a ventos e marés vivas equinociais. Efectivamente, dado que os caudais no rio têm vindo a aumentar fruto da diminuição das zonas de infiltração em terra ocupadas pela malha urbana, a introdução de infra-estruturas no rio que funcionam como obstáculos à corrente fará crescer significativamente o nível de assoreamento, potenciando a ocorrência de inundações devido à subida da altura da água. Este problema não foi objecto de qualquer estudo científico, nem sequer foram consultadas as entidades de referência no domínio da hidrografia, nomeadamente, o Instituto Hidrográfico. O Professor Carvalho Rodrigues, no Programa Clube de Imprensa da RTP2, através de uma experiência simples, mostra-nos os riscos que a TTT em ponte (em qualquer dos corredores) representará para as populações ribeirinhas, no caso de não vir a ser travada a tempo. A falta de rigor e superficialidade do estudo subjacente à TTT no respeitante aos seus efeitos na área molhada, é uma vergonha para a Engenharia Portuguesa, aliás bem patente no parecer sobre o Projecto emitido pelo Gabinete de Sexa. o Chefe do Estado Maior da Armada, quando afirmou (sic): "Apesar do Estudo de Impacto Ambiental referir que o Instituto Hidrográfico foi contactado como entidade interessada, convém esclarecer que as solicitações dirigidas àquele Instituto não foram nesse sentido, tendo tido apenas como objectivo a cedência de dados hidrográficos publicados pelo IH." Ou seja, quem sabia da poda, quem tinha a soberania sobre os saberes, não foi consultado!
Para ver a totalidade do video do Clube de Imprensa de 2009.04.29 - Portugal, País de Descobertas - clique neste link:
http://ww1.rtp.pt/multimedia/?tvprog=23329&idpod=24754

João Severino, A nova ponte é um perigo
Pau para toda a obra, 4 de Maio de 2009

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Quinta-feira, Abril 30, 2009

Jack Soifer - Alta velocidade

Jack SoiferA TECNOLOGIA do TGV tem 150 anos, não inova em nada, é só força bruta. Ao contrário do Alfa, que usa a ciência e é pendular, no TGV o bogie, o chassi e os carris são tradicionais, mas maiores; só o motor eléctrico substituiu a locomotiva a vapor.
O LightAlfa usa compósito, ligas de alumínio e carbono, e HDPVC na carruagem e chapa de aço reforça­do, em vez de ferro fundido no bogie. O fio dos motores é de liga de alumínio em vez de cobre. Tudo o torna mais leve, flexível nas curvas e exige muito menos betão nas pon­tes e retirada de terras nas serras.
O LightAlfa é tecnologia de ponta, faz 240km/h de média, quase igual ao TGV e, ao invés deste, não está nas mãos de só nove empresas de quatro países.
Ao ligar Faro a Braga pelo interior, o Train de Grand Developpement (TGD) com ramais para Badajoz e Vigo e gastando 1,5 mil milhões de euros, traria emprego a 78 firmas e 18 mil cidadãos portugueses.
Só seis empresas de França, Reino Unido e Alemanha estão certificadas para vender carris, material eléctrico e electrónico, carruagens, etc. para o TGV.
A Espanha tem três empresas certificadas para as pontes e a infrastrutura.
Exige-se quatro anos e milhões para certificar.
Não estarão num cartel?
Estimativas de países que pensaram investir ou já fizeram TGV mostram brutais derrapagens. Os três grandes da UE exportariam para Portugal 65 a 74% dos 5 mil milhões, a Espanha uns 20% e as nossas três mega-empresas 8 a 9%.
Mas três gerações (de Portugueses) teriam que pagar mais 4 mil milhões em juros e sobre lucros ao cartel e cada um dos nossos 5 milhões de empregados mais 500€/ano de impostos em subsídios do Governo ao consórcio do TGV.
Se o racional e inovador é o LightAlfa, que lobby de Bruxelas está a forçar um ministro a nos meter goela abaixo uma dívida irracional e uma velha tecnologia? Por que estes dados não chegam a José Sócrates?


Portugal Ilustrado

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Segunda-feira, Abril 27, 2009

Eduardo Ferreira - Alunos injustiçados

ALUNOS DE PENACOVA PUNIDOS POR DEFENDEREM OS SEUS DIREITOS



Três alunos da Escola Secundária de Penacova foram levados a Tribunal e condenados por se terem manifestado contra o estatuto do aluno, na defesa do direito de poderem voltar à Escola e prosseguir normalmente os estudos, depois de uma doença ou de terem participado numas jornadas culturais ou até numas olimpíadas da matemática, por exemplo, sem terem que se sujeitar a exames intercalares que aferissem os seus conhecimentos e os pudessem excluir em qualquer altura do ano, tais eram as aberrações previstas naquele estatuto.

Os Pais já o haviam feito! Manifestaram-se por unanimidade na sua Assembleia-geral de Pais e Encarregados de Educação, realizada em 25 de Outubro e pediram a “Deus e a todo o mundo” que fizessem o mesmo. A Associação de Pais pediu à Ministra que mudasse de ideias, apelou aos Deputados de todos os Partidos que corrigissem o estatuto e deu disso conhecimento às outras Associações para que seguissem o mesmo exemplo.

Entretanto, os alunos à medida que foram tomando consciência da gravidade das medidas previstas no estatuto, que mais parecia o código penal, foram promovendo acções de luta. Os de Penacova manifestaram-se no dia 17 de Novembro à porta da Escola, numa acção que teve o apoio unânime dos estudantes, com a recusa colectiva de ir às aulas, nessa manhã.

Nessa acção, alguém escolheu cirurgicamente três deles e os acusou, quiçá, de perigosos agitadores, que levados perante a Justiça, são agora notificados a prestar serviço de interesse público, com acompanhamento pelos serviços de Reinserção Social, devendo ainda, quem não beneficiou de protecção jurídica, que pagar as custas do processo!

Que crime terão cometido os nossos jovens para terem um tratamento assim? O direito de manifestação não será permitido em Penacova? São estas as lições que a escola e a justiça dão aos nossos filhos?

Os Pais destes alunos vieram-se queixar e pedir ajuda à Associação de Pais, completamente indignados com o desfecho deste processo e cientes de que os seus filhos apenas exerciam um direito cívico, em liberdade, vendo-os agora a serem tratados como uns delinquentes marginais e ainda sujeitos à humilhação, pelo cumprimento das medidas disciplinares aplicadas.

A Associação de Pais e Encarregados de Educação está solidária com os colegas e com os seus filhos, partilhando a mesma indignação perante o tratamento dado a este caso e disponibiliza-se para patrocinar qualquer iniciativa que entendam promover no sentido de defesa da honra e do bom nome dos seus filhos.

Regista-se ainda, com preocupação acrescida, que este caso ocorreu no presente ano lectivo e conheceu o seu desfecho no mês em que se comemora o 35º aniversário do 25 de Abril, o dia da conquista da Liberdade!

Lamentável coincidência!

Penacova, 21 de Abril de 2009

O Presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação,

Eduardo Ferreira


Para saber mais: Paula Bernardes, telef. 967611282 e Pedro Santos, telef. 914912618

Constituição em 26.12.84 Pessoa Colectiva Nº 502 111 968 Contactos: Telef. 919 631 053/239 470 190

Sede: Escola EB 2,3/S de Penacova – 3360-191 PENACOVA E-mail: ass.pais.penacova@hotmail.com

(Recebido por email de Rosa Maria Vilaça)

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Sábado, Abril 18, 2009

A Primavera em festa

Algumas imagens de flores em Portugal, captadas por Vanda Ferrão


Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal
Flores da Vanda em Portugal

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Domingo, Abril 12, 2009

As crianças ainda têm direito a brincar?

(Recebido por email de Margarida Azevedo)

"Exma. Sr.ª Ministra da Educação
Exmos Srs. Presidentes das Câmaras Municipais


Este ano ficámos surpreendidos com o regresso à escola dos nossos filhos, amigos, vizinhos. Descobrimos que agora uma criança com 6 anos de idade estará obrigatoriamente 8 horas numa sala de aula, exactamente o horário de trabalho de um adulto.
Para reduzir custos, cortar no público e garantir que o privado continua a receber subsídios directos e indirectos, as câmaras municipais decidiram, sem consultar ninguém, que as actividades extracurriculares passavam de facto a ser curriculares. Ou seja, antes uma criança tinha aulas até às 15 horas e depois actividades facultativas extracurriculares e agora essas actividades são colocadas no meio das aulas. A razão é simples: antes um professor de música dava aulas numa escola das 15 às 17 e agora o mesmo professor dá aulas em várias escolas ao mesmo tempo. Assim, os alunos do 1.º ciclo têm aulas, depois música, depois aulas, depois inglês, depois ginástica, depois aulas…O resultado é que estão 8 horas numa sala de aula!

Contactámos pessoalmente várias professoras que nos confessaram que as crianças simplesmente estão «exaustas», a partir da tarde não se concentram em nada, e nós pais constatamos que as crianças chegam a casa nervosas e simultaneamente exaustas. Todos os estudos[1] indicam que as crianças que não brincam livremente, em espaços abertos e amplos várias horas por dia, têm mais probabilidade de serem hiperactivas, obesas, terem problemas de motricidade e, claro, são obviamente mais infelizes. O que nos aconteceria a nós, adultos, se estivéssemos 8 horas sempre a ouvir alguém, sentados dentro de uma sala de aula? Como se sentem os nossos filhos?

A escola que conceberam estes responsáveis políticos é improdutiva e péssima para as crianças e não tem nenhuma comparação com o que se passa em qualquer país da Europa. Na França, na Alemanha e nos colégios ricos – onde andam os filhos dos ministros – como o Liceu Francês, as crianças têm 5 horas de aulas e o resto do tempo livre.
O Estado deve arranjar espaços lúdicos para as crianças estarem da parte da tarde, mas esses espaços devem ser lúdicos e amplos e não uma espécie de estudo acompanhado permanente. Que escola é esta em que nas aulas se pinta e se canta e no recreio tem-se estudo acompanhado?
As actividades extracurriculares devem ser «extra» e não obrigatórias; devem ser garantidas pelo Estado e não através de financiamentos a privados. A quem não opta pela ditas actividades deve ser garantido que as crianças simplesmente possam ficar a brincar na escola sob a supervisão de um adulto.

Considerando que:

• Esta é uma lei incompatível com a declaração dos direitos da criança da UNESCO, adoptada pela ONU a 20 de Dezembro de 1959;
• As crianças que não têm actividade física e lúdica tem tendência para ficar hiperactivas, obesas e infelizes;
• Que a escola deve organizar actividades para os pais que não podem ficar com as crianças mas que essas actividades devem ser de facto opcionais e deixar a tarde livre para quem assim o deseja;
• Que as aulas devem ser exigentes mas o espaço de brincadeira deve ser livre, amplo,

Os encarregados de educação abaixo-assinados declaram que:

o Não aceitam que as actividades extracurriculares sejam colocadas no meio do horário das aulas.
o Não aceitam que os seus filhos estejam 8 horas seguidas em actividades lectivas, curriculares ou extracurriculares.
o Estão dispostos a avançar com uma queixa junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso esta política não seja revista.


Se está de acordo com o exposto, pode contribuir para uma vida melhor assinando aqui.

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Quarta-feira, Abril 01, 2009

Poesia de Pablo Neruda

(Via email de Fátima Inácio Gomes)

Cartaz - Poesia de Pablo Neruda
(Clique para ampliar)

POESIA INPROGRESS
Amor em tempo de crise
"Fui o mais abandonado dos poetas,
mas tive sempre confiança no homem."

Poemas de Pablo Neruda lidos por
Armando Dourado,
Cláudia Novais,
Celeste Pereira,
André Sebastião,
António Pinheiro e
Inês Mota.

Acompanhamento:
Rumba dançada por
Bárbara Marques e
João Vinhas.

2 de Abril, às 21H30
Café Progresso

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Quarta-feira, Março 25, 2009

Ana Monteiro - Porque escolhi este poema

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim, em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alto vive.
Ricardo Reis



Eu escolhi este poema de Ricardo Reis por três motivos:
Primeiro: o poema expressa uma máxima a que eu aspiro – “Se tiveres que fazer algo, fá-lo bem feito.” – pois quando se faz algo, por mais pequeno ou insignificante que seja, por nós, pelos outros, quer gostemos ou nao, ficamos bem com nós próprios e orgulhosos, mesmo que ninguém repare ou elogie, porque temos a certeza de que o fizemos bem e é isso que conta.
O segundo motivo pelo qual escolhi este poema foi devido ao facto de ele nos mostrar que devemos procurar exceder sempre as nossas expectativas e a dos outros, porque a vida é o nós fazemos dela e o nosso futuro está sempre a mudar a cada pequena decisão que tomamos. Já que estamos neste mundo, por que não “rock it out with style?!” (não sei se podemos escrever em inglês, mas não sabia como expressar isto em português.)
E, por último, mas não menos importante, o facto de este poema possuir uma complexidade sintática, o que o torna interessante para mim, pois eu gosto de procurar o singnificado das coisas. A complexidade deste poema encontra-se na sua sintaxe, pois é clássica, latina e muito diferente daquela que estudámos em Alberto Caeiro. Este poema apresenta uma sintaxe latina, como já referi, com a frequente inversão da ordem lógica, favorecendo o ritmo das suas (Ricardo Reis) ideias disciplinadas.

Ana Monteiro, 12ºA Começar o ano... em grande!, 6 de Janeiro de 2009




Amigo Leitor

Deseja entregar-se ao poder encantatório das palavras? Então não deixe de visitar este one of a kind blog feito numa escola de Barcelos:

No Limiar das Palavras

onde, no dizer da professora que o criou, escrever não é um acto inútil. Inútil é calar-se.

(AF)

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Terça-feira, Março 24, 2009

Encontro de blogs comunistas

Encontro de blogs comunistas
(Recebido por email)

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Segunda-feira, Março 23, 2009

Educação - uma opinião de Santana Castilho

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Domingo, Março 22, 2009

Reunião dos PCE's - O modelo em vigor inviabiliza uma avaliação justa e digna

Os Presidentes dos Conselhos Executivos reunidos em Lisboa, continuam a manifestar a sua preocupação na defesa da Escola Pública.
A não suspensão do modelo em vigor, proposta em ocasiões anteriores é susceptível de inviabilizar, no espaço da actual legislatura, a construção de um sistema de avaliação de desempenho docente digno e justo.
Conforme assinalámos a seu tempo, a aplicação em curso do modelo de avaliação esgota-se num conjunto de procedimentos de natureza administrativa que não cumprem os princípios e finalidades da avaliação do desempenho dos docentes.
As objecções e as reservas anteriormente manifestadas em relação ao modelo de avaliação estão, assim, a ser confirmadas na prática.
Neste quadro de análise, a leitura da legislação no que respeita à entrega dos objectivos individuais, determina a recusa, pelos Presidentes dos Conselhos Executivos, da adopção de medidas arbitrárias que possam, de alguma forma, penalizar os docentes.
Os Presidentes dos Conselhos Executivos aqui presentes reafirmam a sua total disponibilidade para contribuir na construção de soluções de avaliação do desempenho docente sérias, credíveis e justas.
Por considerarem importante promover a uniformização de medidas – já de si ferida pela adopção diferenciada de procedimentos nos Açores e na Madeira – entendem ser indispensável divulgar e fazer subscrever junto de todas as escolas do País a posição aqui assumida.

Declaração dos PCE Reunidos No Teatro Aberto
A Educação do meu Umbigo, 22 de Março de 2009

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Sábado, Março 21, 2009

Análise da retórica de Augusto Santos Silva

O professor João Paulo Maia caracteriza assim o modo como Augusto Santos Silva cultiva a Retórica. O Leitor facilmente concluirá sobre a justeza desta análise nas próximas intervenções do Ministro dos Assuntos Parlamentares. (AF)

  • frases feitas;
  • conclusões de pretensas estatísticas lançadas sem se justificar como se chegava a tais coisas;
  • muitas falácias: ad hominem, falsas disjunções, petições de princípio, generalizações precipitadas, …;
  • entimemas (sim porque é assim que tenta cativar alguns auditórios, amputando argumentos e optando-se, não raro, apenas por slogans).
augustosantossilva.gif


Excerto de um comentário de João Paulo Maia em A educação do meu umbigo a 20 de Março de 2009

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Sexta-feira, Março 20, 2009

Hoje começa a grande festa

A efeméride está marcada para as 11H44 da manhã. Consistirá na passagem do Sol pelo ponto vernal médio. Este ponto já esteve na constelação zodiacal do Carneiro, mas deslizou entretanto para a dos Peixes. Os astrólogos não se entenderam com os astrónomos e continuam a dar início ao signo do Carneiro nesta data. Mas isso em nada interessa para a festa.
  1. A duração do Sol acima do horizonte estará hoje equilibrada com a duração da noite, muito aproximadamente 12 horas para cada qual, em toda a extensão da Terra excepto nos pólos;
  2. O Pólo Norte entra num período de seis meses de claridade crepuscular permanente;
  3. O Pólo Sul entra num período de seis meses de obscuridade crepuscular permanente;
  4. Começa hoje o novo ano trópico, a principal medida astronómica para o ano;
  5. Para o hemisfério Sul, começa o Outono hoje;
  6. Para o hemisfério Norte, hoje começa a Primavera.
Portanto, em Portugal inaugura-se oficialmente a explosão da alegria das flores. Bela ocasião para uma malga de caldo verde a fumegar, um bom copo de verde tinto, azeitonas, chouriço assado e broa de milho. Depois de afinadas as gargantas, os pares podem tomar os seus lugares. Segurem-se as concertinas e o clarinete, os cavaquinhos, as guitarras e o violão, o bombo, o pandeiro, os ferrinhos e as castanholas. Apertem-se as faixas à cintura e atem-se os lenços à cabeça. Venha daí a Arrastada, o Senhor da Serra, a Chula Vareira, o Malhão, a Gota da Serra d'Arga, a Cana Verde e os Sinos da Sé de Braga. De aonde? Or' essa, de onde a cultura tradicional portuguesa partiu para chegar mais longe, ultrapassou todas as fronteiras e tocou corações no outro lado do Mundo, pois claro. Todos prontos? Vamos então.
Vira, Maria!
Vira, Manel!


Hei-de cantar, hei-de rir
Hei-de ser muito alegre
Hei-de mandar a tristeza
P'ró diabo que a leve

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Quarta-feira, Março 18, 2009

Presidentes dos Conselhos Executivos

Reunião de presidentes dos Conselhos Executivos das escolas

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Sexta-feira, Março 13, 2009

João Oliveira - Declaração sobre a educação

João Oliveira


Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

Decididamente, com este Governo e esta maioria PS não é possível uma educação melhor!

Para enumerar todos os prejuízos causados nos últimos quatro anos a escolas, alunos, professores e outros profissionais seriam necessários bem mais que os seis minutos desta declaração política.

E não nos referimos aos enredos de cordel em torno do Magalhães, de quadros interactivos pomposamente inaugurados que não funcionam, da banda larga ou da internet sem fios que em muitos casos continuam a ser apenas verbos de encher ou que significaram verdadeiras fraudes para muitos milhares de portugueses.

No fim de contas, isso serão apenas episódios que ficam para a história de um Governo que, cego pela sua própria propaganda, fez da educação um substantivo eventualmente vistoso na aparência mas cada vez mais vazio de conteúdo.

Aquilo de que queremos hoje falar é de um sistema educativo subjugado a um demolidor objectivo de produção estatística, arredado de propósitos democráticos e progressistas de formação integral de indivíduos capazes de crítica e criativamente interpretar e transformar a realidade que os rodeia.

Queremos falar das crianças e jovens a quem tudo é facilitado e permitido quando se trata de cumprir metas estatísticas mas que já não estão autorizados a contestar as políticas do Governo ou têm que se sujeitar à vídeo-vigilância dos seus movimentos dentro do espaço escolar.

Queremos falar de escolas enredadas numa teia burocrática, ora obrigadas a cumprir a lei, ora compelidas pelo Governo a cometer ilegalidades.

Aquilo em que insistimos hoje falar é nos professores desmotivados pelas condições de trabalho que têm que enfrentar.

Professores difamados e ofendidos na sua dignidade profissional por um Governo que ainda não desistiu de vergar toda a classe profissional aos pés da omnipotente e omnisciente equipa ministerial.

Professores que em funções de gestão ou no exercício da docência enfrentam o dia-a-dia nas escolas com “muito Xanax”, como recentemente afirmou nesta Assembleia uma presidente de um Conselho Executivo.

Professores que, apesar da dimensão da ofensiva que enfrentam, não estão dispostos a capitular e continuam a lutar pela dignificação da sua profissão e da Escola Pública, por um sistema educativo ao serviço do desenvolvimento do país.

Querendo falar de tudo isto não podemos ignorar o Governo que, teimosamente, insiste no agravamento das políticas que deram origem ao desastre educativo a que o país hoje assiste.

Tal como não podemos ignorar a maioria parlamentar que, por ser absoluta, legitima toda e qualquer medida governativa sem atender aos argumentos de quem a contesta nem aos efeitos que ela possa produzir.

Na passada terça-feira, o Ministério da Educação voltou a fazer das suas.

Questionada pela Comissão Parlamentar de Educação sobre os efeitos que teria para os professores a não entrega dos objectivos individuais, a Ministra da Educação remeteu à Assembleia uma resposta pouco convincente mas bastante clara.

Sendo pouco convincente quanto à interpretação das normas legais que ainda restam do defunto modelo de avaliação, a resposta do Ministério é bastante clara quanto ao conteúdo da ameaça que deixa aos professores portugueses.

O Secretário de Estado Jorge Pedreira já tinha avisado que se os professores insistissem na greve de 19 de Janeiro sofreriam as devidas consequências e a resposta enviada à comissão parlamentar aí está para o confirmar.

Perante uma greve que atingiu os 90%, perante a determinada luta de dezenas de milhar de professores que recusam entregar os objectivos individuais exigidos pelo injusto modelo de avaliação, o Ministério da Educação ameaça agora “malhar” com efeitos na progressão e acesso à carreira e também na graduação e ordenação dos candidatos no âmbito do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente.

Aliás, também a respeito deste concurso a situação criada pelo Governo é vergonhosa, inaceitável e gravemente lesiva dos direitos dos professores e do sistema educativo.

Enquanto a propaganda do Governo informa que no concurso que se inicia amanhã há 20.600 vagas disponíveis, a dura realidade é a de um despedimento massivo de professores, de mais precariedade e piores condições para o exercício da docência.

Com este concurso, o Governo empurra para fora dos quadros cerca de 15 mil professores dos Quadros de Zona Pedagógica, prevendo mesmo já que 5 mil fiquem sem colocação.

Dos mais de 20 mil professores contratados, o Governo anuncia a integração nos quadros de apenas 2600, podendo mesmo isto não vir a acontecer caso se confirme a anulação dos milhares de vagas negativas hoje existentes. Desta forma irá o Governo remeter para o desemprego docentes com muitos anos de serviço que continuam precariamente contratados, sem direitos nem estabilidade mas a contribuir decisivamente para a poupança de custos do Ministério.

Há situações de professores contratados que auferem salários inferiores em mil euros ao salário que receberiam se estivessem nos quadros. É por isto que o Governo procura perpetuar a contratação e aponta já para o futuro o fim do concurso nacional de recrutamento, para que passem a ser as escolas a fazê-lo directamente.



Senhor Presidente,
Senhoras e senhores Deputados,

A desastrosa realidade em que se encontra o sistema educativo português é a prova evidente do completo fracasso desta política educativa e da derrota dos seus protagonistas.

É a prova da derrota deste Governo e desta maioria absoluta que, ao longo da legislatura, fugiram ao debate e ao confronto democráticos.

Foi com esta maioria absoluta que ficámos a saber que quem se mete com o PS leva ou, o que é dizer o mesmo, que o PS gosta de malhar em quem se lhe opõe.

É também contra esta arrogância e prepotência que a justa luta dos professores portugueses há-de vencer, a bem do sistema educativo consagrado na Constituição democrática do Portugal de Abril.

Disse.


João Oliveira, Declaração Política sobre Educação, 12 de Março de 2009

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Quinta-feira, Março 12, 2009

Pedro Martins - Impacto do Estatuto da Carreira Docente no ensino

Pedro MartinsEstá disponível aqui o meu trabalho sobre o impacto das reformas dos últimos três anos na aprendizagem dos alunos do ensino secundário em Portugal. Infelizmente as minhas análises indicam que este impacto é negativo.

O estudo baseia-se na informação individual dos resultados dos exames em todas as escolas secundárias portuguesas desde o ano lectivo 2001-02 até ao último ano lectivo completo (2007-08). Utilizo informação disponibilizada pelo Júri Nacional de Exames e que tem sido utilizada para a construção de rankings (por exemplo, aqui e aqui).

Em termos específicos, comparo a evolução dos resultados internos e externos (exames nacionais) nas escolas públicas do continente com as escolas privadas e também com as escolas públicas das regiões autónomas. A motivação para esta escolha está no facto de os dois últimos tipos de escolas não terem sido afectadas - pelo menos não com a mesma intensidade - pelas várias alterações introduzidas no estatuto da carreira docente. Nessa medida, tanto as escolas privadas como as escolas públicas das regiões autónomas podem servir como contrafactual ou grupo de controlo.

(Outras abordagens, como comparar as escolas públicas ao longo do tempo ou comparar escolas públicas com escolas privadas num dado período, não são esclarecedoras. No primeiro caso porque o nível de dificuldade dos exames oscila de ano para ano. No segundo caso porque os alunos nos dois tipos de escolas são diferentes.)

Os resultados indicam uma deterioração relativa de cerca de 5% em termos dos resultados dos alunos das escolas públicas do continente em relacao tanto às escolas públicas da Madeira e Açores como às escolas privadas. A minha explicação para este resultado prende-se com efeitos negativos em termos da colaboração entre professores a partir do momento em que a sua avaliação prende-se essencialmente com o seu desempenho individual. Por outro lado, o aumento da carga burocrática associada à avaliação também poderá ter tido custos em termos da qualidade da preparação das aulas.

Por outro lado, verifiquei que a variação em termos dos resultados internos destes mesmos alunos é menor, embora também negativa - cerca de 2% (em contraponto a 5% nos exames nacionais). A diferenca entre os dois resultados, que sugere aumento da inflação das notas, pode explicar-se pela enfase colocada pelo ECD - pela menos nas suas primeiras versões - nos resultados dos alunos como item a ser considerado na avaliação dos professores.

Todos os resultados são particularmente robustos a várias alteracões em termos da definição da amostra e em termos de diferentes critérios para a condução da análise. Mais pormenores na versão académica do estudo, publicada em versão "working paper" pelo Institute for the Study of Labor, aqui.

Os resultados em si são preocupantes. Mas mais preocupante ainda será não aprender com erros e correr o risco de repeti-los no futuro.


Pedro S. Martins, Efeitos das reformas na educação,
Economia das pessoas, 11 de Março de 2009

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Segunda-feira, Março 09, 2009

Ana Camarra - Relembra-me

Isto tem dias

Relembra-me por favor essas histórias de mares revoltos
Ou aqueles frémitos de asas etéreas de pássaros migrantes

Relembra-me aquelas músicas que te encantaram
Ou o sorriso de outra mulher que te apaixonou

Relembra-me porque resolveste mergulhar nos meus olhos
Nos meus braços

Relembra-me a primeira gargalhada que partilhámos
Ou pelo contrário a primeira vez que o nosso olhar mergulhou no olhar do outro
De forma firme, de forma frágil ainda, mas trazendo consigo
Um reconhecimento

Relembra-me se foram os meus cabelos suados ou pelo contrário molhados
Com ar de algas marinhas, que te cativaram ou assustaram
Se foi um franzir de sobrolho que fiz
Ou o ar compenetrado com que corto os vegetais
Ou pelo contrário o ar abstraído quando mergulho no fundo dos meus pensamentos

Relembra-me como se estivesses a contar um conto a uma criança

Relembra-me o sabor do sal, do vento na face
Das carícias tímidas, dos abraços desesperados

Relembra-me essas coisas imperfeitas e conta-as
Como foram, porque a criança que guardo em mim
Precisa assim de um história de encantar


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Domingo, Março 08, 2009

Olinda Gil - Mulheres Moçambicanas

Mulheres Moçambicanas por Olinda Gil
(Mais quadros no sítio da pintora)

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Quarta-feira, Março 04, 2009

Rosário Gama - 3ª reunião dos presidentes de Conselho Executivo das escolas

PCE’S VOLTAM A REUNIR EM LISBOA,
DIA 21 DE MARÇO.


CAROS COLEGAS PCE’S, INSCREVAM-SE!

10 de Janeiro e 7 de Fevereiro são datas que ficarão para a história da educação como o inicio da movimentação de um grupo de PCEs atentos ao que se passa à sua volta, inconformados com as “investidas” do Ministério da Educação, solidários com os colegas professores e descomprometidos relativamente ao poder. Queremos continuar o nosso movimento e quanto mais vezes nos juntarmos, quanto mais unidos estivermos maior será a nossa força reivindicativa.

Não podemos baixar os braços mesmo que alguma pontinha de desilusão tenha acontecido devido à tomada de posição de alguns professores que, com medo das ameaças da DGRHE, não confiaram na nossa tomada de posição e entregaram os objectivos. Mas temos os outros todos, aqueles colegas que confiaram em nós e que se mantiveram coerentes na luta; para com esses, a nossa responsabilidade aumentou. Temos que nos manter unidos e trazer cada vez mais PCEs para a nossa causa.

Pedimos pois a cada um dos que estiveram em Santarém e em Coimbra que não deixem de estar presentes em Lisboa no dia 21 de Março e que tragam mais um colega para sermos ainda mais.

Mais um apelo para que a Isabel (organizadora do Encontro de Lisboa) não passe as aflições que eu passei com a organização em Coimbra: Inscrevam-se rápido e comuniquem, por favor, a vossa presença para podermos saber quantos colegas irão estar presentes.

Saudações.
Rosário Gama

Divulguem! Eu já estou a divulgar!


Via A Educação do meu umbigo, graças à persistente vigilância de Ana Henriques

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