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Sábado, Abril 04, 2009

A crise, é só para alguns

Graças à Transparência na Administração Pública, agora podemos entreter-nos a ver para onde é que andamos a pagar os nossos impostos.

Eis aqui um exemplo de uma pesquisa:

NIF /Nome entidade adjudicante
504597221 /Matosinhos Habit - MH
NIF /Nome entidade adjudiatária
502370351 /A construtora de Pedroso Lda.
Objecto do contrato(descrição sumária): Reparação de porta de entrada do edifício
Preço do contrato (Euro): 142.320,00 €
Prazo de execução (dias): 1 /Local de execução: Matosinhos

NIF /Nome entidade adjudicante
600037584 /Escola Superior de Educação de Lisboa
NIF /Nome entidade adjudiatária
505212315 /Serralharia Bastos Unipessoal, LDA
Objecto do contrato(descrição sumária): Reparação de janelas/portas do 1º, 2º e 3º piso do Edifício Principal da Escola Superior de Educação de Lisboa
Preço do contrato (Euro): 38.130,00 €
Prazo de execução (dias): 40 /Local de execução: Lisboa

Trocando em miúdos, podemos verificar que, enquanto a Serralharia Bastos Unipessoal, LDA trabalha durante 40 dias na reparação de todas as portas e janelas do edifício da ESE de Lisboa, por 38 m€, a Construtora de Pedroso, Lda, num só dia "reparou" 142 m€ na porta de entrada de um edifício.

Isto sim, é que é aquilo que podemos chamar de PRODUTIVIDADE!

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Domingo, Novembro 23, 2008

Não me passa pela cabeça

"Que a lei acerca da avaliação do desempenho não seja para cumprir".

A decisão dos tribunais, de pagar as horas de substituição aos professores, essas passa-me sim pela cabeça que venham um dia a ser pagas pelo titular da pasta que se segue.

A lei acerca do estatuto do aluno, que foi feita pelo parlamento, essa sim passa-me pela cabeça que não seja para cumprir, por via de um despacho do governo, que é uma instituição muito mais democrática do que o parlamento.

A decisão dos tribunais, de chamar ACTIVIDADES DE SUBSTITUIÇÃO às aulas de substituição, essa sim senhora passa-me pela cabeça que não seja para cumprir, de maneira a poder convencer o zé pacóvio que tal como no passado, as minhas decisões revelam-se de início desacertadas, mas passado um tempo já são aceites.

Primeiro estranh-se, mas depois entranha-se.

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Terça-feira, Março 04, 2008

Manuel Cardoso no "Prós & Contras"

Manuel Cardoso
(Imagem: Apdeites)


Prós & Contras de 25 Fev 2008 - 2ª parte

Depoimento de Manuel Cardoso - Professor de Matemática
EB23 Ribeirão (Famalicão) - Mov Professores Revoltados

...Sou um jovem com muita esperança no ensino, com muita esperança nos alunos aos quais eu transmito aquilo que me foi ensinado na Universidade, e portanto não tenho, como professor já efectivo, nada contra a avaliação.
Os colegas na escola, andam receosos. O espírito é este. Eu vejo aqui líderes de sindicatos, representantes de professores, representantes de muitas instituições, e todos falam burocráticamente. Eu como professor de Matemática, não estou habituado a enrolar a língua para enganar os outros.
E neste caso, eu encaro a nossa ministra como alguém que nos canta o canto da sereia.
A ministra, na minha perspectiva, e possívelmente na dos milhares que já seguem este movimento, porque já somos milhares, consegue mentir com uma cara de verdade...
Tudo aquilo que foi já referido pelos meus colegas, defendeu muito bem a posição dos professores em Portugal.
A avaliação dos professores, começa também com a avaliação dos alunos. Os nossos alunos, neste momento não se devem sentir muito felizes, principalmente aqueles que são esforçados, aqueles que têm "mérito", não se devem sentir muito felizes por saber que o facilitismo impera nas nossas escolas. Eu não falo só dos CEFs, das novas oportunidades, não: no ensino regular.
Eu falo dum caso pessoal. Eu sou um professor empenhado, gosto daquilo que faço, amo aquilo que faço. Prejudico a minha mulher, e a minha filha, em casa, por aquilo que eu defendo que é um ensino de qualidade. Mais do que nada, eu não promovo o facilitismo nas minhas aulas, nos meus alunos...
No ano passado eu fui director de turma de duas turmas, no final do ano por doença de um colega assumi a representação do grupo disciplinar e do Plano de Acção da Matemática. Que é posto em causa, este Plano de Acção da Matemática, que está a ser implementado em muitas escolas, é posto em causa por este sistema de avaliação. Os próprios alunos não concebem que os outros alunos que não estudam, os professores sejam obrigados a passar...
Ainda o ano passado, eu tive uma reunião com um ispector que foi lá à escola, e disse-me isto, a mim e a todos os professores que estavam nessa reunião, professores do 9º ano, porque eram alunos que tinham que transitar, para que as estatísticas pudessem demonstrar aquilo que se passa em Portugal...
O inspector disse literalmente, letra por letra: os alunos, senhores professores, a nota mínima é o três, de zero a cinco...

...Eu dar-lhe-ei o nome do inspector: não tenho comigo, mas está em actas. Mas mais do que isso, sra ministra, nós temos que perceber que os nossos alunos não estão a ser dignificados, e eu estou aqui para lutar pelos meus alunos...
...É verdade, senhora ministra...

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Terça-feira, Março 13, 2007

O genocídio dos funcionários públicos - Santana Castilho - Jornal: Público - 12 de Março

Atrevo-me a trancrever o que lá foi escrito por este professor por quem nutro grande respeito:

O que o Governo acaba de propor para o funcionalismo público é a continuação de um genocídio em que os professores foram os primeiros imolados. Muitos dos que aplaudiram a cruzada, sendo funcionários públicos, perceberão, quando lhes tocarem à porta, que os dividendos do egoísmo são efémeros. O que se fez aos professores vai agora ser aplicado aos restantes funcionários públicos. Concluído este segundo assalto, o sector privado ficará à mercê da lógica dos patrões: se a precaridade já é máxima no público, por que havemos de manter o que sobra de estabilidade no privado? Pela mão de Sócrates, o Ùnico, a esquerda moderna terá então feito, numa legislatura, mais do que a direita desejou, mas não fez, durante toda a Terceira República.

Os comportamentos mudam-se com incentivos, com formação, com comunicação organizacional, com chefias competentes, com gestão adequada. O grande problema dos serviços públicos não radica nos que obedecem. Está nos que mandam. Os que mandam querem convencer os indígenas de que a chave do sucesso é a avaliação do desempenho. Mas não sabem do que falam. O que produzem é tecnicamente grosseiro e com objectivos únicos: diminuir as remunerações, aumentar as horas de trabalho, despedir, vergar. Não será por aí que aumentarão a qualidade e a produtividade.

A avaliação do desempenho só serve se for um instrumento de gestão do desempenho. Os reformadores ignorantes confundem avaliação do desempenho com classificação do desempenho. Avaliar é comparar um percurso percorrido com um percurso planeado, para identificar obstáculos e formas de os superar. Supõe objectivos claramente definidos e estratégias adequadas. À boa gestão importa, sobretudo, o carácter formativo da avaliação: para identificar as dificuldades das pessoas e ajudá-las a superá-las, com formação e assistência; para apurar a ineficácia e a ineficiência dos processos e substituí-los por outros. mais adequados. Um processo credível de avaliação tem uma lógica de 360º. Envolve todos. Não deixa de fora os chefes, obviamente.

Classificar é seriar. Tão-só! Tendo aplicações e importância, não põe conhecimento onde ele não existe. Pode haver avaliação sem classificação. Mas não se deve classificar sem se avaliar. A obsessão dos nossos reformadores reside na classificação. Construiram uma fantasia com a qual julgam chegar ao fim sem abordar o inicial e o intermédio. O que têm produzido são grelhas de classificação mal feitas, a aplicar por processos e critérios que a gestão moderna há muito abandonou.

Isto não provocará mudança organizacional. Isto vai gerar, por parte dos funcionários visados, o que a literatura da especialidade denomina por retaliação organizacional. Ou seja, oposição dissimulada e desmotivação generalizada, a última coisa de que necessitamos para melhorar os serviços. Quando tal acontece, é evidente que a culpa não reside nos funcionários, mas nos chefes e nos processos e sistemas que impõem. Sobre o essencial para reformar a função pública, continuará a pairar o silêncio do Olimpo.Quanto a avaliação do desempenho, pura e simplesmente não exixte. Apenas bolsa da pesporrência retórica e oca dos novos justiceiros.

O que se conhece da grelha proposta para classificar os professores que concorrerão ao topo da carreira é paradigma do que acabo de afirmar. Está lá tudo: o atropelo grosseiro à lei; a evidência de que legislam por impulso, sem coerência nem norte (começaram por achar que 120 pontos eram o mínimo e já baixaram para 95); o primado do administrativo sobre o pedagógico (menosprezo escandaloso da docência e do conhecimento, que chega ao ridículo de valorar ou não um doutoramento em função do dia em que foi feito).
É a burocracia posta num altar, que nenhum Simplex disfarça.

Eu subscrevo inteiramente o que Santana Castilho publicou.

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