Archive for the ‘controvérsias’ Category

William Engdahl – Anti-americano?

Tuesday, May 19th, 2015

Estou cada vez mais consternado com o facciosismo anti-americano dos seus artigos, que leio com frequência. Parece que agora os Estado Unidos da América (EUA) são o bandido e o Eterno Senhor da Guerra Putin é o herói. O Sr. não faz a mais pequena idéia do que se passa hoje na Rússia e na Ucrânia. A minha mulher vem da Ucrânia e diz que os russos são os agressores… Alguma vez se interrogou, quando Putin anexou a Crimeia, por que não o fez em 1999, quando se tornou presidente pela primeira vez? Pois é, não o fez nessa altura porque teve de marchar para a Tchetchénia para esmagar os bandos de extremistas…

E em 2000-2004, durante o seu primeiro mandato? Ah, é verdade, esteve ocupado com a prisão do oligarca do petróleo Kodorkovsky. Só escumalha!… Admito que os americanos também tenham a suas falhas, como a já recuada Operação Condor ou a mais recente guerra no Iraque ou ainda o apoio aos rebeldes na Síria, falhanços de todo o Ocidente que só resultaram no fortalecimento dos extremistas. Não contesto.

Apesar disso, continuo a pensar que os americanos são mil vezes preferíveis aos russos…

Assinado: Sr. Schneider

Em primeiro lugar, Sr. Schneider, permita-me dizer-lhe que sou americano e declaradamente não sou anti-americano. Amo o meu país e os meus concidadãos.

O que eu não amo é a clique dos muito ricos que – sobretudo nas últimas três décadas, desde o tempo de Reagan e Bush Sénior – gradualmente foram subvertendo a Constituição Norte-Americana e suas garantias de direitos dos cidadãos, destruiram as normas de protecção da saúde e da segurança ao facilitarem os regulamentos da Agência para a Protecção Ambiental, beneficiando as empresas como a DuPont ou a Monsanto a expensas do público.

O que eu não amo é o modo como estes pequenos círculos à volta de David Rockefeller, George Soros, Bill Gates, Ted Turner, Warren Buffet, George Bush Sénior e Júnior e agora também Jeb Bush usaram as suas fortunas para corromperem representantes do congresso para conseguirem a aprovação de leis atentatórias do bem estar geral.

O que eu não amo são os bancos da Wall Street, que pagaram a congressistas para revogarem leis que já vigoravam desde o colapso das bolsas de acções em 1929 e que impunham restrições aos abusos dos bancos. Não gosto que o governo dos EUA – tanto o de George W Bush como o de Barack Obama – usem centenas de milhares de milhões de dólares dos contribuintes para salvar banqueiros corruptos e criminosos – demasiado grandes para falhar, ao que nos dizem. Ao mesmo tempo, deixam penar na pobreza os cidadãos desempregados ou expulsos das suas casas e deslocam postos de trabalho para a China, Roménia ou México à procura de salários de miséria.

Como economista, como historiador das idéias económicas e como jornalista, dediquei mais de trinta anos a investigar o que estava mal no meu país, os EUA. Ao Sr. Schneider, como pessoa que se sente inquieta e procura genuinamente o conhecimento dos factos, convido a ler algum dos meus livros, disponíveis no sítio www.williamengdahl.com.

Tenho alguma dificuldade em acompanhá-lo na maneira muito dilatada e ao mesmo tempo vincada como coloca questões, chegando ao ponto de me atribuir a conclusão geral de que a América é o bandido e o Eterno Senhor da Guerra Putin é o herói. Para mim o importante é que as questões sejam apresentadas com os contornos tão bem definidos quanto possível. Assim, ater-me-ei aos aspectos concretos que levantou sobre a Rússia.

Adianto-lhe desde já que, fosse eu o presidente da Rússia em 1999, teria agido sensivelmente do mesmo modo que Putin. Na altura vigorava um acordo assinado entre Rússia e a Ucrânia em 1997, cedendo à Rússia o direito de usar o porto de Sebastopol na Crimeia nos 20 anos subsequentes, porto este que tem uma importância estratégica no sistema de defesa russo. Era então inconcebível que algum dia deflagrasse uma guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Tenho muitos amigos ucranianos que à pergunta de onde és? respondem prontamente da Rússia! Desde a independência da Ucrânia em 1991, este país tem sido governado por oligarcas que delapidam impiedosamente as suas riquezas, autênticos bandidos como Leonid Krachuk, criminosos como Leonid Kruchma, Vitor Yushenco e Yula Timochenco.

Porém, em 1999, a segurança da Esquadra do Mar Negro na Crimeia não constituía preocupação para a Rússia. O que constituia uma ameaça para a segurança nacional da Rússia eram as operações de guerra financiadas pela Central Inteligence Agency (CIA) na Tchetchénia, para onde foram exportados mercenários contratados por Osama Bin Laden que haviam adquirido experiência na guerra no Afeganistão entre 1979 e 1989.

A política dos EUA no tempo de George Bush Sénior, prosseguida também por Clinton e Gore após o fim da Guerra Fria, era a de destruir as condições de vida da Rússia como nação soberana, tal e qual como Washington está a fazer agora com a Ucrânia. Foi exactamente Bush Sénior quem garantiu, na reunião das 7 potências mais ricas do mundo (G7) em 1990, que todas as reformas económicas a implementar na Rússia seriam conduzidas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), este estreitamente controlado pelo Departamento do Estado do Tesouro dos EUA.

George Soros e os economistas apologistas da doutrina conhecida como terapia de choque, Jeffrey Sach e Anders Aslund da Universidade de Harvard, associaram-se a criminosos russos como Yegor Gaidar ou Anatoly Chubais para literalmente privatizarem as jóias da coroa russa, a sua indústria do alumínio, as indústrias aero-espaciais, o petróleo e outros activos. Tudo foi feito em nome da eficiência do mercado livre. Sob o domínio de Yeltsin-Chubais-Gaidar o pagamento das pensões foi suspenso e alguns candidatos a oligarcas próximos do bandido Yeltsin tornaram-se bilionários da noite para o dia.

Foi neste ponto que entrou em cena Mikail Kodorkovsky, o homem que se tornou no mais rico da Rússia em 2004. Aconteceu num processo que incluiu a compra de votos de deputados da Duma para garantir a alteração da lei que proibia a propriedade privada das riquezas minerais. Para isso, tiveram a assessoria do banqueiro de Londres Lord Rotschild e de Henry Kissinger através da sua Open Russia Foundation, corrompendo a Presidência da Rússia com fundos da Yukus Oil, uma companhia adquirida por manipulação fraudulenta das privatizações das empresas do estado.

Isto não é propaganda pró-Putin. É uma informação dispensada por Lee Wolowsky do respeitável US journal of Foreign Affairs, órgão do New York Council on Foreign Affairs. Lee Wolowsky, um antigo agente do contraterrorismo durante a administração Clinton, descreveu também o modo como em 1999, a Yukus conseguiu desviar cerca de 800 milhões de dólares num período de apenas 36 semanas manipulando as transferências cambiais. Acrescentou pormenores sobre o modo como Kodorkowsky exauriu activos gigantescos das diversas dependências da Yukus a seguir à crise financeira de 1998. Kodorkovsky foi e é ainda hoje um gangster, provavelmente a viver um exílio dourado na Suíça.

Lamento, Sr. Schneider, que a sua cronologia dos acontecimentos sobre a Crimeia e a Ucrânia não seja mais específica, impossibilitando-me de ir ao encontro de algum ponto que lhe suscite dúvidas. Permita-me apenas dizer-lhe que, com o golpe de Kiev de 22 de Fevereiro de 2014 orquestrado pelos EUA, foram catapultados para o poder um punhado de organizações criminosas, anti-semitas e neo-Nazis confessas, tais como o Partido Svoboda, o Pravy Sector e outros, sendo claro que a integração da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlãntico Norte (OTAN) está na calha.

O novo governo não-eleito de Kiev prepara medidas contra a língua russa e outras iniciativas legislativas hostis a qualquer russo-descendente no país, ou seja, a Crimeia e o Leste da Ucrânia.

Washington desempenhou um papel invulgarmente ostensivo no golpe de estado de Fevereiro, através do envolvimento directo do senador John McCain e da Secretária de Estado Adjunta Victoria F**k the EU Nuland. Foi logo a seguir à intervenção dos ministros dos negócios estrangeiros da Polónia e da França terem conseguido um compromisso com todos os partidos de Kiev visando impedir a guerra.

Em entrevista ao jornal russo Kommersant em Dezembro do mesmo ano, George Friedman, fundador da Stratfor, uma agência privada de espionagem cujos principais clientes são a CIA, o Pentágono e o Departamento de Estado, deixou claro que [o derrube do governo de Kiev em Fevereiro de 2014] foi um golpe de estado organizado pelos EUA, acrescentado: na realidade, foi o golpe de estado mais descarado jamais realizado.

Moscovo apercebeu-se imediatamente que, às ordens dos golpistas comandados pelos EUA, a Crimeia ficava a um passo de se transformar numa base da OTAN. Foi então que os cidadãos da Crimeia foram chamados a responder a um referendo, do qual resultou uma votação superior a 90% a favor da cesseção relativamente à Ucrânia e pedido de anexação imediata à Rússia. Até Washington não conseguiu desmentir o caracter democrático do referendo e optou inicialmente por ignorá-lo, insinuando depois que os russos haviam forçado com armas a população a votar. Conheço pessoas que estiveram lá e que garantem que nada disso aconteceu. Houve, isso sim, uma tentativa do grupo terrorista Tratar, organizado pela CIA e com ligações à contra-espionagem turca, de provocar a irrupção de um protesto violento anti-russo ao estilo Estado Islâmico (ISIS). Esta tentativa foi gorada.

Quanto ao seu comentário preferindo mil vezes os americanos aos russos, está no seu direito. Também eu tenho as minhas preferências e me sinto com direito a elas.

Mais uma vez agradeço os seus comentários. Ao longo 30 anos como jornalista profissional pude assitir a mais corrupção nos principais meios de comunicação social tanto nos EUA como na Europa do que alguma vez poderá imaginar. Quando a publicação de pontos de vista diferentes dos nossos nos grandes meios de informação nos provoca medo, abrimos a porta à manipulação do pensamento, por onde passam lestos o governo ou directamente os oligarcas. Considere-se com sorte por ainda usufruir do acesso a pontos de vista controversos através da internet a alguns outros meios. Nunca peço para que concordem comigo. Se encontrar algum erro meu, saiba que estou preparado para reconhecê-lo e que isso já aconteceu no passado.

Frederick William Engdahl, Reply to a Reader’s Complaint about Anti-American Pro-Russian Bias, 30.04.2015

António Vilarigues – Conhecer o capitalismo

Tuesday, November 4th, 2008

É curioso notar como ainda existem intelectuais que pretendem desconhecer as leis do capitalismo. (AF)


  1. No artigo de 3 de Outubro A teoria de Pavlov aplicada à política recordei a Resolução Política aprovada, em Novembro de 2004, no XVII Congresso do PCP: No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial. E acrescentei que como se costuma dizer O PCP previu e preveniu

    A propósito desta citação um leitor escreveu-me insinuando que a mesma era falsa. E, ironizando, questionava se os comunistas eram bruxos. Continuando no mesmo tom diria que não sei se os comunistas são bruxos ou não, mas lá que parece, parece.

    Que dizer desta referência na Resolução Política do XV Congresso, em Dezembro de 1996: Pelo seu volume desmedido, pela tendência a empolar-se cada vez mais, pelo risco aleatório do seu movimento, esse capital fictício financeiro-especulativo faz pairar sobre a economia dos países e do mundo a instabilidade monetária e o perigo de colapsos bolsistas devastadores. E assistimos à crise asiática de 1997/98.

    De novo em Dezembro de 2000, no XVI Congresso, o PCP afirmava: Os constantes fluxos de capital-dinheiro, especialmente de curto prazo e de alto risco, provocam uma acrescida instabilidade no funcionamento do sistema financeiro e monetário internacional (…). Mercados bolsistas e imobiliários irracionalmente inflacionados são alimentados por uma insustentável expansão do crédito que potencia o perigo e a dimensão de desastres. (…). E veio a crise económica de 2001/03.

    Mas a bruxaria já vem de há 160 anos, quando dois feiticeiros alemães, de seu nome Karl Marx e Friedrich Engels, escreveram um livrinho intitulado O Manifesto do Partido Comunista. Aí se fala de mercado mundial, desenvolvimento da burguesia, multiplicação dos seus capitais, necessidade da destruição de forças produtivas excedentárias como condição de sobrevivência do sistema, crise económica como realidade inerente ao capitalismo, o socialismo como sociedade alternativa, etc., etc., etc. É esta validade das análises e das propostas propiciadas pelo marxismo-leninismo que dói aos críticos.

  2. Confesso, caros leitores, que por estes dias ando com o ego em alta. Há pouco mais de um ano referi nesta coluna que não tinha aderido à revolução semântica dos conservadores e neo-conservadores. Nos anos oitenta do século XX eles revolucionaram, com sucesso, a terminologia política e económica. O capitalismo passou a ser designado como economia de mercado. Mais recentemente trocaram o imperialismo por globalização. É sempre gratificante verificar como os conceitos por nós identificados e apreendidos voltam a ganhar significado. E como por estes dias todos escrevem e falam sobre a palavra pretensamente deitada para o caixote do lixo da história: capitalismo.

    Capitalismo esse responsável, só nas últimas semanas, pela supressão de mais de 200 mil postos de trabalho em Wall Street e outros centros financeiros. São sempre os mesmos a pagar a factura…

  3. Em 21 Junho de 2005 escrevi neste espaço (mais um exercício de memórias …) que: O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo Crescer com o Álvaro [14 de Junho], (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige..

    Mais de três anos passados não alteraram a minha opinião. O artigo de 19 de Outubro sobre José Saramago é mais uma confirmação. Aí se repetem quase ipsis verbis os chavões e as falsidades de 2005. Já agora: no ano de 1940 não se publicou nenhum número do jornal Avante! como se pode confirmar no sítio do PCP na Internet…

António Vilarigues, , , 3 de Novembro de 2008

Vital Moreira versus Augusto Santos Silva

Thursday, March 6th, 2008

A cegueira do pequeno grupo de indefectíveis de José Sócrates já não convence sequer o ideólogo do regime. AF


O PS não anda a reboque de outros, tem a sua própria agenda de modernização e das reformas necessárias ao país )


Mas não vejo que vantagem pode ter visto o PS na realização de um comício nesta altura, que só poder ser visto, mesmo que não tivesse sido desejado, como resposta à constestação do Governo na rua.
Vital Moreira, ideólogo in “Contracomícios” (Causa nossa )

Alan Greenspan – Politicamente incorrecto

Thursday, September 20th, 2007

O economista Alan Greenspan foi presidente da Reserva Federal dos EUA entre 1987 e 2006.


Lamento que seja politicamente incorrecto reconhecer aquilo que toda a gente sabe: a guerra ao Iraque é sobretudo uma questão de petróleo.

Fonte: Ray McGovern in

publicado por
em 16 de Setembro de 2007

Vitor Dias versus Francisco Louçã

Monday, June 4th, 2007

Francisco Louçã, no discurso de encerramento da V Convenção do Bloco de Esquerda, a 5 de Junho de 2007
…se Sá Fernandes estivesse na Câmara há mais tempo, o negócio Bragaparques nunca teria acontecido…

Vítor Dias, no blog , em 19 de Maio de 2007
…foi a 1º de Março de 2005, na Assembleia Municipal em que a direita estava em minoria, que foi aprovada uma deliberação indispensável à viabilização do citado negócio, com os votos a favor do PSD, do CDS, do PS, do BE e com o voto contra do PCP e do PEV.

Declarações reproduzidas em:
Vermelho Vivo, a 5 de Junho de 2007