Terça-feira, Janeiro 15, 2008

Privados à portuguesa

Não aprecio símbolos bíblicos por aí além, mas desta vez é irresistível. Aos sete pecados mortais, quem quer que seja que os tenha inventado, faltou o mais apreciado pelos adeptos da iniciativa privada portuguesa: usufruir privadamente dos bens públicos. Durante anos o sucesso da banca privada foi apontado como o grande exemplo em como a acção do estado é dispensável na economia. Logo agora, que eu estava quase disposto a resignar-me, eis que 97 porcento das acções (que não dos accionistas) do maior banco privado português dizem amén ao casamento contra-natura com o estado. Os arautos da superioridade da iniciativa privada parece terem-se esquecido, nas suas campanhas de esclarecimento, de elucidar a nata da sociedade quanto à desejável independência do sector privado. O que torna doravante a sua missão junto do resto da sociedade praticamente impossível. Bad luck Jeff. Mais facilmente convenceriam agora toda a gente que a lei em vigor é: público nos custos, privado nos lucros.

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