O QUE A
AUTORIDADE DA CONCORRÊNCIA DEVIA TER FEITO MAS NÃO FEZ, SENDO ASSIM
CONIVENTE COM LUCROS QUE RESULTAM DA ESPECULAÇÃO NO MERCADO
RESUMO DESTE ESTUDO
A Autoridade da Concorrência
(AdC) acabou de apresentar o seu relatório sobre a formação dos preços
dos combustíveis em Portugal. O cálculo dos preço dos combustível
à saída da refinaria por parte das petrolíferas ( o chamado “pricing”)
não se faz adicionando os custos suportados pela produção do combustível,
que inclui o preço da matéria prima, que é o petróleo, e todos os
custos de refinação, somando depois uma margem de lucro. As petrolíferas
para estabelecerem os preços à saída da refinaria, recolhem os preços
dos combustíveis no mercado de Roterdão, e depois os preços de venda
dos combustíveis de cada dia aos distribuidores, à saída da refinaria,
são os preços correspondentes aos do mesmo dia da semana anterior
verificado naquele mercado do norte da Europa, a que deduzem apenas
o chamado desconto de quantidade, que até beneficia mais a própria
GALP, pois é ela que detém a maior quota a nível de distribuição
(a GALP distribuição).
O que a Autoridade de
Concorrência devis ter feito, mas não fez, era analisar se a
adopção deste tipo de formação de preços se justificava, e se não
estaria a determinar lucros especulativos para as petrolíferas à custa
dos portugueses? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito,
mas não fez, era analisar porque razão o petróleo utilizado apesar
de ter sido o adquirido 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos,
no entanto na formação dos preços à saída da refinaria ele
é considerado como tivesse sido adquirido na semana anterior? O que
a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar
porque razão os lucros da GALP só determinados pelo chamado “efeito
sotck”, ou seja, pela razão referida no ponto anterior, tenham
aumentado, entre o 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008,
em 228,6%, pois passarem de 21 milhões de euros para 69 milhões de
euros? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não
fez, era analisar porque razão a GALP passou a estabelecer os preços
dos combustíveis com base nos preços de Roterdão da semana anterior,
quando antes estabelecia com base nos preços de Roterdão do mês anterior,
tendo passado depois para quinzenalmente, e agora semanalmente, e é
de prever que, com a cobertura deste relatório, se prepare para
ser diariamente o que, a concretizar-se, inflacionaria ainda mais os
seus lucros com base na especulação à custa dos portugueses?
Na produção dos combustíveis
nas suas refinarias, a GALP utiliza petróleo adquirido, em média,
2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, o que permite que obtenha
elevados lucros extraordinários. Em Portugal, entre Dezembro de 2007
e Maio de 2008, de acordo com a Direcção Geral de Energia do Ministério
da Economia, o preço da gasolina 95 aumentou 9,6%; do gasóleo
19,9%, do gasóleo colorido 29,6% ; e do gasóleo de aquecimento 30,3%.
Como o petróleo utilizado na produção dos combustíveis vendidos
em Maio de 2008 foi o adquirido em Março de 2008, isto significa que
o preço do petróleo utilizado aumentou apenas 6,9% em euros, pois
foi esta a subida verificada entre Dezembro de 2007 e Março de 2008.
É esta disparidade que permite às petrolíferas embolsarem elevados
lucros à custa dos portugueses, que a Autoridade da Concorrência devia
ter analisado, mas não o fez.
Em Maio de 2008, os preços
dos combustíveis em Portugal eram superiores aos preços médios da
UE15, que é constituída pelos países mais desenvolvidos da União
Europeia, em cerca de 2% (Gasolina95: +2,4%; gasóleo: +2%; Todos os
combustíveis : +2,2%). Por outras palavras , Portugal é o país menos
desenvolvido deste grupo de 15 países, com remunerações e rendimentos
mais baixos, no entanto os preços a que são vendidos os combustíveis
em Portugal são superiores aos preços médios da UE15. É estranho
que a Autoridade da Concorrência não tenha encontrado nada de anormal
neste disparidade de preços sem impostos, e afirme que “entende não
existirem também indícios de uma prática de preços excessivos”
(pág. 78 do Relatório da AdC). Tudo isto é estranho, muito estranho
mesmo, e carece de uma explicação muito clara. O governo ao aprovar
este Relatório da AdC está também a ser conivente com toda esta situação.
A Autoridade da Concorrência
(AdC) acabou de apresentar o seu relatório sobre a formação dos preços
dos combustíveis em Portugal. E como tínhamos previsto em estudo anterior,
o relatório acaba por branquear as petrolíferas, e o aproveitamento
que estão a fazer da especulação no mercado internacional do petróleo
e dos refinados para inflacionarem os seus lucros à custa dos consumidores
portugueses. E isto porque o relatório não analisa a principal causa
do aumento dos preços dos combustíveis, que é a formação dos
preços até à saída das refinarias, e não após os combustíveis
terem saído destas, como a AdC e o governo pretendem fazer crer.
Como explicamos em estudo
anterior, o cálculo dos preços dos combustíveis à saída das refinarias
por parte das petrolíferas ( o chamado “pricing”) não se faz adicionando
os custos suportados pela produção do combustível, que inclui o preço
da matéria prima, que é o petróleo, e todos os custos de refinação,
somando depois uma margem de lucro. As petrolíferas para estabelecerem
os preços à saída da refinaria, recolhem os preços dos combustíveis
no mercado de Roterdão, e depois os preços de venda dos combustíveis
de cada dia aos distribuidores, à saída da refinaria, são os
preços correspondentes aos do mesmo dia da semana anterior verificado
naquele mercado do norte da Europa, a que deduzem apenas o chamado desconto
de quantidade, que até beneficia mais a própria GALP, pois é ela
que detém a maior quota a nível de distribuição (a GALP distribuição).
Os preços da semana anterior do mercado de Roterdão, que servem à GALP para estabelecer os preços dos combustíveis à saída da refinaria, incluem uma dupla especulação: a que está sujeita o preço do barril de petróleo, e a que estão sujeitos os preços dos produtos refinados (os combustíveis). Era precisamente o fundamento da adopção deste tipo de formação de preços por parte da GALP que devia ter sido analisado pela Autoridade da Concorrência.
.
O QUE A AUTORIDADE
DA CONCORRÊNCIA DEVIA TER FEITO MAS
NÃO FEZ
Na pág. 77 do seu relatório,
no capitulo com o titulo “Conclusões e Recomendações” a Autoridade
da Concorrência afirma: “No que respeita ao PVP (Preço de Venda
ao Público) antes de impostos, os preços nacionais à saída da refinaria
reflectem a evolução dos preços CIF do mercado de Roterdão (plataforma
Plats NWE)”, E acrescenta logo a seguir: “não é possível concluir
que os aumentos dos PVP (Preços de Venda ao Público) antes de impostos
dos combustíveis líquidos observados desde o inicio do ano corrente,
tenham uma origem nacional”.
No entanto, o que a Autoridade
de Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar se a adopção
deste tipo de formação de preços se justificava, e se não estaria
a determinar lucros exagerados para as petrolíferas à custa dos consumidores
portugueses? O que a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas
não fez, era analisar porque razão o petróleo utilizado ter sido
o adquirido 2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, no entanto
na formação dos preços à saída da refinaria ele é considerado
como tivesse sido adquirido na semana anterior? O que a Autoridade da
Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar porque razão
os lucros da GALP só determinados pelo chamado “efeito sotck”,
ou seja, pela razão referida no ponto anterior, tenham aumentado,
entre o 1º Trimestre de 2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6%,
pois passarem de 21 milhões de euros para 69 milhões de euros? O que
a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não fez, era analisar
porque razão a GALP passou a estabelecer os preços dos combustíveis
com base nos preços de Roterdão da semana anterior, quando antes estabelecia
com base nos preços de Roterdão do mês anterior, tendo passado depois
para quinzenalmente, e agora semanalmente, e é de prever que, com este
relatório, pretenda passar a ser diariamente, o que inflacionaria ainda
mais os seus lucros com base na especulação à custa dos portugueses?
Ora tudo isto a Autoridade da Concorrência devia ter feito, mas não
fez, e o governo a aprovar o relatório da Autoridade da Concorrência,
está a ser conivente com ela na defesa dos interesses e dos lucros
das petrolíferas à custa dos portugueses.
O PETRÓLEO UTILIZADO
NA PRODUÇÃO DOS COMBUSTIVEIS É ADQUIRIDO PELA GALP, EM MÉDIA, 2,5
MESES ANTES, PORTANTO A PREÇOS MAIS BAIXOS
Na produção dos combustíveis
nas suas refinarias, a GALP utiliza petróleo adquirido, em média,
2,5 meses antes, portanto a preços mais baixos, o que permite à GALP
embolsar elevados lucros extraordinários que, como mostramos, no estudo
anterior sobre os combustíveis, aumentaram, entre 1º Trimestre de
2007 e o 1º Trimestre de 2008, em 228,6% , pois passaram de 21 milhões
de euros para 69 milhões de euros.
O quadro seguinte, construído
com dados da Direcção Geral de Energia, mostra a diferença entre
o aumento verificados nos preços dos combustíveis nos primeiros 5
meses de 2008, e a subida registada no preço do petróleo utilizado
para produzir esses combustíveis.
QUADRO I –Aumento dos preços dos combustíveis em Portugal nos primeiros 5 meses de 2008 e subida do preço do petróleo utilizado na produção dos preços dos combustíveis
| Dia/mês/ano | Gasolina s/ chumbo 95 Euros/litro | Gasóleo Rodoviário Euros/litro | Gasóleo colorido e Marcado Euros/litro | Gasóleo de aquecimento Euros/litro | MÊS/ANO | PETRÓLEO Euros barril |
| 28.12.2007 | 1,358 | 1,179 | 0,782 | 0,831 | Dez-07 | 62,46 |
| 25.01.2008 | 1,369 | 1,178 | 0,768 | 0,861 | Jan-08 | 62,49 |
| 29.02.2008 | 1,401 | 1,223 | 0,831 | 0,916 | Fev-08 | 64,45 |
| 28.03.2008 | 1,382 | 1,256 | 0,855 | 0,909 | Mar-08 | 66,78 |
| 25.04.2008 | 1,416 | 1,290 | 0,895 | 0,957 | Abr-08 | 69,23 |
| 30.05.2008 | 1,489 | 1,413 | 1,013 | 1,083 | Mai-08 | 78,89 |
| Maio08/Dez07 | +9,6% | +19,9% | +29,6% | +30,3% | Mar08-Dez07 | + 6,9% |
| FONTE: Direcção Geral de Energia - Ministério da Economia | ||||||
Em Portugal, entre Dezembro
de 2007 e Maio de 2008, de acordo com a Direcção Geral de Energia
do Ministério da Economia, o preço da gasolina 95 aumentou 9,6%;
do gasóleo 19,9%; do gasóleo colorido 29,6% ; e do gasóleo de aquecimento
30,3%. Como petróleo utilizado na produção dos combustíveis vendidos
em Maio de 2008 foi o adquirido em Março de 2008, isto significa que
o preço do petróleo utilizado aumentou apenas 6,9% em euros, pois
foi a subida verificada entre Dezembro de 2007 e Março de 2008. É
esta disparidade que permite às petrolíferas embolsarem elevados lucros
à custa dos portugueses, que a Autoridade da Concorrência devia ter
analisado, mas não o fez.
EM MAIO DE 2007,
OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS SEM IMPOSTOS EM PORTUGAL
ERAM SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO EUROPEIA
Como revela o quadro
seguinte, construído com dados divulgados pela Direcção Geral de
Energia do Ministério da Economia, os preços de venda de combustíveis
em Portugal, em Maio de 2008, eram superiores aos preços médios da
EU-15 países , ou seja, ao preço médio dos países mais desenvolvidos
da União Europeia.
QUADRO II – Preços dos combustíveis sem impostos nos países da U.E. em Maio de 2008
| PAÍS | Gasolia95 | Gasóleo | Inclui todos os combustíveis |
| PE - Euros | PE- Euros | PE – Euros | |
| Grécia | 0,624 | 0,756 | 0,690 |
| Espanha | 0,605 | 0,722 | 0,663 |
| Luxemburgo | 0,623 | 0,738 | 0,681 |
| Aústria | 0,577 | 0,687 | 0,632 |
| Irlanda | 0,554 | 0,663 | 0,609 |
| França | 0,571 | 0,688 | 0,630 |
| Suécia | 0,524 | 0,679 | 0,602 |
| PORTUGAL (PT) | 0,603 | 0,721 | 0,662 |
| Itália | 0,629 | 0,753 | 0,691 |
| Alemanha | 0,557 | 0,673 | 0,615 |
| Bélgica | 0,605 | 0,729 | 0,667 |
| Dinamarca | 0,570 | 0,706 | 0,638 |
| Finlândia | 0,557 | 0,665 | 0,611 |
| Reino Unido | 0,554 | 0,663 | 0,609 |
| Holanda | 0,676 | 0,755 | 0,716 |
| MÉDIA UE-15 | 0,589 | 0,707 | 0,648 |
| % PT > UE15 | 2,4% | 2,0% | 2,2% |
| FONTE: Direcção Geral de Energia - Ministério da Economia | |||
Em Maio de 2008, os preços
dos combustíveis em Portugal eram superiores aos preços médios da
UE15, que é constituída pelos países mais desenvolvidos da União
Europeia, em cerca de 2% (Gasolina95: +2,4%; gasóleo: +2%; Todos os
combustíveis : +2,2%). Por outras palavras , Portugal é o país menos
desenvolvido deste grupo de 15 países, com remunerações e rendimentos
mais baixos, no entanto os preços a que são vendidos os combustíveis
em Portugal são superiores aos preços médios da UE15. É estranho
que a Autoridade da Concorrência não tenha encontrado nada de anormal
neste disparidade de preços sem impostos, e afirme que “entende não
existirem também indícios de uma prática de preços excessivos”
(pág. 78 do Relatório da AdC). Tudo isto é estranho, muito estranho
mesmo, e carece de uma explicação muito clara. O governo ao aprovar
este Relatório da AdC está também a ser conivente com toda esta situação.
Eugénio Rosa
Economista
4.6.2008