Archive for the ‘crítica’ Category

O Futepernas

Wednesday, June 30th, 2010

Não acho honesto que o seleccionador Carlos Queirós reconheça a vitória dos espanhóis sobre a selecção portuguesa.

Porque os espanhóis nunca foram atrás da bola, que isso dava muito trabalho.

Em vez disso, só os vi a ir atrás foi das pernas dos adversários.

Que apesar de tudo, sempre correm menos do que a bola.

Eles apenas jogaram futebol enquanto detinham a posse da bola, fora isso jogaram futepernas.

Foi uma vitória do futepernas sobre o futebol, e quem perdeu, mais do que Portugal, foi o futebol.

O golo apenas surgiu, na altura em que os portugueses ficaram exaustos e deixaram de conseguir fazer o papel de palhaços. E mesmo assim o golo foi defendido, o nosso bravo Eduardo do Braga apenas deixou passar a recarga, por falta de comparência da nossa defesa.

Assim que conseguiam apoderar-se da bola, de tanto correr atrás dela, os espanhóis atiravam-se logo às pernas dos atrevidos, atingindo-as em menos tempo do que os olhos dos mesmos procuravam algum companheiro a quem pudessem transferir o precioso achado.

O árbitro nada via, porque era apenas o décimo segundo jogador, e não trabalhava nem ganhava para arbitrar futepernas, apenas arbitrava futebol.

Se por acaso a situação fosse a inversa, e o árbitro em vez de argentino fosse brasileiro, não estou a ver o seleccionador castelhano a felicitar a vitória lusa.

Carlo Marafioti – Obscurantismo contra a ciência

Wednesday, December 12th, 2007

Carlo Marafioti era Presidente da Associação Santilli – Galileu para a Verdade Científica. O texto seguinte é a parte final do apelo feito em 2000 para conter o declínio da física.(AF)


Abusando da clemência dos ouvintes, atrevi-me a dizer que, no limiar do terceiro milénio estamos face à intromissão de uma forma de obscurantismo na ciência, comparável à do tempo de Galileu, mas talvez ainda mais profunda e diversificada.
Defino “ciência” como representações matemáticas, capazes de previsões numéricas invariantes, podendo ser sujeitas a confirmações experimentais, com técnicas disponíveis.
O primeiro sinal do obscurantismo que detectei está, portanto, ao nível da matemática pura, pois não são admitidas insuficiências fundamentais nos trabalhos académicos, por exemplo, para a representação clássica da antimatéria; para uma representação das interacções não-lineares, não-locais e não-hamiltoneanas por meio de um operador clássico invariante; para uma axiomática consistente com a irreversibilidade das reacções químicas, dos sistemas biológicos ou dos de outros campos.
Passámos depois em revista o obscurantismo que se instalou em vários domínios da física, clássica, das partículas e nuclear, como também na química quântica, na supercondutividade, na biologia, na astrofísica e nas cosmologias, com particular realce para o obscurantismo resultante das limitações das teorias de Einstein e da mecância quântica perante um acervo crescente de dados empíricos.
Para oferecer uma perspectiva histórica provisória, fiz um paralelo com o obscurantismo dos tempos de Galileu. Em particular, mostrei que as técnicas usadas pelos jesuitas na sua tentativa de eliminar as novas ideias, não só são plenamente aplicadas hoje em dia, como foram refinadas ao nível de uma arte sofisticada. Eesbocei depois uma série de paralelos entre as técnicas obscurantistas específicas em vigor na cena científica actual com aquelas que foram implementadas contra o trabalho de Galileu. Finalmente, concluí lembrando que o obscurantismo científico empreendido em Itália contra Galileu atrasou por séculos a aquisição de conhecimentos científicos fundamentais. Uma perspectiva desanimadora idêntica pode resultar do obscurantismo científico actual, porém com consequências muito mais sérias tais como: incapacidade para satisfazer necessidades realmente básicas das nossas sociedades; desenvolver novas fontes de energia limpas; reciclar os resíduos radioactivos ou outros deixados pelas gerações precedentes. Tudo avanços que exigem que se ponha termo aos fanatismos quanto à validade universal das teorias einsteinianas quaisquer que sejam as condições de existência possíveis do universo.

in Carlo Marafioti

publicado por em 31 de Janeiro de 2000