As crianças ainda têm direito a brincar?
"Exma. Sr.ª Ministra da Educação
Exmos Srs. Presidentes das Câmaras Municipais
Este ano ficámos surpreendidos com o regresso à escola dos nossos filhos, amigos, vizinhos. Descobrimos que agora uma criança com 6 anos de idade estará obrigatoriamente 8 horas numa sala de aula, exactamente o horário de trabalho de um adulto.
Para reduzir custos, cortar no público e garantir que o privado continua a receber subsídios directos e indirectos, as câmaras municipais decidiram, sem consultar ninguém, que as actividades extracurriculares passavam de facto a ser curriculares. Ou seja, antes uma criança tinha aulas até às 15 horas e depois actividades facultativas extracurriculares e agora essas actividades são colocadas no meio das aulas. A razão é simples: antes um professor de música dava aulas numa escola das 15 às 17 e agora o mesmo professor dá aulas em várias escolas ao mesmo tempo. Assim, os alunos do 1.º ciclo têm aulas, depois música, depois aulas, depois inglês, depois ginástica, depois aulas…O resultado é que estão 8 horas numa sala de aula!
Contactámos pessoalmente várias professoras que nos confessaram que as crianças simplesmente estão «exaustas», a partir da tarde não se concentram em nada, e nós pais constatamos que as crianças chegam a casa nervosas e simultaneamente exaustas. Todos os estudos[1] indicam que as crianças que não brincam livremente, em espaços abertos e amplos várias horas por dia, têm mais probabilidade de serem hiperactivas, obesas, terem problemas de motricidade e, claro, são obviamente mais infelizes. O que nos aconteceria a nós, adultos, se estivéssemos 8 horas sempre a ouvir alguém, sentados dentro de uma sala de aula? Como se sentem os nossos filhos?
A escola que conceberam estes responsáveis políticos é improdutiva e péssima para as crianças e não tem nenhuma comparação com o que se passa em qualquer país da Europa. Na França, na Alemanha e nos colégios ricos – onde andam os filhos dos ministros – como o Liceu Francês, as crianças têm 5 horas de aulas e o resto do tempo livre.
O Estado deve arranjar espaços lúdicos para as crianças estarem da parte da tarde, mas esses espaços devem ser lúdicos e amplos e não uma espécie de estudo acompanhado permanente. Que escola é esta em que nas aulas se pinta e se canta e no recreio tem-se estudo acompanhado?
As actividades extracurriculares devem ser «extra» e não obrigatórias; devem ser garantidas pelo Estado e não através de financiamentos a privados. A quem não opta pela ditas actividades deve ser garantido que as crianças simplesmente possam ficar a brincar na escola sob a supervisão de um adulto.
Considerando que:
• Esta é uma lei incompatível com a declaração dos direitos da criança da UNESCO, adoptada pela ONU a 20 de Dezembro de 1959;
• As crianças que não têm actividade física e lúdica tem tendência para ficar hiperactivas, obesas e infelizes;
• Que a escola deve organizar actividades para os pais que não podem ficar com as crianças mas que essas actividades devem ser de facto opcionais e deixar a tarde livre para quem assim o deseja;
• Que as aulas devem ser exigentes mas o espaço de brincadeira deve ser livre, amplo,
Os encarregados de educação abaixo-assinados declaram que:
o Não aceitam que as actividades extracurriculares sejam colocadas no meio do horário das aulas.
o Não aceitam que os seus filhos estejam 8 horas seguidas em actividades lectivas, curriculares ou extracurriculares.
o Estão dispostos a avançar com uma queixa junto do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, caso esta política não seja revista.
Se está de acordo com o exposto, pode contribuir para uma vida melhor assinando aqui.
Etiquetas: abaixo-assinado, Portugal



4 Comentários:
Ferrão
Talvez a intenção seja boa, já que o futuro com este governo é trabalharmos, quem tiver trabalho, 12 ou 14 horas por dia, assim as crianças habituam-se logo.
Para além disso ser criança implica sonhar, coisa nefasta, os jogos infantis implicam imaginação, outra coisa que nos devemos desabituar de pequenos.
Beijos
Calma, Ana. Estou em crer que "este" mundo que nos querem vender não passará.
Bjs
António
Eu também não quero esta treta, como sabes, mas isto chega a um ponto que já nem sei o que esta gente irá destruir mais, agora até a infância.
Desculpa são desabafos, uma especie de dedo entalado!
:)
Beijos
Tudo isto é real! Mas quais são as alternativas??
A criança que não está na escola está no ATL ... a ser "enrriquecida" curricularmente!!!
É pena .. mas o caminho a seguir é transformar o próprio brincar numa actividade curricular.
O meu trabalho está ser desenvolvido nesse sentido, adicionar a ida a um parque de diversão analogamente à natação ou ginástica. Claro que a mudança só se faz com a ajuda de todos os pais!!!
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