Jochen Scholz – Não queremos mais financiar as vossas guerras

6 Comentários

  1. marta says:

    António,

    Penso que deverias ter sido tu a fazer as honras da casa, afinal és o anfitrião.
    O inconsciente colectivo é uma realidade e a sua importância não é, de modo algum, negligenciada pelas multinacionais. É a ele que se pode atribuir o facto de, em certos momentos da história, recrudescer a necessidade por parte de alguns povos de conquistar e dominar o mundo. O busílis da questão é quando surge alguém que congrega as qualidades essenciais para representar e dar resposta aos anseios mais profundos desses povos. A Alemanha é, sem dúvida, um exemplo do que ficou dito.
    O conhecimento da história, do ambiente e dos conflitos subterrâneos de cada nação é de uma importância crucial para as multinacionais, pois investem onde consideram que o risco é menor: canalizam os grandes capitais para países cuja população é pacífica e facilmente subjugável.
    Atendendo à geopolítica seguida pelo capital, é fácil constatar que a China tem sido um lugar de eleição. Reúne as condições ideais em termos económicos (custos de produção muitíssimo baixos) e está geograficamente próxima da Rússia. O Japão, depois da II GG, foi o baluarte da política ocidental no mundo asiático, mas convém não esquecer a humilhação que sofreu, precisamente, no final da II GG. Em relação à China e ao seu destacado papel na globalização, também não deixamos de ter presente a revolução levada a cabo por Mao Zedong e, é evidente que de forma alguma foi subvalorizada pelas multinacionais. Contudo, devido à internacionalização do capital, a produção é feita em rede e, neste caso específico, as multinacionais não colocaram todos os ovos no mesmo cesto.
    Se estivermos atentos à forma como o capital se está a movimentar, ou seja, às geoestratégias seguidas pelas multinacionais, teremos uma ideia aproximada de onde poderá surgir o maior perigo, face à crise que se está a instalar. As grandes guerras surgiram em momentos de crise económica. As circunstâncias actuais são, em tudo, muito similares às do crash de 1929!

    Dados os desafios globais sem precedentes, onde se encontra a esquerda política? Onde estão os seus conceitos de um papel activo para a Europa e de uma União Europeia no contexto das convulsões actuais, de forma a moderar os erros com resultados previsivelmente devastadores para uma grande parte da humanidade?

  2. Alexandre says:

    A pouca influência política da UE no mundo não é devido a uma falta de meios, mas a uma falta de projecto de política externa europeia (causado entre outros por uma falta de visão comum, ou sequer visão). Depois das crises constitucionais dos últimos anos ninguém teve coragem para iniciar novas reformas. Penso que a maior parte dos dirigentes europeus pensavam que durante os próximos dez, vinte anos não haveria mais reformas a nível europeu, à parte a extensão gradual do euro.

    O facto da crise económica obrigar a criar um governo económico europeu com toda a urgência foi uma surpresa para toda a gente. Não o facto de ser necessário (isso era um consenso excepto entre os euro-cépticos), mas que o fosse tão rapidamente.

    Angela Merkel não tinha qualquer projecto a nível europeu, e agora está a braços com uma reforma que vai ter de ser muito mais ambiciosa do que foi feito desde à uns vinte anos.

    A nível internacional a Alemanha e UE estão satisfeitos por deixar os EUA tratar das questões de segurança, o que permite enormes economias em investimentos para a defesa. À parte manter uma certa capacidade tecnológica, não existe na Europa nenhuma força armada credível, simplesmente porque a protecção dos EUA e o fim da guerra fria não dão qualquer motivação para isso.

    O preço a pagar é só de enviar algumas centenas de soldados como testemunho de boa vontade para com os EUA, e mesmo nem isso, desde as asneiras que o Bush fez no Iraque. Tal como o Japão, a UE “utiliza” bem o seu aliado, ao mesmo tempo que os EUA vão gradualmente perdendo influência sobre os membros da UE.

    Em definitivo, o que a UE gostaria de ser é uma espécie de Canada, que não tem vizinhos problemáticos nem ambições geopolíticas globais. Infelizmente a UE não está na América do Norte mas entre a Ásia e África, portanto isto não vais funcionar indefinidamente.

    Duvido que a UE tenha qualquer força de iniciativa durante as próximas décadas na ordem mundial, pelo menos enquanto os seus interesses forem compatíveis com os do EUA. Os tais BRIC + EUA é que vão dar o tom e reajustar as relações de poder na cena internacional.

  3. Obrigado, Citizen.

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