Archive for the ‘cidadania’ Category

Perguntas de Mário Crespo

Thursday, April 2nd, 2009

Perguntas
Mário Crespo

Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport?

Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi?

Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido?

Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação?

Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro?
Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado?

Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa?

Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos?

Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no casoFreeport?

A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir?

Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional?

Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido?

Haverá duas justiças?

Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado?

Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport?

O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal?

O que é que dirão da justiça em Portugal?

O que é que estarão a dizer de Portugal?

Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país?

Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa?
Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora?

E cá dentro também?

Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses?

Quanto é que nos vai custar o caso Freeport?

Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou?

Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo?

Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport?

Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar?

E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada?

E o que é que vai fazer agora que o registo é público?
Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto?
Nem convoca o Conselho de Estado?

Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho?

Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?

Nota: O Director de Informação da Antena 1 fez publicar neste jornal uma resposta à minha crítica ao anúncio contra as manifestações sindicais que a estação pública transmitiu. É um direito que lhe assiste. O Direito de Resposta é o filho querido dessa mãe de todas as liberdades que é a Liberdade de Expressão.
Bem-haja o jornal que tão elevadamente respeita esse valor. É uma honra escrever
aqui.

Jornal de Notícias – 30 de Março de 2009

A Democracia, JÁ !

Thursday, March 26th, 2009

Chegou a hora de reclamarmos para hoje, a democracia que nos prometeram ontem.

Em nome da restauração da vida democrática, os políticos que nos governam tomaram o poder e enchem todos os dias os jornais com novos escândalos, a partir de opções que só vêm a ser conhecidas pelas suas consequências, e nunca pelas suas causas.

Estamos fartos de ser chamados como contribuintes, a pagar as consequências dos erros alheios, com a eterna desculpa de que como foram eleitos, adquiriram o direito de empenhar, não apenas a geração que os elegeu, mas até as gerações que ainda nem sequer nasceram.

Este é o momento de perceber que os problemas do país não se podem escamotear com as eternas rivalidades entre partidos, enquanto as instituições se encontram totalmente manietadas pela impunidade dos crimes.

No próximo Sábado, vai nascer uma associação que é uma congregação de vontades de todos aqueles que não se conformam no papel de espectador impotente, a quem apenas é reconhecido o direito de manifestar a sua opinião pessoal, em casos que afectam mais a sociedade no seu conjunto do que cada um em particular.

Se não te conformas com a maneira como são desbaratados os dinheiros dos nossos impostos, nem como o exercício do poder político se transformou duma cultura de valores para uma cultura de acusações e contra-acusações à margem do poder judicial, então junta-te a este espaço de intervenção cívica, isento de ambições de poder, mas que se norteia pela recuperação do direito a intervir na vida pública.

Encontro para a fundação do Movimento para a Democracia Directa, Alcobaça, 28 de março de 2009, 15 horas.

Sociedade Portuguesa de Matemática versus GAVE

Friday, June 20th, 2008

Provas de Aferição
Resposta ao director do GAVE

As declarações que o Director do GAVE fez a propósito do parecer da Sociedade Portuguesa de Matemática sobre as recentes provas de aferição são inexactas e infelizes.

O tom é totalmente inadequado, não dignifica ninguém e não o mantemos. Estão em discussão duas provas concretas, às quais é necessário fazer reparos. Segundo o Jornal de Notícias, citando a Lusa, o Director do GAVE acusa as nossas críticas de “levianas”, dando a entender que a SPM não detém o “conhecimento técnico indispensável”.

Repudiamos em absoluto. A Sociedade Portuguesa de Matemática tem a competência para criticar rovas de matemática, fá-lo ponderadamente e tem todo o direito de o fazer.

Mantemos que “os enunciados contêm um número exagerado de questões demasiado elementares” (sublinhado do parecer). Vejam-se, por exemplo, a questão 18 da prova do primeiro ciclo e as questões 8 e 16 da do segundo ciclo. O comentário do Director do GAVE dá a entender que nunca, em circunstância alguma, poderia haver questões demasiado elementares, mas apenas questões de dificuldade variável. Discordamos, como é óbvio.

Este aspecto é muito importante, pois com provas tão fáceis, o Ministério está a desautorizar o esforço dos professores que têm insistido com os seus alunos na necessidade de dominar bem o cálculo, o raciocínio e os conceitos matemáticos. Estas provas não apoiam a exigência escolar nem fazem justiça ao esforço de professores e alunos.

As nossas críticas podem ser ouvidas, segundo o que diz o Director do Gave, mas não é verdade, em geral, que sejam tomadas em conta. Temos insistido na necessidade de provas fiáveis, comparáveis de ano a ano, mas o ministério não o tem querido, sabido ou decidido fazer. Temos insistido na necessidade de as provas serem mais exigentes e isso não tem acontecido. Temos insistido na necessidade de estabelecer mais exames, e isso não tem ocorrido.

Finalmente, temos de esclarecer que, apesar de nos termos sempre disposto a colaborar com o GAVE em todos os aspectos para que somos solicitados, não temos qualquer responsabilidade na concepção ou no grau de dificuldade de nenhumas provas. Neste particular, o único aspecto em que temos colaborado — e apenas em algumas provas, que não estas — é na correcção de possíveis erros científicos. A nossa colaboração com o Ministério, que mantemos e manteremos sempre que solicitada, não pode significar a restrição da discordância.

O Gabinete do Ensino Básico e Secundário
da Sociedade Portuguesa de Matemática

pela Sociedade Portuguesa de Matemática
a 22 de Maio de 2008

Pedido de desculpa

Tuesday, March 11th, 2008


João Paulo Soares – Manifesto de professores

Monday, January 28th, 2008

via Os professores estão a atravessar o momento mais negro da sua vida profissional desde o 25 de Abril. Com um pacote legislativo concebido em sucessivas fases, começando pelo novo Estatuto da Carreira Docente e culminando com o novo modelo de gestão escolar, passando pelo Decreto Regulamentar da avaliação de desempenho, a actual equipa do Ministério da Educação desferiu um golpe profundo na imagem social dos professores, na sua identidade enquanto grupo profissional e nas condições materiais e simbólicas necessárias para que os mesmos se empenhem na qualidade do ensino. A um sentimento de enorme frustração soma-se hoje a insegurança quanto ao futuro profissional, uma insegurança decorrente de todos os mecanismos de fragilização da carreira e de instabilidade de emprego que o governo actual tem vindo a introduzir.
Torna-se agora cada vez mais evidente que os professores deste país foram as cobaias de um ataque aos direitos laborais, segundo uma receita de efeitos garantidos: uma campanha inicial de difamação orquestrada com a cumplicidade de uma comunicação social subserviente, que visou justificar, no plano retórico e propagandístico, a redução sistemática de direitos no plano jurídico. Hoje é também óbvio que este programa teve como objectivo essencial a quebra do estatuto salarial dos professores, que passaram a trabalhar mais pelo mesmo dinheiro, que viram a progressão na carreira arbitrariamente interrompida, e que foram, desse modo, uma das principais fontes drenadas pelo governo para satisfazer a sua obsessão de combate ao défice.
Hostilizados por uma opinião pública intoxicada e impreparada para reconhecer aos docentes a relevância da sua profissão, desprovidos dos meios legais e materiais que lhes permitiriam dignificar o seu trabalho, é com fatalismo, entremeado por uma revolta surda, que os professores deste país encaram hoje o futuro mais próximo. Muitos consideram o Estatuto da Carreira Docente como um facto consumado, procurando adaptar-se-lhe o melhor possível. No entanto, as piores consequências desse Estatuto só agora começarão a revelar-se, e há sinais de que a ofensiva do governo contra os professores e contra a escola pública não chegou ainda ao fim:
· Este ano vai ter início o processo de avaliação do desempenho, pautado pela burocratização extrema, por critérios arbitrários e insuficientemente justificados que poderão abrir a porta para acentuar o clima de divisão e a quebra de solidariedade entre os professores, para «ajustes de contas» adiados, para a perseguição aos profissionais que se desviem da ideologia pedagógica dominante, para a subordinação dos resultados dos alunos à demagogia ministerial do sucesso escolar compulsivo.
· O governo prepara-se para aprovar, sem discussão pública que mereça esse nome, um novo modelo de gestão escolar que se traduz pela redução ainda maior da democracia nos estabelecimentos de ensino, já antecipada ao nível do Estatuto da Carreira Docente, pela diminuição drástica da influência dos professores, atirados para uma posição subalterna nos órgãos directivos, pela sua subordinação a instâncias externas, muitas vezes movidas por interesses opostos ao rigor e à exigência do processo educativo.
· Finalmente, o governo tem também a intenção de suprimir as nomeações definitivas para a grande maioria dos funcionários públicos, iniciativa que terá particular incidência numa classe docente cuja garantia de emprego já está, em muitos casos, consideravelmente ameaçada.
Tudo isto deveria impor, desde já, a mobilização dos professores e o abandono de uma postura de resignação. Não há processos legislativos irreversíveis. Por outro lado, não podemos esperar por uma simples mudança de ciclo eleitoral ou de legislatura para que o ataque à nossa condição profissional seja invertido. Ninguém, a não sermos nós, poderá lutar pelos nossos direitos.
Por tudo isto, e para contrariar a atitude cabisbaixa que impera entre a classe docente, consideramos importante lançar um conjunto de iniciativas, algumas delas faseadas, outras que poderão ser desenvolvidas em paralelo. Assim, propomos:
- apoiar o movimento, que começa a surgir na blogosfera dedicada à nossa profissão, no sentido de se alargar o prazo de discussão do novo modelo de gestão escolar, e organizar nas escolas espaços de debate desse projecto-lei, tendo o cuidado de o situar no quadro mais geral dos constrangimentos legislativos a que hoje se encontra sujeita a nossa actividade profissional;
- promover, nas diferentes escolas e nos agrupamentos de escolas, a discussão sobre as condições de aplicação do Decreto que regulamenta a avaliação de desempenho dos professores, tendo em conta a necessidade de se fixar critérios mínimos de rigor e de justiça nessa avaliação, e considerando que, se a avaliação dos alunos tem sido objecto de muita elucubração teórica, as escolas se preparam para avaliar os docentes sem ponderarem devidamente as dificuldades científicas e deontológicas que semelhante processo suscita;
- encetar um processo de contestação do Estatuto da Carreira Docente nos tribunais portugueses e nas instâncias judiciais europeias, considerando que esse diploma atinge direitos que não são simplesmente corporativos, mas que constituem a base mínima da dignificação de qualquer actividade profissional.
- pressionar os sindicatos para que estes retomem os canais de comunicação com os professores e efectuem um trabalho de proximidade junto destes, o qual passa pela deslocação regular dos seus representantes às escolas a fim de auscultar directamente os professores e de discutir com eles as iniciativas a desenvolver;
- contactar jornalistas e opinion-makers que, em diferentes órgãos de comunicação, tenham mostrado compreensão pelas razões do descontentamento dos professores e apreensão perante o rumo do sistema de ensino em Portugal, no intuito de os incentivar a prosseguirem com a linha crítica das suas intervenções e de lhes fornecer informação sobre o que se passa nas escolas;
- propor políticas educativas que se possam constituir em defesa de uma escola pública de qualidade, que não seja encarada como simples depósito de crianças e de adolescentes e como fábrica de «sucesso escolar» estatístico, políticas capazes de fornecer alternativas para as orientações globais do Ministério da Educação e para as reformas mais gravosas que o mesmo introduziu na nossa profissão.
Se concordas com o MANIFESTO divulga-o o mais possível.
Para mais informações usa o seguinte e-mail profsemluta@hotmail.com

João Paulo Soares

Matosinhos – Portugal

Paulo Guinote – Debate sobre a Gestão das Escolas

Wednesday, January 2nd, 2008

Já que não se percebe como a tutela pensa envolver todos os interessados na discussão do novo modelo de gestão escolar, para além do espaço reservado no site do ME para quem quiser deixar o seu contributo, parece sentir-se a necessidade em muitos de nós de conhecer melhor o novo modelo proposto para a gestão das escolas públicas, assim como de debater a solução apresentada.

Se com os contributos que foram deixados para o Debate Nacional sobre a Educação foi o que se viu (tudo na gaveta), com todo o aparato formal que teve, já sabemos que neste caso a “consulta pública” não passará de uma formalidade com um sentido: o ME apresenta a sua proposta, os parceiros e o vulgo lêem-na e está tudo resolvido. Acertam-se umas vírgulas, emendam-se as incongruências mais disparatadas e o projecto faz-se lei com todas as suas insuficiências, equívocos e contradições com outros diplomas legais em vigor.

Pelo menos com o RAAG houve algum cuidado em, gostássemos ou não do projecto, tentar explicá-lo às pessoas, com sessões abertas ao público interessado e mesmo com debates sobre o tema. Podiam não ser as melhores iniciativas – assisti a uma perfeitamente caricata com um técnico superior do ME, apoiado num powerpoint, que não aceitava interrupções na sua exposição e escrutinava as questões a que não respondia – mas era alguma coisa.

Agora adivinha-se pouco mais do que nada: um destes dias alguém do ME reúne-se com os “parceiros” e dessa reunião sairão sindicatos zangados, Confap feliz e a ANMP a pedir mais dinheiro. Consta que o Conselho de Escolas emitirá um parecer, mas desconhecem-se os trâmites para a sua elaboração.

Por isso mesmo é necessário que algo mais se faça, em tão curto espaço de tempo. E nesse sentido a Isabel Guerreiro enviou-me no passado domingo o mail que passo a transcrever na íntegra (e a que já aludira em post anterior):

Olá Paulo

Não me conheces mas como tu sou professora e descobri há pouco tempo o teu blogue, onde me revejo (como muitos outros colegas aliás) nas tuas tomadas de posição perante o descalabro que tem sido a actuação deste governo no campo da educação.

Ao mesmo tempo constato, com desânimo, que muitas das vozes de protesto que se ouviam/liam se remeteram ao silêncio (de mim falo) ou andam por aí espalhadas pelos vários umbigos da blogosfera.

Esta notícia do Público (ver anexo) não é uma surpresa e faz antever a machadada final que se preconiza para a escola pública, republicana e laica.

Penso que, se não fizermos alguma coisa agora, será muito difícil reavê-la mais tarde.

Sabemos como é a nossa “classe” e os nossos “sindicatos” mas ninguém me convence de que esperarmos de braços cruzados é a única alternativa.

Por que não esquecermos as divergências pontuais de alguns professores e pedagogos mais lúcidos e activos da nossa (pobre) praça (estou a pensar em Santana Castilho, Mithá Ribeiro, Amélia Pais e outros tantos que certamente conhecemos) e nos reunimos para tomar uma posição firme e clara perante tudo isto?

O projecto de lei vai estar em debate público durante o mês de Janeiro, não há tempo a perder.

Um dos pontos de partida poderia ser um abaixo-assinado on line que permitisse também agregar o maior número de pessoas em torno desta questão central para a democracia, de modo que, mesmo o governo leve avante o seu projecto, se possa constituir um grupo mais ou menos organizado de resistentes.

A escola pública tem de ser uma questão transversal de cidadania acima de lógicas “politiqueiras” mesquinhas!

Uma vez que muitos colegas nossos frequentam o teu blogue, deixo-te este desafio: não queres tomar a iniciativa de promover um debate público aberto sobre esta questão (não faltarão espaços onde um evento desses possa ter lugar)?

Isabel Guerreiro
(professora de educação musical)

Como a ideia é boa, reencaminhei este mail para uma dúzia de colegas, autores de blogues e não só, no sentido de auscultar ideias e se procurarem propostas de acção concreta para as próximas semanas. O Fernando Martins divulgou a ideia no , o José Matias Alves já vem abordando o assunto há alguns dias no , assim como já terão aparecido entretanto outras prosas em outros blogues, à medida que fui recebendo resposta aos mails e comentários aqui no por parte de pessoas de que não tenho o contacto directo.

Neste momento, e para facilitar, eu sintetizaria algumas das opções em aberto, para serem concretizadas em rede ou isoladamente, a partir da ideia original. Nos próximos dias (até final da semana) irei tentar sistematizar prós e contras e avaliar da exequibilidade de cada uma:

  • Realização de um encontro de âmbito nacional sobre o tema, organizado a partir da blogosfera, mas com ancoragem em grupos locais/regionais de professores.
  • Realização de uma rede de encontros locais/regionais deste tipo, com um calendário adequado às possibilidades de cada grupo dinamizador, reunindo-se no final os diversos contributos.
  • Sensibilização dos órgãos de gestão das Escolas/Agrupamentos e Centros de Formação para a realização – em prazo útil – de iniciativas destinadas ao debate do tema.
  • Organização de um abaixo-assinado/petição online para que o debate em torno desta legislação seja mais alargado.
  • Produção de materiais sobre o tema para um suplemento especial do Correio da Educação a publicar na segunda/terceira semana de Janeiro, sob coordenação do J. Matias Alves.
  • Abordagem sistemática do diploma apresentado pelo ME, assim como do modelo de gestão da Escola Pública nos blogues.

Penso que, no essencial, são estas as ideias que até ao momento recolhem maior consenso, sendo evidente que quase todos os que se pronunciaram parecem concordar que, mesmo articulando esta iniciativa com organizações existentes, deveria ser algo que emanasse directamente dos professores e da sua vontade de participar na discussão do seu futuro, sem filtragens hierárquicas/organizativas, que possam desvirtuar a sua espontaneidade ou tornar mais fácil a sua catalogação por parte de quem gosta de ver o mundo apenas a preto/branco ou vermelho/verde.

Como iniciativa de Ano Novo a coisa é obviamente ambiciosa.

Pelo que me toca, e na medida das minhas possibilidades, a partir de amanhã penso começar uma série de textos sobre a proposta governamental de gestão escolar, da qual discordo em vários aspectos da sua fundamentação teórica, da sua dimensão prática e ainda da sua incongruência com diversa legislação existente,a começar pela LBSE. Esses textos serão sintetizados para uma crónica a inserir no Correio da Educação. Se estiver mesmo bem disposto colocarei os materiais produzidos aqui no blogue, incluindo este post, no espaço de propostas aberto pelo ME.

Na minha escola, onde tem sede um Centro de Formação, irei procurar saber o que se poderá realizar a nível local e, a partir daí, procurar perceber o que será possível alargar.

Claro que quem tiver essa possibilidade e principalmente os contactos certos, também deveria sensibilizar quem de direito nos órgãos de comunicação social de “referência”, escritos mas não só. Porque não conheço a agenda do Prós & Contras não sei se esta será uma temática a abordar proximamente.

Agora, é esperar de forma activa pelos próximos episódios.

Paulo Guinote in
O Novo Modelo de Gestão das Escolas: O Debate Necessário
publicado por A Educação do meu Umbigo em 1º de Janeiro de 2008

PETIÇÃO EM FAVOR DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS EM PORTUGAL

Sunday, July 29th, 2007

Retirado do Portugal mais Positivo, penso poder ajudar, deste modo, na divulgação desta petição que já assinei e que considero de grande importância. (MR)________________________________________________________

“Recebemos do Prof. Doutor António Damásio, a quem pedimos desculpas formais pelo lapso involuntário quanto ao nome, o seguinte comentário: “Defendi que o ensino das Artes e das Humanidades é tão necessário quanto o ensino da Matemática e das Ciências, e que Ciência e Matemática, por si, são insuficientes para formar cidadãos”. Em nossa opinião, o nosso texto subentende a mesma ideia e concordamos absolutamente com esta afirmação, agradecendo ao Prof. António Damásio por ter clarificado esta questão.

From Prof. António Damásio (and we apologize for the involuntary mistake regarding his name) we received a message with the following statement: “I did argue that teaching of the arts and humanities is necessary along with the teaching of math and science, and that science and math alone are insufficient to form citizens.” In our opinion, our text implies the same understanding and we totally agree with this statement. We would like to thank Prof. António Damásio for clarifying this issue.

To: Governo Português

PETIÇÃO EM FAVOR DAS LÍNGUAS CLÁSSICAS EM PORTUGAL

A PETITION IN FAVOR OF CLASSICAL LANGUAGES IN PORTUGAL

PÉTITION POUR LA DÉFENSE DES LANGUES CLASSIQUES AU PORTUGAL

No seguimento da recente reorganização da rede escolar e dos agrupamentos de disciplinas, o ensino das línguas clássicas passou a residual nas escolas secundárias, e em muito poucas, e corre o risco de desaparecer em breve do ensino superior.

Razões de ordem financeira limitam a oferta das línguas clássicas e das línguas e literaturas estrangeiras, também elas em grande perigo em todos os níveis de ensino, apesar de existir um escol de professores e especialistas, até de nível internacional, constituído com grande investimento económico e financeiro, em áreas que são índice de desenvolvimento e fazem parte da tradição cultural dos países que pretendemos igualar.

Ignorando que “a matemática e as ciências não formam cidadãos”, como lembrou Manuel Damásio (Expresso, 10/03/2006), os responsáveis políticos arriscam-se a privar os jovens portugueses da possibilidade de conhecer as raízes comuns da identidade nacional e europeia e dos valores que constituem a génese do património cultural, ético e cívico ocidental. É este também o parecer do médico e professor Nuno Grande, no seu comentário a propósito da herança clássica e do livro de George Steiner, A ideia de Europa (JN, 27/04/2006): “a recuperação dos direitos humanos, da solidariedade e da fraternidade com todos os povos, com respeito pelas diferentes identidades culturais … são determinantes da dignificação da Humanidade, a qual se encontra na percepção da sabedoria, na demanda do conhecimento desinteressado e na criação da beleza”.

Ora, os valores enunciados constituem marca da própria identidade europeia, conforme recordou recentemente J. M. Durão Barroso, Presidente da Comissão Eurpeia (SIC – Notícias, 13/05/2006), e representam o essencial da formação humanista e clássica, razão suficiente para não serem eliminados do sistema educativo os seus instrumentos, as línguas clássicas.

Os signatários, cujos nomes se seguem, fazem, pois, um apelo aos nossos governantes e à opinião pública:

- pedimos que não reneguem as próprias raízes greco-latinas de uma concepção nobre da política e da sociedade, ética e à escala humana;

- reivindicamos o restabelecimento de condições que facultem a todos os jovens a possibilidade de estudarem as línguas e as culturas clássicas em todos os níveis de ensino, das escolas básicas e secundárias às politécnicas e universitárias.

Promotores: APEC — Associação Portuguesa de Estudos Clássicos Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra Departamento de Estudos Clássicos da Universidade de Lisboa

A PETITION IN FAVOR OF CLASSICAL LANGUAGES IN PORTUGAL Following the recent reorganization Portuguese school system and the subject groups it offers to students, the teaching of classical languages has been reduced to a residual status in the secondary schools, and has been eliminated in all but a very few of them. It also runs the risk of soon disappearing altogether from the university curriculum.

Financial necessities have limited the offering not only of classical languages, but of foreign languages and literature, which are also in danger at all levels of education. This is in spite of the fact that over the years Portugal has made a major investment of moneys and effort to create an elite cadre of internationally recognized professors and specialists in areas which are an index of development and make up part of the cultural tradition of countries that we would like to equal.

Ignoring the fact that “mathematics and sciences do not form citizens”, as Manuel Damásio reminds us (Expresso, 10/03/2006), politicians occupying positions of responsibility risk depriving Portugal’s younger generations of the possibility of learning about those roots which link our national identity with the wider European identity, and with the values that constitute the origin of the cultural, ethical and civic heritage of the West. In a recent commentary on our classical inheritance and on George Steiner’s book, The Idea of Europe (JN, 27/04/2006), Nuno Grande, professor and doctor of medicine, takes this same viewpoint: “the recuperation of human rights, of solidarity and fraternity among all peoples, with respect for different cultural identities … are factors in the ennoblement of Humanity, all of which is found in the perception of wisdom, the claim for disinterested knowledge and the creation of beauty.”

These values, which make part of our European identity as has recently been reminded by J. M. Durão Barroso, President of the European Commission (SIC – Notícias, 13/05/2006) are essential to the humanist and classical education, sufficient reason for not eliminating the instruments of this education, the classical languages, from the contemporary curriculum.

The signatories, whose names follow below, have made an appeal to our leaders and to public opinion:

- we ask that the Greco-Latin roots of a noble conception of politics and society, which is both ethical and cast on a human scale, not be abrogated;

- we once again argue for the reestablishment of conditions which would give the younger generations the possibility to study classical languages and cultures at all the levels of their education, from primary and secondary schools to the polytechnical schools and universities.

Sponsors:
The Portuguese Association of Classical Studies The Institute of Classical Studies of the University of Coimbra The Department of Classical Studies of the University of Lisbon

PÉTITION POUR LA DÉFENSE DES LANGUES CLASSIQUES AU PORTUGAL A la suite de la récente réorganisation du réseau scolaire et des regroupements de disciplines, l’enseignement des langues classiques se trouve maintenant à l’état résiduel dans le secondaire, et court le risque de disparaître bientôt de l’enseignement supérieur.

Des raisons d’ordre financier limitent l’offre en langues classiques et en langues et littératures étrangères, elles aussi gravement menacées à tous les niveaux de l’enseignement, et ce malgré l’existence d’une élite d’enseignants et de spécialistes, souvent de niveau international, représentant un important investissement économique et financier, dans des domaines qui sont un symbole de développement et qui font partie intégrante de la tradition culturelle des pays que nous voulons égaler.

Ignorant que “les mathématiques et les sciences ne forment pas des citoyens”, comme l’a rappelé le neurobiologiste Manuel Damásio (Expresso, 10/03/2006), les responsables politiques peuvent-ils priver les jeunes Portugais de la possibilité de connaître les racines communes de l’identité nationale et européenne et les valeurs qui constituent la genèse du patrimoine culturel, éthique et civique de l’Occident? C’est ce que rappelle le professeur de médecine Nuno Grande, dans son commentaire à propos de l’héritage classique et du livre de George Steiner, L’idée d’Europe (JN, 27/04/2006): “les droits humains, la fraternité, la solidarité avec tous les peuples, dans le respect des différentes identités culturelles… sont déterminants pour l’élévation de l’Humanité, qui se fonde sur l’aspiration à la sagesse, la soif de connaissance désintéressée et la création de la beauté.”

Or, de telles valeurs – origine et garantie même de l’identité européenne, comme l’a rappelé récemment J. M. Durão Barroso, Président de la Comission Européenne (SIC – Notícias, 13/05/2006) rassemblent l’essentiel de la formation humaniste et classique, raison suffisante pour que ne soient pas éliminés du système éducatif leurs instruments : les langues classiques.

Les signataires, dont les noms suivent, lancent donc un appel à nos dirigeants, en prenant à témoin l’opinion publique:

- nous leur demandons de ne pas renier les origines gréco-latines d’une conception noble de la politique et de la société, éthique et à l’échelle humaine;

- nous revendiquons la mise en place de conditions rendant accessible à tous l’étude des langues et des cultures classiques, quel que soit le niveau d’enseignement, de l’école primaire à l’université.

Promoteurs:

APEC – Association Portugaise d’Etudes Classiques Institut d’Etudes Classiques de l’Université de Coimbra Département d’Etudes Classiques de l’Université de Lisbonne
Sincerely,”

António Balbino Caldeira – Do Portugal Profundo

Monday, June 18th, 2007

Não é todos os dias que um post tem direito a mais de 1600 comentários. Só isso constitui um facto notável. O comentário que escolhi, assinado Curiosa é aquele com que mais me identifico. Mas a merece ser seguida de perto.


Desculpem lá, mas não me venham com a treta do cidadão José Sousa se sentir enxovalhado com o debate acerca do seu percurso académico, em particular o da UnI.

Para já, não se pode queixar enquanto cidadão, na medida em que utilizou meios públicos na frequeência do seu curso, como é o caso do papel timbrado da secretaria do ambiente, o fax da mesma, cartões com timbre da mesmo e inclusivé o motorista. Logo aqui enxovalhou-nos a todos.

Em segundo, utilizou os secretários e acessores do primeiro ministro José Sócrates, para responder por si enquanto cidadão José Sousa. Voltou-nos a enxovalhar.

Em terceiro, usou o meio de comunicação do estado (RTP1) enquanto primeiro-ministro, para expor o que bem entendeu.

Em quarto, para levantar processo, deveria fazê-lo a quase todos os cidadãos portugueses que falam sobre ele, não se esqueçendo do ciganito a quem apreenderam a mercadoria de contrafacção numa feira qualquer, nem do Arouca que disse que ele aprendeu o inglês com a namorada.

E assim por diante…
Curiosa | 15.06.07 – 11:06 pm |

Fonte:
publicado por António Balbino Caldeira a 15 de Junho de 2007

José Barreiros – Aliar a forma ao conteúdo

Monday, June 4th, 2007

No dia 4 de Junho de 2007, o advogado José António Barreiros apresentou do Departamento de Investigação e Acção Penal uma queixa-crime para que sejam averiguados factos relacionados com a corrupção nas autarquias, na sequência de declarações nesse sentido proferidas por Saldanha Sanches num entrevista à revista Visão.

Sinais dos tempos: os brandos costumes estão a dar mostras de putrefacção. Numa simples iniciativa individual, o advogado José António Barreiros deita por terra toda a tradição de fingimento longamenta instalada, de fala-barato inconsequente, de nivelamento de comportamentos e de assumpção frouxa das responsabilidades, numa palavra, do que muito se tem falado de nacional-porreirismo. Por que golpe de génio foi possivel tal operação? – Obrigando quem profere declarações públicas a assumir todas as consequências jurídicas do acto. Se o conteúdo é este, a forma adequada é aquela. Maior simplicidade não é possível.
A solução do problema é tecnicamente complicada: todos os magistrados que têm processos das autarquias como âmbito do seu trabalho estão constituidos arguidos. Apetece-me, neste momento, citar Pacheco Pereira: o assunto tem a bonomia de um problema técnico ou a acutilância de um problema político?
Em poucas ocasiões se pôde assistir em Portugal a uma acção individual tão marcante pelo estabelecimento da confiança dos cidadãos nas suas leis. Se essa confiança viveu tempos difíceis na ditadura e em consequência de atitudes irreflectidas de muitos dirigentes pós 25 de Abril, abre-se agora mais um pretexto para avançar alguns passos. E pode ser, assim esperamos, que aconteça como resultado que a democracia ganhe mais algum fôlego.

Paulo Guinote – responsabilidade intelectual

Monday, January 8th, 2007

Aproveitando as possibilidades de comunicação disponíveis hoje, este professor de História deu origem, em Portugal, a um fenómeno totalmente invulgar. Construiu uma sala sui generis onde cada um é livre de falar, sentindo a presença de outros interlocutores, tanto mais próxima quanto mais rápido encontra a réplica às suas opiniões. As luzes permanecem apagadas: nenhum registo visual. Com o tempo, começamos ainda assim a reconhecer a figura dos comvivas.

O anfitrião detém uma prodigiosa capacidade de intervenção, tanto em quantidade como em qualidade. É facil adivinhar muitas leituras, espírito de observação aguçado, capacidade de pesquisa de informações preciosas, pontos de vista críticos sedimentados numa arrumação complexa e desenvolvida dos conhecimentos. Diria, para sua eventual surpresa: um exemplo acabado de sucesso do sistema educativo.

Mas engana-se quem pensar que o anfitrião faz a festa. Há lá representantes de muitas classes de pessoas: pais não docentes, professores de Filosofia, Desenho, Português, Inglês, História, defensores do ensino privado, defensores e adversários da TLEBS, sindicalistas, engenheiros, gestores, liberais, visitantes ocasionais, até plagiadores. Numa sala sem púlpito cada lugar da plateia vai preenchendo esse papel.

Os assuntos giram, está bem de ver, à volta da Educação. A greve dos professores justificou-se? É possível agir com mais sentido nos resultados? As crianças de dez anos já devem saber pesquisa bibliográfica? Nuno Crato tem razão? Porquê a actual taxa de insucesso? Como ensinar a Constituição dos Estados Unidos? Em que partes deve ser dividida uma aula? São úteis as aulas de substituição? E os métodos de avaliação? E os regulamentos disciplinares? E os métodos vigentes de colocação dos professores?
Por vezes a discussão descai para os gostos ideológicos. Outras vezes, centra-se nos assuntos terra-a-terra. Ouve-se um ponto de ordem, como se houvesse mesa nesta reunião virtual. Um desabafo de cansaço. Ou de alguma etilização. Falta de sono, naturalmente, não fossem professores. Falta de tempo para os filhos. Fins-de-semana e feriados a disfrutar o prazer de mais duas turmas para corrigir as provas. Uma aluna triste por ser transferida recorre ao impossível amparo do professor – demonstrando afinal em quem confiam, por muito que isso custe aos tecnocratas-burocratas. Um Ministério tomado daquele sentido de liderança a que José Sócrates nos habituou, desde que Vitor Constâncio lhe arrancou a máscara emprestada quinze dias após as eleições. Demasiado para descrever num artigo. O Leitor só tem uma solução: vá para crer. Mas está advertido: aquilo é viciante.