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*AS DIVIDAS DAS EMPRESAS À SEGURANÇA SOCIAL DISPARAM COM O GOVERNO DE
SÓCRATES: - só em 2006 a Segurança Social perdeu 2.412 milhões de euros
de receitas de remunerações não declaradas, e a divida declarada à
Segurança Social aumentou 122% entre 2004 e 2006*
*RESUMO DESTE ESTUDO*
O ministro do Trabalho e da Solidariedade Social tem afirmado, que o
combate à fraude e à evasão contributiva para a Segurança Social
permitiu arrecadar elevado volume de receitas, e que a situação neste
campo está a mudar. Uma análise objectiva e séria desta questão
fundamental para garantir a sustentabilidade financeira da Segurança
Social mostra que as afirmações de Vieira da Silva não correspondem à
verdade.
De acordo com dados publicados pelo próprio Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social sobre remunerações totais pagas aos trabalhadores
por contra de outrem e remunerações declaradas à Segurança Social pelas
empresas (é com base nestas últimas que se calculam os “descontos” para
a Segurança Social), conclui-se que uma parte importante das
remunerações pagas pelas empresas continuam a não ser declaradas à
Segurança Social, o que tem como consequência que as empresas não paguem
as respectivas contribuições, determinando uma elevada perda de receitas
para a Segurança Social. A diferença não declarada varia de distrito
para distrito conforme consta do quadro I. Por exemplo, no distrito de
Lisboa a parte não declarada por trabalhador atingiu, em média, 236€, na
RA da Madeira 203 €, na RA dos Açores 149,5€, no distrito de Aveiro
163,7€, etc. Isto determinou que as remunerações não declaradas à
Segurança Social apenas dos trabalhadores por conta de outrem tenham
atingido, em 2006, 6.943 milhões de euros, e que a receita perdida pela
Segurança Social tenha alcançado, também em 2006, 2.413 milhões de
euros. Por distritos, e como mostra o quadro II, variou entre 818
milhões de euros no distrito de Lisboa e 12 milhões de euros no distrito
de Bragança. Esta divida não declarada tem aumentado todos os anos, e o
ministro do Trabalho não tem feito praticamente nada de significativo
para alterar esta situação, pois tem-se recusado a aumentar muito mais
as inspecções às empresas, o que exigiria a contratação de muitos mais
inspectores, como tem acontecido na Administração Fiscal mas não na
Segurança Social.
Para além desta divida não declarada, existe ainda a chamada divida
declarada, que é a que resulta da diferença entre as contribuições que
as empresas declaram mensalmente que devem à Segurança Social e aquilo
que acabam efectivamente por pagar. De acordo com os dados constantes
dos Balanços da Segurança Social publicados nas Contas Gerais do Estado
que estão disponíveis no “site” da DGO do Ministério das Finanças, entre
2004 e 2006, portanto com este governo, a divida declarada pelas
empresas à Segurança Social aumentou 122% pois passou de 982,9 milhões
de euros para 2.184,7 milhões de euros (quadro III). E neste valor ainda
não está incluída a totalidade da divida. Em 2005, num requerimento que
fizemos ao Ministério do Trabalho enquanto estivemos como deputado na
Assembleia da República, aquele ministério informou que, relativamente a
2004, no valor de divida de 982,9 milhões de euros ainda não estava
incluído 1.995,2 milhões de euros relativos à carteira de dividas à
Segurança Social: E em relação aos anos de 2005 e 2006, o MTSS ainda não
divulgou dados.
Se compararmos a divida efectivamente cobrada em 2006, que segundo o
ministro do Trabalho atingiu apenas 288,3 milhões de euros, com o
aumento da divida declarada ( 897,8 milhões de euros) e não declarada (
2.413 milhões de euros) à Segurança Social, que somou 3.310,8 milhões de
euros, conclui-se que a divida cobrada em 2006 representou apenas 8,7%
do aumento da divida verificado neste mesmo ano. Em 2006, o aumento da
divida à Segurança Social foi cerca de 11 vezes superior à divida
recuperada. Face a estes dados, que são sistematicamente omitidos pelo
ministro Vieira da Silva, é claro a insuficiência dos resultados, para
não dizer mesmo o fracasso do combate deste governo à fraude e evasão
contributiva. Esta situação tem criado dificuldades à sustentabilidade
financeira da Segurança Social, que depois o governo tem utilizado para
justificar as medidas que tomou para reduzir ainda mais as baixas
pensões dos portugueses. Nesta área, como em muitas outras, o que este
governo tem a mais em arrogância, autoritarismo e auto-suficiência tem a
menos em competência, resultados e sensibilidade social.
O actual governo, através do ministro do Trabalho e da Solidariedade
Social, tem afirmado, na sua campanha permanente de propaganda, que o
combate à fraude e à evasão contributiva para a Segurança Social tem
permitido arrecadar elevado volume de receitas, e que a situação neste
campo está-se a alterar. No entanto, uma análise objectiva e séria desta
questão fundamental para garantir a sustentabilidade financeira da
Segurança Social mostra que as afirmações de Vieira da Silva não
correspondem à verdade. Para concluir isso, basta analisar, utilizando
os próprios dados oficiais divulgados pelo governo, a dimensão das
receitas de contribuições que a Segurança Social continua a perder
anualmente devido à evasão, fraude, isenções contributivas e ao não
pagamento pelas empresas mesmo das contribuições declaradas.
Para se poder ficar com uma ideia clara da dimensão das receitas
perdidas todos os anos pela Segurança Social, e da reduzida eficácia do
combate do governo neste campo para inverter a situação, interessa
distinguir entre divida declarada e divida não declarada à Segurança
Social.
A *divida declarada* é aquela que resulta das declarações que as
empresas fazem mensalmente, por sua própria iniciativa, à Segurança
Social relativas às remunerações pagas aos trabalhadores, às suas
contribuições e aos descontos feitos nos salários dos trabalhadores,
mas que depois não entregam, incluindo as descontadas nos salários dos
trabalhadores, à Segurança Social. Esta divida devia ser fácil de
calcular, mas o governo já afirmou na Assembleia da República que a
desconhece, pois basta comparar o declarado com o pago pelas empresas e
a diferença é a divida declarada. Como se irá mostrar, esta divida tem
aumentado de uma forma muito rápida, apesar do chamado combate do
governo contra a evasão e a fraude nas contribuições.
Para além da divida declarada existe também a *divida não declarada* que
resulta das remunerações pagas mas que as empresas não declaram à
Segurança Social e que por isso não entregam as respectivas
contribuições (descontos) que, de acordo com a lei, são devidas. E o
volume destas receitas que se perdem continua a ser gigantesco. Por
isso, a nossa análise vai começar por elas.
*EM 2006, AS EMPRESAS NÃO DECLARARAM À SEGURANÇA SOCIAL 6.943 MILHÕES DE
EUROS DE REMUNERAÇÕES PAGAS AOS TRABALHADORES POR CONTA DE OUTRÉM*
A Segurança Social já divulgou na sua publicação “Estatísticas”, que se
encontra disponível no “site” do Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social, as remunerações dos trabalhadores por conta de
outrem declaradas pelas empresas em 2006 com base nas quais calcularam
as contribuições que deviam pagar à Segurança Social. Por outro lado,
são já conhecidos os ganhos (remunerações totais), referentes a 2005,
dos trabalhadores constantes dos Quadros de Pessoal que todos os anos as
empresas são obrigadas a entregar ao Ministério do Trabalho e da
Solidariedade Social. Finalmente, o Banco de Portugal, no seu Boletim
Estatístico de Junho de 2007, já divulgou o aumento médio das
remunerações em Portugal verificado em 2006 (apenas 2,7%, portanto uma
percentagem inferior à taxa de inflação que foi de 3,1%, portanto
registou-se uma quebra real dos salários). Utilizando estes dados
oficiais determina-se rapidamente o total das remunerações pagas pelas
empresas que não foram declaradas por estas à Segurança Social relativa
aos trabalhadores por conta de outrem. Os resultados desse cálculo, por
distrito e referente ao ano de 2006, constam do quadro seguinte.
*QUADRO I – Remunerações declaradas pelas empresas à Segurança Social *
*e remunerações pagas pelas empresas aos trabalhadores em 2006 por
distritos*
*Numero*
*Remuneração* *Ganho
médio* *DIFERENÇA*
*Ganhos não*
*DISTRITOS*
*Trabalhadores* *mensal
declarada* *mensal do
* *Ganho (-)
Declarado* *Declarados *
*Conta Outrem*
*para a S. Social*
*Trabalhador*
*Mensal* *S. Social *
* ** * *Euros*
*Euros* *Euros *
*Milhões euros*
Aveiro 229.798
669,39 833,13 163,74
*527*
Beja 36.766 614,14
769,26 155,13 *80*
Braga 266.743 581,00
707,25 126,26 *471*
Bragança 23.534
588,00 692,80 104,80 *35*
C. Branco 48.967
611,80 714,64 102,84 *71*
Coimbra 114.846
738,99 821,70 82,71 *133*
Évora 47.552 659,01
809,33 150,32 *100*
Faro 143.472 633,59
814,79 181,21 *364*
Guarda 37.640 586,74
693,51 106,77 *56*
Leiria 143.313
680,88 804,50 123,62
*248*
Lisboa 709.878
996,57 1.233,33
236,76 *2.353*
Portalegre 29.965
624,08 763,52 139,45 *58*
Porto 560.727 715,90
877,94 162,04 *1.272*
Santarém 133.314
690,33 809,75 119,42
*223*
Setúbal 251.750
870,66 928,95 58,30 *205*
V. Castelo 60.605
587,65 716,89 129,24
*110*
Vila Real 42.099
572,18 753,52 181,34
*107*
Viseu 92.001 594,35
734,23 139,89 *180*
RA Açores 60.902
684,66 834,18 149,52
*127*
RA Madeira 78.181
722,21 925,80 203,59
*223*
*PORTUGAL*
*3.112.053* * ** *
* ** * * ** * *6.943*
*FONTE: Nº Trabalhadores
e Remuneração declarada:
Boletim Estatístico da
Segurança Social – MTSS*
*Ganhos médios mensais:
GEP- Quadros de Pessoal
- MTSS e Banco de
Portugal* * *
Como mostram os dados oficiais do quadro anterior, só em 2006, e
relativo apenas aos trabalhadores por conta de outrem que se encontram
inscritos na Segurança Social, as empresas não declaram 6.943 milhões de
euros de remunerações, o que determinou, como se irá mostrar que a
Segurança Social perdesse muitas centenas de milhões de euros de
receitas. E está-se apenas a referir a receita perdida relativa aos
trabalhadores por conta de outrem inscritos na Segurança Social de
acordo com os dados constantes das “Estatísticas” da Segurança Social,
pois se incluísse aqueles que não constam delas assim como outras
categorias profissionais (ex.: os independentes) a perda de receita para
a Segurança Social seria muito maior.
*A SEGURANÇA SOCIAL DEVIDO A REMUNERAÇÕES NÃO DECLARADAS PELAS EMPRESAS
PERDEU, EM 2006, 2.412 MILHÕES DE EUROS DE RECEITA*
A não declaração à Segurança Social, pelas empresas, da totalidade das
remunerações que pagam tem graves consequências tanto para os
trabalhadores como para a Segurança Social. Para os trabalhadores,
porque quando perdem o emprego o subsidio de desemprego é baixo, quando
estão doentes o subsidio de doença é inferior ao que receberiam se o
desconto fosse feito sobre a totalidade da remuneração paga, o mesmo
sucedendo quando se reformam pois a pensão de reforma que recebem é
muito inferior à que teriam se as empresas e eles tivessem descontado
para a Segurança Social sobre a totalidade das remunerações. É também
grave para a Segurança Social porque determina uma elevada perda de
receitas com reflexos graves na sua sustentabilidade financeira, como
mostra o quadro seguinte.
*QUADRO II – Receitas de contribuições perdidas pela Segurança Social em
2006, por distritos devido a remunerações não declarada pelas empresas*
*Remunerações não de-* *Receitas de contribuições * *% de*
*DISTRITOS* *claradas à Segurança Social * *perdidas pela Seg.
Social* *PORTUGAL*
*Segurança Social – Milhões € * *Milhões de euros* * *
Aveiro *527* *183* 7,6%
Beja *80* *28* 1,1%
Braga *471* *164* 6,8%
Bragança *35* *12* 0,5%
Castelo Branco *71* *24* 1,0%
Coimbra *133* *46* 1,9%
Évora *100* *35* 1,4%
Faro *364* *126* 5,2%
Guarda *56* *20* 0,8%
Leiria *248* *86* 3,6%
Lisboa *2.353* *818* 33,9%
Portalegre *58* *20* 0,8%
Porto *1.272* *442* 18,3%
Santarém *223* *77* 3,2%
Setúbal *205* *71* 3,0%
V. Castelo *110* *38* 1,6%
Vila Real *107* *37* 1,5%
Viseu *180* *63* 2,6%
RA Açores *127* *44* 1,8%
RA Madeira *223* *77* 3,2%
*PORTUGAL* *6.943* *2.413* 100,0%
Em 2006, a Segurança Social perdeu receitas de contribuições, devido ao
facto das empresas não descontarem sobre a totalidade das remunerações
que pagaram aos trabalhadores por conta de outrem, que somou 2.413
milhões de euros. Deste total, mais de metade (52,7%) diz respeito aos
distritos de Lisboa e Porto. Por outro lado, a receita que a Segurança
Social perdeu, em 2006, na RA da Madeira (77 milhões de euros ) é
superior em 75% à perdida na RA dos Açores, quando o número de
trabalhadores por conta de outrem inscritos na Segurança Social na
primeira (78.181) é apenas superior em 29,8% aos inscritos na segunda
(60.902).
*A DIVIDA DECLARADA À SEGURANÇA SOCIAL AUMENTOU 122% ENTRE 2004 E 2006*
Para além da divida não declarada que analisamos anteriormente, existe
ainda a chamada divida declarada à Segurança Social que se determina
calculando a diferença entre aquilo que as empresas declaram mensalmente
à Segurança Social e aquilo que efectivamente acabam por pagar. E também
neste campo as dividas à Segurança Social dispararam como mostra o
quadro seguinte construído com dados constantes nas Contas Gerais do
Estado publicadas pela Direcção Geral do Orçamento do Ministério das
Finanças no seu “site” (_www.dgo.pt_ )
*QUADRO III – Variação da dividas dos contribuintes, fundamentalmente
empresas, à Segurança Social no período 2004- 2006*
*RUBRICAS * *2004* *2005* *2006* *VARIAÇÃO %*
*Milhões de euros* *2006-2004*
*DIVIDAS DE TERCEIROS- Curto Prazo*
Contribuintes c/c 982,9 1.286,9 2.184,7 + 122,3%
*Fonte: Mapa XXXII das Contas Gerais do Estado de 2004, 2005,2006*
Entre 2004 e 2006, as dividas das empresas que são registadas conta
“DIVIDAS DE TERCEIRO – Curto Prazo -Contribuintes c/c” do Balanço da
Segurança Social aumentou 122,3% pois passou de 982,9 milhões de euros
para 2.184,7 milhões de euros.
Para além das dividas das empresas constantes do quadro anterior,
existem outras que já foram anuladas pelo próprio governo. Por exemplo,
entre 2004 e 2005, desapareceram do Balanço da Segurança Social cerca de
135 milhões de euros de dividas que estavam contabilizadas na conta
“Clientes, contribuintes e utentes de cobrança duvidosa”.
Mas as dividas das empresas ainda não se resumem às constantes do quadro
e às referidas anteriormente. De acordo com a resposta dada pelo
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social em 2005, a um
requerimento que fizemos enquanto exercemos as funções deputado na
Assembleia da República, “ a divida acumulada até ao final de 2004 vem
contabilizado no Balanço da Segurança Social, na conta especifica para
esse efeito “Divida de Terceiros de curto prazo - Contribuintes c/c” ,
que apresenta no final de 2004 um valor de 982.852.097 euros. A este
montante acresce o valor da carteira de dividas à Segurança Social, e
que à data em que ocorreu, em Outubro de 2003, correspondia a
1.995.247.803”. Portanto, aos valores em divida em outros anos há ainda
que acrescentar os montantes da carteira de dividas à Segurança Social
que se desconhecem.
Em Março de 2007, o ministro do Trabalho realizou uma conferência de
imprensa onde declarou textualmente o seguinte: O Ministério “
notificou os contribuintes com divida no sistema, estando neste momento
a tratar a informação apurada, que deverá depois ser introduzida no
sistema corrente e permitirá saber a situação contributiva de qualquer
empresa em qualquer momento” (DN, 3.3.2007).
Na Assembleia da República, aquando do debate do OE2007, a uma pergunta
que fizemos, o ministro do Trabalho afirmou que desconhecia a divida
declarada exacta das empresas à Segurança Social e, por outro lado, na
citada conferencia de imprensa confessou que tinha pedido às empresas
que informassem a Segurança Social quais eram as suas dividas à
Segurança Social. Não resta dúvida que é um “método insólito” para
apurar a divida, mas ele dá bem um ideia do tipo e da consistência de
combate deste governo.
*OS RESULTADOS OBTIDOS PELO COMBATE À EVASÃO, FRAUDE*
*CONTRIBUTIVO DO GOVERNO SÂO MANIFESTAMENTE INSUFICIENTES*
O governo, através do MTSS, tem apresentado dados sobre os resultados do
chamado “Plano Nacional de Prevenção e Combate à Fraude e Evasão
Contributiva”, que têm sido divulgados de uma forma acrítica pela
maioria dos órgãos de comunicação social, o que têm iludido a opinião
publica sobre os resultados obtidos. E isto porque os dados mais
divulgados não se limitam às cobranças efectivas, mas incluem também os
valores de “notificações às empresas e contribuintes individuais”, de
“acções de fiscalização”, e de “acordos prestações no âmbito do
pagamento da divida dos grandes devedores que poderão até não ser cobrados.
Se limitarmos a análise à divida cobrada os resultados, que estão
disponíveis no “site” do Ministério do Trabalho e da Solidariedade
Social os dados já são muito diferentes. Em 2006, a divida recuperada
que a propaganda governamental mais divulgou foi de 468,7 milhões de
euros, mas o que efectivamente foi cobrado atingiu apenas 238,7 milhões
de euros, o que correspondeu somente a 50,9% do primeiro valor. A divida
efectivamente cobrada foi de 65,7 milhões de euros em 2004, e de 129,3
milhões de euros em 2005.
Comparemos a divida cobrada em 2006 – 238,3 milhões de euros – com o
aumento da divida declarada e da divida não declarada:
1. Aumento da divida declarada em 2006
(aumento do saldo da conta “contribuintes
c/c): 897,8 milhões de euros
2. Divida não declarada em 2006 (receita perdida)
2.413,0 milhões de euros
------------------------------------
TOTAL 3.310,8 milhões de euros
Portanto, a divida efectivamente cobrada em 2006 – 288,3 milhões de
euros – representa apenas 8,7% do aumento da divida à Segurança Social
verificado em 2006. É evidente o carácter manifestamente insuficiente do
“combate” do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social. E isto
acontece porque, diferentemente do que está a suceder com a
Administração Fiscal, o ministro Vieira da Silva, incompreensivelmente
não tem apostado nas inspecções às empresas, o que exigiria a
contratação de muitos mais inspectores (recorde-se que em 2 anos o
ministro anunciou a contratação de apenas 60 novos inspectores, o que
nem deve dar para substituir aqueles que se reformam, e o quadro de
inspectores da IGT, que é de 550 está apenas preenchido em cerca de
190); repetindo, o ministro Vieira da Silva no lugar do combate no
terreno através de inspecções às empresas, com tem a Administração
Fiscal, tem optado, incompreensível e fundamentalmente, por medidas
“on-line” e controlo informáticos que são também necessários, mas que
são manifestamente insuficientes como provam os resultados obtidos.
Desta forma, parece que a intenção é de por causa a sustentabilidade
futura da Segurança Social para depois se poder justificar a redução das
baixas pensões que são pagas em Portugal (tenha-se presente que cerca de
84% dos pensionistas recebem ainda pensões inferiores um salário mínimo
nacional, e que relativamente aos novos pensionistas acontece o mesmo
com mais de 70%) através de medidas como aquelas que este governo já
tomou, como foram a entrada em vigor imediatamente da nova formula do
cálculo da pensão e do chamado “factor de sustentabilidade”, que é mais
uma forma de reduzir as pensões. Onde existe a mais arrogância,
autoritarismo e auto-suficiência existe a menos competência, resultados
e sensibilidade social.
*Eugénio Rosa*
*Economista*
*_edr@mail.tepeac.pt_* * *
*5.7.2007 *