O artigo merece ser lido integralmente. Aqui reproduzo (em português) um excerto. Na parte não traduzida é evidente outro facto: que o valor do trabalho se deprecia, tal como as matérias primas.(AF)
As acções em bolsa chumbaram (plummeted) e o dólar afundou-se num novo recorde face ao euro ontem, quando os investidores em todo o mundo se assustaram com a nova subida de preço do petróleo conjugada com um abrandamento significativo da economia dos Estados Unidos da América (EUA).
O indicador industrial médio Dow Jones caiu 360 pontos e o conjunto das acções do mercado mais geral desceu 3 porcento, quedas que acentuam o receio de que os problemas provocados pelo mercado imobiliário se prolongarão para bem dentro do próximo ano, contribuindo para prejuízos adicionais no mercado dos créditos e espalhando o medo pelos restantes sectores da economia. Após um Verão relativamente forte, prevê-se que os gastos dos consumidores se reduzam e que os lucros dos negócios abrandem nos próximos meses, segundo os analistas.
Pressentimos através dos nossos clientes que os EUA se encontram numa grande aflição, disse Erik Nielsen, economista principal da
Goldman Sach.
A subida dos preços do petróleo, que foi negociado por momentos a 98 dólares o barril - estacionando depois a 96,37 - está aparentemente a arrastar a subida do preço da gasolina, assim como dos combustíveis para aquecimento e para a aviação. Isto só faz subir os receios de que os consumidores americanos não consigam continuar a suportar as suas despesas noutros bens e serviços, especialmente nos veículos de alto consumo de gasolina que continuam a ser fabricados pelos industriais deste ramo em Detroit.
A razão próxima que desencadeou a venda de dólares ao desbarato, segundo os negociadores, foi o sinal áspero de que a China se preparava para trocar uma parte das suas enormes reservas em divisas estrangeiras - avaliadas acima de 1,4 biliões de dólares em que predominam o dólar e moedas fixadas ao dólar - para outras divisas de maneira a garantir melhor retorno.
Somos favoráveis a divisas mais fortes e iremos reajustar-nos em conformidade, disse Cheng Siwei, vice presidente da Comissão Permanente do Congresso Nacional Popular, durante uma conferência que teve lugar em Pequim na quarta-feira. Por outro lado, o director adjunto de um banco chinês, Xu Jian, afirmou que o dólar
estava a perder o seu estatuto de divisa mundial, segundo relato da Bloomberg News.
O Sr Cheng afirmou mais tarde aos repórteres que não havia estipulado que a China poderia comprar mais euros e deixar cair o dólar. Contudo, no momento em que os mercados europeus se abrem, estas palavras ressoam como um convite para vender moeda americana.
O dólar caiu para o seu nível mais baixo relativamente ao dólar canadiano desde 1950, relativamente à libra britânica desde 1981, e ao franco suisso desde 1955. O euro subiu a um novo recorde de 1,4729 - antes de se retrair.
Ainda que as reacções às declarações chinesas possam parecer desproporcionadas, os analistas são da opinião de que as forças que minam o dólar e as acções em bolsa são mais amplas e profundas: a incerteza quanto à extensão da crise do crédito das hipotecas imobiliárias, bem como a convicção que se vai firmando de que, mais cedo ou mais tarde, as revelações do mercado das casas americanas venham a manchar o conjunto da economia.
As últimas semanas foram pródigas em incidentes desagradáveis para os principais bancos cotados na Wall Street, com muitos milhares de milhões de dólares a deslizarem das folhas de balanço por prejuízos no mercado imobiliário. Contudo, os investidores suspeitam que maiores dores estão para vir, sem que consigam precisar quanto ou quando, dada a complexidade da teia de aranha que envolve os negócios financeiros responsáveis pela
bolha das casas.
in MICHAEL M. GRYNBAUM and PETER S. GOODMAN
Markets and Dollar Sink as Slowdown Worry Increasespublicado pelo
The New York Times em 8 de Novembro de 2007
Etiquetas: China, divisa, dólar, economia, EUA, euro