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		<title>A Alemanha devia pagar as suas obrigações à Grécia, há muito em dívida</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Feb 2012 10:50:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Ferrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[No Verão de 1940 Mussolini, apercebendo-se da presença de soldados alemães nos campos petrolíferos da Roménia (um aliado da Alemanha), considerou isso um sinal perigoso da expansão da influência alemã nos Balcãs e decidiu invadir a Grécia. Em Outubro de 1940, a Grécia foi arrastada para a Segunda Guerra Mundial pela invasão do seu território. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No Verão de 1940 Mussolini, apercebendo-se da presença de soldados alemães nos campos petrolíferos da Roménia (um aliado da Alemanha), considerou isso um sinal perigoso da expansão da influência alemã nos Balcãs e decidiu invadir a Grécia. Em Outubro de 1940, a Grécia foi arrastada para a Segunda Guerra Mundial pela invasão do seu território. Para salvar Mussolini de uma humilhante derrota, Hitler invadiu a Grécia em Abril de 1941.</p>
<p>A Grécia foi saqueada e devastada pelos alemães como nenhum outro país durante a ocupação alemã. O Ministro Alemão da Economia, Walter Funk, assumiu que a Grécia sofreu as atribulações da guerra como nenhum outro país da Europa.</p>
<p>À sua chegada, os alemães começaram a saquear o país. Apropriaram-se de tudo o que necessitavam para a sua estadia na Grécia e despachavam para a Alemanha tudo aquilo a que conseguiam deitar a mão: alimentos, produtos industriais, equipamento industrial, mobiliário, objectos artísticos provenientes de colecções valiosas, pinturas, tesouros arqueológicos, relógios, jóias, e até os puxadores das portas de algumas casas. A produção completa das minas gregas de pirites, minério de ferro, crómio, níquel, manganésio, magnesite, bauxite e ouro foi enviada para a Alemanha. James Schafer, um executivo do petróleo americano que trabalhava na Grécia, resumiu a situação: “Os alemães estão a saquear tanto quanto conseguem, tanto abertamente como forçando os gregos a vender em troca de marcos de papel sem valor, emitidos localmente” (Mazower p.24). Mussolini queixou-se ao seu ministro dos negócios estrangeiros, o conde Ciano: “Os alemães roubaram até os cordões dos sapatos aos gregos ” (Ciano p.387).</p>
<p>O saque completo do país, a hiperinflação gerada pela impressão descontrolada de Marcos de Ocupação pelos comandantes locais alemães e o consequente colapso económico do país provocaram uma fome devastadora. Para além de alimentar os 200000 a 400 000 soldados de ocupação do Eixo estacionadas na Grécia, o país foi forçado a fornecer os que estavam envolvidas nas operações militares no Norte de África. Frutos, vegetais, gado, cigarros, água e até frigoríficos foram enviados do porto grego do Pireu para portos líbios (Iliadakis p. 75). A Cruz Vermelha Internacional e outras fontes estimaram que entre 1941 e 1943 pelo menos 300 000 gregos morreram de fome (Blytas p. 344, Doxiadis p.37, Mazower p.23).</p>
<p>A Alemanha e Itália impuseram à Grécia somas exorbitantes como despesas de ocupação para cobrir não apenas os custos de ocupação mas também para suportar os esforços de guerra alemães no Norte de África. Como percentagem do produto nacional bruto, estas somas foram muito superiores aos custos de ocupação suportados pela França (apenas um quinto dos que foram pagos pela Grécia), Holanda, Bélgica, ou Noruega. Ghigi, o plenipotenciário italiano na Grécia, disse em 1942, “A Grécia está completamente exaurida” (Mazower p. 67). Num acto de abuso de poder, as autoridades de ocupação forçaram o governo de Tsolakoglou a pagar indemnizações aos cidadãos alemães, italianos e albaneses que residiam na Grécia ocupada por prejuízos, presumivelmente ocorridos durante as operações militares. Os cidadãos italianos e albaneses receberam somas equivalentes a 783 080 dólares e 64 626 dólares, respectivamente! (Iliadakis p. 96). A Grécia, que foi destruída pelo Eixo, foi forçada a pagar a cidadãos dos seus inimigos por alegados danos que não foram provados.</p>
<p>Para além das despesas de ocupação, a Alemanha obteve à força um empréstimo da Grécia (empréstimo de ocupação) de 3500 milhões de dólares. O próprio Hitler conferiu carácter legal (inter-governamental) a este empréstimo e deu ordens para começar o processo de pagamento. Depois do fim da guerra, na reunião de Paris em 1946, foram atribuídos à Grécia 7100 milhões de dólares (dos 14000 pedidos) como reparações de guerra.</p>
<p>A Itália pagou à Grécia a sua quota-parte do empréstimo de ocupação, e tanto a Itália como a Bulgária pagaram as reparações de guerra à Grécia. A Alemanha pagou as reparações de guerra à Polónia, em 1956, sob pressão dos EUA e do Reino Unido; pagou também reparações de guerra à Jugoslávia em 1971 (para aplacar Tito e evitar que ele aderisse ao Bloco Soviético). A Grécia exigiu o pagamento da Alemanha em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987, e em 1995 (após a reunificação da Alemanha). Antes da unificação da Alemanha, utilizando o acordo de Londres de 27 de Fevereiro de 1953, a Alemanha Ocidental evitou o pagamento das obrigações decorrentes do empréstimo de ocupação e das reparações de guerra, usando o argumento que nenhum “tratado de paz final” tinha sido assinado. Em 1964, o chanceler alemão Erhard prometeu o pagamento do empréstimo após a reunificação da Alemanha, que ocorreu em 1990. A revista alemã Der Spiegel escreveu, em 23 de Julho de 1990, que o acordo “Dois-Mais-Quatro” (assinado entre as duas Alemanhas e as quatro potências mundiais EUA, URSS, Reino Unido e França), ao preparar o caminho para a unificação alemã, fazia desaparecer o pesadelo dos pedidos de reparações que poderiam ser exigidos por todos os que tivessem sido prejudicados pela Alemanha, caso tivesse sido assinado um “tratado de paz”.</p>
<p>Esta afirmação do “Der Spiegel” não tem nenhuma base legal, mas é um reconhecimento dos estratagemas usados pela Alemanha para recusar um acordo com a Grécia (ver também o “The Guardian” de 21 de Junho de 2011). A mesma revista, em 21 de Junho de 2011, cita um historiador económico, Dr. Albrecht Ritschl, que aconselha a Alemanha a tomar uma atitude mais moderada na crise europeia de 2008-2011, uma vez que poderia enfrentar renovadas e justificadas exigências de reparações.</p>
<p><em>Os indicadores do valor actual das dívidas alemãs à Grécia são os seguintes: com base na taxa média de juros das Obrigações do Tesouro dos EUA desde 1944, que é cerca de 6%, estima-se que o valor actual do empréstimo de ocupação seja de 163,8 mil milhões dólares e o valor da reparação de guerra seja de 332 mil milhões de dólares.</em></p>
<p>O economista francês e consultor do governo, Jacques Delpla, declarou, em 2 de Julho de 2011, que a Alemanha deve à Grécia 575 mil milhões de euros devido a obrigações decorrentes da Segunda Guerra Mundial (Les Echos, sábado, 2 de julho, 2011).</p>
<p>Os alemães não levaram apenas “os cordões dos sapatos” aos gregos. Durante a Segunda Guerra, a Grécia perdeu 13% da sua população como resultado directo da guerra (Doxiadis p 38, Illiadakis p 137). Em resultado da resistência à invasão do país, quase 20.000 combatentes gregos foram mortos, mais de 100 mil foram feridos ou sofreram queimaduras com o gelo e cerca de 4.000 civis pereceram em ataques aéreos. Mas estes números são irrisórios quando comparados com a perda de vidas humanas durante a ocupação.</p>
<p>De acordo com estimativas moderadas, as mortes decorrentes directamente da guerra ascendem a cerca de 578 mil (Sbarounis p. 384). Estas mortes foram o resultado da fome persistente, causada pelo saque e pelas políticas económicas do Eixo e pelas atrocidades cometidas tanto como represálias, como por resposta à resistência ou como meio para aterrorizar a população grega. Os números acima não incluem as mortes que ocorreram após o fim da guerra devido a doenças como a tuberculose (400.000 casos) e a malária, desnutrição persistente, ferimentos e más condições de vida, todas elas resultado directo das condições de guerra. <em>Assim, na Segunda Guerra Mundial a Grécia perdeu tantas vidas, sobretudo homens desarmados, mulheres e crianças, como os EUA e o Reino Unido juntos.</em></p>
<p>A maioria das atrocidades cometidas pelos alemães na Grécia teve origem diretamente em duas ordens vindas das mais altas esferas do Terceiro Reich. Uma primeira, decidida pelo próprio Hitler, ordenava que se se suspeitasse que uma residência tinha sido usada pela resistência devia ser incendiada juntamente com os habitantes. A segunda ordem, assinada pelo marechal Wilhelm Keitel, especificava que, por cada alemão morto, um mínimo de 100 reféns seriam executados e por cada alemão ferido, 50 gregos morreriam (Payne 458ff, pp 189-190 e Goldhagen pp 367-369, Blytas pp 418-419).</p>
<p>As primeiras execuções em massa tiveram lugar em Creta, antes de esta ser tomada pelos alemães. Em 1945, sob os auspícios das Nações Unidas, um comité liderado por Nikos Kazantzakis enumerou a destruição de mais de 106 povoações de Creta e o massacre dos seus habitantes (ver sobre o <a href="http://www.greece.org/blogs/wwii/?page_id=197">massacre de Kontomari</a> [inglês]). Durante a ocupação, os alemães assassinaram a população de 89 aldeias e vilas gregas (ver sobre o <a href="http://www.greece.org/blogs/wwii/?page_id=211">massacre de Distomo</a> [inglês]), enquanto mais de 1.700 povoações foram total ou parcialmente queimadas e muitos dos seus habitantes também foram executados (ver <a href="http://www.greece.org/blogs/wwii/?page_id=216">Holocausto Grego</a> [inglês]). Às vítimas gregas do reino de terror alemão devem ser acrescentados 61.000 judeus gregos que, juntamente com 10.000 cristãos, foram deportados para campos de concentração de onde a maioria nunca voltou (Blytas p.429 and p. 446).</p>
<p>Outro aspecto da ocupação grega foi o saque sistemático dos muitos museus gregos, tanto sob as ordens das autoridades de ocupação, como em resultado da iniciativa de oficiais que ocupavam posições de comando. Os nomes do general von List, comandante do 12º Exército, do General Kohler, do comando de Larissa, e do general Ringel, dos comandos de Iarakleio e de Cnossos, são associados ao desaparecimento de importantes tesouros arqueológicos. List foi responsável por aceitar como presente a escultura de uma cabeça esplêndida do século IV a.C., enquanto que Ringel enviou para a Áustria várias caixas de antiguidades da histórica Vila Adriana, assim como caixas contendo pequenos objectos do Museu de Cnossos. “Roubos sancionados oficialmente” foram registados nos museus de Keramikos, Chaeronea, Museu de S. Jorge em Tessalónica, Gortynos, Irakleio, Pireu, Skaramangas, Faistos, Kastelli Kissamou, Larissa, Corinto, Tanagra, Megara, Tebas e muitos outros (Blytas p. 427). O que é especialmente trágico é que, em muitos destes saques, conhecidos arqueólogos alemães forneceram orientação especializada aos perpetradores. E embora muitas destas antiguidades tenham sido devolvidas à Grécia em 1950, a maior parte das peças de museu roubadas nunca foram encontradas.</p>
<p>Em Creta e noutros sítios, os comandantes alemães locais ordenaram a escavação e o saque de muitos sítios arqueológicos. Estas escavações foram levadas a cabo por arqueólogos alemães, enquanto os arqueólogos gregos, curadores e inspectores de museus foram proibidos de interferir, normalmente sob a forma de ameaças que não podiam ignorar.</p>
<p><em>Solicitamos que o governo alemão honre as suas obrigações há muito atrasadas para com a Grécia, através do pagamento do empréstimo de ocupação que obteve à força e pelo pagamento das reparações de guerra proporcionais aos danos materiais, atrocidades e pilhagens feitas pela máquina de guerra </em></p>
<p>translated by – traduzido por: Blog Aventar – visite o site português Blog <a href="http://aventar.eu/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial/#more-1130238">Aventar</a></p>
<p>Assine a <a href="http://www.greece.org/blogs/wwii/">petição</a></p>
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		<title>Como um grego ensina a um alemão a História das dívidas</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 22:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Ferrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis. Ambas foram traduzidas pelo Sérgio Ribeiro e encontrei uma versão em inglês. Esta troca de correspondência já data de 2010. Georgios conta-nos aquilo que toda a imprensa europeia cala. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Um cidadão alemão escreveu uma carta aberta aos gregos, publicada na revista Stern. Um grego, Georgios P. Psomas respondeu-lhe pondo os pontos em todos os iis.</p>
<p>Ambas foram traduzidas pelo Sérgio Ribeiro e encontrei uma versão em inglês. Esta troca de correspondência  já data de 2010. Georgios conta-nos aquilo que toda a imprensa europeia cala. Merece ser lida, sobretudo por todos aqueles que têm tratado os gregos como culpados de tudo, incluindo o pecado original. e vou aqui transcrever os dois textos.</em>
<p align="right"><a href="http://aventar.eu/2011/11/07/como-um-grego-ensina-a-um-alemao-a-historia-das-dividas/">João José Cardoso</a></p>
<p><center><br />
<hr width="50%"></hr>
<p></center></p>
<blockquote><h4>Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia</h4>
<p>OS GREGOS, QUE PRIMEIRO FIZERAM ALQUIMIAS COM O EURO, AGORA, EM VEZ DE FAZEREM ECONOMIAS, FAZEM GREVES</p>
<p>Caros Gregos,</p>
<p>Desde 1981 que pertencemos à mesma família.</p>
<p>Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.</p>
<p>Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.</p>
<p>Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos.</p>
<p>O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.</p>
<p>No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.</p>
<p>Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos, e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.</p>
<p>Os Gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.</p>
<p>Porém, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante!!!</p>
<p align="right">Walter Wuelleenweber</p>
</blockquote>
<h4>Resposta de Georgios Psomás</h4>
<blockquote><p>Caro Walter,</p>
<p>Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não &#8220;empregado público&#8221; como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.</p>
<p>O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!&#8230; não vás pensar que é por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.</p>
<p>Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.</p>
<p>A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes &#8220;comissões&#8221; aos nossos políticos, para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso que, postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.</p>
<p>Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, de JUSTIÇA e do CORRECTO.</p>
<p>Estimado Walter,</p>
<p>Passou mais de meio século desde que a 2.ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.</p>
<p>Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:</p>
<p>1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães em indemnizações, e que ficou por pagar da 1.ª Guerra Mundial;</p>
<p>2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.</p>
<p>3. Os empréstimos em obrigações que contraiu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.</p>
<p>4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoações inteiras, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.</p>
<p>5. As icomensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38.960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., etc.).</p>
<p>6. A tremenda e incomensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.</p>
<p>Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento.</p>
<p>Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.</p>
<p>Amigo Walter: na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as quais têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.</p>
<p>Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por aí vos vai obrigar a baixar o vosso nível de vida, perder os vossos carros de luxo, as vossas férias no estrangeiro, as vossas excursões sexuais à Tailândia?</p>
<p>Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes &#8220;compatriotas&#8221; da Eurozona) pretendem que saiamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.</p>
<p>Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que só jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.</p>
<p>E, finalmente, Walter, devemos &#8220;acertar&#8221; um outro ponto importante, já que vocês também são devedores da Grécia:</p>
<p>EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM!!!</p>
<p>Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.</p>
<p>E EXIJO QUE SEJA AGORA!! Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.</p>
<p>Cordialmente,</p>
<p align="right">Georgios Psomás</p>
</blockquote>
<p><a href="http://aventadores.files.wordpress.com/2011/11/greecefightsonbig.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-4969" src="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/11/greecefightsonbig-223x300.jpg" alt="Cartaz americano de apoio à Grécia durante a II Guerra Mundial" width="223" height="300" /></a></p>
<p>Cartaz americano de apoio à Grécia durante a II Guerra Mundial.</p>
<p>Tradução de <a href="http://anonimosecxxi.blogspot.com/2011/11/quem-deve-o-que-quem.html?spref=fb">Sérgio Ribeiro</a>, publicada originalmente no anónimo séc. XXI.</p>
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		<title>William Engdahl &#8211; Seeds of destruction</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Nov 2011 18:45:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Ferrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[This people has now created a new artificial pseudo-science called genetics (and genetic manipulation of plants and animals). They have a name: is the Rockefeller Foundation. Genetically Modified Organism (GMO) today is a danger to human life on this planet more dangerous, in my estimation, than nuclear holocaust. William Engdahl Lecture in the Vatican]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>This people has now created a new artificial pseudo-science called genetics (and genetic manipulation of plants and animals). They have a name: is the Rockefeller Foundation. Genetically Modified Organism (GMO) today is a danger to human life on this planet more dangerous, in my estimation, than nuclear holocaust.</em><br />
William Engdahl Lecture in the Vatican</p>
<p><object width="450" height="338"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/siaajlCPnes?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/siaajlCPnes?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="338" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Levitação quântica</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Oct 2011 17:50:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
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		<category><![CDATA[fisica]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="480" height="270"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Ws6AAhTw7RA?version=3&#038;feature=oembed"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Ws6AAhTw7RA?version=3&#038;feature=oembed" type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="270" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Steve Jobs &#8211; 1955-2011</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 07:14:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Ferrão</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="450" height="338"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/66f2yP7ehDs?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/66f2yP7ehDs?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="450" height="338" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>O Dia Mundial do Professor (UNICEF)</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Oct 2011 10:14:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Ferrão</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aproveitemos o 5 de Outubro, que é feriado em Portugal por conta da república, para recordar a acção dos Professores em todo o mundo. O nosso país, por exemplo, havia de passar muito melhor sem a república, do que sem os professores. http://www.unicef.org/education/index_21889.html]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aproveitemos o 5 de Outubro, que é feriado em Portugal por conta da república, para recordar a acção dos Professores em todo o mundo.<br />
O nosso país, por exemplo, havia de passar muito melhor sem a república, do que sem os professores.</p>
<p>http://www.unicef.org/education/index_21889.html</p>
]]></content:encoded>
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		<title>O meu cinco de Outubro</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Oct 2011 09:18:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>José Ferrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[A p&#8230; da república conseguiu derrubar a monarquia cavalgando a indignação popular contra a capitulação do mapa cor-de-rosa. Nunca recuperou um único centímetro do mapa e o máximo que conseguiu foi festejar um século de existência capitulando a maior herança que herdou da História que foi a LÍNGUA PORTUGUESA. Ironia das ironias, hoje em dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A p&#8230; da república<br />
conseguiu derrubar a monarquia<br />
cavalgando a indignação popular<br />
contra a capitulação do mapa cor-de-rosa.<br />
Nunca recuperou um único centímetro do mapa<br />
e o máximo que conseguiu<br />
foi festejar um século de existência<br />
capitulando a maior herança<br />
que herdou da História<br />
que foi a LÍNGUA PORTUGUESA.<br />
Ironia das ironias,<br />
hoje em dia os únicos dois Estados<br />
que ainda NÃO ASSINARAM<br />
o repto linguístico<br />
que meteu o recto no reto<br />
são os territórios que ligavam o mapa cor-de-rosa<br />
e o &#8220;nosso&#8221; escudo<br />
foi deportado para as ilhas de Cabo Verde.<br />
Não sei o que serei nos outros dias<br />
mas neste 5 de Outubro<br />
EU É QUE NÃO SOU REPUBLICANO.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>vôo espacial noturno</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Sep 2011 19:42:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Astronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[ciências]]></category>

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		<description><![CDATA[Um vídeo do sobrevoo noturno das Américas a bordo da estação espacial (fonte). Não hesitem em aumentar a definição e ampliar o vídeo para cobrir todo o ecrã.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um vídeo do sobrevoo noturno das Américas a bordo da estação espacial (<a href="http://www.universetoday.com/88998/amazing-timelapse-video-from-the-space-station/">fonte</a>). Não hesitem em aumentar a definição e ampliar o vídeo para cobrir todo o ecrã.</p>
<p><object width="360" height="270"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/74mhQyuyELQ?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/74mhQyuyELQ?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="360" height="270" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
]]></content:encoded>
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		<title>11 de Setembro de 2001</title>
		<link>http://ferrao.org/2011/09/11-de-setembro-de-2001/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Sep 2011 08:33:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>António Ferrão</dc:creator>
				<category><![CDATA[11 de Setembro]]></category>
		<category><![CDATA[NATO]]></category>
		<category><![CDATA[guerra]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>

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		<description><![CDATA[Desde há dez anos que: 1. Começou a maior operação de encobrimento oficial de um crime exibindo todas as facetas de uma organização com acesso a grandes meios financeiros e militares. 2. Todos os governos do mundo foram sequestrados e passaram a governar subjugados pelo medo. 3. Os tribunais foram demitidos da sua função. Passaram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desde há dez anos que:<br />
1. Começou a maior operação de encobrimento oficial de um crime exibindo todas as facetas de uma organização com acesso a grandes meios financeiros e militares.<br />
2. Todos os governos do mundo foram sequestrados e passaram a governar subjugados pelo medo.<br />
3. Os tribunais foram demitidos da sua função. Passaram a elemento decorativo na ordem social.<br />
4. A NATO foi instrumentalizada e rasgou os seus estatutos.<br />
5. A ONU abdicou de defender o direito internacional das nações; eclisou-se.<br />
6. A guerra expansionista pelo controlo das matérias primas tomou conta das relações entre os países. Sucumbiram o Afeganistão, a Palestina. o Iraque, a Líbia, o Congo&#8230; Outros países aguardam a sua vez.</p>
<p>Esta situação subsiste hoje. Vozes avulsas, discordantes, foram descartadas. Políticos críticos foram silenciados. A soberania das nações foi reduzida a retórica.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os problemas de Portugal, e como os resolver</title>
		<link>http://ferrao.org/2011/08/os-problemas-de-portugal-e-o-como-os-resolver/</link>
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		<pubDate>Fri, 26 Aug 2011 15:52:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educação]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
		<category><![CDATA[professores]]></category>
		<category><![CDATA[crise económica]]></category>

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		<description><![CDATA[pdf, epub Recentemente li o livro do Vitorino Magalhães Godinho (VMG), “Os problemas de Portugal, os problemas da Europa”, que é para mim um bom exemplo do pensamento e discurso político demasiado convencional que oiço entre muitos europeus. Eu não quero discutir diretamente o livro, mas escrever o que penso da situação de Portugal, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><a href="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/problemas_portugal.pdf">pdf</a>, <a href="http://www.2shared.com/file/9M269pj_/problemas_portugal.html">epub</a></p>
<p>Recentemente li o livro do Vitorino Magalhães Godinho (VMG),<a href="http://www.edi-colibri.pt/Detalhes.aspx?ItemID=1334"> “Os problemas de Portugal, os problemas da Europa”</a>, que é para mim um bom exemplo do pensamento e discurso político demasiado convencional que oiço entre muitos europeus. Eu não quero discutir diretamente o livro, mas escrever o que penso da situação de Portugal, e de como é que se poderia resolver os seus problemas. Quando for apropriado, mencionarei em que é que estou ou não de acordo com o VMG. Não vou falar da Europa, que acho ser um problema diferente, que pode ficar para uma próxima discussão sobre o funcionamento da democracia e das suas estruturas.</p>
<p>Mas antes de começar alguns comentários gerais sobre o livro. Acho que o VMG propõe muitos conselhos por vezes demasiado gerais para serem úteis, ou que são soluções a problemas imaginados mais do que aos problemas reais. Por exemplo, a imigração não é um problema para Portugal, e acho que ele passa demasiado tempo a discutir sobre isso, ainda para mais para propor soluções que não o são. Mais grave, ele discute pouco do que a meu entender são os verdadeiros problemas do país, e avança poucas soluções que me pareçam razoáveis.</p>
<p>Por fim acho que o seu ponto de vista é demasiado provincial, conservador e xenófobo (rejeição do acordo ortográfico, islamofobia, os seus pontos de vista sobre a Rússia e a Turquia, etc).</p>
<p>Por outro lado, é claro que há muitos aspetos nos quais estou de acordo com ele, mas acho que isso não ajuda, porque não estamos de acordo com o que me parece essencial.</p>
<p><strong>Definição do problema português</strong></p>
<p>O problema de Portugal é que é um país pobre. O estado é pobre, e os portugueses são pobres. Os portugueses são pobres porque não se conseguiu criar fontes de rendimento suficientes. No mundo atual, as fontes de rendimento que permitem a existência de uma classe média sã proveem de empregos nos sectores industriais e terciários bem remunerados. Ora para que estes existam, têm de existir companhias com altos rendimentos que os ofereçam, o que não é o caso em Portugal.</p>
<p>Porque é que estas companhias não existem? Porque não foram reunidas as condições para que elas sejam criadas ou se instalem no país. Para perceber porquê, acho que é necessário ter uma perspetiva histórica.</p>
<p>Nos últimos séculos, Portugal tem sempre sido um país profundamente reacionário, arrastado pelas contingências internacionais para a modernidade, em vez de tomar a iniciativa de si próprio. Portugal conservou a Inquisição muito mais tempo do que outros países da Europa, e a Igreja e a monarquia travaram os movimentos liberais que transformaram o resto da Europa ocidental. No início do século XX, Portugal falhou a sua democratização, e o país ficou paralisado durante cinquenta anos com uma ditadura que se esmerou em manter a população dócil e deseducada, para além de continuar a desbaratar as suas forças em guerras coloniais, em vez de desenvolver o país.</p>
<p>De maneira que foi só em 1974, quando o país livrou-se da ditadura e das guerras coloniais, que Portugal teve uma verdadeira oportunidade de se desenvolver de uma maneira normal. Desde então Portugal beneficiou de muitas vantagens: integrou a união europeia, o que lhe deu acesso a um enorme mercado, e a investimentos maciços e com condições vantajosas. Deixou de necessitar manter um exército caro, e longo serviço militar.</p>
<p>Apesar de todas estas vantagens, o que vemos em 2011, 37 anos depois da revolução, é que o país continua com uma economia anémica, a que se adiciona agora uma dívida cada vez maior e uma taxa de desemprego crescente. Portugal nunca se transformou num país desenvolvido. As condições de vida melhoraram imensamente (saúde, transportes, etc), mas esses avanços foram financiados por ajuda externa e crédito barato, em vez de provir de fundos próprios. Os fundamentais económicos continuam desastrosos, porque Portugal é incapaz de criar suficiente riqueza para financiar os serviços normais de um país desenvolvido.</p>
<p>O que é que falhou? Quais foram os erros? Acho que para o compreender, é necessário comparar o desempenho de Portugal com os de outros países de tamanho e situação análogos durante este espaço de tempo, para compreender as trajetórias diferentes que eles tomaram.</p>
<p>Tomarei como referência dois países asiáticos: a Coreia do Sul e Taiwan. A Coreia do Sul tem uma população de 49 milhões de habitantes, enquanto que Taiwan tem 23 milhões. Se bem que tenham uma maior população do que Portugal, ainda estão na mesma escala, o que os torna interessantes. Também poderia utilizar a Finlândia, que tem metade da população de Portugal, e que é também um país muito periférico. Mas a Finlândia é talvez um exemplo menos claro, pois já estava mais desenvolvida que Portugal há 30 anos.</p>
<p>Aqui está a evolução do produto nacional bruto por pessoa de Portugal, Coreia do Sul e Taiwan:</p>
<p><a href="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/gráfico12.png"><img class="alignnone size-full wp-image-4861" src="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/gráfico12.png" alt="" width="600" height="371" /></a></p>
<p>À primeira vista parece que os três países têm uma trajetória comparável, já que o produto interior bruto por pessoa cresce para os três países durante estes trinta anos. Mas essa ideia é enganosa. Comparemos a evolução do produto nacional bruto por pessoa de Taiwan e Coreia do Sul em relação ao produto nacional bruto por pessoa de Portugal:</p>
<p><a href="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/gráfico2.png"><img class="alignnone size-full wp-image-4863" src="http://ferrao.org/wordpress/wp-content/uploads/2011/08/gráfico2.png" alt="" width="600" height="371" /></a></p>
<p>Vemos que enquanto que em 1980 o produto nacional bruto por pessoa em Portugal era mais do que o dobro do da Coreia do Sul, e significativamente mais elevado do que o de Taiwan, em 2010 Portugal tinha sido largamente ultrapassado por estes dois países. Taiwan demorou dez anos a ultrapassar Portugal, enquanto que a Coreia do Sul precisou de 20 anos para o fazer.</p>
<p>A segunda observação é que nos últimos dez anos a tendência acelerou-se, e o atraso de Portugal para com estes países é cada vez mais gritante. De maneira que nem é preciso falar de convergência entre Portugal e as economias mais desenvolvidas da Europa, Portugal nem sequer consegue convergir com países outrora muito mais atrasados e subdesenvolvidos.</p>
<p>É importante qualificar o crescimento destes dois países: enquanto que muitos países do terceiro mundo crescem rapidamente à custa de uma desagregação da sociedade que as torna cada vez mais desiguais e desequilibradas, resultando em violências, criminalidade e instabilidade política. Uma maneira de avaliar as desigualdades económicas no seio de um país é o índice de Gini, que compara os rendimentos dos 10% de população mais pobres aos 10% mais ricos. O índice varia de 0 (total igualdade) a 1 (total desigualdade). Taiwan e a Coreia do Sul têm um índice de Gini de 0.33 e 0.32 respetivamente, enquanto que Portugal obtém 0.38. Para dar uma perspetiva, estes são os índices de outros países de referência (Finlândia: 0.27, Alemanha: 0.27, França: 0.33, EUA: 0.45, Brasil: 0.57)</p>
<p>Ou seja, Taiwan e a Coreia do Sul conseguiram obter níveis de crescimento estrondosos e ao mesmo tempo manter a sociedade bastante egalitária, e em todo o caso mais equilibradas do que a portuguesa.</p>
<p>No entanto a Coreia e Taiwan têm muitas desvantagens em relação a Portugal:</p>
<ul>
<li> isolados politicamente: enquanto que Portugal está integrada no mercado europeu e recebeu muitos apoios financeiros ao seu desenvolvimento, Taiwan nem sequer tem o reconhecimento político da maior parte dos países do mundo, o que obriga por exemplo o país a conservar um fundo de reservas que é o quinto maior do mundo, já que por exemplo não tem acesso a mecanismos internacionais como o FMI (do qual foi expulso em 1980).</li>
<li> isolados geograficamente: Taiwan é uma ilha, e a Coreia do Sul é na prática uma ilha, já que toda comunicação por terra é cortada pela Coreia do Norte. Portugal está no espaço geográfico da Europa ocidental, à qual tem acesso por mar e por terra</li>
<li> enquanto que Portugal não tem problemas de segurança nacional, e portanto não tem de fazer investimentos pesados num exercito, a Coreia do Sul e Taiwan têm gravíssimos problemas de segurança, já que a Coreia do Sul está tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte, e Taiwan é considerada pela China como parte do seu território. Em consequência, ambos os países têm de manter longos anos de conscrição e pesados investimentos militares.</li>
</ul>
<p>Portanto ao princípio dos anos 80, Portugal era mais rico, e tinha condições mais vantajosas de desenvolvimento, e no entanto tem-se desenvolvido de maneira muito vagarosa (e à custa de uma importante ajuda externa, e contraindo défices e dívida).</p>
<p>Esta situação desastrosa mostra que para resolver os problemas de Portugal não temos de encontrar soluções novas, mas sim de simplesmente aplicar soluções que já foram utilizadas por outros países, como Taiwan e Coreia do Sul.</p>
<p>Com isto não quero dizer que os Portugueses deveriam transformar-se em Coreanos ou Taiwaneses, e copia-los a todos os pontos de vista. Estes dois países têm os seus próprios problemas. Por exemplo, a cultura escolar coreana é tão competitiva que obriga crianças a estudar da manhã à noite para ter uma oportunidade de integrar uma universidade prestigiosa. A enorme pressão e stress que sofrem os jovens coreanos é praticamente uma violação dos seus direitos humanos, e resulta numa das mais altas taxas de suicídio de jovens no mundo. Graças a este regime, os estudantes coreanos estão entre os melhores, segundo os testes comparativos do programa de avaliação PISA, mas o seu desempenho é comparável ao dos estudantes finlandeses, que seguem um ritmo escolar muito mais respeitoso da necessidades e faculdades da criança.</p>
<p>Ou seja, temos de estudar os casos taiwaneses e coreanos com um espírito crítico, mas também sem ideias preconcebidas.</p>
<p><strong>Soluções para o problema</strong></p>
<p>Como é que a Coreia e Taiwan fomentaram o seu desenvolvimento? Ambos os países são demasiado pequenos para terem um crescimento endogéneo. Portanto ambos optaram por desenvolver uma economia aberta para o exterior, com altos níveis de exportação.</p>
<p>O mesmo se aplica para Portugal. Portugal não pode crescer em autarcia. Para se desenvolver, tem criar uma economia virada para o exterior. Em vez de estar limitada pela pequenez do seu mercado nacional, a economia portuguesa tem de crescer a vender produtos e serviços a mercados muito mais amplos, que possam suster o seu crescimento.</p>
<p>Na realidade, até países gigantes como a China e a Índia acabaram por aceitar que só se podem desenvolver participando na economia mundial. A Índia tentou desenvolver-se sozinha durante décadas, que resultaram em estagnação e corrupção. Se nem a Índia o pode fazer, com o enorme mercado interior de que dispõe, quanto mais Portugal.</p>
<p>Portanto não há escolha: para que Portugal seja um país desenvolvido, é imprescindível que venda para fora. Ora vender para fora implica ser competitivo, nenhum estrangeiro vai comprar produtos ou serviços portugueses de maneira preferencial. Ou seja, para que Portugal seja um país desenvolvido, tem de ter uma economia eficaz e competitiva.</p>
<p>Não é obrigatório para um país ser competitivo e aberto para o estrangeiro. Um país pode perfeitamente ficar fechado (o que Portugal já fez durante o salazarismo). O problema é que os portugueses querem viver num país desenvolvido em termos de serviços de saúde, educação e infraestruturas. Os problemas de dívida do país e dos portugueses vem do desajuste entre o que os portugueses querem, e o que a economia portuguesa permite.</p>
<p>Mas o que significa ser competitivo? Para se vender para fora, só há duas opções: ou se vende o que toda a gente vende, mas mais barato do que os outros, ou então vende-se mais caro o que os outros não podem fornecer.</p>
<p>Vender mais barato só é possível se a mão de obra é a mais barata, ou se a produtividade é mais alta. Portugal não pode concurrenciar a China no preço da sua mão de obra. Na realidade, a mão de obra da China está a encarecer, mais há muitos outros países com mão de obra muito mais barata do que Portugal pode propor. Portanto essa solução não é possível para Portugal.</p>
<p>Portanto Portugal só pode vender ao estrangeiro se tiver uma alta produtividade, ou se vender o que os outros não podem vender. Ambas as soluções exigem um alto nível de desenvolvimento e investimento técnico, que é o que faz falta em Portugal.</p>
<p>O que é que a Coreia e Taiwan, que não têm recursos naturais próprios, fizeram para vender produtos e serviços para fora?</p>
<p><strong>1 &#8211; Participação ativa do estado no desenvolvimento económico</strong></p>
<p>Em ambos os países, o estado tomou a iniciativa em criar e favorecer indústrias. Por exemplo, os coreanos lançaram-se nos estaleiros navais, carros, etc, enquanto que os Taiwaneses apostaram na fabricação de material eletrónico. Cada uma destas políticas foi claramente definida e coordenada.</p>
<p>Portugal nunca teve um programa de desenvolvimento industrial claro, à parte construir infraestrutura. Isto é a razão principal do falhanço económico português.</p>
<p><strong>2 &#8211; Cooperar e favorecer a iniciativa privada</strong></p>
<p>Nos dois países asiáticos, o desenvolvimento industrial foi fomentado pelo governo, mas com vista de constituir um tecido de companhias privadas. Tanto na Coreia como em Taiwan, a economia é dominada por companhias privadas. O governo só deve iniciar e orientar o desenvolvimento de companhias que exportam serviços ou produtos, mas não conservar a sua propriedade. A razão disso é que só as companhias privadas têm a flexibilidade de reagir às constantes evoluções do mercado mundial, enquanto que uma companhia propriedade do estado será muito mais lenta a reagir, e o estado terá muito mais dificuldade em que ela entre em falência, caso já não seja competitiva, ocasionando enormes custos para o contribuinte, e impedindo a mutação da economia.</p>
<p>Isto é o que aconteceu em muitos antigos países industriais, que esbanjaram milhões e milhões para ajudar indústrias siderúrgicas ou têxteis que já não eram competitivas no mercado mundial. Não só isso não salvou essas indústrias, mas ainda por cima destruiu a capacidade de reagir dessas economias, habituadas a subsídios e pressões políticas para sobreviver apesar de já não ser viáveis.</p>
<p><strong>Política industrial, nacionalizações e privatizações</strong></p>
<p>Diz-se que os governos estão cada vez mais impotentes, e que o mundo é dirigido por grandes interesses capitalistas. Isso é totalmente errado, e a Coreia e Taiwan o demonstram claramente. O estado pode melhorar o nível de educação das pessoas, e também pode orientar o desenvolvimento económico.</p>
<p>Na Coreia e em Taiwan, o estado nunca avançou sozinho nas suas políticas industriais, antes pelo contrário, teve um papel de fomento e incitante. Criou um quadro legislativo favorável à industria que desejava desenvolver, deu-lhe as infraestruturas e qualificação de mão de obra necessárias, e até criou companhias públicas quando ainda não existiam companhias privadas. Mas o objetivo sempre foi de ajudar a iniciativa privada, e vender as companhias que criou, uma vez que estas ficaram viáveis.</p>
<p>Muitas vezes, parece-me que o debate entre nacionalizações e privatizações está mal colocado. O estado certamente não tem vocação para controlar companhias que vendem para o exterior, por que tem falta de flexibilidade para manter a companhia competitiva. A vantagem do estado é que tem os meios, os recursos para iniciar uma industria, e desenvolver planos a longo prazo sem ser constrangido por questões de rentabilidade imediata.</p>
<p>O estado também deve ter em carga todos os serviços que não podem ser fornecidos num mercado aberto.</p>
<p>Por exemplo, não faz sentido privatizar o fornecimento de água, se o utilizador não pode escolher a companhia que lhe fornece a água. Substitui-se então um serviço público por um monopólio. Da mesma forma, não faz sentido privatizar a criação e manutenção de linhas de caminhos de ferro, porque qualquer companhia que queira utilizar uma linha para os seus comboios não tem outra escolha do que pagar o preço que é exigido, não há verdadeira concorrência, não é um mercado aberto.</p>
<p>Em relação aos caminhos de ferro, o estado poderia manter a gestão da infraestrutura, e vender a utilização dessa infraestrutura a companhias que oferecem serviços de frete e transporte de passageiros.</p>
<p>Da mesma forma, não faz sentido privatizar serviços de saúde que são por natureza deficitários, e aos quais as pessoas não têm outra escolha que recorrer, sobre pena de afetar a sua saúde. Uma oferta de saúde privada pode perfeitamente existir, a partir do momento em que é garantido um acesso à saúde para todos.</p>
<p>Mas mesmo que seja legítimo que o estado tenha a propriedade e gestão de certas companhias e entidades económicas, é essencial que o máximo possível de operações sejam feitas por concursos abertos. O estado pode ter a propriedade dos caminhos de ferro, mas deve fazer um concurso público quando quer construir uma nova ponte, etc. O objectivo deve ser sempre de minimizar o encargo do estado, reduzir os gastos e corrupção, e favorecer o desenvolvimento de um tecido industrial competitivo. Uma companhia capaz de ganhar concursos nacionais estará mais bem posicionada para conquistar mercados estranjeiros, ao contrário de uma companhia que ganha o seu pão por corrupção e influência sobre políticos e funcionários públicos.</p>
<p>Portanto para mim as privatizações e nacionalizações não são posturas ideológicas mutuamente exclusivas, mas devem ambas ser utilizadas consoante as necessidades do sector implicado.</p>
<p>Para além da propriedade, o estado tem outras maneiras de regular as companhias, criando obrigações legais para uma boa governação, mesmo e sobretudo das companhias privadas. Os estados têm perfeitamente os meios de o fazer, ao contrário do que muitas vezes se diz. O estado estabelece legislação que rege o funcionamento do conselho de administração, o tipo de contratos que podem ser firmados, quais as garantias a respeitar para fazer investimentos. A famosa falta de poder não passa de uma desistência (ou ignorância) dos responsáveis políticos. Os exemplos da Coreia e de Taiwan mostram que os governos são perfeitamente capazes de enquadrar as companhias privadas a través de uma legislação apropriada.</p>
<p>O VMG está muito preocupado pela perda de controlo de companhias portuguesas para investidores estrangeiros, mas ele esquece-se que em vez de tentar impedir a compra e vendas de empresas, o governo deve implementar legislações que impõem uma boa governação, e impedem actos económicos predatórios. Se os chineses o conseguem fazer, porque não os portugueses? Ambos estão na organização mundial do comércio, portanto não deveria haver problema.</p>
<p>Mais importante do que impedir a venda de companhias a estrangeiros é garantir que o mercado continua a ser aberto, e evitar que ele se torne o monopólio de uma companhia, nacional ou não. Que as companhias sejam estrangeiras não muda nada, cabe ao estado criar a legislação que permita a boa saúde dos mercados.</p>
<p>O mesmo problema se põe em relação ao investimento estrangeiro. Cabe ao governo impor condições que permitam um investimento responsável e perene. Felizmente há um montão de investidores ansiosos de empenhar o dinheiro deles num sítio qualquer, o governo deve saber como captar essa fonte, desde que seja para projetos viáveis, e não para aumentar uma dívida cancerosa.</p>
<p><strong>3 &#8211; Criar uma força de trabalho altamente qualificada</strong></p>
<p>Na Coreia bem como em Taiwan, a educação da força de trabalho sempre foi uma prioridade do estado.</p>
<p>Para citar o exemplo de Taiwan, aqui vai uma cronologia da sua política de educação durante a segunda metade do século XX:</p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1965-68: escolaridade obrigatória foi prolongada de 6 a 9 anos. Criação prioritária de escolas profissionais orientadas para a indústria.</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1969-72: criação de mais escolas profissionais (orientadas para a indústria, enquanto que por exemplo a criação de escolas profissionais de enfermagem ou agricultura é desencorajada). O objetivo é de passar de um rácio de 1:1 alunos no ensino geral em relação ao ensino profissional para 3 alunos no profissional para 2 alunos no geral em 1977</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1972-76: é estabelecido o Instituto Taiwanês de Tecnologia. A criação de novas escolas de ensino geral é limitada, com o objetivo de obter 7 alunos no profissional para 3 alunos no ensino geral em dez anos. Nas universidades, favorecer o número de estudantes em ciência e tecnologia em relação às humanidades e ciências sociais.</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1976-81: obteve-se o rácio de 7:3 alunos profissional/ensino geral. Melhoria do qualidade de educação e currículo no ensino profissional</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1980-89: Amplificou-se o número de escolas técnicas superiores. Limitou-se a expansão de escolas de ensino geral. Favoreceu-se escolas técnicas especializadas em engenharia, agricultura, construção naval, eletrónica.</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1982-85: escolaridade obrigatória prolongada até 12 anos</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1986-89: Esforços na melhoria do ensino secundário. No ensino geral, favorecer a preparação à entrada na universidade, melhoria da qualidade do ensino profissional</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1990-93: expansão da educação superior, criação de institutos superiores especializados na tecnologia que oferecem cursos de 4 anos.</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>1991-96: harmonização da qualidade educativa entre as diversas regiões do país. Desenvolvimento de cursos e formações no sector terciário nas escolas profissionais e institutos técnicos (ensino de língua, comunicação, marketing, etc).</em></p>
<p>O que se vê é que o governo enquadrou de maneira muito forte a oferta de educação, impedindo ou controlando o desenvolvimento de escolas privadas de ensino geral, e favorecendo a criação de escolas profissionais orientadas para as necessidades económicas do momento, mas também para as necessidades antecipadas no futuro.</p>
<p>Em Portugal o ensino profissional foi descurado, a oferta de ensino geral e superior explodiu sem controlo suficiente do governo quanto à qualidade e adequação económica. O resultado mais dramático desta (falta de) política é a escassez de mão de obra altamente qualificada, que é a verdadeira tragédia de Portugal.</p>
<p>Portugal é um dos países da Europa com o mais alto número de jovens que terminam a sua educação sem qualquer diploma, e que são logo ao princípio dificilmente empregáveis. Ao mesmo tempo, mesmo empresas estrangeiras que se queiram instalar em Portugal têm imensos problemas em encontrar mão de obra altamente qualificada.</p>
<p>Portugal tem que tomar a sério a educação. Isto implica:</p>
<ol>
<li> pagar corretamente os professores</li>
<li>dar uma grande autonomia às escolas, para que estas possam desenvolver o seu programa, recrutar e despedir professores em função do seu desempenho. A análise da comparação dos diversos sistemas de ensino europeus avaliados pelo sistema PISA mostra que quanto mais as escolas têm autonomia e responsabilidade, melhor é o seu desempenho. Não serve de nada fazer uma avaliação dos professores, se ao mesmo tempo que não se deixa o diretor da escola criar um projeto pedagógico e reunir uma equipa que lhe permita por-lo em prática.</li>
<li>criar um verdadeiro percurso de ensino profissional e técnico superior, com escolas que estejam intimamente ligadas à industria para poder fornecer uma educação valiosa no mercado laboral</li>
</ol>
<p>O papel dos professores é capital, e estes têm responsabilidades. Na Alemanha e na Suíça, os professores são bem pagos, e têm formação permanente. Na Coreia, os professores não podem passar mais de cinco anos na mesma escola, etc. A carreira dos professores tem de ser valorizada e responsabilizada.</p>
<p>Um outro grande erro de Portugal foi de favorecer a criação de infraestruturas (auto-estradas, pontes, etc) em vez de ter um verdadeiro investimento na educação, industria e investigação.</p>
<p><strong>4 &#8211; Justiça</strong></p>
<p>A justiça é outro ponto importante. O VMG está preocupado com a segurança, mas para mim é muito mais importante aumentar a celeridade e eficácia da justiça. Uma justiça lenta é igual a uma falta de justiça. Um processo que se arraste durante anos é um impedimento económico, e desencoraja investimento.  É absolutamente essencial garantir que a justiça funcione de maneira rápida, em adequação com as necessidades e o ritmo da vida económica.</p>
<p>Também é importante que os processos de justiça sejam simplificados ao máximo, e que a execução desta seja uniforme e estável ao longo do tempo, para facilitar investimentos a longo prazo.</p>
<p>Quanto às apreciações do VMG sobre a delinquência juvenil, acho que ele engana-se completamente. Os jovens não destroem por prazer de destruir, são violentos porque perdem esperança. Um jovem que saiba como encontrar emprego, ganhar dinheiro e criar uma família será muito menos violento que um jovem que pensa que não tem mais nada a esperar da vida.</p>
<p><strong>5 &#8211; Impostos</strong></p>
<p>Um outro ponto capital para o desenvolvimento económico é a cobrança dos impostos. O governo deve limitar o mais possível a evasão fiscal, cobrando mais eficazmente os altos rendimentos, e diminuindo a pressão fiscal sobre os mais pobres. É essencial que o governo tenha uma abundante fonte de verbas para implementar as suas políticas educativas, económicas, e garanta os serviços públicos. Por isso a cobrança dos impostos deve ser livre de corrupção, desigualdades e complicações burocráticas. Isto é inteiramente ao alcance das capacidades de ação de um governo. Neste campo são os países do norte de Europa que deveriam servir de referência sobre as soluções a implementar.</p>
<p><strong>Conclusão</strong></p>
<p>Leio que muita gente em Portugal queixa-se de ter perdido soberania, e de estar às ordens do FMI, UE e dos mercados e agências de notação. A realidade é que Portugal nunca se decidiu a assumir a sua soberania, e desenvolver uma política de desenvolvimento responsável e autónoma.</p>
<p>Dizer que não é possível fazer isso é uma patetice, porque países come Taiwan e Coreia do Sul mostram claramente que esse objetivo está ao alcance de países de pequena ou média estatura, mesmo se estão geograficamente e politicamente isolados e subdesenvolvidos.</p>
<p>Em vez de atirarmos as culpas aos outros, deveríamos simplesmente assumir as nossas próprias responsabilidades. Os outros países e organizações internacionais não pedem ou esperam mais do que isso.</p>
<p><em>NB: quem não quiser ler este texto no blogue pode baixar as seguintes versões: <a href="../wp-content/uploads/2011/08/problemas_portugal.pdf">pdf</a>, <a href="http://www.2shared.com/file/9M269pj_/problemas_portugal.html">epub</a></em></p>
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