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Russia Today – Goldman Sach promove a crise alimentar mundial

Friday, February 11th, 2011

Como a especulação no “mercado de futuros” está a retirar o pão da boca das pessoas.

Fonte:

dEUS II

Sunday, May 23rd, 2010

É uma perda de tempo afirmar que deus não existe“, explica o Jorge no seu . O que é certo é que nesta linda tarde de Maio, em que estou no meu trabalho para supostamente … trabalhar, uma discussão de cariz tão prático como a questão do sexo dos anjos é um apelo irresistível à minha tendência para a procrastinação. Tempo vai ser perdido, como admoestado…

Pelo que percebi do bilhete, na discussão da existência de deus há que diferenciar a noção de deus,  da entidade-deus, sabendo que a noção de deus é um lugar comum, enquanto que a entidade deus é uma aberração lógica.

No que me diz respeito, penso que todos concordamos que a noção de deus existe, da mesma maneira que a noção de porco-borboleta existe, pelo simples facto de eu ter imaginado a infeliz criatura, e transmitido a noção dela ao pobre leitor que não pedia tanto.

No entanto, estabelecer a dicotomia entre a noção e a entidade deus não me parece suficiente para poder discutir desta questão em boas condições. O outro problema é que a noção de deus é extremamente variável segundo as tradições, culturas, e gostos pessoais. O que se chama deus é muito diverso, e é difícil fazer comentários gerais sobre uma etiqueta que encobre múltiplos conceitos.

Portanto para discutirmos de deus, temos de saber de que deus falamos. Ora ninguém perde tempo a discutir da existência do deus porco-borbuleta, que se preocupa do regime alimentar dos pulgões das . Os deuses que geram discussão são aqueles que pretendem decidir como deve ser organizado o universo, a sociedade, e como deve viver ou pensar cada indivíduo. As razões invocadas para justificar essas pretensões são em geral de que o tal deus é omnisciente (e portanto sabe o que é bom para nós – cenoura?), mas sobretudo porque ele é omnipotente (pau). É pois o profundo impacto que tem a noção de deus omnisciente e omnipotente na nossa vida que nos leva a discutir da existência desse tipo de criatura, ao invés do nosso desdenhado porco-bobuleta.

Ora no caso particular da entidade omnipotente, omnisciente, capaz de empatia para com os humanos e de forma geral “bondosa”, tal como é entendido deus pelo comum dos católicos, penso que é inicialmente impossível afirmar de maneira peremptória o quer que seja, só podemos dar as nossas opiniões sobre o assunto. E não acho que uma opinião negativa seja hostil para quem tem uma opinião positiva (o mesmo não pode ser dito de uma “atitude”).

Em todo o caso, é fácil compreender que é impossível de negar de maneira objectiva a existência de uma entidade omnipotente e omnisciente: se deus pode fazer tudo e sabe tudo, nenhum argumento pode ser construído que ponha em causa a sua existência. Por exemplo, a divindade pode ter criado o mundo há um segundo, e todas as nossas memórias e conhecimentos do universo não seriam mais do que uma ilusão, e portanto inúteis para demonstrar a sua não existência.

Por outro lado, também é impossível provar que uma tal entidade existe: Postulando que ela existisse, como é que ela poderia provar aos humanos que de facto é omnipotente e omnisciente? Como seres finitos e portanto limitados, não dispomos de recursos suficientes para realmente verificar que a entidade é tão omnitudo quanto pretende ser.

Como é evidente, esse deus poderia facilmente convencer um humano de que é omnipotente e omnisciente, mas isso também consegue qualquer charlatão carismático (… resistir à tentação de citar exemplos, no interesse de uma discussão serena). No fim de contas, só uma entidade omnisciente e omnipotente pode verificar se uma outra criatura também o é. O problema é que duas criaturas omnipotentes não podem coexistir (não é um acidente que as religiões em que deus é omnipotente sejam monoteístas), portanto é realmente impossível verificar que um deus preenche realmente esses requerimentos.

Desta forma está a questão resolvida: não é possível provar a existência ou não existência de um ser omnisciente e omnipotente, e cada um pode ter o seu palpite sobre a questão. A partir daqui o espírito pragmático arruma a questão numa gaveta mental e dedica-se a construir pontes, tratar de doentes, ou salvar a nação à beira da bancarrota, em suma fazer qualquer coisa da sua vida.

Infelizmente este desfecho não satisfará o espírito melancólico e perverso, avesso ao esforço e acção, causa perdida do empenho produtivo, enfim, o irredutível procrastinador. Esta malograda criatura vai continuar a duvidar do perfeito equilíbrio na falta de senso das duas opções.

Certo, mostrámos que é impossível provar que deus existe, e que é impossível provar que deus não existe. Mas resolver esta questão com duas incapacidades, se bem que sendo um resultado definitivo, também é pouco empolgante. Porque não mudar de perspectiva, e abordar a questão de maneira mais abstracta? Proponho que reformule-mos o problema da seguinte forma: será impossível que o universo exista sem que haja deus? Será possível que o nosso universo e deus coexistam?

Pelo que eu sei, não existe nenhum facto conhecido do nosso universo que implique a existência de um ser omnipotente e omnisciente. Como é evidente, sabemos pouco do nosso universo, mas até agora não existe nada do que sabemos que positivamente implique a existência de uma tal entidade, o que é diferente de ignorar-mos as causas de um facto. Confundir as duas noções leva à crença do “deus das sombras“, ou “dos buracos“, isto é um deus que explica o que não sabemos, e cujo campo de acção diminui à medida que a nossa ignorância recua. É o deus das sombras ou dos buracos do nosso conhecimento, um tipo de deus que não entusiasma ninguém.

A vantagem desta perspectiva é que em vez de tentar provar qualquer coisa que não o pode ser, podemos tranquilamente considerar que o nosso universo não precisa de deus para funcionar, até que apareça qualquer coisa que nos mostre o contrário. É deus que tem de mostrar que é necessário ao universo, em vez de sermos nós de ter de nos cansar para provar que ele não existe. Uma estratégia bem mais compatível com o carácter plácido e mandrião próprio do procrastinador.

=> 1:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

Mas ainda temos de considerar a opção inversa, em que o nosso universo e deus coexistem. Como é que isso poderia funcionar?

Comecemos por discutir a omnisciência… Será que qualquer coisa pode ser omnisciente no nosso universo, independentemente de ser omnipotente?. Em geral quando dizemos que sabemos qualquer coisa, queremos dizer que podemos exprimir factos e princípios que se aplicam a essa coisa. No caso de um terreno, podemos por exemplo desenhar um mapa que representa o que sabemos dele. Quanto mais aumenta o nosso conhecimento do terreno, mais o nosso mapa é detalhado. Levando a metáfora até ao seu limite, a melhor representação possível do terreno é o próprio terreno, ou seja a única coisa que pode ser omnisciente no nosso universo é o próprio universo, que é a representação perfeita a cada momento de si próprio. Não que ser o universo seja suficiente (ainda faltam os princípios, para além da representação dos factos), mas é a condição mínima.

No entanto esta maneira de encarar o conhecimento não toma em conta o aspecto temporal da questão. O que significa conhecer? Conhecer é não só produzir a indicação do conhecimento, mas também é quando a produzir. Negligenciar o aspecto temporal do conhecimento pode levar a resultados paradoxais: digamos que estou a preparar o meu jantar, e esqueço de usar luvas quando tiro a panela do fogo. Isto vai provocar alguns acontecimentos interessantes do ponto de vista do conhecimento ao longo do tempo. A informação sobre a queimadura vai chegar à espinha medula, que vai reagir sem esperar instruções da parte do cérebro. Portanto durante algum tempo, o cérebro vai continuar a deliciar-se com a antecipação do jantar, enquanto que a espinha medula já está a gerir a situação de crise. O que é que eu sei nesse momento? Do ponto de vista exterior, considera-se que eu sei que me queimei, porque já deixei cair a panela, provando o meu conhecimento. Do ponto de vista interno, alguns elementos de meu sistema nervoso estão a par dos últimos desenvolvimentos, enquanto que outros não.

O mesmo se passa quando eu me deparo com uma tarântula. A informação visual é enviada simultaneamente ao córtex mas também à amígdala. Enquanto que o córtex digere as diferentes informações que lhe chegam, já a amígdala classificou a silhueta como perigosa e activa todas as respostas fisiológicas para desencadear uma reacção de fuga. Só mais tarde é que o córtex, integrando os diferentes dados que lhe permitem criar um contexto, reconhece que a tarântula está num aquário, e portanto inactiva a amígdala, já que não existe perigo. A minha reacção final é nula, provando do ponto de vista exterior que eu sei que não há perigo, mas durante algum tempo diferentes partes do meu cérebro tiveram opiniões diferentes.

Em todo o caso, é certo que a nenhum momento qualquer centímetro cúbico do cérebro está a par de todos os conhecimentos que o sistema nervoso na sua totalidade pode demonstrar. Um lapso de tempo é necessário para integrar suficientemente as informações para produzir uma resposta que prove conhecimento. Isto ainda é mais verdade no caso de princípios, em que a prova de conhecimento tem de ser construída, e não só recuperada.

Tendo em conta o princípio temporal, para ser omnisciente no sentido usual de conhecer coisas e produzir a prova desse conhecimento de forma rápida (em alguns segundos ou minutos), é necessário que não somente o ser omnisciente tenha uma representação de todo o conhecimento, mas também é necessário que possa aceder a essa informação de maneira praticamente instantânea. Ora se no nosso universo, o próprio universo é a única coisa que pode ter uma representação perfeita de todo o universo, é impossível para ele de aceder a essa informação de maneira instantânea, já que pelo que sabemos a velocidade de transmissão da informação está limitada à velocidade da luz. Ou seja, é impossível para um ser omnisciente de existir no nosso universo sem quebrar várias leis que nos parecem reger a nossa realidade.

=> 2:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

Esta necessidade quebrar as leis do universo é uma das razões que leva à obrigação de um ser omnisciente de também ter de ser omnipotente (outra é por exemplo a vontade dos crentes que ele seja infalível, etc).

Como seria o nosso universo se um ser omnipotente existisse? Para já, todas as leis físicas que conhecemos seriam falidas, já que por definição cada uma é uma incompatibilidade para a existência de um ser omnipotente. Portanto o preço de admitir a existência desse deus é de descartar tudo o que sabemos do universo, o que não é barato.

Mas o problema vai mais longe do que isso. Não é que não tenhamos percebido as leis do universo, mas o facto é que não podem existir leis, quaisquer que sejam. O universo é um caos ou pelo menos a única lei que existe é a vontade única de deus. Portanto o facto de que pensamos ver leis não passa de uma espécie de “partida” ou anedota que deus faz consigo próprio.

Para além disso, devemos notar que se um ser omnipotente existe, isso implica que os humanos não existem, pelo menos tal como os consideramos habitualmente. Para explicar o raciocínio, temos de voltar à ideia de que é impossível existir no universo dois seres omnipotentes, já que um seria uma limitação ao outro. Mas rapidamente observamos que de facto não pode existir mais do que uma fonte de iniciativa (ou vontade) num universo que alberga um ser omnipotente. Mesmo que as outras vontades não sejam omnipotentes, a mera existência delas seria um limite à omnipotência de deus.

Eu nem sequer estou a falar da possibilidade de os humanos terem livre-arbítrio (pessoalmente não acredito na noção de , que considero tão problemática de um ponto de vista lógico como a questão da omnipotência de deus). O que quero dizer é que os humanos não são uma fonte de iniciativa autónoma, mas são parte do universo-deus da mesma maneira que um pelo é parte de uma pessoa.

Num universo em que existe um ser omnipotente, temos menos vontade própria do que um pelo em relação ao resto do indivíduo. É evidente que podemos rapar, queimar, corar, descolorir ou acarinhar os nossos pelos, mas é preciso estar bastante psicótico para os classificar de “santos” ou “pecadores”. Na realidade, a noção de que deus é omnipotente é tão problemática para a visão do mundo dos cristãos quanto ela é indigesta para os ateus. Por outro lado, uma religião que se baseasse verdadeiramente no conceito de que deus é omnipotente tomaria ainda menos em conta a vontade de deus do que uma filosofia materialista que nega a existência de deus. Aliás, os crentes de ambas as filosofias teriam poucos motivos de discordar, quanto às implicações práticas para a sociedade e vida de cada um.

Em resumo, para encarar a coexistência do nosso universo com um ser omnipotente, temos de considerar que tudo o que sentimos do mundo não é meramente uma ilusão acidental (isso seria a versão optimista), mas de que se trata na realidade de uma mentira (já que produto de uma vontade alheia). Para além da má notícia de que deus é mentiroso, ainda teríamos de aceitar não ser mais do que personagens fictivos de um romance escrito por um deus enroscado na sua bolha de caos.

Ou seja até agora tudo o que pensamos saber, sentir ou desejar do universo (ou de nós) é incompatível com a existência de um ser omnipotente.

=> 3:0 a favor da existência do nosso universo sem que deus exista…

O resultado esmagador de todas estas divagações é que se bem que não se possa provar ou desprovar a existência de deus, o certo é que de um ponto de vista lógico ou meramente emocional, é muito mais defensível pensar não existe um deus omnisciente ou omnipotente do que o contrário, simplesmente pelo facto de que a realidade tal como a conhecemos se adequa mais com a não existência de um deus omnipotente e omnisciente (princípio de parcimónia)

Agora se por um milagre digno da conversão de Paulo, algum incauto leitor chegou ao fim deste bilhete, estaria curioso de saber qual é a sua perspectiva sobre a questão: É realmente o deus em que acredita omnipotente e omnisciente, e se não o for, quais são os limites dos seus conhecimentos ou capacidades:

  1. hard core omnitudo
  2. sabe de tudo o que se passa, não conhece o futuro, mas certifica que no fim haverá um happy end (pelo menos para os bons)
  3. criou o mundo e desde então aprecia os espectáculo com um copo de pop-corn sem fundo. Desconhece o fim da história, mas isso é o que torna a coisa interessante para ele.

Renaud Laillier – A globalização é o caos acelerado

Monday, February 9th, 2009
Nunca era certo onde pretendiam chegar os liberais, quando invocavam a necessidade de agir “mundialmente”. Com a crise, viu-se ao que vinham…

Isto deveria servir de lição. Porém, não é caso para eleger o proteccionismo como o novo princípio da autoridade. Os países podem aderir a um proteccionismo não declarado, sem que isso resulte em grandes barreiras.

O paradigma da célula biológica é adequado para melhor compreender a relação dos países com o seu espaço económico. É necessária uma parede – no caso, uma fronteira – para que a célula possa viver e desenvolver-se, dispondo dos meios necessários. São as paredes que ajudam a célula a respirar e a efectuar as trocas; não a sua ausência, como nos querem fazer acreditar.

A globalização, tal como vem sendo praticada, só pode espalhar a ruína. Certos dirigentes pró-globalização trataram de abolir as “paredes”, qualificando-as como obsoletas e como obstáculos ao desenvolvimento, o que não são de modo algum.

O sistema biológico indica-nos precisamente o contrário. Faltando a “parede”, as defesas imunitárias sãs da sociedade são destruídas por dentro, ao serem expostas a todos os fluxos ao mesmo tempo, sem organização nem controlo. De onde resulta uma redução forçada das energias criativas locais e uma evolução acelerada para o caos nos planos económico, social, financeiro, cultural e civilizacional, bem como do ecosistema.

Além disso, a preservação do ambiente exige sempre algum grau de proteccionismo. É necessário preservar as estruturas, tal como na arquitectura se preservam os contrafortes, as trancas e as portadas. Isto é tanto válido para os EUA, cuja hegemonia mundial está em queda, como para cada uma das restantes nações do mundo.

Só assim o verdadeiro progresso se verificará. Destas condições depende o progresso que cada um poderá esperar: reforçando todas as comunidades, aproveitando toda a criatividade em benefício local para criar o máximo de riqueza.

A globalização é o caos acelerado.

Renaud Laillier, , 7 de Fevereiro de 2009

A auto-avaliação dos alunos

Wednesday, October 22nd, 2008

Posição pessoal acerca da ficha de auto-avaliação

Não aceito que a ficha de auto-avaliação dos alunos seja incorporada no meu processo de avaliação de desempenho, por ofender as minhas convicções pessoais acerca da acção docente.

Ao solicitar aos meus alunos o preenchimento da sua ficha de auto-avaliação, deverei fundamentar a honestidade do seu preenchimento, na desvinculação dessa ficha à avaliação, quer do aluno, quer do docente.

Se não puder afirmar isso explícitamente, nesse caso a mensagem que lhes faço chegar, por omissão será que o preenchimento da ficha destina-se precisamente a produzir efeitos, quer na avaliação do aluno quer do professor.

E eles vão perceber que o interesse em dizer bem do professor é recíproco, uma vez que ele tem necessidade de ilustrar boas notas com boas apreciações, do mesmo modo como tem necessidade de justificar más notas com depreciações.

E para a escola, então será o desastre total da sua credibilidade externa, uma vez que passará a ser aquela escola onde os professores são avaliados pelos alunos, onde aquele professor que não deixa os alunos irem à casa de banho não tem hipótese de progredir na carreira.

E para cúmulo, até o calendário em que a ficha é aprovada contribui para reforçar essa ideia, porque não é uma ficha que já se encontrava em vigor nas tradições da escola, no momento em que a escola decidiu integrá-la no sistema de avaliação docente.

Por tudo isso, e acima de tudo por uma questão de respeito aos meus alunos, venho informar da minha recusa em aceitar a introdução da ficha de auto-avaliação dos alunos no meu processo de avaliação de desempenho. Não posso aceitar que o meu relacionamento com os alunos venha a ser envenenado por um processo de avaliação que não tem por ambição interferir no processo pedagógico, mas apenas observá-lo.

Papel e lápis

Thursday, September 6th, 2007

Convivo com fantasmas do passado, receios sobre o futuro e constrangimentos no tempo presente; estou arriscado a perder-me no caminho. Em algum momento – há já bastantes anos – tive de parar para pensar. Inicialmente todas as ideias surgiram ao mesmo nível, as opções não foram claras. O que me atrevo a partilhar são ideias-guia a que eu próprio cheguei, não pretendendo que constituam receita para alguém. Surgiram em exercícios de subordinação (o que deve ser subordinado a quê?) com a ajuda do computador papel e lápis.

  • Nenhuma vivência passada condiciona de modo absoluto o presente.
  • Os sacrifícios de hoje não proporcionam a felicidade de amanhã, apenas decepções. As hipóteses de estarmos bem dispostos amanhã aumentam se a boa-disposição existir já hoje.
  • É provável que haja mais pessoas à minha volta atormentadas com dúvidas idênticas às minhas. Não poderei descobrir antecipadamente quem um dia me irá surpreender com a ideia-chave mais elegante. Pode bem acontecer que venha de uma pessoa que eu tenha classificado como inimigo.
  • Se agi movido pela força de um exemplo de vida alheio, não poderei assacar-lhe a responsabilidade dos meus actos.
  • O meu sofrimento não é função de opções de outrem, mas das minhas.
  • Se a disposição de hoje não é absolutamente subordinável à de ontem e menos ainda à de amanhã, então é um valor primitivo, um puro acto de invenção.
  • A minha boa disposição não é mais que a resultante geométrica da boa disposição dos que me rodeiam.
  • Há três esferas de afectividade principais, sendo a mais próxima a família e a mais distante a nação (a intermédia pode ser o clube, uma associação, o local de trabalho, etc, e satisfaz as minhas necessidades gentílicas). A regra de ouro: quanto mais pequeno o raio da esfera de afectos, maior a sua importância e também a sua complexidade.
  • Aprendemos mais com os erros que com os sucessos.
  • As consequências dos actos devem ter um prazo de validade (não há estigmas nem recompensas vitalícios).
  • A crítica é para ser usada de modo comedido e ajustado.
  • A liberdade tem a exacta medida da responsabilidade.
  • Os meus pensamentos são função estrita das minhas vivências; não tenho o direito de supôr que vivências alheias devam produzir pensamentos semelhantes.
  • Melhorar uma situação é semnpre possível, mas é muito difícil conhecer bem todas as suas condicionantes.
  • A vida é intrinsecamente frágil, complexa e efémera; fortes, grosseiramente simples e quase eternos são os canhões.
  • Descobrir a beleza da vida não vem de brinde; é preciso procurá-la.
  • Repetir uma afirmação anteriormente feita enfraquece-a.
  • Adivinhar é pecado – este ditado brasileiro havia sido demasiadas vezes esquecido.