Marta Caballero – Raiva


Meus Caros,

Os meus pais ensinaram-me que, quando estamos zangados e irritados, devemos sempre usar o vocativo senhor(a) para controlarmos o impulso de dizer palavrões.

Ensinamentos sábios que caíram em saco roto.

Tenho náuseas ao ouvir esta cambada, por me lembrar das sucessivas mentiras e discursos iluminados, ainda há pouco mais de um ano, de que “Portugal passou ao lado da CRISE”, tenho náuseas ao ouvir uma oposição a dizer, para consumo interno, que nada tem de concreto para propor e a comprometer-se externamente com programas de austeridade para os mais desfavorecidos e um liberalismo feroz.

Quando os vejo na televisão (exercício que vou evitando porque se partir o aparelho ninguém me compra outro) não consigo dizer:

- “O Senhor pensa que estamos amnésicos? Como explica ter baixado o IVA e a taxa de retenção do IRS em 2009, ano em que aumentou 2,9% a função pública? Por mero acaso ano de eleições…”.

- “O Senhor sabe quem foi o precursor das PPP (parcerias publico-privadas) em Portugal, sem cuidar de preparar os quadros nacionais para os alçapões jurídicos dos contratos? Sem cuidar de preparar ou sem querer preparar? Lembra-se da ponte Vasco da Gama e do buzinão na Ponte 25 de Abril? Lembra-se?! O mestre d’obras Cavaco Silva”

- “O Senhor sabe para que servem os submarinos? Quantas Portas se abriram com esta negociata que nos empobreceu a todos, excepto a alguns?”

- “O Senhor sabe quantos estádios de futebol não tiveram utilização depois do EURO 2004? Sabe quanto custam ao País? Sabe que receberam Comendas do Estado todos os “altos dignitários” ligados a este fantástico projecto?”

Saiem-me, ligeiros, uns “filho da p…” e ” …abrão”, isto porque ainda não fui fazer o meu prometido estágio ao mercado do Bulhão para enriquecer o meu vocabulário.

A raiva de quem trabalha e vive honestamente é imensa.
Eu tenho RAIVA.

Marta
(via mail)

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