Eugénio Rosa - Sobre a ERSE e a EDP
Caro (a) amigo(a)O presidente da CE do Conselho da Adminsitração da EDP, ufano e sorridente, acabou de apresentar as contas do grupo referentes ao 1º semestre de 2008. E de acordo com essas contas a EDP obteve, em apenas 6 meses, lucros de 962,4 milhões de euros antes de impostos, o que representa um aumento de 44% relativamente aos obtidos em identico periodo de 2007. Como os impostos a pagar subiram apenas 4% ( ataxa efectiva desceu 7 postos percentuais), apesar dos lucros terem aumentado 44%, os lucros liquidos cresceram 56,6% , e os lucros a distribuir aos accionistas subiram 66,6%
Neste estudo, para além desta análise dos resultados das contas apresentadas pela EDP, mostro que essses elevadissimos lucros são conseguidos à custa de preços de electricidade impostos pela empresa a mais de 4 milhões de consumidores domesticos que são superiores entre 16,4% e 21,1% aos preços médios da União Europeia. Nessa análise utilizo os preços de electricidade sem impostos, porque são aqueles que revertem integralmente para as empresas, e que constituem a fonte dos seus elevadissimos lucros.
Para toda esta situação tem contado não só a passividade do governo mas fundamentalmente o comportamento colaborante da propria entidade reguladora, a ERSE, que no lugar de exercer uma fiscalização actuante, tem até apresentado propostas que só beneficiam a empresa, de que são exemplos a proposta das dividas incobraveis da EDP serem pagas pelos consumidores que pagam assim como a relativa à chamada tarifa social que analiso no meu estudo.
Apesar destes elevadissimos lucros a EDP prepara-se para tentar impor em 2009 um aumento de preços varias superior à subida dos salários com a justificação da existência de um elevado défice tarifário. É de prever que para isso conte com o apoio da ERSE. A campanha com esse objectivo já começou em varios orgãos de comunicação social.
Espero que este estudo possa ser útil.
Com consideração
Eugénio Rosa
Economista
edr@mail.telepac.pt . 2.8.2008
Etiquetas: energia electrica, inflacção, monopólio, Portugal, privatizações
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