Archive for the ‘trapaça’ Category

O Futepernas

Wednesday, June 30th, 2010

Não acho honesto que o seleccionador Carlos Queirós reconheça a vitória dos espanhóis sobre a selecção portuguesa.

Porque os espanhóis nunca foram atrás da bola, que isso dava muito trabalho.

Em vez disso, só os vi a ir atrás foi das pernas dos adversários.

Que apesar de tudo, sempre correm menos do que a bola.

Eles apenas jogaram futebol enquanto detinham a posse da bola, fora isso jogaram futepernas.

Foi uma vitória do futepernas sobre o futebol, e quem perdeu, mais do que Portugal, foi o futebol.

O golo apenas surgiu, na altura em que os portugueses ficaram exaustos e deixaram de conseguir fazer o papel de palhaços. E mesmo assim o golo foi defendido, o nosso bravo Eduardo do Braga apenas deixou passar a recarga, por falta de comparência da nossa defesa.

Assim que conseguiam apoderar-se da bola, de tanto correr atrás dela, os espanhóis atiravam-se logo às pernas dos atrevidos, atingindo-as em menos tempo do que os olhos dos mesmos procuravam algum companheiro a quem pudessem transferir o precioso achado.

O árbitro nada via, porque era apenas o décimo segundo jogador, e não trabalhava nem ganhava para arbitrar futepernas, apenas arbitrava futebol.

Se por acaso a situação fosse a inversa, e o árbitro em vez de argentino fosse brasileiro, não estou a ver o seleccionador castelhano a felicitar a vitória lusa.

O preço da injustiça

Thursday, April 16th, 2009

Veio agora ao conhecimento do público, que as famílias das 59 vítimas mortais da queda da ponte de Entre-os-Rios foram contempladas com o pagamento das despesas judiciais correspondentes ao serviço desempenhado pelo ministério público.

Não se percebe como é que, se o ministério público é que perdeu a causa, os familiares das vítimas é que ficam a pagar as custas judiciais. Porque na nossa justiça, o pagamento das custas fica a cargo de quem perde a causa.

Portanto, para se poder perceber qual o destinatário da factura, teremos que admitir que quem perdeu a causa foram os familiares das vítimas, e quem ganhou a causa, foi o estado.

Ou seja, o ministério público na realidade não representou os familiares das vítimas, mas sim o estado.

Porque no campo formal, ou seja no tribunal, o ministério público em vez de se virar para o estado, andou apenas atrás dos serviços e dos técnicos que se limitavam a cumprir as orientações que lhes eram impostas pelo estado, com as limitações que também lhes eram impostas pelo mesmo estado, e das camionetas de areia, que se entretinham a explorar as autorizações de extracção que também lhes eram impostas pelo mesmo estado.

Ou seja, o que o tribunal andou a fazer foi apenas a atirar-nos areia para os olhos, acabando por concluir, bem ou mal, que todos os visados não fizeram mais do que funcionar dentro das competências que lhes eram impostas pelo estado.

E a sentença formal, foi a de que ninguém foi considerado culpado… pela queda da ponte!…

Quando o que os familiares das vítimas, e toda a população portuguesa estavam à espera, é que fosse apurada a responsabilidade, não da queda da ponte, mas sim das suas consequências em vidas humanas.

Aí é que residia a verdadeira causa, porque o estado é que tem a capacidade de abrir ou fechar ao trânsito as estruturas rodoviárias, em nome precisamente do risco em vidas humanas.

Portanto, o que o ministério público andou a fazer foi a branquear a responsabilidade do estado perante as consequências da queda da ponte em vidas humanas.

E isso só foi possível, porque ocorreu uma violação do princípio da independência do poder judicial ao poder político, ou seja, porque o poder judicial foi utilizado pelo poder político para retirar as consequências que cabiam ao estado perante a tragédia.

E os resultados dessa violação, são muito mais pesados para os cidadãos do que a factura das custas judiciais. Porque essa factura, até pode vir a ser suportada pelo próprio estado, ou seja por todos nós, abrindo uma qualquer excepção que se destine a acalmar a tensão social resultante dessa injustiça que ninguém consegue compreender.

Os principais resultados dessa violação, consistem em afirmar a todo e qualquer cidadão que esteja ou venha a recorrer à justiça, que os serviços de justiça em Portugal possuem um limite que não se encontra na lei, mas que limita a aplicação de justiça às relações que não envolvem a responsabilização do estado.

A lei diz apenas que os juízes são inimputáveis, mas a política acrescenta à lei que o estado também é inimputável.

Se queres justiça, limita-te a acusar outros particulares como tu, mas deixa o estado fora disso porque a nossa justiça não inclui a responsabilização do estado.

Para cantar na camioneta … !!

Monday, October 20th, 2008
Para todos aqueles que se preparam para se deslocar a Lisboa, aqui envio uma sugestão para animar a caminhada.
Desejando uma boa viagem, na companhia daqueles que não deixam por mãos alheias a reclamação do que sentem como seu.

Uma pergunta para o GAVE:

Friday, June 20th, 2008

Assinalar com uma cruz, duas ou três cruzes ou nenhuma cruz, qual é a resposta que deve obter a cotação total da pergunta:

a) o aluno trabalhou correctamente a questão proposta, mas no campo “resposta” inseriu uma resposta errada;

b) o aluno trabalhou incorrectamente a questão proposta, mas no campo “resposta” inseriu a resposta certa;

c) o aluno trabalhou correctamente a questão proposta, mas não preencheu o campo “resposta”.

Se algum leitor por acaso conseguir encontrar um documento oficial com a resposta a esta questão, agradecia que inserisse essa resposta no comentário.

Muito obrigado,

Smedley Butler – A Guerra é uma trapaça

Tuesday, January 9th, 2007

A melhor definição que encontro para trapaça é algo que não corresponde àquilo que parece ser à maior parte das pessoas. Apenas um grupo restrito sabe do que se trata. É conduzida para benefício de muito poucos à custa das massas.

A GUERRA é uma trapaça. Sempre foi.

Deve ser a mais antiga, é facilmente a mais rentável, é certamente a mais viciosa. É a única que tem um âmbito internacional. É a única em que os ganhos são medidos em dólares e os prejuizos em vidas…

As taxas de juro normais em negócios nos Estados Unidos da América é de seis, oito, dez, e às vezes doze porcento. Mas os juros da Guerra – Ah! Isto é outra loiça – vinte, sessenta, cem, trezentos e mesmo oitocentos porcento: o céu é o limite. Toda a dinheirama aparecerá. O Tio Sam tem-na: vai buscá-la.

Claro que as coisas não são apresentadas desta forma cruel em tempos de Guerra. Vão revestidas em discursos sobre patriotismo, amor à patria.

Excertos traduzidos de:

publicado em 1933