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Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século (3)

(Início)

Dois desafios

O mundo exterior aos EUA está confontado com dois desafios que condicionam a sua margem de manobra:
  1. A supremacia miltar dos EUA, após o afundamento da União Soviética.
  2. A ordem económica mundial estabalecida, reservando para a primeira potência económica o maior ganho, graças ao estatuto do dólar como moeda padrão e ao controlo, se necessário pela força armada, dos fluxos de energia sobre segmentos específicos.
Estes dois factores actuam em conjunto, complementando-se da melhor forma. São os pilares da nova ordem mundial. O estudo já citado, "Rebuilding America's Defenses" do grupo de discussão republicano "Project for the New American Century" (PNAC), reclama que os EUA sejam claramente superiores a todas as coligações possíveis, em domínios expressamente referidos da economia e do poder militar, sob todos os pontos de vista. Os concorrentes potenciais a travar são aí designados pelo nome; entre eles figuram a China e a União Europeia (UE). Se o propósito inicial era exclusivamente militar, tipificado como "Full Spectrum Dominance" dos EUA, expandiu-se hoje a todos os restantes domínios das relações internacionais e ao cosmo. Eis o que, a este respeito, escreveu Harold Pinter, um escritor inglês, no discurso de recepção do Prémio Nobel em 2005:
"Já afirmei que os EUA foram de uma franqueza absoluta ao colocarem as cartas sobre a mesa. Tal foi o caso. A sua política oficial é agora definida como o «full spectrum dominance». Não são palavras inventadas por mim, são as suas próprias palavras. «Full spectrum dominance» significa controlo de todos os recursos existentes por terra, mar, ar ou espaço".
A visão, sem precedente histórico, subjacente a este documento é a de que os EUA não apenas conseguiriam usufruir por tempo indefinido dessa posição hegemónica, como desencadear uma dinâmica parcial para conter o crescimento dos outros centros. Nitidamente, o estado do Direito Internacional em vigor na altura constituia um obstáculo a semelhante projecto e os fóruns de concertação internacional para resolução de conflitos só serão permitidos enquanto servirem os interesses dos EUA; depreende-se logicamente.
Este desígnio é, além do mais, reivindicado sem subterfúgios, como ilustram os temas tratados numa conferência que decorreu em fins de Abril de 2000, diante de representantes de alto nível dos governos da Europa de Leste, em Bratislava, capital da Eslováquia. A conferência foi organizada pelo Departamento de Estado e pela «New Atlantic Initiative», uma emanação de um instituto republicano para as relações internacionais, concretamente o «American Enterprise Institute». O único político alemão convidado foi o deputado cristão-democrata Willy Wimmer, membro da Comissão do Negócios Estrangeiros do parlamento federal alemão (Bundestag) e ex-Secretário de Estado da Defesa (1987-1992). Regressado à Alemanha, redigiu um relatório síntese das conclusões, que apresentou ao Chanceler. Eis o que se pode ler lá:
"Do lado americano, parece estar decidido, no contexto mundial e para que os seus fins sejam alcançados, colocar fora de cena a ordem jurídica internacional estabalecida no século passado na sequência de duas guerras mundiais. A força deve prevalecer sobre o direito. Assim que o Direito Internacional surja como obstáculo, ignora-se. Já a Sociedade das Nações em tempos enveredou por esta via, de que resultou a Segunda Guerra Mundial. Um pensamento que absolutiza os seus próprios interessses não merece outra qualificação que totalitário".

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Segunda-feira, Setembro 01, 2008

John Pilger - Não esqueçam a Jugoslávia

La Caccia


Os segredos do esmagamento da Jugoslávia que estão a emergir contam-nos muito sobre como o mundo moderna é policiado. A antiga promotora chefe do Tribunal Penal Internacional em Haia, Carla Del Ponte, este ano publicou as suas memórias: The Hunt: Me and War Criminal (A caça: eu e os criminosos de guerra). Quase ignorado na Grã-Bretanha, o livro revela verdades intragáveis acerca da intervenção ocidental no Kosovo, a qual tem ecos no Cáucaso.

O tribunal foi montado e financiado principalmente pelos Estados Unidos. O papel de Del Ponte era investigar os crimes cometidos quando a Jugoslávia foi desmembrada na década de 1990. Ela insistiu em que isto incluía os 78 dias de bombardeamentos da Sérvia e do Kosovo pela NATO em 1999, os quais mataram centenas de pessoas em hospitais, escolas, igrejas, parques e estúdios de televisão, e destruíram infraestruturas económicas. "Se eu não quiser [processar pessoal da NATO]", disse Del Ponte, "devo renunciar à minha missão". Foi uma impostura. Sob a pressão de Washington e Londres, foi abandonada uma investigação dos crimes de guerra da NATO.

Os leitores recordarão que a justificação para o bombardeamento da NATO era que os sérvios estavam a cometer "genocídio" na província secessionista do Kosovo contra pessoas de etnia albanesa. David Scheffer, embaixador itinerante estado-unidense para crimes de guerra, anunciou que até "225 mil homens de etnia albanesa entre os 14 e os 59 anos" poderiam ter sido assassinados. Tony Blair invocou o Holocausto e "o espírito da Segunda Guerra Mundial". Os heróicos aliados do ocidente eram o Kosovo Liberation Army (KLA), cujo registo de assassínios foi posto de lado. O secretário britânico de Negócios Estrangeiros, Robin Cook, disse-lhes para contactá-lo a qualquer momento pelo seu telemóvel.

Acabado o bombardeamento da NATO, equipes internacionais caíram sobre o Kosovo para exumar o "holocausto". O FBI fracassou em descobrir um único cemitério em massa e voltou para casa. A equipe de perícia forense espanhola fez o mesmo, seu líder iradamente denunciou "uma pirueta semântica das máquinas de propaganda de guerra". Um ano mais tarde, o tribunal de Del Ponte anunciou a contagem final dos mortos no Kosovo: 2.788. Isto incluía combatentes de ambos os lados e sérvios e ciganos assassinados pelo KLA. Não houve genocídio no Kosovo. O "holocausto" era uma mentira. O ataque da NATO fora fraudulento.

Isto não era tudo, diz Del Ponte no seu livro: o KLA sequestrou centenas de sérvios e transportou-os para a Albânia, onde os seus rins e outras partes do corpo foram removidos, sendo então vendidos para transplantes em outros países. Ela também diz que havia prova suficiente para processar kosovares albaneses por crimes de guerra, mas a investigação "foi travada desde o princípio" de modo que o foco do tribunal seriam "crimes cometidos pela Sérvica". Ela diz que os juízes de Haia foram aterrorizados com os kosovares albaneses – as mesmas pessoas em cujo nome a NATO atacou a Sérvia.

Na verdade, mesmo quando Blair, o líder da guerra, estava numa viagem triunfante no Kosovo "libertado", o KLA efectuava a limpeza étnica de mais de 200 mil sérvios e ciganos daquela província. Em Fevereiro último a "comunidade internacional", conduzida pelos EUA, reconheceu o Kosovo, o qual não tem economia formal e é dirigido, com efeito, pelas gangs criminosas que traficam drogas, contrabando e mulheres. Mas ele te um activo valioso: a base militar estado-unidense de Camp Bondsteel, descrita pelo comissário de direitos humanos do Conselho da Europa como "uma versão mais pequena de Guantanamo". A Del Ponte, uma diplomata suíça, foi dito pelo seu próprio governo para parar de promover o seu livro.

A Jugoslávia era uma federação independente e multi-étnica, ainda que imperfeita, que se posicionou como uma ponte política e económica durante a Guerra Fria. Isto já não era aceitável para a Comunidade Europeia em expansão, especialmente com a Alemanha, a qual principiara um esforço para o Leste a fim de dominar o seu "mercado natural" nas províncias jugoslavas da Croácia e da Eslovénia. No momento em que os europeus se encontravam em Maastricht, em 1991, um acordo secreto fora lavrado; a Alemanha reconhecia a Croácia e a Jugoslávia era condenada. Em Washington, os EUA asseguravam que à esforçada economia jugoslava fossem negados empréstimos do Banco Mundial e a defunta NATO foi reinventada como o agente de força. Numa conferência sobre a "paz" no Kosovo, em 1999 em França, foi dito aos sérvios para aceitarem a ocupação pelas forças da NATO e uma economia de mercado, ou seriam bombardeados até à submissão. Foi o precursor perfeito dos banhos de sangue no Afeganistão e no Iraque.

John Pilger, Don't forget Yugoslavia, 14 de Agosto de 2008

Tradução para português encontrada em resistir.info

Recebido por mail de Duarte Barracas

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