Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Gerhard Schröder - O fim da América unipolar

Erros graves do Ocidente



O antigo chanceler alemão Gerhard Schröder discute a guerra do Cáucaso, a possibilidade de a Alemanha se tornar um intermediário do conflito e a sua confiança no papel construtivo da Rússia.

SPIEGEL: Senhor Schröder, de quem é a erro na guerra do Cáucaso?

Gerhard Schröder: As hostilidades têm certamente as suas causas históricas e este conflito também tem os seus precedentes históricos. Porém, quem tornou o conflito num conflito armado foi a Geórgia ao invadir a Ossétia do Sul, é bom não escamotear.

SPIEGEL: Não reconhece parte da culpa do lado de Moscovo, uma resposta desproporcionada dos militares russos?

Gerhard Schröder: Isso é algo que não posso, nem quero, julgar. Os conflitos militares desenvolvem a sua própria dinâmica. O ponto essencial agora é todas as partes tirarem partido do plano de seis pontos apresentado pelo presidente francês.

SPIEGEL: Acredita que os conselheiros militares americanos estacionados em Tbilisi encorajaram a Geórgia a lançar-se ao ataque?

Gerhard Schröder: Não iria tão longe. Mas sabemos todos que estes conselheiros militares existem na Geórgia - um destacamento que nunca considerei especialmente inteligente. Seria bastante estranho se esses peritos não possuissem qualquer informação. Só se compreenderia se fossem profissionais extremamente medíocres ou completamente loucos, o que, em qualquer caso, é difícil imaginar.

SPIEGEL: O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) reclama que advertiu o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, contra a iniciativa do ataque. No entanto, não terão sido os acontecimentos demasiado convenientes para os propósitos do Primeiro Ministro Vladimir Putin?

Gerhard Schröder: Isso são especulações nas quais não desejaria participar. Assumo que ninguém, entre os líderes de Moscovo, tem interesse na confrontação militar. Há suficientes problemas internos na Rússia, que são urgentes resolver. Por exemplo, a corrupção e o abuso de autoridade têm que ser enfrentados. A Rússia está cheia de dificiências, uma questão que já levantei por diversas vezes. O Presidente Dimitri Medvedev e o Primeiro Ministro Putin estão neste momento ocupados com estes problemas - conjuntamente, diga-se a propósito, e não em competição entre eles, como por vezes é referido pelo jornalismo sensacionalista.

SPIEGEL: Talvez assim seja, mas há algo que está agora em jogo: a Rússia nunca suplantou a perda do seu estatuto de superpotência e, em anos recentes, sentiu-se acossada e humilhada pela NATO. Durante a guerra nos Balcãs, durante a invasão ao Iraque pela "Coligação dos Desejosos" sob a liderança de Washington, ainda durante a declaração da independência do Kosovo...

Gerhard Schröder: ... não esqueça o desenvolvimento do sistema de mísseis defensivos na Polónia e na República Checa...

SPIEGEL: ... o Kremlin foi forçado a permanecer como espectador. É ou não possível que, após um reforço económico e militar, Moscovo veja no amigo dos EUA Saakasvili a melhor oportunidade para retaliar sobre o Ocidente? E que Putin tente afirmar as suas aspirações imperiais?

Gerhard Schröder: Na minha opinião, há certamente graves erros cometidos pelo Ocidente na sua política de relacionamento com a Rússia. Podemos encontrar alguma ligação entre esses factos e a recente resposta da Rússia à provocação da Geórgia? Penso que é errado confundir as duas coisas.

SPIEGEL: Não partilha o receio sentido por muitos no Ocidente de um novo surto de "ameaça russa"?

Gerhard Schröder: Não, de todo. Há uma percepção sobre a Rússia no Ocidente que tem pouco a ver com a realidade.

SPIEGEL: Pode dar-se o caso de o duo de liderança altamente confiante de Moscovo sentir que o Ocidente precisa da Rússia mais do que a Rússia precisa do Ocidente?

Gerhard Schröder: A dependência é recíproca. Não existe uma só, entre as questões críticas da política mundial ou da economia global que possa ser resolvida sem a Rússia: tal é o caso do conflito nuclear com o Irão, tal é o caso da questão Norte-Coreana e certamente também o advento da paz no Médio-Oriente. Tal como o conjunto de problemas do clima apenas pode ser resolvido à escala universal. Por acaso, Moscovo ratificou o Protocolo de Kioto para lutar contra o aquecimento global, enquanto nós continuamos à espera que Washington o faça. E quanto à política energética, só sonhadores podem convencer-se de que a Europa Ocidental pode tornar-se independente do petróleo e do gás natural da Rússia. Por outro lado, a Rússia precisa de cliente fieis para as suas exportações de energia.

SPIEGEL: Não vê, então, razões - face à dureza das acções no Cáucaso - para cancelar a "parceria estratégica" germano-russa ou pelo menos suspendê-la?

Gerhard Schröder: Não. Não vejo porque deveríamos desperdiçar essa parceria devido à Geórgia. A dependência mútua também cria segurança mútua. Também me oponho ao criticismo dirigido aos investimentos na Alemanha. Qual o problema do Sr Alexei Mordashov investir numa empresa de turismo (TUI), do Sr Oleg Deripaska possuir 10% da empresa de construção Hoshtief ou de outro oligarca possuir uma participação do capital de uma empresa de modas Escada? Eu preferiria ver mais - não menos - investimentos na economia alemã. Falando historicamente, esta integração económica já demonstrou ser politicamente benéfica.

SPIEGEL: Agora parece estar a repetir o antigo Secretário de Estado americano Henry Kissinger. Sempre pensou dessa forma?

Gerhard Schröder: Claro que não, enquanto pertenci às Juventudes Socialistas. Só que, desde essa data e até agora, envolvi-me profissionalmente na política externa e fui Chanceler. Esta abordagem prática ganhou a minha preferência - e é certemente a mais razoável para mim.

SPIEGEL: Com todo respeito pelo frio adepto da real-politic: Será que não temos que desenhar uma linha a vermelho agora, uma linha que Moscovo não pode atravessar, caso queira continuar a participar nas instituições internacionais ou manter-se como parceiro do Ocidente? A retirada imediata das suas tropas da Geórgia, por exemplo, e o reconhecimento da sua integridade territorial, tal como exigiu veementemente a Secretária de Estado Rice?

Gerhard Schröder: Não acredito que a Rússia prossiga uma política de anexação. Tal como não acredito que possamos regressar à situação anterior na Ossétia do Sul ou na Abecázia. Está fora de questão. Do meu ponto de vista, isto tem menos a ver com o suposto expansionismo russo do que com os desejos da população.

SPIEGEL: Deveria a Alemanha participar numa força militar de manutenção da paz no Cáucaso?

Gerhard Schröder: O Ministro alemão dos Negócios Estrangeiros está, desde há muito tempo, envolvido nos esforços para uma solução política sob o manto da diplomacia e foi astuto ao afirmar que, se a Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) tiver que jogar um papel de coordenação entre as partes em conflito, a Alemanha não poderia deixar de se envolver. Se, contudo, se tratar de uma missão sem consentimento da Rússia, eu não quero ver soldados alemães estacionados por lá. Isto é apenas uma questão que se depreende da nossa história partilhada.

SPIEGEL: Tem a Geórgia um lugar na NATO?

Gerhard Schröder: Pensava que o governo alemão - e curvo-me a cumprimentar a Sra Merkel e o Sr Steinmeier a este respeito - juntamente com o governo francês, tinham tomado a decisão certa durante a Cimeira da NATO em Bucareste, em Abril...

SPIEGEL: ... porque se oposeram à intenção americana e da Europa de Leste de aceitar rapidamente a Geórgia e Ucrânia, disfarçando a recusa num amontoado de promessas vagas?

Gerhard Schröder: Imagine que estivéssemos obrigados a intervir pela força militar à conta da Geórgia, por ser membro da NATO, e à conta de um batoteiro evidente, que é a maneira correcta de nos referirmos a Saakashvili. A Geórgia e a Ucrânia devem primeiro resolver os seus problemas políticos domésticos e estão ainda muito longe de consegui-lo. Considero as hipóteses de a Geórgia ascender a membro ainda mais remotas, como consequência dos recentes acontecimentos no Cáucaso e, como tal, sigo com bastante dificuldade as promessas estridentes feitas nesse sentido pelo Secretário Geral da NATO, há poucos dias.

SPIEGEL: O candidato presidencial republicano dos EUA, John McCain, acompanhou-o, ao declarar: "Hoje, somos todos georgianos".

Gerhard Schröder: Eu não sou.

SPIEGEL: Robert Kagan, um ídolo dos neoconservadores e ainda um pensador influente da política externa entre os republicanos, definiu o dia da invasão da Geórgia pela Rússia como o início de um conflito territorial renovado entre as maiores potências e "como um ponto de viragem não menos significativo que o 9 de Novembro de 1989, quando caiu o muro de Berlim".

Gerhard Schröder: Li isso, mas nada significam para mim. Kagan, bem vistas as coisas, foi um dos homens que mais defendeu a intervenção no Iraque. As consequências não foram agradáveis, nem para a América, nem para a Europa. Talvez devamos apenas ignorar o seu conselho.

SPIEGEL: Num artigo no "Die Zeit", há poucas semanas, escreveu que a "fase de transição do domínio americano" está agora a chegar ao fim. O que quiz dizer exactamante com isso? Será que conduz automaticamente a um mundo multipolar e melhor?

Gerhard Schröder: O fim da América unipolar não é evidente apenas pela emergência de um candidato presidencial democrata, Obama, mas também pelas políticas de pensamento racional dos republicanos. Se ler o relatório não-partidário Baker-Hamilton sobre o futuro do Iraque, ser-lhe-á fácil reconhecer aí que o próximo presidente dos EUA terá muitas dificuldades em agir de outra maneira que num modo multipolar - quaisquer que sejam as declarações que um ou outro político faça nas campanhas.

SPIEGEL: Qualquer que seja o próximo homem responsável pela Casa Branca, Obama ou McCain?

Gerhard Schröder: Claro que isso fará diferença. Creio, no entanto, que até uma administração republicana, que não desejo, não conseguirá evitar ter que retomar uma abordagem multipolar, ganhar aliados e trabalhar em conjunto nas instituições internacionais. Aparentemente, os que estão em Washington já perceberam que é possível ganhar uma guerra sozinho, mas não a paz.

SPIEGEL: Que papel desempenhará a Europa nesse mundo multipolar? Não haverá uma clivagem profunda entre países como a Alemenha, a França e a Itália, que não desejam, especialmente agora, permitir que a cooperação com a Rússia chegue ao fim e os países Bálticos, a Polónia e a República Checa, caracterizados pelo medo da Rússia?

Gerhard Schröder: O processo da unificação europeia nas questões de política externa e de segurança não se tornou mais fácil desde que saí da Chancelaria em 2005. Isto tem também a ver com a integração dos novos estados. Este processo de unificação deve ser entendido como uma oportunidade histórica, ainda que haja um preço a pagar.

SPIEGEL: Está a arrastar-se.

Gerhard Schröder: Esse é exactamente o preço. A Europa só poderá jogar um papel a sério no contexto entre a América por um lado e a Ásia por outro, se conseguir estabelecer e manter fortes relações com a Rússia. Vejo a Rússia como parte da Europa, mais do que parte de qualquer outra constelação.

SPIEGEL: E será que a Rússia se revê da mesma maneira?

Gerhard Schröder: Pelo menos esta é a maneira como a actual liderança a vê. E nós, na Alemanha e na Europa, devemos interpretar isso como uma oportunidade. A Rússia tem a alternativa asiática, mas a Europa não. Além disso, esta constelação não passa necessariamente por um afastamento da Europa relativamente aos EUA.

SPIEGEL: Isso parece muito optimista. Não vislumbra um reinício da Guerra Fria no horizonte?

Gerhard Schröder: Não. Pelo menos não seria do interesse da liderança russa. Sou totalmente contra a demonização da Rússia. E acredito que Moscovo reconhecerá cedo a mecessidade de, uma vez mais, integrar-se mais fortemente na comunidade internacional.

SPIEGEL: E Washington tratará de não castigar os líderes do Kremlin e de não expulsar a Rússia das organizações como o G-8?

Gerhard Schröder: Essa visão estreita, que McCain por exemplo sustenta, não prevalecerá - é o que desejo e espero.

SPIEGEL: Fala como antigo Chanceler ou como funcionário da empresa estatal Gazpron?

Gerhard Schröder: O SPIEGEL não deveria participar na difusão de falsas informações. Não sou um empregado qualquer, antes o Presidente da Comissão de Accionistas da Nord Stream, um consórcio holandês, alemão e russo, cujo único objectivo é construir um gasoduto através do Mar Báltico que tornará o fornecimento de gás à Alemanha e a Europa significativamente mais seguro.

SPIEGEL: Sr Schröder, agradecemos esta entrevista.

Entrevista de Gerhard Schröder ao Der Spiegel
publicada em 18 de Agosto de 2008

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Quarta-feira, Agosto 13, 2008

Oposição Judia - Apelo contra o ataque ao Irão

12/08/08 "Information Clearing House" -- Esforços para rufarem os tambores de guerra para um ataque às instalações nucleares do Irão estão a ser envidados tanto nos Estados Unidos da América (EUA) como em Israel. O recente artigo de opinião publicado em 18 de Julho pelo New York Times, escrito pelo historiador israelita Benny Morris, serve para dar alento a essas forças políticas. A Oposição Judia expressa aqui a sua consternação para contrariar esta proposta horrível.

Os clamores da guerra ao Irão não só enfrentam a oposição popular como prejudicam os esforços diplomáticos que o Irão desenvolveu com a Agência Nuclear das Nações Unidas, bem como as negociações comerciais com os próprios EUA. Israel está também comprometido com um cessar-fogo que dura há um mês, para alívio das populações tanto de Israel como de Gaza. Face à atmosfera política criada, favorável à prudência e ao diálogo, os militaristas renovam os seus argumentos tendentes a criar condições favoráveis ao conflito. Morris prestou-se a este papel ao afirmar:
"Parece que estão dispostos a usar qualquer bomba que fabriquem, quer porque tal decorre da sua ideologia, quer porque receiam um ataque preventivo de Israel. Logo, um ataque de Israel que impeça os iranianos de darem os passos finais para obterem a bomba é provável. A alternativa é deixar que Teerão consiga a bomba. Tanto num caso como noutro, o holocausto nuclear no Médio Oriente está em jogo."
http://www.nytimes.com/2008/07/18/opinion/18morris.html

Este sentido de inevitabilidade deflagra em Israel e entre os judeus a memória do Holocausto Nazi, assegurando um apoio imediato a um ataque militar ao Irão; suscita reacções conducentes à guerra que tem estado e ser preparada pelos EUA. Isto é especialmente deplorável, dado que as 16 agências de espionagem dos EUA concluiram que o Irão não possui armas nucleares e não está em condições de possuir a primeira dentro dos próximos cinco anos.

Enaltecemos a coragem heróica de Mordechai Vanuum ao alertar para o plano nuclear de Israel, juntando à nossa a sua voz de condenação do armazenamento por Israel de ogivas nucleares como uma actividade ilegal e apoiando o nosso apelo em prol de um Médio Oriente livre de armas nucleares.

Uma mente capaz de propugnar uma guerra de aniquilação mútua como solução para o problema da segurança é espantosamente auto-contraditória. Só a invocação de uma ameaça do tipo Nazi parece outorgar alguma força para tal chamamento à guerra, tal como a ocupação dos territórios palestinos vem sendo justificada por supostos planos palestinianos para afogar os judeus no mar. A referência à ideologia iraniana (o Islão) como móbil do confonto não resiste a qualquer exame, uma vez que o desafio político feito a Israel pelo Presidente Mahmoud Ahmadinejad não é um apelo ao extremínio, mesmo considerando a tradução tendenciosa.

Ao prosseguirmos o objectivo da segurança para todas as partes envolvidas, afirmamos o direito de todos à segurança. Ao repudiarmos o argumento da inevitabilidade da guerra, denunciamos ao mesmo tempo a histeria de funcionários iranianos, alardeando constantemente partidas falsas para uma guerra desnecessária. A tentativa de obrigar o Irão a sujeitar-se às resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) fica enfraquecida nos planos legal, diplomático e político se os EUA e Israel ignorarem ostensivamente a diplomacia da ONU e as decisões do Tribunal Internacional que pendem sobre a questão da Palestina. Exortamos todos os que se opõem à confrontação militar com o Irão a escrever aos respectivos governos exigindo que o Estado de Israel coloque as suas instalações nucleares ao dispor dos inspectores internacionais e subscreva o Tratado de Não-Proliferação de armas nucelares tal como já fez o Irão, em vez de proferir ameaças de guerra.

Apelo subscrito por organizações judias de vários países,
publicado por Information Clearing House em 12 de Agosto de 2008

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

David Brockschmidt - A Alemanha é soberana?

Contrato Secreto
Pela lei internacional, um país é soberano se tem o poder de tomar decisões internas e externas sem a interferência de outro país e sem sofrer pressões políticas de qualquer grupo interno ou externo.

A questão que coloco ao governo alemão e à Chanceler Angela Merkel é: É a República Federal Alemã hoje um estado completamente soberano segundo a sua própria lei e a lei internacional? Sim ou não?

Se a resposta é não, então explique, por favor, quais são as restrições internas ou externas impostas aos alemães. Se a resposta é sim, então explique a razão por que as questões que apresento em seguida não afectam a soberania alemã.
  1. A Alemanha não possui um Tratado de Paz com os países com os quais se esteve envolvido na Segunda Guerra Mundial. Foram 64 países, incluindo as quatro principais potências vencedoras: Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido (RU), União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e França.
  2. A cláusula que considera a Alemanha e o Japão como inimigos continua em vigor na Carta das Nações Unidas e pode ser accionada em qualquer momento, se necessário, pela força militar.
  3. O governo actual afirma aos cidadãos e à comunidade internacional que as suas fronteiras actuais constituem a totalidade do território alemão. A decisão do Tribunal Constitucional alemão de 1973 afirma o contrário. O juízo refere claramente que o Reich Alemão ainda existe de jure dentro das fronteiras de 1937. Se olharmos para uma carta geográfica de 1937 e a compararmos com a actual, vemos claramente que há territórios alemães a Este que são hoje parte da Polónia e da Rússia. Estes territórios, de acordo com as decisões dos tratados das potências aliadas vitoriosas sobre a Alemanha nas conferências Teerão, Yalta e Postdam apenas deveriam permanecer sob administração polaca ou russa até que um tratado de paz fosse assinado com a Alemanha. Isto não aconteceu. Como é isto possível, que o governo alemão após a Segunda Guerra Mundial tenha entregue de jure estes territórios à Rússia e à Polónia, que os administram de facto? Faz algum sentido?
  4. Após a reunificação da Alemanha Ocidental com a Alemanha Oriental foi dito aos cidadãos alemães e à comunidade internacional que, conforme o Acordo dos 2 mais as 4 potências vitoriosas, que estas abdicavam dos direitos e das responsabilidades sobre as quatro zonas de ocupação no território alemão e respectivos sectores na Grande Berlim. Isto não foi feito!

    As quatro potências terminaram as actividades em território alemão, porém não abdicaram dos seus direitos.

    O documento oficialmente publicado do acordo dos 2+4 é muito claro a este respeito. O facto, porém, é que a maior parte dos direitos de ocupação dos aliados - EUA, RU e a França - sobre a Alemanha foram transferidos ou incorporados no assim chamado Estatuto das Tropas da NATO. Foi assim declarado forçosamente que os direitos dos Aliados da Guerra e do pós-Guerra sobre a derrotada Alemanha se mantinham e não foram abolidos.
  5. Os quatro pontos anteriores culminam com o dossier Kanzlerakte da Chancelaria. O governo da Alemanha Ocidental sob o Chanceler Konrad Adenauer, perante os altos comissários de três potências das forças acupantes, o EUA, o RU e a França, estabeleceram um tratado secreto datado de 21 de Maio de 1949, que foi assinado em 23 de Maio de 1949 pelo Chanceler Konrad Adenauer, o Presidente do Parlamento Alemão, Adolf Schönfeller e o vice-Presidente do Parlamento Alemão, Herman Schäfer. O ponto principal deste acordo secreto é o chamado Veto Aliado, que surge como consequência da cláusula que atribui o estatuto de inimigo à Alemanha e ao Japão pela Carta das Nações Unidas. Lá está dito:
    1. Que a imprensa alemã será controlada pelas potências ocupantes até 2099.
    2. Que as reservas de ouro da Alemanha são confiscadas como compensação.
    3. Que o assim designado Veto Aliado respeitante à derrotada Alemanha inclui qualquer decisão interna ou externa do Governo Alemão, tornando-se efectivo mediante o consenso dos três altos comissários militares ocidentais.
  6. O Major General Gerd Helmut Komossa, chefe do serviço de espionagem militar - Militarischer Abschirm Dienst (MAD) - desde 1977 até 1980, confirma este acordo top secret entre o governo alemão sob o Chanceler Adenauer e os aliados ocidentais no seu livro: Die Deutsche Karte - a Carta Alemã, Graz, 2007, ISBN: 978-3-902475-34-3, a páginas 21. Segundo o Major General Komossa, cada novo Chanceler Alemão fica obrigado a assinar o acordo secreto, o chamado Kanzlerakte, antes de tomar posse como Chanceler perante o Parlamento Alemão.
Permitam-me ainda os leitores recordar que as antigas zonas de ocupação pelas potências ocidentais estão hoje sob ocupação de forças militares dos EUA, RU, França, Canadá, Bélgica e Holanda. Esta persistência da ocupação da Alemanha pelos países mencionados é justificada e legalizada no quadro do Estatuto das Tropas da NATO que integra quase todos os direitos de ocupação das potências vencedoras sobre a Alemanha. As instalações militares dos aliados na Alemanha, como certamente no resto da Europa Ocidental e no Japão, são extra-territoriais, como as embaixadas estrangeiras. As leis e regulamentos locais não se aplicam dentro destas circunscrições militares.

Por favor, Senhora Chanceler da República Federal Alemã, Dr Angela Merkel, foi ou não obrigada a assinar o dossier do Chanceler - Kanlerakte e/ou qualquer outro documento cedendo a qualquer potência estrangeira limitações sobre a liberdade do seu povo ou a soberania da República Federal da Alemanha?

A ironia é que uma única potência vitoriosa, a Rússia (ex-URSS), abandonou permanentemente a zona de ocupação na Alemanha e o sector ocupacional na Grande Berlim!

Infelizmente, a 'soberana' República Federal Alemã não pode dar às restantes forças ocupantes ocidentais as respectivas guias de marcha. Isto iria contra os direitos dos aliados estabelecidos pelos acordos feitos entre três deles - Churchill, Roosevelt e Stalin - nas conferências de Teerão, Yalta e Postdam.

Em resumo: eu quereria estar de acordo com o ex-embaixador dos EUA na Alemanha, Kornblum, que informou enfaticamente as autoridades alemãs: "Vocês não são soberanos!" Esta declaração nunca foi repudiada ou questionada por qualquer governante alemão.

Assim, Senhora Chanceler, explique por favor! Eu pergunto:"O estado alemão soberano existe?"

NB:
  1. Nem todos os documentos do Acordo dos 2+4 entre os dois antigos estados alemães e os quatro aliados foram tornados públicos, e alguns estão classificados como secretos por muitos mais anos.
  2. Relativamente ao livro do Major General Gerd-Helmut Kossoma, publicado no ano passado, pergunto-me a mim próprio porque razão não terá havido um protesto ou pelo menos uma questão sobre o Kanzlerakte na imprensa alemã? Sertá que os alemães vivem num permanente estado de negação da sua própria história?
David Brockschmidt, The ‘Sovereign’ Federal Republic of Germany
publicado por Adelaide Institute em Maio de 2008

Grato ao raivaescondida pela pista. (AF)

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Terça-feira, Julho 29, 2008

Marjorie Cohn - Fim à ocupação do Iraque e do Afeganistão

Marjorie Cohn é Presidente do National Lawyers Guild e professora na Escola Thomas Jefferson de Direito. É autora do Cowboy Republic. Os seus artigos estão arquivados em marjorie cohn.

Marjorie CohnPor enquanto, o plano do Sr Bush para perpetuar a presença militar dos EUA no Iraque encontrou a resistência do governo iraquiano. O calendário de retirada das tropas americanas de Barck Obama foi naturalmente ao encontro dos desejos do Primeiro Ministro Nuri al-Malaki, e Bush mencionou um "horizonte temporal" enquanto McCain foi tagarelando. Porém, Barack Obama é a favor da permanência por tempo indeterminado de 35.000 a 80.000 soldados de ocupação dos EUA com o propósito de treinar forças de segurança e empreender "acções de contra-insureccção". Isto não poria fim à ocupação. Devemos exigir o repatriamento das tropas dos EUA - não a sua renovação - ou seja, o regresso de todos os soldados e mercenários, o encerramento de todas as bases militares dos EUA e renunciar a todos os esforços para controlar o petróleo iraquiano.

Dado o aumento da violência no Afeganistão e por razões políticas - anunciadas por Obama - Bush decidiu deslocar tropas do Iraque para o Afeganistão. Se bem que a invasão do Afeganistão pelos EUA seja tão ilegal como a invasão do Iraque, muitos americanos encaram-na como uma resposta justa face aos ataques do 11 de Setembro de 2001, com perdas de vida em combate menores que as do Iraque - por enquanto. Quase ninguém nos EUA questiona actualmente a legalidade ou o direito do envolvimento militar no Afeganistão. A capa da revista Time chamava-a "A Guerra Correcta".

A Carta das Nações Unidas indica que todos os estados membros devem resolver as suas disputas internacionais por meios pacíficos, não sendo reconhecido a qualquer nação o direito ao uso da força a não ser em caso de auto-defesa ou quando autorizado pelo Conselho de Segurança. Após os ataques do 11 de Setembro, o Conselho de Segurança aprovou duas resoluções, nenhuma das quais concedia autorização para usar a força militar no Afeganistão. As Resoluções 1368 e 1373 condenavam os ataques do 11 de Setembro e ordenavam o confisco dos bens; a criminalização das actividades terroristas; a prevenção da constituição ou apoio a ataques terroristas; a tomada de medidas necessárias para evitar a formação de grupos terroristas, incluindo a partilha de informações; finalmente, a ratificação urgente de convénios internacionais contra o terrorismo (que os EUA não ratificaram).

A invasão do Afeganistão não foi um acto de legítima defesa ao abrigo do artigo 51 da Carta das Nações Unidas, porque os ataques de 11 de Setembro foram um acto criminoso, não uma invasão armada desencadeada por outro país. O Afeganistão não atacou os Estados Unidos da América. De facto, 15 dos 19 sequestradores de aviões vieram da Arábia Saudita. Além disso, não estava iminente uma ameaça de um ataque armado aos Estados Unidos nos dias subsequentes ao 11 de Setembro, ou Bush não teria esperado três semanas para iniciar a campanha de bombardeamentos, em Outubro de 2001. A necessidade de auto-defesa deve ser "imediata, irrecusável, não dando hipóteses de escolha de meios no momento da decisão". Este princípio clássico da auto-defesa consagrado na lei internacional foi definido no tribunal de Nuremberga e reafirmado pela Assembleia Geral das Nações Unidas.

A justificação de Bush para atacar o Afeganistão foi a de que hospedava Osama ben Laden e que treinava terroristas. Os iranianos poderiam usar o mesmo argumento para atacar os EUA quando derrubaram o corrupto chá Reza Palevi em 1979, a quem os EUA ofereceram custódia. Os povos dos paises da América Latina, cujos ditadores foram treinados em técnicas de tortura na School of Americas, também podiam atacar esta infra-estutura situada em Fort Bennings, na Georgia, com os mesmos fundamentos.

Aqueles que conspiraram para sequestrar aviões e mataram milhares de pessoas em 11 de Setembro são culpados de crimes contra a humanidade. Devem ser identificados e levados à justiça de acordo com a lei. Mas a retaliação invadindo o Afeganistão não é a resposta e só conduzirá a mais mortes das nossas tropas e de afegãos.

O ódio que motivou 19 pessoas a fazerem-se explodir e levarem consigo 3000 inocentes tem a sua génese na história de exploração de pessoas das nações ricas em petróleo, empreendida pelos governos dos EUA em todo o mundo. Bush acusou os terroristas de tomarem como alvo as nossas liberdades e a democracia. Não foi, porém, a estátua da Liberdade que foi destruida. Foi o World Trade Center - símbolo do sistema económico mundial dirigido pelos EUA e o Pentágono - o coração do aparelho militar - que foram atingidos. Aqueles que cometeram esses odiosos crimes estavam a atacar a política externa americana. Esta política resultou na morte de dois milhões de iraquianos - causadas, quer pelas sanções punitivas de Clinton, quer pela guerra de Bush. Do que resultou um apoio acrítico à brutal ocupação das terras palestinas por Isreal; e o estacionamento de mais de 700 mil soldados dos EUA em bases de países estrangeiros.

Manifestamente ausente do discurso nacional está a análise política das razões conducentes à tragédia do 11 de Setembro e a orientação geral para escrutinar a política externa dos EUA que nos afastasse da cólera daqueles que desprezam o imperialismo americano. A "Guerra ao Terror" foi acriticamente aceite por quase todo o país. Mas terrorismo é uma tática, não um inimigo. Não se pode declarar guerra a uma táctica. A maneira de combater o terrorismo é isolando e atingindo as suas raízes, incluindo a pobreza, o não acesso às escolas e a ocupação estrangeira.

Já existem 60.000 tropas estrangeiras, incluindo 36.000 americanas, no Afeganistão. O grande aumento de tropas dos EUA no último ano não conseguiu estabilizar a situação; em vez disso, em Julho de 2008, os ataques aumentaram 40%. Zbigniew Brzezinski, consultor para a segurança nacional ao tempo de Jimmy Carter, duvida que a resposta para o Afeganistão resida em mais tropas. Adverte que os EUA podem ser considerados, como antes foi a União Soviética, como um invasor, especialmente se forem realizadas operações militares "com pouca consideração pelas baixas civis".
Brzezinski apoia a abordagem europeia de subsidiar os agricultores afegãos que abdiquem da cultura da papoila da ópio, assim como apoiar financeiramente os chefes tribais, como forma de isolar al-Quaeda dos talibãs. Estes últimos "não constituem uma força centralizada, nem são um movimento terrorista mundialmente orfanizado, apenas um fenómeno genuinamente afegão".

Devemos prestar atenção ao Canadá, que defende que uma missão mais ampla, sob a égide das Nações Unidas em vez da NATO, seria mais eficaz. A nossa política no Afeganistão e no Paquistão deveria focar-se na assistência económica para a reconstrução, no desenvolvimento e na educação, não nas armas. Os EUA deveriam refrear-se de mais ataques predatórios de mísseis ao Paquistão e prosseguir numa via diplomática, não na ocupação bélica.

Tampouco deveríamos fazer ameaças de guerra ao Irão, que seria novamente ilegal e originaria novos desastres descontrolados. A Carta das Nações Unidas proibe qualquer país de usar, ou de ameaçar usar, a força militar contra outro país, excepto em auto-defesa ou quando o Conselho de Segurança declare o seu acordo. Apesar da Agência Internacional para a Energia Atómica, um organismo das Nações Unidas, concluir que não existem provas de que o Irão esteja a desenvolver armas nucleares, a Casa Branca, o Congresso e Israel continuam a brandir as espadas na direcção do Irão. No entanto, o movimento contra a guerra tem conseguido barrar o caminho à Resolução 362 da Casa dos Representantes, uma decisão que equivaleria a uma ordem de bloqueio naval contra o Irão - pela lei internacional considerado como um acto de guerra. Graças a movimentos como United for Peace and Justice, Code Pink, Peace Action e dúzias de outros, que pressionaram o Congresso a meditar duas vezes antes de dar esse passo.

Deveremos enveredar pela diplomacia, não pela guerra, com o Irão; acabar com a ocupação do Iraque; e repatriar as nossas tropas do Afeganistão.

Marjorie Cohn, Of Iraq and Afghanistan - End the Occupations
publicado por Counterpunch em 29 de Julho de 2008

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Segunda-feira, Junho 30, 2008

Recordando Tito Puente

O Verão está quente e convida ao "Mi ritmo".

O interprete



O compositor


Ao contrário do que parece, não é um compasso quaternário. É um compasso binário m u i to c a l m o (Jorge Ferrão).

Oye como va
Mi ritmo
Bueno pa gozar
Mulata

Latin Jazz


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Domingo, Junho 15, 2008

The best speech ever of George Bush

George Bush giving a thought provoking and very knowledgeable speech. (arsalanjamshed)

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Quarta-feira, Junho 11, 2008

Ramsey Clarck - Pela impugnação de Bush

Ramsey Clark
A impugnação não é uma questão política. A impugnação é um dever constitucional. É o único poder e a mais elevada obrigação que a Constituição outorga ao Congresso para manter, proteger e defender a Constituição dos Estados Unidos da América quando o Presidente, o Vice-Presidente e outros funcionários superiores dos Estados Unidos cometem traição, subornos ou outros actos de alta criminalidade ou delitos em geral.

De forma deliberada, falsa e sistemática, George Bush induziu em erro o Congresso e o povo americano quanto aos actos mais criminisos, ruinosos e prejudiciais desta administração, conduzindo-nos à guerra, perdas trágicas de vidas humanas, devastando o Iraque, gastando biliões de dólares em despesas militares, despedaçando a economia que levará décadas a recuperar, assaltando despoduradamente a Carta dos Direitos (Bill of Rights), promovendo um desastre humanitário internacional, o antagonismos entre os povos e entre as nações que antes se relacionavam, em geral, amistosamente e agravando o assalto à qualidade do ambiente na Terra.

Em 5 de Junho de 2008, um relatório de 170 páginas - longamente protelado por cinco anos - da Comissão especial do Senado sobre a espionagem concluiu por unanimidade que o Presidente Bush, o Vice-Presidente Cheney e outros funcionários superiores produziram acusações falsas e sistematicamente exacerbaram - para além do que era justificável face às provas fornecidas pelos serviços de espionagem - os perigos representados pelo Iraque. A Comissão foi composta tanto por democratas como por republicanos.

Hoje o Presidente Bush usa todo o seu poder e influência para obter o apoio da Europa, de Israel e de outros países para um ataque ao Irão, o que planeia fazer nos restantes meses do seu mandato. O Irão é maior que o Iraque e o Afganistão, tem milhões de habitantes, não foi atingido por qualquer guerra recente e lutará ferozmente se for atacado. George Bush negoceia uma presença militar permanente no Iraque, colocando os Estado Unidos da América nas fronteiras do Irão.

Os próximos presidentes dos EUA estão condenados a desgastarem-se em guerras iniciadas por Bush e a nossos recursos económicos estão condenados a serem consumidos em despesas militares.

A impugnação, uma obrigação constitucional, é a única maneira de impedir que George Bush e a sua cabala alastrem as guerras desastrosas que já infligiram ao mundo e ao povo americano. A Casa dos Representantes deve considerar com urgência que as razões para a impugnação foram largamente excedidas e o Senado deve preparar-se para levar Bush à barra do tribunal, tal como o Vice-Presidente Cheney e outros funcionários implicados.

Ramsey Clark
10 de Junho de 2008
publicado por Impeach Bush


Em 9 de Junho de 2008, Dennis Kucinich apresentou ao congresso 35 artigos acusatórios que justificam a impugnação do Presidente George W. Bush.

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Sexta-feira, Junho 06, 2008

A independência das nações segundo Dick Cheney

I want you to sign this

O presidente e os seus conselheiros empreenderam uma campanha sistemática, na sequência dos ataques (do 11 de Setembro), para usarem a guerra contra a Al Quaeda como justificação para derrubarem Saddam Hussein.
Relatório do Senado dos EUA sobre a preparação da invasão do Iraque.


O Governo do Iraque reconhece aos EUA os seguintes direitos:
  • Manter até 50 bases militares no território do Iraque
  • Iniciar um ataque a qualquer país a partir do Iraque, sem necessidade de prévia aurorização do Governo do Iraque.
  • Conduzir actividades militares em qualquer parte do território do Iraque, sem consulta à autoridades locais
  • As forças dos EUA podem prender qualquer cidadão iraquiano sem consultar as autoridades do país.
  • Benefício da imunidade face à lei iraquiana de todos os militares e mercenários (contractors) dos EUA.
  • O espaço aéreo iraquiano é controlado pelos EUA abaixo de 29 mil pés.
  • Os ministérios iraquianos da Defesa, da Segurança e do Interior passam a estar subordinados aos EUA durante dez anos.
  • Cede aos EUA a prerrogativa de realizar os contratos de armamento durante dez anos.

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Domingo, Maio 25, 2008

A Guerra segundo Mark Knopfler


These mist covered mountains
Are a home now for me
But my home is the lowlands
And always will be
Some day you'll return to
Your valleys and your farms
And you'll no longer burn
To be brothers in arms

Through these fields of destruction
Baptisms of fire
I've witnessed your suffering
As the battles raged higher
And though they did hurt me so bad
In the fear and alarm
You did not desert me
My brothers in arms

There's so many different worlds
So many different sounds
And we have just one world
But we live in different ones

Now the sun's gone to heaven
And the moon's riding high
Let me bid you farewell
Every man has to die
But it's written in the starlight
And every line on your palm
We're fools to make war
On our brothers in arms


Texto: Sing 365

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Keith Obermann - Manifesto anti-Hilary Clinton

Agora é que as coisas correm mesmo mal para Hilary Clinton (AF)

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Segunda-feira, Maio 19, 2008

Novas Oportunidades

Bacheelor, MasteerMBA, and Doctoraate diplomas available in the field of your choice that's right, you can even become a Doctor and receive all the benefits that comes with it!

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Anúncio recuperado da pasta de spam com os números de telefone omitidos. (AF)

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Quarta-feira, Abril 30, 2008

Ron Paul - O Capitalismo falhou?


Não sei o que o meu confrade descobriu neste artigo, que Marx não tivesse descrito - no plano dos factos, que não na orientação ideológica - já há quase 150 anos. Tratando-se de uma defesa aberta do Capitalismo, tem esse valor raro nos dias de hoje. O Autor dá notícia do confronto de que é palco o poder político, forçado a estabelecer equilíbrios precários face a relações de força dos diversos grupos de interesse em constante evolução. O resultado perece ser insatisfatório para todas as partes. Nota-se igualmente a nostalgia do Autor pelos tempos primordiais do Capitalismo, onde a divisa "Laissez faire, laisez passer" fazia sentido, a sua fase Liberal. O Liberalismo, como doutrina económica, foi esvaziado de sentido, não por acção dos revolucionários, antes pelo simples mecanismo de concentração financeira à escala mundial, quando ainda não havia terminado o Século XIX. No Século XX, os governos dos países capitalistas viram-se forçados a fazer bastantes concessões aos trabalhadores, muito pelo espectro do alastramento das revoluções socialistas, mesmo que estas tenham falhado noutros sentidos. Afastado temporariamente o papão do Comunismo, todos os avanços legais dos trabalhadores voltam a ser postos em causa. Daí resultou um revigoramento da expressão política do sistema capitalista, correctamente denominado por Neo-Liberalismo. Embora o Autor não use esta expressão, o seu texto contem as ideias essenciais desta corrente do pensamento. No ano de 2007, milhares de pequenos accionistas dos EUA viram-se desprovidos, de um dia para o outro, das suas modestas participações nos mercados financeiros. Simultâneamente, um punhado de grandes grupos financeiros viram os seus dividendos multiplicados numa medida que nem Cristo conseguiu com o seu milagre dos pães. O co-Autor da Teoria da Informação Assimétrica, Joseph Stiglitz, já havia chamado a atenção para o empacotamento pouco transparente dos produtos financeiros. É neste cenário que ocorre a discussão no Congresso dos EUA de que aqui damos notícia.
Sobre o Autor vale a pena referir que é uma das vozes mais críticas da Guerra do Iraque nos EUA, juntamente com Paul Craig Roberts, ambos do Partido Republicano.
(AF)




Ron PaulÉ hoje lugar comum e politicamente correcto culpar os chamados excessos do capitalismo pelos problemas económicos que enfrentamos, especialmente as fraudes da Bolsa (Wall Street), que dominam as notícias sobre os negócios. Os políticos ganharam alento para um dia de demagogia sobre a questão, ao mesmo tempo que se esqueceram, como era de esperar, de mencionar as fraudes e dôlos inscritas nas parlapatices orçamentais do governo federal - pelas quais são directamente responsáveis. Ao invés, forneceram à turba keynesiana que comanda os protestos uma oportunidade para atacar o mercado livre e ignorar a questão central do dinheiro.

De modo que voltamos a escutar a ladainha: "O Capitalismo falhou, precisamos de um controlo mais apertado sobre todo o mercado financeiro." Ninguém se interroga porque razão os milhares de milhões de dólares que já gastámos e as milhares de páginas de regulamentos que já foram escritas desde o último ataque maior ao capitalismo ocorrido em 1930 foram incapazes de evitar a fraude e o dôlo da Enron, da WorldCom ou da Global Crossing. Essa falha seguramente não poderá ser atribuída à escassez de regulamentos.

Notavelmente fora das referências fica o facto de todas as bolhas financeiras estarem prenhes de hiper-especulação, endividamentos, cupidez, fraudes, erros de avaliação de investimentos grosseiros, displicência dos analistas de mercado e dos investidores, dividendos gigantescos, crença no advento de uma nova era económica e, acima de tudo, expectativas desmesuradas.

Enquanto a bolha cresce, não se notam as queixas. O jogo da culpa só começa quando a bolha rebenta. Isto é especialmente certo no tempo da vitimização e feito em grande escala. Rapidamente se transforma numa questão filosófica, partidária, classista, geracional e mesmo racial. Ao se fugir ao reconhecimento das verdadeiras causas, as acusações apenas tornam mais difícil a resolução da crise e enfraquecem os princípios sobre os quais assentam a prosperidade e a liberdade.

Nixon teve razão ao afirmar: "Agora, somos todos keynesianos". Washington em peso declara que o excesso de capitalismo conduziu-nos ao ponto em que nos encontramos. Resta às centrais de planificação de Washington seleccionar o grupo de interesse que beneficiará da pretensa reforma que virá a seguir. Vários grupos de interesse se perfilam e pressionaram ferozmente, entre eles os investidores de Wall Street, as grandes corporações, o complexo militar-industrial, os bancos, os trabalhadores, os sindicatos, os lavradores, os políticos e todos os demais.

Porém, o que não se discute agora são as causas dos excessos, que se revelam neste momento a um ritmo avassalador. Reacção idêntica tiveram os políticos dos EUA em 1930, ao tentarem debelar os excessos que desembocaram na crise de 1929. Porque não compreenderam o problema na altura, a depressão prolongou-se. Estes erros permitiram que os problemas actuais se desenvolvessem com amplitude muito maior. Atendamos à falha no combate às causas da bolha dos anos de 1980, que levou a economia do Japão a arrastar-se desde então pelo nível do não-crescimento ou da recessão, com o seu mercado de acções a valer hoje um quarto do seu valor mais alto, atingido há 13 anos. Caso não sejamos cautelosos - e não fomos até agora - cometeremos os mesmos erros que acabarão por impedir a tomada das acções correctivas necessárias para reiniciar o novo ciclo de crescimento económico.

Em 1930 era muito popular encontrar entre os culpados da crise a cupidez do capitalismo, o padrão ouro, a falta de regulamentação e a falta de garantias estatais sobre os depósitos bancários. O homem de negócios foi o bode expiatório. Entre as mudanças então empreendidas está a institucionalização do Estado Providência/Desgraça. O crédito fácil tornou-se o bálsamo da política monetária, especialmente com Alan Greenspan, "o último Maestro". Hoje, apesar da presumível protecção destes programas de governo introduzidos no sistema, estamos numa trapalhada pior do que em qualquer outra altura. A bolha á maior, o estrondo prolonga-se por mais tempo e o preço do ouro foi deliberadamente escamoteado pelo sinal de alerta da situação económica que representava. A inflação da moeda prossegue a um ritmo nunca antes visto, num esforço desesperado para conter o valor das acções e o crescimento do mercado imobiliário, ao mesmo tempo que se procura adiar as consequências que advirão inevitavelmente do crédito fácil. Isto é assim porque não queremos ver que a política actual está apenas a preparar o terreno para a gigantesca queda do valor do dólar. Todos a temem, porém, ninguém quer enfrentá-la.

A ignorância, aliada à não aceitação das restrições que o capitalismo e a saúde do mercado impõem quanto a certos excessos conduziram os nossos dirigentes actuais a rejeitar o Capitalismo e culpá-lo por todos os problemas com que nos deparamos. Caso esta falácia não seja corrigida e o Capitalismo continue a ser minado, a prosperidade gerada pelo mercado livre será destruida.

A corrupção e as práticas contabilísticas fraudulentas de muitas empresas tornam-se visíveis. Há os que nos pretendem fazer crer que isto é uma parte integrante do mercado livre do Capitalismo. Se tivermos, de facto, Capitalismo, não temos garantias de que em algum lugar não ocorram fraudes. Quando acontecem, devem ser tratadas pelas autoridades responsáveis pelo cumprimento da lei, e não pelos políticos do Congresso, que tiveram a sua chance de prevenir estes problemas e que, depois disso, tentam ainda politizar a questão, aproveitando o momento para promulgarem mais umas quantas regulamentações keynesianas inúteis.

O Capitalismo não deve ser condenado, pois já não temos Capitalismo. Um sistema capitalista presume moeda sólida, não papel-moeda manipulado por um banco central. O Capitalismo valoriza os contratos voluntários e as taxas de juro resultantes das poupanças, não créditos inventados por um banco central. Não é capitalista o sistema que está refém de normas incompreensíveis quanto a fusões, aquisições, venda de acções, assim como controlos salariais, controlos de preços, proteccionismo, subsídios às empresas, tratados internacionais de comércio, impostos complicados e punitivos sobre as empresas, contratos governamentais privilegiados com o complexo militar-industrial e uma política externa subordinada aos interesses das corporações e aos investimentos externos. Acrestemos a isto a gestão federal centralizadora e ruinosa para a agricultura, a educação, a saúde, os seguros, a banca e o bem-estar. Isto não é Capitalismo!

Condenar hoje o Capitalismo porque algo não vai bem não faz sentido. Não há provas de que o Capitalismo exista hoje. Estamos profundamente envolvidos num processo intervencionista-centralizado da economia que canalizam para as partes ligadas aos dois maiores partidos os maiores benefícios. Pode-se condenar a fraude e o sistema actual, porém, este deve ser chamado pelo seu nome próprio - inflacionismo keynesiano, intervencionismo e corporativismo.

O que não vem à baila é que a sucessão de bancarrotas a que assistimos, reveladora das distorções gritantes e das mentiras sustentadas durante anos de orgia especulativa, era previsível.

Em primeiro lugar, o Congresso deveria investigar as fraudes contabilísticas e as dívidas contraídas pelo Governo federal, muito em particular as que se relacionam com obrigações de pagamentos futuros como os da Segurança Social, bem como a forma como o sistema monetário destrói a riqueza. Estes problemas são mais graves que quaisquer outros apresentados pelas empresas e são da responsabilidade directa do Congresso. Além disso, é o conjunto de medidas impostas pelo governo e pelo sistema monetário que ele opera que contribui em maior escala para tudo quanto corre mal hoje na Wall Street. Onde possa ser encontrada fraude, aí encontramos um assunto de Estado e não um assunto federal a as autoridades estaduais podem perfeitamente fazer respeitar a lei sem qualquer ajuda do Congresso.

Em segundo lugar, conhecemos a razão porque ocorrem as bolhas financeiras, e também sabemos pela História que estão associadas normalmente à especulação, ao endividamento excessivo, à cobiça, à mentira e à vigarice. Estes problemas já foram abordados por um número respeitável de observadores, tais como os que se pronunciaram sobre a década de 1990, porém, as suas advertências foram ignoradas por uma razão determinada. Cada um estava empenhado em espetar mais um prego no caixão e ninguém se preocupava com isso; os que se lembravam da História foram sossegados pelo Presidente da Reserva Federal, que asseverava que desta vez estávamos perante a chegada de uma nova era. O crescimento da produtividade, disse, poderiam comportar tudo.

Mas sabemos agora que isto não é assim. As bolhas especulativas e tudo quanto assistimos são consequência dos montantes enormes de crédito fácil, produzidas a partir de uma magra porção de ar da Reserva Federal. Ficámos praticamente sem poupanças, que constituem um dos vectores mais poderosos do Capitalismo. A ilusão criada pelas taxas de juro prolongaram a bolha e todas as mazelas que dela provêm. Tal não é uma falha do Capitalismo. Estamos a enfrentar um sistema inflacionista e intervencionista que sempre produziu bolhas económicas que acabam da pior maneira.

Até à data, as estimativas feitas pela Administração, pelo Congresso e pela Reserva Federal constituem um mau presságio quanto ao nosso futuro económico. Tudo quanto oferecem é mais do mesmo, o que pode não ser de grande ajuda. Tudo quanto fazem é conduzir-nos para a beira da bancarrota nacional, um dólar drasticamente mais fraco e um padrão de vida mais baixo para a maior parte dos americanos, acompanhado de menos liberdade para todos.

Este é um mau cenário que não tem razão de existir. Mas a preservação do nosso sistema é impossível se for permitido aos críticos culpar o Capitalismo e se as políticas monetárias consistentes forem rejeitadas. Mais gastos, maior dívida, mais créditos baratos, maior distorção das taxas de juro, mais regulamentações para tudo e mais intervenções bélicas externas cedo nos levarão à indesejável posição de termos que decidir o destino de todo o nosso sistema político.

Se estivermos entre aqueles que escolheram a liberdade e o capitalismo, deveremos procurar restaurar a equivalência do dólar a alguma mercadoria ou ao padrão ouro. As despesas federais devem ser reduzidas, as taxas de importação também e abolidos todos os impostos incidentes sobre as poupanças, os dividendos e os ganhos de capital. As regulações devem ser reduzidas, os subsídios especias eliminados assim como as medidas legais proteccionistas. A nossa política externa deveria mudar e as nossas tropas deveriam regressar a casa.

Não podemos depender do governo para restaurar a confiança nos mercados; só pessoas de confiança podem conseguir isso. Actualmente, a falta de confiança nos executivos da Wall Street é saudável porque eles merecem-na e as precauções são legítimas. Da mesma falta de confiança gozam os políticos, podendo os métodos orçamentais e o sistema monetário servir de incentivo saudável às reformas de governo de que carecemos.

Os mercados regulam-se melhor que os governos. Os regulamentos governamentais que nos protegem apenas contribuem para alimentar a mentalidade da bolha.

Estas medidas conduziriam ao restabelecimento de um clima favorável à libertação de energias criadoras que iriam ao encontro dos interesse dos consumidores, o que está na essencia do capitalismo. O sistema que apenas alimenta a emancebia entre as corporações e o governo conducentes ao actual desastre seria afastado.

O Capitalismo não nos oferece a crise de confiança que actualmente afecta o mundo dos negócios privados. A ausência de mercado livre e de uma moeda forte sim. O Congresso tem um papel a desempenhar, mas não é pro-activo. O papel do Congresso é ficar de fora.

O Dr Ron Paul é um membro republicano do Congresso dos EUA pelo Estado do Texas e candidato presidencial em 2008. Pode ser contactado por correio electrónico. Aceita comentários no seu blog. Este artigo é um excerto da primeira parte da obra Pillars of Prosperity.



Ron Paul in Has Capitalism Failed?
publicado por Ludwig von Mises Institute em 16 de Abril de 2008

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Quinta-feira, Abril 24, 2008

Jonathan Sherwood - Novo ponto de partida para a gravação musical

De há muito que é sabido que, no torvelinho aparentemente desordenado de factos, se sobrepoem dois tipos de constituintes: por um lado, o conjunto de elementos estruturantes, relativamente estáveis e possíveis de tipificar, por outro, o conjunto de elementos imprevisíveis ou contingentes, singulares e específicos de cada momento. As técnicas de gravação musical clássicas, devido ao desenvolvimento prodigioso da electrónica digital dos últimos anos, seguiu a via mais fácil de acompanhar o valor instantâneo da amplitude sonora, estreitando cada vez mais a distância temporal entre amostras consecutivas, isto é actuando na dimensão do ritmo da amostragem. É sabido também que existe um grau de redundância imenso na informação sonora e, por este motivo, esta abordagem mais não representou senão uma desistência de distrinçar entre as duas categorias de informação: a estruturante e a aleatória. Por ocasião do sexagésimo aniversário da Teoria da Informação, eis que a Universidade de Rochester tomou a dianteira numa direcção decisiva do processamento da Informação. Sendo este um dos meus temas de estimação, penso voltar a ele amiude ao longo deste ano. (AF)

Universidade de Rochester

20 segundos de um solo de clarinete foram acomodados num único kilobyte. (Não, não se trata de uma brincadeira do dia das mentiras.)

Um grupo de investigadores da Universidade de Rochester reproduziu música de um ficheiro digital 1000 vezes mais compacto que um ficheiro normal MP3 (norma definida pelo Moving Picture Expert Group, version 3).
O registo do trecho musical, um solo de clarinete com 20 segundos codificado em menos de um kilobyte, foi possível graças a duas inovações: processamento pelo computador dos aspectos físicos específicos tanto do clarinete como do instrumentista.

Este marco, anunciado hoje na Conferência Internacional sobre a Acústica da Voz e Processamento de Sinais que se realizou em Las Vegas, não é ainda uma reprodução impecável do som original, mas os investigadores afirmam que se aproxima bastante.

"Trata-se de uma abordagem da técnica de reprodução sonora adaptada à natureza humana como ele é produzido", afirma Mark Bocko, um professor de engenharia eléctrica e de computadores e co-autor desta tecnologia.
"As pessoas agem com a língua, a respiração e os dedos com uma rapidez limitada pelo que, em teoria, não deverá ser necessário efectuar medidas a um ritmo de dezenas de milhares de vezes por segundo como acontece na actual técnica de produção de CD's. Em conformidade, penso que nos aproximámos do limite inferior absoluto da quantidade de informação contida num trecho musical."

Ao reproduzir a música, o computador usa exaustivamente a informação que foi dispensada sobre o clarinete e a pessoa que toca o clarinete. Dois dos doutourandos do Professor Bocko, Xiaoxiao Dong e Mark Sterling, mediram tudo o que havia a medir no clarinete capaz de influenciar o som deste instrumento - desde as diferentes pressões impostas no bucal pelas dedilhações às diversas intensidades com que o som se propaga pelas direcções do espaço a partir da posição do instrumento.
Com estes dados, construiram um modelo do clarinete completamente baseado em medidas acústicas reais.

A equipa concentrou-se depois na criação de um instrumentista virtual para este clarinete virtual. Representaram no modelo a forma como o músico interage com o clarinete, incluindo a dedilhação, a pressão do sopro, a pressão dos lábios sobre a embocadura para determinar infuência que tem sobre o som. Foi então possível, afirma Bocko, deixar o computador "escutar" o executante, para reconhecer e registar a sequência das suas acções conducentes àquela interpretação musical particular.
O som original é simulado apresentando ao clarinete virtual o registo daquelas acções deduzidas da execução real.

No estado actual desta técnica, o som reproduzido fica bastante próximo do original, embora ainda não seja uma réplica perfeita.

"Continuamos as pesquisas para incluir no modelo os efeitos dos movimentos da língua, usados nas notas das passagens 'staccato'", acrescenta Bocko.
Em músicas com notas sustentadas normalmente, o método já funciona muito bem, sendo difícil distinguir-se entre o músico verdadeiro e o músico sintetizado.

Jonathan Sherwood in Music File Compressed 1,000 Times Smaller than MP3
publicado por University of Rochester News a 1º de Abril de 2008

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Domingo, Março 23, 2008

Paul O'Niel - Iraque antes do 11 de Setembro

Bush decidiu a invasão do Iraque antes do 11/9

Desde a primeira reunião do Conselho Nacional de Segurança, o governo de Bush elaborou planos para derrubar o governo de Saddam e preparou a ocupação do Iraque. "Encontrem um meio de o fazer", ordenava Bush aos seus conselheiros. Um documento CBS e transcrição VF.

Paul O'Niel, Secretário do Tesouro no primeiro governo de Bush, foi entrevistado em 2004 por uma jornalista da CBS, por altura da publicação de uma obra descrevendo as antecâmaras do poder em Washington.

Ron Suskind, o autor de "O Preço da Lealdade", recolheu testemunhos de muitos funcionários e membros do governo, entre os quais o de Paul O'Niel, que aceitou ser citado pelo seu nome. Na altura, Donald Rumsfeld telefonou a Suskind para tentar dissuadi-lo da publicação.


Com início aos 1:50 o vídeo foi legendado na parte que se refere aos preparativos da invasão do Iraque antes do 11 de Setembro. (AF)




Fonte: Bush avait décidé l’invasion de l’Irak avant le 11 septembre 2001,
publicado por Contre Info a 19 de Março da 2008

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Sexta-feira, Março 07, 2008

The Carpenters - There's a kind of hush


There's a kind of hush
All over the world tonight
All over the world
You can hear the sound of lovers in love
You know what I mean

Just the two of us
And nobody else in sight
There's nobody else and I'm feelin good
Just holding you tight

So listen very carefully
Get closer now and you will see what I mean
It isn't a dream
The only sound that you will hear
Is when I whisper in your ear I love you
For ever and ever

There's a kind of hush
All over the world tonight
All over the world
People just like us are fallin' love


The Carpenters

FontePoemaUpper cut
Videoprezlitrotyi

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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008

Bob Dylan - Blowing in the wind

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.



How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.


Fonte: Bob Dylan songs

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Quarta-feira, Fevereiro 13, 2008

Obama versus Clinton

Obama versus Clinton

Fonte: Primary Season Election Results
publicado pelo The New York Times em 13 de Fevereiro de 2008

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Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Giap, o professor

Vo Nguyen Giap é apresentado habitualmente como um general e nesta qualidade não lhe são poupados elogios. Menos conhecida é a sua profissão civil: professor de História do ensino secundário. (AF)



General GiapO general de quatro estrelas Vo Nguyen Giap conduziu os exércitos no Vietname desde que se formaram, na década de 1940, até ao momento da sua entrada triunfal em Saigão, em 1975.

Detentor de uma das mentes mais brilhantes entre os militares deste século (XX), a sua estratégia para vencer adversários mais poderosos não se resumia a suplantá-los no terreno, mas em afectar o seu poder de decisão infligindo desaires políticos desmoralizadoras por meio de tácticas notáveis.

Esta faceta revelou-se logo em 1944, quando Giap fez avançar a sua minúscula força contra um posto francês na Indochina. O momento que escolheu para o fazer foi a véspera do Natal. Mais devastadora, a sua ofensiva de 1954 num lugar chamado Dien Bien Phu atraiu os franceses, demasiado confiantes da sua superioridade, para um ponto onde se verificou a viragem da batalha, culminado numa vitória espantosa com posicionamentos brilhantes. Demonstrou sempre talento em aproveitar as forças do inimigo como se fossem fraquezas para serem exploradas.

Um quarto de século mais tarde, em 1968, o general lançou uma ofensiva surpresa contra as forças americanas e sul-vietnamitas na véspera das celebrações do Novo Ano lunar. Foram tomadas capitais de província por todo o país, levados a cabo ataques simutâneos a guarnições militares e, talvez mais espantoso, invadida a Embaixada dos EUA em Saigão. As baixas para as forças norte-vietnamitas foram tremendas mas o gambito resultou num desastre fulcral para o discurso mediático da Casa Branca e para a presidência de Lyndon Johnson. A estratégia de Giap derrubou o comandante-em-chefe dos EUA. Inverteu a maré da guerra e selou a fama do general como o génio militar dominante da segunda metade do século XX.

John Colvin author of "Giap Volcano Under Snow"

in Tet Offensive
publicado por Vets With A Mission




Vo Nguyen Giap nasceu na aldeia de An Xa, na provícia de Quang Binh. O seu pai a a sua mãe, Vo Quang Nghiem e Nguyen Thi Kien trabalhavam a terra, alugavam alguma aos vizinhos e viviam de forma razoavelmente confortável. Aos quatorze anos, Giap tornou-se estafeta da Companhia Eléctrica de Haiphong e logo a seguir fez parte de um grupo de juventude revolucionária romântica, o Tan Viet Mang Dang. Dois anos mais tarde entrou para um liceu dirigido por franceses em Hué, de onde foi expulso passados outros dois anos por organizar a luta dos estudantes, segundo narra o próprio. Em 1933, com 21 anos, Giap entrou para a Universidade de Hanoi. Leccionou depois História, durante um ano, na escola Thang Long de Hanoi. Na década de 1930 prosseguiu a sua actividade como professor e jornalista...

in Vo Nguyen Giap
publicado por Wikipedia

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Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

Joseph Stiglitz - Como travar a crise

Joseph StiglitzA economia americana está dominada pelo abrandamento. Que sobrevenha uma recessão (três trimestres consecutivos de crescimento negativo) é menos importante que o facto de a economia estar a funcionar bem abaixo do seu potencial e o desemprego estar a subir. O país precisa de um estímulo, mas como qualquer coisa que façamos irá aumentar o nosso já elevado défice é importante que consigamos tanto proveito quanto possível das despesas. O pacote ideal de medidas conterá uma de efeitos rápidos junto com outras que poderão conduzir a um aumento de despesas mas apenas no caso de a economia continuar a afundar-se.

Deveremos começar por reforçar o sistema de segurança para o desemprego pois o dinheiro recebido pelos desempregados será gasto imediatamente.

O governo federal deveria também oferecer alguma assistência aos estados ou localidades que já estão a ser afectados pela degradação da pobreza. Normalmente a resposta é cortar nas despesas mas isso levaria a uma desestabilização. A ajuda federal deveria revestir a forma de financiamento para a reconstrução de infra-estruturas cruciais.

Ajuda federal adicional deve ser canalizada para os orçamentos na educação do estado pois isso reforçará a economia a curto prazo e promoverá o crescimento a longo prazo, tal como acontecerá se se investir nas medidas de poupança de energia e na redução das emissões. Levará algum tempo a implementar programas bem delineados nestas áreas, porém o actual abrandamento parece que irá permanecer por mais tempo que os anteriores num passado recente. Os preços das casas ainda têm um longo caminho a percorrer até que atinjam níveis normais e, se os americanos começarem a poupar mais do que costumam fazer, o consumo poderá permanecer baixo por algum tempo.

A administração Bush há muito se convenceu que a redução de impostos (especialmente os que afectam os ricos) são solução para todos os problemas. Isto está errado. A redução de impostos, em geral, tende a perpetuar o consumo excessivo que caracterizou a economia americana. Mas os americanos de rendimentos médios ou baixos têm sofrido nos últimos sete anos; o rendimento médio das famílias é hoje mais baixo que no ano de 2000. Uma redução incidindo sobre os rendimentos médios ou baixos faz sentido, especialmente porque produziria efeitos imediatos.

Algo terá que ser feito para parar as execuções de hipotecas e aqueles que foram vítimas de esquemas predatórios de endividamento deveriam ser protegidos por meio de legislação adequada para poderem continuar a viver nas suas casas, pois isso estimulará a economia. Porém, não se deve apostar demasiado neste sentido. Caso o fizéssemos acabariam por ser os investidores a ganhar e estes são precisamente aqueles que menos precisam de ajuda dos contribuintes.

Em 2001, a administração Bush usou a eminência da recessão como argumento para reduzir os impostos dos americanos de maiores rendimentos - o mesmo grupo que se saiu tão bem no último quarto de século. Estas reduções não foram concebidas para estimular a economia e o seu resultado nessa direcção foi marginal. Para viabilizar a economia, a Reserva Federal viu-se obrigada a reduzir a taxa de juros sobre os empréstimos para níveis sem precedentes e depois olhar para o lado enquanto a América se enchia da empréstimos imprudentes. A economia segurou-se com dinheiro emprestado e com tempo emprestado.

Chegou o dia de prestar contas. Agora é que precisamos de um estímulo a sério. A questão é: porão o Presidente e o Congresso a política de parte para fazer o trabalho?

Joseph Stiglitz in
How to Stop the Downturn
publicado por The New York Times em 23 de Janeiro de 2008

Também publicado por Der Spiegel

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Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Martin Luther King - I have a dream

Washington, 28 de Agosto de 1963

Eis o documento usado na teoria da gestão como o paradigma da definição da missão - em contraposição aos objectivos - das organizações.(AF)




Texto completo do discurso

E aqui em português

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Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Alan Greenspan - Descartar os sinais precoces

Até a Reserva Federal já põe limites às liberdades da banca...(AF)

2007 subprime
(clicar para ver o gráfico todo)

in Edmund L. Andrews,
Fed Shrugged as Subprime Crisis Spread,
publicado por The New York Times Logo em 18 de Dezembro de 2007

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Terça-feira, Dezembro 11, 2007

John Kiriakou - A culpa morre solteira

John Kiriakou é um ex-agente reformado da Central Inteligence Agency (CIA). (AF)
John Kiriakou
Como muitos americanos, fui confrontado pelo dilema de saber que a submersão (waterboarding) pode ser uma forma de tortura e a qualidade da informação que através dela se obtém. Enfrentei esse dilema. Que aconteceria se, por nos abstermos de aplicar esta técnica a alguém, não obtendo a peça de informação que precisávamos, permitíssemos um ataque? Teria problemas em perdoar-me a mim próprio. É como desligar um interruptor. É fácil apontar falhas - ou aparências de falhas - aos serviços de informação, mas o público deve compreender quão difíceis são as condições de trabalho de quem lhe oferece a segurança.
in ABC News, 11/Dez/2007


Na terça-feira, Kiriakou desviou a responsabilidade da CIA para a Casa Branca, ao dizer que a decisão de usar certas técnicas nos interrogatórios não se encontra entre as pessoas do seu nível.
Esta foi um política definida pela Casa Branca, em conjunto com o National Security Council (NSC) e o ministério (department) da Justiça.
A administração de George W. Bush sempre manteve que não permite o uso da tortura.
in BBC News, 11/Dez/2007

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