Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

A camada de ozono estratosférico

O ozono é um gás azul claro, tóxico, constituído por moléculas triatómicas, O3, e encontra-se distribuído essencialmente na estratosfera, numa camada fina, a cerca de 30 Km de altitude ( perto de 90% ). Esta substância é formada nesta camada por acção das radiações ultravioleta (UV) provenientes do Sol. Assim como se forma também se dissocia originando O2 e O (radical livre) devido à acção das mesmas radiações mantendo-se uma quantidade certa que vai absorvendo os UVC que são os ultravioletas mais energéticos e, por isso, mais perigosos.
À Terra chegam os UVA e os UVB. Os UVA são os menos perigosos sendo responsáveis por queimaduras na pele e seu envelhecimento enquanto que os UVB podem, em situações mais graves, dar origem a doenças nos olhos, cancros de pele, mutações genéticas, etc,.
Como a camada de ozono tem vindo a diminuir drasticamente desde os anos cinquenta com especial decréscimo a partir dos anos oitenta, é conveniente usarmos um protector solar quando nos expomos em demasia ao Sol. Os melhores protectores são os ecrãs minerais, filtros físicos que são formados por partículas de compostos inorgânicos, como óxidos de zinco e de titânio que reflectem a maior parte da radiação incidente. Também conforme o tipo de pele assim se deve escolher um determinado FPS ( factor de proteção solar). Por exemplo, se uma dada pele suporta 10 minutos de exposição solar sem sofrer danos, com um creme de índice de protecção 50, suportará o Sol cerca de 50x10=500 minutos, um pouco mais de 8 horas. Quanto mais clara for a pele maior deverá ser o FPS.
Os filtros químicos são constituídos por moléculas orgânicas que absorvem e dissipam os UVA e os UVB também mas são menos aconselháveis para as crianças.
Estudos recentes revelaram que os níveis de ozono diminuiram entre 4 e 8%, na última década, junto ao Círculo Polar Ártico tendo sido detectados também níveis elevados de ClO, provenientes dos CFC - destruidores do ozono - em zonas estratosféricas sobre o norte do Canadá, Europa e E.U.A. Também as partículas e gases lançados para a atmosfera, em 1991, pela erupção vulcânica ocorrida nas Filipinas, veio contribuir para a destruição do ozono em zonas afastadas daquelas ilhas, por acção dos ventos.
Os CFC têm sido largamente utilizados na indústria de refrigeração (frigoríficos e aparelhos de ar condicionado)especialmente, ao longo de décadas. Quando fora de uso os gases de refrigeração (CFC) abandonam os tubos e sobem na atmosfera, porque pouco reacticos, até atingirem a estratosfera onde são sensíveis às radiações ultra-violeta (UV).
O chamado "buraco de ozono" situa-se sobre a Antártida conforme se pode observar na figura acima, representado a azul. A razão pela qual a falta de ozono é tão acentuada nesta região é que, no Inverno Polar (cerca de 6 meses) desenvolve-se uma massa de ar rotativa que rodopia sobre a zona (vórtice polar) que aprisiona o ar e mistura os gases ali existentes incluindo o ozono e os CFC provenientes de outras latitudes. Sem luz a temperatura do ar, nesse vórtice, atinge os -80 ºC dando origem à formação de microcristais de gelo que funcionam como catalizadores na formação de radicais livres Cl (átomos de cloro isolados) provenientes dos CFC (clorofluorcarbonetos). Quando aparece a luz do Sol, pela Primavera, as radiações UV desencadeiam, então, a destruição maciça do O3 através das seguintes reacções:


reacções cíclicas, afinal, libertando sempre Cl, o radical mais perigoso para o O3.
Cada átomo de Cl pode destruir 100 000 moléculas de ozono antes de ser removido da atmosfera numa outra reacção que não inclua o O3.
É difícil substituir os CFC na indústria. Tem-se usado os hidroclorofluorcarbonetos (HCFC) nos spray e em refrigeração com a desvantagem de serem gases de estufa e destruirem também a camada de ozono.
Em alguns casos voltou a usar-se o amoníaco para sistemas de refrigeração mas este gás é tóxico.
Os vaporizadores passaram a incluir metano e butano que, como sabemos, são extremamente inflamáveis.
Os terpenos (compostos orgânicos) são usados como solventes de limpeza mas poluem a atmosfera, pois são compostos orgânicos voláteis (COV) também responsáveis pelo smog.
Para já não há soluções perfeitas sendo necessário encontrar o equilíbrio entre os custos e os benefícios.

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