Archive for the ‘medo’ Category

11 de Setembro de 2001

Sunday, September 11th, 2011

Desde há dez anos que:
1. Começou a maior operação de encobrimento oficial de um crime exibindo todas as facetas de uma organização com acesso a grandes meios financeiros e militares.
2. Todos os governos do mundo foram sequestrados e passaram a governar subjugados pelo medo.
3. Os tribunais foram demitidos da sua função. Passaram a elemento decorativo na ordem social.
4. A NATO foi instrumentalizada e rasgou os seus estatutos.
5. A ONU abdicou de defender o direito internacional das nações; eclisou-se.
6. A guerra expansionista pelo controlo das matérias primas tomou conta das relações entre os países. Sucumbiram o Afeganistão, a Palestina. o Iraque, a Líbia, o Congo… Outros países aguardam a sua vez.

Esta situação subsiste hoje. Vozes avulsas, discordantes, foram descartadas. Políticos críticos foram silenciados. A soberania das nações foi reduzida a retórica.

Emídio Rangel, o vendedor de presidentes

Thursday, March 13th, 2008
É tão fácil vender um presidente como vender um sabonete. Nesta forma lapidar, com este cinismo, resume Emídio Rangel a sua maneira de estar na vida. Gosta de sentir o respeito e mesmo o medo de uma classe política impreparada e demagógica, carente dos seus serviços. Faz-se pagar regiamente e tem no sector público os seus principais clientes. Pelo êxito que tem tido, tenderia a concordar, pelo menos em parte, com ele. Só que alguns acontecimentos recentes vieram perturbar, certamente contra sua a vontade, o desempenho das suas artes de feitiçaria.
Na véspera da marcha da indignação, eis que Emídio Rangel perde as estribeiras. Olá! Pensei para comigo. Quando alguém se zanga, já deixou ficar a razão algures pelo caminho. Bastou um pouco de efervescência social, a subida de uns poucos graus da temperatura, um pequeno ajuste de contas de um sector profissional para com a tutela, para que Emídio Rangel reconhecesse que nesse ambiente, nada feito: nem sabonetes, nem presidentes. Sobra um Emídio Rangel desfeito, sem glória, incapaz de raciocinar, presa dos seus próprios fantasmas, exibindo um verdadeiro terror de existir. Como tudo era diferente quando parecia que todos dançavam ao mavioso som do seu canto de sereia. Pessoas que pareciam ajustadas ao seu figurino de embrutecimento, em lamento contínuo, incapazes de distinguir a fonte dos seus próprios males, necessitadas urgentemente de evasão ou, pelo menos, da ilusão da evasão.
Caro Emídio Rangel: o seu acto irreflectido fê-lo baixar uns pontos a cotação na bolsa. Com essa precipitação, permitiu que entrasse na cabeça dos seus hipotéticos clientes uma dúvida terrível sobre a sua capacidade e eficiência profissional, sobre a sua mensagem de confiança domesticadora. Não é legítimo pedir aos Rasputines deste mundo que salvem governantes incapazes, mas escusava de mostrar os seus medos de forma tão prematura quanto desastrada.

A nova Inquisição – Epílogo

Thursday, March 6th, 2008

Parece chegar a um consenso o episódio do do professor Manuel Cardoso da Escola EB 2,3 de Ribeirão no “Prós & Contras” .

O problema é que a acta que foi referida não apareceu na altura própria, e o jovem viu-se a braços com o ónus da prova num processo legal que não estava preparado para enfrentar, ainda por cima num ambiente de guerrilha permanente entre o ministério e os sindicatos, à volta dos recursos e contra-recursos judiciais que tem sido apanágio deste ministério.

Tudo isto porque a figura do “Livro de actas” deixou de fazer parte do quotidiano académico, deixando a acção de descontentamento dos docentes a descoberto no seu direito de defesa na altura em que essa acção possa assumir contornos jurídicos.

Em vez do Livro de actas, vulgarizou-se a elaboração de actas em folhas soltas, tornando o sistema muito mais permeável a actos de branqueamento decorrentes do interesse das partes.

“Os colegas na escola, andam receosos. O espírito é este.”

Manuel Cardoso – E pur si muove

Wednesday, March 5th, 2008

)

Exma Srª Drª
Maria de Lurdes Rodrigues
Ministra da Educação

Permita-me sugerir a Sua Exª que mande retirar imediatamente a que foi colocada no sítio da Internet do Ministério que dirige. Julgo que a ousadia da minha sugestão ficará clara ao longo da exposição.

O jovem professor de matemática Manuel Cardoso, de uma escola de Ribeirão, aparenta ter uma idade em que poderia ser meu filho. Na noite de 25 de Fevereiro exprimiu-se com uma coragem e clareza que não podem deixar de lhe ser reconhecidas. Foi quase o único interveniente que tocou num aspecto muito sensível da Educação que, pela sua gravidade, diria que suplanta todos os outros problemas que naquele programa foram levantados. O assunto interessa sobremaneira à parte da administração pública que dirige, mas principalmente a todos nós, simples cidadãos: o facilitismo instaurado no ensino. É sintomático que o documento de retratação que teve o despudor de exibir não mencione este aspecto e isso é o que me preocupa na máxima medida. Nem quero admitir a possibilidade de Sª Exª desconhecer o assunto, tão óbvio é ele aos olhos de toda a gente. Já me custa saber que, neste capítulo, desperdiçou todo o tempo para procurar uma solução satisfatória nos já muitos meses de governação que cumpriu e para os quais se sentiu merecedora do salário que aufere.

Como quer que os cidadãos acreditem na ausência de facilitismo, quando o abandono e insucesso crescem incompreensivelmente a partir do nono ano? O que falta fazer no ensino básico para que tal não continue a verificar-se? Porque falham redondamente a capacidade de expressão oral ou escrita e as competências rudimentares do cálculo no fim do básico, tão necessárias para o desenvolvimento das disciplinas de história, geografia, física e química do secundário? Como foi possível chegar a este estado de coisas? Em que falharam os ministros que a antecederam? Como construir o sucesso nos estudos superiores ou numa futura profissão nesta base? Que tem a dizer aos pais dos alunos para os deixar descansados? O facilitismo é a fonte de todo o desconforto no sistema de ensino. Quando muito se fala em competição, algo não conjuga com o que se observa no seu ministério. Nunca a vi preocupada com a desarticulação dos programas; com o absurdo das aulas de noventa minutos; a desiquilibrada distribuição dos períodos de actividade e descanso; a dispersão e superficialidade das matérias. Já nem quero referir a equiparação das faltas injustificadas dos alunos a faltas justificadas.

Qualquer pessoa um pouco mais experiente que o jovem do Movimento dos Professores Revoltados ter-se-ía munido da fotocópia da acta onde a recomendação atribuída ao inspector estaria explicitamente registada. E tê-lo-ía feito antes de se deslocar a Lisboa. A isso eu chamo: experiência política. Aquela que leva na medida justa em consideração o princípio da desconfiança entre as pessoas. Como bem sabe, não foi isso que Manuel Cardoso fez.

Sua Exª, accionando uma deslocação com caracter de urgência do corpo de inspecção à escola de Ribeirão, revelou uma grande preocupação com a hipótese de as afirmações do professor Cardoso corresponderem a uma realidade. Mas não precisava, para confirmar a existência do facilitismo bastar-lhe-ia perguntar a qualquer cidadão com que se cruzasse na rua. A não ser que os factos que a colocam em sobressalto sejam a muito improvável circunstância de uma afirmação daquele teor, feita por um inspector, ficar registada em acta com assinatura de todos os presentes e de não haver extravio de qualquer acta passados dois ou mais anos. É isso que a preocupa, Srª Ministra? Se é isso, então pode dormir descansada. Não honra o seu estatuto de ministra para quem os assuntos devem ser políticos e não pessoais, como afirma. Muito menos honra o nome do ministério onde se encontra. Diria que a especificidade das competências que demonstra seriam mais úteis noutro tipo de ministério, melhor ainda noutro tipo de regime. Como cidadão preocupado com as consequências desastrosas do seu e dos anteriores magistérios da pasta da Educação em Portugal, informo Sª Exª que a rapidez com que pretendeu resolver o facilitismo não contribuiu para me deixar descansado.

Ao ler o conteúdo da página que acima referi, não reconheço de modo algum o jovem Manuel Cardoso que vi no programa Prós & Contras. São necessariamente duas pessoas diferentes. Falta qualquer coisa de genuino, de irreverente que só existe naquela idade. Como se, em dois dias, o jovem passasse para o dobro da idade. Quando um jovem se auto-esmaga, aí começam a tocar todos os meus sinais de alarme. Desejaria que tais insólitos estivessem relegados para os confins da história, fora da realidade em que vivemos. O que começou como um debate de idéias em ambiente de tolerância democrática acabou como um embate brutal, com receios pela filha à mistura. A coragem que muitos querem reconhecer em Sª Exª encontrou no jovem e indefeso professor o pior alvo para ser demonstrada.

Enquanto a página da vergonha estiver publicada poderá Sª Exª vangloriar-se de coisas bem destestáveis: surpreender um jovem na sua inexperiência política; conter pelo menos um jovem revoltado e corajoso, cuja opinião foi directamente ao encontro do interesse público e da imagem que ele havia construido para a sua carreira profissional; escamotear uma questão pertinente com episódios menos relevantes; no limite, arrasar uma vocação. Não vou felicitá-la pelo seu feito. Perdeu uma oportunidade genuína de contar com a colaboração da juventude, irreverente que seja, para prosseguir os objectivos que se propõe.

Atenciosamente
António Ferrão




Afinal até actas há. Não são é públicas. Mas já começam a :

* Os resultados das Provas de Aferição deste ano (quase meio milhão) são difíceis de comparar com os anos anteriores, dado que, anteriormente, essas provas eram aplicadas por amostra. Todas as escolas devem interpretar esses resultados, definindo estratégias de melhoria;
* Os Conselhos Executivos têm de ter particular cuidado na nomeação dos correctores de exames. Segundo a responsável da Direcção Regional da Educação,

“Os alunos têm direito a ter sucesso. Talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média. O que honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos;”

(Obrigado Maria Lisboa)

E pur si muove

Angela Merkel – Quem tem medo da China?

Tuesday, September 18th, 2007

É sempre bom confrontar comportamentos. Ajudam-nos a avaliar aspectos da vida política com mais frieza.(AF)


Angela Merkel convidou o Dalai Lama para um encontro para “troca de ideias em privado” na Chancelaria. As autoridades chinesas não gostaram e os homens de negócios alemães também ficaram preocupados.

Fonte: Andreas Lorenz, correspondente em Pequim, in

publicado por em 17 de Setembro de 2007