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Terça-feira, Novembro 24, 2009

Karl Müller - A base comum de valores de Ângela Merkel

Ângela Merkel invocou a «base comum de valores» que «aproximam e unem os Estados Unidos da América e a Europa. É uma visão comum do homem e da sua dignidade inalienável. é uma concepção comum da liberdade e da responsabilidade.» Razão pela qual Ângela Merkel estima que «para nós, o nosso modo de vida é o melhor de todos.»
Jürgen Todenhöfer é membro do mesmo partido que a Sra Merkel. Estudou durante anos o verdadeiro significado dos «valores fundamentais». Fez numerosas viagens ao Próximo Oriente e à Ásia central e publicou artigos a propósito. Por exemplo, no que respeita ao Iraque («Frankfurter Rundschau», 12 de Outubro), escreveu: «A chihita Manal tem 28 anos e vive com a sua mãe, tal como milhares de outros refugiados iraquianos de confissão muçulmana ou cristã, nos arredores pobres de Damasco, a capital da Síria. Foi lá que a encontrei e que ela me informou sobre o tratamento a que foi sujeita pelos militares dos Estados Unidos da América antes de fugir do Iraque. Teve que fugir, mas apresentou uma queixa contra o governo dos Estados Unidos da América.
No Inverno de 2004, os soldados dos Estados unidos da América invadiram a casa da família de Manal. Foi algemada, tal como a sua mãe e, com a cabeça enfiada dentro de um saco preto, foi levada por avião a uma prisão no aeroporto de Bagdad. Os soldados dos Estados Unidos da América acusaram ambas de serem terroristas. Mas, logo que as acusações se revelaram sem fundamento, endureceram os métodos do interrogatório: à noite, Manal viu-se sobressaltada por uma música infernal e projectaram-lhe água gelada no corpo. Os soldados embriagados ameaçaram-na de a violar caso ela não colaborasse.
Uma tarde, conduziram Manal para um quarto com uma mesa vazia ao centro. De seguida, um jovem iraquiano foi empurrado brutalmente para dentro da sala, imobilizado de barriga para baixo sobre a mesa, as suas pernas foram afastadas a pontapé e um soldado dos Estados unidos da América começou a viola-lo. Manal tentou desesperadamente baixar os olhos, mas foi obrigada a manter a cabeça direita. Logo que regressou à sua cla, cortaram-lhe os seus longos cabelos pretos que eram o seu orgulho.
Alguns dias mais tarde ameaçaram-na com o fuzilamento da sua mãe caso não colaborasse. Colocaram-lhe novamente um saco à volta da cabeça e depois ela escutou disparos de arma no quarto vizinho. Os soldados disseram que foram destinados à sua mãe. Manal chorou. Este jogo continuou no dia seguinte com a sua mãe. Ao fim de 33 dias, Manal foi abandonada à noite numa rua. A sua mãe esteve presa durante seis meses na tristemente célebre prisão de Abu Grahib.»

Horizons et Débats, 16 de Novembro de 2009

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Quarta-feira, Março 18, 2009

Pequeno-almoço musical


(Grato ao Teodoro Manuel pela indicação)

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Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

Charles Hawley - Tratado de Lisboa em apreciação no Tribunal Constitucional Alemão

O Tribunal Constitucional Alemão olha agora com atenção para o Tratado Europeu de Lisboa, o documento que pretende substituir a falhada Constituição Europeia. Há indícios de que o Tribunal não gosta do que vê. Se a Alemanha disser não, o tratado cai morto. Os comentadores não conseguem dizer se isso é bom ou mau.

Não chega a ser novidade, caso o Tratado da União Europeia esbarre no Tribunal Constitucional Alemão. Por muitos anos, os guardiões da Constituição Alemã foram espreitando para a integração na União Europeia (UE), para confirmarem que Berlim não estava a alienar para Bruxelas uma parte demasido grande da sua soberania. A resposta foi sempre a mesma: desta vez passa, mas não abusem.

Porém, esta semana, com o Tratado de Lisboa - o livro azul da EU para a reforma dos processos de decisão do bloco dos 27 países - a ser considerado, crescem os indícios de que o tribunal alemão seja taxativo. Nas auscultações verbais da terça-feira, os juízes colocaram inesperadamente questões críticas e aventaram a hipótese de o tribunal rejeitar o tratado ou de exigir a realização de um referendo.

Relativamente à transferência de competências legislativas de Berlim para Bruxelas, o juiz Udo Di Fabio perguntou de maneira contundente se tal alienação, em vez de um benefício para a liberdade, não representaria antes uma ameaça.

O tom céptico do tribunal prosseguiu quarta-feira. Há que ver as coisas com seriedade: quanto poder resta ainda ao Bundestag (Nota do Editor - o Parlamento Alemão)? perguntou Di Fabio. Outro juiz, Rudolf Mellinghoff, disse não compreender que beneficío trazia a alienação de competências para o Parlamento Alemão.

O tribunal mostrou-se particularmente renitente quanto a disposições do Tratado de Lisboa que colocariam leis criminais na Alemanha na dependência de decisões da União Europeia. Dada a natureza das dúvidas apresentadas, é improvável que o Tribunal sele o seu acordo ao Tratado de Lisboa esta semana, sem exigir alterações. O Tribunal também invocou o Artigo 146 da Constituição, durante a sessão de quarta-feira. O parágrafo estipula que o referendo é obrigatório quando uma parte da Constituição é revogada.

O Tratado de Lisboa é a resposta da União Europeia à rejeição da Constituição Europeia de 2005, pelos referendos da França e Holanda. O documento pretende agilizar os processos de tomada de decisão e garantir mais poder legislativo ao Parlamento Europeu. A Alemanha é um dos quatro países que ainda não ratificaram o Tratado de Lisboa - juntando-se à Irlanda (que rejeitou por referendo em Junho), a República Checa e a Polónia. O Parlamento Alemão aprovou o Tratado em Abril do ano passado, mas o Presidente Host Köhler reteve a sua assinatura até que fossem esclarecidas questões apresentadas por numerosas interpelações, entre as quais o deputado Peter Gauweiler, membro da União Cristã Social da Baviera - um partido irmão do Partido Cristão Democrata da Chanceler Angela Merkel. Também Franz Ludwig Schenk Graf, o filho de Claus von Stauffenberg - que atentou contra Hitler em 1944 - está entre os que apresentaram objecções ao Tratado.

Como prova da importância que conferem à aprovação do Tratado, tanto o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Franz-Walter Steinmeir, como o Ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, compareceram no tribunal para o defenderam. Schäuble recomendou ao Tribunal que não veja em cada ganho de Bruxelas uma perda da soberania alemã. Steinmier disse que o Tratado de Lisboa fortalece enfaticamente as fundações da União Europeia.

Dieter Murswiek, conselheiro de Gauleiter, apelidou o tratado de uma camuflagem gigantesca e disse que o tratado outra coisa não é que uma versão recauchutada da constituição derrotada. Disse que o Tratado transformaria a União Europeia numa construção à imagem dos EUA e tornaria as evidentes falhas de democracia na Europa ainda mais graves.

Caso o Tribunal decida que partes do Tratado de Lisboa não estão em harmonia com a Constituição Alemã, plausivelmente isso será o fim do documento. Qualquer ajuste significaria o reinício das negociações envolvendo 27 estados membros. O Tratado já foi alterado a seguir às rejeições de 2005. Depois da repovação irlandesa em Junho, já foram ajustadas algumas disposições de pormenor, em antecipação a uma nova votação. Questões fundamentais como aquelas que o Tribunal Constitucional Alemão apresentou na quarta-feira, não seriam tão fáceis de alterar.

Charles Hawley, Europe Is Suffering from Too Little Democracy, Der Spiegel, 11 de Fevereiro de 2009

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Segunda-feira, Dezembro 08, 2008

Uma União Europeia sem Alemanha?

Muito interessantes estes conciliábolos de Durão Barroso. Pela segunda vez num curto espaço de tempo, a Alemanha ficou de fora. Que estará a preparar-se?

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Domingo, Outubro 19, 2008

Deutsche Weller - Esmagar os paraísos fiscais

Com a economia mundial ferida pelo aguilhão da quebra financeira, muitos países desejam esmagar os chamados paraisos fiscais num esforço desesperado para levantar as suas finanças.

Depois de os governos do EUA e da Europa terem salvo numerosos bancos, muitos políticos começam agora a questionar sobre a razão da algumas instituições financeiras continuarem a operar em países que encorajam a evasão fiscal.
Será normal que um banco ao qual caucionamos os empréstimos com os nossos fundos ... continue a operar em paraísos fiscais?
perguntou o Presidente da França, Sarkozy, na semana passada.

Vinte países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) encontrar-se-ão em Paris na próxima terça-feira para discutirem como resolver a questão, se bem que os EUA não participem porque a campanha eleitoral está no seu fim.

Os países publicarão uma carta expressando o seu desejo de esmagar os paraísos fiscais.

Paraísos fiscais são países com uma estrutura de impostos tal que indivíduos ricos ou companhias pagam pouco ou nenhum imposto. Atraem investidores estrangeiros porque o dinheiro pode lá ser depositado com alto nível de secretismo e protecção contra as polícias de investigação internacional.

O Liechtenstein foi recentemente visado de uma forma particular, pelo secretismo contemplado aos investidores e depositantes internacionais das contas nos seus bancos. A OCDE qualificou este ano este pequeno principado como não colaborante.

A Alemanha à caça de fugitivos aos impostos

A Alemanha persegue alguns cidadãos nacionais, incluindo o exonerado Director Nacional dos Correios, pela falta de pagamento dos impostos, protegendo os activos em instituições financeiras do Liechtenstein.

Segundo o grupo de pressão Transparency International France, existem aproximadamente 50 paraísos fiscais em todo o mundo, nos quais operam mais de 400 bancos, dois terços dos bancos de crédito a outros bancos (hedge funds) e dois milhões de empresas de topo ocultam cerce de 10 triliões de dólares de activos financeiros - quatro vezes o Produto Nacional Bruto da França.

A reunião já havia sido agendada várias vezes, mas a crise financeira conferiu-lhe um carácter de urgência.
Não podemos resolver a crise financeira introduzindo maior regulação e mantendo bolsas de desregulação a prosperar,
disse Pascal Saint Amans, chefe da divisão internacional de impostos da OCDE.

Os centros de Offshore não são directamente responsáveis pela crise

Embora não sejam a causa da crise, para Christian Chevagneux, autor de um livro sobre o assunto, os centros de offshore permitiram a bancos como o Britain's Northern Rock, ou bancos de investimento dos EUA como o Bear Stern, ocultarem os seus prejuizos.

Também afectaram a estabilidade do sistema, ao hospedarem a maior parte dos bancos "hedge funds", estando muitos sediados nas ilhas Caimã. Estes fundos não-regulados e especulativos venderam muitos activos nas duas últimas semanas, contribuindo para a queda das acções no mercado e para a baixa dos preços das matérias-primas.

Para os paraísos fiscais, no clima político actual acabaram-se as complacências.
A França e a Alemanha sempre foram hostis aos paraísos fiscais. Se Barack Obama for eleito, os tempos vindouros serão bem duros para ele,
disse Chavagneux aos repórteres.

Com uma postura contrária à do Presidente George W. Bush, o candidato presidencial fez do combate aos paraísos fiscais uma peça chave da sua campanha.

NDA (jornalista da Deutsche Weller), OECD to Crack Down on Tax Havens in Finance Crisis Action, 19 de Outubro de 2008

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Quarta-feira, Outubro 08, 2008

Dirk Kurbjuweit - Capitalismo em crise, pacto quebrado com o povo

Primeiro, estranhei que ontem o Presidente dos EUA, George Bush, tivesse telefonado a Gordon Brown, Sarkozy e Berlusconi, não tendo feito o mesmo a Angela Merkel. Agora, percebo porquê. (AF)


De confiar no Capitalismo e fugir à interferência do governo, estamos falados. Mas banqueiros irresponsáveis viram uma oportunidade de enriquecer rapidamente e foram atrás dela. O seu fiasco, tornou-se nosso - e a promessa de um bem comum evaporou-se tal como a fé no capitalismo democrático.

A Alemanha subiu aos céus. Às 9H00 da mnahã de terça-feira 2 de Outubro, o Airbus A310 da Luftwaffe - o equivalente alemão do Air Force One - havia descolado da pista do Aeroporto Tegel de Berlim, meia-hora antes. O avião ruma para Leste, com destino a São Petersburgo, Rússia. Elementos da tripulação servem o pequeno-almoço farto como é costume, incluindo omeletes, carnes, fatiados, quejo e mel. A bordo, estão muitas pessoas que determinaram a posição que a Alemanha ocupa no Mundo: a Chanceler Alemã Angela Merkel e seis ministros, os presidentes de algumas das maiores empresas, como a Siemens, o Deutsche Gahn e a E.on, além de jornalistas. Não há banqueiros no avião, mas eles ocupam o lugar principal nas preocupações de todos os presentes e também nas suas conversas.

Após o pequeno-almoço, a Chanceler Ângela Merkel convidou os jornalistas a dirigirem-se a uma sala à frente para uma conversa off-the-record com a imprensa. Todos se aninharam na pequena sala, 25 pessoas no total, em pé, ou vários sentados na mesma cadeira, alguns mesmo sentados no chão. "O microfone avariou-se outra vez", disse a chanceler para começar.

Falou sobre a Rússia e depois referiu-se à crise financeira. De vez em quando, ouve-se o som do autoclismo: a casa de banho do avião fica adjacente à sala de conferências. A discussão é sincera. Os jornalistas põem questões com ar sério e a chanceler responde com gentileza. Cada palavra transmite preocupação.


in Dirk Kurbjuweit, CAPITALISM IN CRISIS The Broken Pact with the People, Der Spegel, 8 de Outubro de 2008

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Terça-feira, Setembro 23, 2008

Clivagens transatlânticas: Alemanha versus EUA

Não é um pedido de ajuda; é um grito por socorro. O Secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, pediu aos outros países que adquiram títulos da dívida dos EUA. O governo dos EUA está a gastar 700 mil milhões do dinheiro dos contribuintes na esperança de que, com esta medida, seja restaurada a estabilidade do sistema financeiro. Alguns países estão a preparar-se para ajudar. Mas o governo alemão respondeu rapidamente e sem rodeios: Não.

Corinna Kreiler, 'The World Shouldn't Have to Bear the Burden for America's Lapses', Der Spiegel, 23 de Setembro de 2008

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Jochen Scholz - Projecto Europeu para o Novo Século

O autor começa por identificar correctamente o que se deve entender por "laços transatlânticos", expressão tão cara ao bovino Luis Amado, ao ex-salazarista recentemente convertido aos encantos da democracia Adriano Moreira e outros acéfalos: subjugação dos interesses nacionais aos interesses dos EUA. Também se percebe, embora não esteja explícito, a incapacidade dos prestimosos empresários adoptarem uma política de defesa dos interesses nacionais. Este extenso artigo, porque permite entender o papel da Alemanha na actual União Europeia, onde ainda pontifica o caceteiro Durão Barroso, será aqui traduzido integralmente. Esta a primeira parte. (AF)

Um projecto para o novo século na Europa

Para uma parte importante dos alemães ainda parece indecente que o seu Estado possa ter "interesses", apesar de ser notório que na Alemanha estão instalados muitos interesses estrangeiros. Talvez por isso se discuta entre nós com tanto entusiasmo os direitos humanos e a libertação da burka. Tendo em mente o contexto histórico - o período que vai de 1939 a 1945 e a consequente subjugação da soberania nacional alemã até 1990 - é compreensível que o seu enfeudamento e vassalagem ao Ocidente, aquando da confrontação entre os blocos, bem como os aspectos particulares da política de segurança nela constantes, tenham deixado à Alemanha pouca margem de manobra para formular e implementar uma política mais conforme aos seus próprios interesses. O gigante económico alemão (Oeste) optou por se identificar até ao absurdo com a submissão ocidental sob o lema da "comunidade de valores transatlânticos" - situação que prevalece até hoje. Para tanto, os Estados Unidos da América (EUA) prestaram - no seu próprio interesse, bem entendido - uma contribuição determinante, atribuindo indiscriminadamente a responsabilidade do passado nazi a todos os alemães, e a obrigação de retribuirem aos EUA a disponibilidade para reintegrar a Alemanha na comunidade internacional. Eis porque a tentativa de Willy Brandt, empreendida no interesse dos alemães, de reequilibrar as relações com o Ocidente através do reforço das relações com os vizinhos a Leste RDA e União Soviética, despertou tanta desconfiança em Washington. Mais tarde os EUA aperceberam-se que a "abertura a Leste" poderia facilitar uma evolução no sentido que se verificou em 1990, abrindo uma oportunidade de afirmar o seu domínio sem precedentes na História, como superpotência hegemónica mundial. Ironia da História, a única tentativa empreendida pela RFA para se emancipar parcialmente da tutela dos EUA serviu exclusivamente os interesses deste último.
A geopolítica da Guerra Fria, que era relativamente simples, sofreu uma alteração fundamental. O contexto radicalmente distinto que o procedeu foi caracterizado pela perda do equilíbrio estratégico entre o Ocidente e o Oriente, pelo processo de unificação europeia, pela mundialização crescente da economia e das comunicações, assim como pela entrada em cena de novos centros de desenvolvimento económico, capazes de exercer uma influência significativa nas relações internacionais. A situação gerada tem a ver com as iniciativas dos EUA, pois a política praticada pelo governo desse país deu cobertura, quando necessário inclusivé pela força bruta. A política e a economia europeia, pelo contrário, remeteu-se a uma atitude defensiva, resguardando-se num alinhamento tácito sob os interesses transatlânticos em vez de tomar a ofensiva contra os ditames da estratégia da segurança nacional dos EUA, cujas origens remontam à queda do bloco de Leste, vidé: "Rebuilding America Defenses", de Paul Wolowitz.
Ora, este comportamento teve, sobre as economias europeias e alemãs, efeitos negativos, como ilustram numerosos factos dos últimos anos.

(continua)

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, PNEC – Project for the New European Century, Horizons et débats, 15 de Seyembro de 2008

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Sábado, Setembro 20, 2008

Angela Merkel - É preciso regular os mercados

Angela MerkelHá muito tempo que se diz: 'Deixem que os mercados tomem conta de si próprios' e que 'já não há necessidade de mais transparência'.
Hoje já demos um passo em frente, pois são os próprios Estados Unidos da América (EUA) e Reino Unido (RU) a reclamar: 'Sim, precisamos da mais transparência, precisamos de novos padrões para as instituições de regulação'.
Não aceito a visão de que os mercados financeiros se auto-regulam. Aliás, oposeram-se durante demasiado tempo à introdução, pelos governos dos EUA e do RU, de regulamentos para a actividade bancária.
Para além dos regulamentos nacionais, precisamos também de acordos que barrem a especulação financeira irresponsável


Angela Merkel, citada por Deutsche-Weller em 20 de Setembro de 2008

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Sexta-feira, Agosto 22, 2008

Gerhard Schröder - O fim da América unipolar

Erros graves do Ocidente



O antigo chanceler alemão Gerhard Schröder discute a guerra do Cáucaso, a possibilidade de a Alemanha se tornar um intermediário do conflito e a sua confiança no papel construtivo da Rússia.

SPIEGEL: Senhor Schröder, de quem é a erro na guerra do Cáucaso?

Gerhard Schröder: As hostilidades têm certamente as suas causas históricas e este conflito também tem os seus precedentes históricos. Porém, quem tornou o conflito num conflito armado foi a Geórgia ao invadir a Ossétia do Sul, é bom não escamotear.

SPIEGEL: Não reconhece parte da culpa do lado de Moscovo, uma resposta desproporcionada dos militares russos?

Gerhard Schröder: Isso é algo que não posso, nem quero, julgar. Os conflitos militares desenvolvem a sua própria dinâmica. O ponto essencial agora é todas as partes tirarem partido do plano de seis pontos apresentado pelo presidente francês.

SPIEGEL: Acredita que os conselheiros militares americanos estacionados em Tbilisi encorajaram a Geórgia a lançar-se ao ataque?

Gerhard Schröder: Não iria tão longe. Mas sabemos todos que estes conselheiros militares existem na Geórgia - um destacamento que nunca considerei especialmente inteligente. Seria bastante estranho se esses peritos não possuissem qualquer informação. Só se compreenderia se fossem profissionais extremamente medíocres ou completamente loucos, o que, em qualquer caso, é difícil imaginar.

SPIEGEL: O Governo dos Estados Unidos da América (EUA) reclama que advertiu o Presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, contra a iniciativa do ataque. No entanto, não terão sido os acontecimentos demasiado convenientes para os propósitos do Primeiro Ministro Vladimir Putin?

Gerhard Schröder: Isso são especulações nas quais não desejaria participar. Assumo que ninguém, entre os líderes de Moscovo, tem interesse na confrontação militar. Há suficientes problemas internos na Rússia, que são urgentes resolver. Por exemplo, a corrupção e o abuso de autoridade têm que ser enfrentados. A Rússia está cheia de dificiências, uma questão que já levantei por diversas vezes. O Presidente Dimitri Medvedev e o Primeiro Ministro Putin estão neste momento ocupados com estes problemas - conjuntamente, diga-se a propósito, e não em competição entre eles, como por vezes é referido pelo jornalismo sensacionalista.

SPIEGEL: Talvez assim seja, mas há algo que está agora em jogo: a Rússia nunca suplantou a perda do seu estatuto de superpotência e, em anos recentes, sentiu-se acossada e humilhada pela NATO. Durante a guerra nos Balcãs, durante a invasão ao Iraque pela "Coligação dos Desejosos" sob a liderança de Washington, ainda durante a declaração da independência do Kosovo...

Gerhard Schröder: ... não esqueça o desenvolvimento do sistema de mísseis defensivos na Polónia e na República Checa...

SPIEGEL: ... o Kremlin foi forçado a permanecer como espectador. É ou não possível que, após um reforço económico e militar, Moscovo veja no amigo dos EUA Saakasvili a melhor oportunidade para retaliar sobre o Ocidente? E que Putin tente afirmar as suas aspirações imperiais?

Gerhard Schröder: Na minha opinião, há certamente graves erros cometidos pelo Ocidente na sua política de relacionamento com a Rússia. Podemos encontrar alguma ligação entre esses factos e a recente resposta da Rússia à provocação da Geórgia? Penso que é errado confundir as duas coisas.

SPIEGEL: Não partilha o receio sentido por muitos no Ocidente de um novo surto de "ameaça russa"?

Gerhard Schröder: Não, de todo. Há uma percepção sobre a Rússia no Ocidente que tem pouco a ver com a realidade.

SPIEGEL: Pode dar-se o caso de o duo de liderança altamente confiante de Moscovo sentir que o Ocidente precisa da Rússia mais do que a Rússia precisa do Ocidente?

Gerhard Schröder: A dependência é recíproca. Não existe uma só, entre as questões críticas da política mundial ou da economia global que possa ser resolvida sem a Rússia: tal é o caso do conflito nuclear com o Irão, tal é o caso da questão Norte-Coreana e certamente também o advento da paz no Médio-Oriente. Tal como o conjunto de problemas do clima apenas pode ser resolvido à escala universal. Por acaso, Moscovo ratificou o Protocolo de Kioto para lutar contra o aquecimento global, enquanto nós continuamos à espera que Washington o faça. E quanto à política energética, só sonhadores podem convencer-se de que a Europa Ocidental pode tornar-se independente do petróleo e do gás natural da Rússia. Por outro lado, a Rússia precisa de cliente fieis para as suas exportações de energia.

SPIEGEL: Não vê, então, razões - face à dureza das acções no Cáucaso - para cancelar a "parceria estratégica" germano-russa ou pelo menos suspendê-la?

Gerhard Schröder: Não. Não vejo porque deveríamos desperdiçar essa parceria devido à Geórgia. A dependência mútua também cria segurança mútua. Também me oponho ao criticismo dirigido aos investimentos na Alemanha. Qual o problema do Sr Alexei Mordashov investir numa empresa de turismo (TUI), do Sr Oleg Deripaska possuir 10% da empresa de construção Hoshtief ou de outro oligarca possuir uma participação do capital de uma empresa de modas Escada? Eu preferiria ver mais - não menos - investimentos na economia alemã. Falando historicamente, esta integração económica já demonstrou ser politicamente benéfica.

SPIEGEL: Agora parece estar a repetir o antigo Secretário de Estado americano Henry Kissinger. Sempre pensou dessa forma?

Gerhard Schröder: Claro que não, enquanto pertenci às Juventudes Socialistas. Só que, desde essa data e até agora, envolvi-me profissionalmente na política externa e fui Chanceler. Esta abordagem prática ganhou a minha preferência - e é certemente a mais razoável para mim.

SPIEGEL: Com todo respeito pelo frio adepto da real-politic: Será que não temos que desenhar uma linha a vermelho agora, uma linha que Moscovo não pode atravessar, caso queira continuar a participar nas instituições internacionais ou manter-se como parceiro do Ocidente? A retirada imediata das suas tropas da Geórgia, por exemplo, e o reconhecimento da sua integridade territorial, tal como exigiu veementemente a Secretária de Estado Rice?

Gerhard Schröder: Não acredito que a Rússia prossiga uma política de anexação. Tal como não acredito que possamos regressar à situação anterior na Ossétia do Sul ou na Abecázia. Está fora de questão. Do meu ponto de vista, isto tem menos a ver com o suposto expansionismo russo do que com os desejos da população.

SPIEGEL: Deveria a Alemanha participar numa força militar de manutenção da paz no Cáucaso?

Gerhard Schröder: O Ministro alemão dos Negócios Estrangeiros está, desde há muito tempo, envolvido nos esforços para uma solução política sob o manto da diplomacia e foi astuto ao afirmar que, se a Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) tiver que jogar um papel de coordenação entre as partes em conflito, a Alemanha não poderia deixar de se envolver. Se, contudo, se tratar de uma missão sem consentimento da Rússia, eu não quero ver soldados alemães estacionados por lá. Isto é apenas uma questão que se depreende da nossa história partilhada.

SPIEGEL: Tem a Geórgia um lugar na NATO?

Gerhard Schröder: Pensava que o governo alemão - e curvo-me a cumprimentar a Sra Merkel e o Sr Steinmeier a este respeito - juntamente com o governo francês, tinham tomado a decisão certa durante a Cimeira da NATO em Bucareste, em Abril...

SPIEGEL: ... porque se oposeram à intenção americana e da Europa de Leste de aceitar rapidamente a Geórgia e Ucrânia, disfarçando a recusa num amontoado de promessas vagas?

Gerhard Schröder: Imagine que estivéssemos obrigados a intervir pela força militar à conta da Geórgia, por ser membro da NATO, e à conta de um batoteiro evidente, que é a maneira correcta de nos referirmos a Saakashvili. A Geórgia e a Ucrânia devem primeiro resolver os seus problemas políticos domésticos e estão ainda muito longe de consegui-lo. Considero as hipóteses de a Geórgia ascender a membro ainda mais remotas, como consequência dos recentes acontecimentos no Cáucaso e, como tal, sigo com bastante dificuldade as promessas estridentes feitas nesse sentido pelo Secretário Geral da NATO, há poucos dias.

SPIEGEL: O candidato presidencial republicano dos EUA, John McCain, acompanhou-o, ao declarar: "Hoje, somos todos georgianos".

Gerhard Schröder: Eu não sou.

SPIEGEL: Robert Kagan, um ídolo dos neoconservadores e ainda um pensador influente da política externa entre os republicanos, definiu o dia da invasão da Geórgia pela Rússia como o início de um conflito territorial renovado entre as maiores potências e "como um ponto de viragem não menos significativo que o 9 de Novembro de 1989, quando caiu o muro de Berlim".

Gerhard Schröder: Li isso, mas nada significam para mim. Kagan, bem vistas as coisas, foi um dos homens que mais defendeu a intervenção no Iraque. As consequências não foram agradáveis, nem para a América, nem para a Europa. Talvez devamos apenas ignorar o seu conselho.

SPIEGEL: Num artigo no "Die Zeit", há poucas semanas, escreveu que a "fase de transição do domínio americano" está agora a chegar ao fim. O que quiz dizer exactamante com isso? Será que conduz automaticamente a um mundo multipolar e melhor?

Gerhard Schröder: O fim da América unipolar não é evidente apenas pela emergência de um candidato presidencial democrata, Obama, mas também pelas políticas de pensamento racional dos republicanos. Se ler o relatório não-partidário Baker-Hamilton sobre o futuro do Iraque, ser-lhe-á fácil reconhecer aí que o próximo presidente dos EUA terá muitas dificuldades em agir de outra maneira que num modo multipolar - quaisquer que sejam as declarações que um ou outro político faça nas campanhas.

SPIEGEL: Qualquer que seja o próximo homem responsável pela Casa Branca, Obama ou McCain?

Gerhard Schröder: Claro que isso fará diferença. Creio, no entanto, que até uma administração republicana, que não desejo, não conseguirá evitar ter que retomar uma abordagem multipolar, ganhar aliados e trabalhar em conjunto nas instituições internacionais. Aparentemente, os que estão em Washington já perceberam que é possível ganhar uma guerra sozinho, mas não a paz.

SPIEGEL: Que papel desempenhará a Europa nesse mundo multipolar? Não haverá uma clivagem profunda entre países como a Alemenha, a França e a Itália, que não desejam, especialmente agora, permitir que a cooperação com a Rússia chegue ao fim e os países Bálticos, a Polónia e a República Checa, caracterizados pelo medo da Rússia?

Gerhard Schröder: O processo da unificação europeia nas questões de política externa e de segurança não se tornou mais fácil desde que saí da Chancelaria em 2005. Isto tem também a ver com a integração dos novos estados. Este processo de unificação deve ser entendido como uma oportunidade histórica, ainda que haja um preço a pagar.

SPIEGEL: Está a arrastar-se.

Gerhard Schröder: Esse é exactamente o preço. A Europa só poderá jogar um papel a sério no contexto entre a América por um lado e a Ásia por outro, se conseguir estabelecer e manter fortes relações com a Rússia. Vejo a Rússia como parte da Europa, mais do que parte de qualquer outra constelação.

SPIEGEL: E será que a Rússia se revê da mesma maneira?

Gerhard Schröder: Pelo menos esta é a maneira como a actual liderança a vê. E nós, na Alemanha e na Europa, devemos interpretar isso como uma oportunidade. A Rússia tem a alternativa asiática, mas a Europa não. Além disso, esta constelação não passa necessariamente por um afastamento da Europa relativamente aos EUA.

SPIEGEL: Isso parece muito optimista. Não vislumbra um reinício da Guerra Fria no horizonte?

Gerhard Schröder: Não. Pelo menos não seria do interesse da liderança russa. Sou totalmente contra a demonização da Rússia. E acredito que Moscovo reconhecerá cedo a mecessidade de, uma vez mais, integrar-se mais fortemente na comunidade internacional.

SPIEGEL: E Washington tratará de não castigar os líderes do Kremlin e de não expulsar a Rússia das organizações como o G-8?

Gerhard Schröder: Essa visão estreita, que McCain por exemplo sustenta, não prevalecerá - é o que desejo e espero.

SPIEGEL: Fala como antigo Chanceler ou como funcionário da empresa estatal Gazpron?

Gerhard Schröder: O SPIEGEL não deveria participar na difusão de falsas informações. Não sou um empregado qualquer, antes o Presidente da Comissão de Accionistas da Nord Stream, um consórcio holandês, alemão e russo, cujo único objectivo é construir um gasoduto através do Mar Báltico que tornará o fornecimento de gás à Alemanha e a Europa significativamente mais seguro.

SPIEGEL: Sr Schröder, agradecemos esta entrevista.

Entrevista de Gerhard Schröder ao Der Spiegel
publicada em 18 de Agosto de 2008

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Terça-feira, Agosto 12, 2008

David Brockschmidt - A Alemanha é soberana?

Contrato Secreto
Pela lei internacional, um país é soberano se tem o poder de tomar decisões internas e externas sem a interferência de outro país e sem sofrer pressões políticas de qualquer grupo interno ou externo.

A questão que coloco ao governo alemão e à Chanceler Angela Merkel é: É a República Federal Alemã hoje um estado completamente soberano segundo a sua própria lei e a lei internacional? Sim ou não?

Se a resposta é não, então explique, por favor, quais são as restrições internas ou externas impostas aos alemães. Se a resposta é sim, então explique a razão por que as questões que apresento em seguida não afectam a soberania alemã.
  1. A Alemanha não possui um Tratado de Paz com os países com os quais se esteve envolvido na Segunda Guerra Mundial. Foram 64 países, incluindo as quatro principais potências vencedoras: Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido (RU), União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) e França.
  2. A cláusula que considera a Alemanha e o Japão como inimigos continua em vigor na Carta das Nações Unidas e pode ser accionada em qualquer momento, se necessário, pela força militar.
  3. O governo actual afirma aos cidadãos e à comunidade internacional que as suas fronteiras actuais constituem a totalidade do território alemão. A decisão do Tribunal Constitucional alemão de 1973 afirma o contrário. O juízo refere claramente que o Reich Alemão ainda existe de jure dentro das fronteiras de 1937. Se olharmos para uma carta geográfica de 1937 e a compararmos com a actual, vemos claramente que há territórios alemães a Este que são hoje parte da Polónia e da Rússia. Estes territórios, de acordo com as decisões dos tratados das potências aliadas vitoriosas sobre a Alemanha nas conferências Teerão, Yalta e Postdam apenas deveriam permanecer sob administração polaca ou russa até que um tratado de paz fosse assinado com a Alemanha. Isto não aconteceu. Como é isto possível, que o governo alemão após a Segunda Guerra Mundial tenha entregue de jure estes territórios à Rússia e à Polónia, que os administram de facto? Faz algum sentido?
  4. Após a reunificação da Alemanha Ocidental com a Alemanha Oriental foi dito aos cidadãos alemães e à comunidade internacional que, conforme o Acordo dos 2 mais as 4 potências vitoriosas, que estas abdicavam dos direitos e das responsabilidades sobre as quatro zonas de ocupação no território alemão e respectivos sectores na Grande Berlim. Isto não foi feito!

    As quatro potências terminaram as actividades em território alemão, porém não abdicaram dos seus direitos.

    O documento oficialmente publicado do acordo dos 2+4 é muito claro a este respeito. O facto, porém, é que a maior parte dos direitos de ocupação dos aliados - EUA, RU e a França - sobre a Alemanha foram transferidos ou incorporados no assim chamado Estatuto das Tropas da NATO. Foi assim declarado forçosamente que os direitos dos Aliados da Guerra e do pós-Guerra sobre a derrotada Alemanha se mantinham e não foram abolidos.
  5. Os quatro pontos anteriores culminam com o dossier Kanzlerakte da Chancelaria. O governo da Alemanha Ocidental sob o Chanceler Konrad Adenauer, perante os altos comissários de três potências das forças acupantes, o EUA, o RU e a França, estabeleceram um tratado secreto datado de 21 de Maio de 1949, que foi assinado em 23 de Maio de 1949 pelo Chanceler Konrad Adenauer, o Presidente do Parlamento Alemão, Adolf Schönfeller e o vice-Presidente do Parlamento Alemão, Herman Schäfer. O ponto principal deste acordo secreto é o chamado Veto Aliado, que surge como consequência da cláusula que atribui o estatuto de inimigo à Alemanha e ao Japão pela Carta das Nações Unidas. Lá está dito:
    1. Que a imprensa alemã será controlada pelas potências ocupantes até 2099.
    2. Que as reservas de ouro da Alemanha são confiscadas como compensação.
    3. Que o assim designado Veto Aliado respeitante à derrotada Alemanha inclui qualquer decisão interna ou externa do Governo Alemão, tornando-se efectivo mediante o consenso dos três altos comissários militares ocidentais.
  6. O Major General Gerd Helmut Komossa, chefe do serviço de espionagem militar - Militarischer Abschirm Dienst (MAD) - desde 1977 até 1980, confirma este acordo top secret entre o governo alemão sob o Chanceler Adenauer e os aliados ocidentais no seu livro: Die Deutsche Karte - a Carta Alemã, Graz, 2007, ISBN: 978-3-902475-34-3, a páginas 21. Segundo o Major General Komossa, cada novo Chanceler Alemão fica obrigado a assinar o acordo secreto, o chamado Kanzlerakte, antes de tomar posse como Chanceler perante o Parlamento Alemão.
Permitam-me ainda os leitores recordar que as antigas zonas de ocupação pelas potências ocidentais estão hoje sob ocupação de forças militares dos EUA, RU, França, Canadá, Bélgica e Holanda. Esta persistência da ocupação da Alemanha pelos países mencionados é justificada e legalizada no quadro do Estatuto das Tropas da NATO que integra quase todos os direitos de ocupação das potências vencedoras sobre a Alemanha. As instalações militares dos aliados na Alemanha, como certamente no resto da Europa Ocidental e no Japão, são extra-territoriais, como as embaixadas estrangeiras. As leis e regulamentos locais não se aplicam dentro destas circunscrições militares.

Por favor, Senhora Chanceler da República Federal Alemã, Dr Angela Merkel, foi ou não obrigada a assinar o dossier do Chanceler - Kanlerakte e/ou qualquer outro documento cedendo a qualquer potência estrangeira limitações sobre a liberdade do seu povo ou a soberania da República Federal da Alemanha?

A ironia é que uma única potência vitoriosa, a Rússia (ex-URSS), abandonou permanentemente a zona de ocupação na Alemanha e o sector ocupacional na Grande Berlim!

Infelizmente, a 'soberana' República Federal Alemã não pode dar às restantes forças ocupantes ocidentais as respectivas guias de marcha. Isto iria contra os direitos dos aliados estabelecidos pelos acordos feitos entre três deles - Churchill, Roosevelt e Stalin - nas conferências de Teerão, Yalta e Postdam.

Em resumo: eu quereria estar de acordo com o ex-embaixador dos EUA na Alemanha, Kornblum, que informou enfaticamente as autoridades alemãs: "Vocês não são soberanos!" Esta declaração nunca foi repudiada ou questionada por qualquer governante alemão.

Assim, Senhora Chanceler, explique por favor! Eu pergunto:"O estado alemão soberano existe?"

NB:
  1. Nem todos os documentos do Acordo dos 2+4 entre os dois antigos estados alemães e os quatro aliados foram tornados públicos, e alguns estão classificados como secretos por muitos mais anos.
  2. Relativamente ao livro do Major General Gerd-Helmut Kossoma, publicado no ano passado, pergunto-me a mim próprio porque razão não terá havido um protesto ou pelo menos uma questão sobre o Kanzlerakte na imprensa alemã? Sertá que os alemães vivem num permanente estado de negação da sua própria história?
David Brockschmidt, The ‘Sovereign’ Federal Republic of Germany
publicado por Adelaide Institute em Maio de 2008

Grato ao raivaescondida pela pista. (AF)

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Domingo, Julho 27, 2008

Deutsche Welle - Nokia fecha fábrica

A maior fabricante mundial de telefones móveis, a Nokia, irá indeminizar o Estado alemão em 1,3 milhões de euros por encerrar uma fábrica.

A Nokia pagará esta soma acrescida de juros ao Estado do Reno-Vestfália do Norte após ter anunciado no princípio do ano que iria encerrar a sua última fábrica na Alemanha, em Bochum, uma cidade da região industrial do vale do Rur que tem vivido tempos difíceis.

O diferendo já custou ao gigante móvel dezenas de milhões, segundo declarou um funcionário no sábado.

De acordo com o semanário económico WirtschaftsWoche, o ministério da investigação contribuiu com quatro milhões de euros para o financiamento da fábrica de Bochum, que se encontra no coração da região industrial do Rur.

Os frutos da investigação da Nokia deveriam reverter em proveito da Alemanha, porém, isso não acontecerá após o fabricante finlandês encerrar a fábrica de Bochum, disse o ministro.

Deutsche Welle staff (jam), Nokia to Reimburse German State in Plant Closing Row,
Deutsche Welle, 27 de Julho de 2008

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Os novos aerogeradores

Cinco megawatts cada, com pás do hélice de cinquenta metros, a entrar brevemente em serviço no Mar do Norte...
Aerogerador

Aerogerador


Anselm Waldermann, OFFSHORE WIND FARMS
A Green Revolution off Germany's Coast

Der Spiegel, 24 de Julho de 2008

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Segunda-feira, Junho 30, 2008

Alemanha - Parabéns à Espanha

ViewO desapontamento na Alemanha ao perder a final do Euro 2008 deu lugar, na segunda-feira, à admiração pela superioridade da Espanha e à esperança de que o treinador Joachim Loew consiga elevar o nível de desempenho da equipa até ao Campeonato Mundial de 2010.

Os meios de difusão alemães, os comentadores e até o treinador foram unânimes na segunda-feira, 30 de Junho, em admitir que a Espanha foi tecnicamente superior e mereceu largamente o título de campeão do Euro 2008 e também que a sua forma de jogar mostrou aos alemães que há ainda um longo caminho a percorrer.

"Penso que devemos hoje reconhecer a grande superioridade da equipa espanhola," afirmou o treinador Joachim Loew após a derrota por 1 a 0 face à Espanha. "Que (esta derrota) nos encoraje a prosseguir o trabalho nos próximos dois anos e melhorar alguns aspectos... de modo a fazermos nessa altura algo semelhante."

"Posse de bola e passes à primeira são a chave do futebol. Tem que ser feito rapidamente e sob pressão. A Espanha mostrou-nos que domina isso muito bem", afirmou Loew.

Ganhou a melhor equipa


Também os jornais alemães encheram de elogios a Espanha, acentuando que bateu a Alemanha em todos os pontos.

"Os artistas espanhóis não se deixaram confundir", escreveu o Sueddeutsche Zeitung, baseado em Munique. "Depois de um bom início, a Alemanha perdeu-se pelo caminho".

"Desfizeram-se os sonhos pelo título", escreveu o Hamburger Morgenpost. "Após 60 minutos de futebol sonolento e vários problemas defensivos, a equipa despertou demasiado tarde. Graças a Lehmann, pois podia ter sido bem pior."

O analista de futebol mais conhecido da televisão alamã, Guenter Netzer, disse à saida que no domingo venceu a melhor equipa.

"Parabéns à Espanha, mas também tiro o chapéu à Alemanha só por ter chegado à final", Disse Netzer, que ajudou a Alemanha ocidental a ganhar o campeonato em 1972.

"É um grande feito para a equipa. Ao longo de todo o campeonato, a Espanha foi a melhor equipa. Mostrou-nos quanto limitados fomos, mostrou-nos como se joga futebol. Mostrou-nos que temos ainda muito a melhorar."

Os alemães começaram bem, com Miroslav Klose a perder uma oportunidade gloriosa logo aos quatro minutos, mas a Espanha cedo recuperou o controlo do jogo e Fernando Torres colocou-a na dianteira aos 33 minutos.

A Alemanha teve as suas chances na segunda parte mas a Espanha continuou perigosa e susteve os nervos para alcançar a vitória do campeonato com o 1-0.

Um erro que vale por muitos


A Alemanha chegou ao Euro 2008 com muita ambição mas não conseguiu impressionar, à parte a exibição superior de 3-2 contra Portugal nos quartos de final.

A equipa foi ultrapassada pela astúcia da Croácia ao ser derrotada por 2-1 e jogou pior que a Turquia durante quase todo o jogo da semi-final, tendo sido salva por 3-2 graças à sua conhecida combatividade.

O capitão Michael Ballack marcou dois golos, mas não conseguiu impor a sua autoridade à equipa ao desclassificar-se pela décima vez na sua carreira. Quanto ao resto, apenas rasgos de genialidade de Lukas Podolski e de Bastian Schweinsteiger.

"É sempre frustante chegar à final e perder", disse Ballack no domingo, acrescentando que "um ou dois erros foram demasiados."

No domingo, os alemães desajeitaram-se demasiado com a bola, o jogo ficou marcado por passes falhados e lapsos da defesa - uma fragilidade que os adversários, tecnicamente superiores, aproveitaram implacavelmente.

Também o jogador do meio-campo Thomas Hitzlsperger confirmou que a derrota se deveu à falta de precisão do seu lado.

"Quando erras nestas coisas, sofres o castigo. Os espanhóis eram tão bons, que não podias consentir-te qualquer erro", disse Hitzlsperger. "Fizémos demasiados e foi por isso que perdemos".

Adeptos esmagados


A derrota foi sentida com angústia por milhões de adeptos alemães, ávidos de celebrar o triunfo da sua equipa no domingo à noite. A colocação da Espanha à frente por Fernando Torres aos 33 minutos silenciou os mais de 600 mil adeptos que enchiam as zonas públicas de exibição próximas da Porta de Brandeburg em Berlim.

O domínio completo do jogo pela Espanha a partir do meio tempo da segunda parte até ao apito final foi lamentado com admiração.

Não houve tumultos após o jogo, tendo a polícia de Berlim e de outras cidades esclarecido que os adeptos se retiraram pacificamente.

Muitos abandonaram esses locais ainda antes do apito, receosos do congestionamento do trânsito de regresso a casa, já que nada havia a celebrar com a entrega da taça ao capitão espanhol Iker Casillas em vez de Ballack.

Além dos 600 mil espectadores de rua em Berlim, 70 mil assistiram ao jogo em Munique, Franckfurt registou 50 mil e Hamburgo 42 mil.

Deutsche Weller staff (sp) in Germany to Learn From Euro Mistakes for Future Success
publicado por Deutshe Weller a 30 de Junho de 2008

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Terça-feira, Junho 24, 2008

A Central fotovoltaica de Moura


Continuamos a ouvir falar desta Central como sendo a maior do mundo. No entanto, já em fins de 2007 se sabia que isso não iria acontecer, conforme se pode ler no extracto do jornal "Água e Ambiente" de 19/9/2007.
Agora parece que a maior do mundo fica situada na Alemanha e já arrancou com a sua produção de energia eléctrica, conforme se pode ler no penúltimo post deste blog.
É só para chamar a atenção para o que de facto é e não para o que desejaríamos que fosse!

Tutela obriga central fotovoltaica de Moura a reduzir potência
2007-09-19

A maior central fotovoltaica do mundo, cuja construção foi anunciada durante anos em Moura, deixou de o ser. O jornal Água&Ambiente soube em primeira mão que os 62 MW inicialmente previstos para a unidade terão de ser reduzidos, de acordo com as indicações da tutela à Amper Central Solar, empresa criada para gerir a central.

«O projecto inicial contemplava a instalação de painéis fixos, só que as alterações ao projecto em virtude do tempo decorrido sobre a apresentação do mesmo conduziram, nomeadamente, à mudança no fornecedor dos painéis. Assim, optou-se agora pela introdução de painéis móveis, que têm uma rentabilidade superior em cerca de 30 por cento, ou seja, com os mesmos megawatts consegue-se produzir mais 30 por cento de energia», explicou ao Água&Ambiente fonte ligada ao processo.

Ora, esta alteração implicaria que «a subsidiação inicialmente prevista também teria de ser superior em 30 por cento, o que não estava contemplado», acrescenta. Por isso, optou-se por reduzir a potência instalada. O Água&Ambiente tentou saber junto da Amper a nova potência da unidade, no entanto, ainda não obteve qualquer resposta.

As obras para a construção da central, na freguesia da Amareleja, deverão ter início em Outubro. «Oo desafio que a Acciona, investidora do projecto, tem agora pela frente é o de conseguir finalizar todo o projecto até ao final do próximo ano, de forma a que ainda possa usufruir dos fundos provenientes do Quadro Comunitário de Apoio em vigor», adianta a mesma fonte. Para acelerar o processo cerca de 800 pessoas estarão a trabalhar no desenvolvimento do projecto, quase o triplo do que estava previsto.

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Segunda-feira, Junho 23, 2008

Deutsche Weller - Central fotovoltaica de Waldpolenz

Painéis solares electrovoltaicos
@picture alliance/dpa

A central fotovoltaica descrita pelo seu operador como a maior do mundo iniciou a produção de electricidade no domingo, 22 de Junho, num lugar da antiga Alemanha do Leste.

Capacidade inicial - 24 MW
Módulos instalados - 350.000
Capacidade final (2009) - 40 MW
Módulos fase final - 550.000
Custo - 130 milhões de €


Deutche Weller staff [dpa (jam)] in World's Biggest Solar Plant Goes Online in Germany
publicado por Deutsche Weller em 23 de Junho de 2008

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Sexta-feira, Maio 16, 2008

Horst Köhler - Colapso do sistema financeiro

O sistema financeiro mundial está à beira do colapso.Horst Köhler
Não se trata de uma previsão catastrófica de Lenine ou de Álvaro Cunhal, tão pouco de um homem suspeito de cultivar simpatias comunistas, ou até de esquerda - ainda que moderada. Trata-se, nem mais nem menos, de uma declaração de Horst Köhler, actual Presidente da República Alemã, em cujo currículo constam cargos como:
  • Presidente do Partido Cristão Democrata Alemão CDU,
  • Presidente do Fundo Monetário Internacional,
  • Ministro alemão das Finanças,
  • Presidente da Associação Alemã dos Bancos de Aforro,
  • Presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento.

Outras declarações de Horst Köhler:
  • Os mercados foram incapazes de resolver o problema por si próprios.
  • O mundo financeiro desgraçou-se sozinho.
  • Gostava de ouvir um mea culpa alto e bom som da parte dos bancos .
  • Os honorários dos gestores financeiros são bizarramente elevados.
  • A complexidade excessiva dos produtos financeiros e a possiblidade de multiplicar desmesuradamente o capital à custa de pequenos investimentos iniciais deram origem ao monstro.


Fonte: Der Spiegel

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Quinta-feira, Março 20, 2008

Bönisch e Wiegrefe - Quem cometeu o Holocausto? (2)

Holocausto


Crimes por convicção, crimes por excesso

Como satanás no Antigo Testamento, o mal tem muitas faces. Houve quem cometesse os crimes por convicção: os nazis comprometidos nas forças policiais - membros das SS e militares - que, tal como Hitler, estavam convencidos de que os judeus eram a fonte de todos os males. Alguns cometeram os seus primeiros assassínios nas décadas de 1920 e de 1930. Houve também quem cometesse os crimes por excesso, tirando partido da falta de direitos dos judeus na Europa de Leste, aproveitou para raptar e roubar. Na Galícia (região fronteiriça entre a Polónia e a Ucrânia), por exemplo, os membros das forças de ocupação dedicavam os tempos livres a disparar contra os judeus nos guetos ou a chantagiá-los na mira dos seus bens de joalharia.

Houve quem cumprisse ordens superiores, como o major Trapp do Batalhão de Reserva Policial 101. Segundo testemunhas oculares, o Major Trapp estava em lágrimas quando recebeu a ordem para disparar sobre 1500 mulheres, crianças e velhos judeus próximo de Varsóvia, ao mesmo tempo que pronunciava: "Ordens são ordens!" Em Julho de 1942, os seus homens fizeram sair as vítimas das suas casas, obrigaram-nas a entrar nos camiões e transportaram-nas para uma zona descampada para serem executadas. Dispararam sobre elas na cabeça ou na nuca e, ao anoitecer, os soldados tinham as fardas cobertas de fragmentos de ossos, material cerebral e manchas de sangue.

Do mesmo modo que normalmente há mais do que um perpetrador, também há várias razões para tornar um homem perfeitamente normal num assassino: anos de doutrinação, confiança acrítica nos dirigentes, sentido de dever e de obediência, pressão dos seus próximos, depreciação da violência por vivências de guerra, sem falar na cobiça pelas propriedades dos judeus.

Um homem que, ao que parece, não teve problemas em trocar o seu trabalho numa secretária por massacres no Leste foi Walter Blume, natural de Dortmund, nascido em 1906, filho de uma professora e de um advogado, que completou o equivalente alemão do bar examination com a pobre classificação de "adequado". Não obstante, em 1932 Blume foi colocado como assistente de Juiz na circunscrição da sua terra natal.

A carreira de Blume no regime de Hitler começou no dia 1º de Março de 1933, logo a seguir à subida ao poder dos nazis. A sua primeira posição foi a de chefe da divisão política do quartel-general da polícia em Dortmund. Depois de se inscrever no Partido Nazi e se alistar nas SA (Tropas de Tempestade), tornou-se chefe da polícia secreta, ou Gestapo, na cidade oriental de Halle, depois em Hannover e, mais tarde, na capital Berlim. A razão principal da rápida rotação dos oficiais superiores, típica da Gestapo, era facilitar oportunidades para adquirir experiência de repressão.

Com início em 1º de Março de 1941, Blume dirigiu o Departamento de Pessoal da 1ª Divisão do designado Reichssicherheitshauptamt (gabinete principal de segurança do Reich, RSHA). A sua primeira tarefa foi preparar pessoal adequado para um dos comandos de morte do Einsatzgruppen (grupo de acção especial), uma força composta por aproximadamente 3000 homens, conhecidos por a "Gestapo sobre rodas". Este grupo seguia o exército de Hitler à medida que este progredia para leste e encarregava-se da liquidação imediata dos "judeus bolcheviques" e da "excisão dos elementos radicais".

O próprio Blume dirigiu uma unidade conhecida como o "Comando Especial 7a", parte integrante da Einsatzgruppe B. Segundo as anotações de Blume, o seu grupo matou aproximadamente 24000 pessoas na Bielorrússia e Rússia entre Junho e Setembro de 1941. Pouco tempo depois, Blume regressou à RSHA, onde foi promovido à posição de chefe de divisão e líder exemplar das SS. Em Agosto de 1943 deslocou-se a Atenas, onde ele e dois subordinados de Adolf Eichmann organizaram a deportação de judeus gregos para o campo de extremínio de Auchwitz.

Blume foi levado ao Tribunal de Nuremberga em Setembro de 1947, em conjunto com outros 22 homens, cuja ocupação regular os qualificava como funcionários superiores da sociedade civil. Incluíam um dentista, um professor universitário, uma cantora de ópera, um pastor protestante, um professor e alguns jornalistas. Catorze foram condenados à morte, porém só quatro sentenças foram executadas. O Alto Comissário dos Estados Unidos da América, John McCloy, perdoou os restantes, incluindo Blume, e gradualmente ao longo dos anos foram sendo libertados. Blume tornou-se um homem de negócios.

Muitos dos perpetradores nunca foram castigados. Houve até hoje 6500 condenações, das quais apenas 1200 por homicídio voluntário ou involuntário.

Georg Bönisch and Klaus Wiegrefe in Nazi Atrocities, Committed by Ordinary People,
tradução inglesa do artigo original em alemão, publicado por Der Spiegel Online em 18 de Março de 2008.
Versão inglesa de Christopher Sultan

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Quarta-feira, Março 19, 2008

Bönisch e Wiegrefe - Quem cometeu o Holocausto?

SS

Banalização do assassínio

Desde doutores a cantores de ópera, professores escrupulosos a alunos relapsos, eis quem podemos encontrar entre os 200 mil alemães normais e seus auxiliares que estiveram envolvidos no extremínio dos judeus europeus. Após anos de pesquisas - ainda não concluidas - descobriu-se como pessoas sãs de uma sociedade moderna acabaram por cometer assassínios por um regime sanguinário.

Walter Mattner, um funcionário administrativo da polícia de Viena, encontrava-se em Mogilev na Bielorrússia em Outubro de 1941, no dia em que 2273 judeus foram baleados até à morte. Mais tarde escreveu à sua mulher: "As minhas mãos tremeram um pouco à chegada do primeiro carro. Mas ao décimo carro já apontava com calma e disparava com confiança contra as muitas mulheres, crianças e bébés. Atendendo a que tenho duas crianças em casa, sabia que elas sofreriam exactamente o mesmo tratamento, senão dez vezes pior, às mãos destas hordas." Após a Segunda Guerra Mundial, muitos observadores aceitaram como óbvio o facto de estes actos poderem ser cometidos apenas por sádicos e psicopatas, sob as ordens de uma meia dúzia de dirigentes militares que rodeavam Adolf Hitler. Era uma maneira conveniente de olhar para o fenómeno, pois excluía as pessoas normais de entre os perpetradores desses actos.

Porém, os resultados surpreendentes de um inquérito conduzido por americanos na sua zona de ocupação em Outubro de 1945 deveriam ter levantado algumas suspeitas sobre a versão que fez incidir todas as culpas sobre meia dúzia de criminosos patológicos. Vinte porcento das pessoas que responderam "concordavam com o tratamento dado aos judeus por Hitler". Outros 19 porcento afirmaram que, mesmo sendo as políticas relativas aos judeus exageradas, elas estavam fundamentalmente correctas.

Foi necessário esperar-se até à década de 1990 para que os historiadores e outros estudiosos empreendessem uma investigação em larga escala sobre os que, homens ou mulheres, levaram a cabo o Holocausto. Os estudos não estão ainda completos e, no entanto, os resulados já são chocantes.

Os investigadores descobriram que entre os perpetradores se encontravam nazis assumidos e pessoas que nada tinham a ver com os nazis. Os assassinos e seus ajudantes incluíram católicos e protestantes, velhos e jovens, pessoas com dois doutouramentos e pessoas das classes trabalhadoras fracamente escolarizadas. Entre todos, a percentagem de psicopatas não excedia em média a que caracteriza a população no seu conjunto.

O número de perpetradores estima-se hoje em perto de duzentos mil alemães (e austríacos). Eram agentes da polícia, como Walter Matter, empregados dos campos de concentração, membros das SS ou gestores. Acrescem outros 200.000 estónios, ucranianos, lituanos ou de outra nacionalidade não alemã que ajudaram a matar judeus, uns porque foram forçados a isso, outros de forma voluntária.

Georg Bönisch e Klaus Wiegrefe in Nazi Atrocities, Committed by Ordinary People,
publicado por Der Spiegel Online a 18 de Março de 2008

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Quinta-feira, Março 06, 2008

Maria Teresa Soares - O ensino na Alemanha e na Suiça

Maria Teresa Duarte Soares – teresa. duartesoares@t-online.de
Alemanha

Data: 26.02.08

Caríssimas colegas
Caríssimos colegas

Antes de mais, os meus mais sinceros parabéns pela organizacão do vosso movimento. Já há bastante tempo que temia ver os professores em Portugal e os professores portugueses no estrangeiro perto de cair num marasmo inoperacional relativamente às prepotências, injustiças,ilegalidades, indecências, etc,etc,etc, do nosso Ministério da Educação. Estou satisfeitíssima por ver que tal não é verdade, pelo menos no que respeita aos docentes em Portugal.
Os professores portugueses no estrangeiro encontram-se, a meu ver, ainda num estado de inacção que me custa compreender, apesar de desde 1998 terem sidpenalizados de todos os modos possíveis pelo ME, a título de uma falaciosa e irreal “poupança.l

Sou, desde 1982, professora de Língua e Cultura Portuguesas no Estrangeiro, e pertenço ao QND da Escola B 2,3 Mestre Domingos Saraiva no Algueirão.
Tenho sido sempre activa sindicalmente,encontrando-me no momento na Direcção do SPCL (Sindicato dos Professores nas Comunidades Lusíadas).

Conheço bem os sistemas de ensino da Alemanha e da Suíça, os dois países em que trabalhei longos anos.

Por isso, envio-vos aqui várias informações sobre os docentes e o ensino nos dois países, informações estas que poderão usar do modo que vos for mais útil, e onde poderão ver que os professores mais explorados da Europa, são, sem sombra de dúvida, os docentes portugueses.

(João Serra via A educação do meu umbigo)


German flag

Alemanha


Avaliação dos docentes


Têm, de 6 em 6 anos, uma aula ( 45 minutos) assistida pelo chefe da Direcção escolar. Essa assistência tem como objectivo a subida de escalão.
Depois de atingido o topo da carreira, acabaram-se as assistências e não existe mais nenhuma avaliação.
Não existe nada semelhante ao nosso professor titular. Sempre gostava de saber onde foi o ME buscar tal ideia. Existem, claro, quadros de escola.
Não existe diferença entre horas lectivas e não lectivas. Os horários completos variam entre 25 e 28 horas semanais.
As reuniões para efeito de avaliação dos alunos têm lugar durante o tempo de funcionamento escolar normal,nunca durante o período de férias. Sempre achei um pouco preverso os meninos irem de férias e os professores ficarem a fazer reuniões…
Tanto na Alemanha como na Suíça, França e Luxemburgo, durante os períodos de férias as escolas encontram-se encerradas! Encerradas para todos, alunos, pais, professores e pessoal de Secretaria! Os alunos e os professores têm exactamente o mesmo tempo de férias. Não existe essa dicotomia idiota entre interrupções lectivas, férias, etc.
As escolas não são centros de recreio nem servem para “guardar” os alunos enquanto os pais estão a trabalhar.
Nas escolas de Ensino Primário as aulas vão das 8.00 às 13 ou 14 horas.
Nos outros níveis começam às 8 .00 ou 8.30 e terminam às 16.00 ou, a partir do 10° ano,às 17.00.
Total de dias de férias por ano lectivo : cerca de 80 ( pode haver ligeiras diferenças de estado para estado)

Alunos


Claro que existem problemas de disciplina. Mas é inaudito os alunos , ou os pais dos mesmos, agredirem os professores. A agressão física de um professor por um aluno pode levar à expulsão do último.
Os trabalhos de casa existem e são para serem feitos. Absolutamente inconcebível que um encarregado de educação declare que o seu filho/filha não tem nada que fazer trabalhos de casa, como acontece, ao que sei, em Portugal.
É terminantemente proibido os alunos terem os telemóveis ligados e utilizarem-nos durante as aulas. As penas para tal são primeiro aviso aos pais, depois confiscação do telemóvel e por fim multa.


German flag

Suíça


Tal como na Alemanha, os professores só são assistidos durante o período de formação e para subida de escalão.
Durante os períodos de férias as escolas encontram-se, como na Alemanha, encerradas.
Os horários escolares são semelhantes aos da Alemanha. Até ao 4° ano de escolaridade, inclusive, não há aulas de tarde às quartas-feiras, terminam cerca das 11.30.
No início das aulas os alunos cumprimentam o professor apertando-lhe a mão e despedem-se do mesmo modo. Claro que não há 28 ou 30 alunos numa classe, mas no máximo 22.
O telemóvel tem de estar desligado durante as aulas.É dada grande importância aos trabalhos de casa. A não apresentação dos mesmos implica descida de nota final.
Total de dias de férias : cerca de 72 ( pode haver diferenças de cantão para cantão) .
Vencimentos
Só uma pequena comparação … na Suíça um professor do pré- primário no topo da carreira recebe 5.200 francos mensais líquidos ( cerca de 3.400 euros),mais ou menos o dobro do que vence um professor em Portugal no topo da carreira…..

Caras / Caros colegas:

Espero não ter abusado da vossa paciência com a minha exposição. Porém, acho que ficou claro que, se o ensino em Portugal se encontra em péssimo

estado, a culpa não é dos professores, mas sim de um ME vendido aos empresários, que tem como objective actual a quase extinção da escola pública, para que a mesma produza analfabetos funcionais, que trabalharão sem caixa médica e sem subsídio de férias , porque nem sabem o que isso é, e se souberem, não poderão reclamar porque não saberão escrever uma carta em termos…. Isto para não mencionar as massas que se entregarão à criminalidade, prostituição, etc.

Um grande abraço para todas /todos da colega

Teresa Soares

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Segunda-feira, Março 03, 2008

Hamburgo - Aterragem abortada

O desalinhamento do avião sobre a pista é evidente. Efeitos do mau tempo que se tem feito sentir na Europa.


Aterragem abortada em Hamburgo

(Clicar sobre a imagem para chegar ao vídeo)


Fonte: Spiegel Online

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Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

Alemanha - Combate aos paraísos fiscais

Paraísos fiscais

A Alemanha tem menos disponibilidades monetárias devido aos paraísos fiscais tais como o Liechenstein.
Os responsáveis alemães estão a pressionar o Liechtenstein a adoptar uma política fiscal mais transparente, enquanto decorre uma investigação em larga escala ao destino de dinheiros de alemães alegadamente escondidos neste paraíso fiscal dos Alpes.
Queremos declarar a guerra aos paraísos fiscais na Europa.
declarou Peer Steinbrueck, o ministro alemão das finanças, na edição de domingo do jornal de grande circulação, o Bild.
A queda de Klaus Zumwinkel - o prestigiado gestor da Deutsche Post e um dos homens de negócios mais conhecidos - assim como a revelação de que ele e outros homens prósperos na Alemanha estariam a usar o Liechtenstein para ocultar as suas receitas, causou uma onda de furor.
Peer Steinbrueck não mede as palavras quando se refere à evasão fiscal.

in Germany Wants Broader Tax-Haven Crackdown in Europe
publicado pelo Deutsche Welle a 23 de Fevereiro de 2008

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Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Novas tecnologias

Hitler e as tecnologias modernas
Hitler foi comprovadamente um adepto da utilização das tecnologias modernas para reforçar o seu poder. Não só viajou de avião frequentemente entre Berlim e Munique num tempo em que as viagens aéreas não eram a norma, como reconheceu o poder da rádio antes de muitos outros políticos.


Foto e texto: Der Spiegel

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Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Eric Weitz - A República de Weimer

(Entrevista conduzida por Sonia Phalnikar)

Fim da República Weimer
A subida ao poder dos nazis em 1933 pôs termo aos 14 anos da República de Weimer.

Há setenta e cinco anos, Hitler chegou ao poder, pondo termo à República de Weimer. Poderia a experiência democrática alemã entre 1919 e 1933 ter alguma chance real? Eric Weitz, um historiador e autor americano, tem a resposta.

Em 30 de Janeiro de 1933, Hitler foi nomeado chanceler alemão, proclamando o fim da República de Weimer - o fim da experiência democrática turbulenta que vigorou entre 1919 e 1933. Este período foi baptizado pelos historiadores como a "República de Weimer", em homenagem à cidade de Weimer, onde a assembleia nacional se reuniu para escrever e adoptar a nova constituição do Reich na sequência da derrota do país na Primeira Guerra Mundial. A República de Weimer foi marcada, por um lado, por hiperinflacção, desemprego massivo e instabilidade política; por outro, por uma criatividade artística e científica brilhante e por uma vida nocturna lendária em Berlim.

Eric Weitz, presidente do Departamento de História da Universidade de Minesota nos Estados Unidos da América, publicou no ano passado um livro muito aclamado sobre este período: "A República de Weimer: Promessa e Tragédia". A Deutche-Weller (DW) falou com ele sobre o espírito reinante na altura, os factos que conduziram à subida ao poder dos nazis e as lições que se devem extrair da República de Weimer.
DW: Uma das premissas do seu livro é a de que a República de Weimer não deve ser vista apenas como o prelúdio da ditadura Nazi, mas como uma era por direito próprio.
Eric Weitz: Certamente que deve ser vista como uma era por direito próprio. A República de Weimer foi um esplêndido período de criatividade. Não deveríamos olhar para os 14 anos da República de Weimer somente a partir do período de 12 anos do Terceiro Reich que se seguiu, pois a República de Weimer foi um período de grande importância de inovação política, cultural e social. Temos de recordá-la e avaliá-la como uma entidade por direito próprio. Cada questão relacionada com a República de Weimer, sobre a vida na Alemanha na década de 1920 foi intensamente debatida no livro - tanto pelos valores intelectuais ímpares na altura, como pelo seu elevado nível artístico e também ao nível político e social.
DW: Como explica o florescimento cultural e artístico da Alemanha e em Berlim especialmente durante a década de 1920? Apesar de tudo, tratou-se de uma nação fustigada pela guerra, com milhões de mortos, e flagelada pela superinflacção e pela instabilidade.
Eric Weitz: A intensa inovação da altura está precisamente relacionada com esses factores. Muita gente limitou-se a registar o desespero resultante da Primeira Grande Guerra. Claro que houve desespero em abundância. Morreram dois milhões de alemães durante a Primeira Grande Guerra, quatro milhões ficaram feridos e os homens que regressaram estavam muitas vezes feridos tanto física como psicologicamente. As mulheres nas frentes de batalha interna suportaram quatro anos de privações extremas. Logo a seguir, sobreveio a crise do pós-guerra - reajustamento e hiperinflacção.

Quadro de Otto DixOtto Dix, que criou este trabalho em 1920, foi um dos artistas proeminentes da República de Weimer.
Mas em certa medida, esta instabilidade económica, política e social alimentou este profundo empenhamento intelectual para com os problemas da vida nos tempos modernos, com a definição da configuração política mais adequada para a Alemanha. Mais do que isso, a revolução de 1918/1919 foi também determinante para o florescimento cultural. A revolução depôs o Keiser e estabeleceu um sistema democrático - o mais democrático que os alemães já haviam vivido até essa data. O espírito da revolução espalhou a crença de que o futuro estava aberto, com possibilidades ilimitadas para o tornar mais humano. Não poderia durar para sempre, mas foi este sentimento que incentivou a inovação cultural da república.
DW: No entanto, havia pessoas na Alemanha que odiavam a República de Weimer. Quem eram? Porque desejaram o seu fim, se parecia tão prometedora e atractiva?
Eric Weitz: Tudo na República de Weimer foi objecto de contestação. O tipo de artistas, os pensadores, os arquitectos que menciono no livro - tudo ou quase tudo no seu trabalho foi intensamento desafiado pela direita. Por direita, entendo a direita instalada - os aristocratas ultrapassados, altos funcionários do estado, oficiais das forças armadas, homens de negócios, banqueiros, pessoas das igrejas que, no seu conjunto, não eram apenas anti-socialistas e anti-comunistas mas também anti-democráticas. A revolução de 1918/1919 deixou o seu poder intacto. Estabeleceu uma democracia política mas não afectou de todo a situação social e o poder desta elite conservadora.

Esta elite, passada a agitação inicial da revolução, desafiou a república em todas as ocasiões daí para a frente. Muitos pontos de conflito verificaram-se não só no plano político, como nas esferas cultural e social. Houve, por exemplo, a chamada "guerra dos telhados de Zehlendorf" na qual os conservadores, arquitectos e críticos - incluindo os nazis - opinavam que os telhados planos da arquitectura moderna eram claramente não-alemães e que a arquitectura genuinamente alemã só contemplava telhados com elevações. Estes críticos afirmavam que os telhados planos eram uma forma de arquitectura judia. A emancipação da mulher nos anos 20 e mesmo a verbalização da satisfação erótica constituiram outros pontos de conflito aberto.
DW: Afirmaria que a República de Weimer foi uma vítima antecipada da globalização? Pensa que poderia ter sobrevivido, caso não ocorrese a Grande Depressão económica de 1929?
Eric Weitz: A Grande Depressão foi o sopro final. Se observarmos a economia e as eleições de 1928, imediatamente antes da Grande Depressão, notamos um regresso ao centro político e progressos económicos sérios. Sem a Grande Depressão, a república teria pelo menos algumas hipóteses. Tinha conseguido sobreviver à hiperinflacção de 1923, mau grado a sua natureza socialmente disruptiva. Foi seguramente a depressão proveniente dos Estados Unidos que se alastrou muito rapidamente para a Alemanha com grande estrondo que deu o golpe final.

Também devemos não esquecer que poucas foram as democracias fundadas em condições tão difíceis como as da República de Weimer. A república necessitava de um longo período de consolidação, de uma atitude mais conciliadora e dialogante por parte dos aliados ocidentais e de avanços importantes na estabilidade económica - tudo isso foi demasiado escasso nos anos que se seguiram à Primeira Grande Guerra.
A hiperinflacção de 1923 na Alemanha tornou insignificante o valor da moeda e desencadeou uma crise económica.Hiperinflacção na Alemanha
DW: O que terá conduzido finalmente à capitulação da república de Weimer? Apesar de tudo, nas eleições gerais de 1928, os nazis apenas tinham conseguido 2,8 porcento dos votos; cinco anos depois encontravam-se no poder.
Eric Weitz: É verdade. Em 1928 o Partido Nazi era um grupo marginal, desprovido de importância e com pouca audiência fora de algumas zonas já bem localizadas, onde a depressão já se notava mesmo antes da Granda Depressão - zonas rurais em particular. Mas a república encontrava-se seriamente ameaçada de múltiplas formas e o sistema político havia-se polarizado antes da subida ao poder dos nazis. Durante uma depressão, as pessoas procuram soluções e a república não conseguia oferecer qualquer resposta para a crise. A partir de 1930, a Alemanha foi governada por uma ditadura presidencial porque o sistema político se encontrava tão fragmentado que o parlamento (Reichtag) não conseguiu formar uma maioria parlamentar. Desta forma, os chanceleres que governaram desde a Primavera de 1930, Heinrich Brüning e seu sucessores, fizeram-no quase sempre ao abrigo de medidas de emergência proclamadas pelo presidente, o Marechal de Campo Paul von Hidenburg.
Subida ao poder dos nazisOs nazis nunca receberam um voto maioritário.
Quero porém acentuar que os nazis nunca receberam um voto popular maioritário em qualquer eleição livremente participada. No Verão de 1932 receberam 32,4 porcento dos votos - o valor mais alto que alguma vez conseguiram. É concerteza uma salto significativo, porém não é a maioria e a afirmação popular que tantas vezes ouvimos aqui nos Estados Unidos: "O povo alemão elegeu Hitler ao poder ou elegeu os nazis ao poder" - está errada, não é correcta, não é verdadeira. Os nazis nunca foram eleitos ao poder. Nas eleições seguintes, em fins de 1932, já haviam perdido uma parte significativa do apoio que tinham conseguido no Verão. O Partido Nazi estava desnorteado. Em última instância, eles foram propulsionados para o governo porque a elite conservadora, um conciliábulo de homens poderosos que gravitava à volta do Presidente Hinderburg, forçou-o a entregar o poder aos nazis. Foi esta aliança que matou finalmente a república.
DW: Que lições podem depreender-se da República de Weimer? Implícita em todo o seu livro está a questão: será possível que as democracias contemporâneas sucumbam às forças neo-nazis da mesma forma que a República de Weimer caiu sob os nazis?
Eric Weitz: A Alemanha actual é uma democracia bem estabelecida. Não me preocupa de modo algum. Para dizer a verdade, há alguns grupos da extrema-direita que podem ser perigosos e a reacção contra eles peca às vezes por lentidão. Mas estes grupos são marginais e Berlim não é Weimer.

As minhas preocupações centram-se mais em torno do meu próprio país, os Estados Unidos da América, dado que as ameaças à democracia nem sempre vêem do exterior. A ameaça mais séria pode vir de dentro. Este foi certamente o caso de Weimer, em especial nos seus últimos anos. Preocupa-me o facto de algumas pessoas ou instituições propalarem a democracia de boca, ao mesmo tempo que minam as práticas genuinas da democracia. Claro que os nazis nunca se comprometeram com a democracia, mas usaram a retórica populista que alicia as pessoas. Quando esta espécie de retórica mascara práticas anti-democráticas temos razóes sérias para nos preocuparmos.

A situação análoga que me confrange é a de que homens conservadores do establishment se tornem salonfähig ou, em linguagem coloquial, "aceitáveis numa sociedade polida". Penso que tal já começou a acontecer nos Estados Unidos. Quando os conservadores do establishment ultrapassam os limites aceitáveis para um discurso democrático, torpedeiam os preceitos constitucionais e conseguem tornar o seu programa, os seus representantes e as suas ideias aceitáveis - é quando começamos a ter problemas.
DW: Em meses recentes parece ter havido um renascimento do interesse da República de Weimer nos Estados Unidos, quer relativamente à moda, quer à música ou à arte em geral. Como explica isso?
Eric Weitz: É bastante curioso. Isso é verdade especialmente em Nova York. Penso que se prende ao tipo de fragilidades evidenciadas com os ataques de 11 de Setembro. O que as pessoas adoptaram foi a imagem da República de Weimer veiculada pela produção americana "Cabaret" onde, por exemplo, há uma associação da Weimer à degenerescência e à eminência da crise, o que em parte até é verdade.
Trabalho de George Grosz, de 1922.George Grosz
Houve uma exposição de pintura no Museu Metropolitano com retratos de Otto Dix e George Grosz. É claro que, se esta fôr a única imagem de Weimer, convercer-se-á que este foi um período em que só havia corpos mutilados e feições distorcidas. O que falha nessa representação é a promessa democrática e a inovação cultural. Foi esse lado de fragilidade que conferiu a Weimer o seu encanto, que animou a cidade baixa de Nova York, enquanto colocava em alta a sua cultura.


Sonia Phalnikar in
Historian Says Weimar Republic Holds Potent Lessons for Today
publicado por Deutsche Welle em 30 de Janeiro de 2008

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Sábado, Dezembro 22, 2007

Weihnachtslieder

Três canções de Natal em vozes brancas, como eram cantadas na Escola Alemã da Chicuma em Angola. Votos de boas festas para todos os nossos visitantes. (AF)



Stille Nacht


Stille Nacht! Heilige Nacht!
Alles schläft; einsam wacht
Nur das traute hochheilige Paar.
Holder Knabe im lockigen Haar,
Schlaf in himmlischer Ruh!
Schlaf in himmlischer Ruh!

Stille Nacht! Heilige Nacht!
Hirten erst kundgemacht
Durch der Engel Halleluja.
Tönt es laut von Ferne und Nah:
Christ, der Retter ist da!
Christ, der Retter ist da!

Stille Nacht! Heilige Nacht!
Gottes Sohn! O wie lacht
Lieb aus deinem göttlichen Mund,
Da uns schlägt die rettende Stund,
Christ in deiner Geburt!
Christ in deiner Geburt!

Oh du Fröhliche


Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Welt ging verloren,
Christ ward geboren,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Christ ist erschienen,
Uns zu versühnen,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh du fröhliche,
Oh du selige,
Gnadenbringende Weihnachtszeit.
Himmlische Heere
Jauchzen Dir Ehre,
Freue, freue dich, oh Christenheit!

Oh Tannenbaum



Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Wie grün sind deine Blätter.
Du grünst nicht nur zur Sommerzeit,
Nein auch im Winter wenn es schneit.
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Wie grün sind deine Blätter!

Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!
Wie oft hat nicht zur Winterszeit
Ein Baum von dir mich hoch erfreut!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Du kannst mir sehr gefallen!

Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren:
Die Hoffnung und Beständigkeit
Gibt Mut und Kraft zu jeder Zeit!
Oh Tannenbaum, Oh Tannenbaum,
Dein Kleid will mich was lehren


Fonte: bassam1958

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Sábado, Dezembro 08, 2007

Alemanha - Inflacção anual atinge três porcento

Artigo: Michael Sauga e Christian Reiermann,
A Double Blow to Germany's Economy
publicado por Der Spiegel a 6 de Dezembro de 2007
Bandeira alemã

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Quinta-feira, Dezembro 06, 2007

Der Spiegel - Fricções germano-gaulesas

Já começam a manifestar-se ao mais alto nível as forças centrífugas latentes dentro da União Europeia. As posições agora assumidas pelos mais altos dirigentes dos principais estados europeus não são novas, mas foram sempre pronunciadas à boca pequena. Assim foi, até que a presidência da comissão e a presidência da União foram entregues a duas figurinhas ridículas. Agora podemos assistir ao vivo e a cores ao resultado lógico dos gestos precipitados, que não têm em conta as condições políticas. (AF)

Angela Merkel e Nicola Sarkozy


A chanceler alemã Angela Merkel opôs-se firmemente à visão do presidente francês Nicolas Sarkozy de uma União Mediterrânica. Merkel crê que o bloco proposto põe em risco o núcleo da União Europeia e pode libertar forças explosivas.

Como contrapartida à formação pela França de uma união mediterrânica excluindo a Alemanha, esta poderá formar uma união com os países do leste, nomeadamente a Ucrânia...


Ler mais em: Merkel Slams Sarkozy's 'Club Med' Plans
publicado por Spiegel Online Internacional a 6 de Dezembro de 2007

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Quinta-feira, Novembro 22, 2007

Eurydice - Professores de língua estrangeira

Professores generalistas

A Alemanha substitui gradualmente os professores de língua estrangeira generalistas por semi-especialistas.

Fonte: Chiffres clés de l’enseignement des
langues à l’école en Europe - Édition 2005

publicado por Eurydice em 2005 (pág 58)

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Segunda-feira, Novembro 05, 2007

Horst Köhler - Não esmagar o continente africano

Horst Köhler
No fecho de uma conferência sobre África, o Presidente da Alemanha Horst Köhler acusou os países industrializados de usarem dois pesos e duas medidas nas suas relações com África. Apelou para que fossem apoiados acordos euro-africanos que são alvo de controvérsia.

Ao dirigir-se aos participantes da conferência que se realizou em Frankfurt no domingo, Köhler disse que os países industriais são muitas vezes injustos ao definirem as suas políticas comerciais, tratarem das questões de imigração, contratos de pesca e de outros recursos africanos.

"Nós, os do hemisfério Norte, temos que mudar a nossa forma de pensar", disse Köhler, que elegeu a luta contra a pobreza como o centro da sua exposição. Esta é a terceira conferência de presidentes africanos apoiada por Köhler, que anteriormente esteve à frente do Fundo Monetário Internacional em Washington.

Encorajou os países industriais a não se limitarem a observar de longe os países africanos a debaterem-se com crises atrás de crises.

"A África foi sempre o alvo das ideias expansionistas de nações externas", declarou Köhler aos participantes. Alertou principalmente contra a exploração dos recursos do continente. "Esmagar uma vez mais o continente africano seria um erro histórico", disse.

Apoio aos Acordos de Parceria Económica (EPA)

Köhler defendeu os controversos EPA's entre a Europa e a África, dizendo que satisfaziam os melhores interesses de ambos.

Solicitou aos estados africanos que esclarecessem o seu criticismo quanto aos planos do acordo e disse que a União Europeia (UE) deveria melhorar a equidade das condições comerciais com os seus parceiros africanos.

Köhler também apoiou o desenvolvimento da União Africana (UA) no sentido de se tornar uma entidade política semelhante à UE, como forma de dificultar as tentações de nações externas dividirem os países africanos, mediante acordos bilaterais com cada país individualmente.

Mundo cada vez mais interdependente

Acresentou além disso que os acordos com cada país individualmente fazem cada vez menos sentido num mundo em que as questões como alterações climáticas, a SIDA ou as migrações obrigam a uma conjugação de forças cada vez maior.

A conferência de dois dias foi assistida por 44 funcionários de topo, políticos e peritos africanos, que incluiram os presidentes do Botswana, Madagáscar, Moçambique, Benin e Nigéria.

Fonte: Deutsche Welle staf (jen), em
German President Critiques EU Double Standard on Africa,
publicado por Deutsche Weller World a 5 de Novembro de 2007

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Terça-feira, Outubro 23, 2007

Alemanha - Escassez de especialistas

Especialistas

Segundo um estudo do Instituto Económico Alemão (IW), a escassez de trabalhadores habilitados custa à economia alemã 18,5 mil milhões de euros por ano e ameaça o crescimento de algumas indústrias.

O ministro da economia Walther Otremba afirmou na segunda-feira que um estudo do IW, determinado pelo ministério, concluiu que a falta de especialistas em alguns campos resulta num prejuizo equivalente a 0.8 por cento do produto nacional bruto.

O estudo classificou a falta de especialistas como economicamente relevante e que o problema estava a travar o crescimento, acrescentou Otremba. Disse que este fenómeno era atribuível a um problema estrutural do mercado laboral alemão.

O estudo identificou o sector da indústria das telecomunicações e das Tecnoligias de Informação (TI)como especialmente em risco, dada a falta de especialistas em matemática e ciências da computação.

"Procuramos urgentemente novos trabalhadores", disse aos repórteres August-Wilhelm Scheer, o presidente da BRITCOM, a federação que representa as TI's, telecomunicações e novos meios de comunicação na Alemanha, durante a feira dos sistemas de computadores, segunda-feira, em Munique.

De acordo com as estatísticas da BRITCOM, cerca de 57% das empresas de informação ou comunicações precisam de pessoal e 62% admitem que as suas companhias sofrem com a falta de especialistas. A federação estima em 30 a 40 mil o total de vagas actualmente na indústria das TI's.

Scheer apelou às universidades para formarem mais especialistas e promover estudantes excepcionais nos negócios, assim como um esforço mais intenso para atrair estrangeiros altamente especializados. "Precisamos destes estrangeiros muito inteligentes", disse Scheer, "Eles ajudam-nos a assegurar o futuro."

Os actuais especialistas poderão abandonar a Alemanha

Também alertou para o facto de, se as companhias que têm vagas de especialistas não conseguirem preenchê-las, as próprias empresas sofrerão a os especialistas que ainda têm começarão a procurar lugar fora da Alemanha.

O ministro federal dos negócios estrangeiros, que patrocinou o estudo da IW, disse estar especialmente preocupado com a falta de especialistas nas indústrias que são importantes para o progresso tecnológico da Alemanha, tais como a engenharia macânica, a metalurgia, indústia eléctrica e a construção automóvel.

A má notícia é que a situação parece mais propensa a piorar que a melhorar, uma vez que a população alemã está a envelhecer, agravando o problema no futuro próximo. As estatísticas reportam cerca de 970 mil estudantes que saem este ano das escolas, contra cerca de 800 mil que entram para o primeiro ano.

Martin Wansleben, administrador da Câmara do Comércio e Indústria Alemã, disse aos repórteres que o número de empregos disponíveis para os jovens à procura do primeiro emprego e de pais qualificados deve aumentar e que as instituições alemãs devem melhorar a promoção de esquemas de treino vocacional. Também acrescentou que devem ser tomadas mais medidas para abrir o mercado de trabalho aos estrangeiros qualificados.


Fonte: Deutche Weller staff in
Study: Lack of Skilled Workers Costs German Economy Billions
publicado por Deutche Weller a 23 de Outubro de 2007

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