Archive for the ‘opinião’ Category

O Futepernas

Wednesday, June 30th, 2010

Não acho honesto que o seleccionador Carlos Queirós reconheça a vitória dos espanhóis sobre a selecção portuguesa.

Porque os espanhóis nunca foram atrás da bola, que isso dava muito trabalho.

Em vez disso, só os vi a ir atrás foi das pernas dos adversários.

Que apesar de tudo, sempre correm menos do que a bola.

Eles apenas jogaram futebol enquanto detinham a posse da bola, fora isso jogaram futepernas.

Foi uma vitória do futepernas sobre o futebol, e quem perdeu, mais do que Portugal, foi o futebol.

O golo apenas surgiu, na altura em que os portugueses ficaram exaustos e deixaram de conseguir fazer o papel de palhaços. E mesmo assim o golo foi defendido, o nosso bravo Eduardo do Braga apenas deixou passar a recarga, por falta de comparência da nossa defesa.

Assim que conseguiam apoderar-se da bola, de tanto correr atrás dela, os espanhóis atiravam-se logo às pernas dos atrevidos, atingindo-as em menos tempo do que os olhos dos mesmos procuravam algum companheiro a quem pudessem transferir o precioso achado.

O árbitro nada via, porque era apenas o décimo segundo jogador, e não trabalhava nem ganhava para arbitrar futepernas, apenas arbitrava futebol.

Se por acaso a situação fosse a inversa, e o árbitro em vez de argentino fosse brasileiro, não estou a ver o seleccionador castelhano a felicitar a vitória lusa.

O que pensa do G20?

Monday, March 30th, 2009
Quase sempre aqui aparecem escritos seleccionados. Alguns autores aparecem mais vezes, mas são muito poucos (lembro-me apenas de Joseph Stiglitz). Para hoje vou trazer um novo autor: a voz daqueles que são desconhecidos. (AF)




D L, Runcorn
Se o governo quiser encorajar o consumo, porque não reduzir os impostos, o que nos daria mais dinheiro para gastar? Se fazemos trabalho suplementar, somos taxados. Porque não eliminar o imposto que incide sobre o trabalho suplementar, o que permitiria que mais gente trabalhasse mais e conseguisse consumir mais?
Ali, Crianlarich
Lembram-se de Darvos? O primeiro-ministro turco apressou-se a reconhecer o valor e a oportunidade em dialogar com Israel, permitindo então que a sessão fosse interrompida para o jantar.

O G20 devia ser encarado como um investimento, no qual o público encontrará interesse benefíco caso consiga distinguir um retorno tangível. Davros definiu um bitola demasiado baixa a este respeito… Qual será a ementa neste jantar? Para quem é o sorvete de lagosta?

Gerald Alor, Leicester
Os planos de salvação do governo nada mais significam que proteccionismo. Em primeiro lugar, as ajudas financeiras destinam-se a salvar a economia doméstica e estancar os despedimentos, com uma hipótese de respingos benéficos para o comércio internacional. Dada a situação actual, será difícil tentar convencer aqueles países que foram capazes de alimentar a sua economia com prudência, que cedam a sua bposição paguem as facturas dos outros que não conseguiram. O G20 tem uma tarefa enorme e difícil pela frente. Boa sorte.
Muhammad Zaman
O que pode fazer o G20?

Porque devem os participantes ostentar-se em hotéis de luxo em Londres ou em estâncias de veraneio na Suíça?

Sem surpresa, os participantes não fazem a mínima ideia daquilo que aflige as pessoas no mundo real.

Em vez de nos escarnecerem à mesa cheia de foie-gras, anchovas, Brunello di Montalcino e caviar, talvez fosse melhor ideia usarem nas refeições os orçamentos diários dos desempregados, dos pensionistas ou dos trabalhadores dos países do Terceiro Mundo.

Porventura ficariam em posição mais favorável para captarem a realidade do mundo que os envolve.

, 4 de Março de 2009

Em 11 de Fevereiro…

Wednesday, February 7th, 2007

Se és pela vida, afirma a tua determinação:

Em vez de votares numa só vida, vota nas duas: mãe e filho!

Cruz no NÃO, a favor da coragem e contra a negação.

O que nos distingue

Monday, February 5th, 2007
Dos outros animais é a posição hierárquica na cadeia alimentar. Nós não temos regras de etiqueta porque somos humanos. Temos estas regras porque dominamos a estrutura e com isso enchemos a barriga, dormimos quentinhos e não temos medo dos leões- eles não tem a chave de casa.
Imaginam um leão (já representativo de uma posição invejável) a preparar um babete que ampare os salpicos de sangue da carcaça de uma zebra? Não me parece.
Como nada fizemos para aqui chegar, visto que apenas herdámos esta conquista dos nossos antepassados, neste momento, qualquer associação de baratas seria suficiente para nos destronar.
É portanto legítimo dizer que devemos a nossa moral aos defuntos conquistadores que, segundo me parece, apenas souberam ser mais fortes e/ou mais inteligentes e/ou mais violentos.

Aritmética da moral:

Força Bruta+Astúcia+Violência Organizada=Princípios

George McGovern – A guerra dos belicistas

Thursday, January 25th, 2007

Através das suas palavras, as ideias do orador escorrem fluidas nesta palestra do Clube da Imprensa. George McGovern encarna o que há de melhor do pensamento político nos Estados Unidos da América (EUA). Uma intervenção de qualidade invulgar. (AF)


Estou feliz por regressar ao Clube da Imprensa. Para dizer a verdade, com 84 anos, já me sinto feliz por me encontrar em qualquer sítio. Em jovem, pensando no envelhecimento e querendo parecer sensato, dizia: “Não importa os anos que tenha, mas sim o que tiver feito ao longo dos anos”. Já não penso assim. Agora quero chegar aos cem anos. Porquê? Porque gozo plenamente a vida e há tantas coisas que tenho ainda que fazer, antes de penetrar nos mistérios do além.

A mais importante destas coisas é retirar os soldados americanos da armadilha infernal que Bush-Cheney e seus teóricos neo-conservadores criaram no Iraque; que – em tempos – foi o berço da civilização. Crê-se ter sido o lugar dos Jardins do Éden. Relembro aos neo-conservadores o reparo de Walter Lippman: “Nada há de mais perigoso que o belisista.”

Questões impertinentes

Entre as coisas que me fazem sentir saudades dos 18 anos que passei no Senado dos EUA estão as histórias dos velhos democratas do Sul. Nem sempre votei com eles, mas adorava a sua técnica de responderem aos seus opositores com histórias de humor. Uma vez, quando o senador Sam Irvin da Carolina do Norte teve que contestar uma questão difícil colocada por Mike Mansfield, disse: “Sabe, Senhor Dirigente, a sua questão lembra-me a do velho pregador protestante que contava a história da Criação aos rapazes da escola num domingo: ‘Deus criou Adão e Eva. Desta união nasceram dois filhos, Caim e Abel, e então a raça humana desenvolveu-se.’ Um dos rapazes perguntou: ‘Reverendo, onde foram Caim e Abel buscar as suas mulheres?’ Depois de hesitar por momentos, o pregador respondeu: ‘Jovem, são questões impertinentes como essa que ferem a religião.’”

Pois bem, Sr Bush Júnior, preparei algumas questões impertinentes para si.

Sr Presidente, Excelência, quando o repórter Bob Woodward lhe perguntou se tinha pedido conselho ao seu pai antes de dar a ordem de avanço às tropas para o Iraque, respondeu: “Não, ele não é o género de pai que é preciso consultar para se tomar uma decisão como esta. Falei com o meu Pai celestial que está acima de nós.” A questão que tenho para lhe apresentar, Sr Presidente, é: se Deus lhe exigiu que bombardeasse, invadisse e ocupasse o Iraque por quatro anos, porque deu uma mensagem contrária ao Papa? Sabe que o seu pai, George Bush Sénior, o respectivo Secretário de Estado, James Backer, além do Consultor para a Segurança Nacional, o general Scowcroft, se oposeram à sua invasão? Não teria sido melhor para si, para as nossas tropas, para todos os americanos e iraquianos se tivesse prestado atenção às pessoas mais experientes, incluindo o seu pai terreno? Em vez de culpar Deus pela terrível catástrofe que espalhou pelo Iraque, não tería sido menos pretensioso se se justificasse com a muito citada explicação para os erros: “O diabo mandou-me fazê-lo?”

E, Sr Presidente, após os ataques do 11 de Setembro contra as torres gémeas em Nova York, que atraiu sobre nós a simpatia e o apoio de todo o mundo, porque ordenou a invasão do Iraque, que nada tem a ver com o 11 de Setembro? Tem consciência de que os seus actos delapidaram a reserva de confiança internacional sobre as boas intenções dos EUA? Qual o custo para a América da destruição do estatuto e influência do nosso país aos olhos do mundo?

Porque razão, Sr Presidente, presssionou a CIA a reportar falsidades sobre o fabrico de armas de destruição maciça incluindo armas nucleares? E, quando mandou o Secretário de Estado, Colin Powel, deslocar-se a Nova York para apresentar às administrações das Nações Unidas “provas” de que o Iraque era uma ameaça nuclear eminente para os EUA, sabe porventura que, depois de ler esse depoimento fraudulento, o Sr Powel disse a um ajudante que as supostas provas eram “merda”?

É razoável para si, Presidente Bush, que Colin Powel tenha dito no fim do seu primeiro mandato que ele não continuaria na sua administração caso fosse eleito para um segundo mandato? Que pessoa decente poderia sobreviver a dois mandatos completos de imposição de mentiras e fraudes?

E Sr Presidente, como disfruta os seu tempos de descanso, e como consegue dormir à noite, sabendo que 3.014 jovens americanos morreram numa guerra que desencadeou por engano? Que tem a dizer aos 48.000 jovens americanos estorpiados física ou mentalmente para o resto das suas vidas? Que tem a declarar quanto às conclusões do mais importante jornal de Medicina britânico (Lancet) que nos informa que, desde que iniciou os bombardeamentos e ocupação do Iraque há quatro anos, já foram mortos 600.000 iraquianos: homens, mulheres e crianças? O que pensa da destruição dos lares iraquianos, dos seus sistemas de abastecimento de água e de electricidade assim como dos seus edifícios públicos?

Vietname

E Sr Bush e Sr Cheney, embora nunhum de vós tenha estado alguma vez em combate (tendo o Sr Cheney requerido e obtido cinco adiamentos de incorporação durante a guerra do Vietname), terão pelo menos lido ou recebido informações sobre os custos terríveis dessa guerra mal-aconselhada e igualmente sem fim que a América impôs ao minúsculo Vietname? Repararam que outro presidente do Texas, Lyndon Baines Johson, desistiu de se candidatar ao segundo mandato, em parte, porque perdeu credibilidade devido ao seu desastroso envolvimento na guerra ao Vietname? Tendes consciência de que um dos mentores principais daquela guerra, o Secretário da Defesa Robert McNamara, resignou ao seu posto e publicou anos mais tarde um livro em que declarou que a guerra foi um logro trágico? Conheceis a história recentemente vinda a lume que relata que 58.000 jovens americanos morreram nesto processo de matar 2 milhões de vietnamitas: homens, mulheres e crianças? Se não conheceis este terrível logro do Vietname, conheceis ao menos a afirmação de um dos nossos grandes filósofos: “Aqueles que desconhecem a História estão condenados a repeti-la.” E, Sr Presidente, no meio da sua ignorância das lições da História, não estará a condenar as nossas tropas e o nosso povo a repetir a mesma tragédia no Iraque?

Durante os longos anos desde 1963 até 1975, quando lutei para pôr termo à guerra do Vietname, inicialmente como senador da Dacota do Sul e, mais tarde, como membro designado pelo meu partido para a candidatura presidencial, certa noite, as minhas quatro filhas conspiraram contra mim: “Pai! porque não desistes dessa luta? Andas a vituperar essa guerra louca desde que somos bébés. Quando ganhares a nomeação para presidente pelo Partido Democrático, vais ficar esmagado por Nixon.” Retorqui: “Não esqueçam que acontece na História que até erros trágicos podem conduzir a algo de bom. O bom àcerca do Vietname é que é um logro tão terrível, que não iremos repeti-lo novamente.” Sr Presidente, caímos novamente nessa asneira. Que devo dizer às minhas filhas? E que diz o Sr às suas filhas?

Sr Presidente, não falo como pacifista nem como tosco espertalhão. Falo como um dos que, após o ataque a Pearl Harbour, se apresentou voluntariamente aos dezanove anos na Força Aérea e completou 35 missões de vôo num bombardeiro B-24. Acreditei nessa guerra na altura e continuo a acreditar nela hoje, passados que são 65 anos – e, como eu, o resto da América. Sr Presidente, faltar-lhe-á capacidade intelectual e moral para distinguir entre uma guerra justificada e as guerras de loucura do Vietname e do Iraque?

Opinião pública

As sondagens à opinião pública indicam que dois terços dos americanos pensam que a guerra do Iraque foi um erro da sua parte. É largamente aceite que esta guerra constituiu a razão principal da mudança de ambas as câmaras do Cogresso para os democratas. As sondagens realizadas entre os iraquianos indicam que quase todos desejam que a nossa presença militar no seu país nos últimos quatro anos termine já. Porque insiste em desafiar a opinião pública tanto dos EUA como do Iraque e demais países sobre a Terra? Julga-se omnisciente? Qual a sua opinião sobre a doutrina da auto-regulação que tanto prezamos na América?

E, milagre dos milagres, Sr Presidente, depois de tal matança e destruição, primeiro nas florestas vietnamitas, depois no deserto árabe, como consegue mandar mais 21.500 soldados americanos para o Iraque? Tem a noção de que, à medida que a guerra do Vietname andava de mal para pior, os nossos dirigentes enviaram mais tropas e desperdiçaram mais milhares de milhões de dólares até que o número de soldados dos EUA que se encontravam naquele pegueno país chegou a atingir os 550.000? Como velho piloto bombardeiro, até tremo só de me lembrar que caíram mais bombas sobre os vietnamitas e o seu país que o total de bombas despejadas por todas as aviações militares em todos os países na Segunda Guerra Mundial. Está, Sr Presidente, honestamente convencido de que precisamos de mais dezenas de milhares de soldados e de um orçamento suplementar de guerra da ordem de 200 mil milhões de dólares , antes de nos retirarmos deste pesadelo da velha Bagdad?

Coservador compassivo

No início da sua campanha para presidente, Sr Bush, definiu-se a si próprio como um “conservador compassivo”. Onde está a compaixão, quando se condena a juventude americana a uma guerra desnecessária e sem fim á vista que já durou mais tempo que a Segunda Guerra Mundial? E que há de conservador em reduzir os impostos necessários para financiar esta guerra, optando em vez disso por elevar a nossa dívida externa a nove biliões de dólares com dinheiro emprestado pela China, Japão, Alemanha e Grã-Bretanha? Será este déficit selvagem a sua idéia de conservadorismo? Sr Presidente, como pode um verdadeiro conservador ser indiferente aos custos sempre crescentes da guerra que já atingiram os 7 mil milhões de dólares por mês, ou seja, 237 milhões por dia? Perdurbá-lo-á, como conservador que afirma ser, tomar conhecimento de que apenas os juros da nossa dívida cósmica já ascendem a 760.000 dólares por cada dia que passa? Sr Presidente, o nosso compatriota – agraciado com o prémio Nobel – Joseph Stiglitz, estima que, se esta guerra se prolongar até 2010 como indicou, o seu custo irá exceder um bilião de dólares.

Talvez devesse meditar, Sr Presidente, nas palavras de um genuino conservador, o parlamentar inglês do século XIX, Edmund Burke: “Um homem conscioso deve rodear-se de cautelas ao decidir assuntos que implicam sangue”.

E, Sr Presidente, no momento em que os mais respeitados generais chegaram à conclusão de que o caos e o conflito no Iraque não podem ser resolvidos nem por mais dólares americanos nem por mais mortes de jovens americanos, alguma vez teve em consideração os sentimentos da ansiosa e perturbada sociedade doméstica? Que tal as palavras de outro verdadeiro conservador, o general e presidente Dwight Eisenhour, que afirmou: “Cada espingarda que é fabricada, cada navio de guerra que é lançado ao mar, cada disparo de canhão significam, em última instância, uma ameaça para os que têm fome e não têm alimento, para aqueles que têm frio e não têm roupa para se proteger.”

E, Sr Presidente, não lhe faria bem tal como a todos nós, considerar as palavras de despedida do presidente Eisenhower: “Nos gabinetes governamentais, deveremos estar alertas contra a presença não solicitada do complexo militar-industrial. O perigo do crescimento desastroso de um poder sem controlo existe e continuará a existir”.

Finalmente, Sr Presidente, pergunto-lhe se honrou o seu juramento feito sobre a Constituição, ao usar aquilo que designa por guerra ao terrorismo para atacar os Direitos e Garantias dos cidadãos? Em qual teoria constitucional se baseia para a detenção de prisioneiros sem acusação, por vezes torturando-os em prisões estrangeiras? Com que base constitucional ou legal intercepta chamadas telefónicas sem aprovação dos tribunais como é exigido por lei? Estará Vossa Excelência acima da Constituição, acima da Lei e acima da Convenção de Genebra? Se estamos a lutar pela liberdade no Iraque, porque se mostra tão indiferente à protecção das liberdades aqui, nos EUA?

Fora do Iraque

Muitos americanos interrogam-se: “A guerra americana no Iraque criou aí uma confusão horrível, mas como poderemos abandoná-lo agora?” William Polk, um antigo professor de Estudos do Mádio Oriente nas universidades de Harvard e Chicago e também antigo perito em questões do Médio Oriente no Departamento de Estado, emparceirou comigo na escrita de um livro recente, solicitado pela editora Simon & Schuster. O título é: “Fora do Iraque: Um Plano Prático para o Repatriamento Imediato.”

Sinto-me embaraçado em apresentá-lo, e por isso reproduzo as palavras da respeitável jornalista do New York Times e agora também da Newsweek, Anna Quindlen, que declarou em entrevista ao excelente programa de televisão de Charlie Rose: “É um livro maravilhoso que recomendo a todos. É muito pequeno e muito fácil de ler, este livro de George McGovern e de William Polk chamado ‘Fora do Iraque’. Rapidamente passa pela história deste país, a sua construção, como chegámos lá, que argumentos usámos na altura – muitos deles sem fundamentação – e como poderemos sair de lá. É como uma obra-prima. Penso que toda a Nação deve lê-lo e, então, estaremos unidos.”

Se pretenderem segunda opinião, posso citar também a do estimado Liberty Journal: “Neste livro, com argumentos vigorosos e convincentes, o ex-senador McGovern e o académico Polk desenvolvem uma crítica contundente e clara à guerra no Iraque. O que torna este livro altamente legível singular é que não só argumenta porque devem os EUA retroceder militarmente do Iraque já, mas também indica claramente os passos práticos que devem ser dados para o repatriamento das tropas. Uma leitura obrigatória para todos os que desejam terminar com a confusão em que está envolvida a actual política dos EUA. Altamente recomendável para o público e para a academia.”

O professor Polk é descendente do Presidente Polk e irmão do notável George Polk, que se encontra hoje connosco vindo da sua residência do Sul de França, e que se juntará a mim neste pódium no final desta interrogação imparcial que fiz ao presidente Bush. E agora, caros membros do Clube de Imprensa e convidados, é a vossa vez de examinarem Bill Polk e a mim próprio , certamente, do mesmo modo imparcial.

George McGovern, o canditado presidencial do Partido Democrático em 1972, esteve ao serviço da Casa dos Representantes desde 1957 até 1961 e do Senado por 18 anos. Foi também presidente do Conselho para as Questões do Médio Oriente em Washington, DC durante seis anos. Pronunciou o seu discurso na National Press Club em Washington, DC em 12 de Janeiro de 2007.

Tradução integral do artigo:

publicado a 22 de Janeiro por .

Franklin Spinney – Porque não corre o tempo a favor de Bush?

Wednesday, January 17th, 2007

Já nem os analistas militares acreditam em Bush? (AF)


Franklin C. Spinney foi analista do Pentágono, tendo trabalhado no DoD (NT – Departamento de Defesa) durante 33 anos, dos quais 28 no Pentágono. Nos primeiros 7 anos foi oficial engenheiro da Força Aérea e no restante analista civil na sede da Secretaria de Defesa. Os seus escritos sobre as questões de defesa podem ser encontrados no sítio

O ponto fundamental de qualquer estratégia de condução da guerra é a arte de colocar o adversário debaixo de uma pressão ameaçadora tal que ele se veja obrigado a tomar uma decisão, retirando-lhe a oportunidade de decidir razoavelmente fora do contexto imposto pela ameaça. A comissão Backer tentou comprar tempo, lançando uma bóia de salvação para o Comandante-em-Chefe, mas este recusou-a, tendo optado por desperdiçar dois meses de tempo precioso para alinhavar uma estratégia que, no melhor dos casos, exigiria um horizonte temporal alargado para que fizesse sentido e fosse executada militarmente.

O Sr Bush, pelas sua próprias palavras, não se encontra nas melhores circunstâncias. O resultado é uma amálgama de contradições paralisantes. Pior do que isso é o facto de estar a perder a oportunidade.

O crédito da estratégia do Comandante-em-Chefe está em risco. A reacção do público ao seu discurso de expansão da guerra foi morna, para sermos suaves. Enfrenta uma oposição crescente entre os republicanos do Capital Hill, não contando com a alienação para os democratas de ambas as câmaras do Congresso. Em resumo, a coesão interna dos Estado Unidos está a desfazer-se, o que Sun Tsu teria previsto facilmente, dadas as deturpações a que Bush recorre para justificar a agressão ao Iraque. Azar ainda maior, a predisposição do nosso aliado mais importante está a enfraquecer. Tony Blair já disse e repetiu que a Grã-Bretanha não enviará mais tropas para o Iraque e dará seguimento ao seu plano de repatriamento das tropas estacionadas no Sul chiita.

O plano militar de Bush está também desfasado da realidade política e militar do Iraque. Segundo um relatório do New York Times datado de 15 de Janeiro, Bush está a implementar uma controversa cadeia sobreposta de comando envolvendo iraquianos e americanos em cada nível de tomada de decisão. Analisando positivamente, o esforço suplementar de coordenação acarreta demoras de tempos (NT – em português, no original) operacionais com sacrifício da oportunidade. No pior dos casos, com a intromissão de mais gente de lealdade duvidosa nos processos de tomada de decisão em todos os níveis, a cadeia de comando inventada por Bush não só aumentará as oportunidades dos nossos adversários, como lhes facilitará as condições para se inflitrarem e agirem por dentro dos nossos planos tácticos e operacionais.

E há mais loucuras.

O sistema de comando e controlo do Sr Bush entra em contradição com a sua própria estratégia de “conquistar e ocupar”. “Conquistar e ocupar” pressupõe a possibilidade de disseminar pequenos êxitos tácticos para alcançar sucessos operacionais mais amplos; culminando eventualmente na obtenção do objectivo geral. Mas a estrutura de comando e controlo que se prepara para implementar tornará muito mais fácil para os nossos adversários anular esta estratégia desarticulando-a nos níveis tácticos e operacionais inferiores do conflito, que são determinantes.

Nada há de novo na teoria da “conquista e ocupação” senão a aplicação da feitiçaria do Sr Bush, para dizer o mínimo. “Conquista e ocupa” é, de facto, uma retomada adulterada da estratégia que o Marechal Lyautey empreendeu nos tempos coloniais da entrada do século XX, sob o nome de tache d’huil (NT – em francês no original; mancha de óleo), para ganhar o apoio de diversas tribos árabes/berberes do Norte de África, em troca de protecção e serviços sociais – numa expansão lenta e metódica da área sob domínio francês. Tal como Lyautey, o Sr Bush usaria unidades rápidas de infantaria ligeira para desfazer depressa as concentrações do inimigo; e tal como Lyautey, o Sr Bush compreende que o sucesso desta estratégia depende da expansão gradual das zonas pacificadas ou “manchas de óleo”. Mas, ao contrário de Lyautey, que percebeu perfeitamente que esta estratégia exigia um tempo dilatado, a atitude do Sr Bush, tal como a dos seus apoiantes, é “vamos dar-lhes um tiro rápido” para vermos se alcançamos resultados tangíveis em alguns meses numa frente urbana.

Muita gente morrerá neste tiro rápido porque, infelizmente, o TEMPO está a favor daqueles que nos querem expulsar do Iraque e eles sabem disso, mesmo que discordem de tudo o resto que possamos dizer.

Os pilotos de combate usam uma descrição para a paralisia do pensamento que acompanha o estado mental desesperado que as confusões do Sr Bush evidenciam: O homem está “fora da altitude, da rota e do juízo”.

Tradução do original em inglês:

publicado em 17 de Janeiro de 2007 por

Eisenhower versus complexo industrial-militar

Thursday, January 11th, 2007

O complexo industrial-militar tornaria as despesas militares dependentes, não das necessidades da segurança nacional, mas da rede de fabricantes de armas, elementos dos lobies e funcionários eleitos…

Dwight D. Eisenhower