Archive for the ‘crenças’ Category

Esquece o cristianismo

Sunday, July 25th, 2010
Esquece o cristianismo ou encara a expulsão
Estudante georgiana foi intimada a ler literatura gay, assistir a parada gay e alterer as convicções pessoais
By Bob Unruh
© 2010 WorldNetDaily
Foi instaurado um processo contra a Universidade estatal de Augusta na Geórgia alegando que os seus agentes impuseram a uma estudante, a opção entre renegar as suas convicções ou ser expulsa do curso.
Os docentes Mary Jane Anderson-Wiley, Paulette Schenck e Richard Deaner impuseram à aluna Jen Keeton, de 24 anos um programa de “recuperação” depois de ela ter descrito a homossexualidade como uma opção de comportamento, e não uma “condição”, como teria afirmado um professor, de acordo com a acusação.
Também foram constituídos réus neste caso que foi desencadeado em Maio-Junho outros administradores académicos e o conselho pedagógico da universidade.
O programa de recuperação incluía uma “sensibilização” aos temas homossexuais, estudos extra-curriculares sobre literatura promovendo a homossexualidade e a obrigação de assistir a uma parada gay e fazer a respectiva reportagem.
Até onde foi o ensino superior na América? Procure em “A Queda Livre da Universidade Americana”
O processo, que foi desencadeado por advogados ao serviço da Alliance Defense Fund, invoca que a escola não pode violar a Lei Constitucional ao impôr a modificação das convicções pessoais.
(o texto segue abaixo)
artigo picado daqui:
http://www.facebook.com/group.php?gid=121216564559857&v=wall
a partir do original aqui:
http://www.wnd.com/index.php?fa=PAGE.view&pageId=182441
(tradução livre minha)

dEUS II

Sunday, May 23rd, 2010

É uma perda de tempo afirmar que deus não existe“, explica o Jorge no seu . O que é certo é que nesta linda tarde de Maio, em que estou no meu trabalho para supostamente … trabalhar, uma discussão de cariz tão prático como a questão do sexo dos anjos é um apelo irresistível à minha tendência para a procrastinação. Tempo vai ser perdido, como admoestado…

Pelo que percebi do bilhete, na discussão da existência de deus há que diferenciar a noção de deus,  da entidade-deus, sabendo que a noção de deus é um lugar comum, enquanto que a entidade deus é uma aberração lógica.

No que me diz respeito, penso que todos concordamos que a noção de deus existe, da mesma maneira que a noção de porco-borboleta existe, pelo simples facto de eu ter imaginado a infeliz criatura, e transmitido a noção dela ao pobre leitor que não pedia tanto.

No entanto, estabelecer a dicotomia entre a noção e a entidade deus não me parece suficiente para poder discutir desta questão em boas condições. O outro problema é que a noção de deus é extremamente variável segundo as tradições, culturas, e gostos pessoais. O que se chama deus é muito diverso, e é difícil fazer comentários gerais sobre uma etiqueta que encobre múltiplos conceitos.

Portanto para discutirmos de deus, temos de saber de que deus falamos. Ora ninguém perde tempo a discutir da existência do deus porco-borbuleta, que se preocupa do regime alimentar dos pulgões das . Os deuses que geram discussão são aqueles que pretendem decidir como deve ser organizado o universo, a sociedade, e como deve viver ou pensar cada indivíduo. As razões invocadas para justificar essas pretensões são em geral de que o tal deus é omnisciente (e portanto sabe o que é bom para nós – cenoura?), mas sobretudo porque ele é omnipotente (pau). É pois o profundo impacto que tem a noção de deus omnisciente e omnipotente na nossa vida que nos leva a discutir da existência desse tipo de criatura, ao invés do nosso desdenhado porco-bobuleta.

Ora no caso particular da entidade omnipotente, omnisciente, capaz de empatia para com os humanos e de forma geral “bondosa”, tal como é entendido deus pelo comum dos católicos, penso que é inicialmente impossível afirmar de maneira peremptória o quer que seja, só podemos dar as nossas opiniões sobre o assunto. E não acho que uma opinião negativa seja hostil para quem tem uma opinião positiva (o mesmo não pode ser dito de uma “atitude”).

Em todo o caso, é fácil compreender que é impossível de negar de maneira objectiva a existência de uma entidade omnipotente e omnisciente: se deus pode fazer tudo e sabe tudo, nenhum argumento pode ser construído que ponha em causa a sua existência. Por exemplo, a divindade pode ter criado o mundo há um segundo, e todas as nossas memórias e conhecimentos do universo não seriam mais do que uma ilusão, e portanto inúteis para demonstrar a sua não existência.

Por outro lado, também é impossível provar que uma tal entidade existe: Postulando que ela existisse, como é que ela poderia provar aos humanos que de facto é omnipotente e omnisciente? Como seres finitos e portanto limitados, não dispomos de recursos suficientes para realmente verificar que a entidade é tão omnitudo quanto pretende ser.

Como é evidente, esse deus poderia facilmente convencer um humano de que é omnipotente e omnisciente, mas isso também consegue qualquer charlatão carismático (… resistir à tentação de citar exemplos, no interesse de uma discussão serena). No fim de contas, só uma entidade omnisciente e omnipotente pode verificar se uma outra criatura também o é. O problema é que duas criaturas omnipotentes não podem coexistir (não é um acidente que as religiões em que deus é omnipotente sejam monoteístas), portanto é realmente impossível verificar que um deus preenche realmente esses requerimentos.

Desta forma está a questão resolvida: não é possível provar a existência ou não existência de um ser omnisciente e omnipotente, e cada um pode ter o seu palpite sobre a questão. A partir daqui o espírito pragmático arruma a questão numa gaveta mental e dedica-se a construir pontes, tratar de doentes, ou salvar a nação à beira da bancarrota, em suma fazer qualquer coisa da sua vida.

Infelizmente este desfecho não satisfará o espírito melancólico e perverso, avesso ao esforço e acção, causa perdida do empenho produtivo, enfim, o irredutível procrastinador. Esta malograda criatura vai continuar a duvidar do perfeito equilíbrio na falta de senso das duas opções.

Certo, mostrámos que é impossível provar que deus existe, e que é impossível provar que deus não existe. Mas resolver esta questão com duas incapacidades, se bem que sendo um resultado definitivo, também é pouco empolgante. Porque não mudar de perspectiva, e abordar a questão de maneira mais abstracta? Proponho que reformule-mos o problema da seguinte forma: será impossível que o universo exista sem que haja deus? Será possível que o nosso universo e deus coexistam?

Pelo que eu sei, não existe nenhum facto conhecido do nosso universo que implique a existência de um ser omnipotente e omnisciente. Como é evidente, sabemos pouco do nosso universo, mas até agora não existe nada do que sabemos que positivamente implique a existência de uma tal entidade, o que é diferente de ignorar-mos as causas de um facto. Confundir as duas noções leva à crença do “deus das sombras“, ou “dos buracos“, isto é um deus que explica o que não sabemos, e cujo campo de acção diminui à medida que a nossa ignorância recua. É o deus das sombras ou dos buracos do nosso conhecimento, um tipo de deus que não entusiasma ninguém.

A vantagem desta perspectiva é que em vez de tentar provar qualquer coisa que não o pode ser, podemos tranquilamente considerar que o nosso universo não precisa de deus para funcionar, até que apareça qualquer coisa que nos mostre o contrário. É deus que tem de mostrar que é necessário ao universo, em vez de sermos nós de ter de nos cansar para provar que ele não existe. Uma estratégia bem mais compatível com o carácter plácido e mandrião próprio do procrastinador.

=> 1:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

Mas ainda temos de considerar a opção inversa, em que o nosso universo e deus coexistem. Como é que isso poderia funcionar?

Comecemos por discutir a omnisciência… Será que qualquer coisa pode ser omnisciente no nosso universo, independentemente de ser omnipotente?. Em geral quando dizemos que sabemos qualquer coisa, queremos dizer que podemos exprimir factos e princípios que se aplicam a essa coisa. No caso de um terreno, podemos por exemplo desenhar um mapa que representa o que sabemos dele. Quanto mais aumenta o nosso conhecimento do terreno, mais o nosso mapa é detalhado. Levando a metáfora até ao seu limite, a melhor representação possível do terreno é o próprio terreno, ou seja a única coisa que pode ser omnisciente no nosso universo é o próprio universo, que é a representação perfeita a cada momento de si próprio. Não que ser o universo seja suficiente (ainda faltam os princípios, para além da representação dos factos), mas é a condição mínima.

No entanto esta maneira de encarar o conhecimento não toma em conta o aspecto temporal da questão. O que significa conhecer? Conhecer é não só produzir a indicação do conhecimento, mas também é quando a produzir. Negligenciar o aspecto temporal do conhecimento pode levar a resultados paradoxais: digamos que estou a preparar o meu jantar, e esqueço de usar luvas quando tiro a panela do fogo. Isto vai provocar alguns acontecimentos interessantes do ponto de vista do conhecimento ao longo do tempo. A informação sobre a queimadura vai chegar à espinha medula, que vai reagir sem esperar instruções da parte do cérebro. Portanto durante algum tempo, o cérebro vai continuar a deliciar-se com a antecipação do jantar, enquanto que a espinha medula já está a gerir a situação de crise. O que é que eu sei nesse momento? Do ponto de vista exterior, considera-se que eu sei que me queimei, porque já deixei cair a panela, provando o meu conhecimento. Do ponto de vista interno, alguns elementos de meu sistema nervoso estão a par dos últimos desenvolvimentos, enquanto que outros não.

O mesmo se passa quando eu me deparo com uma tarântula. A informação visual é enviada simultaneamente ao córtex mas também à amígdala. Enquanto que o córtex digere as diferentes informações que lhe chegam, já a amígdala classificou a silhueta como perigosa e activa todas as respostas fisiológicas para desencadear uma reacção de fuga. Só mais tarde é que o córtex, integrando os diferentes dados que lhe permitem criar um contexto, reconhece que a tarântula está num aquário, e portanto inactiva a amígdala, já que não existe perigo. A minha reacção final é nula, provando do ponto de vista exterior que eu sei que não há perigo, mas durante algum tempo diferentes partes do meu cérebro tiveram opiniões diferentes.

Em todo o caso, é certo que a nenhum momento qualquer centímetro cúbico do cérebro está a par de todos os conhecimentos que o sistema nervoso na sua totalidade pode demonstrar. Um lapso de tempo é necessário para integrar suficientemente as informações para produzir uma resposta que prove conhecimento. Isto ainda é mais verdade no caso de princípios, em que a prova de conhecimento tem de ser construída, e não só recuperada.

Tendo em conta o princípio temporal, para ser omnisciente no sentido usual de conhecer coisas e produzir a prova desse conhecimento de forma rápida (em alguns segundos ou minutos), é necessário que não somente o ser omnisciente tenha uma representação de todo o conhecimento, mas também é necessário que possa aceder a essa informação de maneira praticamente instantânea. Ora se no nosso universo, o próprio universo é a única coisa que pode ter uma representação perfeita de todo o universo, é impossível para ele de aceder a essa informação de maneira instantânea, já que pelo que sabemos a velocidade de transmissão da informação está limitada à velocidade da luz. Ou seja, é impossível para um ser omnisciente de existir no nosso universo sem quebrar várias leis que nos parecem reger a nossa realidade.

=> 2:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

Esta necessidade quebrar as leis do universo é uma das razões que leva à obrigação de um ser omnisciente de também ter de ser omnipotente (outra é por exemplo a vontade dos crentes que ele seja infalível, etc).

Como seria o nosso universo se um ser omnipotente existisse? Para já, todas as leis físicas que conhecemos seriam falidas, já que por definição cada uma é uma incompatibilidade para a existência de um ser omnipotente. Portanto o preço de admitir a existência desse deus é de descartar tudo o que sabemos do universo, o que não é barato.

Mas o problema vai mais longe do que isso. Não é que não tenhamos percebido as leis do universo, mas o facto é que não podem existir leis, quaisquer que sejam. O universo é um caos ou pelo menos a única lei que existe é a vontade única de deus. Portanto o facto de que pensamos ver leis não passa de uma espécie de “partida” ou anedota que deus faz consigo próprio.

Para além disso, devemos notar que se um ser omnipotente existe, isso implica que os humanos não existem, pelo menos tal como os consideramos habitualmente. Para explicar o raciocínio, temos de voltar à ideia de que é impossível existir no universo dois seres omnipotentes, já que um seria uma limitação ao outro. Mas rapidamente observamos que de facto não pode existir mais do que uma fonte de iniciativa (ou vontade) num universo que alberga um ser omnipotente. Mesmo que as outras vontades não sejam omnipotentes, a mera existência delas seria um limite à omnipotência de deus.

Eu nem sequer estou a falar da possibilidade de os humanos terem livre-arbítrio (pessoalmente não acredito na noção de , que considero tão problemática de um ponto de vista lógico como a questão da omnipotência de deus). O que quero dizer é que os humanos não são uma fonte de iniciativa autónoma, mas são parte do universo-deus da mesma maneira que um pelo é parte de uma pessoa.

Num universo em que existe um ser omnipotente, temos menos vontade própria do que um pelo em relação ao resto do indivíduo. É evidente que podemos rapar, queimar, corar, descolorir ou acarinhar os nossos pelos, mas é preciso estar bastante psicótico para os classificar de “santos” ou “pecadores”. Na realidade, a noção de que deus é omnipotente é tão problemática para a visão do mundo dos cristãos quanto ela é indigesta para os ateus. Por outro lado, uma religião que se baseasse verdadeiramente no conceito de que deus é omnipotente tomaria ainda menos em conta a vontade de deus do que uma filosofia materialista que nega a existência de deus. Aliás, os crentes de ambas as filosofias teriam poucos motivos de discordar, quanto às implicações práticas para a sociedade e vida de cada um.

Em resumo, para encarar a coexistência do nosso universo com um ser omnipotente, temos de considerar que tudo o que sentimos do mundo não é meramente uma ilusão acidental (isso seria a versão optimista), mas de que se trata na realidade de uma mentira (já que produto de uma vontade alheia). Para além da má notícia de que deus é mentiroso, ainda teríamos de aceitar não ser mais do que personagens fictivos de um romance escrito por um deus enroscado na sua bolha de caos.

Ou seja até agora tudo o que pensamos saber, sentir ou desejar do universo (ou de nós) é incompatível com a existência de um ser omnipotente.

=> 3:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

O resultado esmagador de todas estas divagações é que se bem que não se possa provar ou desprovar a existência de deus, o certo é que de um ponto de vista lógico ou meramente emocional, é muito mais defensível pensar não existe um deus omnisciente ou omnipotente do que o contrário, simplesmente pelo facto de que a realidade tal como a conhecemos se adequa mais com a não existência de um deus omnipotente e omnisciente (princípio de parcimónia)

Agora se por um milagre digno da conversão de Paulo, algum incauto leitor chegou ao fim deste bilhete, estaria curioso de saber qual é a sua perspectiva sobre a questão: É realmente o deus em que acredita omnipotente e omnisciente, e se não o for, quais são os limites dos seus conhecimentos ou capacidades:

  1. hard core omnitudo
  2. sabe de tudo o que se passa, não conhece o futuro, mas certifica que no fim haverá um happy end (pelo menos para os bons)
  3. criou o mundo e desde então aprecia os espectáculo com um copo de pop-corn sem fundo. Desconhece o fim da história, mas isso é o que torna a coisa interessante para ele.

S Wang & S Aamodt – O teu cérebro mente-te

Friday, June 27th, 2008
Convições falsas há por todo o lado. Uma sondagem mostrou que dezoito porcento dos americanos pensam que o Sol gira à volta da Terra. Um pouco menos egrégia, outra sondagem mostrou que 10 porcento dos nós estão convencidos que Barack Obama, um cristão, é muçulmano. A campanha de Obama criou um sítio na internet para remover as falsas informações. Porém, este esforço poderá ser maior do que parece, dadas as subtilezas com que o nosso cérebro armazena as informações – e nos induz em erro a cada passo.

O cérebro não se limita a captar e empilhar a informação, como faz o disco duro de um computador. Os factos são inicialmente memorizados no hipocampo, uma estrutura bem imersa no interior do cérebro, com a forma e dimensão aproximada de um dedo mindinho encolhido. Mas a informação não permanece aí. De cada vez que a relembramos, o nosso cérebro volta a reescrevê-la e durante o rearmazenamento ela é também processada. No devido tempo, o facto é gradualmente transferido para o cortex cerebral e desprendido do contexto inicial com que foi percebido. Por exemplo, podemos lembrar-nos que a capital da Califórnia é Sacramento, mas talvez não nos lembremos de onde aprendemos isso.

Este fenómeno, conhecido como amnésia da fonte, pode também levar a que alguém se esqueça se uma afirmação é verdadeira. Mesmo quando uma mentira é acompanhada de um desmentido, acontece muitas vezes ser recordada mais tarde como uma verdade.

Com o passar do tempo, estes lapsos só pioram. Uma afirmação falsa produzida por uma fonte não-credível, que não é aceite inicialmente, pode ganhar credibilidade nos meses que decorrem de reprocessamento da memória desde a breve memorização no hipocampo até ao armazenamento a longo prazo no cortex cerebral. À medida que a fonte é esquecida, a mensagem e as suas implicações ganham novo vigor. Assim se pode compreender como, por exemplo, demorou algumas semanas até que a campanha movida pelo Swift Boat Veterans for Truth contra o senador John Kerry começasse a ter efeitos nos resultados das sondagens.

Mesmo que não compreendam os mecanismos da neurociência subjacentes à amnésia da fonte, os estrategas da campanha podem explorá-la para difundir desinformações. Sabem que, se as suas mensagens forem inicialmente chocantes, a impressão que provocam persistirá muito tempo depois de terem sido desmontadas. Ao repetir uma falsidade, sempre se poderá reforçá-la, introduzindo-a com uma expressão do tipo “Penso ter ouvido alguém dizer que…” ou mesmo mencionando uma fonte determinada.

Num dos estudos, um grupo de estudantes de Stanford foi exposto repetidamente a uma alegação sem fundamento de que a Coca-Cola era um forte dissolvente de tinta, desencadeado por um sítio Web. Os estudantes que leram esta afirmação cinco vezes excederam em um terço aqueles que leram apenas duas vezes na atribuição dessa alegação ao Relatório do Consumidor (em vez da auto-intitulada National Enquire do sítio Web), emprestando com isso um esboço de credibilidade ao boato.

Reforçando a nossa tendência inata para fundir a informações que relembramos está o modo como o nosso cérebro ajusta factos em estruturas mentais previamente estabelecidas. Tendemos a lembrar-nos de notícias que concordam com a nossa forma de ver o mundo e desvalorizar afirmações que contradizem essa mundivisão.

Noutro estudo de Stanford, a um grupo de 48 estudantes, dos quais metade se havia declarado a favor da pena capital e outra metade contra, foram apresentadas duas peças de prova, uma das quais sustentando que a pena capital dissuade o crime, a outra contradizendo. Ambos os meios-grupos reforçaram as suas convicções iniciais com tais provas.

Os psicólogos sugerem que as lendas se propagam por percursão de uma corda emocional. Do mesmo modo, as ideias podem difundir-se por selecção emocional, em vez de por méritos factuais, encorajando a persistência das falsidades sobre a Coca – ou sobre o candidato presidencial.

Os jornalistas e os activistas das campanhas poderão pensar que agem contra os boatos ao salientar que não são verdadeiros. Mas, ao repetir um rumor falso, inadvertidamente estão a reforçá-lo. No seu afã de “parar a nódoa”, a campanha de Obama deve ter este facto presente. Por exemplo, em vez de realçar que Obama não é muçulmano, poderá ser mais eficaz acentuar que converteu-se ao critianismo ainda jovem.

Os consumidores de notícias, por seu lado, estão mais aptos a aceitar selectivamente e relembrar afirmações que reforcem as suas convicções anteriores. Numa réplica do estudo do impacto exercido nos estudantes pela apresentação das provas de que a pena capital é/não é dissuadora do crime, os investigadores descobriram que até quando são fornecidas indicações precisas de apreciação objectiva, cada um é propenso a rejeitar mais facilmente as provas que contradizem as suas convicções.

Também no mesmo estudo se verificou que os sujeitos, ao serem questionados sobre a reacção que teriam na hipótese de serem acusados com as provas contrárias às suas convicções, tornam-se mais abertos na ponderação da informação. Aparentemente, vale a pena investir algum tempo na consideração de que a interpretação oposta pode estar certa, quando um jornalista se dirige a ouvintes/tele-espectadores/leitores apreciadores de controversias.

Em 1919, o Juiz do Supremo Tribunal Oliver Wendell Holmes escreveu que “o melhor teste para a verdade é a força do pensamento ser aceite em debate competitivo“. Holmes assumiu erradamente que as ideias honestas difundem-se mais facilmente. Os nossos cérebros não obedecem a este ditame ideal, mas ao conhecermos melhor os mecanismos da nossa memória talvez nos possamos aproximar do ponto de vista de Holmes.


Sam Wang, professor de Biologia Molecular e Neurociência em Princetown e Sandra Aamodt, ex-chefe de redacção da revista Nature Neuroscience, são autores de “Welcome to Your Barin: Why You Lose Your Car Keys but Never Forget How to Drive and Other Puzzles of Everyday Life.”


Sam Wang e Sandra Aamodt in
publicado pelo em 27 de Junho de 2008

Idalina Jorge – Quando a rua é o último recurso

Thursday, March 6th, 2008
Artigo publicado hoje no . AF

Exerço a docência desde Outubro de 1974 e nunca me vi obrigada a ir manifestar-me à rua por questões de natureza profissional.

Sinceramente, sempre pensei que nunca seria necessário.

As agendas sindicais nunca conferiram com as minhas agendas profissionais ou vice-versa.

Saí à rua, ainda adolescente, para me manifestar contra a guerra colonial, onde ia perdendo um irmão, saí à rua, já jovem adulta, pelo regresso dos militares das colónias, saí há rua, há oito anos, por Timor.

Ao fim de 34 anos, já passaram pelo Ministério da Educação mais de 20 ministros, uns melhores que outros, uns mais controversos que outros, gostei mais de Roberto Carneiro que de Diamantino Durão, geri escolas, exerci todos os cargos possíveis, formei professores em início de carreira e já integrados nela, ensinei funcionários a fazer requisições, balancetes e ofícios, recebi, divertida, altos funcionários que se deslocavam a Escolas da periferia de Lisboa, calçados de botas altas, como se fossem à apanha da batata ou à vindima, acompanhei à terra um ex-aluno ainda jovem adulto, que soçobrou à dependência de drogas, trabalhei muito, estudei o que se sabe e mais do que isso, e nunca tive de ir manifestar-me à rua.

Em toda a minha vida profissional participei em duas ou três greves que me causaram enxaquecas monumentais, mazela a que não sou dada, em virtude do conflito ético em que me colocava ao fazê-las.

Aos cinquenta e seis anos vou à rua pela primeira vez por motivos profissioniais.

Sou contra as aulas de substituição? Não sou. Já o manifestei publicamente e por diversas formas.

Sou contra uma direcção escolar unipessoal? Não sou, nem penso que a gestão colectiva seja necessariamente melhor ou mais democrática que uma gestão unipessoal.

Sou contra a avaliação de desempenho? Não sou. Aliás, porque haveria de ser? O que não se consegue avaliar é ingerível.

Então porque é que, no próximo Sábado, vou à rua?

Eu acredito e entendo que os governos têm de ter uma agenda política, um programa e que os devem levar à prática com firmeza e determinação: o que não está certo é que queiram fazê-lo à custa das pessoas, contra as pessoas, apesar das pessoas, atropelando, espezinhando e humilhando as pessoas, pondo em causa princípios de rigor, de justiça, de bom-senso, desprezando as sucessivas chamadas de atenção dos profissionais, sobretudo daqueles que sabem o que dizem, e o dizem fundamentadamente.

Quando TODAS as vozes dos melhores profissionais a chamarem à atenção para o caminho sem regresso foram ignoradas, quando TODOS os sinais de retorno foram de desprezo e de arrogância, como se pode esperar agora que os profissionais retribuam com tranquilidade e confiança?

Este caminho está fechado.

Posted by Paideia at 5:36 PM

Labels: carreira, crenças, professores


Idalina Jorge
Oeiras, Portugal

Professora de Inglês do Ensino Básico.
Pós-graduada em Necessidades Educativas Especiais.
Mestre em Orientação da Aprendizagem.
Doutorada em Ciências da Educação. (Desenvolvimento Curricular e Avaliação em Educação)

Fonte: