Archive for the ‘Direitos humanos’ Category

Josephine Witt – Parem a ditadura do Banco Central Europeu

Thursday, April 16th, 2015

Somos donos das nossas vidas – algo difícil de lembrar face á política monetária devastadora do Banco Central Europeu (BCE).

Não somos cordeiros do teu jogo viciado, não estamos à tua disposição, não estamos à venda, não somos descartáveis.

“Somos donos das nossas vidas” será o protesto que vencerá a repressão, quando deixarmos de encarar a nossa pobreza como uma derrota pessoal e uma situação imutável.

Dona do universo, vim aqui para te lembrar que não há deus, mas há pessoas por detrás dessas vidas e se persistires em governar em vez de servir, o clamor dos protestos aumentará e terás de escutá-lo cada vez mais alto, fora ou dentro das tuas paredes, por todo o lado, não conseguirás encontrar refúgio.

Enquanto persistires na tua autocracia hegemónica, protegida por estados securitários e policiais, só conseguirás aumentar a violência diária e nós acabaremos por encontrar a via pacífica radical e agiremos contra os desastres humanitários que andas a fabricar.

Não aceitaremos a tua pretensão tresloucada de que a condição para sobrevivermos passa por sacrificarmos a nossa liberdade e vendermos a nossa dignidade aos bancos.

Se persistires na tua arrogância contra as pessoas, só conseguirás aumentar perigosamente a dívida que já contraiste para com elas. As tuas aparições públicas esporádicas não te conferem qualquer legitimidade democrática.

Seria pueril esperar de uma instituição ilegítima como tu que a minha voz fosse escutada ou que as minhas palavras compreendidas, mas sei que há muita gente que entende perfeitamente o que digo.

Hoje sou apenas uma lançadora de confetis que te envia uma mensagem, mas treme com o que está para vir. Saberemos resgatar as nossas vidas.

Longe está a tua dívida de ficar saldada.

Josephine Witt no Radical Cinema

A Maioria silenciada

Saturday, September 26th, 2009

é aquela que foi espezinhada por um partido que, utilizando uma maioria parlamentar, subjugou a maioria da população.
A maioria silenciosa é aquela que, não se sentindo representada por nenhum dos partidos com assento parlamentar, mesmo assim não prescinde do seu direito de se opôr à ditadura democrática.
Eu prefiro participar na maioria silenciosa, do que integrar-me à força na maioria silenciada.
É por isso que, na hora de votar, o meu voto irá para o PSD.

António Vilarigues – A Colômbia chumbou no exame da ONU

Sunday, December 28th, 2008
No passado dia 10 de Dezembro realizou-se em Genebra, na Suiça, a terceira Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Em 2008 iniciou-se a aplicação do mecanismo do Exame Periódico Universal (EPU). Trata-se de um mecanismo para analisar a situação dos direitos humanos em todos os Estados membros do Conselho. Os 192 países, à média de 48 por ano, serão objecto do EPU. O que significa que cada estado será examinado de 4 em 4 anos.
  1. A Colômbia foi um dos países em exame em 2008. Contrapondo-se à visão do governo deste país mais de 1.200 organizações sociais e ONG de direitos humanos apresentaram um extenso relatório. Nele se faz um balanço demolidor aos 6 anos de regime de «segurança democrática» do Presidente Álvaro Uribe. Os factos e os números falam por si.

    Desde 2002 mais de 1 milhão e 750 mil colombianos foram deslocados à força, num total de 4 milhões de deslocados internos. Entre Julho de 2002 e Dezembro de 2007, pelo menos 13.634 civis (7 por dia…) perderam a vida, à margem de quaisquer combates, em consequência da violência sociopolítica. Destas 13.634 pessoas, 1.477 «desapareceram» de forma violenta. Em 8.049 casos o autor das violações é conhecido: 75,4 por cento são responsabilidade do Estado. Seja por actuação directa dos seus agentes – 1.411 vítimas, 17,53 por cento. Seja por tolerância ou apoio às violações cometidas por paramilitares – 4.658 vítimas, 57,87 por cento. O número de desaparecidos ronda os 30 mil.

    Os atentados à vida, à liberdade e à integridade física dos sindicalistas na Colômbia atingiram o número de 2.402. O assassinato de mais de 430 dirigentes sindicais só na vigência do actual governo, demonstra que não existe uma mudança estrutural na violência anti-sindical. O país é campeão do mundo em assassinatos de sindicalistas e de jornalistas: mais de metade dos sindicalistas assassinados em todo o mundo. Mantém-se a violência política contra os povos indígenas. Mais de 1.750 vítimas membros das suas comunidades são a prova.

    A situação de pobreza afecta 66 por cento da população colombiana. A indigência atinge outros 8 milhões de pessoas. A Colômbia ocupa o terceiro lugar nos índices de maior desigualdade na América Latina, depois do Haiti e do Brasil.

  2. As notícias mais recentes não alteram o quadro neste país da América Latina com uma superfície ligeiramente inferior à de Angola e com mais de 45 milhões de habitantes.

    O Presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, enfrenta há meses uma crise política grave. Sessenta parlamentares da sua base de apoio estão presos ou incriminados num escândalo de corrupção, ligações com o narcotráfico e os paramilitares. Tem um primo e conselheiro político, Mário Uribe, preso pelos mesmos motivos. O Supremo Tribunal contesta a legalidade de sua reeleição em 2006, obtida mediante a compra de votos confirmado pela confissão da ex-parlamentar Ydis Medina.

    Mais recentemente o Presidente não conseguiu abafar outro escândalo provocado pela revelação de que o Alto Comando do Exército esteve envolvido no assassínio de jovens camponeses. Os seus cadáveres tinham sido apresentados à comunicação social como sendo guerrilheiros abatidos em combate. Soube-se depois que, numa tétrica e miserável encenação, lhes tinham sido vestidos uniformes das FARC. A indignação popular foi enorme. Os seus ecos chegaram ao Congresso. O comandante-chefe do Exército, general Mário Montoya, bem como 27 oficiais e sargentos implicados no crime, foram forçados a demitir-se.

Como já aqui escrevi, dizer que o governo Uribe é o mais à direita da América Latina dá apenas uma pálida imagem do seu posicionamento político e ideológico. O EPU das Nações Unidas confirmou-o.

António Vilarigues,

Jochen Scholz – Projecto europeu para o novo século (4)

Monday, September 29th, 2008
()

Tradução a partir da versão francesa:
Jochen Scholz, , , 15 de Seyembro de 2008

Bönisch e Wiegrefe – Quem cometeu o Holocausto? (2)

Thursday, March 20th, 2008

com a pobre classificação de “adequado”. Não obstante, em 1932 Blume foi colocado como assistente de Juiz na circunscrição da sua terra natal.

A carreira de Blume no regime de Hitler começou no dia 1º de Março de 1933, logo a seguir à subida ao poder dos nazis. A sua primeira posição foi a de chefe da divisão política do quartel-general da polícia em Dortmund. Depois de se inscrever no Partido Nazi e se alistar nas SA (Tropas de Tempestade), tornou-se chefe da polícia secreta, ou Gestapo, na cidade oriental de Halle, depois em Hannover e, mais tarde, na capital Berlim. A razão principal da rápida rotação dos oficiais superiores, típica da Gestapo, era facilitar oportunidades para adquirir experiência de repressão.

Com início em 1º de Março de 1941, Blume dirigiu o Departamento de Pessoal da 1ª Divisão do designado Reichssicherheitshauptamt (gabinete principal de segurança do Reich, RSHA). A sua primeira tarefa foi preparar pessoal adequado para um dos comandos de morte do Einsatzgruppen (grupo de acção especial), uma força composta por aproximadamente 3000 homens, conhecidos por a “Gestapo sobre rodas”. Este grupo seguia o exército de Hitler à medida que este progredia para leste e encarregava-se da liquidação imediata dos “judeus bolcheviques” e da “excisão dos elementos radicais”.

O próprio Blume dirigiu uma unidade conhecida como o “Comando Especial 7a”, parte integrante da Einsatzgruppe B. Segundo as anotações de Blume, o seu grupo matou aproximadamente 24000 pessoas na Bielorrússia e Rússia entre Junho e Setembro de 1941. Pouco tempo depois, Blume regressou à RSHA, onde foi promovido à posição de chefe de divisão e líder exemplar das SS. Em Agosto de 1943 deslocou-se a Atenas, onde ele e dois subordinados de Adolf Eichmann organizaram a deportação de judeus gregos para o campo de extremínio de Auchwitz.

Blume foi levado ao Tribunal de Nuremberga em Setembro de 1947, em conjunto com outros 22 homens, cuja ocupação regular os qualificava como funcionários superiores da sociedade civil. Incluíam um dentista, um professor universitário, uma cantora de ópera, um pastor protestante, um professor e alguns jornalistas. Catorze foram condenados à morte, porém só quatro sentenças foram executadas. O Alto Comissário dos Estados Unidos da América, John McCloy, perdoou os restantes, incluindo Blume, e gradualmente ao longo dos anos foram sendo libertados. Blume tornou-se um homem de negócios.

Muitos dos perpetradores nunca foram castigados. Houve até hoje 6500 condenações, das quais apenas 1200 por homicídio voluntário ou involuntário.

Georg Bönisch and Klaus Wiegrefe in ,
tradução inglesa do artigo original em alemão, publicado por em 18 de Março de 2008.
Versão inglesa de Christopher Sultan