Sábado, Janeiro 31, 2009

Pinto Balsemão - Sócrates é descartável

Francisco Pinto Balsemão
No dia em que nome do Primeiro Minsistro José Sócrates Pinto de Sousa faz as manchetes de todos os jornais, apetece-me antes falar desta figura-sombra do poder em Portugal. A Francisco Pinto Balsemão, nada lhe dá mais conforto que sentir que os mais altos representantes do poder político democrático são peças descartáveis. O ingénuo José Sócrates experimenta agora o reverso da sua fulgurante ascensão.
Formalmente, José Sócrates foi eleito para cumprir um programa eleitoral sufragado. Nesse programa não constavam as medidas de precarização extrema das condições contratuais dos trabalhadores, tampouco a perseguição intimidatória aos professores e muitas outras medidas que caracterizaram o seu magistério. Os resultados são amplamente satisfatórios para Balsemão. No entanto, Sócrates arrisca-se a sair pela porta pequena devido uma inadmissível ingerência da imprensa de Balsemão nos trabalhos de investigação da polícia judiciária. Entre as informações publicadas hoje pelo jornal de Balsemão, só falta mesmo o nome dos que retiraram peças dos processos para as fazer chegar à imprensa.
Últimamente tem crescido entre os partidos ditos "da governabilidade", ou seja, entre os partidos que conseguem menos eleitores por cada deputado eleito, a noção de que no final deste ano só uma solução à Alemanha, de bloco central no governo, é capaz de prosseguir as políticas neoliberais já encetadas. José Sócrates não compreendeu estes avisos. Agora vai prestar contas ao homem que o promoveu durante toda a legislatura, e mesmo antes dela, quando o convidou para uma célebre reunião do clube de Bilderberg.

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Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Suspensão da avaliação dos docentes nos Açores

Será que o que é verdade para o PS dos Açores não o é para o PS do continente? Serão partidos diferentes? Se não, vejamos:

Suspensão da avaliação docente nos Açores
(clique para ver o vídeo)

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Domenico Losurdo - Autofobia

Domenico LosurgoNo rescaldo de uma grande derrota mundial na luta pelo Socialismo, Losurdo desenvolve observações muito acutilantes, cuja pertinência é facilmente reconhecida por inúmeros episódios dos dias que vivemos.

A condenação da violência em absluto é uma posição política ou pertence ao foro religioso?
Qual o significado de se enaltecer apenas os mártires?
Que valor tem tentar eclipsar uma parte da experiência histórica?

Um texto para os mais afoitos:
O Movimento comunista: da autofobia ao desenvolvimento do processo de aprendizagem

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O Estudo é da OCDE ou não?

O Partido Socialista mente
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O Partido Socialista mente
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PS modifica texto online sobre "relatório da OCDE"

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Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Rui Gonçalves - Doença de TARGARDT

Exmo(a) Senhor(a)

Vivo nos arredores de Lisboa e sou pai de uma menina, agora com 7 anos, que é portadora da doença de TARGARDT (degeneração da mácula), o que faz com que perca a visão central ), doença essa que é actualmente incurável, mesmo no estrangeiro. Como não é fácil obter informações a nível nacional, resta-me a Internet para adquirir um conhecimento mais profundo que me ajude a lidar com esta doença, pois mesmo em Lisboa a única ajuda que me foi facultada foi de uma associação (mais concretamente a Associação de Retinopatias de Portugal), associação essa que também padece do problema de falta de apoio, pois é uma entidade privada. O grande objectivo deste mail é tentar arranjar maneira de contactar pessoalmente, familiares ou amigos dessas pessoas que sofram da mesma ou semelhante doença, para fazer um rastreio, com um único pensamento: - Difundir e trocar informações acerca desta doença. POR FAVOR divulguem este mail pelos vossos contactos e/ou se tiverem conhecimento pessoal de um caso semelhante, agradecia que me contactassem:

mailto:rgoncalves@ruralinf.pt

MUITO E MUITO OBRIGADO

Rui Gonçalves

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Quinta-feira, Janeiro 22, 2009

Fernando Nobre - Grito e choro por Gaza e por Israel

Recebido por email. (AF)

Fernando NobreHá momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.

O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes ("terroristas") do movimento Hamas.

Importa neste preciso momento refrescar algumas mentes ignorantes ou, muito pior, cínicas e destorcidas:

- Os jovens palestinianos, que são semitas ao mesmo título que os judeus esfaraditas (e não os askenazes que descendem dos kazares, povo do Cáucaso), que desesperados e humilhados actuam e reagem hoje em Gaza são os netos daqueles que fugiram espavoridos, do que é hoje Israel, quando o então movimento "terrorista" Irgoun, liderado pelo seu chefe Menahem Beguin, futuro primeiro ministro e prémio Nobel da Paz, chacinou à arma branca durante uma noite inteira todos os habitantes da aldeia palestiniana de Deir Hiassin: cerca de trezentas pessoas. Esse acto de verdadeiro terror, praticado fria e conscientemente, não pode ser apagado dos Arquivos Históricos da Humanidade (da mesma maneira que não podem ser apagados dos mesmos Arquivos os actos genocidários perpetrados pelos nazis no Gueto de Varsóvia e nos campos de extermínio), horrorizou o próprio Ben Gourion mas foi o acto hediondo que provocou a fuga em massa de dezenas e dezenas de milhares de palestinianos para Gaza e a Cisjordânia possibilitando, entre outros factores, a constituição do Estado de Israel..

- Alguns, ou muitos, desses massacrados de hoje descendem de judeus e cristãos que se islamizaram há séculos durante a ocupação milenar islâmica da Palestina. Não foram eles os responsáveis pelos massacres históricos e repetitivos dos judeus na Europa, que conheceram o seu apogeu com os nazis: fomos nós os europeus que o fizemos ou permitimos, por concordância, omissão ou cobardia! Mas são eles que há 60 anos pagam os nossos erros e nós, a concordante, omissa e cobarde Europa e os seus fracos dirigentes assobiam para o ar e fingem que não têm nada a ver com essa tragédia, desenvolvendo até à náusea os mesmos discursos de sempre, de culpabilização exclusiva dos palestinianos e do Hamas "terrorista" que foi eleito democraticamente mas de imediato ostracizado por essa Europa sem princípios e anacéfala, porque sem memória, que tinha exigido as eleições democrática para depois as rejeitar por os resultados não lhe convirem. Mas que democracia é essa, defendida e apregoada por nós europeus?

- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.

- Estamos a assistir a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).

- Estranha guerra esta em que o "agressor", os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os "agredidos". Nunca antes visto nos anais militares!

- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos "heróis" que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!

- Como pode um povo que tanto sofreu, o judeu do qual temos todos pelo menos uma gota de sangue (eu tenho um antepassado Jeremias!), estar a fazer o mesmo a um outro povo semita seu irmão? O governo israelita, por conveniências políticas diversas (eleições em breve...), é hoje de facto o governo mais anti-semita à superfície da terra!

- Onde andam o Sr. Blair, o fantasma do Quarteto Mudo, o Comissário das Nações Unidas para o Diálogo Inter-religioso e os Prémios Nobel da Paz, nomeadamente Elie Wiesel e Shimon Perez? Gostaria de os ouvir! Ergam as vozes por favor! Porque ou é agora ou nunca!

- Honra aos milhares de israelitas que se manifestam na rua em Israel para que se ponha um fim ao massacre. Não estão só a dignificar o seu povo, mas estão a permitir que se mantenha uma janela aberta para o diálogo, imprescindível de retomar como único caminho capaz de construir o entendimento e levar à Paz!

- Honra aos milhares de jovens israelitas que preferem ir para as prisões do que servir num exército de ocupação e opressão. São eles, como os referidos no ponto anterior, que notabilizam a sabedoria e o humanismo do povo judeu e demonstram mais uma vez a coragem dos judeus zelotas de Massada e os resistentes judeus do Gueto de Varsóvia!

Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!

É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.

É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são.



Fernando José de La Vieter Ribeiro Nobre, 4 de Janeiro de 2009

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Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Reposição da legalidade na vida escolar

Nasceu na blogosfera uma iniciativa inédita. Depois de observados inúmeros atropelos à legalidade cometidos pelos mais altos responsáveis do Minsitério da Educação, foi ponderada a hipótese de impugnar legalmente inúmeros despachos e ofícios que contrariavam as leis mais gerais em vigor. Todos os cidadãos que, ao longo desta legislatura, sentiram que os atropelos à lei estão na raíz da instalidade verificada no sector da educação, estão convidados a oferecer a sua contribuição para os custos que serão partilhados, uma oportunidade única de participação na vida cívica do país com consequências que se esperam de grande alcance para a forma de exercício do poder destes dias em diante. A forma de pagamento única permitida será através de transferência para um Número de Identificação Bancária (NIB) que divulgaremos logo que possível. O montante inicialmente previsto para cada contribuição individual é de 10 €.

Mais informações aqui e aqui.

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Kathy Kelly - A arma mais poderosa

Guerra em Gaza

O Dr Atalá, médico, convidou-me para uma visita a sua casa na cidade de Gaza situada a poucos quarteirões de distância do Hospital Chifá.

De manhãzinha, havia regressado a casa com a sua família, após uma fuga de cinco dias que duraram os ataques mais intensos à cidade de Gaza, receando pelas suas vidas. Acreditem, ao conduzir o carro desde o Hospital até ao sítio onde se encontrava a minha família, rezava todo o tempo, disse o Dr Atalá, porque os israelitas disparavam sobre qualquer um que estivesse à noite nas ruas.

O Dr Atalá exerceu medicina na especialidade de cirurgia geral ao longo de toda a sua carreira. Hoje, com 61 anos, afirma nunca ter observado feridas tão terríveis como as que viu nas três últimas semanas, quando ele e os restantes elementos da sua equipa procuraram socorrer numerosos pacientes com membros partidos, feridas de estilhaços de granadas e queimaduras graves. Neurocirurgiões, cirurgiões vasculares, ortopédicos e de cirurgia geral juntaram-se para tratar de pacientes, como equipa, tentando salvá-los, mas houve muitos que não foram salvos. Descreveu doentes com estilhaços de granada nos olhos, no rosto, no peito, nos abdómen, doentes a quem tiveram que amputar as pernas acima do joelho. A maior parte deles - disse - eram civis.

Há maneiras estranhas de destruir o corpo humano, acrescentou o Dr Atalá. Vinde, por favor, amanhã à Unidade de Queimados, e vereis doentes sofrendo do uso de fósforo branco. O Dr Atalá disse que começou a compreender a extensão do trauma e do perigo ao ouvir as histórias dos pacientes atingidos.

Alguns estavam sentados em casa quando foram atingidos por uma bomba de um tanque. Não souberam o que lhes aconteceu, disse. Os sobreviventes chegaram ao Hospital depois de muitos dos seus familiares terem sido mortos. Doentes de Beit Laía disseram que uma grande família de 25 pessoas foi atacada em uma sua casa. Quando os familiares os vieram ajudar, atiradores furtivos (snipers) israelitas mataram oito. Muitos feridos foram deixados ao abandono até morrerem. Não foi permitida a entrada na zona de ambulâncias ou de socorristas da Cruz Vermelha.

Numa das anunciadas interrupções dos bombardeamentos, Israel aproveitou para bombardear a Praça Palestina, próxima aos escritórios da administração municipal. Quatro dos feridos graves que chegaram ao hospital não conseguimos salvá-los - disse Atalá. Outros sete sobreviveram.

Todos os edifícios importantes para os serviços de manutenção de Gaza foram bombardeados. Desde ministérios a postos de polícia, todos foram destruídos. Alguns edifícios do Hamas também, mas não todos.

Acabámos de percorrer a pé as zonas dos edifícios dos ministérios da justiça, educação e cultura: completamente destruídos. Depois, já de carro, vimos mesquitas, fábricas, casas e escolas reduzidas a escombros. Perguntámos a Atalá e razão porque, segundo a sua opinião, Israel atacou Gaza tão ferozmente.

Ele acredita que os ataques foram basicamente um acto irracional, mas que a motivação imediata para um ataque desta magnitude foi a posição de alguns candidatos face ao acto eleitoral que se aproxima, pretendendo demonstrar desta forma junto do público israelita o seu desejo de utilizar as forças armadas para garantir a segurança dos israelitas. Os palestinos acabam sempre por pagar as despesas em sangue - disse.

Um dos aspectos mais graves desta guerra - acrescentou - é a falta de respeito para com a Organização das Nações Unidas. Três escolas da Agência de Socorros das Nações Unidas (UNRWA) foram bombardeadas. Na Jabália morreram mais de 45 pessoas numa escola da ONU; os caças F16 bombardearam também estações de armanezamento e distribuição de víveres da ONU.

Do Hospital de Chifa, observámos chamas e fumo de dia e de noite. A cidade ficou permanentemente coberta de fumo e produtos químicos. Desconhecemos ainda as consequências que esta situção poderá acarretar para a saúde pública - disse Atalá.

Sim! Há lançamento de foguetes - confirmou Atalá, referindo-se aos disparos do Hamas contra cidades israelitas - e estamos solidários com qualquer israelita ferido por esses foguetes. Mas se alguém te pica com um alfinete, não irás cortar-lhe a cabeça. Simplesmente, perguntas-lhe porque está a fazer isso. As pessoas aqui estão encarceradas numa prisão onde há falta de tudo. Nada é possível ser reparado. É desejo de todos que as fronteiras estejam abertas para que os bens possam entrar e sair. Passados seis meses de fronteiras fechadas, toda a gente está insatisfeita. Agora fala-se de cessar-fogo, mas nada é adiantado sobre a abertura das fronteiras, fica por esclarecer o regresso das tropas e ainda se pretende que a NATO venha reforçar o cerco.

Espero que o Presidente Obama faça melhor que George Bush. Um poderio militar tão grande deveria estar ao serviço dos direitos humanos, não confundir-se com um grupo terrorista. Só fanáticos esperam ganhos através do terror; um estado democrático abstem-se de argumentações falaciosas para desculpar a morte em massa. Pelo contrário, um estado que procede a matanças em larga escala, deve ser julgado por um tribunal internacional.

Ainda podemos experimentar o amor. Estamos a tentar fazê-lo com judeus... por palavras e por acções. Temos que vencer. Precisamos viver em conjunto. Procuramos dar-nos bem com todos, quaisquer que sejam as opiniões. A arma mais poderosa do mundo é o amor - disse Atalá, acrescentando que sempre assim acreditou ser e procurando junto dos colegas partilhar essa convicção, fossem muçulmanos, cristãos ou judeus, ao longo da sua carreira. Declarou isso mesmo na fronteira de Eretz, logo após o início da campanha "Chumbo Pesado" lançada por Israel. Foi um dos 200 cristãos seleccionados entre 800 que se apresentaram para atravessar a fronteira e celebrar o Natal ortodoxo com familiares no "Lado Ocidental". Ao atravessar a fronteira, cumprimentou soldados israelitas: Feliz Natal. Alguns soldados retorquiam: Tens armas? Sim - respondia-lhes Atalá - Tenho a arma mais poderosa do Mundo, a arma do amor.


Kathy Kelly, The Strongest Weapon of All, publicado por Voices for Creative Nonviolence a 19 de Janeiro de 2009

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Alberto Matos - Mais papistas…

Não posso começar esta crónica sem uma saudação muito especial aos mais de cem mil professores que ontem estiveram em greve. Duas paralisações na casa dos 90%, no espaço de um mês e meio, é um facto sem paralelo no sindicalismo português, antes ou depois do 25 de Abril. A actual luta dos professores constitui aliás um movimento social inédito no nosso país, que extravasa muito as fronteiras do sindicalismo. Desde logo porque nasceu nas próprias escolas, como resposta genuína à prepotência e ao autoritarismo da equipa ministerial teimosamente apoiada por José Sócrates. A contestação generalizada a este modelo de avaliação anti-pedagógico surpreendeu os próprios sindicatos que assinaram o polémico Acordo com o ME, em Abril de 2008.

Mas as causas e consequências dos protestos dos professores vão muito para além da avaliação, do estatuto que separou artificialmente a carreira entre titulares e não-titulares e dum modelo de gestão anti-democrático que pretende, de algum modo, restaurar a bafienta figura do "senhor reitor". A luta não ficou confinada nas escolas, ganhou o espaço público e protagonizou, em pouco mais de meio ano, duas das maiores manifestações de sempre em Portugal, com 100 e 120 mil participantes, seguramente as únicas que conseguiram trazer à rua a maioria qualificadíssima de uma só classe profissional. Tudo isto apesar da chantagem, das ameaças e dos cantos de sereia. É obra!

As repercussões sociais e políticas deste movimento ainda nos escapam. Mas, justamente por ele se situar no coração do sistema educativo, por ter envolvido pais, alunos e toda a sociedade, o mínimo que se pode dizer é que estamos a assistir a uma aula magistral de educação cívica. Os direitos e a dignidade profissional dos professores não cederam a ameaças nem estão à venda perante recuos "simplex" que apenas confirmam a falta credibilidade de um modelo de avaliação mal copiado de paragens longínquas e que já nem é levado a sério pelos seus promotores.

Perante esta afirmação de dignidade profissional e cívica de que se orgulha legitimamente a classe docente, destoa o clima de intimidação e as pressões intoleráveis exercidas sobre os professores de duas escolas da cidade de Beja – a Mário Beirão e a D. Manuel I – por sinal, tive o gosto de ser professor, delegado e dirigente sindical nestas duas escolas, na já longínqua década de 80. Não posso pois calar a indignação perante o que se tem passado, em particular na Secundária D. Manuel I, a nossa velhinha Escola Industrial e Comercial de Beja.

Mais de 90 dos 114 professores desta Escola pediram, no final do primeiro período lectivo, a suspensão de avaliação, depois da greve a que aderiram cerca de 80 docentes. Já em Janeiro, na sequência do Dia de Reflexão, mais de 70 subscritores solicitaram a convocação de uma Reunião Geral de Professores, ao abrigo do Artigo 497 da Lei 99/2003 – vulgo Código do Trabalho. Espantosa foi a reacção dos órgãos de gestão da Escola: esta reunião seria ilegal à face a um regulamento recentemente imposto à função pública – como se os funcionários do Estado pudessem ver os seus direitos diminuídos face à lei geral e, sobretudo, face á Constituição da República Portuguesa que consagra o direito de reunião no seu Artigo 45.

Pior: além de "não autorizar" uma reunião que apenas tinha de ser comunicada e nem carece de autorização, o órgão de gestão da Escola marcou ele próprio, para o mesmo dia e a mesma hora, uma reunião, com um ponto único: "Esclarecimento de dúvidas concretas em relação ao processo de avaliação de desempenho na forma simplificada". E impõe logo uma metodologia: "as questões serão respondidas por ordem de inscrição pelos elementos do CCAD, partindo-se do princípio que os docentes consultaram os sites do ministério relativos à legislação". Ou seja: temos uma sessão de explicações aos meninos que ainda não apreenderam a excelência deste modelo de avaliação! Às vezes dá-me uma saudade de voltar á Escola… Ah! E se me perguntarem quem é que me contou tudo isto, como agora está na moda, aprendi há muitos anos que não se fala, nem na PIDE.

Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 20/01/2009
APEDE

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Terça-feira, Janeiro 20, 2009

"A força da mudança"

Yes, we can

Grafismo: Galeria do Fernando

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Fátima Inácio Gomes - Carta Aberta aos meus Colegas de Departamento

Caríssimos,

Fátima Inácio GomesEm breve fará um ano que me elegestes Coordenadora do Departamento de Línguas. Um ano depois, escrevo-vos para vos comunicar que entreguei, hoje, o meu pedido de demissão do cargo. Sinto, pela confiança que em mim depositastes naquela data e desde então, que vos devo uma explicação. Conforme aleguei no meu pedido de demissão
"Os acontecimentos que se arrastam desde Janeiro de 2008 em torno do processo de Avaliação de Desempenho dos Professores, os avanços e recuos em matéria legal e funcional nesta matéria, assim como no Estatuto do Aluno do Ensino não Superior, a degradação do clima relacional e o desgaste provocado por um acréscimo de trabalho de ordem burocrático que acresce irremediavelmente por força de constantes alterações dos diplomas legais, criaram condições cada vez mais difíceis para o desempenho sério e rigoroso do trabalho que a professora reputa de maior importância – a leccionação da disciplina de que é titular e responsável.".

Creio que contribui, ao longo deste ano, para um debate sério e responsável das matérias que nos têm atormentado. Saio com a consciência de tudo ter feito para derrotar o monstro da prepotência ministerial em sede de pedagógico e de o ter feito olhando-o de frente. Não encaro a minha saída como uma desistência da luta que nos envolve a todos - conhecem-me sobejamente para saberem que estou longe de baixar os braços. A verdade é que o Conselho Pedagógico perdeu qualquer capacidade de acção – o Ministério tratou de o esvaziar, no último decreto – e em breve perderá até qualquer sentido de representatividade democrática – o novo modelo de gestão deu-lhe a estocada final. Não posso, de todo, manter-me num cargo que, como nunca, consagra o desnivelamento injusto entre os professores. Não serei parasita de um sistema contra o qual tenho lutado! Agora sim, seria fácil ficar… todo o trabalho está feito, o desgaste de horas e horas a tentar lapidar as perversidades de umas fichas insanas faz parte do passado, quase não terei de observar aulas, ou seja, nem vos avaliarei, poderia tirar proveito da redução que me deram para o meu merecido descanso, e, ainda por cima, até poderia trabalhar descansadamente para um Excelente (no pior dos casos, um Muito Bom), quando tenho o privilégio de não precisar de ser avaliada na componente científico-pedagógica! Pois agora é a hora certa para eu sair! Não quero, não posso, tirar proveito de algo que me repugna e contra o qual tenho lutado. Onde ficaria a minha dignidade? O meu amor-próprio? A minha decência? O meu sentido de justiça?

Por ter sido eleita, ainda tenho espaço para tomar uma decisão destas. Preocupava-me prejudicar-vos com a minha saída, mas agora até esse cuidado se desvaneceu – só quem solicitar aulas observadas precisará de mim e, num momento destes, como já vos disse pessoalmente, considero uma falta de solidariedade para com os colegas solicitá-las. Daí que não me sinta moralmente obrigada em relação a quem o fizer. Não sei o que o dia de amanhã me reserva. Não sei se serei obrigada a avaliar. Mas dormirei tranquila, com a consciência de que não me deixei vencer pela letargia, pelo comodismo, pelos meus próprios interesses. Continuarei a falar com a liberdade com que me tendes ouvido, porque terei sido coerente e verdadeira até ao fim. Porque a minha voz nunca se ergueu para defender uma causa própria, mas uma causa comum, uma causa justa. E não há nada que aqueça mais o coração!

Como despedida, e não querendo parecer arrogante, lembro-vos um hino à integridade:

Para ser grande, sê inteiro: nada

Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

No mínimo que fazes.

Assim, em cada lago a Lua toda

Brilha, porque alto vive.



Ricardo Reis


Um abraço a todos,

a vossa,



Fátima Inácio Gomes

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Segunda-feira, Janeiro 19, 2009

Greve contra o Estatuto da Carreira Docente

Greve Nacional dos professores de 19 de Janeiro de 2009, Portugal

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Domingo, Janeiro 18, 2009

Contestação dos professores - Faro

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
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Ricardo Araújo


Corridinho do Nelito

Faro e Olhão


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
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Albufeira e Quarteira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
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Lagos e Portimão


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Silves


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
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São Brás de Alportel


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Tavira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)

Vila Real de Santo António


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Faro
(clique para ampliar)



Com o Distrito de Faro termina a publicação do mapa da contestação. Se o leitor se espantou com o número de escolas referidas ao longo destes artigos, cerca de 480, talvez seja melhor adiantar que estas são apenas uma parte daquelas em que se verificaram actos de contestação. (AF)

Som: Ricardo Araújo

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Sexta-feira, Janeiro 16, 2009

Contestação dos professores - Beja

O distrito


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)


Cante alentejano


Eu ouvi o passarinho

A cidade


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)

Odemira


Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Beja
(clique para ampliar)


Som: Marius

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Ana Camarra - Vamos dar a volta a isto?

No quadro de crise que se apresenta ao país, surgem já sintomas graves, desde o abandono de idosos em Hospitais, a abandono de crianças, ao aumento não noticiado do consumo de anti depressivos, ao previsível aumento da fome, á necessidade de assumpção de medidas de emergência como a colocação de tendas e distribuição de alimentos quentes vocacionadas para os sem abrigo.

Isto é real!

Real também a esperada vaga de emigrantes de regresso ao país, emigrantes que irão voltar ao constatar o desemprego nos países onde se fixaram, voltaram esses e os seus filhos, para um país sem condições de sustentabilidade.

A destruição do sector produtivo do país, a privatização de sectores estratégicos, o desmantelamento da Agricultura e Pescas, a degradação da Saúde com a privatização parcelar do Serviço Nacional de Saúde, a descredibilização da Justiça, o ataque ao sector da Educação, os investimentos megalómanos, a utilização de dinheiros públicos na especulação dos mercados financeiros bem como as injecções de capital público na Banca Privada, levam-nos a uma situação social e económica catastrófica.

Mas não é preciso ser assim!

Ainda vamos a tempo, de reactivar sectores produtivos, de desenvolver a agricultura e pescas, de preconizar medidas de facto fundamentais para a recuperação económica e social, de tributar grandes fortunas e lucros fabulosos de alguns sectores, de recuar nas medidas aplicadas na Educação, na Justiça e na Saúde que se tem revelado injustas e alvo de grande contestação popular, de proteger o emprego e o trabalho como consagrado na Constituição, de estancar a sangria de dinheiros públicos, de promover um desenvolvimento sustentável e equilibrado para Portugal e os Portugueses.

Respeitando as especificidades regionais, as potencialidades do país e os seus recursos, físicos, estratégicos e humanos.
Vamos dar a volta a isto?!


Ana Camarra, É possível, 15 de Janeiro de 2008

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Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Agrupamento de Escolas de Celeirós- Braga

Escola de Celeirós, Braga

Analisada toda a produção normativa publicada, com particular destaque para o Decreto Lei n.º 15/ 2007 de 19 de Janeiro (Estatuto da Carreira Docente) e ainda a simplificação estabelecida pelo Decreto - Regulamentar 1-A/ 2009, de 5 de Janeiro, os professores/as e educadores/as do Agrupamento de Escolas de Celeirós , reunidos no dia 13 de Janeiro, entendem que as condições objectivas para aplicação do modelo de avaliação de desempenho dos docentes não se alteraram, no sentido de promover uma avaliação séria, credível e objectiva, tendo em conta os seguintes aspectos:
  1. O modelo de avaliação preconizado revela no essencial uma visão controladora, centralizadora e não reguladora e formativa;
  2. A implementação do referido modelo, nas suas linhas estratégicas, tem gerado e continuará a gerar e a agravar o clima de insatisfação, mal-estar e até conflitualidade entre pares e hierarquias;
  3. A sua aplicação, apesar da mais recente simplificação do processo de avaliação estabelecida através do Decreto - Regulamentar 1-A/ 2009, de 5 de Janeiro, não evitará o aumento do trabalho burocrático nas escolas, em detrimento das funções pedagógicas que constituem a tarefa prioritária dos professores e educadores;
  4. O desenvolvimento de todo o processo, tem por base a divisão da carreira em duas categorias (professor titular e não titular), ditado por um concurso injusto e arbitrário;
  5. Os professores avaliadores, artificialmente encontrados, carecem naturalmente de falta de formação e de experiência em supervisão (as competências de avaliação dos alunos não são as mesmas da avaliação dos seus pares);
  6. O modelo apresentado, apenas suspende temporariamente a inclusão de critérios de avaliação, tais como os resultados escolares dos alunos e taxas de abandono escolar. Esta suspensão não tem carácter definitivo, pelo que estes critérios, podem ser incluídos a qualquer momento no processo de avaliação dos docentes.
    Acresce, mais uma vez referir a centralização da responsabilidade no docente em factores que são exógenos ao exercício da sua actividade.
  7. O regime de quotas impõe uma manipulação dos resultados da avaliação, devido aos “ acertos” impostos pela existência de percentagens máximas para a atribuição das menções qualitativas de Muito Bom e Excelente;
  8. Questiona-se ainda a intenção da tutela, em impor um modelo de avaliação tão restritivo e persecutório que não segue os ditames ou parâmetros europeus que tanto evoca relativamente a outros aspectos. Fica patente a suspeita da prevalência de valores economicistas, em detrimento de valores que promovam o desenvolvimento profissional em benefício da qualidade das aprendizagens leccionadas.
  9. Questiona-se ainda a legitimidade de um modelo, que na sua génese apresenta graves lacunas, uma vez que aspectos inicialmente tidos como essenciais e intocáveis foram agora alterados e revogados. Referimo-nos concretamente à avaliação da componente científico – pedagógica, bem como á observação de aulas, que podem ou não ser requeridas em função do interesse da obtenção final pretendida.
Por tudo quanto foi referido anteriormente, os professores/ as e educadores/ as presentes na reunião, os quais representam 76 % do total de elementos do quadro docente deste agrupamento, manifestam:
  • A sua disponibilidade para continuar a lutar por um ECD que dignifique e valorize a profissão docente;
  • A vontade de serem avaliados segundo um modelo justo, digno e semelhante àquele que é aplicado noutras classes profissionais ou mesmo dos seus pares europeus;
  • A sua determinação e vontade inequívoca de suspender todas as iniciativas e actividades relacionadas com o modelo de avaliação proposto, recusando como tal a entrega dos Objectivos Individuais.

  • Esta posição visa a defesa de um ensino público de qualidade em que todos os “actores”, incluindo os docentes, se devem sentir como parte integrante da valorização e credibilização do sistema e não como o “bode expiatório” dos problemas do mesmo.

    Celeirós, 13 de Janeiro de 2009

    Os docentes reunidos em Assembleia Geral

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    Contestação dos professores - Évora

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Cante Alentejano


    Ao passar da ribeirinha

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Estremoz


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Évora
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    Som: Marius

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    Ludo Rex - A informação assimétrica

    Título da minha responsabilidade (AF)




    Doze Regras de Redacção dos Grandes Media Internacionais quando a notícia é do Médio Oriente
    1. No Médio Oriente são sempre os árabes que atacam primeiro e sempre Israel que se defende. É inconveniente falar em «represálias» quando se tratar do exército israelita.
    2. Os árabes, palestinianos ou libaneses não têm o direito de matar civis. A isso chama-se «terrorismo».
    3. Israel tem o direito de matar civis. A isso chama-se «legítima defesa».
    4. Quando Israel mata civis em massa, as potências ocidentais pedem que seja mais comedido. A isso chama-se «reacção da comunidade internacional».
    5. Os palestinianos e os libaneses não têm o direito de capturar soldados de Israel dentro de instalações militares com sentinelas e postos de combate. Isso chama-se «sequestro de pessoas indefesas».
    6. Israel tem o direito de sequestrar a qualquer hora e em qualquer lugar quantos palestinianos e libaneses desejar. Actualmente são mais de 10 mil, 300 dos quais são crianças e mil são mulheres. Não é necessária qualquer prova de culpabilidade. Israel tem o direito de manter sequestrados presos indefinidamente, mesmo que sejam autoridades eleitas democraticamente pelos palestinianos. Isto chama-se «prisão de terroristas».
    7. Quando se mencionam as palavras «Hezbollah» e «Hamas», é obrigatório a mesma frase conter a expressão «apoiado e financiado pela Síria e pelo Irão».
    8. Quando se menciona «Israel», é proibida qualquer menção à expressão «apoiado e financiado pelos EUA». Isso poderia dar a impressão de que o conflito é desigual e que Israel não está em perigo de existência.
    9. Quando se referir a Israel, são proibidas as expressões «territórios ocupados», «resoluções da ONU», «violações dos Direitos Humanos» ou «Convenção de Genebra».
    10. Tanto os palestinianos como os libaneses são sempre «cobardes», que se escondem entre a população civil. Se eles dormem nas suas casas, com as suas famílias, a isso dá-se o nome de «dissimulação» e «cobardia». Israel tem o direito de aniquilar com bombas e mísseis os bairros onde eles dormem. A isso chama-se «acção cirúrgica de alta precisão».
    11. Os israelitas falam melhor inglês, francês, espanhol e português que os árabes. Por isso eles e os que os apoiam devem ser mais entrevistados e ter mais oportunidades do que os árabes para explicar as presentes Regras de Redacção (de 1 a 10) ao grande público. A isso chama-se «neutralidade jornalística».
    12. Todas as pessoas que não estão de acordo com as Regras de Redacção acima expostas são «terroristas anti-semitas de alta periculosidade».


    Ludo Rex, Palestina - Atenção ao Livro de Estilo!, 14 de Janeiro de 2009

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    Quarta-feira, Janeiro 14, 2009

    Maria da Glória Costa - O tempo urge

    Deixem-se de conversas, pois é agora ou nunca!

    Onde estais vós, gente de pouca fé?! Hoje dói-me a alma, a desilusão apoderou-se de mim. Tenho vergonha de pertencer a uma classe de professores que tem medo; que não acredita que para se conseguir algo são necessários sacrifícios; que é agora ou nunca; que o tempo urge; que já não há que acreditar em falsas promessas.O hoje passou e o amanhã não será melhor, se nada fizermos. Onde pára essa gente de fortes convicções? Estou cansada de ouvir tantos disparates, tanta caricaturização, tanta justificação , tanta falta de informação !!! Onde estão os 120 mil ? fizeram como a avestruz?

    Hoje confirmei que portugueses há muitos, mas quero aqui tecer um elogio a todos aqueles que acreditam e têm vontade de mudar este país.

    Tenho vergonha dos nossos representantes políticos. Politizaram uma questão tão séria como é o ensino público, pondo em risco a continuação de um ensino público credível, brincaram com a vida de 120 mil profissionais.

    Não sou fundamentalista, mas temo pela democracia neste país e quero que os meus filhos vivam em democracia.

    Nestes últimos anos senti-me ultrajada por um ministério que não me respeita.

    Hoje dei mais um passo em frente...não entrego, nem entregarei os objectivos individuais, faço uma greve por período indeterminado, faço tudo o que ainda estiver ao meu alcance para derrubar esta política de ensino insana. Não aceito que um ano de luta acabe por parir um rato.

    Não me venham com a treta de que devo ter outros meios de me sustentar. Não, não tenho. Tenho quatro filhos a estudar, um na Universidade, um apartamento e um carro que pago às prestações e todas as despesas inerentes a uma família numerosa. Não tenho pais ricos, aliás a minha mãe é viúva e aposentada. Ah e já não tenho marido.

    Quando ouço alguns colegas que desabafam: Ai eu tenho um filho a estudar na universidade e não posso perder parte do meu ordenado. Pois eu também tenho um na universidade e mais três em idade escolar.

    Esses três mais novos acompanharam-me a Lisboa, quis dar-lhes uma lição de democracia ao vivo e a cores e quero ser um exemplo para eles. Quero que eles no futuro sigam o meu exemplo, não aceitem nada com base no medo, que lutem pelos seus ideais, que sejam gente com valores, carácter, com fortes convicções e cidadãos bem formados.



    Maria da Glória Costa, uma mulher de uma só cara!

    (Escola Secundária de Barcelos)



    (Recebido via email de Fátima Gomes) (AF)

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    Contestação dos professores - Setúbal

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Adiafa


    As meninas da ribeira do Sado

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Palmela


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Sesimbra


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setubal
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    Almada e Seixal


    Contestação do modelo de avaliação docente no distrito de Setúbal
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    Barreiro


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Santo André


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Marateca


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Setúbal
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    Som : IMEEM

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    Paula Montez - Não estamos sozinhos

    Recebido por email da Kaotica. (AF)




    Luta dos professores em Portugal


    Não nos conformemos! Não estamos sozinhos!

    "Cada um deve lutar no sítio em que estiver, no seu meio, com os seus pares, nas oportunidades que for construindo."

    E nós? Também temos a nossa parte de responsabilidade. Esperar que dali saia a resolução para o meu problema é errado. Se tenho um problema EU tenho de agir!

    Até agora pode dizer-se que a luta foi fácil.

    Bastou-nos juntar a nossa voz, o nosso nome ao de dezenas de professores do nosso agrupamento, ao de milhares de professores de todo o país.

    Agora, confrontados com um papel que exige que assumamos individualmente a nossa recusa ou aceitação desta avaliação e desta carreira dividida, é chegada a hora de mostrarmos ser capazes de defender as nossas convicções com coerência e coragem.

    Ninguém nos disse que esta luta ia ser fácil … ou rápida.

    De facto não o é.
    1. Ninguém é obrigado a entregar objectivos individuais
    2. Ninguém está a obrigado a outro procedimento que não seja o da auto-avalização
    3. Nenhum professor concorda com este SIMPLEX porque ele nega tudo o que é fundamental numa avaliação de professores – o seu envolvimento com os seus colegas e alunos no ensino e nas aprendizagens.
    4. Este SIMPLEX revela as verdadeiras intenções do ME – impedir a progressão, poupar à custa dos professores, semear desconfianças que alimentem hierarquias dentro das escolas.


    Mas atenção não é preciso que essa recusa passe a escrito, tão simplesmente. Basta não o fazer.

    Se forem poucos a assumir com coragem aquilo que a maioria deseja, podem passar por momentos difíceis … e isso não é justo, pois não? A Força desta nossa luta é a unidade de todos em torno de objectivos comuns. VAMOS CONTINUAR UNIDOS!

    Para isso, o que podemos fazer?

    MANTER A SUSPENSÃO EM CADA ESCOLA, EM CADA AGRUPAMENTO, APOIANDO-NOS UNS AOS OUTROS. VOLTANDO A FAZER TUDO DE PRINCÍPIO COMO JÁ FIZEMOS.

    Não é verdade que já passámos pelos 2/2008 e 11/2008? Não resistimos? Não fomos obrigando o ME a recuos e ao descrédito?

    Parar agora é morrer! Estou de acordo com a estratégia:
    1. 13 de Janeiro encher salas de reunião – fazer bons plenários
    2. 19 de Janeiro fazer uma grande greve – voltar a fechar escolas
    3. Daí para a frente manter a suspensão nas escolas e intervir durante os processos de negociação que vão decorrer com os sindicatos. Penso que será muito importante para que os Sindicatos aproveitem as nossas sugestões e propostas e vão construindo a partir delas


    MÃOS À OBRA, COLEGAS!



    Ilustração: bilros & berloques

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    Terça-feira, Janeiro 13, 2009

    Contestação dos professores - Lisboa

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Carlos do Carmo


    Lisboa, menina e moça

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Benfica


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Queluz e Amadora


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Belém


    Contestação do modelo de avaliação docente no distrito de Lisboa
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    Algés


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Cascais e Oeiras


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Sintra e Cacem


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Loures e Sacavem


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Póvoa de Santa Iria


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Olaias


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Lisboa
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    Som : IMEEM

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    Segunda-feira, Janeiro 12, 2009

    Contestação dos professores - Portalegre

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Portalegre
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    Brigada Vitor Jara


    Ao romper da bela aurora

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Portalegre
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    Som: Marius

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    Domingo, Janeiro 11, 2009

    Mahmud Darwish - O teu silêncio dói-me

    Palestina
    O teu silêncio dói-me. Tanto como a vida. Tanto como o tempo.
    Mahmud Darwish

    Pensar, Escrever, Desenhar, Reenviar, Opinar, Participar… Gritar
    Para que o Silêncio não nos transforme em cúmplices
    Não ao Genocídio
    Não ao Holocausto Palestiniano
    Não à Invasão Sionista
    Pela Liberdade da Palestina
    Não ao Bloqueio
    Palestina Livre
    Respeito pelo Tratado de 1967

    (In, arte, revolución y utopía)

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    Ana Maria Bonifácio - Mensagem de uma professora

    Caríssimos:
    Este foi o mail que enviei à minha antiga orientadora de estágio agora excelsa deputada pelo PS. É uma das deputadas, que apesar de professora, apoia esta avaliação.

    Rosalina:
    Parabéns! Já vi que alguns anos no Parlamento te fizeram esquecer o que era ser professora. É triste ver que outros "valores mais altos se levantam" (se é que ainda reconheces a citação, pois esses ares poluídos de S. Bento perturbam os espíritos). É pena que os anos que aí passaste te permitam a reforma sem teres que voltar a dar aulas! Seria bom reencontrar-te na escola a ser sujeita a esta avaliação que tanto defendes. Eu continuo a mesma! "Homem de um só parecer, de uma só fé, muitas coisas pode ser mas homem da corte não é." (esta vou-te dizer de quem é pois podes não chegar lá sozinha: Sá de Miranda).

    Ana Maria Bonifácio
    (Escola Secundária de Barcelos)

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    Sexta-feira, Janeiro 09, 2009

    Contestação dos professores - Santarém

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Agora é que se vai matar o porco. (Milo Mac-Mahon)
    Eugénia Lima:

    Fandango

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Almeirim


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Rio Maior


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Entroncamento


    Contestação do modelo de avaliação docente no Santarém
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    Abrantes


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Tomar


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Santarém
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    Som : IMEEM

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    Contestação dos professores - Leiria

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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    Caldas da Rainha


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Leiria
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    O Excelente político

    Retirado da Ordem Trabalhos da última reunião ME / Plataforma Sindical:

    Ponto 8. Acesso à categoria de Professor Titular para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Deputados à Assembleia da República e ao Parlamento Europeu, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.

    Agora sim, irá ficar consagrado que o topo da carreira docente não ficará ao alcance de qualquer um, apenas porque andou trinta anos a dar aulas.
    Já agora, aproveito para reclamar outro ponto:

    Ponto 9: Acesso à categoria de Deputado Reformado para os Professores em exercício de funções ou actividades de interesse público, designadamente, enquanto Docentes ou Gestores na Escola Pública, Autarcas, Dirigentes da Administração Pública, Dirigentes de Associações Sindicais e Profissionais.

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    Comissão de Defesa da Escola Pública

    Comissão de Defesa da Escola Pública

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    José Rui Rebelo - Uma vez monstro, sempre monstro

    Recebido por email (AF)


    Como era expectável, o parlamento chumbou a suspensão da avaliação de desempenho docente. Era expectável, mas não devia ser: se o argumento residia no fim do conflito na educação, e no trazer paz e tranquilidade às escolas, então temos que concluir que o parlamento, mais uma vez, não esteve à altura das suas responsabilidades. Esta é a conclusão óbvia: o parlamento não agiu em nome do interesse nacional, da escola pública e da consciência cívica, mas de acordo com a lógica de aparelho e do jogo político. Nada justifica a abstenção nesta questão. A abstenção foi um voto covarde – nem contra a consciência, nem a favor dela. A verdade dos factos é que o conflito se mantém e poderá mesmo agudizar. Na arrogância destas pequenas vitórias, o secretário de estado pedreira, tem-se desdobrado, de ameaça em ameaça, em acenar as virtudes de quem pode: se o director se recusar a avaliar, posso ameaçá-lo com o siadap; quem não entregar os objectivos, posso ameaçá-lo com a não progressão na carreira; se os Sindicatos não desmarcarem a greve posso ameaçá-los com a retirada das concessões/benesses previamente concedidas pelo ministério; se o avaliador se recusar a avaliar ou se o avaliado não entregar a sua auto-avaliação, posso ameaçá-lo com o estatuto disciplinar da Função Pública...uufff! Este secretário de estado é definitivamente um case study, quer dizer, se após todas estas ameaças, avançadas contra uma classe com formação superior, o "poder" obtiver os seus intentos, pela estratégia da intimidação, então pedreira transforma-se no modelo de decisor político, cujo estilo, aí está, para os boys do futuro poderem imitar. A luta dos professores já há muito que extravasou a questão socioprofissional para se transformar numa luta pela cidadania. Eu diria que é necessário conhecer muito mal a natureza humana para pensar que se consegue dobrar as pessoas com base na ameaça e no medo de fantasmas: quanto mais me ameaças, mais terás que levar comigo. Bom, concedo que uma parte da natureza humana – pelo menos a natureza mais portuguesa dessa humanidade - ele, e os outros, até a conhecem: certas pessoas regem a sua vida na base do medo – medo de existir, diria o Filósofo José Gil.

    Nunca ninguém disse que a resistência não contém riscos; viver contém riscos. Mas medo de fantasmas!? Consta-me que estão extintos. Apenas um exemplo: qual o fundamento que justifique o medo em relação à não entrega dos objectivos? Onde está escrito que, quem não entregar os objectivos, não progride? Não entregar objectivos não implica que não se seja avaliado, pelo menos na assiduidade terá que ser avaliado; a não entrega dos objectivos é apenas uma forma de resistência para quem está em absoluto desacordo com este processo. Por que razão não haveria de progredir? Devo lembrar que o Simplex 1 ainda está em vigor. Já imaginaram o belo cenário de uma escola com resultados excelentes dos alunos e com "maus" professores, despachados à base de insuficientes?

    Àqueles que dizem que o Simplex 2 esvaziou a luta, recordo apenas algumas coisas. Um monstro, uma vez monstro será sempre monstro, pelo menos na substância. É verdade que ficou menos agressivo – parece mais bonito, para quem o vê de fora – mas é apenas espuma, uma aparência cosmética, como aquelas que conseguem transformar gente feia em capas de revista. Uma vez monstro sempre monstro – o contrário só acontece nas histórias infantis. A verdade é que quanto mais lhe mexem mais horrível ele fica. Para quem age em consciência e não gosta de fingimento, será aceitável que, no conjunto dos professores, uns possam ser muito bons e excelentes sem observação de aulas, enquanto outros não!? Será aceitável que, este modelo de avaliação, continue a dar cobertura e se sustente na mentira que foi o concurso a professor titular? Pior do que isso, que valide a aberração da figura de professor titular – até o termo é aberrante. Será admissível que, por esta via, se tenha arranjado um meio de bloquear a progressão na carreira a dois terços da classe? Que boa maneira de se avaliar o mérito e a excelência. Lembro também - é a cosmética - que muitas das outras medidas foram suspensas neste ano lectivo, apenas para abafar e esvaziar a resistência, não foram eliminadas, por exemplo, o resultado dos alunos e o abandono escolar. E as grelhas foram desburocratizadas? Que se saiba foram apenas retirados os dois itens dos resultados dos alunos e o abandono escolar, tudo o resto se mantém igual. É a versão "fera amansada" do monstro, mas a qualquer momento pode acordar e apanhar-nos, mais uma vez, distraídos. Uma vez monstro, sempre monstro.

    É altura de cada um se questionar, em consciência: há motivos para continuar a resistir? Estou convencido que o núcleo duro desta luta tem muito bons motivos para responder sim a esta questão. E o núcleo duro é um espaço aberto para quem quiser entrar e permanecer nele. Esse núcleo duro age em consciência porque não aceita a violência que, constantemente, este ministério tem tentado fazer à consciência profissional e cívica dos professores. Agir em consciência também comporta riscos. Agir em consciência não admite a cedência ao medo da ameaça, seja real ou ilusório. Agir em consciência, foi isso que os deputados não foram capazes de fazer.

    Não há espaço nem tempo para contemporizar. Os Sindicato têm que definitivamente assumir as suas responsabilidades. Greves simbólicas, enfim! Uma greve tem que doer. Mesmo que haja quem possa enfraquecer a luta por não alinhar numa greve a sério, o núcleo duro, aqueles que estão dispostos a lutar até ao fim, serão em número suficiente para fazer mossa. Imaginem o número de alunos indefinidamente sem aulas, se houver uns milhares de professores dispostos a fazer uma greve a sério. Meus caros, está na altura de se fazer opções de alinhamento: ou se alinha com medo do sistema ou se alinha no respeito pela consciência. Aos que não se enquadrarem nesta disjunção, sejam felizes.

    Uma última nota. Toda a oposição votou a favor da suspensão o que, de acordo com a lógica do senso comum ou da ética, me faz pensar que, na eventual perda da maioria absoluta por parte do PS, na aproxima legislatura, esta teimosia do governo com a avaliação dos professores terá forçosamente que definhar por morte natural. Se o meu raciocínio estiver certo, este modelo de avaliação e o respectivo ECD que lhe dá cobertura tem os dia contados, só precisamos continuar a resistir, nomeadamente nas próximas eleições. Mas, claro que há outras lógicas no meio disto tudo.



    José Rui Rebelo, Escola Secundária de Barcelos

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    Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

    Contestação dos professores - Castelo Branco

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Castelo Branco
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    Zeca Afonso:

    Maria Faia

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Castelo Branco
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    Covilhã


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Castelo Branco
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    Fundão


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Castelo Branco
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    Quarta-feira, Janeiro 07, 2009

    Contestação dos professores - Coimbra

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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    Brigada Vitor Jara:

    Vira de Coimbra

    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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    Figueira da Foz


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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    Tábua


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito de Coimbra
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    Som: Marius

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    José Goulão - Hipocrisia Sangrenta

    Altos responsáveis de países que se consideram faróis da «civilização» multiplicam apelos à «contenção» e ao «cessar-fogo» em Gaza, como quem procura assim cumprir uma obrigação perante o «agravamento da crise» no Médio Oriente. A hipocrisia de presidentes, ministros, diplomatas ou porta-vozes é tão óbvia como de costume, mas ainda consegue ser chocante tendo em consideração a tragédia que vitima mais de um milhão de meio de pessoas amontoadas num pequeno território inóspito aferrolhado entre Israel, o Egipto e o Mediterrâneo.

    Tais apelos baseiam-se na objectividade de um pretenso distanciamento entre as «partes em conflito», assim se exigindo uma rigorosa simetria de comportamentos como numa guerra convencional entre exércitos clássicos. Simetria, pois, entre civis indefesos e as forças armadas que ocupam o quarto lugar no ranking das mais poderosas do mundo; entre ocupados e ocupantes; entre morteiros mais ou menos artesanais e o poder de fogo dos F-16 e dos tanques de última geração; entre comunidades famintas sujeitas há anos a um feroz bloqueio de bens essenciais e uma nação estruturada apoiada sem limites pelo mais poderoso país do planeta; entre as vítimas e respectivos descendentes de uma limpeza étnica e os ses autores.

    O Hamas quebrou a trégua e tem de pagar, devendo desde já sujeitar-se ao regresso ao cessar-fogo faça o inimigo o que fizer, sentenciam os diplomatas civilizados. Trégua que verdadeiramente nunca existiu, uma vez que foi desde logo desrespeitada pelo Estado de Israel ao violar um dos seus pressupostos essenciais: o fim do bloqueio humanitário a Gaza. Durante os últimos seis meses o cerco não apenas se manteve como se apertou.

    Como movimento terrorista, o Hamas tem que pagar, dirão ainda e sempre os civilizados senhores do poder de distinguir os que são e os que não são terroristas, do mesmo modo que lançam guerras contra possuidores de armas de extermínio que nunca existiram.

    O Hamas, porém, praticamente não era nada quando se iniciou a primeira Intifada palestiniana, em fins de 1988. Hoje, o papel dos serviços secretos de Israel na criação efectiva de um movimento islâmico, o Hamas, para dividir a resistência nacional palestiniana dirigida pela Organização de Libertação da Palestina (OLP) já nem é sequer um segredo de Polichinelo. Os interessados em aprofundar o assunto poderão começar por pesquisar através da obra de Robert Dreyfuss e começar a desenrolar o novelo. Descobrirão elementos muito interessantes e com flagrante actualidade. A verdade é que de grupinho divisionista e terrorista o Hamas se transformou num movimento que, tirando dividendos dos fracassos sucessivos do chamado processo de paz, boicotado por Israel e Estados Unidos e assumido pela Fatah como única opção estratégica, conseguiu ganhar as eleições parlamentares palestinianas em 2006. O Hamas cresceu com as estratégias militaristas em redor, como os talibãs no Afeganistão (agora controlando zonas a menos de 50 quilómetros de Cabul) ou o Hezbollah no Líbano, fruto das invasões israelitas da década de oitenta.

    Reconhecer que o Hamas é agora uma realidade evidente no problema israelo-palestiniana não significa fraqueza, simpatia ou conivência com o terrorismo. É, prosaicamente, uma simples questão de senso comum.

    As eleições de 2006, proclamaram os observadores internacionais, muitos deles oriundos das terras «civilizadas», foram livres e justas. Logo, ao Hamas coube formar governo – diz-se que é assim que funciona a democracia.

    Engano puro. A chamada «comunidade internacional» decidiu não reconhecer o governo escolhido pela maioria dos palestinianos; nem sequer aceitou uma aliança entre o Hamas e a Fatah, que praticamente fazia o pleno da vontade dos eleitores. Pelo contrário, também não são segredo as diligências da administração de George W. Bush e do governo israelita de Ehud Olmert para lançar a guerra civil entre as duas principais organizações palestinianas – chegando, para isso, a fornecer armas à Fatah – fazendo simultaneamente por ignorar o acordo entretanto estabelecido pelos dois movimentos sob mediação do Egipto e da Arábia Saudita.

    Este processo conduziu à divisão palestiniana: a Fatah na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, dependente do que Israel lhe permite ou não fazer; e o Hamas controlando Gaza, território dos seus principais feudos. Daí ao bloqueio a Gaza e, agora, à invasão, foi um pequeno salto.

    O massacre está em curso, assistindo-se na comunicação social a tão curiosos como ridículos esforços para distinguir entre vítimas civis e militares. Em Gaza, para que conste, não há militares, a não ser os invasores. Existem restos da polícia autonómica, militantes do Hamas armados e organizados como milícias. O resto é milhão e meio de desempregados, famintos e humilhados. Tal é o inimigo de Israel que lançou alguns morteiros, por exemplo contra a cidade de Asqelon, que em 1948 se chamava Al-Majdal e era uma aldeia árabe cuja população, vítima da limpeza étnica em que assentou a criação do Estado de Israel, se refugiou em Gaza.

    Os dirigentes de Israel asseguram que os «civis» serão poupados durante a invasão. Tal como aconteceu em 1982 em Beirute, onde os militares comandados por Ariel Sharon, fundador do partido de Ehud Olmert e Tzipi Livni, destruíram o sector ocidental da cidade, acabando por patrocinar os massacres de Sabra e Chatila. Ou em 1996, quando Shimon Peres, actual presidente israelita, foi responsável pelo massacre de Canan, também no Líbano, e mesmo assim perdeu as eleições parlamentares.

    Gaza, ainda assim, será diferente de Sabra e Chatila. Agora, os soldados israelitas sujam mesmo as mãos com o sangue das populações indefesas – salpicando inevitavelmente os hipócritas que os defendem.


    José Goulão, Hipocrisia sangrenta, Le Monde Diplomatique

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    João Delgado - O exemplo da Infanta D. Maria

    Caros Ramiro Marques e Paulo Guinote

    Gostaria de lhes transmitir uma notícia que considero muito importante e que já divulguei em comentários dos vossos Blogs.

    Na E.S Infanta D. Maria, em Coimbra, os professores aprovaram por esmagadora maioria,1 voto contra e 2 abstenções no universo dos professores,uma moção em que decidiram manter suspenso o processo de avaliação. Confirmaram, pois, as decisões tomadas em Outubro, no mesmo sentido. A reunião decorreu hoje dia 6 de Janeiro às 18h e 30m.

    Depois de uma proveitosa troca de opiniões chegou-se a um consenso que culminou com a aprovação da moção. Aí está um excelente exemplo a seguir pelos colegas das outras Escolas.É possível manter a unidade e resistir a todas as pressões e chantagens vindas do Ministério.Vamos a isso, com coragem.Vamos ser coerentes com todas as posições tomadas até aqui e pôr os interesses da classe acima dos interesses individuais.

    O exemplo da Infanta D. Maria aí está.

    Apesar de ter sido um dos subscritores da moção, não a tenho comigo neste momento. Penso que a nossa amiga Rosário Gama se encarregará de a fazer chegar aos dois. Terá interesse divulgar esta tomada de posição que me parece ter sido a 1ª assumida nesta nova fase da luta.

    Numa altura em que algumas vozes manifestam descrença, tais as pressões a que temos sido sujeitos, tomadas de posição como a que referi podem servir para motivar a classe e mostrar que há um caminho a seguir. O caminho da luta na defesa de valores e princípios.

    Um abraço e os meus agadecimentos pelo espaços de liberdade que põem à nossa disposição.

    João Delgado

    in A Educação do meu Umbigo, 7 de Janeiro de 2009

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    Terça-feira, Janeiro 06, 2009

    Contestação do modelo oficial de avaliação docente - Guarda

    O distrito


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito da Guarda
    (clique para ampliar)



    A cidade


    Contestação do modelo de avaliação docente no Distrito da Guarda
    (clique para ampliar)

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    Joseph Stiglitz - Capitalistas estúpidos

    Joseph Stiglitz
    “Quando vierem a acalmar-se as ameaças mais urgentes colocadas pela crise do crédito, encontrar-nos-emos perante a tarefa principal de elaborar uma orientação para o caminho económico do futuro. Por detrás dos debates acerca da futura política económica há um debate acerca da história: um debate acerca das causas da nossa situação actual. A batalha sobre o passado determinará a batalha sobre o presente. Por isso é necessário compreender bem a história”.


    ODiario.info, 5 de Janeiro de 2009

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    Pela vida dos palestinianos

    Guerra em Gaza

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    Segunda-feira, Janeiro 05, 2009

    Vagas para tradutores portugueses

    CONCOURS Nº 30 EXT.

    Avis de Concours General

    EPSO/AD/143/08

    L'Office européen de selection du personel (EPSO) organise un concours général sur éprouves pour la constituition d'une réserve de recrutement.

    Traducteurs (AD 5)

    de la langue portugaise

    Ce concours a pour object l'établissement de listes de réserves destinées à pourvoir des postes vacants au sein des instituitions européenes.
    Deux option sont prévues dans le cadre de ce concours. Les lauréats de l'option 1 pourraint être recrutés par l'ensemble des institutions, ceux de l'option 2 principalement par le Parlement européen.
    1. Nature des functions

      Les instituitions recrutent des diplômés de niveau universitaire, ayant acquis une formation en langues et/ou dans les domaines tels que le droit, l'économie, l'audit et les finances, les sciences naturelles, les sciences politiques et sociales et la technologie, qui sont hautement qualifiés et pouvant faire preuve d'adaptation tout au long de leur carrière. Les candidats auront l'aptitude à traduire dans la langues principale, à partir d'au moins deux langues, des textes souvent complexes, principalement de nature politique, juridique, économique, financière, scientifique et technique couvrant tous les secteurs d'activité de l'Union européene et seront capables d'utiliser à cet effect, des outils informatiques et bureautiques. La langue principale est la langue que le candidat maîtrise en tant que langue maternelle ou au niveau de sa langue maternelle.
    2. Titres ou diplômes

      Les candidats doivent avoir un niveau d'enseignement correspondant à un cicle complet d'études universitaires de trois anées au moins sanctioné par un diplôme de fin d'études.
    3. Option 1

      Les candidats doivent avoir:
      • langue principale (langue 1)

        une parfaite maîtraise du portugais;
      • première langue source obligatoire (langue 2)

        une connaissance approfondie de la langue 2 à choisir entre allemand, lánglais et le français;
      • deuxième langue source obligatoire (langue 3)

        une connaissance approfondie de la langue 3 à choisir entre allemand, l'anglais et le français, obligatoirement différente de la langue 2.

      Option 2

      Les candidats doivent avoir:
      • langue principale (langue 1)

        une parfaite maîtrise du portugais;
      • première langue source obligatoire (langue 2)

        une connaissance approfondie de la langue 2 à choisir entre l'allemand, l'anglais et le français
      • deuxième langue source obligatoire (langue 3)

        une conaissance approfondie d'une autre langue - langue 3 - à choisir parmi les langues suivantes:
        (BG) bulgare, (CS) tchèque, (DA) danois, (EL) grec, (ES) espagnol, (ET) estonien, (FI) finnois, (GA) irlandais, (HU) hungrois, (IT) italien, (LT) litunien, (LV) letton, (MT) maltais, (NL) néerlandais, (PL) polonais, (RO) roumain, (SK) slovaque, (SL) slovène ou (SV) suédois.
    L'avis de concours est publié au Jounal officiel de l'Union européenne nº C 315 A du 10 décembre 2008, disponible sur le site http://eur-lex.europa.eu.

    La date limite pour l'inscription en ligne est fixée au 14 janvier 2009; cette inscription sera cloturée à 12 heures (heure de Bruxelles).

    Pour de plus amples informations (guide à l'intention des candidats et instructions pour s'inscrire), veillez consulter le site internet d'EPSO http://europa.eu/epso.

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    Sábado, Janeiro 03, 2009

    Margarida Ferrão - Ecos do Congo

    Na peça da BBC, Margarida está referida pelo seu nome de casada. (AF)


    As aldeias estão a ser queimadas e as populações estão a ser dizimadas. Temos notícias de que todos os corpos femininos encontrados estão despidos, do que inferimos que tenham sido violadas antes de serem mortas. Há falta de alimentos e o risco de uma situação de emergência médica e nutricional na área.

    BBC News, Rebels 'advancing towards CAR', 1º de Janeiro de 2009

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    Sexta-feira, Janeiro 02, 2009

    Feliz 2009 Cidadão!!

    Depois de umas palavras tão inspiradoras do Poeta... Uma experiência tão Oposta de indignação.
    Partilho convosco esta frustração, que ainda me está a consumir as entranhas, com sabor a "quase" ódio:

    Hoje de manhã, eu e o meu companheiro de viagem pegamos nos nossos três souvenirs com menos de 7 anos, e fazemos-nos ao caminho para visitar, pelo 2º dia, a Loja do Cidadão nas Larangeiras. Precisamos de mudar uns dados no BI, Correção: Cartão do Cidadão!
    Desta vez, tivemos a sorte de ainda haver senhas, tirei a tão desejada "prova de que agora é a nossa vez" - nº 262.
    Falamos com a menina das informações, que nos aconselhou (simpaticamente)a irmos fazer outras coisas e marcar o nº que está na senha para sermos avisados quando faltassem 15 senhas para a nossa vez. Assim fizemos!
    Almoçámos por lá, depois de almoço já ia na nº 110 (mas algumas mesas não tinham ninguém a atender). Fomos fazer compras, lanchámos e como o telefone não tocava, regressámos:17h; senha por volta de 180; pergunto ao Segurança: "Ainda atendem hoje?"
    - "Quem tem senha e se estiver cá dentro quando fecharmos as portas tem que ser atendido!"
    - Obrigada!!
    E agora? Olha vamos para o carro!
    Ao fim de uma hora, já estávamos todos com a birra: "Quero ir para casa..." "...ó mãe, quero fazer xixi..." "...Isto parece impossível" Lá vamos nós dar mais uma volta; beber um leitinho; visitar outro WC; mais uma loja do chinês e são quase 19 h.
    Voltámos!!! Senha nº 220!!!!!! AINDA????!
    Mas agora estamos a trabalhar a todo o vapor! Ena, todas as mesas a chamarem Cidadãos...
    - Próximo! - Desistiu.
    - Seguinte! - Falta.
    - Mais um nº, e outro... e mais dois...
    19h30m: nº 262.
    CONSEGUIMOS! Somos nós mãe! Estou bonita?! Vamos tirar a "fotogafia"?
    Funcionária: - Que desejam?
    - Fazer os cartões de cidadão.
    - Mas, só tem uma senha! Só pode fazer um!
    - Como?!!! Não brinque comigo!
    - É assim! Uma senha por cartão. Está lá escrito...
    - Aonde? Não vi! Não está escrito no visor, nem na senha! é uma senha para marcar a vez! Agora é a nossa vez! Somos 5 e estamos aqui desde manhã...
    - Não podemos fazer nada. Tem que escolher o cartão que querem fazer!
    O meu marido, começa a falar alto: "Que nunca vos aconteça o que nos estão a fazer passar a nós!" "Três crianças pequenas?" "todo o dia, para isto? tirou 1 papelinho? tivesse tirado 5!! Temos pena! Próximo?!!"
    Mas muitos próximos já tinham desistido.
    "Então, atenda-nos na vez de quem cá não está, como se fosse a senha que deveria ter tirado!" (lembrei-me) Resposta à Cidadã: "Não, não é assim, está cá muita gente, tinha que ter tirado a senha!"
    O meu marido pediu o livro de reclamações: "É no 2º andar!". A funcionária dizia muito aflita que só cumpria ordens, a Chefe do Serviço dizia que tínhamos de voltar noutro dia.
    Quem se segue? Um segurança que convidar o meu marido a sair da Loja porque estava a falar muito alto e ali trabalhava-se.
    POIS É! E a nossa família é desrespeitada, é persuadida a calar, ou lamber botas a alguém, porque como dizia o segurança : "...assim é que você não consegue nada!". Oiçam-se umas verdades!
    Fomos fazer a reclamação, uma senhora muito simpática e calma, explica-nos que isto é assim por causa das estatísticas... e que se cada senha fosse para 5 cartões não podia ser...
    Mas 5 senhas para um cartão já pode ser?!- Pergunto. É o que se está a passar lá em baixo, estão a atender muitas senhas sem Cidadãos e nós que somos Cidadãos não podemos ser atendidos porque não somos "senhas"!

    Bom ano Queridas Senhas!
    E feliz 2009 Cidadão, mas só para os que tirarem a senha!


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