Quinta-feira, Março 13, 2008

Procuradoria Geral da República em coma profundo

Nos últimos dias a atenção dos órgãos de informação tem estado virada para o sector do ensino. Há, no entanto, outro sector do Estado que se encontra num estado bem mais grave: a Procuradoria Geral da República (PGR). O manifesto dos magistrados veio dar conta disso, porém, mais alto fala o silêncio dos familiares das vítimas do desastre da ponte Índice Ribeiro de Entre-os-Rios. Para que não restassem dúvidas sobre o nível de confiança que depositam no funcionamento desta organismo essencial do estado democrático, vincaram bem que agradeciam que a PGR desse por encerrados todos os processos e não encetasse qualquer outro. Ou seja, passou-lhe um atestado de coma. Mostra que nãp está disponível para continuar a servir de joguete nesta farsa de justiça. O futuro dirá se não se segue outro ainda pior. Para o grande público, outros processos já haviam dado sinais de alerta: o processo Casa Pia e o processo Maddie. Quanto à ponte de Entre-os-Rios, após sete anos de investigações, a PGR não foi capaz de colocar na barra do tribunal qualquer responsável com peso decisório suficiente. Limitou-se a procurar imputar uma responsabilidade maior a agentes menores: uma atitude que já tinha um antecedente na prisão do jardineiro do Campo Grande em Lisboa após um acidente mortal num equipamento camarário. É demasiado fácil compreender o que se passa. Por cada vitória eleitoral perfilam-se um número infindável de candidatos a postos de rsponsabilidade estatal (ou autártiquico) para substituir os derrotados. É gente sem qualidade, sem historial de experiência nos sectores, sempre pronta a amedrontar os funcionários que lá trabalham e incapaz de assumir uma responsabilidade normal. São os ocupantes dos cargos de confiança política, que não se ficam pelos Secretários de Estado, mas descem aos directores nacionais, regionais e municipais, transformando a função pública numa reserva de coutadas. Quantos mais cidadãos serão sacrificados aos pés da irresponsabilidade política até que a PGR retome a sua função?

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