Quinta-feira, Julho 03, 2008

Angola e o seu submundo

"O povo Angolano sofre agora como nunca sofreu. No tempo dos chamados colonos, nunca eu vi crianças a viverem nos esgotos e a comerem ' NADA'." (palavras de um angolano chamado Ninito!)
America's New Frontier - Angola

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Sexta-feira, Junho 20, 2008

Solstício de Junho

Dançarina

Duo Ouro Negro:

Cidrálea

Som:Quipiri
Imagem:Lycos

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Quarta-feira, Maio 28, 2008

Maria Amélia Dalomba - Herança de Morte

Imbondeiro

Lírios em mãos de carrascos
Pombal à porta de ladrões
Filho de mulher à boca do lixo
Feridas gangrenadas sobre pontes quebradas
Assim construímos África nos cursos de herança e morte
Quando a crosta romper os beiços da terra
O vento ditará a sentença aos deserdados
Um feixe de luz constante na paginação da história
Cada ser um dever e um direito
Na voz ferida todos os abismos deglutidos pela esperança


in Antologia da Poesia Feminina Angolana
publicado pela União dos Escritores Angolanos em 19 de Outubro de 2005

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Terça-feira, Maio 13, 2008

Madya Kandimba


Neves e Sousa, "Viuva da Quissama"
Imagem: Malambas


Madya Kandimba

Em 1875 surge-nos uma composição, que tem por título Madya Kandimba (Maria Coelhinho). É uma das primeiras peças de coro de Masemba recolhida por Óscar Ribas e que ele nos apresenta no seu livro Misoso III, (1964).
A peça conta-nos a história de um europeu de amores com a sua empregada africana. A mulher, ao tomar conhecimento deste romance, de pistola em punho, põe-se à procura da empregada, que foge de barco. Pela sua estrutura melódica e poética, somos levados a crer que Madya Kandimba é já um produto definido em termos de simbiose cultural. Outras peças mais recentes, têm a mesma estrutura, o que nos leva a crer que a génese da música suburbana é já anterior a 1875.

in Consulado Geral de Angola no Brasil



Duo Ouro Negro e Sivuca

No ano seguinte (1959, Sivuca) retorna à Europa, residindo em Lisboa e Paris até 1964. Em Portugal, como produtor, gera o primeiro disco de música Angolana, Africaníssimo, Sivuca/Duo Ouro Negro.

Duo Ouro NegroSivuca
in Som Barato


A canção


Duo Ouro Negro e Sivuca:

Maria Candimba


Algumas palavras


“...Madya Kandimba wakambe o sonyi
Madya Kandimba tirivida
Wabiti bhu mwelu dya sinyiola...”

Incontrolavelmente, meu corpo ginga e treme sob a imposição do ritmo, exatamente como acontecia outrora...

“...Malê, malê
Male, malê
Ituxi ngana
Ya kidiwanu!...”

A volta no tempo, aos anos de juventude irresponsável, das noites perdidas com cerveja, suor e ritmo nos ambientes pesadamente carregados com uma mistura de fumaça de cigarro e kangonha, katinga e lavanda, em recintos mal iluminados como convinha...

“...Sinyiola wakwata pixitola
Wandala kulosa Madya Kandimba!
Madya Kandimba watele o kulenga...
Kandimba walenge mu vapolo ê...”

A rebita tomou conta e só fisicamente eu permaneço atado ao presente...


in Mukandas do Nelsinho

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Sexta-feira, Abril 18, 2008

Ana Paula Lavado - Vozes do Vento

(rosa de porcelana -Angola)


Quando te disse
Que era da terra selvagem
Do vento azul
E das praias morenas...
Do arco-íris das mil cores
Do Sol com fruta madura
E das madrugadas serenas....

Das cubatas e musseques
Das palmeiras com dendém
Das picadas com poeira
Da mandioca e fuba também...

Das mangas e fruta pinha
Do vermelho do café
Dos maboques e tamarindos
Dos cocos, do ai u'é...

Das praças no chão estendidas
Com missangas de mil cores
Os panos do Congo e os kimonos
Os aromas, os odores...

Dos chinelos no chão quente
Do andar descontraído
Da cerveja ao fim da tarde
Com o Sol adormecido...

Dos merenges e do batuque
Dos muquixes e dos mupungos
Dos imbondeiros e das gajajas
Da macanha e dos maiungos.

Da cana doce e do mamão
Da papaia e do caju...

Tu sorriste e sussurraste
"Sou da mesma terra que tu!"




Ana Paula Lavado
In Vozes do Vento

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Segunda-feira, Fevereiro 11, 2008

Vittoria Pieri e a sua campanha:"Um livro para crescer"

Vittoria é italiana, uma senhora que ocupa muito do seu tempo a ajudar quem precisa, no Brasil, em Angola e onde mais ela achar que vai ser necessário. Disponibiliza meses por ano para participar na construção de um mundo melhor. Sempre resulta qualquer coisa que fica e que se vai desenvolvendo para o alterar positivamente!
Desta vez fui contactada por ela para a ajudar numa campanha de angariação de livros para uma escola de Luanda que recolhe cerca de 900 jovens dos 5 aos 18 anos. Ela podia fazê-la em Itália mas fala-se português em Angola!
Aceitei. Não me arrependo! Pedi ajuda a duas colegas que se interessaram vivamente pelo assunto e eis-nos chegadas ao fim de uma corrida que termina com a recolha de 1700 volumes, desde estórias, jogos, romances até manuais escolares de todas as disciplinas.
Foi de facto um prazer constatar a resposta em peso de toda uma comunidade escolar que anda às avessas por causa dos desvarios do M.E., que pretende modificar quase toda uma organização num sopro, num piscar de olhos com todos os atropelos daí decorrentes.
Afinal, há outras coisas importantes como, por exemplo, levar um pequeno livro para ajudar. Um acto de solidariedade feito com um sorriso nos lábios, uma palavra de apoio. Ofertas de ajuda, pensadas nos meninos e meninas que, longe, mas com a mesma língua, esperam, também com um sorriso, a possibilidade de lerem um pequeno livro que lhes traga novidades!
Obrigada, Vittoria, por nos ter dado esta oportunidade!

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Sábado, Dezembro 22, 2007

Weihnachtslieder

Três canções de Natal em vozes brancas, como eram cantadas na Escola Alemã da Chicuma em Angola. Votos de boas festas para todos os nossos visitantes. (AF)



Stille Nacht


Stille Nacht! Heilige Nacht!
Alles schläft; einsam wacht
Nur das traute hochheilige Paar.
Holder Knabe im lockigen Haar,
Schlaf in himmlischer Ruh!
Schlaf in himmlischer Ruh!

Stille Nacht! Heilige Nacht!
Hirten erst kundgemacht
Durch der Engel Halleluja.
Tönt es laut von Ferne und Nah:
Christ, der Retter ist da!
Christ, der Retter ist da!

Stille Nacht! Heilige Nacht!
Gottes Sohn! O wie lacht
Lieb aus deinem göttlichen Mund,
Da uns schlägt die rettende Stund,
Christ in deiner Geburt!
Christ in deiner Geburt!

Oh du Fröhliche


Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Welt ging verloren,
Christ ward geboren,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Christ ist erschienen,
Uns zu versühnen,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Himmlische Heere
Jauchzen Dir Ehre,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh Tannenbaum



Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Wie grün sind deine Blätter.
Du grünst nicht nur zur Sommerzeit,
Nein auch im Winter wenn es schneit.
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Wie grün sind deine Blätter!

Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!
Wie oft hat nicht zur Winterszeit
Ein Baum von dir mich hoch erfreut!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!

Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren:
Die Hoffnung und Beständigkeit
Gibt Mut und Kraft zu jeder Zeit!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren


Fonte: bassam1958

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Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Bonga - Mona Ngi Ki Xica

Rio Kwanza


I don't remember what I was doing when they played "Mona Ki Ngi Xica," or "The Child I Am Leaving Behind," but I remember I stopped and sat and listened. I put that song on the first mix tape I made in bulk, one of those crappy tape-to-tape-to-tape jobs I sent out to a handful of friends. At least one of those tapes is still kicking around; my college roommate stumbled across it when packing for a recent move. He'll tell you, it's a weird tape: Thinking Fellers and Funkadelic and Marian Anderson. And Bonga.

Bonga Kwenda recorded Angola 72 in Rotterdam; he'd been exiled for his affiliation with the anti-colonial insurgency, the Popular Movement for the Liberation of Angola. The album was banned in his homeland, offensive to Portuguese sensibilities on two counts: its lyrics described the desperate poverty of Angolans under colonial rule and its music contained coded shout-outs to Angolan national pride. Bonga's band back home was called Kisseuia, or "poor people's suffering." He wrote songs based on the traditional semba style, the ancestor or close cousin of Brazilian samba (depending on your read of the circular genealogy of Afro-Latin music). He included Angolan instruments like the dizanka, a bamboo-scraper-type beat-keeper that reminds me of the fish. Wait, is that what it's called, the fish? You can hear it in this song:


Bonga:
Mona ngi ki xica


I don't know the lyrics to "Mona Ki Ngi Xica" - it's sung in Kimbundu - but the emotion needs no translation: the plaintive guitars, the throaty hum, Bonga's husky cries, all speak anguished accusation. In 1974, a coup in Portugal brought down the colonial government; in 1975, a newly independent Angola imploded into a 27-year civil war that left the country in ruins. For many Africans, especially Bonga's fellow exiles in Europe, Angola 72 and the follow-up, Angola 74, became landmarks in time, music made in an explosive moment and instantly imbued with history (see Marvin Gaye, op cit).

I didn't have access to that history or those memories when I first heard the song, but it haunted me. Little by little, I learned new stories - about the song, about Bonga, about Angola.

Maybe eight years after that first hearing, another friend who got the tape I made picked up a copy of Angola 72 on a trip to San Francisco. Hearing Bonga then called up a lost moment in my own history: a rough, disheveled time when it was easy and necessary to imagine a radically different life-to-come. I grew to love another song on the album, "Muimbo Ua Sabalu," about which I can say nothing except, listen.

Hearing Bonga changed my life. It wasn't a conversion experience; I just learned something. And because I had some time on my hands, and because I bothered, the Bonga spread. I even got a little of the Bonga back. Nice, huh?

But thinking about Angola 72 makes me revise my lonely thesis. Maybe lonely isn't quite right. Loneliness is too diffuse. Maybe what I'm really talking about is longing - for home, for a time long past, for a better tomorrow - whatever endlessly deferred dream traps you, arms outstretched, in the infinite present. It's longing that opens the door. It's the door left open, waiting for someone to come home. Lower the arms, shut the door, miss the chance? No, I'm stuck with the longing, I guess. What are you gonna do?



in Megan Matthews
Mona ngi ki xica,Muimbu ua sabalu, Bonga, Angola 72
publicado em Moistworks em 22 de Julho de 2006

Som:Radio Muximangola
Imagem:Moistworks

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Adivinhem quem é que eu fui ouvir em concerto?


Oi gente!

Pois é, a Belgica anda a convidar uma data de gente conhecida da Lusofonia... Primeiro fui ouvir uma conferencia do Agualusa e agora...



Fomos ver o Bonga, aqui, em Bruxelas! Foi o maximo!!! Num ambiente muito descontraido, com as anedotas todas que ele conta, o Bonga conseguiu pôr estes Belgas (quase) todos a mexer! E até a minha mae fartou-se de dançar :)

Ai que saudade...

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Segunda-feira, Novembro 12, 2007

Alda Lara - Dois poemas

Acácias rubras
Acácias rubras - Benguela
Alda Lara encantou a minha adolescência com a sua subtileza de linguagem, a sua finura de trato. Para mim, jovem, envolvia-a um mistério, pois faleceu a dar à luz o seu quarto filho, em Cambambe, Angola. Os filhos que lhe conheci praticavam as suas traquinices, na Chimboa, onde viviam com seu pai e madrasta. Perto ficava a Ganda e a sua Serra de 2000 m, em cuja base eu vivi com meus pais, na mesma fazenda que eles.
Esta é uma pequena homenagem a uma presença tão forte na minha vida.

São apenas 2 poemas que sempre apreciei.

No Google pode-se pesquisar a sua vida em vários sítios.
(M.R.)

PRESENÇA AFRICANA


E apesar de tudo,
ainda sou a mesma!
Livre e esguia,
filha eterna de quanta rebeldia
me sagrou.
Mãe-África!
Mãe forte da floresta e do deserto,
ainda sou,
a irmã-mulher
de tudo o que em ti vibra
puro e incerto!…

- A dos coqueiros,
de cabeleiras verdes
e corpos arrojados
sobre o azul…
A do dendém
nascendo dos abraços
das palmeiras…
A do sol bom,
mordendo
o chão das Ingombotas…
A das acácias rubras,
salpicando de sangue as avenidas,
longas e floridas…

Sim!, ainda sou a mesma.
- A do amor transbordando
pelos carregadores do cais
suados e confusos,
pelos bairros imundos e dormentes
(Rua 11…Rua 11…)
pelos negros meninos
de barriga inchada
e olhos fundos…

Sem dores nem alegrias,
de tronco nu e musculoso,
a raça escreve a prumo,
a força destes dias…

E eu revendo ainda
e sempre, nela,
aquela
longa historia inconseqüente…

Terra!
Minha, eternamente…
Terra das acácias,
dos dongos,
dos cólios baloiçando,
mansamente… mansamente!…
Terra!
Ainda sou a mesma!
Ainda sou
a que num canto novo,
pura e livre,
me levanto,
ao aceno do teu Povo!…

Alda Lara

TESTAMENTO


À prostituta mais nova
Do bairro mais velho e escuro,
Deixo os meus brincos, lavrados
Em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida
Rapariga sem ternura,
Sonhando algures uma lenda,
Deixo o meu vestido branco,
O meu vestido de noiva,
Todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
Ofereço-o àquele amigo
Que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus
Das contas de outro sofrer,
São para os homens humildes,
Que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,
Esses, que são de dor
Sincera e desordenada...
Esses, que são de esperança,
Desesperada mas firme,
Deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,
Em que a minha alma venha
Beijar de longe os teus olhos,

Vás por essa noite fora...
Com passos feitos de lua,
Oferecê-los às crianças
Que encontrares em cada rua...

Alda Lara

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Quinta-feira, Novembro 08, 2007

Fausto Bordalo Dias - "O que a vida me deu"

Fausto Bordalo Dias
Oi Fausto! O que a vida te deu, o que a vida me deu, o que a vida nos deu! É sempre uma surpresa, ninguém sabe o que nos sai na rifa. Mas não nos podemos queixar.
Gosto dos teus poemas e melodias e não me esqueço das serenatas que tu, e outros colegas nossos do Liceu de Nova Lisboa, nos fazias, às raparigas do lar. Não podíamos abrir as janelas, pelo regulamento, mas toda a gente espreitava e ouvia, deleitada.
Nunca tive oportunidade de te agradecer, nem no baile de finalistas, creio. Faço-o agora. Sorrio ao lembrar-me da alegria que nos proporcionaste.
Obrigada Fausto. (M.R.)

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Som - Lusofonias
Imagem - Obvious

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Sexta-feira, Novembro 02, 2007

António Tomás - O Fazedor de Utopias

Antonio TomasUm texto desassombrado sobre uma das figuras mais marcantes do século XX. Um jovem angolano procura nos escombros dos ventos da História resolver um problema de identidade e, na ânsia de não se perder pelo atalhos, segue directamente para o centro do furacão.
Quando já se tornaram obsoletos os ideais que deram fundamento (aos movimentos de libertação) - nas palavras do apresentador do livro, José Eduardo Agualusa - cabe aos historiadores - no grupo de quem se deve inscrever imediatamente António Tomás - esclarecer os equívocos da História. Uma leitura obrigatória para todos, e são muitos, os que têm uma parte de si em África.

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Quarta-feira, Outubro 31, 2007

Kisangela - Solo do Maqui

Rio Kwanza

Rio Kwanza em Angola em fotos

Kisangela:
Solo do Maqui

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Terça-feira, Outubro 30, 2007

Dalila Cabrita Mateus - Purga em Angola

Purga em AngolaHá muito tempo, em Luanda, assistindo a fragmentos dos acontecimentos que se precipitavam todos os dias no país, antecipava o que seria um dia a necessidade de reconstituição daqueles factos marcantes e o desafio que representariam para o historiador. A obra em epígrafe, pelo esforço de compilação e cuidado na fundamentação, abre perspectivas rasgadas para a compreensão do que foram os primeiros anos da independência do país que há muito se encontrava, segundo Basil Davidson, No Coração das Tempestades.
As principais vítimas dos acontecimentos subsequentes ao 27 de Maio de 1977 foram os militares das FAPLA. A seguir foram os angolanos instruidos. Nem uma nem outra circunstância se deve ao acaso.
Aguardo com expectativa a abordagem que um dia, inevitavelmente, este período conturbado da história desta jovem nação, merecerá da parte dos novos narradores que já despontam dentro dela.

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Terça-feira, Outubro 16, 2007

O sonho de Katulembe

Esta brasileira, autora do dicionário online de Kimbundo - uma preciosidade raríssima senão única, - foi entrevistada pelo ANGONOTÍCIAS.(AF)



Fátima ou simplesmente Katulembe é o nome de uma investigadora brasileira e médica de profissão, apaixonada pelos rituais tradicionais angolanos...
Katulembe

...

Faz cinco anos que comecei o estudo do kimbundu. Sem medo, com ousadia, comecei a Kimbundo Home Page devido a falta de pessoas que falem a língua...
...

Quando comecei o estudo, percebi a beleza da língua e passei a estudar com amor.
...

Eu não sou professora, mas sou uma divulgadora da língua que está morrendo. Apesar de não preencher todas as necessidades das pessoas que desejam falar com habilidade, ofereço e deixo visível o estudo que estou fazendo sozinha. Escrevo na Kimbundo Home Page as coisas que leio, e repasso do modo como entendi. Mas se a língua está morrendo, se faltam professores e livros também, o pouco é um começo para nós que desejamos salvar a língua.
...

Helli Chatelain no prefácio da "Gramática do Kimbundu"(1888-89), diz que o seu livro foi destinado aos nativos, para aprenderem a amar e cultivar a sua bela língua pátria; aos portugueses, funcionários e negociantes de Angola para melhor cumprirem seus deveres e atender seus interesses, particulares e nacionais; aos missionários cristãos, para anunciação do evangelho; e finalmente, aos africanistas.
...

Nos dias de hoje, a gramática destina-se a quem? A língua portuguesa predomina hoje em Angola, e quem poderia estar com interesse em aprender línguas nativas? Restam-nos os africanistas que dedicam-se ao estudo profundo da Mãe África, e os angolanos que desejam preservar a sua história e sua cultura.
...

Em ambos, o único desejo é o amor puro, despojado de qualquer conveniência ou qualquer desejo financeiro. Porém, estes últimos, motivaram sempre as ações da maior parte da humanidade.
...

As línguas nativas de Angola estão morrendo. A língua carrega a história da terra, a maneira de ver, sentir, e pensar de um povo. Não podemos enterrar esta riqueza!
...

Apesar das dificuldades, precisamos seguir com coragem, porque temos um compromisso com todo um passado que não podemos esquecer. Como diz minha Mãe Maza Kessy, "Angola tu és rica e poderosa!".
...

Ndoko tuakabulule o unvama iú? Etu, ku ubeka uetu, ki tu kima etu, maji ni kisangela tutena ima ioso (Vamos preservar esta riqueza? Nós, sozinhos, não somos nada, mas com união podemos todas as coisas).


Excertos de Investigadora brasileira, fala em entrevista bilingue da sua paixão pelo Kimbundo
Publicado por ANGONOTÍCIAS em 23 de Abril de 2007

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Quinta-feira, Outubro 11, 2007

N'Gola Ritmos - Cultura versus Multicultura

Lurdes Van Dunen entrou para o N'Gola Ritmos quando o seu tio e fundador do grupo, o grande compositor e nacionalista angolano Liceu Vieira Dias, foi preso pela Pide. Vendo à distância no tempo o contraste entre esta frágil figura ainda jovem, ainda sufocada pela sorte da sua família, ainda a tentar lançar pontes de entendimento (1965), por um lado, e o sorriso de auto-contentamento dos defensores da vitória absoluta pela força bruta, por outro, apercebemo-nos facilmente das ironias da História.(AF)



Lurdes Van Dunen

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Som: Athena Pallas

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Domingo, Agosto 12, 2007

Duo Ouro Negro - Iliza

Elisa

Iliza (Gomara Saia):


SomMediaFire
GravuraCapa do disco
Música de Angola
e Merengues

IEFÉ DISCOS - Sociedade Unipessoal, Lda

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Segunda-feira, Julho 09, 2007

Duo Ouro Negro - É Verão

É Verão
E o Sol queimando
Nossos corpos nesta praia,
Onde o vento, sussurrando,
Traz-te os beijos
Que chegam mais quentes a mim
Baía Azul
A cidade inda dorme ao longe
Preguiçosa de calor.
Tanta gente ao meu redor
Mas p'ra mim
Na praia só estás tu!
Baía Azul
E as ondas,
No seu vai-vem,
Espreitando o nosso amor...
Baía Azul
E à tardinha já cansados
Bem juntinhos, abraçados,
Lá voltamos p´rá cidade
Esperançados
Nesse Sol que virá.

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Baía Azul...
Quantas vezes lá fui?
Não me recordo já!
Mas lembro-me das centenas de quilómetros, percorridos com avidez, para atingir a costa, o mar, com o único objectivo de mergulhar, boiar, sentir a água azul, era mesmo azul!
Não importava o pó da estrada que se ía respirando, engolindo, os sucessivos saltinhos da estrada batida mas esburacada aqui e ali, o calor que fazia brotar pérolas de suor nos nossos rostos, que se secava com as janelas todas abertas!
Quantas vezes íamos na parte de trás do jeep, em pé, agarrados à capota cantando, cantando de bocas escancaradas ( e, quando calhava, lá se engolia mosca ou mosquito! ).
Não posso esquecer um dia em que fomos presenteados com uma costela de baleia já toda descarnada e meio enterrada na areia. Nem força tínhamos para a remover!
Estas fotos e a música fazem-me recordar esses tempos inesquecíveis, tão férteis em experiências e plenitude de vida! (MR)




Imagens da
Baía Azul (Benguela)
Ante et Post
Kimbo Bengela
SomQuipiri

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Domingo, Julho 08, 2007

Duo Ouro Negro - Por um chamiço

Duo Ouro Negro

Por um chamiço
Comprei uma moça
E essa moça
Deu-me um mocito


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ImagemMarius 70
SomQuipiri

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Segunda-feira, Junho 25, 2007

Carlos Viera Dias - Canto a Luanda

Luanda

Canto a Luanda:


Composto em 1977, exprime a tristeza dessa época dolorosa.(Jorge Macedo)

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Quinta-feira, Junho 21, 2007

Luis Morais e António Miranda

Uma mistura explosiva: Maria Gabriela com o clarinete mágico de Luis Morais e Pôr do Sol com as cores fortes a óleo de António Miranda. Para apreciar melhor, fazer-se acompanhar de um whisky com soda ou de um mazagrã.(AF)

António.Jorge. Miranda

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ImagemKoresdAfrika
SomQuipiri

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Sexta-feira, Junho 15, 2007

Duo Ouro Negro - Maria Provocação

Músicas de Angola
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Fonte: Very small doses (ilustração) - Quipiri (som)

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Quinta-feira, Junho 14, 2007

Lurdes Van Dunen

Lurdes Van Dunen

“Monami”:

Pequena homenagem à memória da artista

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Quarta-feira, Junho 13, 2007

Música angolana




Em Música angolana

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Manuel Faria - Mana Fatita

Angola 70's


Em Mana Fatita, Manuel Faria lamenta a morte da sua irmã Fátima.
Com a tua morte fiquei sózinho
Mas vou criar os nossos filhos
Na tradição bantu o tio cuida dos sobrinhos, que são considerados como filhos.
(Ariel de Bigault)

“Mana Fatita”:


Fonte: Le Mellotron, 12 de Junho de 2007

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Terça-feira, Junho 12, 2007

Angola - Panfleto esquecido

Valodia

“Valódia”:

por Santocas (1975)

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Segunda-feira, Maio 28, 2007

27 de Maio de 1977, faz hoje 30 anos

'Passam hoje trinta anos sobre o 27 de Maio de 77. É assim que é conhecida a página mais negra da história de Angola enquanto nação soberana e independente e é uma data que me diz muito pelas piores razões. Há muita gente que quer reescrever o que aconteceu, dizem que é melhor andar para a frente e esquecer. Mas nós não podemos. Os mortos só nos têm a nós para os defender e para os lembrar. E é para isso que cá estamos.'

Memórias de uma guerra que teimam em ficar.

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Quinta-feira, Abril 26, 2007

Vai um mamão madurinho?



Directamente de Cabinda, por atenção do Duarte Barracas, com um aspecto que quase nos leva a esquecer que são apenas virtuais.

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