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Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Marta Cochat-Osório - Notícias do Chile

Victor Jara


Ao fim de 36 anos confirmou-se o que já se sabia. Víctor Jara foi torturado, esmagaram-lhe as mãos, vararam-no com dezenas de balas.

Ao fim de 36 anos voltamos a lembrar o Estádio Chile cheio de trabalhadores, intelectuais, estudantes, militantes de partidos de esquerda e democratas em geral, que aos milhares ali foram encerrados, para dia após dia serem torturados e assassinados, enquanto se instalava definitivamente a ditadura militar de Augusto Pinochet, idealizada, cozinhada e levada a cabo a partir dos gabinetes da CIA e da Casa Branca.

Ao fim de 36 anos o seu país tentou sarar essa ferida, dando-lhe um funeral de Estado, acompanhado por milhares de chilenos. Não o que merecia, pois o que Víctor Jara merecia era continuar vivo, ou, a ter já morrido, que tivesse sido de morte natural, rodeado pela ternura da sua família e amigos e não vítima de assassinos.

Ao fim de 36 anos proclamou-se o que já se sabia. Víctor Jara era um homem íntegro e bom!




Manifesto



Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon,
tiene corazon de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas,
aqui se encajo mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.



Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morira cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una alondra
hasta el fondo de la tierra.



Ahi donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre sera cancion nueva.



Victor Jara


(via email)

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Quarta-feira, Abril 01, 2009

Poesia de Pablo Neruda

(Via email de Fátima Inácio Gomes)

Cartaz - Poesia de Pablo Neruda
(Clique para ampliar)

POESIA INPROGRESS
Amor em tempo de crise
"Fui o mais abandonado dos poetas,
mas tive sempre confiança no homem."

Poemas de Pablo Neruda lidos por
Armando Dourado,
Cláudia Novais,
Celeste Pereira,
André Sebastião,
António Pinheiro e
Inês Mota.

Acompanhamento:
Rumba dançada por
Bárbara Marques e
João Vinhas.

2 de Abril, às 21H30
Café Progresso

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Quinta-feira, Fevereiro 28, 2008

Pablo Neruda - Muere lentamente

¿Quién muere?
Pablo Neruda

Muere lentamente
quien se transforma
en esclavo del hábito,
repitiendo
todos los días
los mismos trayectos.

Quien no cambia de marca,
no arriesga vestir
un color nuevo
y no le habla
a quien no conoce.

Muere lentamente
quien hace
de la televisión su gurú.

Muere lentamente
quien evita una pasión,
quien prefiere
el negro sobre blanco
y los puntos sobre las “íes”
a un remolino de emociones,
justamente las que rescatan
el brillo de los ojos,
sonrisas de los bostezos,
corazones a los tropiezos
y sentimientos.

Muere lentamente
quien no voltea la mesa
cuando está infeliz
en el trabajo,
quien no arriesga
lo cierto por lo incierto
para ir detrás de un sueño,
quien no se permite
por lo menos una vez en la vida,
huir de los consejos sensatos.

Muere lentamente
quién deja escapar un posible amor,
con tal de no hacer el esfuerzo
de hacer que éste crezca.

Muere lentamente
quien no viaja,
quien no lee,
quien no oye música,
quien no encuentra
gracia en si mismo.

Muere lentamente
quien destruye su amor propio,
quien no se deja ayudar.

Muere lentamente,
quien pasa los días quejándose
de su mala suerte
o de la lluvia incesante.

Muere lentamente,
quien abandonando
un proyecto
antes de empezarlo,
el que no pregunta
acerca de un asunto
que desconoce
o no responde
cuando le indagan
sobre algo que sabe.

Evitemos la muerte
en suaves cuotas,
recordando siempre
que estar vivo
exige un esfuerzo
mucho mayor
que el simple hecho
de respirar.

Solamente
la ardiente paciencia
hará que conquistemos
una espléndida felicidad.


Fonte: SUSURROS DEL ALMA

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Domingo, Dezembro 31, 2006

E agora, uma palavra do Chile...


Todos os que seguiram o debate de 2005 sobre a privatização da Segurança Social têm vivas recordações do modelo chileno. Parecia, às vezes, impossível sugerir qualquer solução do problema da Segurança Social sem que se levantassem as ladaínhas do mercado livre sobre a maneira como o Chile concedeu aos seus trabalhadores o controlo sobre os seus próprios fundos de poupança - seguido pela recomendação feita aos Estados Unidos para que tomassem o mesmo barco.

Vale então a pena reparar agora que o modelo chileno está a afundar-se.

O governo chileno anunciou recentemente que, em 2007, pretende desenvolver reformas de longo alcance destinadas a aumentar o papel do Estado na segurança para a terceira-idade. As reformas são necessárias com urgência. Passou cerca de uma geração desde que o regime do general Pinochet começou a protelar o sistema de reformas do Estado a favor de um plano que estipulava uma poupança de dez por cento do salário em contas privadas. Hoje, cerca de metade da força de trabalho chilena não participou ou não acumulou o suficiente para gerar a receita que o governo considera mínima de 140 dólares por mês.

O problema estrutural do Chile - e a lição real para os Estados Unidos - é que as poupanças privadas não são substituto para o apoio vinculativo à terceira-idade. A primeira medida do sucesso de um sistema de reforma não é quanto alguns indivíduos são capazes de poupar, mas se o sistema globalmente oferece dignidade básica para todos. Nesta optica, o sistema privado do Chile falhou e a Segurança Social venceu.

A Segurança Social necessita de algumas mudanças para se proteger a longo prazo. A melhor solução envolve uma combinação de um ligeiro corte nos benefícios com um ligeiro aumento das deduções, que podem ser introduzidas gradualmente ao longo de décadas e podem garantir ao Estado receitas durante a carreira contributiva na ordem de 30% em média, contra os 35% actuais.

Para se chegar lá, sería necessário que os dois partidos aceitassem concessões: os republicanos teriam que abdicar dos seus esforços de privatização; e os democratas teriam que controlar a sua tendência para começar qualquer discussão sobre a Segurança Social com um juramento de nunca reduzir os benefícios futuros de quem quer que seja. O presidente Bush também deve avançar mais, se ainda houver alguma oportunidade de progresso enquanto está no poder. A subida dos impostos deve constar de qualquer conjunto de medidas credíveis para a Segurança Social. Infelizmente, o presidente parece inamovível na sua oposição até a numa coisa tão ultrapassada como o alargamento aos dividendos agrícolas da tributação para a Segurança Social.

Enquanto a subida dos impostos estiver fora de perspectiva, muitos cortes nos benefícios tornar-se-ão inevitáveis. Para cobrir o deficit financeiro da Segurança Social apenas com os cortes nos benefícios, ter-se-ía que reduzir o valor médio das pensões para cada trabalhador a dez por cento do seu vencimento antes da passagem à reforma. Estes benefícios exíguos implicariam o fim da Segurança Social, tão certo como a privatização.

Com o ressurgimento do debate no Novo Ano de 2007, outra lição vital da experiência chilena é a de que as instituições, uma vez desmenteladas, não se restauram facilmente.

Tradução do original em inglês:
Editorial
And Now, a Word From Chile ...

publicado no The New York Times a 31 de Dezembro de 2006

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Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Fernando Torres - O último homem da Junta

Todos os membros originais da junta militar que derrubou Allende e o seu governo, com o conhecimento e apoio directo do governo dos Estados Unidos, já partiram.

Nixon já partiu; Kissinger ficou sozinho na Terra.

Agora nunca saberemos a quantidade de segredos e as memórias que arrastaram com eles para a tumba. Nem o paradeiro dos desaparecidos - um só que seja. Espantar-me-ia que a justiça prevalecesse e caísse sobre Kissinger, o último homem da Junta. F. T.

"Não vejo porque devamos esperar para ver um país ir para o comunismo devido à irresponsabilidade do seu povo. As questões são demasiado importantes para que deixemos os eleitores chilenos decidirem por si próprios." - Henry Kissinger

Carta aberta a Henry Kissinger

Não fui um dos chilenos "irresponsáveis" senhor, mas sofri uma pena pesada pelas suas palavras.

Senhor Henry Kissinger
Kissinger Associates
New York

Lembro-me da sua repreensão aos chilenos, quando elegeram o socialista Salvador Allende em 1970: "Não podemos permitir que um país vá para o marxismo só porque o seu povo é irresponsável".

Se bem que estivéssemos habituados a esta retórica vinda da Casa Branca naqueles anos, não imaginávamos que essas suas palavras vergonhosas iriam eventualmente selar o futuro do Chile ao mais horrendo episódio da história da América Latina. Sim - devo dizê-lo - nós subestimámo-lo, Senhor.

Bombas a cair do céu, torres e edifícios destruidos,a carnificina de centenas de pessoas. Milhares de desaparecidos e estádios de futebol transformados em campos de concentração. Lembra-se disso, do seu próprio 11 de Setembro?

Desde o primeiro dia; desde antes de Allende ter sido ractificado pelo parlamento chileno como o legítimo presidente, o Senhor, Secretário de Estado e Conselheiro da Segurança Nacional, o Senhor Henry Kissinger planeava secretamente derrubar Allende. Conjurou o assassinato do General René Schneider - que apoiava a Constituição chilena - de forma a provocar um golpe militar.

Planeou a política da "dupla via" relativamente a este pequeno país que pretendia, com uma mão, isolar Allende internacionalmente e, com a outra (mais suja), provocar o golpe militar através de assassinatos, subversão política e sabotagem económica.

O seu objectivo, Senhor Kissinger, ao reunir os dirigentes militares dos países vizinhos para pressionar o Chile, na operação que mais tarde se denominou "Operação Condor", foi a coordenação das polícias secretas para trocarem informações e prisioneiros, levarem a cabo raptos, torturas e assassinatos como o de Orlando Letelier e seu ajudante de campo Ronni Moffit em Washington DC, realizado por terroristas chilenos e cubanos sob o comando dos agentes Michael Townley e Novo Sampol da CIA (que mais tarde foram condenados no Panamá por vários ataques terroristas e pela tentativa de assassinato de Fidel Castro, tendo sido libertados depois sob os auspícios dos Estados Unidos, que puxou os cordelinhos à sua marionete, o presidente demissionário Mireva Moscoso).

Você, Senhor Kissinger, e Nixon mentiram ao Congresso, prestando informações falsas e assegurando que os Estados Unidos não desempenharam qualquer papel no esmagamento da democracia chilena. Deve saber que naqueles tempos não havia o perigo das aludidas "armas de destruição maciça", mas sim o "perigo" da expansão do comunismo no cone Sul. Acreditou que o povo "irresponsável" do Chile representava um mau exemplo: Chile era um punhal cravado no coração da América. Um punhal que havia que remover a qualquer preço. Allende tinha que ser travado, ainda que ao preço da própria democracia.

Porque o 11 de Setembro de 1973 foi da sua absoluta responsabilidade, Senhor Kissinger, nós, o povo "irresponsável" do Chile, nomeamo-lo a versão chilena de Osanma Bin Lagen, para dizer o mínimo.

Senhor Kissinger, eu não fui um "irresponsável" chileno porque tinha 14 anos e não pude votar; mas na realidade paguei a pesada e sangrenta factura das suas palavras por inteiro, Senhor. No entanto, pensando no papel que desmpenhou não só no Chile como na Indochina, Timor Leste, Chipre, a sua traição aos curdos no Iraque, o seu apoio incondicional à segregação racial na África do Sul, etc, etc, eu posso dizer algo que o senhor não pode: as minhas mãos estão limpas.

Sinceramente

Fernando A. Torres

Traduçao da versão em inglês:
The Last Man of the Junta
Publicado em
CounterpunchCounterpunch em 12/12/2006

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