Archive for the ‘avaliação’ Category

A Aritmética das Horas

Thursday, May 20th, 2010

A Teresa e o Rui combinaram encontrar-se na piscina às 10 horas.
A Teresa chegou três quartos de hora antes da hora marcada e o Rui atrasou-se um quarto de hora.
Quantos minutos chegou o Rui depois da Teresa?
Mostra como chegaste à tua resposta.

15
x3
45 m

10,00
-.45
09.55

Teresa chegou – 9:55 m
Rui chegou – 10:15 m

Resposta: Chegou 60 minutos mais tarde

E não é que acertou? !!!!

Fátima Inácio Gomes – Carta Aberta aos meus Colegas de Departamento

Tuesday, January 20th, 2009

Caríssimos,

Em breve fará um ano que me elegestes Coordenadora do Departamento de Línguas. Um ano depois, escrevo-vos para vos comunicar que entreguei, hoje, o meu pedido de demissão do cargo. Sinto, pela confiança que em mim depositastes naquela data e desde então, que vos devo uma explicação. Conforme aleguei no meu pedido de demissão
“Os acontecimentos que se arrastam desde Janeiro de 2008 em torno do processo de Avaliação de Desempenho dos Professores, os avanços e recuos em matéria legal e funcional nesta matéria, assim como no Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a degradação do clima relacional e o desgaste provocado por um acréscimo de trabalho de ordem burocrático que acresce irremediavelmente por força de constantes alterações dos diplomas legais, criaram condições cada vez mais difíceis para o desempenho sério e rigoroso do trabalho que a professora reputa de maior importância – a leccionação da disciplina de que é titular e responsável.”.

Creio que contribui, ao longo deste ano, para um debate sério e responsável das matérias que nos têm atormentado. Saio com a consciência de tudo ter feito para derrotar o monstro da prepotência ministerial em sede de pedagógico e de o ter feito olhando-o de frente. Não encaro a minha saída como uma desistência da luta que nos envolve a todos – conhecem-me sobejamente para saberem que estou longe de baixar os braços. A verdade é que o Conselho Pedagógico perdeu qualquer capacidade de acção – o Ministério tratou de o esvaziar, no último decreto – e em breve perderá até qualquer sentido de representatividade democrática – o novo modelo de gestão deu-lhe a estocada final. Não posso, de todo, manter-me num cargo que, como nunca, consagra o desnivelamento injusto entre os professores. Não serei parasita de um sistema contra o qual tenho lutado! Agora sim, seria fácil ficar… todo o trabalho está feito, o desgaste de horas e horas a tentar lapidar as perversidades de umas fichas insanas faz parte do passado, quase não terei de observar aulas, ou seja, nem vos avaliarei, poderia tirar proveito da redução que me deram para o meu merecido descanso, e, ainda por cima, até poderia trabalhar descansadamente para um Excelente (no pior dos casos, um Muito Bom), quando tenho o privilégio de não precisar de ser avaliada na componente científico-pedagógica! Pois agora é a hora certa para eu sair! Não quero, não posso, tirar proveito de algo que me repugna e contra o qual tenho lutado. Onde ficaria a minha dignidade? O meu amor-próprio? A minha decência? O meu sentido de justiça?

Por ter sido eleita, ainda tenho espaço para tomar uma decisão destas. Preocupava-me prejudicar-vos com a minha saída, mas agora até esse cuidado se desvaneceu – só quem solicitar aulas observadas precisará de mim e, num momento destes, como já vos disse pessoalmente, considero uma falta de solidariedade para com os colegas solicitá-las. Daí que não me sinta moralmente obrigada em relação a quem o fizer. Não sei o que o dia de amanhã me reserva. Não sei se serei obrigada a avaliar. Mas dormirei tranquila, com a consciência de que não me deixei vencer pela letargia, pelo comodismo, pelos meus próprios interesses. Continuarei a falar com a liberdade com que me tendes ouvido, porque terei sido coerente e verdadeira até ao fim. Porque a minha voz nunca se ergueu para defender uma causa própria, mas uma causa comum, uma causa justa. E não há nada que aqueça mais o coração!

Como despedida, e não querendo parecer arrogante, lembro-vos um hino à integridade:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a Lua toda

Brilha, porque alto vive.

Ricardo Reis

Um abraço a todos,

a vossa,

Fátima Inácio Gomes

O Cavalo e o Porco

Thursday, December 4th, 2008

Um fazendeiro coleccionava cavalos e só faltava uma determinada raça. -Um dia descobriu que o seu vizinho tinha este determinado cavalo. -Assim, ele atazanou seu vizinho até conseguir comprá-lo. Um mês depois o cavalo adoeceu, e ele chamou o veterinário:

-Bem, seu cavalo está com uma virose, precisa tomar este medicamento durante 3 dias, no terceiro dia eu retornarei e caso ele não esteja melhor, será necessário sacrificá-lo.

Neste momento, o porco escutava toda a conversa. No dia seguinte deu o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:

-Força amigo! Levanta daí, senão você será sacrificado!

No segundo dia, deram o medicamento e foram embora. O porco se aproximou do cavalo e disse:

-Vamos lá amigão, levanta senão você vai morrer ! -Vamos lá, eu te ajudo a levantar… Upa!

No terceiro dia deram o medicamento e o veterinário disse:

-Infelizmente vamos ter que sacrificá-lo amanhã, pois a virose pode contaminar os outros cavalos.

Quando foram embora, o porco se aproximou do cavalo e disse:

-Cara é agora ou nunca, levanta logo! Coragem! Upa! Upa! Isso, devagar! Óptimo, vamos um, dois, três, legal, legal, agora mais depressa vai… Fantástico! -Corre, corre mais! Upa! Upa! Upa!!! Você venceu Campeão!

Então, de repente o dono chegou, viu o cavalo correndo no campo e gritou:

-Milagre! O cavalo melhorou. Isso merece uma festa… -’Vamos matar o porco!’

*MORAL DA HITÓRIA* Isso acontece com frequência no ambiente de trabalho. Nem sempre alguém percebe quem é o funcionário que tem o mérito pelo sucesso. Saber viver sem ser reconhecido é uma arte, afinal quantas vezes fazemos o papel do porco amigo ou quantos já nos levantaram e nem o sabor da gratidão puderam dispor? Se algum dia alguém lhe disser que seu trabalho não é o de um profissional, lembre-se: *AMADORES CONSTRUÍRAM A ARCA DE NOÉ E PROFISSIONAIS, O TITANIC. Procure ser uma pessoa de valor, em vez de ser uma pessoa de sucesso!!!*

Comentário extraído e adaptado :

Avelinus
03.12.2008
20:54
Portugal – Porto

A falsa avaliação dos professores – o segundo tempo

Monday, October 27th, 2008
Esta não parece ser a história da vara e da cenoura. Mais se parece com o holofote que obscurece a borda da ribanceira.

O momento presente caracteriza-se pelo preenchimento das fichas de avaliação e a fixação dos objectivos. Está escrito: os objectivos para o ano corrente (a média das notas de cada turma) não poderão ser inferiores ao do ano anterior. O professor está assim, perante o dilema: se sente que a turma poderá não alcançar tal média, segundo o seu próprio discernimento, estabelece uma meta mais modesta e aceita uma avaliação negativa do Minsitério, com consequências para a progressão na carreira; ou então, cede à tentação de relaxar o seu sentido de rigor, na esperança de conseguir passar pelo crivo legal. Tudo isto é o que eu designaria por primeiro tempo.

Resta o segundo tempo, ao qual poucos professores se têm referido. Afastemo-nos do buliço das vozes, tentemos perspectivar o desenvolviemnto desta situação num prazo de um ou dois anos. Com toda a probabilidade – está na lógica do mecanismo implementado, caso não lhe seja posto um travão – haverá um número significativo de professores que terão optado pela adesão involuntária ao facilitismo do modelo. Para defenderem o seu ganha-pão, é verdade, porque a isso foram pressionados até por superiores hierárquicos que se “esqueceram” de registar em acta as suas palavras. Que sorte poderão esperar estes professores? Estarão menos vulneráveis que aqueles que tenham optado pela firmeza deontológica na sua prática lectiva? Como será fácil, nessa altura, demonstrar a falsidade dos resultados dos alunos constantes nas pautas: e começar a pedir selectivamente justificações para as classificações atribuidas e assinadas. A assinatura de um trabalhador intelectual é o que ele tem de mais precioso. Para que perca valor, basta ser mal usada uma vez.

Atroz dilema, que mais vale ser ponderado na plenitude das consequências de cada alternativa, antes de moldar de forma irremediável todo o futuro profissional. Este tem que ser defendido em todos os momentos, não se compadece com relaxamentos.

O mais perverso do actual modelo de “avaliação” dos docentes é que tende a transformar todos os professores em cúmplices de um monumental simulacro de sucesso escolar sem qualquer correspondência na real difusão dos conhecimentos, apenas pela via da alteração do significado das notas dos alunos.

Maria de Lurdes Rodrigues já tinha mostrado ao que vinha quando enviou rapidamente um inspector para sacar uma retratação de Manuel Cardoso, na sequência da acusação feita por este de facilitismo ao Ministério. Usou a ministra um motivo instrumental – o eclipse de uma acta de reunião na noite anterior – para esconder a sua responsabilidade política. Note-se que a acusação foi feita nessa altura e pela primeira vez em público, precisamente por esse jovem. Qual o significado da retratação, considerando devidamente as circunstâncias em que foi feita? O seguinte: condição necessária para que a filha de Manuel Cardoso continuasse a beneficiar da profissão do pai para o seu sustento. É tão inglório tentar descobrir as conclusões a que Manuel Cardoso chegou da sua experiência enquanto professor pelo texto da retratação publicada pelo Ministério, como descobrir os avanços que Galileu imprimiu à Física moderna lendo a retratação apresentada à Inquisição.

Com a avaliação de cada docente a depender das notas atribuidas aos alunos, estas deixam de representar a fracção das respostas certas dadas por estes nos testes elaborados pelos professores, significam adicionalmente a condição necessária para que os professores continuem a exercer a sua profissão. Vemos assim que, na arte de instrumentalização dos trabalhadores, o episódio de Manuel Cardoso foi apenas um balão de ensaio. E todas as notas dos alunos daqui para a frente, caso o modelo vingue, não terão correspondência com as notas dos anos passados, no tempo em que os professores não eram forçados a fundir a sua própria classificação com a classificação dos seus alunos.

Várias escolas pedem suspensão da avaliação

Thursday, October 23rd, 2008
Professores de várias escolas aprovaram moções e abaixo-assinados a exigir ao Ministério da Educação a suspensão do processo de avaliação de desempenho, segundo sindicatos e professores contactados pela Agência Lusa.

Ler o resto em , 23 de Outubro de 2008

Portimão – Manifestação da Revolta Docente

Tuesday, October 21st, 2008


Manifestação da Revolta Docente

Moção

Os professores e educadores presentes na Manifestação da Revolta Docente, em Portimão:

  1. Declaram o seu mais veemente protesto e repúdio perante o Novo Modelo de Avaliação de Desempenho introduzido pelo Decreto Regulamentar nº 2/2008.
  2. Recusam um modelo que configura uma lógica burocrática, economicista, punitiva, anti-pedagógica e normalizadora, desviando os reais objectivos que devem presidir ao processo de ensino-aprendizagem e sujeitando os professores a tarefas de índole meramente burocráticas de elaboração de documentos, em prejuízo das funções pedagógicas e didácticas.
  3. Rejeitam um modelo de avaliação assente num Estatuto da Carreira Docente que divide arbitrariamente a carreira em duas categorias, bem como um regime de quotas que impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, o que irá provocar nas escolas situações de uma tremenda parcialidade e injustiça e fabricar um falso sucesso escolar.
  4. Consideram ilegítimo e injusto que a avaliação de desempenho e a progressão na carreira dos docentes, se subordine a parâmetros como a avaliação atribuída aos seus alunos e o sucesso destes. Tal como rejeitam frontalmente a penalização nos critérios de obtenção de “Muito Bom” ou de “Excelente”, pelo facto de usarem direitos protegidos e consagrados constitucionalmente, como sejam a maternidade/paternidade, doença, o cumprimento de obrigações legais e nojo, ou a participação em eventos de reconhecida relevância social ou académica.
  5. Acham execrável que este modelo de avaliação de desempenho – um autêntico monstro – sirva para adulterar a graduação profissional dos professores através da introdução de uma nova variável na graduação, ou seja, um professor que obtenha Excelente vai ter mais 3 valores na graduação, um que tenha Muito Bom terá mais 2 valores e os restantes, com Bom, Insuficiente ou Regular levam todos zero.
  6. A vida nas escolas está num autêntico sufoco e os professores já não aguentam mais, passado que é apenas um mês de aulas. São reuniões sucessivas e intermináveis, sobrecarga de tarefas e aumento de ritmos e horas de trabalho, aumento das divisões e tensões na classe, preenchimento de grelhas, objectivos e de todo o tipo de papelada burocrática que não serve rigorosamente para nada. Os professores e educadores, a perder cada vez mais os seus direitos históricos, não têm tempo para se dedicarem ao nobre acto para que foram formados – ensinar devidamente os seus alunos. Tal, irá reflectir-se negativamente na aprendizagem destes.
  7. Os professores e educadores não questionam a avaliação de desempenho como um instrumento que conduza à valorização das suas práticas docentes, com resultados positivos nas aprendizagens dos alunos e promotor do desenvolvimento profissional. Um modelo que seja o resultado de um amplo debate nacional entre os docentes, os seus legítimos representantes e o Ministério da Educação, que seja consistente, formador e capaz de valorizar a diversidade de competência que compõem a escola. Desta forma, a Escola Pública será prestigiada, valorizada e dignificada.

Perante o acima exposto, os professores e educadores presentes:

  1. Exigem ao ME a suspensão imediata do actual modelo de avaliação de desempenho.
  2. Saúdam as diversas iniciativas de resistência e protesto que se têm vindo a manifestar em diversas escolas do país contra este modelo de avaliação.
  3. Apelam a todos os Movimentos e Sindicatos de Professores para que, Todos em Unidade, participem em Novembro, numa Manifestação Nacional contra este modelo de avaliação de desempenho e as políticas negativas do governo na área do ensino e educação.
  4. Exortam todos os Professores e Educadores deste país a lutarem pelos seus direitos e em Defesa da Escola Pública, resistindo, ampliando e participando em todas as acções de protesto e revolta contra essas políticas negativas e, em particular, contra o “monstro” que representa este modelo de avaliação de desempenho. Há que aniquilar o “monstro”, antes que nos devore!

Portimão, 21 de Outubro de 2008

Observação: Esta Moção foi aprovada por unanimidade e aclamação por uma centena de professores presentes na Manifestação da Revolta Docente.

Fonte:

Escola de Vila Nova de Poiares – Suspensão da Avaliação de professores

Tuesday, October 21st, 2008

(Recebido via email de )