Archive for the ‘capitalismo’ Category

Michael Hudson – FMI, o carrasco da economia

Monday, July 11th, 2011

Michael Hudson não é comedido nas palavras. Com palavras doces, não vamos lá. Nesta entrevista, Michael Hudson afirma que se está a instalar um neo-feudalismo na Europa; que o Banco Central Europeu não é um verdadeiro banco central; que as instituições europeias foram tomadas pela alta finança; que não há uma Alemanha contra a Grécia, mas sim banqueiros alemães contra os gregos e também contra os alemães. Que o FMI só espalha pobreza e já ninguém queria saber dele, quando foi chamado (pela Comissão Europeia) para intervir na Grécia. Vale a pena ouvir, a partir do minuto 14 (em inglês).

Você tem duas vacas

Saturday, April 30th, 2011

CAPITALISMO IDEAL

Você tem duas vacas.
Vende uma e compra um boi.
Eles multiplicam-se, e a economia cresce.
Você vende a manada e aposenta-se. Fica rico!

CAPITALISMO AMERICANO

Você tem duas vacas.
Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.
Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS

Você tem duas vacas.
Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal e produzam 20 vezes mais leite.
Depois cria desenhinhos de vacas chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO

Você tem duas vacas.
As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS

Você tem duas vacas.
Elas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO

Você tem duas vacas.
Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horário
previamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.
Mas o que você queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO

Você tem duas vacas.
Conta-as e vê que tem cinco.
Conta de novo e vê que tem 42.
Conta de novo e vê que tem 12 vacas.
Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO

Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.
Você cobra para guardar as vacas dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL

Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO BRASILEIRO

Você tem duas vacas.
E reclama porque o rebanho não cresce…

CAPITALISMO HINDU

Você tem duas vacas.
Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS

Você tem duas vacas.
Foram compradas através do Fundo Social Europeu.
O governo cria O IVVA – Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.
Você vende uma vaca para pagar o imposto.
Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente o IVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.
O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seu
consumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha
200 vacas.
Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspector das finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho…

Russia Today – Goldman Sach promove a crise alimentar mundial

Friday, February 11th, 2011

Como a especulação no “mercado de futuros” está a retirar o pão da boca das pessoas.

Fonte:

E. Tousain e D. Millet – Porque cresce a fome no século XXI?

Monday, May 25th, 2009

Como explicar que a fome ainda exista no século XXI? Uma em cada sete pessoas no planeta está permanentemente com fome.

As causas são bem conhecidas: uma profunda injustiça na distribuição da riqueza e a monopolização da terra por uma pequena minoria de grandes latifundiários. Segundo a Food and Agriculture Organization (FAO), 963 milhões de pessoas sofreram de fome em 2008. Paradoxalmente, estas pessoas vivem sobretudo nas zonas rurais. Em geral, trata-se de camponeses que não possuem terra, ou não possuem suficiente terra ou não dispõem de meios para a cultivarem de forma rentável.

O que provocou a crise alimentar em 2007-2008?

É importante realçar que, entre 2007 e 2008, o número de pessoas com fome aumentou em 140 milhões. Este aumento deveu-se à explosão dos preços dos alimentos. Em muitos países, os preços de venda a retalho dos alimentos cresceu 50% ou mesmo mais.

Porquê este aumento? Para responder a esta questão, é importante compreender o que se passou nos últimos três anos. Só então é possível delinear políticas alternativas adequadas.

Por um lado, as autoridades públicas no Hemisfério Norte aumentaram os subsídios para os agro-combustíveis (ardilosamente denominados bio-combustíveis, já que nada têm de orgânico). Subitamente, tornou-se rentável substituir culturas de subsistência por culturas de oleaginosas ou desviar parte da cultura de grãos (milho, trigo, etc) para a produção de agro-combustíveis.

Por outro lado, após o rebentamento da bolha imobiliária nos Estados Unidos da América (EUA), com repercussões no resto do mundo, os investimentos mais importantes (fundos de pensões, investimentos bancários, fundos livres -

M. SHAHID ALAM – O Capitalismo na perspectiva das suas vítimas

Friday, March 27th, 2009
Nunca foi fácil fazer uma crítica ao capitalismo ou aos mercados aos meus alunos do secundário. Muitos nunca terão escutado uma palavra menos simpática contra estas instituições basilares, que reconhecem como pilares do poder e da prosperidade dos Estado Unidos da América.

Estas são instituições sacralizadas. A capacidade do capital privado produzir empregos, riqueza e liberdade é um dos dogmas centrais que muitos norte-americanos absorvem com o leite materno. Ouvir um desafio a tal dogma – qualquer que seja o contexto – é perturbador. Às vezes, suspeito que esta pastilha amarga é ainda mais difícil de engolir pelo facto de eu não ser, notoriamente, um nativo dos Estados Unidos da América.

Nas últimas semanas, porém, essas convicções parecem ter enfraquecido. No passado tomava-se como certo que os mercados estavam a cumprir um papel benéfico, espalhando a prosperidade a alguns pontos centrais do capitalismo global. Fazem o trabalho para nós, ainda que isso possa não funcionar para os asiáticos, os africanos e os latino-americanos.

No entanto, a contestação de que o mercado “livre” raramente funcionava com economias afastadas dos grandes centros do desenvolvimento parecia carecer de fundamento. Aparentemente, tal não era uma falha do mercado. Por muito tempo, o Ocidente convenceu-se de que os asiáticos, os africanos e os latino-americanos não conseguiam porque eram preguiçosos, esbanjadores, corruptos e parcos em imaginação.

Os meus alunos – tal como a maior parte dos norte-americanos – encaram o capitalismo na perspectiva dos vencedores do capitalismo global. Por um acaso de nascimento, tornaram-se beneficiários das riquezas e do poder que o capitalismo global concentra em alguns pontos do sistema. Não concebem que o sistema que tão bem funcionou para eles seja capaz de produzir miséria na Ásia, África e América Latina.

Estive afastado das minhas ocupações docentes na altura em que os Estado Unidos da América conduziram o mundo para uma depressão profunda. Em poucos meses, os gigantes da Wall Street (Bolsa) estatelaram-se ao comprido, foram salvos da extinção por meio dos impostos dos contribuintes. Vacilando à beira da bancarrota, os gigantes da indústria automóvel sobrevivem hoje também à custa dos dinheiros dos contribuintes, sendo incerto qual será o seu futuro. Neste remoinho, os passos de Bernard Maddoff, o Einstein do esquematismo, prosseguiram o seu embuste colossal durante vinte anos sem que os reguladores dessem por isso.

Milhões de norte-americanos perderam o seu emprego; milhões estão ameaçados de perder as suas casas; milhões viram as suas poupanças de reforma evaporarem-se à frente dos olhos; milhões estão em vias de perder a assistência à doença. Enquanto os norte-americanos da rua eram devastados, os dirigentes dos bancos salvos por intervenção pública continuaram a receber milhões em bonificações. A corda esticada ameaça agora quebrar a aclamada tolerância dos norte-americanos para com as diabrites do sistema capitalista.

Usualmente, a democracia norte-amaericana dirige a sua verrina contra os escritores e activistas de esquerda, suficientemente loucos para procurarem defender os desprivilegiados. Desta vez, a fúria dos norte-americanos voltou-se contra os capitães da finança e os veneráveis banqueiros com uma violência invulgar – incluindo ameaças de morte.

Encontrava-me em licença sabática quando Al-Caida destruiu as Torres Gémeas, no 11 de Setembro. Fui, na altura, dispensado de acompanhar os meus alunos, por receio de que me pudessem tomar como um dos fautores daquele ataque.

Novamente me encontrava em licença sabática na altura em que as torres da Wall Street desabaram por cupidez, imprudência e fraude; por uma ideologia do mercado livre que não tem contemplações face à vida humana; por elites capitalistas e seus parceiros na Casa Branca e no Congresso, que transformaram o sector financeiro numa esquema gigantesco de embuste.

Os norte-americanos foram atingidos por actos de terrorismo com consequências a longo prazo para a vida humana de dimensão tal que, no balanço, farão com que o 11 de Setembro pareça uma sessão de chá das cinco. Os perpetradores deste terror são todos internos; não foram treinados nas montanhas do Afganistão, mas em Harvard, Yale e Stanford; foram banqueiros, directores e legisladores, que rezam nos Estados Unidos da América e se encontram entre a nata da sociedade desta nação.

Quando retomei as aulas no final deste ano, encontrei, como era de esperar, alunos marcados por esta experiência. Nada destói tão rápida e eficazmente a ideologia capitalista como as crises capitalistas. Nenhuma crítica ao capitalismo é mais contundente que a devastação do desemprego, a pauperização e a expulsão das suas casas que este inflinge às suas vítimas. Atingidas tão recentemente – no próprio centro do capitalismo global – talvez os cidadãos norte-americanos comecem a entender as vítimas do exterior dos EUA – as que estão em África, Ásia e América Latina – que já foram devastados por este sistema durante séculos.

As ideologias capitalistas procuram a todo o vapor desviar a angústia contra o sistema e apontá-la contra uns poucos vilões, umas tantas maçãs podres. As audições no Congresso identificarão os bodes espiatórios; crucificarão umas tantas bruxas. Serão sacrificados alguns barões do capitalismo. Ao esmorecer a fúria do público, tentar-se-á desviar a culpa para compradores de casas incumpridores e consumidores compulsivos. O espactáculo capitalista deverá então continuar com o mínimo possível de alterações.

Longe porém desta crise, as novas tecnologias, combinadas com o deslocamento irreversível da soberania de alguns segmentos do capitalismo para a periferia, alteraram a dinâmica do desenvolvimento desigual. Os trabalhadores de rendimentos mais altos – a chamada classe média dos países desenvolvidos – foram perdendo as prerrogativas que desfrutaram durante muito tempo, ao entrarem em competição com os trabalhadores de baixos rendimentos da China e da Índia.

Cada vez mais o capitalismo global enriquecerá alguns trabalhadores da periferia à custa dos trabalhadores do centro do capitalismo. Nos próximos anos, a grande aliança que foi forjada entre os capitalistas e os trabalhadores no centro do capitalismo ficará sujeita a uma grande tensão. Cada vez mais, os interesses destas duas classes divergirão.

Empresas poderosas insistirão na abertura, enquanto uma parte cada vez mais importante de trabalhadores reclamarão pelo proteccionismo. Este renascimento do conflito de classes no velho centro do capitalismo alterará as alianças políticas actuais. Depois de terem cooperado durante mais de um século, as instituições democráticas começarão a ameaçar as elitres das corporações. Serão apresentadas novas exigências aos mercenários da intelectualidade nos grandes meios de comunicação social e na academia para encontrarem novos e mais eficientes instrumentos destinados à imbecilização do povo.

Quando um número cada vez mais elevado de trabalhadores de altos rendimentos dos países ricos se tornar, ele próprio, vítima do capitalismo, será que aprenderão a olhar para o capitalismo do ponto de vista das vítimas costumeiras? Consegui-lo-ão nesta nova realidade emergente, com a economia ortodoxa a fugir dos velhos centros em Londres, Cambridge e Chicago rumo aos novos centros em Bangalore e Pequim?

Estranho mundo será este, visto a partir dos velhos centros. Na verdade, ocorrerá uma correcção muito atrasada por dois séculos de desenvolvimento desigual dominado pelas potências ocidentais. Tampouco esta correcção será suficiente: deixará de fora uma grande parte do mundo, mergulhada em pobreza e doença.

M. SHAHID ALAM, , 23 de Março de 2009

Pedro Carvalho – Reflexões sobre a crise do sistema capitalista

Tuesday, February 17th, 2009

Joseph Stiglitz – Capitalistas estúpidos

Tuesday, January 6th, 2009

, 5 de Janeiro de 2009

António Vilarigues – Conhecer o capitalismo

Tuesday, November 4th, 2008

É curioso notar como ainda existem intelectuais que pretendem desconhecer as leis do capitalismo. (AF)



  1. No artigo de 3 de Outubro A teoria de Pavlov aplicada à política recordei a Resolução Política aprovada, em Novembro de 2004, no XVII Congresso do PCP: No mercado imobiliário, cujos preços têm vindo a subir a níveis demasiado elevados, subsistem riscos de um ajustamento abrupto com consequências de expressão mundial. E acrescentei que como se costuma dizer O PCP previu e preveniu

    A propósito desta citação um leitor escreveu-me insinuando que a mesma era falsa. E, ironizando, questionava se os comunistas eram bruxos. Continuando no mesmo tom diria que não sei se os comunistas são bruxos ou não, mas lá que parece, parece.

    Que dizer desta referência na Resolução Política do XV Congresso, em Dezembro de 1996: Pelo seu volume desmedido, pela tendência a empolar-se cada vez mais, pelo risco aleatório do seu movimento, esse capital fictício financeiro-especulativo faz pairar sobre a economia dos países e do mundo a instabilidade monetária e o perigo de colapsos bolsistas devastadores. E assistimos à crise asiática de 1997/98.

    De novo em Dezembro de 2000, no XVI Congresso, o PCP afirmava: Os constantes fluxos de capital-dinheiro, especialmente de curto prazo e de alto risco, provocam uma acrescida instabilidade no funcionamento do sistema financeiro e monetário internacional (…). Mercados bolsistas e imobiliários irracionalmente inflacionados são alimentados por uma insustentável expansão do crédito que potencia o perigo e a dimensão de desastres. (…). E veio a crise económica de 2001/03.

    Mas a bruxaria já vem de há 160 anos, quando dois feiticeiros alemães, de seu nome Karl Marx e Friedrich Engels, escreveram um livrinho intitulado O Manifesto do Partido Comunista. Aí se fala de mercado mundial, desenvolvimento da burguesia, multiplicação dos seus capitais, necessidade da destruição de forças produtivas excedentárias como condição de sobrevivência do sistema, crise económica como realidade inerente ao capitalismo, o socialismo como sociedade alternativa, etc., etc., etc. É esta validade das análises e das propostas propiciadas pelo marxismo-leninismo que dói aos críticos.

  2. Confesso, caros leitores, que por estes dias ando com o ego em alta. Há pouco mais de um ano referi nesta coluna que não tinha aderido à revolução semântica dos conservadores e neo-conservadores. Nos anos oitenta do século XX eles revolucionaram, com sucesso, a terminologia política e económica. O capitalismo passou a ser designado como economia de mercado. Mais recentemente trocaram o imperialismo por globalização. É sempre gratificante verificar como os conceitos por nós identificados e apreendidos voltam a ganhar significado. E como por estes dias todos escrevem e falam sobre a palavra pretensamente deitada para o caixote do lixo da história: capitalismo.

    Capitalismo esse responsável, só nas últimas semanas, pela supressão de mais de 200 mil postos de trabalho em Wall Street e outros centros financeiros. São sempre os mesmos a pagar a factura…

  3. Em 21 Junho de 2005 escrevi neste espaço (mais um exercício de memórias …) que: O Vasco Valente Correia Guedes, depois do seu artigo Crescer com o Álvaro [14 de Junho], (que me recuso a comentar por o considerar inqualificável do ponto de vista ético e moral) deveria, em coerência, deixar de assinar Vasco Pulido Valente. A memória de resistente antifascista e intelectual de vulto do seu avô assim o exige..

    Mais de três anos passados não alteraram a minha opinião. O artigo de 19 de Outubro sobre José Saramago é mais uma confirmação. Aí se repetem quase ipsis verbis os chavões e as falsidades de 2005. Já agora: no ano de 1940 não se publicou nenhum número do jornal Avante! como se pode confirmar no sítio do PCP na Internet…

António Vilarigues, , , 3 de Novembro de 2008

Sérgio Ribeiro – Romper com o capitalismo

Tuesday, October 28th, 2008
, , 23 Outubro 2008

François Chesnais – Limites do capitalismo

Thursday, October 16th, 2008

Por isso, outro elemento a ter em conta é que esta crise tem ainda outra dimensão: a de marcar o fim da etapa em que os Estados Unidos podiam actuar como potência mundial sem concorrência… Na minha opinião, saímos do momento que analisava Mészáros no seu livro de 2001, e os Estados Unidos vão ser submetidos a uma prova: num prazo muito curto, todas as suas relações mundiais modificar-se-ão e terão, no melhor dos casos, de renegociar e reordenar todas as suas relações com base no facto de serem obrigados a partilhar o poder. E isto, evidentemente, é algo que nunca aconteceu de forma pacífica na história do capital…

Artigo Completo: François Chesnais, , 16 de Outubro de 2006