Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Centenário da Revolução Socialista de Outubro

Tuesday, November 7th, 2017

Binário semântica-praxis, o fulcro do sucesso.
É tão pernicioso deixar de agir face a um conhecimento que dispomos como agir presumindo um conhecimento que não dispomos.
A aquisição da informação é uma tarefa simultaneamente colectiva e extremamente árdua. As forças retrógradas alimentam-se da exarcebação do individualismo e da supressão da informação. Qualquer hipótese de as vencer passa por uma organização muito complexa, uma união de esforços à medida da ambição dos objectivos.
Os retrocessos nas revoluções são uma constante. A República Francesa viu renascer a monarquia e só passado mais de um século se reergeu. As lutas dos escravos conheceram episódios de sucesso mas os seus anseios só foram reconhecidos legalmente ao fim de séculos. Em nenhum caso a História parou.

Alastair Crooke – A aflição de Netaniahu

Tuesday, September 19th, 2017


O primeiro-ministro Netaniahu está assustado com a derrota dos radicais apoiados conjuntamente pela Arábia Saudita e por Israel na Síria e ameaça agora desencadear um ataque aéreo de grande envergadura, segundo descreve o ex-diplomata britânico Alastair Crooke.


Uma delegação israelita de topo visitou Washington há uma semana. Logo a seguir, o primeiro-ministro israelita Benjamim Netaniahu interrompeu as férias de Verão do presidente Putin em Sochi onde, segundo fontes oficiais do governo israelita (citadas pelo Jerusalem Post), Netaniahu teria ameaçado bombardear o palácio presidencial em Damasco e torpedear ou anular o processo de cessar-fogo de Astana, caso o Irão continue a alargar a sua influência na Síria.

“Segundo testemunhos da parte pública das conversações, o primeiro-ministro israelita apresentou-se demasiado irritado, por vezes até em pânico. Descreveu ao presidente russo um possível apocalipse, caso não sejam envidados esforços para conter o Irão que, segundo Netaniahu, está disposto a destruir Israel”

escreveu o Pravda.

Que se passa aqui? Seja rigorosa ou não a citação do Pravda, ainda que haja confirmações por funcionários israelitas idóneos, aquilo que está claro é que (por fontes de Israel) tanto em Washington como em Sochi as palavras de Israel foram escutadas, mas em troca Israel conseguiu nada. Israel ficou isolado. É certo que Netaniahu procurou garantias sobre o papel reservado ao Irão na Síria, ao invés de pedir a Lua como a expulsão dos iranianos. Mas como poderia, em boa realidade, Washington ou Moscovo oferecer tais garantias?

Demasiado tarde, Israel deu-se conta de que na Síria apoiou o lado errado – e perdeu. Não está em condições de exigir. Não obterá dos americanos um compromomisso quanto à manutenção de uma zona tampão para além da linha do armistício definida para o Golã, tampouco sobre o encerramento da fronteira Iraque-Síria ou o que quer que seja supervisionado por iniciativa de Israel.

A questão Síria é importante, mas se nos limitarmos a ela perdemos de vista a floresta a favor da árvore. Em 2006, a invasão do Líbano por Israel, (apoiada pelos EUA, Arábia Saudita e até por sectores do Líbano) foi um fiasco. Simbolicamente e pela primeira vez no Médio Oriente, um exército sofisticado e fortemente armado de uma nação ocidental, em suma, falhou. O que torna esta derrota mais chocante e dolorosa não foi só o facto do exército ter sido militarmente suplantado, foi ainda o de ter perdido a guerra electrónica e a dos serviços de espionagem – algo em que o Ocidente se considerava imbatível.

A queda depois da derrota

A derrota surpreendeu e atemorizou o Ocidente, mas também o Golfo Pérsico. Contra todas as apostas, um pequeno movimento armado revolucionário barrou a ofensiva de Israel, foi capaz de defender o seu território e venceu. Este precedente foi largamente percebido como um ponto de viragem no balanço de forças da região. Os autocratas feudais do Golfo Pérsico tremeram.

A reacção não se fez esperar. O Hezbolá foi colocado em quarentena, tanto quanto o levantamento de sanções pelos Estados Unidos da América poderia alcançar. Em 2007, a guerra da Síria foi anunciada como uma punição pelos acontecimentos de 2006 – se bem que a sua implementação só em 2011 viria a assumir proporções exacerbadas.

Contra o Hezbolá, Israel lançou a plenitude da sua força militar, embora venha agora dizer o contrário, que poderia ter feito melhor; mas contra a Síria, os EUA, a Europa e os estados do Golfo (com Israel na sombra) lançaram todo o esgoto da cozinha: os radicais sunitas, al-Qaeda, o Estado Islâmico (sim); acresce fornecimento de armas, subornos, sanções e a campanha de imprensa de difusão mais ampla e intensa já observada. Porém a Síria – com os seus aliados – parece prevalecer; defendeu o país contra implausíveis expectativas.

Sejamos claros. Se em 2006 ocorreu uma inflexão, a capacidade da Síria manter o seu território é uma reviravolta histórica de amplitude muito maior. Deve ter-se em consideração que a Arábia Saudita (juntamente com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos da América) tomaram a iniciativa de impulsionar os radicais sunitas. Resultado? Os estados do Golfo e a Arábia Saudita em especial saíram enfraquecidos. O último confiou na força do wahabismo desde a sua fundação como reino: mas o wahabismo no Líbano, na Síria e no Iraque ficou profundamente desacreditado – mesmo entre os muçulmanos sunitas. Pode muito bem estar em vias de ser também derrotado no Iémen. Tal derrota irá alterar a imagem do Islão Sunita.

No Conselho de Cooperação do Golfo, organização fundada em 1981 pelos chefes das tribos do Golfo com o único objectivo de perpetuar a forma hereditária de poder na Península, já assistimos a uma disputa aberta, numa indisfarçável luta instestina, amarga e agonizante. O sistema Árabe, uma reminiscência das antigas estruturas otomanas com o beneplácito das potências vitoriosas da I Guerra Mundial, Grã-Bretanha e França, parece ter perdido o fôlego momentâneo de 2013 (com o golpe no Egipto) e retomado o seu inexorável declínio.

O lado perdedor

O alarme de Netaniahu, a confirmar-se, pode muito bem ser o reflexo de uma mudança drástica na relação de forças na região. Por muito tempo, Israel apoiou o lado perdedor – e agora descobre que foi deixado isolado e receoso até dos seus apaniguados mais seguros, os jordanos e os curdos. A nova estratégia correctiva de Tel Aviv parece apostada em atrair o Iraque para uma aliança com Israel, os Estados Unidos e a Arábia Saudita contra o Irão.

Se assim fôr, a cartada de Israel e da Arábia Saudita poderá ter chegado demasiado tarde; subestimaram o ódio visceral gerado entre iraquianos de todos os quadrantes pelos actos bárbaros do Estado Islâmico. Poucos deram crédito à narrativa ocidental que atribui o aparecimento do Estado Islâmico, magnificamente armado e financiado, a um alegado sectarismo do ex-primeiro-ministro iraquiano al-Maliki. Não! Por detrás de um movimento apetrechado desta maneira, há-de encontrar-se necessariamente a força de um estado.

Num artigo laudatório, Daniel Levy defende que os israelitas em geral não corroboram o que acabei de dizer. Vejamos a contestação:

A longevidade de Netaniahu no poder, as suas vitórias eleitorais consecutivas e a sua capacidade em segurar coligações de governo devem-se à ressonância que a sua mensagem encontra junto do grande público. É um argumento de peso que Netaniahu tenha conduzido o Estado de Israel à melhor situação da sua história, representando hoje uma força global crescente… florescente no campo diplomático. Netaniahu invalidou aquilo a que chamou de ‘falsa inevitabilidade’, que pretendia que Israel, na ausência de um entendimento com os palestinianos, acabaria isolado, enfraquecido e à beira de uma catástrofe diplomática.

Muito difícil de ser aceite pelos seus detractores políticos é o eco que a afirmação de Netaniahu encontra no público, pois reflecte algo consistente e que deslocou o centro de gravidade político do país acentuadamente para a Direita. É uma posição que, a verificar-se correcta e replicável no tempo, deixará um legado que perdurará muito para além do posto de primeiro-ministro de Netaniahu ou de qualquer acusação de que ele venha a ser alvo.

Netaniahu assevera que Israel não está condenado a ganhar tempo no conflito com os palestinianos, limitando-se a fortalecer as suas posições num compromisso futuro a que não pode escapar. Não! Israel aspira a algo diferente: uma vitória final, com a derrota completa e definitiva dos palestinianos, dos seus anseios colectivos e nacionais.

Persistente e inequívocamente, por mais de uma década como primeiro-ministro, Netaniahu rejeitou todos os planos ou medidas práticas conducentes, quanto mais não fosse, a abrir um processo contemplando aspirações palestinianas. Netaniahu está interessado somente em perpetuar e ampliar o conflito, não em geri-lo, quanto mais resolvê-lo… A mensagem é clara e é a seguinte: não haverá Estado Palestiniano, não haverá West Bank nem Jerusalém Oriental pela simples razão de que aquilo que existe é o Grande Israel.

Negação do Estado Palestiniano

Levi prossegue:

Esta abordagem revoga pressupostos que orientaram os esforços de paz e as iniciativas políticas norte-americanas por mais de um quarto de século, a saber: que, contra o futuro abandono dos colonatos por Israel, não restaria alternativa que não passasse pela aceitação de um estado palestiniano independente e soberano, com as fronteiras suficientemente próximas das que vigoravam em 1967. A recusa obstinada em aceitar tal perspectiva, foi dito, iria resultar na destruição da imagem de Israel como democracia. Para com os aliados, de quem Israel depende e que estão envolvidos nos esforços de paz, esta recusa seria insustentável.

Para com os países que são bastiões do seu apoio internacional, Netaniahu dispôs-se a um jogo arriscado. Face a um Israel cada vez menos liberal e mais etno-nacionalista, sería ou não possível manter o apoio dos judeus norte-americanos em número suficiente, garantindo dentro dos Estados Unidos da América a continuidade das tradicionais relações de privilégio para com Israel? Netaniahu apostou no Sim! e acertou.

Eis outra questão interessante que Levy referiu:

Foi então que os acontecimentos tomaram um rumo favorável a Netaniahu, com a subida ao poder nos Estados Unidos da América e partes da Europa de Leste, acompanhada de alargamento da influência por todo o Ocidente Europeu, de tendências etno-nacionalistas que lhe são tão caras; tendências apostadas em substituir democracias liberais por não liberais. Não se deve subestimar a importância de Netaniahu como vanguarda ideológica eficaz desta nova tendência.

Sem rodeios, o ex-embaixador dos Estados Unidos da América e conceituado analista político, Chas Freeman, afirmou recentemente:

O objectivo central da política dos Estados Unidos da América no Médio-Oriente tem sido, desde há muito tempo, o de granjear a aceitação regional para os colonatos judeus na Palestina.

Por outras palavras, para os Estados Unidos da América, a sua política – e todas as suas acções – estão subordinadas ao critério estar ou não estar. Entenda-se bem: estar com Israel, ou não estar com Israel.

Terreno perdido por Israel

O facto é que a região acabou de sofrer uma evolução decisiva para o campo do não estar. Haverá muito mais que os Estados Unidos da América possam fazer? Israel encontra-se agora basicamente sozinho, contando como aliado na região apenas com uma Arábia Saudita enfraquecida, incapaz de camuflar os limites do seu campo de manobra.

O apelo que os Estados Unidos da América fizeram aos países árabes para que reforcem os laços com o primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi parece fora do contexto. O Irão não está à procura de uma guerra com Israel, como foi reconhecido até por alguns analistas israelitas. É verdade que o presidente sírio foi claro ao afirmar que tenciona recuperar toda a Síria – e toda a Síria inclui os Montes Golã ocupados por Israel; tambem é verdade que esta semana Assã Nasralá incentivou o governo libanês a preparar um plano conducente à decisão soberana de libertar as quintas Chebá e os montes Kfarshoba da ocupação israelita.

Alguns comentadores políticos israelitas já começaram a replicar o que está escrito nas paredes – é melhor ceder território unilateralmente que pôr em risco a vida de centenas de soldados numa tentativa fútil de retê-lo. Isto não se enquadra bem no estilo “Não recuaremos um centímetro!” do primeiro-ministro em declarações recentes.

Será que o etno-nacionalismo irá garantir a Israel uma nova base de apoio? Desde logo, a caracterização de Israel como democracia iliberal é um eufemismo para o que não passa de regime de discriminação racial, feito para despojar os palestinianos dos seus direitos políticos fundamentais. E na mesma medida em que o cisma do Ocidente se vai agravando, cada um procurando retirar legitimidade ao outro com acusações mútuas de intolerância, racismo ou nazismo, mais se torna clara a vontade dos verdadeiros nacionalistas se demarcarem dos regimes extremistas.

Daniel Levy salienta que o dirigente da Direita, Richard Spencer, descreve o seu próprio movimento como Sionismo Branco. Serão estes os termos adequados para Israel angariar apoio? Há quanto tempo andam os globalistas a acusar a Direita de pretender instaurar o mesmo tipo de sociedade nos Estados Unidos da América, com os mexicanos e os pretos no papel dos palestinianos?

Nacionalismo étnico

A viragem cada vez mais nítida do Médio Oriente para o lado do não estar possui outra explicação mais simples que o etno-nacionalismo de Netaniahu: o colonialismo ocidental. O primeiro assalto da estratégia de Chas Freeman para colocar o Médio Oriente no lado do estar com Israel foi a operação Choque e Pavor contra o Iraque. Hoje, o Iraque está aliado ao Irão e as milícias populares do país estão em vias de se transformarem numa força de combate com uma mobilização respeitável. O Hezbolá, por seu lado, deixou de ser uma força estritamente libanesa e é já uma força militar a ter em conta a nível regional.

O terceiro assalto desenvolveu-se na Síria. Hoje, a Síria está aliada à Rússia, ao Irão, ao Hezbolá e ao Iraque. Que nos reservará o próximo assalto desta guerra entre os campos do estar e do não estar?

Ao não ceder aos que sobranceiramente apelidou profetas da desgraça (Israel acabaria isolado, enfraquecido, abandonado e à beira de uma catástrofe diplomática), Netaniahu conseguiu o quê? Nestas duas últimas semanas, tomando alguma desmobilização dos palestinianos como uma vitória sua, descobriu que afinal está sozinho dentro do seu almejado Novo Médio Oriente. Ironicamente, na hora em que celebrava o seu triunfo.

Teve razão o Pravda ao escrever que Netaniahu estava assustado na cimeira repentina de Sochi?
Eu diria:
– É provável!

Alastair Crooke

Artigo original: The Reasons for Netanyahu’s Panic, 1º de Setembro de 2017

Tradução de António Ferrão

Isa & Jorge Ferrão – Discretamente

Sunday, July 23rd, 2017

Hora de ir trabalhar…
A caminho da grande cidade, o trânsito consome parte da boa disposição diária. Uma discreta evasão parece ser o antídoto para o esgotamento.

Aqueles que passam por nós,

Thursday, March 23rd, 2017

não vão sós, não nos deixam sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.

Antoine de Saint-Exupéry

Wanda

Aleppo, Síria, 6 de Dezembro de 2016

Wednesday, December 7th, 2016

Onde a guerra por encomenda promovida pela OTAN sofreu o primeiro revés. A Síria continua soberana.

Germany denies preparing to rescue Deutsche Bank

Friday, September 30th, 2016

http://www.reuters.com/article/us-germany-banks-idUSKCN11Y1FH

Isa e Jorge – Encontro

Saturday, May 14th, 2016

Marco Capitão Ferreira – Intervenção no Instituto de Direito Económico Financeiro e Fiscal

Wednesday, April 20th, 2016

Os solistas – Diz não

Sunday, April 10th, 2016

“Boas! Tanto a nível da formação da banda como de claque vocês estão prontos para ir já para o Sudoeste tocar estão a ver? É isto…É isso mesmo… é bom poder ver música ao vivo, tocada ao vivo, ainda por cima com um granda solo ali de sax, sim senhor, parabéns, e.. e é de dar valor a vocês e a toda a gente que tem vindo aqui porque a maioria de concursos de talentos são pessoas a cantar covers e estamos aqui a falar de originais. Muitos parabéns para vocês… é muito difícil fazer o que vocês estão a fazer e vocês estão a fazer muito muito bem.”

AGIR

William Engdahl – No caos da Síria, Soros joga com um pau de dois bicos

Wednesday, December 23rd, 2015

Desde que John D. Rockefeller foi aconselhado a colocar a sua fortuna a salvo do fisco criando uma fundação filantrópica isenta de impostos em 1913, os oligarcas norte-americanos começaram a dissimular as suas múltiplas iniciativas mais obscuras sob a capa de benfeitorias para a humanidade, conhecidas pelo rótulo de filantropia ou amor ao próximo. George Soros não faz por menos e possui mais fundações isentas de impostos do que qualquer outro. As suas fundações denominadas Sociadade Aberta encontram-se em todos os países onde Washington pretende “pôr a sua mão”, ou onde existe um governo que não sabe ler a sua música. Estas sociedades desempenharam um papel crucial na mudança de regime na antiga União Soviética e na Europa de Leste depois de 1989. Agora as suas fundações afinam a pontaria ao promoverem a propaganda ao serviço da guerra da aliança Estados Unidos da América (EUA) com o Reino Unido (RU) contra a estabilidade da Síria, tal como há três anos fizeram com a Líbia, criando o actual fluxo de refugiados.

A perturbação social e devastação com que os países da União Europeia se vêem actualmente confrontados, especialmente a Alemanha que é o destino preferencial dos que procuram asilo, requer uma atenção cuidada. Geoge Soros, hoje naturalizado norte-americano, acaba de assinar uma recomendação de seis pontos dirigida à União Europeia (UE) onde explica aos seus dirigentes o que devem fazer para lidar com a esta situação. A recomendação merece ser analisada.

Começa por sentenciar: “A UE precisa de um plano abrangente para responder à crise, um plano de atenda de maneira segura e ordeira o fluxo de pessoas procurando asilo…” e prossegue “É necessário que a UE receba pelo menos um milhão de refugiados por ano nos anos vindouros“.

Soros não esclarece como chegou a este número de um milhão por ano, tampouco que actividade andam a desenvolver todas as organizações-não-governamentais (ONGs) que ele financia na Síria e em outros países. Especificamente na Síria, estas ONGs têm procurado ganhar a simpatia do público para a ideia do “No Fly Zone” (zona interdita à aviação) cara ao grupo de pressão dos EUA-RU, com vista à destruição do país, como já aconteceu com a Líbia.

O agente de especulação financeira norte-americano acrescenta então, entre os pontos a implementar na Síria, um conjunto de propostas que conceda um poder real aos burocratas supra-nacionais da Comissão Europeia (CE), sem rosto e livres de controlo democrático. As propostas de Soros apelam à criação na UE de um fundo de obrigações destinado aos refugiados. Concretamente, afirma: “A UE deve providenciar 15.000 euros por cada pessoa procurando asilo nos primeiros dois anos para cobrir despesas com habitação, cuidados médicos e educação – uma forma de tornar mais convidativo o país hospedeiro. Pode gerar este fundo emitindo títulos do tesouro a longo prazo, recorrendo à capacidade de endividamento largamente inexplorada que lhe é conferida pela notação AAA“.

Tal emissão de obrigações ascenderia imediatamente a 30 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que muitos países da UE se debatem com crises económicas nacionais. A notação AAA é uma referência à entidade legal denominada União Europeia. Há anos que Soros tem manobrado para arrancar a Berlim, Paris, Roma ou outros estados da UE os últimos vestígios de soberania financeira nacional, concentrando-a em Bruxelas, parte de um plano para destruir o que resta das fonteiras nacionais e dos princípios do estado-nação estabelecidos no Tratado de Paz de Westfália de 1648, no fim da Guerra dos Trinta Anos.

Geoge Soros tem mais ideias de como gastar o dinheiro dos impostos dos cidadãos europeus. Apela à UE para disponibilizar uma quantia anual de 8 a 10 mil milhões de euros para apoiar os chamados países da linha da frente, a Turquia, o Líbano e a Jordânia. Depois, insidiosamente, acrescenta: “Devem ser implementados canais de trânsito seguro para os que procuram asilo, com início na Grécia e na Itália até aos países de destino. Isto é muito urgente para refrear o pânico.

Países de destino

O uso que Soros faz da expressão ‘países de destino‘ é muito interessante. Hoje, em grande medida, tal significa a República Federal da Alemanha. A estratégia de Soros é obviamente inundar principalmente a Alemanha com uma vaga de refugiados.

Torna-se cada vez mais conhecido o facto de que muitos refugiados ou pessoas que procuram asilo na UE desde o Verão de 2015 o fizeram em resposta a mensagens colocadas nas redes sociais Twitter e Facebook, apresentando a Alemanha como um país de braços abertos, amigo dos refugiados, o paraíso onde todos os sonhos se podem concretizar.

Como foi colocada no ar a ideia de que a Alemanha estava pronta a receber aqueles que quisessem fugir da Síria ou de outras zonas de conflito? Vladimir Shalak, da Academia Russa das Ciências, desenvolveu o Sistema de Análise de Conteúdos para o Twiter (Scai4Twi). Fez também um estudo às referências ao país mais hospitaleiro da Europa, abrangendo mais de 19.000 mensagens originais (descontados os reenvios). O seu estudo mostrou que a larga maioria das mensagens apontava a para a Alemanha.

O estudo de Shalak revelou que 93% de todos as mensagens sobre a Alemanha continham referências à hospitalidade da política para os refugiados. Eis algumas dessas mensagens:

  • Alemanha Sim! Activistas de Esquerda pintam um grafiti num comboio escrevendo em árabe: “Bem vindos, refugiados!“.
  • Pessoas amáveis – video mostrando alemães dando as boas vindas a refugiados nas respectivas comunidades.
  • Respeito! Fãs de futebol ostentando cartazes”Sejam bem vindos, refugiados!” em muitos estádios da Alemanha.
  • Este grafiti em árabe chega à estação de Dresden, desejando as boas vindas: (ahalan wa sahlan – uma saudação calorosa).
  • Nós amamos a Alemanha!“, grita um refugiado na estação de combóio na estação de Munique.
  • Milhares saudam os refugiados na Alemanha – Sky News Austrália.
  • Onde quer que se situe a cidade alemã que recebeu o treinador sírio com cartazes de boas vindas e flores – Muito obrigado!.

Agora a surpresa. A grande maioria destas mensagens “A Alemanha saúda os refugiados” são provenientes, não da Alemanha, mas dos EUA e do RU, os dois países comprometidos até ao pescoço nas acções sangrentas do Estado Islâmico (EI) e de Al Quaeda, além de incontáveis outras organizações de terror que floresceram pela Síria nos últimos quatro anos.

Shalak analisou 5.704 mensagens originais contendo a marca “#RefugeeWelcom” associada ao nome de um país que saudava a chegada dos refugiados. Mostrou que quase 80% destas mensagens defendiam que a Alemanha era o país mais hospitaleiro. O segundo país mais apontado foi a Áustria, com 12% to total. Porém, também descobriu que tais mensagens anunciando “Germany welcomes you!” não foram originadas na Alemanha. Mais de 40% foram originados nos EUA, RU e Austrália. Apenas 6,4% tiveram origem na Alemanha.

George Soros é também o rico benfeitor que financia o grupo de reflexão denominado Conselho Europeu para as Relações Exteriores (CERE). No sítio da internet da CERE está um editorial intitulado: “Se a Europa quer que as pessoas não se afoguem, deve deixá-las voar“. O grupo de reflexão de Soros argumenta que a razão principal que faz com que os emigrantes prefiram chegar à Europa de barco é a directiva 51/2001/EC: “A directiva da UE foi aprovada em 2001. Simplificando, ela estabelece que a companhia de transportes – seja de aviação ou de navegação – é responsável por certificar-se de que os cidadãos nacionais de fora da Europa e que viajem para a Europa possuem documentos válidos. No caso contrário, o repatriamento é feito às custas da companhia transportadora“. É quase como dizer: “Senhor, abra mais as portas do Céu!

As ONGs de Soros fazem soar os tambores da guerra

O cinismo do apelo de Soros aos contribuintes de impostos da UE para que correspondam ao nível do desafio e recebam milhões de novos refugiados, os tragam de avião sem papéis e tudo o mais, fica claro quando reparamos que a mesma rede de ONGs activa na Síria desenvolve propaganda promovendo uma nova zona de exclusão aérea neste país como já foi feito no Iraque em 1991 e na Líbia em 2012, causando o retrocesso destes dois últimos para os primórdios da Idade da Pedra.

Uma das peças chave na Internet para a promoção da zona de exclusão aérea tão cara aos EUA/RU – pese embora tal intenção estar agora bloqueada pela intervenção russa de 30 de Setembro – é a organização denominada Avaaz. A Avaaz recebeu um apoio financeiro inicial da fundação Soros em 2007 para promover políticas essenciais alinhadas com o Departamento de Estado (Ministério dos Negócios Estrangeiros) dos EUA. Menciona a fundação “Open Society” como parceiro fundador. Avaaz teve um papel fundamental na promoção da zona de exclusão aérea na Líbia em 2011, que introduziu um regime de terror e caos naquela que fora uma nação africana próspera e estável. A Avaaz está agora a tentar repetir o mesmo estratagema na Síria.

Outra ONG financiada por Soros que activamente demoniza o governo de Assad como causador de todas as atrocidades na Síria e tenta ganhar apoio público para a necessidade dos EUA/RU se envolverem numa nova guerra é a Amnistia Internacional. Suzanne Nossel, que foi directora do ramo norte-americano da Amnistia Internacional até 2013, tinha trabalhado antes no Departamento de Estado, onde fora vice-Secretária de Estado, não propriamente o melhor currículo para apoiar uma perspectiva imparcial do conflito na Síria. A agência Human-Rights Watch, igualmente financiada por Soros, desempenhou um papel importante na divulgação dos massacres de civis feitos pelo EI e e por Al Quaeda, atribuindo-os falsamente ao regime de Assad, como forma de forçar a intervenção militar dos EUA/RU.

As guerras no Médio Oriente e outras guerras incluindo a da Ucrânia resultam da doutrina de política externa delineada em 1992 pelo então Secretário Adjunto da Defesa do EUA Paul Wolfowitz, a infame doutrina Wolfowitz, que justifica as guerras perventivas, ao arrepio do Conselho de Segurança da Nações Unidas, a empreender contra qualquer nação ou grupo de nações que ameacem o papel de Superpotência Mundial Única dos EUA. George Soros, o especulador financeiro que se auto-intitula filantropo e as suas fundações isentas de impostos são parte integrante da máquina de guerra preventiva. Agora Soros pretende explicar aos países da UE e à Alemanha acima de tudo como devem receber os escombros humanos que resultaram das guerras que ele e os seus acólitos conduziram. É muita temeridade, ou talvez seja demasiada presunção.

Soros Plays Both Ends in Syria Refugee Chaos, New Eastern Outlook, 18.12.2015