Archive for the ‘Educação’ Category

O implacável

Sunday, November 16th, 2008

No passado dia 14 de Novembro, o Presidente da República mostrou-se indignado pelo lançamento de ovos por alguns estudantes por ocasião, primeiro de uma visita da Ministra da Educação, e depois pelos seus dois secretários de estado, a duas escolas públicas.

Apraz-nos o sentido cívico demonstrado pelo mais alto magistrado da nação a propósito de atitudes assumidas por menores, mas gostaríamos de observar a mesma indignação presidencial perante figuras bem mais relevantes, que ocupam os mais elevados cargos na chefia do estado e que têm vergonha do seu próprio registo biográfico.

Pessoalmente, preferia vir um dia a suportar a vergonha por um filho meu ser apanhado a atirar ovos podres, do que passar a vida envergonhado por ser governado por governantes que têm nojo do seu próprio currículo.

Quem sabe, se a política educativa da ministra da educação e dos seus secretários de estado, não será mais culpada pela atitude daqueles menores, do que os pais e os professores desses mesmos menores?

Ana Lima – Aos alunos e aos pais

Monday, October 20th, 2008

– Porque é bom estar precavido contra as informações, tantas vezes falaciosas, dos media e a campanha enganadora, folclórica, do Ministério da Educação …

– Porque, sobretudo, todos queremos o bem dos nossos alunos / dos nossos filhos, e uma escola pública de qualidade, impõe-se uma reflexão, e uma divulgação:

Por que razão acabam os alunos tão prejudicados por estes modelos educativos, por este processo de avaliação dos seus professores?

1. desde logo, as passagens quase administrativas que se antevêem (e a ministra apregoa sem pudor) e que mais tarde conduzirão esta geração (que, ainda por cima, vai competir com alunos de países europeus que levam a educação muito a sério)- apenas – ao desemprego.
Passagens essas (as estatísticas do sucesso), convém saber, que condicionam a avaliação dos professores e a cujo apelo apenas alguns (muito poucos) resistirão.

2. os Cursos de Educação e Formação (CEFS) em que o aproveitamento dos alunos que os integram (os que não conseguem ou não têm apetência por frequentar um curso de currículo ‘normal’) é um ‘dado adquirido’ – e exigido pela tutela, seja qual for o nível das suas aprendizagens (normalmente zero, não nos iludamos…) .
Em que estes alunos, conscientes da inimputabilidade dos seus comportamentos e do ’sucesso’ que lhes é, à partida, garantido, inviabilizam sistematicamente qualquer tentativa de se lhes ensinar o que quer que seja, fazem gala em evidenciar uma total ausência de empenhamento ou de interesse (seja pelo que for) e transformam a vida dos seus professores num inferno.
Futuro, mais que previsível – assegurado, para estes alunos: o desemprego, eventualmente a marginalidade

3. prejudicados, também (e muito!!) virão (estarão já) a ser, todos os alunos, pelo estado de exaustão em que se encontram os seus professores (e ainda agora começámos o ano lectivo), resultante de um processo burocrático que lhes consome tempo e energias para actividades alheias ao trabalho das aulas, por horários de permanência na escola para além de qualquer limite razoável e sem condições mínimas de trabalho, que os impedem de fazer aquilo que verdadeiramente interessaria: preparar aulas e materiais de apoio às aprendizagens dos seus alunos – em casa – que é onde melhor o fazem (onde sempre o fizeram…) , pura e simplesmente porque é aí que têm as condições necessárias.

Desta exaustão dos professores decorrem consequências inevitáveis:

– as aulas mal preparadas ou improvisadas
– a falta de paciência para com os alunos
– a demora na entrega dos testes e outros trabalhos
– a falta de saúde que se seguirá (que está já a afectá-los…)

É bom que se saiba que grande parte dos professores deste país já só se ‘aguenta’ à base de antidepressivos, ansiolíticos, calmantes, e .. cafés. Que grande parte vem tendo já muita dificuldade em dormir. Avaliem, então, do estado em que estarão, quando lidam com os vossos filhos…

É bom que se saiba, também, o que todos nós, professores (se calhar de todas as idades), já receamos: mais cedo ou mais tarde, ou ficamos de baixa, ou morremos! E não, não é exagero! (antes fosse.) Já no ano passado, foram inúmeros os casos de AVC a meio da aula, os casos de ‘n’ professores a terem de ser assistidos nas urgências dos hospitais porque a tensão arterial de repente ‘disparou’, em resultado do stress, do excesso de trabalho, do desgaste em que se traduzem horas e horas improdutivas passadas na escola , e das campanhas difamatórias a que vêm sendo sujeitos desde que esta equipa ministerial entrou em funções.

Então … parece-me claro: o futuro dos nossos alunos (e temo que próximo, muito próximo) só pode ser este: turmas e turmas sem aulas porque o professor ‘rebentou’ .

E levará tempo, muito tempo, até que a escola, o ministério, reponham as baixas. Até que nos substituam por outros masoquistas/ missionários. Esperemos, a bem dos nossos alunos, que não-mercenários.
E não, não haverá Magalhães que lhes valham…

E é precisamente isto, colegas, amigos, mães e pais, que, na minha opinião, os nossos alunos, os seus Encarregados de Educação, deveriam saber. E que está nas nossas -nas vossas- mãos explicar-lhes. Já.

Os filhos das classes ‘privilegiadas’ optarão por colégios particulares. Todos os outros verão o seu futuro seriamente comprometido: pelo baixo nível de exigência, pelo facilitismo, e pelo decorrente clima de indisciplina, de violência, que só poderá agravar-se.

A escola pública portuguesa, que até há bem pouco tempo tinha mais qualidade e melhores profissionais que a privada, irá brevemente reproduzir o modelo das escolas americanas que vemos nos filmes. Irá reproduzir, também, os actos violentos, impensáveis, que ocorrem nas escolas dos EUA, cujos ecos periodicamente nos chegam, carregados de horror.
É esta a meta desta equipa, no ME. Em nome da redução do déficit, da construção de uma imagem eleitoralista, de estatísticas fictícias para ‘Europa ver’.
É este o panorama , o futuro, de que temos, todos, de estar cientes. A tendência que temos, todos, obrigação de contestar, de inverter. Em nome dos nossos alunos, dos nossos filhos, dos filhos deles.

Saudações,

Ana Lima

Ana Lima in , 20 de Outubro de 2008

Concordo, como mãe e professora

Saturday, October 18th, 2008

Comentário copiado do Blog: Educação do meu umbigo
relativo ao post:

(EF)

CARTA DE E.de EDUCAÇÂO A JOSÉ SOCRATES

É longa, mas vale a pena ler

Sr. Engº José Sócrates,

Antes de mais, peço desculpa por não o tratar por Excelência nem por Primeiro-Ministro, mas, para ser franca, tenho muitas dúvidas quanto ao facto de o senhor ser excelente e, de resto, o cargo de Primeiro-ministro parece-me, neste momento, muito pouco dignificado.

Também queria avisá-lo de antemão que esta carta vai ser longa, mas penso que não haverá problema para si, já que você é do tempo em que o Ensino do Português exigia grandes e profundas leituras. Ainda pensei em escrever tudo por tópicos e com abreviaturas, mas julgo que lhe faz bem recordar o prazer de ler um texto bem escrito, com princípio, meio e fim, e que, quiçá, o faça reflectir (passe a falta de modéstia).

Gostaria de começar por lhe falar do “Magalhães”. Não sobre os erros ortográficos, porque a respeito disso já o seu assessor deve ter recebido um e-mail meu. Queria falar-lhe da gratuitidade, da inconsequência, da precipitação e da leviandade com que o senhorEngenheiro anunciou e pôs em prática o projecto a que chama de E-escolinha.

O senhor fala em Plano Tecnológico e, de facto, eu tenho visto a tecnologia, mas ainda não vi plano nenhum. Senão, vejamos a cronologia dos factos associados ao projecto “Magalhães”. No princípio do mês de Agosto, o senhor engenheiro apareceu na televisão a anunciar o projecto e-escolinhas e a sua ferramenta: o portátil Magalhães. No dia 18 de Setembro (quinta-feira) ao fim do dia, o meu filho traz na mochila um papel dirigido aos encarregados de educação, com apenas quatro linhas de texto informando que o “Magalhães” é um projecto do Governo e que, dependendo do escalão de IRS, o seu custo pode variar entre os zero e os 50 euros. Mais nada! Seguia-se um formulário com espaço para dados como nome do aluno, nome do encarregado de educação, Escola, concelho, etc. E, por fim, a oportunidade de assinalar, com uma cruzinha, se pretendemos ou não adquirir o “Magalhães”. No dia 22 de Setembro (segunda-feira), ao fim do dia, o meu filho traz um novo papel, desta vez uma extensa carta a anunciar a visita, no dia seguinte, do primeiro-ministro para entregar os primeiros “Magalhães” na EB1 Padre Manuel de Castro. Novamente uma explicação respeitante aos escalões do IRS e ao custo dos portáteis. No dia 23 de Setembro (terça-feira), o meu filho não traz mais papéis, traz um “Magalhães” debaixo do braço.

Ora, como é fácil de ver, tudo aconteceu num espaço de três dias úteis em que as famílias não tiveram oportunidade de obter esclarecimentos sobre a futura utilização e utilidade do “Magalhães”. Às perguntas que colocámos à professora sobre o assunto, ela não soube responder. Reunião de esclarecimento, nunca houve nenhuma.

Portanto, explique-me, senhor engenheiro: o que é que o seu Governo pensou para o “Magalhães”? Que planos tem para o integrar nas aulas? Como vai articular o seu uso com as matérias leccionadas? Sabe, é que 50 euros talvez seja pouco para se gastar numa ferramenta de trabalho, mas, decididamente, e na minha opinião, é demasiado para se gastar num brinquedo. Por favor, senhor engenheiro, não me obrigue a concluir que acabei de pagar por uma inutilidade, um capricho seu, uma manobra de campanha eleitoral, um espectáculo de fogo de artifício do qual só sobra fumo e o fedor intoxicante da pólvora.

Seja honesto com os portugueses e admita que não tem plano nenhum. Admita que fez tudo tão à pressa que nem teve tempo de esclarecer as Escolas e os professores. E não venha agora dizer-me que cabe aos pais aproveitarem esta maravilhosa oportunidade que o Governo lhes deu e ensinarem os filhos a lidar com as novas tecnologias. O seu projecto chama-se e-escolinha, não se chama e-familiazinha! Faça-lhe jus! Ponha a sua equipa a trabalhar, mexa-se, credibilize as suas Iniciativas!

Uma coisa curiosa, senhor engenheiro, é que tudo parece conspirar a seu favor nesta sua lamentável obra de empobrecimento do ensino assente em medidas gratuitas.

Há dias arrisquei-me a ver um episódio completo da série Morangos com Açúcar. Por coincidência, apanhei precisamente o primeiro episódio da nova série que significa, na ficção, o primeiro dia de aulas daquela miudagem. Ora, nesse primeiro dia de aulas, os alunos conheceram a sua professora de matemática e o seu professor de português. As imagens sucediam-se alternando a aula de apresentação de matemática por contraposição à de português. Enquanto a professora de matemática escrevia do quadro os pressupostos da sua metodologia – disciplina, rigor e trabalho – o professor de português escrevia no quadro os pressupostos da sua – emoção, entrega e trabalho. Ora, o que me faz espécie, senhor engenheiro, é que a personagem da professora de matemática é maldosa, agressiva e antiquada, enquanto que o professor de português é um tipo moderno e bué de fixe. Então, de acordo com os princípios do raciocínio lógico, se a professora de matemática é maldosa e agressiva e os seus pressupostos são disciplina e rigor, então a disciplina e o rigor são coisas negativas. Por outro lado, se o professor de português é bué de fixe, então os pressupostos da emoção e da entrega são perfeitos. E de facto era o que se via. Enquanto que na aula de matemática os alunos bufavam, entediados, na aula de português sorriam, entusiasmados.

Disciplina e rigor aparecem, assim, como conceitos inconciliáveis com emoção e entrega, e isto é a maior barbaridade que eu já vi na minha vida. Digo-o eu, senhor engenheiro, que tenho uma profissão que vive das emoções, mas onde o rigor é “obstinado”, como dizem os poetas. Eu já percebi que o ensino dos dias de hoje não sabe conciliar estes dois lados do trabalho. E, não o sabendo, optou por deixar de lado a disciplina e o rigor. Os professores são obrigados a acreditar que para se fazer um texto criativo não se pode estar preocupado com os erros ortográficos. E que para se saber fazer uma operação aritmética não se pode estar preocupado com a exactidão do seu resultado. Era o que faltava, senhor engenheiro!

Agora é o momento em que o senhor engenheiro diz de si para si: mas esta mulher é um Velho do Restelo, que não percebe que os tempos mudaram e que o ensino tem que se adaptar a essas mudanças? Percebo, senhor engenheiro. Então não percebo? Mas acontece que o que o senhor engenheiro está a fazer não é adaptar o ensino às mudanças, você está a esvaziá-lo de sentido e de propósitos. Adaptar o ensino seria afinar as metodologias por forma a torná-las mais cativantes aos olhos de uma geração inquieta e voltada para o imediato. Mas nunca diminuir, nunca desvalorizar, nunca reduzir ao básico, nunca baixar a bitola até ao nível da mediocridade.

Mas e por falar em Velho do Restelo…

Li, há dias, numa entrevista com uma professora de Literatura Portuguesa, que o episódio do Velho do Restelo foi excluído do estudo d’Os Lusíadas. Curioso, porque este era o episódio que punha tudo em causa, que questionava, que analisava por outra perspectiva, que é algo que as crianças e adolescentes de hoje em dia estão pouco habituados a fazer. Sabem contrariar, é certo, mas não sabem questionar. São coisas bem diferentes: contrariar tem o seu quê de gratuito; questionar tem tudo de filosófico. Para contrariar, basta bater o pé. Para questionar, é preciso pensar.

Tenho pena, porque no meu tempo (que não é um tempo assim tão distante), o episódio do Velho do Restelo, juntamente com os de Inês de Castro e da Ilha dos Amores, era o que mais apaixonava e empolgava a turma. Eram três episódios marcantes, que quebravam a monotonia do discurso de engrandecimento da nação e que, por isso, tinham o mérito de conseguir que os alunos tivessem curiosidade em descodificar as suas figuras de estilo e desbravar o hermetismo da linguagem. Ainda hoje me lembro exactamente da aula em que começámos a ler o episódio de Inês de castro e lembro-me das palavras da professora Lídia, espicaçando-nos, estimulando-nos, obrigando-nos a pensar. E foi há 20 anos.

Bem sei que vivemos numa era em que a imagem se sobrepõe à palavra, mas veja só alguns versos do episódio de Inês de Castro, veja que perfeita e inequívoca imagem eles compõem:

Estavas, linda Inês, posta em sossego,
De teus anos colhendo doce fruito,
Naquele engano d’alma ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito (…)

Feche os olhos, senhor engenheiro, vá lá, feche os olhos. Não consegue ver, perfeitamente desenhado e com uma nitidez absoluta, o rosto branco e delicado de Inês de Castro, os seus longos cabelos soltos pelas costas, o corpo adolescente, as mãos investidas num qualquer bordado, o pensamento distante, vagueando em delícias proibidas no leito do príncipe? Não vê os seus olhos que de vez em quando escapam às linhas do bordado e vão demorar-se na janela, inquietos de saudade, à espera de ver D. Pedro surgir a galope na linha do horizonte? E agora, se se concentrar bem, não vê uma nuvem negra a pairar sobre ela, não vê o prenúncio do sangue a escorrer-lhe pelos fios de cabelo? Não consegue ver tudo isto apenas nestes quatro versos?

Pois eu acho estes quatro versos belíssimos, de uma simplicidade arrebatadora, de uma clareza inesperada. É poesia, senhor engenheiro, é poesia! Da mais nobre, grandiosa e magnífica que temos na nossa História. Não ouse menosprezá-la. Não incite ninguém a desrespeitá-la.

Bem, admito que me perdi em divagações em torno da Inês de Castro. O que eu queria mesmo era tentar perceber porque carga de água o Velho do Restelo desapareceu assim. Será precisamente por estimular a diferença de opiniões, por duvidar, por condenar? Sabe, não tarda muito, o episódio da Ilha dos Amores será também excluído dos conteúdos programáticos por “alegado teor pornográfico” e o de Inês de Castro igualmente, por “incitamento ao adultério e ao desrespeito pela autoridade”.

Como é, senhor engenheiro? Voltamos ao tempo do “lápix” azul? E já agora, voltando à questão do rigor e da disciplina, da entrega e da emoção: o senhor engenheiro tem ideia de quanta entrega e de quanta emoção Luís de Camões depôs na sua obra? E, por outro lado, o senhor engenheiro duvida da disciplina e do rigor necessários à sua concretização? São centenas e centenas de páginas, em dezenas de capítulos e incontáveis estrofes com a mesma métrica, o mesmo tipo de rima, cada palavra escolhida a dedo… o que implicou tudo isto senão uma carga infinita de disciplina e rigor?

Senhor engenheiro José Sócrates: vejo que acabo de confiar o meu filho ao sistema de ensino onde o senhor montou a sua barraca de circo e não me apetece nada vê-lo transformar-se num palhaço. Bem, também não quero ser injusta consigo. A verdade é que as coisas já começaram a descarrilar há alguns anos, mas também é verdade que você está a sobrealimentar o crime, com um tirinho aqui, uma facadinha ali, uma desonestidade acolá.

Lembro-me bem da época em que fiz a minha recruta como jornalista e das muitas vezes em que fui cobrir cerimónias e eventos em que você participava. Na altura, o senhor engenheiro era Secretário de Estado do Ambiente e andava com a ministra Elisa Ferreira por esse Portugal fora, a inaugurar ETAR’s e a selar aterros. Também o vi a plantar árvores, com as suas próprias mãos. E é por isso que me dói que agora, mais de dez anos depois, você esteja a dar cabo das nossas sementes e a tornar estéreis os solos que deveriam ser férteis.

Sabe, é que eu tenho grandes sonhos para o meu filho. Não, não me refiro ao sonho de que ele seja doutor ou engenheiro. Falo do sonho de que ele respeite as ciências, tenha apreço pelas artes, almeje a sabedoria e valorize o trabalho. Porque é isso que eu espero da escola. O resto é comigo.

Acho graça agora a ouvir os professores dizerem sistematicamente aos pais que a família deve dar continuidade, em casa, ao trabalho que a escola faz com as crianças. Bem, se assim fosse eu teria que ensinar o meu filho a atirar com cadeiras à cabeça dos outros e a escrever as redacções em linguagem de sms. Não. Para mim, é o contrário: a escola é que deve dar continuidade ao trabalho que eu faço com o meu filho. Acho que se anda a sobrevalorizar o papel da escola. No meu tempo, a escola tinha apenas a função de ensinar e fazia-o com competência e rigor. Mas nos dias que correm, em que os pais não têm tempo nem disposição para educar os filhos, exige-se à escola que forme o seu carácter e ocupe todo o seu tempo livre. Só que infelizmente ela tem cumprido muito mal esse papel.

A escola do meu tempo foi uma boa escola. Hoje, toda a gente sabe que a minha geração é uma geração de empreendedores, de gente criativa e com capacidade iniciativa, que arrisca, que aposta, que ambiciona. E não é disso que o país precisa? Bem sei que apanhámos os bons ventos da adesão à União Europeia e dos fundos e apoios que daí advieram, mas isso por si só não bastaria, não acha? E é de facto curioso: tirando o Marco cigano, que abandonou a escola muito cedo, e a Fatinha que andava sempre com ranhoca no nariz e tinha que tomar conta de três irmãos mais novos, todos os meus colegas da primária fizeram alguma coisa pela vida. Até a Paulinha, que era filha da empregada (no meu tempo dizia-se empregada e não auxiliar de acção educativa, mas, curiosamente, o respeito por elas era maior), apesar de se ter ficado pelo 9º ano, não descansou enquanto não abriu o seu próprio Pão Quente e a ele se dedicou com afinco e empenho. E, no entanto, levámos reguadas por não sabermos de cor as principais culturas das ex-colónias e éramos sujeitos a humilhação pública por cada erro ortográfico. Traumatizados? Huuummm… não me parece. Na verdade, senhor engenheiro, tenho um respeito e uma paixão pela escola tais que, se tivesse tempo e dinheiro, passaria o resto da minha vida a estudar.

Às vezes dá-me para imaginar as suas conversas com os seus filhos (nem sei bem se tem um ou dois filhos…) e pergunto-me se também é válido para eles o caos que o senhor engenheiro anda a instalar por aí. Parece que estou a ver o seu filho a dizer-lhe: ó pai, estou com dificuldade em resolver este sistema de três equações a três incógnitas… dás-me uma ajuda? E depois, vejo-o a si a responder com a sua voz de homilia de domingo: não faz mal, filho… sabes escrever o teu nome completo, não sabes? Então não te preocupes, é perfeitamente suficiente…

Vendo as coisas assim, não lhe parece criminoso o que você anda a fazer? E depois, custa-me que você apareça em praça pública acompanhado da sua Ministra da Educação, que anda sempre com aquele ar de infeliz, de quem comeu e não gostou, ambos com o discurso hipócrita do mérito dos professores e do sucesso dos alunos, apoiados em estatísticas cuja real interpretação, à luz das mudanças que você operou, nos apresenta uma monstruosa obscenidade. Ofende-me, sabe? Ofende-me por me tomar por estúpida.

Aliás, a sua Ministra da Educação é uma das figuras mais desconcertantes que eu já vi na minha vida. De cada vez que ela fala, tenho a sensação que está a orar na missa de sétimo dia do sistema de ensino e que o que os seus olhos verdadeiramente dizem aos pais deste Portugal é apenas “os meus sentidos pêsames”.

Não me pesa a consciência por estar a escrever-lhe esta carta. Sabe, é que eu não votei em si para primeiro-ministro, portanto estou à vontade. Eu votei em branco. Mas, alto lá! Antes que você peça ao seu assessor para lhe fazer um discurso sobre o afastamento dos jovens da política, lembre-se, senhor engenheiro: o voto em branco não é o voto da indiferença, é o voto da insatisfação! Mas, porque vos é conveniente, o voto em branco é contabilizado, indiscriminadamente, com o voto nulo, que é aquele em que os alienados desenham macaquinhos e escrevem obscenidades.

Você, senhor engenheiro, está a arriscar-se demasiado. Portugal está prestes a marcar-lhe uma falta a vermelho no livro de ponto. Ah… espere lá… as faltas a vermelho acabaram… agora já não há castigos…

Bem, não me vou estender mais, até porque já estou cansada de repetir “senhor engenheiro para cá”, “senhor engenheiro para lá”. É que o meu marido também é engenheiro e tenho receio de lhe ganhar cisma.

Esta carta não chegará até si. Vou partilhá-la apenas e só com os meus E-leitores (sim, sim, eu também tenho os meus eleitores) e talvez só por causa disso eu já consiga hoje dormir melhor. Quanto a si, tenho dúvidas.

Para terminar, tenho um enorme prazer em dedicar-lhe, aqui, uma estrofe do episódio do Velho do Restelo. Para que não caia no esquecimento. Nem no seu, nem no nosso.

A que novos desastres determinas
De levar estes Reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas,
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos e de minas
De ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? Que histórias?
Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?

Atenciosamente e ao abrigo do artigo nº 37 da Constituição da República Portuguesa,

Uma mãe preocupada

Quadros da Educação capacitados sobre procedimentos escolares

Thursday, September 25th, 2008
Sessenta quadros do sector da Educação da região Sul do país foram capacitados, durante cinco dias em Seminário Regional sobre Metodologias de Melhoramento Escolar, no âmbito do Projecto de Apoio ao Ensino Primário (PAEP). Promovido pela Comissão Europeia, a acção formativa contou com a participação de directores de escolas do ensino primário, chefes de repartições municipais, assistentes e técnicos da escola de formação de professores das províncias do Cunene, Namibe e Huíla. O papel das escolas no processo da Melhoria do Ensino e Aprendizagem, o exame e a avaliação do modelo para elaborar o Projecto Educativo da Escola (PEE), seus critérios e instrumentos foram os principais temas que dominaram a acção formativa. O comunicado final, lido por Rita Tchokombala, uma das participantes, referencia que a acção formativa conferiu aos presentes conhecimentos que lhes permitem analisar conceitos, indicadores, metodologias de implementação e avaliação do Projecto Educativo da Escola (PEE). Numa primeira fase, o referido projecto prevê a formação de líderes de escolas seleccionados para intervenção e análise inicial das necessidades dos estabelecimentos de ensino.Os resultados alcançados vão servir de ponto de referência para elaboração de um plano de actividades do PEE em cada escola beneficiada. No acto de encerramento, a directora provincial da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia na Huíla, Ana Paula Inês, considerou o projecto de uma estratégia de organização e gestão das instituições de ensino, visto que facilita a interligação entre directores, professores, alunos, encarregados de educação e a sociedade. “O PEE surge como necessidade de se aumentar a visibilidade dos processos de escolarização, reforçar a legitimidade da escola púbica, globalizar e unificar a acção educativa, bem como mobilizar vontades e recursos para um ensino de qualidade”, destacou. O Projecto de Apoio está orçado em 20 milhões de euros e está a ser implementado em parceria com o Ministério da Educação, desde Janeiro de 2007 e termina em 2011, e está a ser implementado nas províncias de Benguela, Bié, Cunene, Huambo, Huíla, Kwanza-Sul e Namibe.

Domingos Mucuta Lubango

Ana Luísa Esperança – Carta à Ministra da Educação

Wednesday, September 17th, 2008

recebida por email de Moriae (AF)


Exma. Senhora Ministra da Educação

Um dia destes colocaram, no placar da Sala dos Professores, uma lista dos nossos nomes com a nova posição na Carreira Docente.

Fiquei a saber, Sr.ª Ministra, que para além de um novo escalão que inventou, sou, ao final de quinze anos de serviço, PROFESSORA.

Sim, a minha nova categoria, professora!

Que Querida! Obrigada!

E o que é que fui até agora?

Quando, no meu quinto ano de escolaridade, comecei a ter Educação Física, escolhi o meu futuro. Queria ser aquela professora, era aquilo que eu queria fazer o resto da minha vida. Ensinar a brincar, impor regras com jogos, fazer entender que quando vestimos o colete da mesma cor lutamos pelos mesmos objectivos, independentemente de sermos ou não amigos, ciganos, pretos, más companhias, bons ou maus alunos. Compreender que ganhar ou perder é secundário desde que nos tenhamos esforçado por dar o nosso melhor. Aplicar tudo isto na vida quotidiana.

Foi a suar que eu aprendi, tinha a certeza de que era assim que eu queria ensinar! Era nova, tinha sonhos…

O meu irmão, seis anos mais novo, fez o Mestrado e na folha de Agradecimentos da sua Tese escreve o facto de ter sido eu a encaminhá-lo para o ensino da Educação Física. Na altura fiquei orgulhosa! Agora, peço-te desculpa Mano, como me arrependo de te ter metido nisto, estou envergonhada!

Há catorze anos, enquanto, segundo a Senhora D. Lurdes Rodrigues, ainda não era professora, participava em visitas de estudo, promovia acampamentos, fazia questão de ter equipas a treinar aos fins-de-semana, entre muitas outras coisas. Os alunos respeitavam-me, os meus colegas admiravam-me, os pais consultavam-me. E eu era feliz. Saia de casa para trabalhar onde gostava, para fazer o que sempre sonhará, para ensinar como tinha aprendido!

Agora, Sr.ª Ministra, agora que sou PROFESSORA, que sou obrigada a cumprir 35 horas de trabalho, agora que não tenho tempo nem dinheiro para educar os meus filhos. Agora, porque a Senhora resolveu mudar as regras a meio (Coisa que não se faz, nem aos alunos crianças!), estou a adaptar-me, não tenho outro remédio: Entrego os meus filhos a trabalhadores revoltados na esperança que façam com eles o que eu tento fazer com os deles. Agora que me intitula professora eu não ensino a lançar ao cesto ou a rematar com precisão à baliza, não chego, sequer a vestir-lhes os coletes.

Passo aulas inteiras a tentar que formem fila ou uma roda, a ensinar que enquanto um ‘burro’ mais velho fala os outros devem, pelo menos, nessa altura, estar calados. Passo o tempo útil de uma aula prática a mandar deitar as pastilhas elásticas fora (o que não deixa de ser prática) e a explicar-lhes que quando eu queria dizer deitar fora a pastilha não era para a cuspirem no chão do Pavilhão. E aqueles que se recusam a deita-la fora porque ainda não perdeu o sabor? (Coitados, afinal acabaram de gastar o dinheiro no bar que fica em frente à Escola para tirarem o cheiro do cigarro que o mesmo bar lhes vendeu e nunca ninguém lhes explicou o perigo que há ao mascar uma pastilha enquanto praticam exercício físico). E os que não tomam banho? E os que roubam ou agridem os colegas no balneário?

Falta disciplinar?

Desculpe, não marco!

O aluno faz a asneira, e eu é que sou castigada? Tenho que escrever a participação ao Director de Turma, tenho que reunir depois das aulas (E quem fica com os meus filhos?). Já percebeu a burocracia a que nos obriga? Já viu o tempo que demora a dar o castigo ao aluno? No seu tempo não lhe fez bem o estalo na hora certa?

Desculpe mas não me parece!

Pois eu agradeço todos os que levei!

Mas isto é apenas um desabafo, gosto de falar, discutir, argumentar com quem está no terreno e percebe, minimamente do que se fala, o que não é, com toda a certeza, o seu caso.

Bastava-lhe uma hora com o meu 5ºC. Uma hora! E eu não precisava de ter escrito tanto! E a minha Ministra (Não votei mas deram-ma. Como a médica de família, que detesto, mas que, também, me saiu na rifa e à qual devo estar agradecida porque há quem nem médico de família tenha – outro assunto) entendia porque não conseguirei trabalhar até aos 65 anos, porque é injusto o que ganho e o que congelou, porque pode sair a sexta e até a sétima versão do ECD que eu nunca fui nem serei tão boa professora como era antes de mo chamar!·
Lamento profundamente a verdade!

Ana Luísa Esperança

Viana do Castelo

PQND da Escola EB 2,3 Dr. Pedro Barbosa

A democracia defende-se nas escolas

Wednesday, September 10th, 2008

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Som:

Medina Carreira – Nem quero falar da Educação

Friday, July 4th, 2008
Excertos da

MC – O resto continua na mesma, o ensino é uma lástima, os alunos não sabem escrever mas os erros não contam, dão uma ideia de facilidade, sem exames, sem coisa nenhuma, depois os serviços fazem uns exames que – dizem os especialistas – aquilo não presta para nada, é facílimo… Portanto, isto é tudo uma mentira pegada. O país não está a resolver nenhum dos seus problemas de fundo.

GF – Mas diga-me uma coisa, na Educação pelo menos fez-se a avaliação dos professores.
MC – Mas você acredita nisso?
GF – Pelo menos oficialmente está aprovada.
MC – Oiça! Eu nem quero falar da Educação, sabe. Porque as crianças, os jovens de hoje, não perceberam que se deviam revoltar contra os políticos. Os políticos estão a hipotecar o futuro deles.
GF – Já vamos a isso. Mas, do que a Ministra fez, nada serviu?
MC – Oiça! A Ministra, ao princípio pareceu-me – aliás creio que aqui a si ou a alguém disse que me parecia – que era dos poucos ministros que valia a pena.
GF – E agora? Já perdeu o ímpeto?
MC – Mas a Ministra não percebeu nada do que estava a fazer, porque ela quis pôr os professores na ordem, mantendo os alunos indisciplinados. Meu amigo: todos nós fomos estudantes. Imagina que, com gente indisciplinada, pode (até) levar para lá um professor catedrático. O professor catedrático não ensina nada porque eles não deixam ensinar. Portanto, a primeira coisa a fazer era pôr ordem nas aulas…
GF – E não fez isso?
MC – Concerteza que não! Então não viu aquela história do telefone?
GF – Ah! Isso, rebeldia, toda a vida existiu.
MC – Não, não! Não me venha com isso. No meu tempo não havia rebeldia daquele estilo… Nem no seu.
GF – Não! Não havia, não.
MC – Aquilo existe há uns anos. Agora, desde que há estes ministros, assim, que andam aí para agradar.
GF – Mas há casos isolados e há situações…
MC – Olhe! Se os pais tivessem a noção do mal que estão a fazer aos filhos; e se os filhos tivessem a noção da hipoteca que os políticos estão a lançar sobre eles – no futuro vão ficar uns ignorantes, na maior parte dos casos – eles já tinham vindo para a rua protestar. Não eram os sindicatos! Eram os meninos.
GF – Mas o que o Sr está a referir já não é um problema de governação ou de relação entre governados e governantes.
MC – Então o que é?
GF – É mais vasto… É civilizacional. É da organização do País e da relação de civilidade entre as pessoas…
MC – Mas… Ó Gomes Ferreira, se você disser aos pais e aos meninos: Bom! Isto é civilizacional, somos todos uns selvagenzitos, não é para aprender coisa nenhuma, nem saber contar, nem escrever, nem falar, nem pensar… Mas isto vai sair-lhes muito caro.
GF – Mas não digo nada disso…
MC – Agora, era preciso dizer-lhes isso. Não dizer: Eles são todos uns ignorantes, mas os exmes estão a dar melhores resultados. Houve progressos brutais de um ano para o outro. Pá, isto é tudo uma mentira que ninguém acredita.
GF – Eu não digo nada disso. Eu digo é às minhas filhas para estudar e acompanho-as, a minha mulher também as acompanha e acho que 80% dos pais em Portugal fazem o mesmo… Acho eu. Portanto, se calhar também não é tão vasto o problema como dizem…
MC – Não, não! Sabe, meu caro Gomes Ferreira, o problema é este: é que aqueles que precisavam de ser objecto de exigência e da aprendizagem, que são aqueles das classes mais baixas, eles vão ficar tão preparados que serão de classes mais baixas amanhã. Os seus filhos vão ser de uma classe média, como a minha filha é. É que nós estamos a manter esta estratificação, exactamente não ensinando àqueles aos quais precisaríamos de exigir… Porque aqueles que estão em baixo é que precisam ser trazidos para cima. Não é dizer: Coitadinhos, não aprendam nada, vocês não têm culpa de nada, são uns desgraçadinhos, agora continuem… Não, não! Esses é que têm que ser puxados, não são as suas filhas ou a minha.
GF – E esses fariam o país progredir?
MC – Exactamente, esses é que precisam.
GF – E o sistema, como está, não os ajuda?
MC – Ah! Você não me obrigue a ser eu a interrogá-lo. Você acha que…
GF – Mas eu quero ouvi-lo. Com mais profundidade.
MC- Ah quer ouvir-me? Sabe, eu deixei de ensinar porque estava farto de ignorantes. Eles não sabiam falar, não sabiam escrever, erros uns a seguir aos outras. Não sabiam falar – aliás veja como hoje alguns ministros têm dificuldade em articular; o vocabulário é escasso, a gaguez é imensa – há uns “supônhamos” que saem assim um bocadinho descuidados…
GF – É cada vez mais frequente esse erro.
MC – Portanto, você acha que isto aqui é uma coisa que tem jeito? Ninguém quer denunciar, porque isto não é simpático. É melhor andarmos todos a abraçar-nos uns aos outros. Portanto, não vamos longe com esta falta de qualidade…

José Rui Rebelo – Tentativa de suborno

Friday, April 11th, 2008
Depois da chantagem, o suborno? O ME, prosseguindo na sua estratégia de “dividir para reinar”, propôs aos Sindicatos, na reunião de 8 de Abril, dois pontos de negociação que, não fosse o historial de comportamento político a que já nos habituou o trio ministerial, pensaríamos que tinham sido afectados por algum vírus da generosidade. Ora atente-se a algumas das suas propostas: ponto 7) criação de mais um escalão remuneratório para a categoria de Professor Titular; ponto 8) estabelecimento de regras especiais de acesso à categoria de Professor Titular para… (entre outros, imagine-se a quem), Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais (em maiúsculas que fica bem!).
Já tinham isolado os Contratados (em maiúscula que também merecem) com a chantagem que todos conhecem; agora querem subornar (!?) os Titulares e os Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.
Nada obsta a que os Sindicatos negoceiem e que nessa negociação, necessariamente, façam algumas cedências. Por isso, é admissível e até compreensível, alguma cedência na avaliação dos Contratados. Mas, os Professores exigem que o essencial da Resolução aprovada, no dia 8 de Março, por dois terços dos Docentes, seja respeitado. Nunca é demais recordar esse facto.
Alguns pontos essenciais dessa Resolução:

1. a) Renegociação dos horários dos Professores Avaliadores;

c) Exigência de pagamento das horas extraordinárias, relativas às aulas
de substituição;

2. a) Renegociação do ECD, particularmente, a estrutura da Carreira Docente e a sua divisão em categorias, bem como a prova de ingresso na profissão;

b) Renegociação do Regime de direcção e gestão escolar;

c) Renegociação da legislação aprovada sobre a educação especial;

f) A garantia de que nenhum Docente será remetido para a mobilidade especial.

Relativamente à avaliação dos Professores é absolutamente imprescindível uma
posição de força em relação a alguns aspectos que atentam contra a dignidade profissional, nomeadamente:

– Fim da Divisão da Carreira em duas;

– Recusa liminar de fazer depender a progressão na Carreira dos resultados dos alunos e do abandono escolar;

– Renegociação da componente assiduidade na avaliação, recusando que as faltas não imputáveis aos Docentes entrem nesse item de avaliação;

– Renegociação do modelo de avaliação de desempenho

José Rui Rebelo in a 11 de Abril de 2008

Para a Srª.Ministra da Educação de José Pires – Professor

Thursday, April 10th, 2008
Porque me pediram para difundir e porque é mais um desabafo que pode ser a gota para verter o líquido de um copo já a rebentar de tantas lágrimas de desespero:

(clique na figura para descarregar a apresentação – pps)

Madalena Santos – Uma escola sem recreio?

Wednesday, March 19th, 2008

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publicado por em 19 de Março de 2008